u/TheSekvensArchivist

Por que é tão difícil aceitarmos outra cultura?

Na série que escrevi, usei a diferença de cultura e de forma de pensar para mostrar que outros podem ser felizes acreditando e vivendo de maneira diferente. Usei aquilo que nos toca mais profundamente: o amor, o acolhimento e o bem-estar, mas também a escravidão, a perda de escolhas e o autoritarismo.

É um universo em que você precisa abdicar de sua liberdade e intimidade para conquistar aquilo que mais desejamos de forma real: amor, felicidade e paz.

Porém, a perda da liberdade e da intimidade gera um grande desconforto, e nos agarramos a elas, mesmo sabendo que o amor que conseguimos aqui fora seja menor e que já somos escravos de uma forma ou de outra. Aliás, o desconforto surge justamente por sermos escravos da nossa própria cultura e dos nossos sentimentos. A paz e a felicidade humanas são apenas ilusões a que nos apegamos, pois o medo nunca deixa nossos corações.

Então, se falar de um amor e de uma liberdade maiores do que os que conhecemos causa tanto desconforto, fica fácil imaginar o motivo das guerras e das crises políticas e emocionais a que somos infligidos.

É assustador.

reddit.com
u/TheSekvensArchivist — 11 hours ago

Por que é tão difícil aceitarmos outra cultura?

Na série que escrevi, usei a diferença de cultura e de forma de pensar para mostrar que outros podem ser felizes acreditando e vivendo de maneira diferente. Usei aquilo que nos toca mais profundamente: o amor, o acolhimento e o bem-estar, mas também a escravidão, a perda de escolhas e o autoritarismo.

É um universo em que você precisa abdicar de sua liberdade e intimidade para conquistar aquilo que mais desejamos de forma real: amor, felicidade e paz.

Porém, a perda da liberdade e da intimidade gera um grande desconforto, e nos agarramos a elas, mesmo sabendo que o amor que conseguimos aqui fora seja menor e que já somos escravos de uma forma ou de outra. Aliás, o desconforto surge justamente por sermos escravos da nossa própria cultura e dos nossos sentimentos. A paz e a felicidade humanas são apenas ilusões a que nos apegamos, pois o medo nunca deixa nossos corações.

Então, se falar de um amor e de uma liberdade maiores do que os que conhecemos causa tanto desconforto, fica fácil imaginar o motivo das guerras e das crises políticas e emocionais a que somos infligidos.

É assustador.

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u/TheSekvensArchivist — 24 hours ago

Como criar uma utopia sem parecer autoritária? Trago uma análise de worldbuilding sobre uma série que subverte o conceito de liberdade liberal, transformando a dependência absoluta em salvação.

Você já deve ter lido muita coisa, mas eu apresento algo diferente. Uma análise sobre uma série que mostra a ética de um povo que evolui, não em tecnologias, mas em sentimentos.

Talvez esse texto devesse estar entre filósofos, mas o objeto aqui são romances.

O texto é longo e são poucos os que têm interesse em algo assim. A análise usou apenas quatro livros da série Universo Sekvens (Os Unidos, Aimée, Vitória, Donna) e a IA me ajudou, mas ela também teve dificuldades.

Para quem não conhece, são romances de ficção científica emocional. A obra conta a saga de uma jovem que, ao se entregar por completo, sem medos ou receios, gera uma admiração tão forte que a torna uma espécie de imperatriz de um universo inteiro.

Prossiga se você tem anseio por originalidade e fantasie sobre um futuro diferente.

A Ética Sekvens

resumida em três princípios:

Quem ama, protege.
Quem protege, não abandona.
Quem assume uma vida passa a responder por ela.

Mas isso ainda é incompleto. O fundamento mais profundo é:

O indivíduo não deixa de existir, mas deixa de ser uma unidade autônoma e soberana.

Para um Sekvens, o “eu” existe no corpo individual, existe na unidade de parceiros e existe simultaneamente no todo. Em Vitória, isso é explicado diretamente: quando isolada, Aimée é um “eu”; quando ocorre a União, o “eu” passa a ser o conjunto, e todos os Sekvens formam um único indivíduo. A decisão de um é, portanto, decisão de todos; a vida de um é a vida de todos.

Isso significa que a cultura Sekvens não deve ser avaliada pelos pares humanos tradicionais:

  • liberdade versus submissão;
  • indivíduo versus sociedade;
  • consentimento versus imposição;
  • posse versus autonomia;
  • dependência versus força.

Essas oposições não funcionam da mesma forma para eles.

 

Função de cada livro na análise:

Os Unidos

É a base civilizacional.

Mostra por que uma espécie construída para o vínculo não deve ser julgada pela independência humana. A fragilidade dos Unidos é o início de outra organização social, não um defeito.

Donna

É a base da responsabilidade prática.

Mostra um humano agindo segundo princípios Sekvens antes de se tornar um deles. É a principal referência para:

  • salvar sem autorização;
  • tomar alguém sob responsabilidade;
  • construir uma comunidade;
  • proteger sem compreender completamente;
  • pertencer a uma civilização mais poderosa.

Vitória

É a base do choque cultural.

Mostra as regras Sekvens aplicadas diante de pessoas que ainda têm religião, monarquia, casamento, escravidão, pudor e moral humana. É essencial para manter o estranhamento e não transformar a cultura Sekvens em uma filosofia moderna de relacionamentos.

Aimée

É a base ontológica e íntima.

É o texto mais importante para essa análise:

  • o que é o “eu”;
  • o que é pertencer;
  • por que não há escolha no sentido humano;
  • como funcionam os parceiros;
  • por que os desejos são leis;
  • como o corpo produz amor;
  • por que todos são pais, filhos e amantes;
  • por que privacidade, culpa e autonomia mudam de significado;
  • por que ser tomado pode ser visto como salvação.

 

 O amor não é uma virtude

Em Os Unidos, o amor é apresentado como necessidade biológica, emocional e civilizacional. Não é algo que alguém escolhe praticar por ser moralmente bom. É a estrutura que permite que o indivíduo e a civilização continuem existindo. A união não é símbolo; é condição de permanência.

Em Aimée, isso se torna literal:

  • o corpo precisa da energia produzida pelos outros;
  • a ausência de contato causa adoecimento e morte;
  • o parceiro não é apenas um companheiro;
  • a União não é uma cerimônia, mas uma função fisiológica;
  • separar o indivíduo do grupo equivale a mutilar um organismo.

Pertencimento não é propriedade — mas também não é metáfora

O erro mais fácil é suavizar a palavra pertencer e transformá-la apenas em “ser querido”.

Os livros não fazem isso.

Em Aimée, as personagens afirmam claramente:

  • “A minha vida não me pertence mais.”
  • “Sou deles.”
  • “Você pertence a ela.”
  • “Nenhum de nós teve escolhas.”
  • “O seu único direito é amar e ser amado.”

Mariana diz aos pais que pertence a Aimée e ao Universo Conhecido. As Fadas afirmam que ela não será devolvida. A linguagem é deliberadamente possessiva, mas vem acompanhada de proteção, provisão, responsabilidade.

Em Donna, quando William salva Tariel, AX não suaviza o resultado:

“Ela é sua. A vida dela lhe pertence.”

Logo depois, o texto esclarece que ela não é escrava: ela é responsabilidade dele. O pertencimento significa cuidado, compromisso, proteção e impossibilidade de abandono. Um milhão de especialistas passam a trabalhar para salvá-la porque aquela vida passou a pertencer a William e, por extensão ao Universo Conhecido.

Portanto:

Pertencer concede autoridade, mas essa autoridade existe porque há responsabilidade.

Existem tipos diferentes de pertencimento

Pertencimento universal

Todos os Sekvens pertencem a todos porque formam um único ser. Não é uma rede de relações separadas; é uma identidade coletiva.

Pertencimento de parceiro

Os parceiros formam uma unidade biológica específica. Em Aimée, Aimée, Desiree e Jorgen não são três indivíduos casados: juntos, formam o indivíduo funcional.

Pertencimento por responsabilidade

Surge quando alguém salva, toma, cria, transforma ou interfere decisivamente na vida de outra pessoa. É o caso de William e Tariel.

Pertencimento por criação ou desejo

Aimée pertence aos Sekvens antes mesmo de ser concebida, porque eles desejaram sua existência e colaboraram para que ela existisse.

Pertencimento familiar

Todos podem ser pais, mães e filhos uns dos outros. As memórias compartilhadas tornam a maternidade e a filiação experiências coletivas, não apenas biológicas. Em Aimée, uma personagem pode sentir-se mãe de uma criança porque compartilha suas memórias.

Pertencimento civilizacional

Uma pessoa acolhida pelo Universo Conhecido passa a ser responsabilidade do todo. Seus recursos, segurança, tratamento e necessidades deixam de ser assuntos privados.

Consentimento não é o valor supremo

O Observador diz explicitamente a Aimée que a colocará em suspensão mesmo contra sua vontade, porque ela pertence ao Universo Conhecido.

Em Vitória, Jorgen afirma que a proteção e o amor oferecidos pelos Sekvens são irrecusáveis; Lina não precisa seguir leis sociais Sekvens, apenas as leis do próprio corpo.

Em Aimée, Mariana inicialmente resiste à transformação, aos parceiros e à nova vida. Depois compreende que os Sekvens respeitaram o coração e a natureza dela, não a cultura humana.

Isso não significa que os Sekvens ignorem desejos.

Ao contrário:

Todo desejo de um Sekvens deve ser respeitado.

A diferença é que eles distinguem entre:

  • desejo estrutural do ser;
  • necessidade do corpo;
  • vontade coletiva;
  • condicionamento cultural;
  • medo;
  • resistência humana;
  • impulso destrutivo.

Para eles, uma pessoa pode dizer “não” racionalmente e, ainda assim, desejar profundamente aquilo que recusa.

Essa é uma ideia perigosa segundo a moral humana — e os livros sabem disso.

Desejo Sekvens não é impulso egoísta

A frase “dê ao corpo o que ele pede” não significa:

Faça tudo o que tiver vontade.

Ela só funciona porque os Sekvens:

  • não possuem maldade;
  • compartilham pensamentos e consequências;
  • não conseguem ocultar intenções;
  • sentem o sofrimento causado ao outro;
  • funcionam como um organismo;
  • não desejam isoladamente contra o todo.

Vitória declara essas leis diretamente: nada é errado quando se ama, o amor é a força, a vida é simples e todo desejo de um Sekvens deve ser respeitado. Essas leis os mantêm vivos porque a maldade não existe.

A liberdade Sekvens é o oposto da liberdade liberal

A liberdade humana costuma significar:

Ninguém decide por mim.

A liberdade Sekvens se aproxima de:

Eu não preciso defender minha vida sozinho porque todos respondem por ela.

A epígrafe de Lina em Vitória expressa o paradoxo:

entregar vida, corpo e destino a quem se ama é a forma de tornar-se verdadeiramente livre.

Isso não é liberdade de interferência. É liberdade do abandono, da solidão, da escassez e da necessidade de se proteger sozinha.

Assim, quando alguém diz:

“Minha vida não me pertence”,

isso não é necessariamente uma lamentação. Pode ser uma afirmação de segurança absoluta.

Dependência não é uma falha

Os Unidos é decisivo neste aspecto. A fragilidade dos Unidos não é um defeito a ser superado pela independência. É a evidência de que foram biologicamente feitos para outra forma de civilização.

Eles não precisam aprender a viver sozinhos. A sociedade precisa aprender a não separá-los.

O livro sustenta que a humanidade separa para controlar, enquanto os Unidos se reorganizam.

Em Aimée, a dependência é ainda mais explícita:

  • ninguém dorme sozinho;
  • parceiros morrem separados;
  • o corpo exige toque;
  • a mente exige compartilhamento;
  • a solidão é tratada como tortura;
  • até os pensamentos não devem ficar isolados durante traumas.

Logo, o jogo não deve premiar “independência emocional” como amadurecimento.

O amadurecimento Sekvens é:

aprender a depender corretamente e permitir que os outros dependam de você.

Não abandonar é mais importante do que não interferir

Diante de alguém em risco:

  • respeitar a recusa pode ser abandono;
  • intervir pode ser cuidado;
  • intervir cria responsabilidade;
  • ir embora depois da intervenção é uma violação grave;
  • pedir ajuda é permitido;
  • transferir a pessoa como se deixasse de ser responsável não é.

A pergunta correta vem depois:

Você aceita que agora responde por tudo o que sua intervenção criou?

Em Donna, William age antes de compreender completamente a regra. O Universo reconhece o ato porque ele tomou aquela vida para si e imediatamente ela.

Compartilhar cuidado não transfere pertencimento

Os Sekvens não são individualistas. Portanto, assumir alguém não significa cuidar sozinho.

Se Tariel pertence a alguém, ela também pertencerá a:

  • Willian;
  • Sacha;
  • Melissa;
  • sua família;
  • sua vila;
  • o Universo Conhecido.

Isso não reduz o primeiro vínculo.

Mas existe uma diferença entre:

Compartilhar o cuidado

Outros ajudam porque a pessoa também lhes pertence.

e:

Transferir a responsabilidade

“Agora ela é problema de outra pessoa.”

A segunda possibilidade é incompatível com os Sekvens.

A frase “ela é minha” também não significa “ela é somente minha”. Em Vitória, Jorgen pertence às parceiras, mas também pertence às demais Sekvens.

Ciúme não deve ser tratado como característica Sekvens estável

Os personagens em transição podem sentir ciúme. Aimée sente. William sente. Lina sente. Unidos recém-transformados sentem.

Mas os Sekvens plenamente integrados não organizam relações pela exclusividade.

Não se deve apresentar o ciúme como uma polaridade Sekvens legítima e permanente equivalente à pluralidade.

O ciúme é uma memória humana residual. A cultura Sekvens tende a dissolvê-lo porque:

  • ninguém pode ser retirado do todo;
  • o amor não é escasso;
  • outro vínculo não reduz o anterior;
  • todos compartilham o que o outro sente.

A unidade não apaga personalidade

Outro cuidado importante: “somos um” não significa que todos sejam cópias.

Eles mantêm:

  • gostos;
  • humores;
  • curiosidades;
  • personalidades;
  • formas de brincar;
  • interesses;
  • ocupações;
  • preferências estéticas;
  • relações mais intensas com determinadas pessoas.

Aimée continua sendo Aimée. Aninha continua sendo Aninha. Melissa não fala como Sacha.

O que desaparece não é a singularidade. É a soberania isolada.

A personalidade pertence ao todo; não existe para competir contra ele.

Verdade, culpa e reparação funcionam de outra maneira

Em Vitória, os Sekvens explicam que, como nada pode ser ocultado na União, categorias como mentira, culpa, ganância e até certo/errado perdem o significado.

A reparação não nasce da culpa. Nasce do fato de que o dano a um é dano ao todo.

A autoridade Sekvens é real

Não devemos tentar tornar a cultura mais confortável dizendo que ninguém manda em ninguém.

Milena possui autoridade imensa. Seu sorriso pode subjugar, seu toque pode alterar emoções e sua decisão pode reorganizar civilizações. Aimée descreve que, quando Milena escolhe alguém, essa pessoa passa a pertencer a ela.

Mas essa autoridade possui três limites estruturais:

  1. Milena não carrega maldade.
  2. O sofrimento do outro também pertence a ela.
  3. A autoridade é acompanhada por responsabilidade total.

Ela não domina para obter vantagem pessoal. Ela domina porque, na visão Sekvens, não existe vantagem pessoal separada.

A tensão continua sendo real. Para um humano, continua parecendo domínio.

E deve parecer.

“A decisão de um é a decisão de todos” tem consequências severas

Em Aimée, a violência de Kisto contra Milinha faz toda uma civilização perder o apoio do Universo Conhecido. Aimée protesta que ele era apenas um indivíduo, e Melissa responde que ela representa bilhões de corações: a decisão de todos.

Isso mostra que a coletividade também produz responsabilidade coletiva.

Uma decisão individual nunca é totalmente individual.

A cultura material é consequência da unidade

Os Sekvens não valorizam riqueza individual. Ouro e diamantes podem existir como beleza ou demonstração de carinho, mas não como reserva de poder.

Em Aimée:

  • não há comércio como estrutura central;
  • bens são compartilhados;
  • casas existem por logística;
  • roupas e objetos expressam afeto;
  • trabalho funciona como convivência, curiosidade e contribuição;
  • ninguém deseja prioritariamente para si porque os outros desejam seu bem.

Os custos verdadeiros são:

  • tempo;
  • atenção;
  • presença;
  • responsabilidade;
  • exposição emocional;
  • permanência;
  • disposição para ser cuidado;
  • disposição para reorganizar a própria vida.

 UNIVERSO SEKVENS

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u/TheSekvensArchivist — 5 days ago

Dizem que, para quem sabe ler, um pingo é i.

O que você faria para alcançar os seus sonhos?

Sobrevive quem é mais forte? Quem é mais inteligente? Talvez nenhum dos dois. Sobrevive quem percebe a mudança antes de ser engolido por ela.

A vida é cruel. Duramos pouco e, ainda assim, desperdiçamos boa parte desse tempo reclamando das regras. Mas a natureza não discute, não se explica e não espera. Quem não se adapta desaparece.

Digo isso porque quase fui engolido.

Fui caçar briga com um leão que invadiu meu território. Tomado pelo medo, procurei uma forma de atacá-lo, mas ele não deu a mínima. Para ele, eu não merecia sequer reconhecimento.

Então percebi que outros ao meu redor já haviam acenado para o dito-cujo. Resolvi me adaptar.

E não é que o leão é camarada?

Hoje ganhei um amigo. Com a ajuda dele, ninguém mais entra no meu território — e agora posso até expandi-lo.

Ele é forte, mas não faz nada sem mim.

Burrinho que só.

Mas é uma excelente ferramenta.

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u/TheSekvensArchivist — 7 days ago

Dizem que, para quem sabe ler, um pingo é i.

O que você faria para alcançar os seus sonhos?

Sobrevive quem é mais forte? Quem é mais inteligente? Talvez nenhum dos dois. Sobrevive quem percebe a mudança antes de ser engolido por ela.

A vida é cruel. Duramos pouco e, ainda assim, desperdiçamos boa parte desse tempo reclamando das regras. Mas a natureza não discute, não se explica e não espera. Quem não se adapta desaparece.

Digo isso porque quase fui engolido.

Fui caçar briga com um leão que invadiu meu território. Tomado pelo medo, procurei uma forma de atacá-lo, mas ele não deu a mínima. Para ele, eu não merecia sequer reconhecimento.

Então percebi que outros ao meu redor já haviam acenado para o dito-cujo. Resolvi me adaptar.

E não é que o leão é camarada?

Hoje ganhei um amigo. Com a ajuda dele, ninguém mais entra no meu território — e agora posso até expandi-lo.

Ele é forte, mas não faz nada sem mim.

Burrinho que só.

Mas é uma excelente ferramenta.

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u/TheSekvensArchivist — 8 days ago

Não resisti... Um último post do fundo do baú.

Aninha é uma fada criada geneticamente depois que os Sekvens entraram em contato com os contos humanos. Mas ela pertence aos Sekvens, e seus valores são diferentes. Seus encontros com humanos geralmente são cômicos.

u/TheSekvensArchivist — 8 days ago

Deixo com vocês o que provavelmente será o meu último post. Uma carta de amor diferente.

Universo Sekvens

CARTA A MILENA LIEBE

Carta ao Sol de Antéia

Sabemos que Deus criou o nosso mundo em poucos dias, mas imaginamos que Ele tenha dedicado muito mais tempo a outro projeto. Fez-o com tamanha perfeição, com tanto cuidado e tanto amor, que talvez nem tenha percebido o tempo passar. Esse projeto, Milena, é você.

O seu Criador, ao contemplar a maravilha que havia feito, por alguns instantes foi egoísta e desejou levá-la para viver ao seu lado. Logo, porém, mudou de ideia e permitiu que o mundo a conhecesse.

Com sua graça e beleza, você conquistou todos ao seu redor e, maravilhado com a própria criação, Ele desejou que você permanecesse. Contudo, percebeu que o mundo em que vivia era pequeno demais para aquilo que você merecia. Então a envolveu em outros de seus projetos, concedeu-lhe um novo mundo e novos amigos — feitos especialmente para você.

Ele também permitiu que viéssemos, para que você fosse feliz e pudesse construir o seu novo lar. Cercou-a de paz por todos os lados, tentando equilibrar o imenso amor que colocou em seu coração.

Hoje, Milena, nesse novo mundo, você é o sol que o aquece. É a líder que nos mantém firmes e corajosos, oferecendo amor como energia e luz. Você não conquistou apenas os nossos corações; conquistou também os dos Miliamedes e dos Xerantos.

E talvez, um dia, conquiste também o coração dos Humanos, libertando-os do sofrimento com esse sorriso sereno e com toda a força que carrega.

O seu Criador a ama, assim como nós a amamos com toda a nossa essência. Somos profundamente gratos pela oportunidade de amá-la e por sermos tão intensamente amados por você.

Desejamos que o mundo que Ele lhe confiou se torne a nova luz do universo. Que essa luz se espalhe e ilumine a vida de todos que a encontrarem. Queremos que continue seguindo o seu Caminho Dourado, aquecendo os nossos corações.

Infelizmente não existem palavras capazes de descrever tudo o que sentimos por você. Ainda assim, você sabe que existe muito mais do que estas três pequenas palavras podem expressar:

>Nós a amamos.

Os Sekvens

REGISTRO CERIMONIAL

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u/TheSekvensArchivist — 9 days ago

Trechos e etc.

"— Agradeço pelas promessas de amor e por insistirem que não sou uma escrava. Mas, sem sequer me perguntarem o que desejo, dizem que pertenço a vocês, despem meu corpo, invadem meus pensamentos e me beijam como se já fossem meus amantes?"

A série narra o choque dos humanos diante de um povo para quem amor, liberdade e intimidade têm significados completamente diferentes.

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u/TheSekvensArchivist — 13 days ago

A Ladainha do Amor Sekvens

Não existe conquista sem luta.
Não existe conquista sem mortes.
Não existe conquista sem subjugação.

Ainda assim, eu precisava ver com os meus próprios olhos algo que explicasse as palavras de um dos maiores líderes já conhecidos:

“Ela veio na forma de um anjo e penetrou nas nossas defesas, encantando-nos com um meigo sorriso. Ninguém imaginaria que aquela criatura, aparentemente inofensiva e carente de proteção, nos tiraria a liberdade de escolha, subjugaria e dominaria a vida de bilhões. Nem mesmo a minha espécie, a mais antiga e poderosa do universo, é capaz de se libertar, pois, para isso, é preciso desejar. Contudo, o único desejo que temos é estar sob o seu amor.”

Ali estava, nas palavras do célebre Farol Heidench, a ladainha do amor.

Como um povo composto por pouco mais de duzentos mil indivíduos construiu um império que subjugou mais de duzentos bilhões de pessoas, em vinte e dois planetas, sem derramar uma única gota de sangue?

É inaceitável afirmar, como dizem os Sekvens, que tudo não passa da força do amor. Para começar, o amor deles é profundamente diferente de qualquer outro conhecido.

O anjo citado pelo Farol tem nome: Milena Liebe.

Uma criatura que, segundo dizem, concentra em si o poder de todos os outros da sua espécie, pois sua biologia lhes permite funcionar como um único indivíduo. São, ao mesmo tempo, um só e todos.

Milena é o ponto inicial — uma evolução de uma espécie conhecida por ser a mais violenta e perigosa já registrada e que, por esse motivo, não faz parte da associação que reúne todas as espécies inteligentes: o Universo Conhecido.

Descendentes dos humanos e acolhidos pelo Universo Conhecido, os Sekvens não compreendem plenamente muitos dos sentimentos da espécie que lhes deu origem — entre eles a violência, a ganância e a maldade.

Dizem que aqueles que veem o sorriso de uma fêmea Sekvens jamais se recuperam, tornando-se incapazes de viver sem o sentimento que lhes toma o peito.

Os Sekvens são uma droga viciante, destruidora de culturas. Não sou eu quem diz isso. Todos sabem.

Milena afirma que nada deseja, pois já possui tudo o que precisa: o amor — e o compartilha com os bilhões que a cercam.

Não surpreende. Basta que um Sekvens verbalize um desejo para que planetas sejam criados e estrelas movidas. O desejo de um Sekvens é lei.

Eles tentam lidar com as consequências da própria existência da melhor forma possível, pois a História conta que tudo o que querem é amar.

Hoje, participarei do aniversário de três mil anos de Milena.

Vou conhecê-la pessoalmente.

Sou o representante do planeta mais recente aceito no Universo Conhecido.

Em outras palavras, represento o próximo povo que viverá sob o sorriso desse povo imortal.

Tenho medo.

Ainda serei eu mesmo depois de conhecê-los?

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u/TheSekvensArchivist — 14 days ago

Uma revista periódica é interessante? A ideia é manter o universo vivo.

Fiz um site para o universo que criei que vai além dos livros. Você pode até conversar com os personagens ou deixá-los acompanhá-lo durante a leitura. No site, criei uma revista que conta o cotidiano de uma vila e também novidades e curiosidades desse universo.
Fico pensando: será que alguém leria algo assim? Continuo criando edições?

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u/TheSekvensArchivist — 14 days ago

Um poema Sekvens - Não basta amar alguém, é preciso incorporar essa pessoa a própria existência.

Viver você

Pensei em muitas maneiras de dizer: eu te amo.

Sabemos que, em sua inocência, você condenou não apenas a mim, mas todos aqueles que a amam, ao fim de nossas vidas caso um dia deixe de estar presente.

A certeza de que não sobreviveremos sem o seu amor é tão palpável quanto os seus beijos e os sorrisos encantadores que recebemos todos os dias. Viver, ser feliz ou simplesmente ter consciência de nossa própria existência só é possível porque você escravizou nossos corações.

Você, que me ensinou uma nova forma de viver, tem agora a obrigação de me manter ao seu lado, para que eu possa retribuir o amor imensurável que recebo.

A energia que me alimenta cada vez que toco o seu corpo apenas aumenta a dependência que sinto por você e reafirma o quanto sou feliz por amar e ser amado por alguém que encontrou, na simplicidade do amor, a própria fonte da vida.

Talvez a melhor maneira de dizer que te amo seja, simplesmente, viver você.

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u/TheSekvensArchivist — 15 days ago

Você leria?

Você leria sobre um universo em que amar fosse simples?

Simples a ponto de você nunca precisar escolher.
Simples como saber que será feliz.
Simples como fechar os olhos e entregar-se.

Mas esse amor tomaria sua liberdade.
Sua intimidade.
Sua própria vida.

Seria possessivo, controlador e impossível de recusar.

E, ainda assim, você desejaria mais.

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u/TheSekvensArchivist — 15 days ago