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Quero começar na poesia, como posso começar?

Desde sempre tive interesse em começar a escrever poemas, de vez em quando eu tento, na verdade. Escrevo coisas curtas para passar o tempo, mas gostaria de me aprofundar mais. Alguma dica?

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u/Arth_NS — 3 days ago

Punheta

não tem você

mas o desejo insiste

acontece no corpo

sem pedir permissão de entrada

o pau late sem toque

cresce antes da mão

tudo vem antes da intenção

e cresce

você nem pensa

já está em ação

você se contorce

e sai um jato de porra quente

a respiração ofegante

o corpo inteiro vira uma glande

latejante

o escorrido quente desce o dorso

tudo perde forma no meio

sem alvo

sem alguém definido

esporrei em mim

depois o pau amolece

molhado

meio mole

quase duro

amolece

fica ali

sujo

sem tesão

–Tetris

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u/Itchy-Composer-8156 — 4 days ago

Sem desejo de comprar (autoral)

você chega sempre

bonitinha

limpinha

arrumada por natureza

sem cuspe

sem baba

sem cheiro de buceta

eu encosto e recuo

precisa de algum defeito, alguma imperfeição que me conecte contigo

no deslize o outro vira gente, no detalhe que destoa eu reconheço o humano

perfeição absoluta não convida

–despede

beleza de vitrine

eu fico aqui

numa pau-molescelência sem fim

olho a vitrine do shopping, achando bonitinho.

vou embora sem gastar dinheiro com material decorativo

–Tetris

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u/Itchy-Composer-8156 — 12 days ago

Galeria do Sacrilégio (autoral)

Eis o que me lançais como um veredito, e eu recolho como um espelho trincado:

Dizeis que sou profana, eis que toco o que não deveria ser tocado, e minhas mãos, impuras, violam a fronteira do sagrado. Dizeis que sou herética, e meu pensamento, como serpe, desvia-se do dogma, recusando a corrente que amarra os fiéis à obediência muda. E, como coroa de espinhos que craveis sobre mim, ainda acrescentais: tudo que jaz sob o domínio do abominável, do nefando, do execrável, tudo isso é "a minha cara". Como se meu rosto fosse a galeria onde se expõe o sacrilégio; como se minha essência fosse o caldeirão onde fervem a blasfêmia e a profanação; como se eu fosse, em carne e osso, a própria coisa impura, o objeto de execração, o que é digno de anátema. Pois bem: se essa é a imagem que de mim construíste, que assim seja. Tomo o insulto e faço dele minha armadura. Prefiro ser aquilo que arde na fronteira do interdito a ser sombra apagada no reino dos que nunca ousaram.

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u/OkEntrepreneur5704 — 13 days ago
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Simbolismo das fezes (Autoral)

cocô é presente que se entrega entrega

não é bosta

qualquer bosta

uma merda

ou resto

é completude

o bebê que foste cagou na fralda

sem nome

nem nojo

a criança que entrega o cocôzinho pra mãe em cheiro e textura

ela rabiscou no papel um desenho torto

e entregou com a melhor intenção

aquele rabisco

é o primeiro presente possível

cagar é natural

prender é neurose anal

o corpo que acumula

adoece

cagar não é perder

é parir

o corpo se livra do que já não é mais ele

é obra pronta

é assinatura do real

–Tetris

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u/Itchy-Composer-8156 — 14 days ago
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Ai de mim!

Ai de mim que me perca!

Ai de mim que me perca a mim mesmo!

Ai de mim que a mim construa meu próprio cavalo,

Que em falso conforto aceite da feiticeira o regalo;

Ai de mim que em mim ouça o canto das sereias,

Que de ninfas aceite as promessas alheias.

Ai de mim! Ai de mim!

Que em tardio desalento,

Por em mim mais profundo lamento,

Deixe a mim de ser a mim o meu Argos;

Ai de mim! Ai de mim!

Que em Ítaca distante,

Esqueça de mim em ser navegante,

Deixe a mim ser de mim tais embargos.

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u/Acceptable-Bug-6581 — 14 days ago