E se o tempo de espera não fosse apenas uma demora, mas também um tempo de preparação e de aproximação de Deus?

E se o tempo de espera não fosse apenas uma demora, mas também um tempo de preparação e de aproximação de Deus?

O tempo realmente existe, como dizem, é o tempo de Deus. Confiar, então, faz parte de um plano maior diante do qual muitos falham: a espera. Porque esperar exige lidar com algo além da impaciência. A espera exige superar a solidão ao ver todos alcançando as graças; a teimosia, em insistir em planos que já não são mais de Deus; a ansiedade, ao não confiar no incerto; e a impaciência, em presumir que Deus tarda. Tudo isso implica a espera e, pior, fortalece a crença na própria vontade acima da divina. 

O enfraquecimento da oração também foi vivido até para um coração vívido e puro de Santa Teresa D’ávila, que enfraquecida em suas orações, vê Cristo que a direciona a uma mudança de vida. Dessa forma, ela ensina a persistência na oração íntima com Deus. Isto é, não apenas para que as graças sejam atendidas, mas também para que seja feita a vontade Dele através dessa confiança. 

A verdade é que é pouco discutido sobre a angústia e solidão em esperar. É conflitante com os pensamentos de incapacidade e medo que inundam a mente no momento de espera. Pensamentos sobre ser incapaz, sobre ser insuficiente, sobre estar sozinho… às vezes o desânimo frequente abre brecha para pensamentos negativos sobre si mesmo também. Assim, ao ceder tais pensamentos se perde a fé e, por sua vez, a prática da oração. 

Com isso, o católico deve sempre confiar e rezar, “porque Deus misericordiosíssimo, pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, prometeu a quem o serve de todo o coração; e porque, sendo fidelíssimo e onipotente, cumpre sempre a sua promessa” (São Pio X, 141, 2014). Nisso, o fiel deve se dirigir sempre ao Pai com fé, confiança e persistência, pois através da oração as graças pelas quais rogam serão ouvidas. 

Assim também é importante ter em mente que a demora não é indício de uma graça não atendida. Há, por vezes, a necessidade de uma preparação para que se obtenha tal prece, seja uma maturidade emocional, uma virtude a trabalhar, a fé se fortalecer…. a demora não é um atraso, é também a resposta para aquilo que se pede. Porque Deus sabe o que pensa e sente, como também sabe o que merece para ter a salvação. Ademais, sabe conceder aquilo que é melhor, às vezes não sendo o que se espera. Por fim, ao se unir mais a Deus, o católico terá as respostas que busca, porque “a paciência tudo alcança/ Quem a Deus tem/ Nada lhe falta/ Só Deus basta”. (Santa Teresa D'ávila)

u/liriosrosa — 9 days ago

Paz de um justo que morre

"Virá, certamente, o demônio a tentar, mas também surgirá o Anjo da Guarda para confortar o moribundo. Virão os santos advogados, virá São Miguel, destinado por Deus a defender os servos fiéis no último combate com o Inferno, virá a Divina Mãe a lançar fora os inimigos, colocando o seu devoto debaixo de seu manto. Virá, sobretudo, Jesus Cristo a preservar das tentações aquela sua ovelha inocente, ou penitente, cuja salvação Lhe custou a vida. Ele lhe dará a esperança e a força necessária em tal combate, e a alma, cheia de coragem, dirá: "Dominus factus est protector meus". (O Senhor fez-se meu protetor) (Sl 18,19). "Dominus illuminatio mea, et salus mea, quem timebo?" (O Senhor é a minha luz e a minha salvação: a quem temerei?" (Sl. 26,1)

Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, 89-90

u/liriosrosa — 29 days ago

Retrato de um homem que acabou de morrer

"Os vivos entram no cenário para desempenhar o papel e ocupar os bens e lugares dos mortos, e destes pouco ou nada se faz estima ou menção. Os parentes, a princípio, permanecerão aflitos por alguns dias, mas se consolarão depressa com a parte da herança que lhes couber, de modo que mais rápido se alegrarão com sua morte. E naquele mesmo aposento, onde exalaste o último suspiro, e onde Jesus Cristo te julgou, dançar-se-á, comer-se-á, jogar-se-á e rir-se-á como antes. E tua alma, onde estará?"

— Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, p. 30

u/liriosrosa — 2 months ago

Por que a cultura pop é ruim para o católico?

Ao refletir sobre a cultura pop, hoje, pensamos, antes de tudo, no mundo contemporâneo, repleto de vasta e vigorosa cultura de valores, hábitos e conhecimentos, isto, contudo, não é a certeza de qualidade. Vemos, claramente, valores contrários à doutrina católica, como a banalização do pecado através de músicas; filmes e demais artes; o relativismo às tradições católicas, como pela imodéstia; e até o hedonismo com vieses naturalistas de amantes da natureza. Esses e outros compõem a massa da cultura pop cada vez mais dominante na sociedade.

Há, em grande parte da cultura pop, uma série de elementos que manipulam e corrompem as mentes, que, devido à falta de conhecimento e maior fragilidade da alma, caem nas garras do mal disfarçado de divertimento, de lazer. Esses elementos estão em animes, mangás, cultura k-pop e até mesmo em cantores internacionais e nacionais que se denominam artistas. Tais escolhas levam o homem a praticar atos dos quais o afasta mais da salvação, como por meio da dança indecente, às melodias sensuais e até conteúdos inadequados aos olhos do homem pelo qual Jesus deu Sua vida.

Nesse sentido, ao entender seus males é fácil visualizar onde eles se encontram: nas redes sociais, por meio de grupos de fan service e alienados à cultura hollywoodyana ou até mesmo religiosos que aparentam defender o bem moral, que é flexível demais com as maldades do mundo. Tudo isso rasga cada vez mais a carne do fiel, e sem ver tais feridas contra a fé, gradativamente, se afasta de Cristo e Sua proteção.

A cultura, então, deve ser enriquecedora para o homem e para isso é necessário filtrá-la. Isto é, não se trata em si da cultura pop, e sim do que hoje ela produz. Em uma carta publicada pelo Papa Pio XI, na encíclica Vigilanti Cura, de 1936, lê-se que: "Toda a arte nobre tem como fim e como razão-de-ser, tornar-se para o homem um meio de se aperfeiçoar pela probidade e virtude; e por isso mesmo deve ater-se aos princípios e preceitos da moral.” Assim, ao aplicar uma boa cultura, como a música, a literatura e as artes, deve-se, antes de tudo, buscar enriquecer a moral e não a colocar em risco.

Para se reavivar a virtude diante de tal corrupção da cultura pop, São Pio X, por meio do Catecismo, enumera que o bom cristão deve ter bons hábitos piedosos, ou seja, práticas como assistir com devoção à Santa Missa, visitar o Santíssimo Sacramento e rezar o Santo Rosário e, também, rezar com devoção tal oração: "Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo de todo o coração; dou-Vos graças por me terdes criado, feito cristão e conservado nesta noite; ofereço-Vos todas minhas ações, e peço-Vos que neste dia me preserveis do pecado, e me livreis de todo o mal. Assim seja.” Além do mais, em acréscimo aos exercícios do santo papa São Pio X, para se evitar completamente a manipulação de ideais intrínsecos socialmente, é ideal que, em 2º lugar, o fiel busque afastar-se de tais ambientes, pessoas e artes que promovam e exaltem a cultura pop. Por fim, 3º, a mortificação constante através de jaculatórias e orações como forma de se autopoliciar diante dos encontros constantes de tais distúrbios.

Em suma, a cultura pop não pode ser definida como de todo mal, mas como o meio, o caminho, para o mal do homem, visto que, sem vigilância e discernimento, não é possível utilizá-la e aprimorá-la devidamente. Cabe ao católico examinar aquilo que alimenta sua inteligência e aquilo que considera relevante para o fortalecimento do seu relacionamento com Cristo.

St Paul Apostle:

A sociedade sempre demonstrou um movimento de imitação para com figuras de poder, e isso, querendo ou não, molda a cultura da civilização em questão. Em Roma, a cor púrpura se tornou símbolo de poder ao ser utilizada pelos membros da nobreza. Na França, os lenços utilizados pelos mercenários croatas foram adotados pela corte no séc. XVII, influenciando a população a entender que o lenço indicava disciplina e formalidade, originando então a gravata masculina. Hoje em dia, entretanto, as figuras de poder são descentralizadas, difusas e nem sempre explícitas. Porém, temos a certeza de que exercem forte controle sobre a mídia. Não é uma novidade que a escalada das escadas da fama em Hollywood exige concessões e participações em diversas imoralidades, em sua maioria obscenas e muitas vezes satânicas. As mesmas celebridades que um dia possuem uma imagem neutra, futuramente se assumem satanistas, seja diretamente, simbolicamente ou imageticamente. O católico, antes de cogitar respeitar um artista e consumir seu conteúdo, deve se perguntar se aquilo será condizente com o que ele vive; por mais inocente que pareça, sabemos que o mal se traveste de inofensivo. Hoje em dia, os globalistas não querem causar escândalo ou afronta; pelo contrário, vão corrompendo a mídia aos poucos, testando, a conta-gotas, de forma que a sociedade atual já é irreconhecível em comparação com a mesma de 20 anos atrás. Qual é o sentido de um católico consumir uma música pop, por mais boba que seja, que o faça remexer o corpo e absorver a letra sem perceber (pelo estado de euforia), e acabar se contaminando com ideias desta? Não é exagero. Basta ver a letra pregada nas músicas de qualquer artista feminina do pop, como Taylor Swift. Não é condizente à moça escutar, no sermão do padre, que deve ser submissa ao marido e, durante a semana, escutar em seu fone e interiorizar que a cantora pop diz como não se deve dobrar ao marido e que deve largá-lo e ir para festas (muitas vezes citando sodomia). Ou se vestir com modéstia para a missa, mas durante a semana ver a artista pop se vestir seminua como se não fosse algo absurdo e escandalizante. O entretenimento não deve ser tratado como lixo, com descaso e imprudência. O católico não pode financiar uma cultura deturpada e de massa nesse sentido. Deve-se almejar aquilo que eleva a alma, e existem sim, muitas formas de entretenimento que promovem tal coisa.

u/liriosrosa — 3 months ago
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Jesus Cristo Nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem

Jesus Cristo é o alfa e o ômega, o princípio e o fim de todas as coisas. O alvo de todos os nossos trabalhos é, como diz o Apóstolo, tornar todo homem perfeito em Jesus Cristo, porque só n'Ele habitam toda a plenitude da Divindade e todas as outras plenitudes de graças, de virtudes e de perfeições; porque só n'Ele fomos abençoados com toda bênção espiritual; porque é Ele nosso único Mestre que deve ensinar-nos, nosso único Salvador de quem devemos depender, nosso único Chefe a quem devemos pertencer, nosso único Modelo a que nos devemos conformar, nosso único Médico que nos há de curar, nosso único Pastor que nos deve alimentar, nosso único Caminho que nos deve guiar, nossa única Verdade em que devemos crer, nossa única Vida que nos deve vivificar, e nosso único Tudo em todas as coisas, que nos deve bastar.

Não nos foi dado outro nome sob o Céu, senão o nome de Jesus, pelo qual devemos ser salvos. Deus não estabeleceu outra base à nossa salvação, à nossa perfeição e à nossa glória senão Jesus Cristo; todo edifício que não é construído sobre essa pedra firme é elevado sobre areia movediça e, mais cedo ou mais tarde, cairá infalivelmente. Todo fiel que não está unido a Ele como o ramo à videira cairá, ficará seco e só servirá para ser lançado ao fogo. Se estamos em Jesus Cristo e Jesus Cristo em nós, não teremos condenação a recear; nem os Anjos dos Céus, nem os homens da terra, nem os demônios do inferno, nem criatura alguma pode prejudicar-nos, porque nada nos pode separar da Caridade de Deus, que está em Jesus Cristo.

Por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, em Jesus Cristo podemos em todas as coisas render honra e glória ao Pai, em unidade com o Espírito Santo, tornar-nos perfeitos e ser para o nosso próximo um bom cheiro de vida eterna.

(Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Virgem Santíssima . 2024. pág. 68 - 70)

u/bodhi_rio — 1 month ago

A prática da castidade

A pergunta essencial é como é possível fortalecer e adquirir a castidade nos dias de hoje. Não é uma resposta muito simples, porque, como vimos, é preciso mortificação, isto é, abandonar certos hábitos e lugares. Não é possível buscar a santidade, pela via da castidade, frequentando ambientes que a repudiam, como bares, festas, shows e companhias que a desprezam.  

São Pio X menciona as práticas para nos conservarmos castos: “[...] devemos evitar a ociosidade, os maus comportamentos, as más leituras, a intemperança, o olhar para figuras indecentes, os espetáculos licenciosos, os bailes, as conversas, e diversões perigosas. “ (São Pio X, 2010, pág. 82). Por isso, é necessário evitar tudo aquilo que nos faz ‘correr perigo’ de cair nas práticas da luxúria e imodéstia.  

Entretanto, para evitar tais desvios, é preciso autodomínio para discernir os lugares dos quais deve abdicar, por exemplo, assim como sacrifícios pessoais, como pessoas que não correspondem mais à sua conversão ou que não auxiliam no aprimoramento da sua virtude de castidade ou as demais.  

Francisco Faus menciona como conservar a castidade. O primeiro deles é a oração. Por ela, o cristão deve manter uma vida de confissão frequente e de comunhão como pilares para uma vida casta. Rezar e se unir a Deus, pois “com Deus chegaremos até onde nós, sozinhos, nunca teríamos chegado.” (Faus, 2021, pág. 204).  

Outro ponto importante, como já mencionado, é evitar as ocasiões de queda, principalmente em certos lugares e com pessoas. Faus recorda a necessidade da “coragem de ser covarde”, de cortar logo os ambientes que põem em risco a perseverança da castidade.  

A mortificação também é de suma importância nessa batalha. Ela consiste em se autopoliciar e lutar constantemente contra a curiosidade nos sentidos, seja no olhar ou nos ouvidos, na imaginação, com as lembranças e fantasias. Com isso, a gula, outra mortificação importante que, juntamente com a temperança, exige prudência ao se autocontrolar através dos excessos. Por meio desses exercícios é possível ordenar os impulsos à razão 

Por fim, Francisco Faus menciona a devoção a Maria. Frente a situações difíceis, o fiel deve recorrer à fortaleza e buscar devoção filial à Mãe de Deus. “Quando as tentações contra a castidade se tornam mais fortes e insistentes, invocar filialmente Maria é o melhor caminho para chegar à paz e à vitória” (Faus, 2021, pág. 207) 

Portanto, para ser casto e se manter firme, é preciso renúncia e uma força constante. A castidade é uma virtude que se cultiva, principalmente, através da vigilância e confiança na graça divina. Ela requer uma prova constante de renovação por meio da oração, dos sacramentos e das outras virtudes, como a temperança, por exemplo. Diante de uma sociedade em que a pureza é relativizada como fraqueza, sejamos o caminho da Verdade em vida para e com Cristo. Não abandonemos, mas sempre nos fortaleçamos como fiés do Salvador.  

u/liriosrosa — 4 months ago

Pecados e vícios contra a castidade

Ao discutir sobre a castidade atualmente, pensamos, inocentemente, que temos o controle sobre as tentações e fraquezas do corpo. Não temos! Naturalmente estamos sujeitos às tentações contra a castidade, a nos deixar levar, por vezes, por pecados e até vícios. Mas, uma alma que se dirige a Deus sobre todas as coisas, principalmente através da mortificação, alcança a graça de vencer as provações. 

São Pio X menciona que “Entre pecado e vício há uma diferença: o pecado é um ato que passa, enquanto o vício é o mau hábito contraído de cair em algum pecado” (São Pio X, 2010, pág. 149). Assim, o pecado, infelizmente, atinge o fiel, mas o vício é a progressão e consequência desse pecado.  

Não é difícil pensar nos pecados contra a castidade, como impureza, luxúria, escândalo, imodéstia intencional. Eles podem se manifestar de diversas formas, por meio da pornografia, masturbação, troca de conteúdo íntimo, consumo de conteúdo sexualizado nas mídias, relacionamento baseado em relações sexuais, conversas com conotação sexual.... Não há fim para os meios que a modernidade utiliza para normalizar o pecado da castidade com um viés, muitas das vezes, de maturidade e até liberdade.  

Todavia, os vícios corroboram e arrastam o fiel para não praticar a temperança, por exemplo, a fim contribuir para práticas de impureza, isto é, o abuso de álcool e a falta de controle, o uso de drogas recreativas e inclusive as consideradas ‘leves’, dependência de redes sociais com conteúdos imorais, dependência, também, em jogos ou de redes sociais que o levam ao isolamento, falta de disciplina e de controle sobre horários. 

Dessa forma, há, desesperadamente, a necessidade do católico fortalecer sua castidade. Para Francisco Faus, essa importância deve ser parte de uma vigilância sabia, ou seja, “o “sim” à virtude, exige saber dizer muitas vezes um “não” enérgico aos devaneios sexuais” (Faus, 2021, p. 206). Essa é uma missão que deve ser levada com tamanha seriedade e vontade a partir do ‘não’ àquilo que distrai e conduz aos pecados: conversas com pessoas que praticam tais pecados; ficar e permanecer em ambientes promíscuos ou sensuais; festas e shows cheios de conotações sexuais. 

Isso esclarece que é preciso fugir dos pecados e vícios. Esse plano exige mudança e, primeiramente, o reconhecimento. À proporção que se identifica e reconhece as falhas é que se parte para lutar contra a guerra moral. Por fim, o católico é chamado para combater essa batalha em busca da salvação. Sem a mortificação e o reconhecimento das próprias fraquezas, dificilmente conquistará a vitória nessa missão. 

u/liriosrosa — 4 months ago

A castidade é uma virtude?

II. Castidade como virtude

A castidade é considerada, popularmente, a aliada da virtude da temperança. Temperança, virtude moral/humana, é definida pela moderação e equilíbrio do espiritual e corporal do homem, com isso, é normal estabelecer uma relação entre elas. Isto porque, é preciso que haja temperança para controlar os desejos egoístas e pecaminosos da carne, por isso que encontramos a castidade.  

Nesse sentido, a castidade pode ser associada uma das maiores provas da temperança humana, uma vez que é um esforço pessoal, é uma virtude que requer força de quase todas as outras. Por meio dela se pratica o amor em um relacionamento, como ser casto até o matrimônio, ou para Cristo, ser casto diante das tentações. 

Apesar de muitos a considerarem de um valor moral ou apenas uma norma complementar, a castidade envolve tantas dimensões da vida — os vícios, pecados, tentações, limitações, fraquezas....—, que atua de maneira própria. Assim, à medida que se estuda a castidade, se chega à mortificação, às lutas do sujeito diariamente, de modo que se conclua ser uma virtude igualmente forte quanto a temperança: é uma virtude humana.  

São Tomás de Aquino menciona também (Aquino. Suma Teológica II-II, 1. 151, a.1) que a virtude deve “imprimir no seu objeto o cunho da razão”, ou seja, ser casto se aplica a isto, porque ordena as paixões e a fortaleza em agir corretamente. Então, a castidade é uma virtude, visto que atua de maneira racional em prol de tolerarmos aos provações externas e internas do corpo.  

O católico, em síntese, deve buscar, por meio das virtudes, fortelecer e aperfeiçoar sua alma. Sendo a castidade a mais desafiadora para muitos, é a que exploraremos com mais cautela para não nos levarmos contra os 6 e 9 mandamentos e cair em pecados e vícios.  

u/liriosrosa — 4 months ago

Castidade: a virtude mais difícil

Quando pensando em ‘castidade’, para muitos, é compreendida como a abdicação dos prazeres sexuais por uma imposição religiosa ou externa que aprisiona os desejos naturais. Esse pensamento radical não é o correto a respeito desta belíssima virtude.  

A castidade, embora subestimada, é a mais desafiada nos dias de hoje. Sair de casa e ir para o colégio ou trabalho é lidar de frente com as imodéstias que permeiam as ruas e os ambientes, seja em academias, mercados, farmácias e, infelizmente, mesmo em ambientes religiosos, o fiel não está isento de tentações e desafios próprios da vida contemporânea. A castidade pura, então, não se trata de uma caretice. Ela não anda, obviamente, com a indecência nas roupas, no modo de olhar e agir com o sexo oposto, isso ela repudia. Não é, portanto, fácil para um católico, minimamente crente, viver de modo que sua própria virtude seja testada ou pior, que ele mesmo caia na sexualidade e luxúria desenfreada, levando ao pecado. 

Pensemos, dessa forma, que a castidade é posta em risco e como católicos devemos protegê-la, isto é claro, mas como católicos, também, devemos superar as nossas falhas pecaminosas para dominar tal virtude. É a questão que trataremos neste ensaio.  

I. O que é a castidade?  

De acordo com a “Suma Teológica”, de São Tomás de Aquino, “Ora, parece que a castidade diz respeito ao corpo; assim, casto se chama quem usa de certo modo de determinadas partes do corpo.” (Aquino, II-II, q. 151, a. 1) Ou seja, é a relação do próprio corpo com seus desejos humanos. Assim, ser casto é a ordenação da própria sexualidade de acordo com a livre escolha e a vontade de Deus. Para muitos, pode ser apenas abstinência dos atos sexuais, mas não se resume somente a isto.  

Para começar, o 6º e 9º mandamento mencionam a castidade como sendo de extremo valor: “Não pecar contra a castidade”, resumindo, cumprir a castidade é um dever católico. Devemos, como fiéis e filhos de Deus, ser castos e modestos, assim também, a castidade inclui a observância do sexto e nono mandamento. Isto é, cumprir com os mandamentos de Deus, mas não se resume a isto. Honrá-la e preservá-la é respeitar Cristo, praticá-la e vencer as ciladas da tentação é provar o amor que se tem por Cristo, assim como por sua mãe puríssima, Virgem Santíssima: ser casto na alma e no coração, como explica São Pio X. 

Nesse sentido, homem fiel a Deus busca, escolhe e procura viver a castidade e superar os desejos que o afastam de Cristo. Essa virtude, que de acordo com São Tomás de Aquino trata-se de uma virtude da alma, põe o fiel diante dos desafios dos pecados da carne, da sua condição humana, em prol de um discernimento e autodomínio. Percebe-se, portanto, que ao buscar Deus e querer viver como Cristo, deve-se seguir conforme os seus ensinamentos. Isso não significa rejeitar afeto e amor, mas ordená-los para o amor verdadeiro com pudor. Por conta disso, é necessário harmonizar o instinto de seguir os desejos pessoais por meio da pureza, discernindo sobre a própria vocação em um ato de amor e para o amor. 

Se a castidade possui tanto valor assim, devemos estudar com mais atenção o porquê de a castidade ser um valor moral tão difícil de viver. Trataremos em breve.

u/liriosrosa — 4 months ago