O peso da distância
E, em cada jogo, sem ti eu perco. A lutar contra a interferência entre a minha mente e a ponta da minha língua, eu estou perdido.
Tropeço nas minhas palavras. Que loucura! Quebro todos os meus pensamentos, afogo esta convicção por trás de uma máscara apática.
Um cigarro entre os meus dedos brilha como fogo, que nem a beleza refletida nos teus olhos. Perfura-me como uma consciência, quebra o vidro das minhas imperfeições, que reflete as minhas boas memórias, queima pontes que se afundam atrás de mim, na esperança de se voltarem a reencontrar.
Então, abraça-me. Sonhos... O meu sonho de ti era tudo o que tinha e tenho.
Então, dá-me o teu coração, porque tudo o que eu preciso na minha vida é o que me escapa, o que eu deixei fugir, permanecendo um pensamento assustador do que poderia ter sido.
(Não foi! Eu tenho o teu coração bem guardado.)
Tu podes sentir o meu coração a bater? Enterrado sob o quintal, o lugar onde morava, onde ficámos por nossa conta. Onde deu o último suspiro e observou o verão na escuridão.
É... esta distância...
Então, tu falas baixinho dela, e eu percebo que os nossos corações enganam as nossas mentes, pois a distância, para mim, já não existe mais.
"Tu estás num lugar do meu coração que ninguém pode tirar, nem mesmo eu."
Sim, estás sempre comigo.
E já se ouve o som das árvores a curvarem-se diante da noite.
Então, eu mando-te um beijo e espero que tenhas bons sonhos.
Escrito em 2014, apz