u/lauramns

Nem os próprios autistas sabem como lidar com autismo no Brasil.

Eu sou fluente em inglês e sou uma pessoa que consome muito conteúdo internacional online então é muito fácil pra mim ver diferentes perspectivas de algum assunto na internet e ver as diferenças culturais do Brasil e de outros países.

E me chamou atenção especificamente a forma de como o autismo é visto e tratado mundo afora e no Brasil.

Desde que eu fui diagnosticada, eu comecei a pesquisar muito a experiência de outras pessoas autistas na internet pra entender mais sobre mim mesma, e basicamente TUDO que eu achei foi em inglês, se você pesquisar em qualquer rede social ou fóruns na internet, você vai notar a discrepância absurda de gringos falando sobre isso e brasileiros falando a mesma coisa.

Um exemplo? Esse subreddit tem apenas 8 mil seguidores enquanto o r/autism tem meio milhão. E você pode pensar “mas o outro sub tem membros do mundo inteiro enquanto esse aqui so tem brasileiros”, e eu realmente pensei nisso mas também é preciso considerar como no Brasil poucas pessoas falam inglês fluentemente. Enquanto muitos franceses, alemães ou holandeses conseguem participar diretamente das comunidades globais em inglês, o brasileiro médio não consegue. Então a barreira linguística faz com que autistas brasileiros tenham muito menos acesso a discussões, informações e identificação.

E falando além do Reddit, se você analisar os vídeos sobre autismo na internet brasileiro você vai notar algumas coisas:

  1. A maioria dos vídeos não são feitos por autistas, e sim por profissionais.

  2. Raramente é um relato complexo de verdade, na maioria das vezes são só alguns slides simples ou um vídeo curto falando algo do tipo “sinais de autismo em crianças” e sem realmente se aprofundar em cada sinal.

  3. Geralmente só se fala de autismo nível de suporte 3 e 2, raramente se fala do 1

A conclusão é que os vídeos sobre autismo na internet não são feitos pra autistas, e sim pra pessoas que querem entender o autismo de forma simples (geralmente familiares de autistas).

E é claro que isso é bom até certo ponto, saber identificar o autismo é algo essencial pra entendê-lo, mas não tem nada na mídia que ajude as pessoas autistas a entenderem elas mesma, principalmente pra autistas nível 1, que são as pessoas mais mal interpretadas de todas porque no Brasil o estereótipo é o autismo nível de suporte 3 e os autistas nível 1 só são vistos como estranhos ou mal educados.

Eu também me perguntei o porque exatamente a maioria dos brasileiros terem um ponto de vista tão limitado sobre o autismo:

  1. O campo de pesquisa no Brasil sobre o autismo é escasso, então praticamente tudo que a gente tem aqui vem da gringa, mas as pesquisas da gringa não incluem o fator sociocultural brasileiro.

  2. A crise literária no Brasil tem parte nisso. O autismo é extremamente complexo e não tem como explicar essa experiência através de 5 slides no Instagram, mas as pessoas não querem fazer o esforço de ler um artigo científico de verdade.

  3. Autistas no Brasil são extremamente desumanizados. Quando se fala da “dificuldade do autismo” na Internet brasileira as pessoas falam mais como é difícil lidar com um autista, e nunca como é difícil SER autista. Dói dizer isso mas autistas de nível 3 ou 2 são vistas como animais ou crianças eternas e autistas de nível 1 são ignoradas.

  4. Grande parte da visão brasileira sobre autismo ainda gira em torno de crianças pequenas. Quase não existe discussão sobre adolescentes autistas, adultos autistas, relacionamentos, faculdade, identidade, solidão, mercado de trabalho ou burnout

Enfim, é claro que o autismo na gringa não é uma utopia mágica onde todo mundo é empático e inclusivo mas quando a questão é a compreensão da experiência autista, lá é bem melhor. Mas no final das contas nós não vivemos na gringa, vivemos no Brasil e eu queria que as pessoas se aprofundassem mais no que é ser autista aqui. Muitos autistas brasileiros acabam aprendendo sobre si mesmos através de traduções culturais incompletas, tentando adaptar experiências estrangeiras pra uma realidade social totalmente diferente.

Um exemplo é como o masking é muito mais intenso e necessário no Brasil. A cultura brasileira é extremamente social e expressiva. Existe uma expectativa constante de simpatia, contato visual, conversa e sociabilidade. Então muitos autistas brasileiros aprendem desde cedo a mascarar comportamentos para não parecerem estranhos ou mal educados. Só que eu vejo pouca gente falando disso, e isso é muito importante porque é esse tipo de coisa que impede as pessoas de receberem um diagnóstico apropriado.

Conclusão final: é difícil esperar que as pessoas não autistas fiquem super conscientes e compreensíveis do nada, mas eu acho que a melhor forma de ajudar a nossa comunidade é compartilhando experiências que são consequências do autismo. Mesmo que não seja incentivado, não tenha medo ou vergonha de compartilhar sua história na internet, ao invés de usar esse sub só pra perguntar ou responder perguntas, use pra compartilhar experiências e acontecimentos mesmo que sejam pequenos.

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u/lauramns — 2 days ago

I got diagnosed recently and one of the things that started make sense to me is the way that I feel about female friendships. I see everywhere that the connection between women is something special that boys could never understand, but I never felt that way. My best friends are a boy and a girl (who are also neurodivergent) and I feel like our friendship is the exact same.

I think that comes from a lack of fitting into a gender role. I definitely used femininity as a way to mask, so every time I was around other women I felt like I was just pretending to be a girl, that I would never be a “girl’s girl” etc.

Besides that there’s the dating part. I think around 7th grade was one of the hardest years to connect with girls because while everyone was having their firsts boyfriends I was still trying to make some friends while being more focused on my special interest rather than my social life. And nowadays I’m almost finishing high school but I never had a boyfriend or anything.

But I think that the hardest part is drama and gossiping, I don’t know if I’m the problem, but every time I try engaging with a group of girls I feel like everyone is shit talking each other, and it’s so confusing because these girls are very nice to each other at the same time? Like what happened to the special connection??

It doesn’t help that I got bullied by a girl that was a walking teenage girl stereotype (Taylor Swift fan, always talking about boys, favorite movie is Mean Girls). So I started avoiding this kind of hyperfeminine girl because I feel like they’re gonna make fun of me as soon as I turn my back.

Anyways the thing is that for a long time I felt like I had internalized misogyny for not being able to be friends with most girls, and also that I was a pick me, because one of the examples of a pick me is a girl that thinks “I’m not like other girls”. And duh, I’m really not. And don’t get me wrong, I really am a feminist and really into feminist literature, and it’s not like I had an easier time with boys or something. I just hope this gets easier in adult life.

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u/lauramns — 24 days ago