Fui derrotado por uma máquina de pagamento automático
Olá amigos do fórum!
Estou a escrever isto ainda meio abalado, a tentar perceber se aquilo que aconteceu hoje aconteceu mesmo ou se tive uma espécie de sonho febril.
Durante a tarde de hoje, estava eu a voltar para casa, cansado, a pensar no que haveria de fazer para o jantar. "Olha, uma carbonara sabia me mesmo bem." Pensei inocentemente, até que me apercebo de que me faltavam algumas coisas.
"Não faz mal", pensei eu. "Passo num supermercado pelo caminho, compro meia dúzia de coisas e sigo para casa." Cinco minutos, no máximo.
Não havia absolutamente nenhuma razão para aquilo correr mal. E foi precisamente aí que começou a tragédia.
Decidi parar no primeiro supermercado que me apareceu à frente, sem pensar muito no assunto. Estacionei, entrei no supermercado, pego no telemóvel e abro a lista de compras.
Fiquei uns bons dez minutos a deambular pelos corredores à procura de alho. Pensei até em desistir do assunto e levar só uma pizza congelada, tal era a dificuldade que estava a ter. Mas, mesmo com alguma força divina contra mim, acabei por encontrar o alho, escondido num canto isolado e mal iluminado. Por momentos questionei-me se os donos eram vampiros!
Já meio impaciente, pego nas coisas e vou a andar para o checkout. Vai-se lá saber porquê, talvez por forretice, distração ou uma combinação dos dois, decidi não comprar um saco para as compras e acabei por levar uns 6 ou 7 itens nos braços.
Chega a hora de pagar o estacionamento e ainda tentei pegar no bilhete que estava no fundo do meu bolso, com os dedos que ainda tinha livres, mas tive de desistir e pousar as compras. Com poucas opções de onde as deixar, tive de as pôr em cima da máquina de pagamento.
Entretanto, chega um casal de turistas, com cara de poucos amigos, claramente com pressa, e mete-se atrás de mim à espera que eu me despache. Sinto a pressão dos dois pares de olhos fixados em mim enquanto tento tirar o bilhete do bolso. Quando finalmente o faço e dou scan, bumba: 1 euro.
1 EURO por 10 minutos de parque?! Está tudo louco, só pode... pensei para mim mesmo. Mas nem pensei mais no assunto e fui pagar. Fico uns bons segundos à procura da opção de Multibanco, só para me aperceber de que tal coisa não existe. Bela porcaria. Logo eu que nunca carrego moedas. Por sorte, tinha comigo uma nota de 10 euros para o caso de emergências como esta, e, de forma meio hesitante, decidi usá-la para pagar o estacionamento.
Ao tentar meter a nota, ela é logo cuspida para fora. Está toda dobrada, claro, mas até achei que fosse ter uma réstia de sorte no que já se estava a tornar uma situação stressante. Fico um bocado parado a tentar endireitar a nota, ainda com os turistas a olharem para mim. Meto a nota e ela é ejetada de novo. Lindo serviço!
É neste momento que um espectador, um bom samaritano, decide chamar o segurança para me vir ajudar. E eu a pensar: "Mas calma... o segurança vai fazer o quê para me ajudar, sequer?" Chega o segurança, um homem alto e barbudo, e pergunta-me o que é que se passa. Eu, já meio impaciente, digo-lhe: — A nota está meio dobrada, estou a tentar pagar o parque, mas é na boa tá tudo bem. Ele olha-me de cima a baixo, de baixo a cima e diz:
— Ok.
E fica ali parado a olhar para mim a fazer o meu serviço! Que bonito. Como se já não bastasse todo o resto, agora tenho mais um par de olhos fixados em mim!
Finalmente consigo meter a nota num estado decente e meto-a na máquina, só para reparar que a operação já tinha sido cancelada do tempo que demorei nisto tudo. Busco o bilhete do parque de novo no meu bolso e...
Nada. Já não sei dele. Mais uns bons dois minutos à procura do bilhete, com 3 ou 4 indivíduos a espreitar-me como se eu fosse um animal num jardim zoológico a fazer alguma parvoíce qualquer.
Insiro a nota, a máquina aceita e responde: "A devolver troco." Finalmente lá consegui pagar o estacionamento e pensei: "Ufa. Finalmente acabou."
É neste momento que começo a ouvir a divina sinfonia de aproximadamente 180 moedas de 5 cêntimos a caírem na pequena aba metálica da máquina.
CLING.
CLING.
CLING.
Uma atrás da outra.
Fico ali parado a olhar. Por momentos ainda pensei que a máquina estivesse a contar mal o troco, mas não. Era mesmo aquilo. Moedas de 5 cêntimos. Uma atrás da outra.
CLING.
Mais uma.
CLING.
Outra.
E eu ali, a ver a minha fortuna a ser-me devolvida em prestações de 5 cêntimos, sem saber muito bem o que fazer da minha vida. Juro que até ouvi uma espécie de coro celestial ao fundo, mas talvez fosse só o meu cérebro a tentar encontrar algum sentido naquilo.
Rapidamente recomponho-me e começo a apanhar as moedas. Nos bolsos, claro, visto que não tinha espaço para tanta moeda na carteira. Pareço o Tio Patinhas ali à pressa, a pegar num monte de moedas e a metê-las nos bolsos.
Fui a correr para sair daquele inferno, tilintando pelas escadas abaixo, com o som das moedas nos bolsos a anunciar a minha presença como se eu fosse uma máquina de venda automática com pernas.
Finalmente chego a casa e começo a arrumar as compras. E é nesse momento que o meu coração me cai aos pés. Deixei o alho em cima da máquina de pagamento do parque.
Em suma, vou mas é encomendar o jantar, que já nem consigo pensar em cozinhar depois disto.