Li A Sonata À Kreutzer, comecei a repensar sobre Tolstói
Olá a todos, e obrigado por decidirem desperdiçar seu tempo para ler essa resenha :)
Aqui vai um pouco de contexto : eu li A Morte de Ivan Ilitch à uns meses atrás e achei incrivelmente boring (mesmo sendo um livro de menos de 100 páginas), e acabei ficando um tempo receoso com Tolstói. Até que há uns dez dias, um amigo meu me incentivou a ler Senhores e Servos (porque ele achava Tolstói incrível e ficou um pouco indignado por eu dizer que Tolstói era chato kkkk).
Fui procurar e ao invés de encontrar Senhores e Servos, acabei encontrando A Sonata A Kreutzer (que eu não tinha ouvido falar antes), o título me chamou bastante atenção por referenciar de uma das melhores sonatas de Beethoven. Fui pesquisar um pouco online e vi pessoas falando que o livro era perturbador, isso (logicamente) acabou atiçando a minha curiosidade (não só isso, mas a referência a Beethoven pelo fato d'eu ser músico) e decidi ler o livro.
O livro é MUITO melhor que A Morte de Ivan Ilitch, mas muito mesmo. Eu gostei muito da construção da história, sobre como passa o contexto >!onde o narrador (ou primeiro narrador) da história está em um trem e está tendo uma grande discussão sobre casamentos entre um casal e um velho, até que chega o Pózdnichev após o fim da discussão e começa a narrar para o narrador a história de como ele chegou ao ponto de matar sua esposa!<. Eu achei esse recurso genial; embora sei que A Morte de Ivan Ilitch usa de algo parecido, acho que A Sonata A Kreutzer usou desse recurso de uma forma mais coesa do que A Morte de Ivan Ilitch.
Dito as partes boas, vamos agora para as partes estranhas....
Esse livro ele tem uma visão e reflexão bem estranha sobre relacionamento e em algumas partes até beira a misoginia; inclusive descobri que Tolstói tinha umas opiniões meio “diferenciadas” sobre as mulheres e isso foi meio chato de descobrir. Alem disso eu descobri na pesquisa sobre o livro que o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt (junto serviço postal dos Estados Unidos) tentou proibir a obra nos Estados Unidos e inclusive chamou Tolstói de pervertido (o que achei bem engraçado kkkk) mas acabou sendo barrado.
Eu entendo a porque esse livro é tão controverso e “mal visto”, porém eu gostei muito dessa leitura e com certeza voltarei a ler algum dia e esse livro melhorou a imagem de Tolstói pra mim (como escritor, como pessoa aí já é outra história).
Nota : 4,5/5