r/literatura

Quem conhece a obra "As viagens de Gulliver"?

Estava em uma conversa com minha namorada e falei para ela sobre a obra "As viagens de Gulliver". Ela falou para mim que não conhecia essa obra e que nunca tinha ouvido ninguém falar sobre. Eu falei para ela que é uma obra muito conhecida da literatura. E ela disse que não acha o mesmo. Ficamos então com essa questão. Fiquei pensando quantas pessoas realmente conhecem essa obra. E queria saber de vocês. Quem conhece a obra "As viagens de Gulliver" e vocês acham que é uma das obras mais conhecidas da literatura mundial?

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u/lemuelgulliver2 — 19 hours ago
▲ 35 r/literatura+29 crossposts

After The Nukes

Estou desenvolvendo um universo fictício de ficção científica contado em um formato semi-verbal/experimental, usando artes de IA contextualizadas, música e narrativa inferencial. Resolvi compartilhar aqui caso alguém tenha interesse.

O projeto funciona quase como uma mistura de literatura visual, curta cinematográfico e worldbuilding audiovisual. A história é contada principalmente através de imagens, ambientação, textos dentro do universo e montagem, em vez de diálogos tradicionais.

O universo se passa em uma Terra invadida por uma civilização alienígena extremamente superior. Mas não é uma história sobre heróis salvando o mundo ou aliens caricatos. É uma narrativa de colapso, desgaste e sobrevivência, focada em como os seres humanos continuam lutando mesmo quando a lógica aponta que não existe mais esperança de vitória.

A série aborda temas como:

  • existencialismo;
  • horror cósmico;
  • sacrifício coletivo;
  • sobrevivência da identidade humana;
  • o que resta da civilização quando tudo entra em colapso.

Os episódios são curtos e acompanhados por música, mas fazem parte de uma cronologia não linear, onde cada vídeo funciona como uma peça de um quebra-cabeça maior.

Por enquanto só lancei o episódio 1 (“Prólogo”) e a lore inicial do universo, mas tenho muitos outros episódios planejados.

Espero que gostem.

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u/Gold_Ad3045 — 1 day ago

Façamos como os ipês

Façamos como os ipês: florescemos, mesmo após perder todas as folhas. Tiremos o nosso tempo, nos demos o tempo para nós. Precisamos e faz muito bem investir em nós mesmos. Hoje é dia! Bom hoje!

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u/ValRocha2022 — 2 days ago

Cartas para alguém que nunca receberá, você tem?

Estou fazendo um quadro de cartas de desabafos:

  • A pessoa que você amou e nunca esqueceu
  • Como você conheceu seu marido/esposa
  • A mensagem que você gostaria de nunca ter recebido
  • O maior “e se?” da sua vida
  • Uma história sobre seus pais que você só descobriu depois de adulto
  • Uma carta para alguém que já morreu

Adoraria saber da sua história/desabafo anonimamente, adoraria que pudesse ser detalhista

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u/Appropriate_Bar9395 — 2 days ago
▲ 19 r/literatura+1 crossposts

O Único Amigo no Tabuleiro

​

Para muitas pessoas, o xadrez é apenas um jogo. Sessenta e quatro casas, trinta e duas peças e um conjunto de regras. Mas para outras, ele é muito mais do que isso.

Há quem chegue em casa e não tenha ninguém esperando. Não há mensagens no celular, convites para sair ou amigos para conversar. O silêncio se torna um companheiro constante, e os dias passam carregando um peso que poucos conseguem enxergar. Nesses momentos, um tabuleiro de xadrez deixa de ser um simples passatempo e se transforma em um refúgio.

No xadrez, ninguém julga sua aparência, sua idade, seus fracassos ou suas cicatrizes. O tabuleiro está sempre lá, pronto para receber você, seja em um dia de vitória ou em uma noite de tristeza. As peças não falam, mas ensinam. Não abraçam, mas acolhem. Não prometem nada, mas nunca abandonam.

Cada partida é uma conversa silenciosa. Cada movimento é uma forma de organizar pensamentos que parecem impossíveis de colocar em palavras. Enquanto o mundo parece distante, o tabuleiro oferece um lugar onde tudo faz sentido. Onde cada problema tem uma solução a ser encontrada. Onde cada derrota traz uma lição e cada vitória devolve um pouco da confiança perdida.

Muitos enxergam apenas um hobby. Não percebem que, para algumas pessoas, o xadrez é o único momento do dia em que a solidão diminui. É o único amigo que nunca falta, nunca se atrasa e nunca vai embora. Um amigo que espera pacientemente, não importa quanto tempo passe.

Talvez por isso o xadrez desperte uma paixão tão profunda. Porque ele não ocupa apenas o tempo. Ele ocupa vazios. Ele oferece companhia quando não há companhia, propósito quando os dias parecem sem direção e esperança quando tudo parece quieto demais.

Para quem nunca se sentiu sozinho, isso pode parecer exagero. Mas para quem já encontrou no tabuleiro o seu único refúgio, a verdade é simples:

O xadrez não é apenas um jogo.

Às vezes, ele é o único amigo que restou.

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u/Eliel784 — 4 days ago
▲ 11 r/literatura+5 crossposts

Mais um poema. Opiniões e sugestões ajudam muito. Estou meio mal, e por isso talvez não esteja como eu queira. Mas Obrigado!

Amigos de infância

Era uma vez uma criança eufórica,
aquela que pula e se alegra entre laços de amizades,
laçados entre duas tílias. 
aquela que vê as maravilhas 
das cores, 
Onde o azul encontra o amarelo, 
O verde encontra o vermelho, 
e sorrimos pelas histórias
que só nós sabíamos imaginar. 

Brincando em um carrossel
e olhando para o céu, 
protegido pelo véu dos anjinhos.

Amizades puras como as nuvens no céu. 

Sonhando em ser heroi,
heroi para proteger,
proteger para ser heroi.

Lembranças se perdem na mente emaranhada,
dissonância de uma infância colorida,
mas que se perdeu pela ausência 
das cores.

E o nó se desfaz.
Talvez a criança não tenha apertado o bastante.
Força... faltou força. 

Mas ainda amo todos vocês.
Ainda fazem parte da minha paleta de cores.

A criança que fazia as outras crianças felizes.
Essa criança era eu.

Mas agora eu me pergunto:
essa criança me reconheceria?

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u/ArmandoPintoPrimeiro — 3 days ago

Ouvir música lendo

Eu sempre escutei música para ler. A saga de Percy Jackson por exemplo, li ao som de Powerwolf, ACDC, etc.

Mas agr tô lendo um livro diferente e me sinto incomodado escutando música enquanto leio.

Vocês escutam música quando lêem?

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u/Additional-Gap9641 — 6 days ago
▲ 11 r/literatura+9 crossposts

Um dia em branco — PARTE I

Após meia hora de luta interna para ganhar coragem, consegui finalmente levantar-me da cama.

A noite fora mal dormida, inquieta, pesada. O corpo parecia colado ao colchão, espalmado pelo cansaço.

A luz que se infiltrava pelas frinchas da persiana denunciava um dia cinzento, baço, mas nada fazia prever o que me aguardava quando puxei o estore.

— Que nevoeirada…

Lá fora, o mundo desaparecera.

Não se via nada.

Absolutamente nada.

Fui tomar o pequeno-almoço, tentando afastar a estranheza daquela manhã suspensa. Quando terminei, porém, tudo permanecia igual — um vazio branco a engolir a rua.

— Hoje não vai ser fácil…

Arranjei-me para a entrevista de emprego marcada para o final da manhã.

Escolhi o meu melhor fato, de corte italiano, impecável.

A camisa branca realçava-lhe a elegância, e a gravata preta, fina, dava-lhe um ar clássico, mas seguro, contemporâneo.

Faltavam os sapatos.

Pretos, discretos, profissionais.

Os certos.

Diante do espelho, observei-me com atenção.

— Que categoria… — pensei, sentindo um sorriso insinuar-se.

— Casava contigo.

Saí confiante.

Mas, ao abrir a porta, o nevoeiro cerrado permanecia, impenetrável.

Não se via um palmo à

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u/LamentationsWall — 5 days ago
▲ 9 r/literatura+4 crossposts

Mais um poema. Esse aqui eu tentei fazer um pouco diferente, então qualquer opinião e sugestão ajudam demais. Muito Obrigado.

Gato Preto

Me olhou com esses olhos verdes
E notou que estou de preto
Passou do seu lado, como um gato preto

Ficou admirada com o meu feitio
Senti um arrepio, sumiu…
Afinal sou um gato preto

Olha o gato preto!

Olha como eu te vejo 
E não perca seu desejo
Já que o gato preto tem medo

Eita!

Olha seu olho verde
a clichê do gato preto
E não tenha medo.

No pelo preto se esconde meu medo
Como um gato preto

Gato!!

Olha o gato preto,
Olhando para seu medo
No fundo do peito
Ele carrega um peso
Então eu me sinto como um gato preto

Cadê meu gato preto ?
No pelo preto deixado na pele branca
sob o verde dos teus olhos. 
O gato corre em posição de brigar,
de ladinho
contra a bola de pelo preto
Que está há tempos no caminho do gato preto

Mas por trás da bola de pelo preto 
há aquilo que mais desejo: 
A pele branca,
o verde dos teus olhos

Então não perca seu desejo 
por aquele que está 
Por trás do gato preto. 

Mas… 
Pode me chamar de Gato preto.

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u/ArmandoPintoPrimeiro — 7 days ago
▲ 13 r/literatura+5 crossposts

Fragmentos sobre amor, apostas e (in)conformidades

>

Pesquisa de campo

Dê um rolê por aí e observe os casais.

Repare: sozinhos, assim como você, porém a dois. Alguns, certamente, sustentando algo que talvez já não valha a pena. Uma relação suspensa por aparelhos: filhos, rotina, medo de se dar mal em um divórcio.

“O que seria, para você, a coisa mais insuportável se tivesse de voltar a estar solteiro?”, você poderia perguntar a eles.

“É para um trabalho acadêmico.”

As mais variadas respostas virão, mas ninguém saberá ser tão certeiro admitindo que é:

“Não ter mais com quem compartilhar suas solidões.”

Considerações acerca da teimosia

Não há sinal algum de uma regra ou lei em vigor nesta realidade que prometa a sorte aos que a “merecem”.

Perante essa constatação, muitos amargam, enquanto outros muitos podem fazer as pazes com sua existência (“O que não tem solução, solucionado está”).

Acontece que a razão resolve a questão em si, mas não o indivíduo.

O incômodo não cessa nunca.

O mantra “Eu mereço!”“Eu mereço!” não precisa ser entoado em voz alta ou mentalmente para dirigir sua vida.

Assim, teimamos, pois é mais forte que nós.

Do vício em caça-níqueis

Certa vez, num cassino clandestino de fundo de bar — nosso ponto de encontro —, virei-me para meus companheiros e cometi o que fui descobrir ser uma heresia. Expressei em voz alta:

“Lavaram nossos cérebros para pensarmos no amor como alinhamento do cosmos, como ressonância de almas... ou qualquer outra baboseira messiânica de mesma estirpe. Tudo para que continuemos escravos em vícios feito este, amigos. Tudo para que vivamos nessa busca incansável por um jackpot.”

Nesse dia eu tomei um cacete.

Nenhum discurso antivício poderia ser expresso naquele lugar.

No limbo

Queria voltar ao tempo em que escutar o quanto eu era “bom” me envaidecia...

Uma vez mais ela atraca no cais.

Uma vez mais... e eu sinto todo resquício de honra que eu ainda tinha escoar

enquanto tento negociar minha passagem.

“Só quero atravessar. Tanto faz se irei para o céu ou o inferno.”

Como quem pede desculpas, ela diz o quão bom e o quão incrível sou, enquanto rema a barca para longe novamente, até mais uma vez desaparecer no nevoeiro.

...

Concluí, desta vez, que tenho que investir em qualidades imediatamente opostas às que construí até aqui.

Só para ser destinado a algum fim, vou ser mais canalha.

Eu era um sujeito bem mais romântico num passado não muito distante. Verdade! Nem sempre fui esse cínico “pós-romântico” que escreve coisas como esta:

“Prezados(as): se é preciso, todo santo dia, conquistar alguém que você chama de ‘seu’ ou ‘sua’, então você não conquistou #@$💀 nenhuma.”

Esta:

“Só o amor mesmo para fazer alguém dizer, com orgulho, que está ‘comprometido’, ou seja, avariado, danificado, sem salvação.”

Ou esta:

“’Fazer amor’ é apenas sexo enfeitado — romantizado e mascarado como transcendência.”

Não me considero, embora possa lhe parecer, um amargurado. Na real, sinto que estou bem longe disso.

Hoje estou solteiro — como sempre estive, aliás. A falta de perspectiva de sair desse estado civil algum dia dói, mas consigo achar consolações nessa condição. Quem me garante que, se eu hoje estivesse namorando ou casado, estaria mais feliz? Menos estressado? Relacionamentos não livram ninguém das aporrinhações e infortúnios da vida. E, já que, vivendo, querendo ou não, eu vou ter que sofrer, que ao menos eu saiba transformar minhas desilusões em matéria para minhas artes e reformas pessoais.

_robsings

Post original feito no Substack
https://zonasliminares.substack.com/

u/rob_sings — 7 days ago
▲ 9 r/literatura+5 crossposts

Mais um poema "Solidão". Opiniões e Sugestões ajudam muito. Muito Obrigado!

Solidão

Na amizade encontrei felicidade
Mas foi na saudade
Que conheci a Solidão

Da solidão encontrei a imaginação
Da imaginação imaginei amigos
Dos amigos imaginei e amei

Sonhei.
Gostei.
Pensei.
Pensei…

Um mundo mágico, eu e eu
Eu e você, você e a Solidão
Solidão, eu e você
Foi o'que eu imaginei

Mas quando percebo que imaginei até demais
Você não tá lá
Ninguem ta la 
Sozinho eu tô

A angústia de viver só 
Preso em um Nó
Sentindo dó de mim

Mas tinha paz e nada para se preocupa
Sentimentos e emoções novas que nunca vivi
Enquanto se divertem, eu me divirto com eu
1…2…3…4…5…10… Anos … Sem ninguém
Porque o mundo é tão injusto ? Eu era apenas uma criança

Inseguranças e medos. Porque você não me protegeu
Solidão?
Talvez me apeguei demais a você
Na escuridão do meu quarto 
Eu sorrio… De mim mesmo

Porém sempre que preciso você está aqui
Do meu lado
Do lado meu 
Meu amigo, minha solidão
Obrigado! 

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u/ArmandoPintoPrimeiro — 8 days ago
▲ 6 r/literatura+6 crossposts

RELÂMPAGO KANE - PARTE IV

Depois de um resto de noite de sono, acordei lentamente e fui ter com Kane ao saloon.

Lá dentro, o grupo já se reunia como fazia todos os dias.

O Relâmpago passava os olhos por todos, sério, como se estivesse sempre a antecipar o pior.

— Hoje não podemos falhar — disse ele. — Estão a cercar a cidade.

— E se vierem por este lado? — perguntou um dos homens, inquieto.

Kane ia responder quando as portas do saloon se escancararam de rompante.

Um homem entrou a cambalear, de olhos arregalados, em choque.

— O banco… estão a assaltar o banco da cidade! Estão lá dentro! — gritou, apontando para fora.

Mudou tudo num instante.

Saímos a correr.

Montámos os cavalos à pressa e, sem olhar para trás, desaparecemos na poeira.

Quando chegámos ao banco, os bandidos já estavam prontos para fugir.

— Vamos! Não os deixem escapar! — instruiu Kane.

E começou a perseguição.

Entrámos nas montanhas a disparar.

Os bandidos iam na frente, a abrir caminho.

Nós colados atrás deles.

E não éramos os únicos.

Pelas encostas, surgiam também os 'justiceiros', acompanhando-nos à distância.

A alta velocidade, um dos bandidos virou-se e disparou.

A bala acertou-me de raspão.

Travei o Thor de forma brusca.

Ele relinchou.

— Estás bem?! — gritou Kane, continuando a cavalgar.

— Vai! Não pares! — respondi em voz alta.

Kane hesitou e abrandou.

— Não te deixo para trás.

Era a segunda vez que ele dizia aquilo. Da primeira, tinha-me salvo a vida.

Desistiu da perseguição e veio na minha direção.

— Respira — disse ele, aproximando-se. — Deixa-me ver isso.

No preciso momento em que estava a desmontar o cavalo, foi atingido por um tiro certeiro nas costas.

Primeiro ajoelhou-se… depois tombou.

Saltei imediatamente do Thor — até me esqueci do braço.

— Kane… Kane... — abanava-o, enquanto lhe dava umas palmadas na cara.

Mas não houve resposta.

O olhar dele já não estava ali.

Em choque, caí sobre ele a chorar compulsivamente.

Cinco minutos depois, já mais calmo, mas ainda lavado em lagrimas, levantei-me.

Nesse instante, percebi que estava rodeado por armas apontadas.

Alguns bounty hunters tinham-nos seguido desde a cidade, à espera da sua oportunidade.

Não havia saída...

FIM

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u/LamentationsWall — 7 days ago
▲ 8 r/literatura+3 crossposts

Piscar de Olhos.

Aos oitenta anos, Arthur carregava no peito a doçura de uma vida plena: o riso constante dos filhos e netos na sala, os primeiros passos do bisneto no jardim e o amor aquecido de décadas vividas ao lado de Marta.

O crepúsculo perfeito de uma longa e feliz jornada.

Foi ao atravessar o corredor para o quarto que algo chamou toda a sua atenção: a parede, ou, mais especificamente, o quadro.

Era uma paisagem banal — um campo de girassóis com montanhas ao fundo, mas havia algo errado. As flores pareciam tremer, como se um vento inexistente as açoitasse. As pinceladas se desfaziam e se refaziam, oscilando entre o visível e o invisível no mesmo piscar de olhos, como uma falha na própria matéria do mundo.

— O que tem de errado com esse quadro, Marta? — perguntou ele, a voz cansada, o peito apertado por um mal-estar súbito.

Marta sequer ergueu os olhos do tricô no sofá.

— Que quadro, meu bem? A gente nunca teve quadro nenhum.

Arthur deu um passo para trás, o pânico subindo pela garganta. Ao olhar ao redor, viu a sala inteira oscilar. A mesa de jantar, o relógio de pêndulo, as paredes — tudo se desfazia e se reagrupava em um ciclo frenético. Levou as mãos ao rosto, mas o horror só se multiplicou: suas próprias mãos enrugadas sumiam e voltavam, desfazendo-se em transparência antes de moldarem a pele novamente.

A consciência o atingiu como um raio em um dia ensolarado: nada daquela vida era real.

Sem querer, Arthur piscou.

Abriu os olhos.

A luz era branca.

O cheiro de álcool e a sensação de lençóis macios na pele.

Máquinas apitavam numa cadência monótona.

Havia um tubo na sua garganta, agulhas nos braços.

Tentou mover-se e sentiu um corpo que não era o seu, leve, estranho, sem as dores da velhice.

Uma voz falou perto dele: · Ele acordou depois de dois anos em coma! Chama o médico!

Dois anos?!

As palavras flutuaram como cinzas tóxicas do inferno.

Alguém segurou sua mão e ele viu, no reflexo de uma janela escura, o rosto de um rapaz de vinte e dois anos.

Cabelo escuro.

Pele lisa.

Olhos assustados que eram seus e não eram!

Não lembrava de nada dali.

Não sabia o nome da enfermeira, não reconhecia a mulher que chorava ao lado da cama chamando-o de filho, não tinha ideia de onde ficava aquele hospital, aquele corpo.

Sua memória era um outro lugar.

Uma outra vida.

A casa.

Marta.

Os girassóis.

Os filhos, os netos e o bisneto.

Lembrava das tantas rugas que não tinha mais.

Do peso dos oitenta anos que nunca viveu.

Do amor de uma vida que se acabou em um piscar de olhos!

Os médicos vieram com termos técnicos e sorrisos animados.

Falaram em milagre.

Em recuperação.

Em jovem com a vida inteira pela frente.

Paulo. Era esse o nome que deram a ele, um nome ao qual ele não respondia. Tentou se explicar. Contou sobre o quadro que se desfez, sobre a esposa que tricotava, sobre a sua vida e sobre não pertencer a esse mundo.

Mas as palavras eram insuficientes e o olhar de piedade nos rostos à sua volta lhe disse tudo: eles acharam que era confusão mental, efeito colateral, trauma.

Ele parou de falar.

Ficou dias em silêncio.

Depois semanas.

Os exercícios de fisioterapia, as sessões com psicólogos, as visitas da família que diziam ser a sua, tudo lhe chegava como através de um espelho distorcido que não mostrava a realidade.

Ele não pertencia àquele corpo.

Não pertencia àquele mundo.

O mundo dele tinha ficado para trás, desmanchando como um quadro que ninguém mais via.

À noite, quando as luzes se apagavam, fechava os olhos e tentava desesperadamente e de todos os jeitos voltar.

Tentava lembrar o cheiro do bolo de fubá, a textura da manta de tricô, a voz de Marta. Mas era tudo em vão.

Os detalhes escoavam.

Os rostos tornavam-se sombras.

A única coisa que permanecia era a certeza insuportável de que aquela vida fora mais real do que qualquer coisa que lhe ofereciam agora.

Os psiquiatras anotaram nos prontuários: delírio dissociativo, síndrome de falsa memória, recusa de identidade. Deram-lhe remédios que embotavam o pensamento, mas não apagavam a saudade.

Arthur, o verdadeiro, o que existiu por oitenta anos, começou a crescer de dentro do rapaz de vinte e dois.

Um jovem com alma de velho que não sabia mais quem era.

Que chorava por uma esposa que nunca existiu.

Que olhava para as mãos jovens e tentava desesperadamente enganar a visão para poder vê-las sumir, voltar, sumir, num piscar infinito, e assim retornar para casa.

Ninguém entendia por que ele ria, às vezes, sozinho no quarto.

Nem por que, certa noite, ele se levantou, caminhou até a janela do quarto, no quarto andar, e olhou para o céu sem estrelas, murmurando: · Que quadro, meu amor? Que quadro...

Ele piscou.

Mas desta vez não abriu mais os olhos para este lado.

Talvez tenha voltado para casa.

Talvez finalmente tenha visto o bisneto novamente.

Talvez Marta ainda estivesse lá, no sofá, tricotando, esperando por ele com a paciência com que se espera por alguém que se ama além das camadas do tempo.

Ou talvez não.

Talvez não seja nada disso.

Talvez ele tenha apenas enlouquecido de vez, como diziam os médicos.

Mas no fundo, o que é a vida senão a insistência em habitar um sonho que nos faz feliz?

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u/Izzy_Ondes — 10 days ago
▲ 16 r/literatura+6 crossposts

Mais uma poesia. Opiniões e sugestões serão sempre muito bem vindas.

Cortes e feridas 

A cada corte,
uma ferida se abre.

A cada ferida,
o sangue se espelha.

E no reflexo
do vermelho,
a dor
é ainda maior. 

O escarnar da dor
me afugenta. 

E dela,
me acomodo.

Pois a dor 
é explicativa.

Ela fere,
ela sangra,
ela, o estigma,
ela deixa explícito
onde dói. 
 
Mas aquilo que sinto, 
é um devaneio

Sem sentido,
Sem explicação,
Sem nada.

E no nada,
Não se acha nada.

Que me atormenta,
Como uma Espiral. 

E quando se vê…

a lâmina gelada,
e a pele rasgada.

Um novo corte
e uma nova ferida.

Da sutileza do fio da lâmina,
na saudade que vem da lembrança,
da lembrança que vem da saudade.

acompanhado do pesar,
e da tormenta do remorso.

Da mente perdida,
daquilo que sinto.

E no fim…

O simples “Não sei”.
Ainda me atormenta.

E quando se vê…

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u/ArmandoPintoPrimeiro — 10 days ago

você participaria do meu clube do livro?

Oii gente, to com a ideia de fazer um clube do livro online e gratuito focados em leituras nos gêneros dark, terror, suspense, thriller, trash,... mas fiquei com receio de ser flop
A ideia seria fazermos grupo para debate e pra lermos no mesmo ritmo, também podemos fazer reuniões online para conversar!!! seria tao legal fala sério
enfim, se você bora comenta bora aqui que vou ir anotando e se rolar tudo eu chamo cada um <3

se achou ruim também ou tem algo para agregar fique a vontade bjbj

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u/maearend — 13 days ago
▲ 4 r/literatura+2 crossposts

Recomendações de Sebos em Porto Alegre

Semana que vem vou ir para Porto Alegre, vocês conhecem algum sebo que realmente venda livros barato e não apenas cobre livro usado com preço de novo?

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u/OvenObvious9982 — 14 days ago