▲ 3 r/Poemas

Faltam dias de chuvA

Achei um recibo
na minha capa de chuva

os valores já estavam borrados
só sobrou o dia

tinha aquela sua torta
de chocolate meio amargo

pra mim, um banoffee
e um café gelado

lembro de planejarmos ir
conhecer o lugar inteiro

e, justo naquele dia,
São Pedro fez cair
o céu inteiro

chegando lá, era:
caro
feio
barulhento

mesmo assim, você riu

e eu já não ouvi
O barulho do lugar

hoje, este recibo molhado
é tudo o que sobrou

daquele dia

que a chuva não molhou

reddit.com
u/0_monomania_0 — 6 days ago
▲ 13 r/EscritoresBrasil+8 crossposts

Faltam dias de chuva

Achei um recibo
na minha capa de chuva

os valores já estavam borrados
só sobrou o dia

tinha aquela sua torta
de chocolate meio amargo

pra mim, um banoffee
e um café gelado

lembro de planejarmos ir
conhecer o lugar inteiro

e, justo naquele dia,

São Pedro fez cair
o céu inteiro

chegando lá, era:
caro
feio
barulhento

mesmo assim, você riu
e eu já não ouvi
o barulho do lugar

hoje, este recibo molhado
é tudo o que sobrou

daquele dia

que a chuva não molhou

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u/0_monomania_0 — 5 days ago

A última vez

Essa vai ser a última vez,

a última vez que atendo
ao seu chamado

e grito seu nome
no interfone.

Nunca mais vou cumprimentar o porteiro,
nem apertar o doze,
que é o seu andar.

Quero distância
do seu corredor,

com todo aquele azul
que sempre me incomodou.

É a última vez
que toco sua campainha.

Não quero mais olhar
pros quadros da sua sala,

nem fazer cafuné
no seu gato.

A última vez que me pego
Sentindo seu cheiro no sofá
Enquanto te espero sair do banho

Não vou mais fingir que olho a TV
ao te ver sair de toalha

Nem vou te beijar devagar
até ficarmos nus.
a última vez que gemo
seu nome.

Nem vou te levar
café da manhã.
Quero que fique bem claro:

essa é a última vez.

É.

A última vez…

reddit.com
u/0_monomania_0 — 7 days ago
▲ 1 r/Poemas

A última vez

Essa vai ser a última vez,

a última vez que atendo
ao seu chamado

e grito seu nome
no interfone.

Nunca mais vou cumprimentar o porteiro,
nem apertar o doze,
que é o seu andar.

Quero distância
do seu corredor,

com todo aquele azul
que sempre me incomodou.

É a última vez
que toco sua campainha.

Não quero mais olhar
pros quadros da sua sala,

nem fazer cafuné
no seu gato.

A última vez que me pego
Sentindo seu cheiro no sofá
Enquanto te espero sair do banho

Não vou mais fingir que olho a TV
ao te ver sair de toalha

Nem vou te beijar devagar
até ficarmos nus.
a última vez que gemo
seu nome.

Nem vou te levar
café da manhã.
Quero que fique bem claro:

essa é a última vez.

É.

A última vez…

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u/0_monomania_0 — 7 days ago

A última vez

Essa vai ser a última vez,

a última vez que atendo
ao seu chamado

e grito seu nome
no interfone.

Nunca mais vou cumprimentar o porteiro,
nem apertar o doze,
que é o seu andar.

Quero distância
do seu corredor,

com todo aquele azul
que sempre me incomodou.

É a última vez
que toco sua campainha.

Não quero mais olhar
pros quadros da sua sala,

nem fazer cafuné
no seu gato.

A última vez que me pego
Sentindo seu cheiro no sofá
Enquanto te espero sair do banho

Não vou mais fingir que olho a TV
ao te ver sair de toalha

Nem vou te beijar devagar
até ficarmos nus.
a última vez que gemo
seu nome.

Nem vou te levar
café da manhã.
Quero que fique bem claro:

essa é a última vez.

É.

A última vez…

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u/0_monomania_0 — 7 days ago
▲ 2 r/u_0_monomania_0+1 crossposts

A última vez

Essa vai ser a última vez,

a última vez que atendo
ao seu chamado

e grito seu nome
no interfone.

Nunca mais vou cumprimentar o porteiro,
nem apertar o doze,
que é o seu andar.

Quero distância
do seu corredor,

com todo aquele azul
que sempre me incomodou.

É a última vez
que toco sua campainha.

Não quero mais olhar
pros quadros da sua sala,

nem fazer cafuné
no seu gato.

A última vez que me pego
Sentindo seu cheiro no sofá
Enquanto te espero sair do banho

Não vou mais fingir que olho a TV
ao te ver sair de toalha

Nem vou te beijar devagar
até ficarmos nus.
a última vez que gemo
seu nome.

Nem vou te levar
café da manhã.
Quero que fique bem claro:

essa é a última vez.

É.

A última vez…

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u/0_monomania_0 — 7 days ago
▲ 3 r/Poemas

Só mais um silva

Era só mais um silva
mais um oliveira

outro alves
outro ferreira

muitos lima
pisados por um moreira

quase nenhum safra
nenhum marinho

destino traçado por um desconhecido

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u/0_monomania_0 — 15 days ago
▲ 8 r/EscritoresBrasil+3 crossposts

Distorção espelhada

No espelho,
alguém.
Nas fotos,
também.

Estranho
que ocupa meu corpo.

oqroɔ uɘm ɘbivid ɘup
oʜnɒɿɈƨƎ

mɘdmɒɈ
ƨoɈoʇ ƨɒИ
mɘυϱlɒ
oʜlɘqƨɘ oИ

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u/0_monomania_0 — 19 days ago
▲ 8 r/EscritoresBrasil+1 crossposts

O homem de chapéu-coco

Era uma quarta-feira comum.
Cheguei pouco depois das oito, entreguei alguns relatórios ao Alex e, perto das nove, fui tomar café com a Ana.
Ela falava sobre o marido. Não lembro exatamente o quê. Foi quando notei o homem.
Estava parado no estacionamento.
Usava um chapéu-coco, daqueles que a gente só vê em fotografias antigas. O estranho não era o chapéu.
Era o fato de ele estar olhando para cima.
Nosso escritório ficava no sétimo andar.
Havia centenas de janelas naquele prédio.
Mesmo assim, tive a impressão desagradável de que ele me encarava.
— Você está vendo aquele homem ali? — interrompi a Ana.
— Que homem?
— O do chapéu.
Ela olhou pela janela.
— Não tem ninguém ali.
Ri de nervoso.
— É… deve ser impressão minha.
Quando voltei a olhar para o estacionamento, ele continuava parado.
E, pela primeira vez, levantou a mão em um cumprimento lento e desconcertante.
Quando deram quatro horas, recolhi minhas coisas, me despedi do Alex e da Ana e caminhei até o estacionamento para pegar meu carro.
Enquanto procurava as chaves dentro da bolsa, ouvi uma batida no vidro do passageiro.
Era ele.
Abri o vidro, já irritada por não encontrar as chaves.
— Senhor, estou cansada e não acho minhas chaves. Se puder se afastar do carro, agradeço.
Ele deu dois passos para trás.
Mas continuou sorrindo.
Não era um sorriso simpático.
Era um sorriso educado.
Como o de alguém esperando sua vez numa fila.
Finalmente encontrei as chaves.
Antes de ligar o carro, por educação, olhei para ele mais uma vez.
— O senhor precisa de alguma coisa?
O homem ajeitou o chapéu-coco.
— Não.
Sorriu.
— Só queria saber se desta vez você ia me reconhecer.
Cheguei em casa, joguei a bolsa no sofá e deitei na cama.
Quando acordei, já passava das dez da noite.
Fui para a cozinha preparar o jantar. Coloquei uma lasanha congelada no micro-ondas e liguei a televisão em mais um filme de comédia ruim qualquer.
O micro-ondas apitou.
Parei o filme e fui até a cozinha.
Abri a porta e senti o cheiro da lasanha.
Sem saber por quê, olhei pela janela.
Sob a luz amarela de um poste, do outro lado da rua, estava o homem de chapéu-coco.
As mãos cruzadas nas costas.
Sorrindo.
Quando nossos olhos se encontraram, levantou a mão devagar.
O mesmo cumprimento educado daquela manhã.
Dei um salto para trás, derrubando o prato no chão.
Liguei para a polícia.
Quando ouvi as sirenes e vi as luzes vermelhas e azuis refletindo na sala, finalmente me senti aliviada.
Expliquei tudo a um policial ruivo.
Ele parecia confuso, mas foi até o homem.
Os dois trocaram algumas palavras.
Então o policial voltou.
Mas havia algo diferente em seu olhar.
— Senhora, não estamos aqui para resolver bobagens. Se voltar a ligar sem motivo, vamos prendê-la por utilização indevida dos recursos da polícia.
Fiquei sem palavras.
Virei o rosto.
Aquela altura, o homem já estava perto demais.
Continuava sorrindo.
— Como está a Ana? Ainda fala muito do marido?
Meu corpo inteiro gelou.
— Como você sabe disso?
Pela primeira vez, o sorriso desapareceu.
Ele parecia confuso.
Quase magoado.
— Foi você quem me contou.
— Eu nunca vi você na vida!
O homem abaixou a cabeça.
Suspirou.
E perguntou baixinho:
— Outra vez?
Corri para dentro.
Mas algo começou a me inquietar.
Não era apenas o homem parado na minha rua.
Era uma sensação estranha.
Como se eu já tivesse vivido tudo aquilo.
Como se aquela não fosse a primeira vez.
Sem conseguir dormir, liguei para o Alex e pedi que viesse ficar comigo.
Só consegui respirar de novo quando ouvi a buzina do carro dele.
Desci, abri a garagem e, quando ele entrou no apartamento, o abracei.
— Oi… está tudo bem?
— Alex, você não faz ideia do quanto isso está me apavorando.
Fomos até a janela.
Não havia ninguém.
Só a rua vazia.
Alex suspirou.
— Está vendo? Não tem ninguém.
Respirei aliviada.
— Acho que estou ficando maluca.
— Não — respondeu ele. — Você só anda esquecendo das coisas.
— Como assim?
— Faz meses.
— Meses?
— Desde o acidente.
Silêncio.
— Que acidente?
Alex empalideceu.
— Você está brincando, né?
— Alex… que acidente?
Ele começou a tremer.
— Meu Deus…
— Alex?
Os olhos dele se encheram de lágrimas.
— Outra vez.
— O que?
— Outra vez.
— Alex, do que você está falando?
Ele fechou os olhos.
E começou a chorar.
— Você esqueceu outra vez.
Fiquei parada.
— Esqueci o quê?
Alex respirou fundo.
Mas antes que pudesse responder, senti um arrepio.
Olhei pela janela.
Sob a luz amarela do poste, do outro lado da rua, o homem de chapéu-coco continuava parado.
Sorrindo.
Pacientemente.
Esperando.
Outra vez.

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u/0_monomania_0 — 19 days ago

Mania

Como banalizar seu nome se ele é tao unico
Mal consigo andar pela cidade 
sem tropeçar na sua imagem
Quero torna-la menos que nada
Como vou te esquecer se suas manias ainda moram
Nas minhas

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u/0_monomania_0 — 21 days ago

Quero saber se isso funciona em vocês com o efeito de colocar a respiração em automático por favor opinem

Até aqui você respirou sem pensar

agora percebe

o ar entrando

o ar saindo

o automático vira manual

e não sabe como voltar

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u/0_monomania_0 — 22 days ago
▲ 2 r/PoesiaPT+1 crossposts

Corvo e escrivaninha

Olhei fundo em seus olhos e perguntei

que tipo de pássaro é você 

entorpecidos pela 
rainha ficava difícil ver 

mas tinha motivo de chapeleiro
como o gato sem caminho
qualquer caminho a escolher

quando esse corvo sem escrivaninha
meu coração nasceu pra ser

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u/0_monomania_0 — 1 month ago
▲ 5 r/PoesiaPT+1 crossposts

Hipócrita conformado

Não uso ouro ou diamante:
sei o preço exato do sangue.

Não bebo vinho:
acho amargo e superestimado.

Não compro grife:
o ponto costurado por crianças
sempre fica mal acabado.

Não consumo o agro:
o choro do escravo na lavoura
deixa meu café mais salgado.

Fato é:
sou um hipócrita conformado.

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u/0_monomania_0 — 1 month ago
▲ 5 r/PoesiaPT+1 crossposts

Minha pequena estrela

Minha pequena estrela
meu pequeno luar

Nem eu mesmo sei
porque minha noite
faz querer
brilhar

Os astros já cansaram de tentar me entender
Sei que por vezes sou mais buraco negro
ao humano que deveria ser

Mas minha pequena estrela
que ilumina minha noite quero fique alerta

por mais que o universo insista
em te provocar

não se deixe
seu brilho

apagar

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u/0_monomania_0 — 1 month ago