Opiniões sobre meu textooo :)
Oieeeee, escrevi um textinho e gostaria de saber a opinião de vocês sobree! Obrigadinhaa ;)
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Ao compartilhar comigo seu medo da mutabilidade do tempo, da incerteza da mudança, a metamorfose das escolhas, um experimento penoso sendo observado, guiado inconscientemente a cada soluço.
Como era só na sua dor e agonia, como subitamente queria gritar, correr, exaurir qualquer energia que alimenta esse miserável corpo, que descrevia como sua maior e mais angustiante gaiola, até sobrar apenas você em sua forma primária, porque segundo suas palavras nada além do cansaço o fazia aparecer.
Sentia-me, de fato observador de um evento singular, inalcançável à minha coletânea rasa de informações sobre os conceitos do mundo e no que nele há para compreender-te.
Sentia-me, diante da esfinge de Gizé que lançava sobre mim seus enigmas e cobria-me com olhos expectantes, esperando as respostas que lhe agradasse os ouvidos, mas, diferente da esfinge os enigmas que lançava, lançava para o ar, para além de mim. Tinha a sensação de que aquela era sua maneira de rezar, apenas tive a casualidade de interceptá-los antes de seguirem seu percurso.
Diferente da esfinge, você também não possuía as respostas, logo, não esperava nada de mim, o que nos colocava em pé de igualdade, no caso, me colocava em pé de igualdade da sua sombra.
Às vezes o tocava, mapeava seus traços com delicadeza e em outras o apertava com brutalidade, já disse que para mim era inatingível em sua totalidade, fluido para o manter na concha das minhas mão por muito tempo sem que me escapasse entre os dedos, mas ainda queria o absorver de qualquer forma, tirava proveito da gaiola que o prendia, me esgueirava por sua pele procurando o que havia por baixo. Ocasionalmente quando o olhava de canto sentia vontade de o engolir, desejava o sorver. A essa altura já havia aceitado que era abstrato para minha razão, então o que me restava era meus sentidos, queria o sentir em minha língua, decifrar de que material foi formado, o que o tornara o que é.
Você poderia muito bem ser o efeito de uma doença psíquica, quem sabe a ilusão de um psicodélico despertando uma área inutilizada do meu cérebro
A palavra que mais saia da sua boca era “liberdade”, dizia que foi preso, que ainda menino foi quando tomaste consciência da sua prisão e quando na tentativa errônea de o acompanhar perguntei quem o prendeu e o que fizera, pousou as janelas da sua angustia em mim e dizia como quem conta um segredo, que foi lançado nu e cego no deserto, que era sísifo carregando a pedra pela montanha íngreme, repetidas vezes.
No segundo momento pude ver que já não falava para mim “eu sei que respiro, sei quando ando, quando como, sei das batidas do meu coração, de quando meus olhos fecham e quando abrem”, por fim disse que não sabia o que havia feito, apenas que havia sido condenado.
Podia notar que não falava tudo, que omitia um montante de informação, estava me poupando? Ou apenas concluiu que não entenderia, então não havia porque desgastar ambos? Poderia ser que nem mesmo você sabia o que lhe ocorria, tão pouco conseguiria explicar.
Se em um dia qualquer, em um momento inesperado dissesse que de fato era um deus, quem, devido a um pecado foi expulso, condenado depois de acostumar-se aos parâmetros dos deuses a ser um mero humano ou dissesse que na verdade, é um ET, que ja visitou inúmeros planetas, interagiu com diversas espécies de vida, sabe o que a dentro de um buraco negro e que seu povo detém verdade que nem em nosso ápice de consciência distinguiríamos.
Sem hesitar, acreditaria em suas palavras, abandonaria meu ateísmo e tomaria com devoção as suas histórias como verdades absolutas e tudo passaria a fazer sentido. Entenderia a dor que cultiva, talvez gerada da falta de pertencimento, poderia ser da saudade de casa e dos seus.
Entenderia a agonia o corroendo ao ser aprisionado a um corpo frágil que o impõe necessidades básicas, fome, sede, frio, dor, tudo tão restritivo. O tédio apoderando-se dos seus sentidos que antes eram tão superestimulados pela grandeza.
E então entenderia que diferente do restante de nós, o seu primeiro choro ao o separarem do cordão umbilical e arrancado da inércia do líquido amniótico era de tristeza, desespero por receber sua punição, cativo das banalidades que nós ansiamos e lutamos para conquistar no fim de uma vida cansativa.
Mas não, nasceu tão humano quanto eu, sem recordação de uma vida passada, sem nada para que houvesse o desejo de nivelar, o que o torna ainda mais incomum a minha vista, talvez tenha enlouquecido, quem sabe nascerá já louco, porém isso também me parece uma conclusão errada, já que, com frequência tenho a impressão de que você está mais lúcido que eu.
Gostaria de apenas por um momento - e apenas por um momento porque é somente isso que eu aguentaria- de ver por trás dos seus olhos, se não poderia ter acesso a você, ao menos a forma que via o mundo, o nosso mundo.
Aos poucos desisti, aceitei a parte pequena que podia ter, aprendi a contar apenas com seu desejo de ficar.
Entretanto, em uma das vezes em que se amostrava com a habilidade de captar meus pensamentos disse:
“Você sabe meu nome e ele soa especialmente único no seu tom, basta que me chame e eu sem exitar viria. Em uma sala com outras 1000 pessoas com esse nome, se escutasse sua voz o dizendo vagamente, e apenas sua voz, teria certeza de que sou eu e de quem sou, certamente você me tem”
Ali estava a prova da diferença da nossa natureza, mas apesar de tudo, você continuava tão humano e enquanto não transcendia - Mais uma de minhas impressões que ao compartilhar o faziam rir, entretanto, as guardei com seriedade, pressentia que em algum instante encontraria seu corpo vazio, mas funcionando, enquanto sua alma vagava procurando a substância que lhe faltava - isso bastava.