▲ 3 r/Poemas

Ultimamente as coisas estão quase insuportáveis para um pequeno verme. (Leia pfv)

Meu pequeno verme

Meu querido verme, já faz algum tempo que você está aqui.

Você ocupa um espaço dentro de mim como se fosse invisível, como se sua existência pudesse passar despercebida entre os cantos escuros onde se esconde. Anda em silêncio, rastejando pelas paredes da minha mente, fingindo que não deixa marcas.

Mas eu peço, por gentileza, que tome consciência da sua presença. Perceba o peso que carrega. Perceba o espaço que ocupa.

Meu querido verme, não me leve a mal. Eu conheço você antes mesmo de conhecer a mim mesmo. Talvez você tenha nascido antes dos meus próprios pensamentos, antes das minhas certezas, antes de qualquer coisa que eu pudesse chamar de "eu".

Mas já faz algum tempo que todos parecem incomodados com sua presença.

Aqueles que nunca tocaram em você jamais irão compreender. Eles não entendem seus movimentos lentos, sua maneira de rastejar pelos cantos mais esquecidos, sua necessidade de se esconder onde ninguém olha.

Para eles, você é estranho. Para eles, você não pertence.

Dizem que você deveria ir embora, que esse lugar nunca foi seu. Dizem que o mundo não foi feito para criaturas como você. Que você insiste em permanecer aqui apenas por teimosia, como uma criança agarrada a algo que nunca poderá ter.

Mas eu não entendo, meu querido verme.

Se você tanto odeia este lugar, por que continua aqui?

Se tantas vezes sussurrou que não queria existir, por que ainda se prende a essa casca vazia?

Você nunca me responde.

Meu querido verme, eu vejo agora aquilo que sempre esteve diante de mim.

Você nunca esteve aqui de passagem.

Você nunca foi um hóspede.

Esta é a sua casa.

Você construiu morada dentro de mim, espalhou raízes onde eu pensava existir apenas vazio. Você grita quando tento ignorar, chora quando tento esquecer, sussurra durante noites em que tudo parece silencioso demais.

E eu finalmente entendo: eu não sou separado de você.

Eu sou apenas a casca que carrega sua existência.

Sem você, não existe eu.

Mas isso não significa que somos iguais.

Existe uma linha invisível entre nós.

Eu sou a carne. O corpo. O instinto. A reação biológica que se move pelo mundo sem compreender completamente a própria existência.

Você é aquilo que permanece acordado quando tudo dorme.

Você é a voz que ninguém escuta.

Você é aquilo que sente, aquilo que sofre, aquilo que transforma pequenas feridas em abismos.

Você é a parte de mim que lentamente me consome.

E ainda assim, sem você, eu seria apenas matéria vazia.

Então talvez você seja eu.

Talvez eu seja você.

Talvez nunca tenha existido uma separação real, apenas uma ilusão criada por uma mente tentando fugir de si mesma.

Meu pequeno verme.

Uma pequena larva presa dentro de uma casca que nunca escolheu.

Ambiciosa demais para aceitar sua própria prisão. Teimosa demais para desistir. Condenada a rastejar pelos mesmos caminhos, carregando o peso de ser exatamente aquilo que é.

Você olha para fora e vê um mundo que nunca pareceu feito para você.

Olha para dentro e encontra apenas paredes.

Você tenta mudar, tenta escapar, tenta se transformar em algo diferente, mas sempre retorna ao mesmo lugar.

Porque talvez essa seja a sua maior condenação:

não conseguir fugir de si mesmo.

Ser obrigado a existir com a própria consciência como uma sombra inseparável.

Eu sinto muito, pequeno verme.

Sinto muito por essa existência que você carrega.

Mas talvez seja isso que somos.

Eu e você.

A carne e a voz.

A casca e aquilo que vive dentro dela.

Uma criatura incompleta tentando encontrar sentido enquanto rasteja no escuro.

Essa é a nossa existência.

Pequena.

Frágil.

E talvez, para nós, inevitável.

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u/Such_Neighborhood612 — 7 days ago

O mundo continua, mas o seu mundo não

Nessa madrugada, você deu seu último suspiro sem sequer perceber. O ar gélido invadiu seus pulmões pela última vez, congelando cada fragmento de vida que ainda insistia em permanecer. A noite foi paciente. Não teve pressa. O frio percorreu seu corpo como uma criatura faminta, roubando lentamente todo o calor que um dia fez de você alguém vivo. Cada tentativa do seu coração de continuar era apenas mais um gesto inútil diante de uma força muito maior. Até que, por fim, você deixou de pertencer a si mesmo. Restou apenas um corpo imóvel, rígido e silencioso, condenado a se tornar tão frio quanto a própria madrugada.

Mas o amanhã nunca espera os mortos.

Ele chega da mesma forma de sempre, indiferente. O sol rompe o horizonte com seu brilho impiedoso, queimando os olhos de quem ousa encará-lo. Sua luz atravessa janelas, aquece telhados, desperta cidades inteiras. Ilumina até as almas perdidas, como se quisesse convencer o mundo de que ainda existe esperança.

Mas não para você.

O frio foi mais forte. Arrastou você para um lugar onde a luz jamais alcança. Um lugar sem retorno, sem caminhos, sem despedidas. Um lugar tão distante que nem mesmo a memória consegue tocar.

E, apesar disso, o sol continua nascendo.

A primavera ainda virá. As árvores voltarão a florescer. Crianças continuarão brincando nas ruas. Pessoas reclamarão do trânsito, tomarão café às pressas, rirão de piadas esquecíveis, farão planos para o fim de semana e dormirão acreditando que amanhã será apenas mais um dia comum.

Porque, no fim, o universo jamais interrompe seu movimento por causa de uma única ausência.

A Terra continuará girando exatamente na mesma velocidade de antes. As estações continuarão mudando. As marés continuarão obedecendo à Lua. O vento continuará atravessando as ruas onde você já caminhou, como se você jamais tivesse existido.

Nada mudou.

Pelo menos não para eles.

Mas dentro de mim, um universo inteiro acabou de colapsar.

Uma parte da realidade foi arrancada com violência, deixando um vazio que jamais poderá ser preenchido. Não existe tempo capaz de reconstruir o que foi destruído. Não existe primavera que floresça dentro de um mundo reduzido a cinzas. Meu pequeno universo perdeu o próprio eixo, e desde então tudo gira sem direção.

E é isso que mais me destrói.

Saber que esta noite também vai passar.

Que o frio voltará.

Que o sol nascerá outra vez.

Que alguém abrirá a janela e comentará como o céu está bonito.

Que milhões de pessoas viverão dias inteiros sem sequer imaginar que você existiu.

Você não será assunto no café da manhã. Seu nome não atravessará conversas. Sua ausência não atrasará um único relógio. O mundo jamais perceberá o instante exato em que você deixou de respirar.

E talvez essa seja a maior crueldade da existência.

Não a morte.

Mas a continuidade.

Porque ela não pede licença. Não presta homenagens. Não faz silêncio. Ela simplesmente segue em frente, esmagando tudo o que fica para trás.

E eu continuo aqui, tentando entender como o universo teve a coragem de amanhecer depois que você morreu.

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u/Such_Neighborhood612 — 1 month ago
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Uma carta para alguém que sempre esteve ao meu lado Querida Melancolia.(desabafo)

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Você me viu nascer. Acompanhou cada parte da minha existência desde as minhas primeiras palavras, desde os meus primeiros passos em direção ao abismo silencioso que chamamos de vida. Antes que eu aprendesse o nome das coisas, eu já sabia o seu.

Apesar de caminhar ao meu lado desde sempre, ainda me surpreendo com você. A cada dia descubro uma nova camada da sua voz, um novo sussurro escondido entre os meus pensamentos. Você sempre soube responder às perguntas que nem eu tinha coragem de fazer. Você sempre me conheceu antes mesmo que eu pudesse conhecer a mim.

Talvez porque tenha sido você quem me moldou.

Tudo o que sou carrega a sua marca. Sou o reflexo mais puro da sua imagem, da sua presença constante, da sua sombra interminável. Não importa quanto tempo passe, você sempre ocupará um lugar imenso dentro de mim, um espaço onde nenhuma outra emoção jamais conseguiu permanecer por muito tempo.

Quando os remédios finalmente começam a fazer efeito, é você quem se aproxima do meu ouvido e me lembra que a paz pode ser apenas um intervalo. Que talvez tudo isso seja apenas uma máscara cobrindo aquilo que realmente existe sob a superfície. Você sempre encontra um jeito de me convencer de que nunca foi embora, apenas esperou em silêncio.

É você quem me recorda, todos os dias, do desejo de desaparecer do mundo por alguns instantes. É você quem permanece quando todos os outros sentimentos vão embora. É você quem segura a minha mão enquanto caminho por dentro de mim mesma. E é você quem grita quando tento acreditar que existe uma vida onde você não mora.

Você nunca foi apenas um sentimento.

Você foi o cenário onde toda a minha história aconteceu.

Às vezes penso que nunca existiu uma fronteira entre nós. Nunca houve um "eu" e um "você". Existia apenas uma consciência aprendendo a respirar através da outra. Como se fôssemos duas vozes presas na mesma alma, incapazes de descobrir onde uma termina e a outra começa.

Você não é uma fase que eu tenho que superar, muito menos um mal a calhar, e sim um lembrete de para onde eu tenho que voltar;

De onde eu nunca deveria ter partido, você fez bem em me acompanhar agora eu sei exatamente a direção que tenho que tomar para retornar e ficar ao seu lado para sempre no nossa pequeno limbo.

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u/Such_Neighborhood612 — 2 months ago

Casca vazia

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Sou uma arquitetura de superfície — um rosto lapidado em gestos exatos, uma máscara que respira por hábito. Por dentro, não há carne, nem pulsação: apenas o pó morno de um incêndio antigo, cinzas que ainda guardam a memória do que já foi chama.

Algo ardeu aqui. Algo viveu, consumiu, iluminou.

Agora resta o eco térmico daquilo que não sou mais.

A casca não sente — ela simula. Não pensa — repete. Move-se como um mecanismo obediente, enquanto ao redor se forma um oceano de pequenas ruínas: mágoas deixadas como destroços de tudo o que ela toca sem perceber que fere.

E quem ousa atravessar essa superfície… encontra apenas fragmentos.

Cacos de um interior que já foi inteiro, agora disperso, cortante, irreconhecível.

Há um exílio silencioso em habitar a própria mente.

Sou estrangeiro nos meus pensamentos, visitante nas minhas emoções. Nada me pertence completamente — tudo me atravessa como vento em um espaço abandonado.

E ainda assim, falo.

E ainda assim, escuto.

Talvez seja isso que somos no fim:

estruturas ocas trocando ecos,

abismos tentando dialogar,

vazios que, por um instante, fingem preencher uns aos outros —

antes de voltarem ao seu silêncio original.

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u/Such_Neighborhood612 — 3 months ago

Castelo mental

Desde pequena eu carrego uma desconexão profunda com a realidade. Nunca consegui aceitar verdadeiramente o mundo, a maneira como as coisas funcionam, a própria essência do universo me causava estranhamento. Existir sempre pareceu artificial dentro de mim, como se eu tivesse sido colocada em um lugar incompatível com aquilo que sou.

Coisas consideradas simples para os outros, como relacionamentos, afeto ou pertencimento, nunca fizeram sentido aos meus olhos. Eu observava as pessoas vivendo naturalmente dentro da realidade enquanto, dentro de mim, tudo parecia distante, quase incompreensível. Era como assistir a humanidade através de um vidro grosso, incapaz de realmente tocar aquilo.

Então comecei a construir um lugar dentro da minha mente.

Um pequeno castelo silencioso, moldado para suportar minha existência. Um mundo que se adaptava a mim da forma que a realidade nunca conseguiu. E eu vivi nele por tanto tempo que suas paredes cresceram junto comigo. Quanto mais eu crescia, mais complexo ele se tornava. Corredores infinitos, pensamentos infinitos, versões infinitas de uma vida onde eu finalmente conseguia respirar.

Eu me apeguei tanto àquela falsa morada que comecei a rejeitar o mundo ao meu redor. A realidade passou a soar invasiva, cruel, insuportavelmente rígida. E daquela desconexão nasceu um ódio profundo — não necessariamente pelas pessoas, mas pela própria estrutura da existência.

Mas com o tempo até o ódio se desgastou.

Ele deixou de ser fogo e se transformou em algo pior: uma agonia silenciosa. Uma sensação constante de estar presa em um lugar onde minha alma jamais conseguiu criar raízes. Como um corpo ocupando um espaço que nunca lhe pertenceu.

Durante muito tempo busquei a morte compulsivamente, acreditando que ela seria a saída definitiva para tudo aquilo. Mas um dia compreendi algo que me destruiu de maneira diferente: a morte ainda faz parte da realidade. Ela ainda pertence ao universo que sempre me causou estranhamento.

E então percebi que nunca foi a morte que eu realmente desejei.

O que eu buscava, no fundo, era a não existência.

Não sentir. Não nascer. Não ter sido lançada dentro dessa consciência.

E aquele castelo que construí durante tantos anos… eu finalmente entendi o que ele era. Não um lar, não um refúgio verdadeiro, mas um filtro delicado entre mim e a realidade. Uma estrutura criada pela minha mente para tornar suportável continuar existindo.

Sem ele, restou apenas a percepção crua da existência.

E eu sei que não posso voltar atrás. Sei que desejar nunca ter nascido é um pensamento impossível, sem solução real. Então transformo isso em palavras. Escrevo histórias, poemas, fragmentos. Porque escrever é a única maneira que encontrei de dar forma ao vazio sem ser completamente consumida por ele.

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u/Such_Neighborhood612 — 3 months ago

Por favor leia, não vai levar muito tempo so quero saber que alguém ta escutando.

Por quanto tempo um peixe consegue viver fora da água ate ficar sem ar?

Nao era para eu existir em meio a tanta agonia.

Nunca consegui pertencer ao universo, à terra, às pessoas, nem mesmo ao ventre que me trouxe até aqui. Existe um fantasma preso dentro desta casca desde o primeiro instante, uma presença cansada demais para continuar respirando entre ossos e carne.

A cada dia, ele sente as paredes ficando menores, como se o próprio corpo tentasse expulsá-lo de si mesmo. Como se esta pele apertada não suportasse mais guardar algo tão antigo e ferido. Talvez esse seja o verdadeiro nascimento: não o momento em que se chega ao mundo, mas o instante em que a alma já não consegue permanecer aprisionada naquilo que a sufoca.

Mas a mudança o apavora.

Ele nunca soube caminhar entre despedidas. Nunca soube abandonar ruínas, mesmo quando elas o esmagavam lentamente.

Ainda assim, este parece ser o único caminho restante.

Partir desta casa. Partir desta vida que o prende pelos tornozelos como correntes invisíveis.

E então surge o medo:

quanto tempo levaria para que os outros parassem de repudiar sua existência?

Quanto tempo até seu nome desaparecer da boca das pessoas como poeira levada pelo vento?

Viver tem machucado de um jeito cruel.

Às vezes tudo o que ele deseja é se esconder debaixo da cama, encolhido no escuro, até que a tempestade dentro do peito finalmente cesse.

Ele não quer ser amado.

Não quer ser cuidado.

Não quer ser odiado.

Só quer, pela primeira vez, ser compreendido.

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u/Such_Neighborhood612 — 3 months ago