Cobrou 150 reais de energia minha

Eu moro em uma casa alugada que tem energia solar, 100% gerada. Ele me cobrou R$ 150 reais de energia no mês passado, e eu fiquei indignado. Ele está certo em me cobrar esse preço? Eu mal paro em casa. Ele me mandou uma foto do relógio, mas eu não entendo nada.

Eu moro sozinho, não lavo roupa todos os dias e volto pra casa só a noite, por causa do trabalho.

u/luiz_dasabafosDOdia — 1 month ago

Quando Tudo Vira Mercadoria: Como o Capitalismo Destrói Cultura, Natureza e Até a Nossa Mente

Pra mim, uma das coisas mais assustadoras no capitalismo é que ele não fica só na economia. Ele entra na cultura, na natureza, na nossa cabeça, na religião, na forma como a gente se veste, no que escuta, no que considera bonito, no que deseja e até na maneira como usa o próprio tempo.

Marx já mostrava que o capitalismo tem uma tendência enorme de transformar praticamente tudo em mercadoria. Quando alguma coisa entra nessa lógica, ela deixa de ser valorizada principalmente pelo significado que tem e passa a ser valorizada pelo quanto consegue vender, gerar lucro ou movimentar dinheiro. E isso vai muito além de fábrica, salário e empresa.

A cultura é um exemplo muito claro. Um estilo musical pode nascer de uma comunidade, de uma região, de uma classe social e de experiências reais das pessoas. Só que, quando o mercado percebe que determinada fórmula dá dinheiro, começa a repetir aquilo até transformar uma expressão cultural em produto. Isso acontece com vários estilos, inclusive com o funk. O funk tem história, diversidade e importância cultural, mas existe uma indústria que percebeu que sexualização, ostentação, palavrão, choque e letras provocativas conseguem gerar clique e repercussão. Então essas vertentes acabam recebendo muito mais espaço do que outras. O problema não é o funk existir, e sim quando o mercado começa a decidir qual versão dele será empurrada para milhões de pessoas porque é a que mais prende atenção e gera dinheiro.

Isso também acontece com a moda. Tendências duram cada vez menos porque é preciso convencer as pessoas de que aquilo que compraram ontem já ficou ultrapassado hoje. Estilos alternativos, roupas tradicionais, símbolos regionais e até movimentos que nasceram justamente para rejeitar padrões acabam sendo absorvidos pelas empresas, transformados em estética e vendidos de volta para as próprias pessoas. Até a rebeldia consegue virar mercadoria.

E não para na música ou na roupa. Acontece com culinária, festas tradicionais, artesanato, arquitetura, cinema, literatura, dança, linguagem, costumes locais e até com a maneira como as pessoas se relacionam. Aquilo que não é facilmente comercializável vai perdendo espaço, enquanto o que consegue virar produto é repetido infinitamente. Aos poucos, culturas menores podem ser enfraquecidas, descaracterizadas ou até desaparecer. As cidades começam a ter as mesmas lojas, as pessoas usam as mesmas roupas, escutam os mesmos artistas, repetem as mesmas expressões e seguem as mesmas tendências porque meia dúzia de plataformas e empresas conseguem influenciar milhões de pessoas ao mesmo tempo.

E eu também acho que essa lógica consegue deixar as pessoas mais burras, não no sentido de o capitalismo literalmente reduzir o QI das pessoas, mas porque ele cria um ambiente perfeito para superficialidade, distração e ausência de pensamento crítico. Hoje até a nossa atenção virou mercadoria. Redes sociais e plataformas ganham dinheiro quanto mais tempo conseguem manter a gente olhando para uma tela, então naturalmente existe um incentivo para produzir conteúdo curto, exagerado, repetitivo, emocional e fácil de consumir.

A pessoa passa horas vendo vídeos de poucos segundos, manchetes sem contexto, opiniões prontas, brigas, propaganda e estímulo atrás de estímulo. Aos poucos, muita gente perde a paciência para ler um livro, acompanhar um argumento mais complexo, estudar alguma coisa profundamente ou simplesmente ficar alguns minutos pensando sem pegar o celular.

Então não é que as pessoas simplesmente ficaram biologicamente menos inteligentes. O problema é que estamos construindo um ambiente que recompensa cada vez menos a concentração, a curiosidade e o pensamento profundo e recompensa cada vez mais a reação imediata. É mais lucrativo fazer alguém ficar indignado por quinze segundos e continuar rolando a tela do que fazer essa pessoa parar durante uma hora para refletir sobre alguma coisa.

E isso se conecta muito com a alienação de Marx. A pessoa passa o dia trabalhando, estudando, resolvendo problema, correndo atrás de dinheiro e tentando sobreviver. Quando finalmente chega em casa, está tão cansada que não consegue ter energia para estudar política, filosofia, história, ciência ou economia. Ela só quer alguma coisa rápida que faça o cérebro desligar. Então o próprio sistema que ajudou a produzir esse cansaço aparece depois oferecendo entretenimento para anestesiar o cansaço.

Até o descanso virou mercado. Agora existe conteúdo ensinando como dormir melhor, como acordar melhor, como estudar melhor, como descansar melhor, como organizar cada minuto do dia e como transformar até um hobby em alguma coisa produtiva. Parece que não podemos simplesmente fazer alguma coisa porque gostamos. Tudo precisa ter resultado.

E a religião também não consegue escapar completamente dessa lógica. Eu não estou dizendo que fé ou religião são ruins, porque religião pode significar comunidade, identidade, esperança, tradição e até resistência para muita gente. O próprio Marx tinha uma crítica mais complexa do que simplesmente dizer que religioso é ignorante. Quando ele relacionava religião ao “ópio do povo”, ele também estava falando de uma sociedade cheia de sofrimento em que a religião podia funcionar como consolo para uma realidade dolorosa.

O problema aparece quando a fé também vira mercadoria. Quando promessa espiritual começa a ser vendida como produto, quando prosperidade financeira passa a ser apresentada como prova de bênção, quando líderes religiosos constroem impérios econômicos ou quando a própria insegurança das pessoas vira oportunidade de arrecadação. A lógica capitalista consegue transformar até algo tão íntimo quanto a fé em mercado.

E existe uma contradição muito estranha nisso. Uma religião pode falar sobre humildade, solidariedade, desapego e cuidado com os pobres, mas ao mesmo tempo existir dentro de uma sociedade que mede sucesso por dinheiro, consumo e patrimônio. Aí surgem discursos em que riqueza passa a ser vista como sinal de mérito e pobreza quase como fracasso individual. Nesse ponto, a religião pode acabar sendo usada não para questionar uma estrutura injusta, mas para fazer a pessoa aceitar essa estrutura acreditando que basta ter fé, trabalhar mais e esperar sua recompensa.

E novamente isso não significa que toda religião faça isso. Houve e existem movimentos religiosos profundamente ligados à defesa dos pobres, dos trabalhadores e de grupos marginalizados. O que me incomoda é perceber como o próprio capitalismo consegue absorver até aquilo que originalmente poderia servir para criticá-lo.

Com o meio ambiente a lógica fica ainda mais absurda. Para o capital, muitas vezes uma floresta vale mais derrubada do que preservada, uma montanha vale mais quando pode ser minerada, um animal vale mais quando consegue ser comercializado e um rio passa a ser visto principalmente pelo potencial econômico que possui. É como se a natureza só tivesse valor quando pode ser transformada em dinheiro.

Só que existe um problema óbvio: o capitalismo depende de crescimento e acumulação constantes dentro de um planeta que possui limites físicos. Não existe floresta infinita, minério infinito, água infinita, energia infinita nem capacidade infinita de absorver poluição.

É por isso que eu consigo comparar o capitalismo a um câncer, como metáfora. Uma célula cancerígena cresce sem respeitar os limites do organismo, consome os recursos ao redor e continua crescendo até colocar em risco o próprio corpo do qual depende. Eu vejo uma semelhança enorme com um sistema que precisa produzir mais, vender mais, extrair mais, consumir mais e acumular mais, mesmo quando isso destrói florestas, esgota trabalhadores, empobrece a cultura e transforma até nossa atenção em fonte de lucro.

E talvez essa seja uma das maiores contradições do capitalismo. Ele depende das pessoas, da natureza, da cultura e da própria sociedade para continuar existindo, mas ao mesmo tempo vai desgastando tudo isso para conseguir continuar crescendo.

No final, parece que nada pode simplesmente existir. Uma música precisa gerar dinheiro. Uma roupa precisa virar tendência. Uma cultura precisa ser vendável. Uma religião pode virar negócio. Uma floresta precisa ter utilidade econômica. Uma pessoa precisa ser produtiva. Uma opinião precisa gerar engajamento. Um momento de lazer precisa virar conteúdo. Até nossos pensamentos e nossa atenção viraram território disputado por empresas.

E é isso que mais me incomoda. Quando tudo vira mercadoria, começamos a perder justamente aquilo que deveria possuir valor mesmo sem produzir lucro: cultura, conhecimento, natureza, fé, tempo, silêncio, descanso, criatividade, comunidade e principalmente a capacidade de pensar por conta própria.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

Mães cocô (sou um estagiário de uma escola)

Eu trabalho como estagiário em uma escola cheia de crianças, e obviamente tem criança de todo tipo: educada, malcriada, tranquila e outras completamente fora de controle. Só que o problema começa quando colocam nas minhas costas uma responsabilidade que nem deveria ser minha nesse nível.

Como não tem monitor suficiente contratado para acompanhar os dois ônibus, eu preciso ir junto para levar as crianças para casa. E, por algum motivo, eu sempre acabo justamente no ônibus mais caótico de todos. É criança gritando, se xingando e falando coisas absurdamente pesadas. “Vou te matar” e “vai tomar no cu” estão entre as coisas mais leves que eu já ouvi ali. Já aconteceram até situações de cunho sexual entre as próprias crianças dentro desse ônibus, no meio de todo mundo.

E quem tem que tentar controlar isso? Eu. Um estagiário.

Se eu não levantar a voz, eles simplesmente não me respeitam. Eu preciso gritar várias vezes para conseguir minimamente colocar ordem naquele ônibus. Às vezes, no meio do estresse, acabo xingando de volta e as palavras que mais escapam são “capeta” e “verme”. Não estou dizendo que isso é o ideal, mas chega um momento em que você está sozinho tentando controlar um ônibus lotado de crianças completamente agitadas e ninguém parece considerar a situação em que você foi colocado.

Aí uma criança resolveu falar para a mãe que eu tinha chamado ela de “verme”. O detalhe é que, pelo que eu me lembro, eu nem sequer falei isso para essa criança específica, até porque ela não costuma me dar problema. Só que são tantas crianças ao mesmo tempo que é impossível prestar atenção individualmente em cada uma durante todo o trajeto.

Mesmo assim, a mãe foi até a prefeitura reclamar de mim e ainda mandou mensagem para a diretora. A diretora não brigou comigo nem me repreendeu, apenas falou para eu escutar e não responder nada.

Só que é muito fácil falar para eu simplesmente ficar quieto quando não é você que está dentro daquele ônibus tentando controlar tudo.

Porque parece que não existe maneira certa de agir. Se eu sou mais rígido, reclamam que preciso ser mais maleável. Se eu sou maleável, as crianças não respeitam absolutamente nada e começam a destruir o ônibus, brigar e fazer o que querem. E, se eu deixar a situação sair do controle, adivinha quem também vai ser cobrado por não ter controlado? Eu.

Ou seja: querem que eu controle, mas não querem que eu seja rígido. Querem que eu imponha limites, mas sem levantar a voz. Querem que eu mantenha dezenas de crianças sob controle, mas não contratam monitores suficientes para fazer isso de maneira adequada.

E tudo isso ganhando R$ 800 como estagiário.

R$ 800 para lidar diariamente com gritaria, palavrões, brigas, situações absurdas dentro de ônibus, cobrança de pais, responsabilidade sobre várias crianças e ainda ter que medir cada palavra que sai da minha boca enquanto estou tentando impedir que aquele ônibus vire um caos completo.

Eu estou chegando num nível de esgotamento em que sinceramente sinto que estou à beira de um burnout. Não porque eu simplesmente “não sei lidar com crianças”, mas porque estão exigindo de um estagiário uma responsabilidade enorme, sem estrutura suficiente, sem funcionários suficientes e por um salário que não chega nem perto de compensar o desgaste psicológico que isso está me causando.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

Eu acho muito bizarro como a gente transformou literalmente tudo em produtividade.

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Eu acho muito bizarro como a gente transformou literalmente tudo em produtividade. Não basta estudar, tem que estudar do jeito mais eficiente. Não basta descansar, tem que aprender a “descansar certo”. Parece que até existir virou alguma coisa que precisa ser otimizada.

E isso conversa muito com o que Byung-Chul Han fala sobre a sociedade do desempenho: hoje a cobrança não vem só de alguém mandando na gente, a gente aprende a se cobrar sozinho o tempo inteiro. A pessoa se explora achando que está apenas “dando o seu melhor”, e quando não consegue acompanhar, sente que o problema é ela.

Marx já falava sobre como o trabalho, dentro do capitalismo, pode se tornar alienado, porque a nossa vida passa a girar em torno de produzir para sobreviver. E isso pesa principalmente em quem não nasceu com dinheiro. Vendem a ideia de que qualquer pessoa consegue chegar onde quiser se souber administrar o tempo e se esforçar o suficiente, ignorando completamente as condições materiais de cada um.

Até Nietzsche criticava uma vida vivida apenas no automático, seguindo valores e expectativas já prontas. E eu sinto que é exatamente isso que acontece quando a gente acredita que precisa estar sempre fazendo alguma coisa para justificar a própria existência.

A gente vive pensando: “vou me matar de trabalhar agora para descansar depois”. Só que esse depois nunca chega. Sempre tem outra obrigação, outra meta, outra coisa faltando.

Às vezes a gente não precisa ser mais produtivo. Precisa de tempo para dormir sem culpa, conversar, olhar para o céu, ficar parado, fazer alguma coisa simplesmente porque gosta. Nem tudo precisa ter utilidade.

Eu não quero passar a vida inteira me preparando para um futuro em que talvez eu finalmente tenha tempo de viver. Eu quero poder viver agora também.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

Marx não é um idiota

Pra mim, não dá para tratar Marx como se ele fosse apenas um pensador ultrapassado ou como se tudo o que ele escreveu tivesse perdido o sentido. Mesmo quem não concorda com o comunismo ou com as soluções políticas defendidas a partir de suas ideias precisa reconhecer que muitas das críticas que ele fez ao capitalismo continuam aparecendo na nossa realidade. Marx não estava falando simplesmente que “existem ricos e pobres”. A análise dele era muito mais profunda: ele tentava explicar de onde vem essa desigualdade, quem controla a produção, quem trabalha, quem se apropria da maior parte da riqueza produzida e por que essa relação acaba criando interesses diferentes entre as classes sociais.

Uma das ideias que mais fazem sentido para mim é a de que o trabalhador vende sua força de trabalho porque precisa sobreviver, enquanto quem possui os meios de produção controla aquilo que é produzido e fica com parte do valor criado pelo trabalho. É daí que vem a discussão da mais-valia. Não significa que o trabalhador não receba salário, mas que ele produz um valor maior do que aquilo que recebe. Essa diferença ajuda a explicar como o capital consegue se acumular. Quando a gente olha para empresas enormes gerando lucros bilionários enquanto muitos trabalhadores recebem salários que mal acompanham o custo de vida, fica difícil dizer que essa discussão simplesmente deixou de existir.

Também acho muito atual a ideia do fetichismo da mercadoria. No capitalismo, muitas vezes enxergamos uma mercadoria apenas pelo preço e pelo valor que ela possui no mercado, esquecendo todo o trabalho e todas as relações sociais que existem por trás dela. Um celular, uma roupa ou qualquer outro produto aparece para nós como uma coisa pronta, mas existe uma cadeia inteira de pessoas trabalhando para aquilo existir. O mercado acaba fazendo essas relações entre pessoas parecerem apenas relações entre produtos, dinheiro e preços.

Outra questão importante é a alienação. O trabalhador pode passar grande parte da própria vida produzindo algo que não pertence a ele, seguindo regras que ele não escolheu e tendo pouco controle sobre aquilo que produz. O trabalho, que poderia ser uma forma de realização humana, muitas vezes vira apenas uma obrigação necessária para conseguir pagar as contas e continuar sobrevivendo. É por isso que Marx não analisava somente salário ou pobreza; ele também discutia a própria relação das pessoas com o trabalho.

A luta de classes também não precisa ser entendida como se ricos e pobres estivessem literalmente em guerra o tempo inteiro. Ela aparece no conflito de interesses. O trabalhador normalmente deseja melhores salários, menos horas de trabalho e mais direitos, enquanto o proprietário de uma empresa possui interesse em controlar os custos e aumentar a rentabilidade. Isso não significa que todo empresário seja uma pessoa ruim ou que todo trabalhador pense da mesma forma. Marx estava falando de posições diferentes dentro da estrutura econômica, e não simplesmente fazendo um julgamento moral sobre indivíduos.

Até a ideia de materialismo histórico me chama atenção porque Marx tenta explicar que a história não acontece apenas porque algumas pessoas tiveram grandes ideias. As condições materiais de uma sociedade, quem possui terras, fábricas, capital, como as pessoas trabalham e como a riqueza é distribuída, também influenciam profundamente a política, as leis e as relações sociais. Ou seja, para entender uma sociedade, não basta olhar apenas para aquilo que ela diz defender; também é necessário observar como ela produz e distribui suas riquezas.

Por isso, para mim, é perfeitamente possível criticar Marx, questionar algumas de suas previsões e até discordar das soluções que surgiram a partir do marxismo. O que eu acho difícil é simplesmente negar toda a análise dele. O capitalismo mudou muito desde o século XIX, mas não fez desaparecer a concentração de riqueza, a exploração do trabalho, os conflitos entre capital e trabalho ou a enorme diferença de poder econômico entre as pessoas. Talvez Marx não tenha acertado tudo, mas ele fez perguntas sobre o funcionamento da sociedade que continuam desconfortavelmente atuais. E é justamente por isso que, mais de um século depois, ainda estamos estudando e discutindo o que ele escreveu.

u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

Por que tantas pessoas apoiam Renan Santos?

Eu realmente não consigo entender como tanta gente consegue apoiar o Renan Santos como se ele fosse simplesmente uma alternativa nova e limpa para a política. Não estou dizendo que uma pessoa precisa ser perfeita para entrar na política, porque se fosse assim praticamente ninguém entraria, mas existe uma diferença enorme entre ter cometido erros na vida e carregar um histórico cheio de controvérsias, dívidas milionárias, empresas envolvidas em problemas judiciais e investigações sérias.

O que mais me incomoda é ver gente tratando tudo isso como se fosse irrelevante só porque concorda com o discurso dele ou porque odeia os outros grupos políticos. Parece que, quando o político é “do nosso lado”, de repente as pessoas passam a exigir muito menos explicações. Se fosse alguém de um partido que essas mesmas pessoas odeiam, tenho certeza de que cada processo, investigação ou dívida seria usado como prova de que a pessoa não presta.

E eu não estou nem dizendo que toda acusação contra ele é verdadeira ou que ele foi condenado por tudo que já falaram. Algumas denúncias foram rejeitadas e investigação não é sinônimo de culpa. Só que justamente por isso eu acho estranho esse comportamento de fingir que não existe absolutamente nada para ser questionado. Existe, sim, um histórico que merece ser analisado com cuidado.

Pra mim, política não deveria funcionar como torcida de futebol. Eu não vou ignorar coisa problemática só porque gosto do discurso de alguém, assim como também não vou transformar uma acusação em condenação só porque não gosto da pessoa. O mínimo que eu espero de alguém que quer governar o país é que consiga explicar de maneira convincente tudo aquilo que existe no próprio histórico.

Por isso eu simplesmente não consigo olhar para ele e entender esse entusiasmo todo. Ainda mais quando muita gente que o apoia vive dizendo que está cansada da “velha política”, da corrupção, da falta de responsabilidade e dos políticos cheios de escândalos. Se esse é realmente o padrão que vocês dizem querer mudar, então ele deveria valer para todo mundo, inclusive para quem fala exatamente aquilo que vocês querem ouvir.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

Gente pmdssssssssss, se você tem cabelo liso grosso, não use a temperatura da chapinha MQ pro 480 turbo em 252 graus.

Gente, a chapinha nem arrancou meu cabelo, e sim carbonizou! Não foi nem corte térmico, pois meu cabelo virou pó por completo na segunda passada... Para cabelos lisos grossos, eu recomendo usar a chapinha profissional em 230 graus, pois os 230 graus de uma chapinha profissional não são iguais aos 230 graus de uma chapinha não profissional.

O cabelo liso e grosso tende a absorver e manter o calor por mais tempo do que um fio fino, principalmente porque possui maior diâmetro e mais massa. Quando uma chapinha profissional aquece o fio, essa quantidade maior de material pode fazer com que ele demore mais para esfriar.

Isso não significa que cabelo grosso seja “resistente a qualquer temperatura”. Uma chapinha profissional costuma ter placas com aquecimento mais uniforme e maior estabilidade térmica, então consegue transferir bastante energia ao cabelo rapidamente. Por isso, várias passadas ou permanecer muito tempo no mesmo ponto em um cabelo liso grosso, pode acumular calor no fio e causar ressecamento, quebra ou até carbonização.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 2 months ago

A pior parte da pobreza não é a fome, é sentir que você incomoda por comer.

Eu preciso comer na casa do meu pai, mas minha família me passa a impressão de que não quer que eu coma. Sou uma pessoa de 18 anos e sinto muita fome o tempo todo, mas há anos venho me controlando para comer, simplesmente porque sou pobre.

Quando eu morava com a minha mãe, tive que começar a fazer isso quando cheguei a uma certa idade, porque comecei a sentir muita fome. Agora que não moro mais com ela, porque não nos damos mais certo (e eu já postei nesta comunidade parte dos motivos, então não vou entrar nesse assunto), passei a precisar comer na casa do meu pai, porque nem sempre tem comida para eu fazer em casa.

Ele me ajuda com R$ 1.050 de pensão, e eu ganho R$ 800 no meu estágio. O que mais me dá raiva é que, como meu pai mora com eles (meu avô e minha avó), ele deixa o vale-alimentação de R$ 1.000 com eles e ainda paga o plano de saúde da minha avó. Então, na minha cabeça, eles não deveriam estar fazendo isso comigo, porque meu avô, que já foi funcionário público da área de contabilidade, provavelmente tem uma aposentadoria muito boa. Mesmo assim, eles insistem em me causar esse desconforto.

Eu sinto muita vontade de comer doce também, mas tenho que me controlar ao máximo para não comer. Gosto muito de refrigerante, mas também não posso beber muito, mesmo eles comprando três fardos de refrigerante quase todo mês.

Também não posso falar toda essa situação para o meu pai, porque isso vai causar o caos no clima da família. E ainda tem muitas outras situações desconfortáveis que passo diariamente. Isso me dá ainda mais vontade de comer doce. Cheguei ao ponto de precisar comer as coisas escondido para que eles não fiquem falando. Eles falam longe de mim, mas eu não sei explicar: eu consigo escutar tudo o que falam de mim, mesmo quando estão falando baixo e longe.

Eu estou muito triste. Queria poder comer sem ser julgado. E nem é só esse problema. Minha madrinha implica com os meus tênis quando eles estão sujos, mas tem dias em que eu simplesmente não consigo sair da cama. Agora mesmo estou em um loop: passo o dia inteiro deitado. Só levanto para ir ao trabalho e estudar. E, quando estou em casa, não tenho ânimo para ficar limpando minhas roupas.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago
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Por que minha mente insiste em me transformar em alguém que eu não quero ser?

Eu odeio isso em mim, e é por isso que penso em me matar constantemente. Normalmente, começo a refletir sobre isso quando minha For You começa a me mostrar vídeos de pessoas sendo bondosas com as outras, prestando ajuda ou lutando por uma sociedade mais igualitária e sem injustiças. Esse é o tipo de conteúdo que consumo o tempo todo.

Mas tudo isso é muito controverso quando paro para analisar os meus próprios pensamentos e atitudes. Eu tenho muitos pensamentos ruins e até criminosos, e já pratiquei algumas coisas que vão contra quem eu realmente sou.

É como se existissem duas versões de mim. Se eu for analisar bem, parece que há um conflito constante dentro da minha mente. Eu não quero ser assim. Eu realmente quero ser uma pessoa boa, mas parece que meu corpo e minha mente me puxam para o lado ruim, para pensamentos e comportamentos criminosos.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

Todo poster de psicologia que eu posto, ele é deletado. Psicologia por trás dos mods

Todo post meu sobre psicologia é deletado. Enquanto isso, um meme aleatório sem nenhuma relação com psicologia fica lá por dias."

Qual seria a psicologia por trás disso? 😂

Uma hipótese é o viés da autoridade: quando alguém está na posição de moderar, pode acabar interpretando conteúdos mais críticos ou complexos como "problemáticos", enquanto conteúdos superficiais parecem inofensivos e passam despercebidos.

Também existe a heurística da facilidade: é muito mais rápido identificar um post que gera discussão e removê-lo do que analisar dezenas de posts que fogem do tema, mas parecem "leves".

E tem um fenômeno interessante: às vezes, aquilo que faz as pessoas pensarem exige mais esforço cognitivo e tende a receber mais atenção da moderação do que conteúdos sem profundidade.

Ou então a explicação é muito mais simples: eu só tenho um talento sobrenatural para escrever exatamente o tipo de post que ativa o radar dos mods. 😂

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u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

Eu trabalho com essa criança todo dia e o que descobri sobre ela me deixou sem chão

Gente, vocês não fazem ideia do que rola na cabeça de uma criança que "aprontou" desse jeito

Eu convivo com essa criança todos os dias no meu estágio, e confesso, por muito tempo só senti raiva e até um certo nojo do que ela faz. Sabe quando a gente vê uma criança fazendo coisa absurda, bater, gritar, fazer coisa sexual que nem deveria saber que existe, e a primeira reação é "nossa, que criança sem jeito"? Pois é. Eu também pensava assim. Até entender o que a psicologia explica sobre isso.

Primeiro segredo, criança não inventa isso sozinha

Isso é sério. Uma criança pequena não acorda um dia e inventa uma cena sexual do nada. Isso não sai da cabeça dela. Criança repete o que vive, e isso não sou eu que estou dizendo, é a psicologia infantil que mostra isso há décadas. No caso dela especificamente, teve uma situação em que ela fez dois meninos do 1º ano encenarem algo sexual com ela. Na hora, minha reação foi só choque. E o que mais me marcou foi perceber que não era um ato distraído ou confuso, dava pra ver que ela sabia exatamente o que estava fazendo, com uma malícia que assusta numa criança dessa idade. Mas é justamente isso que, segundo a psicologia, mais preocupa, uma criança só desenvolve esse tipo de intenção quando foi exposta de forma repetida ou intensa o suficiente pra internalizar não só o ato, mas a lógica por trás dele. Ou seja, o fato de ela "saber o que faz" não é sinal de que isso nasceu dela, é sinal de que a exposição foi profunda demais pro tempo de vida que ela tem.

Segundo segredo, bagunça é pedido de socorro

A psicologia do apego explica bem isso, toda criança precisa de alguém que segure ela emocionalmente, que dê limite, mas também carinho. No caso dela, a mãe manda ela pra escola até doente e não responde quando a gente tenta falar sobre o comportamento. Isso bate exatamente com o que a **psicologia** descreve, quando falta esse adulto presente, a criança cresce perdida. E aí ela descobre que fazer bagunça funciona, porque, pro cérebro dela, ser notada com raiva ainda é melhor do que ser ignorada.

Terceiro segredo, aquela agitação sem parar não é "maldade"

Segundo a psicologia, criança que não consegue ficar quieta nem um segundo geralmente está fugindo de alguma coisa por dentro. É exatamente isso que vejo nela todo santo dia. No início achava que era manha. Hoje entendo que é bem provável que seja um jeito, bem ruim, mas real, de nunca ter que sentir aquilo que dói de verdade.

E aí, o que fazer com essa informação toda?

Aqui a coisa fica séria de verdade, e é aqui que eu preciso ser sincero comigo mesmo também. Sei que ela precisa de um adulto que consiga, ao mesmo tempo, dar limite e acolhimento, alguém que aguente segurar tudo isso sem quebrar. E a real é que, hoje, esse adulto não sou eu. Recebo 800 reais de bolsa nesse estágio, moro sozinho, e várias vezes acabo surtando com ela, perco a paciência, fico exausto, sinto que não tenho estrutura nenhuma pra lidar com o tanto de coisa que uma criança nessa situação carrega. E isso não é desculpa, é só a verdade, quando a estrutura de quem deveria cuidar também está no limite, fica muito mais difícil segurar a barra de alguém que precisa de tanto.

Mesmo assim, uma coisa eu sei, e é a psicologia" que confirma, quase nunca é "criança má". É quase sempre uma criança gritando por ajuda do único jeito que ela sabe, fazendo os adultos ao redor prestarem atenção nela. Só que, pra isso mudar, precisa de gente com estrutura pra segurar essa criança, e precisa também de notificação pro Conselho Tutelar, porque o que está acontecendo em casa dela precisa ser investigado.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

Gente, eu acho que comunismo até que faz sentido, mas dá pra entender pela psicologia por que sempre deu ruim.

Vim aqui desabafar uma ideia que fico remoendo há um tempo. E vou tentar explicar não só com economia, mas com coisa de psicologia mesmo, porque acho que dá pra entender melhor o porquê disso funcionar na teoria e explodir na prática.

Primeiro: por que eu acho que a ideia faz sentido. Olha pra desigualdade hoje, tem gente com mais grana do que consegue gastar em cem vidas, enquanto outro trampa o dia inteiro e ainda assim não fecha o mês. Isso não é coincidência, não. É o sistema mesmo: quem já tem dinheiro, junta mais dinheiro; quem só tem a força de trabalho, fica sempre correndo atrás. A ideia do comunismo é bem direta: os meios de produção (fábrica, terra, essas coisas) seriam de todo mundo, e cada um recebe conforme precisa, não conforme quanto já tinha guardado antes. Pra mim, isso é mais justo do que o que a gente tem hoje.

Só que toda vez que rolou de verdade, União Soviética, China do Mao, Camboja, Coreia do Nort, foi um caos. E eu não acho isso coincidência não, tem duas coisas de psicologia que explicam bem.

A primeira é isso: quando ninguém ganha mais por se esforçar mais, um monte de gente perde a vontade de fazer além do básico. Isso é estudado, viu, chama efeito de corrosão da motivação, quando o esforço de cada um não bate com a recompensa, as pessoas relaxam. Junta isso com o clássico "problema do carona": quando o resultado é de todo mundo mas o esforço é individual, cada um pensa "ah, o outro que vai fazer". Multiplica isso por um país inteiro e você tem prateleira vazia e fábrica produzindo o que o governo mandou, não o que o povo precisava.

A segunda, e essa eu acho a pior: poder concentrado sem ninguém fiscalizando corrompe rápido. Tem estudo de psicologia social mostrando isso claro, poder sem ninguém pra questionar tende a virar bola de neve e calar quem discorda. Alguém precisa decidir o que produzir e pra quem vai, esse alguém virou um partido só, às vezes um líder só. Sem ninguém de fora pra segurar, isso desandou em perseguição, censura, e no pior dos casos, decisão errada que matou gente pra caramba porque ninguém tinha coragem de falar "isso tá errado" a tempo, tipo a fome na URSS nos anos 30 e na China entre 59 e 61, com dezenas de milhões de mortos.

Então, se eu acho que a ideia base tem valor, também acho que precisa mudar um monte de coisa pra não cair na mesma roubada:

- Manter algum incentivo pessoal mesmo dentro do sistema coletivo, pra não depender só de boa vontade de todo mundo

- Democracia de verdade na decisão, ao invés de deixar um partido só mandando é isso que segura o poder de corromper

- Ir fazendo aos poucos, setor por setor (saúde e educação pública já são tipo isso, e funcionam até em país capitalista), não virar tudo de uma vez

- Liberdade de imprensa e de expressão garantida por lei mesmo, porque é isso que faz o erro aparecer e ser corrigido antes de virar tragédia, ao invés de ficar escondido até ser tarde demais

Agora, sendo sincero: isso é mais uma aposta minha do que uma certeza. Tem gente que fala, com razão, que isso não foi erro de execução não, foi consequência direta de tirar propriedade privada e concentrar decisão econômica no governo, e que qualquer tentativa nova ia cair na mesma roubada de novo, não importa a boa intenção de quem começar. Eu não tenho como provar que eu tô certo e eles errados. Mas fica a pergunta pra vocês que entendem mais de psicologia: será que dá pra montar um sistema desses de um jeito que segure esses efeitos, ou isso é meio que inevitável quando você tenta concentrar decisão econômica de um país inteiro?

u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

Por que algumas pessoas defendem o capitalismo mesmo quando ele as prejudica?

Fiz esse pôster porque, no anterior, eu fui muito atacado. E isso me fez pensar em uma coisa: por que algumas pessoas ficam tão bravas quando alguém critica o capitalismo? A psicologia tem algumas respostas para isso. Quando uma crença que a gente carrega há muito tempo é questionada, o cérebro pode sentir um desconforto chamado dissonância cognitiva. Em vez de parar e pensar "será que essa crítica faz sentido?", muita gente reage atacando quem fez a crítica. Não porque seja uma pessoa ruim, mas porque mudar uma crença importante pode ser bem desconfortável. Também existe uma teoria da psicologia chamada Justificação do Sistema. Ela mostra que as pessoas tendem a defender o sistema em que vivem porque acreditar que ele é justo e funciona costuma ser mais confortável do que aceitar que ele também pode produzir injustiças. Mas por que tanta gente critica o capitalismo? Não é só porque "não gosta dele". Existem muitos dados mostrando problemas reais. A OMS diz que pobreza, desemprego, desigualdade, insegurança financeira e exclusão social afetam diretamente a saúde mental. O Banco Mundial mostra que centenas de milhões de pessoas ainda vivem em pobreza extrema. E a Oxfam aponta que uma parte muito pequena da população concentra uma quantidade enorme da riqueza do mundo. Outra coisa que sempre aparece é a famosa frase: "é só trabalhar" ou "quem quer consegue". Sinceramente, se fosse só trabalhar, o pedreiro, a faxineira, o entregador, o motorista de aplicativo e tantas outras pessoas que passam 10, 12 ou até mais horas por dia trabalhando estariam entre as pessoas mais ricas. Mas a realidade mostra exatamente o contrário. O esforço faz diferença, claro que faz. Mas ele não é o único fator. Nem todo mundo começa a vida do mesmo lugar. Tem gente que nasce com boa escola, alimentação, internet, segurança, plano de saúde, apoio da família e contatos que abrem portas. Outras pessoas crescem passando necessidade, estudando em escolas com poucos recursos, trabalhando desde cedo, convivendo com violência ou até sem saber se vai ter comida suficiente no fim do mês. É como fazer uma corrida em que alguns largam vários metros na frente dos outros. Dá para correr e até ultrapassar alguém? Dá. Mas dizer que todo mundo teve a mesma chance simplesmente não corresponde à realidade. As pesquisas sobre mobilidade social mostram isso. A condição financeira dos pais influencia muito a vida dos filhos. Em muitos países, inclusive no Brasil, sair da pobreza pode levar várias gerações. Ou seja, o lugar onde você nasceu continua tendo um peso enorme no lugar onde você provavelmente vai chegar. Então, quando alguém diz que uma pessoa é pobre porque "não se esforçou", acaba ignorando um monte de coisas que ela nunca escolheu: a família onde nasceu, a qualidade da escola, as oportunidades que teve, o acesso à saúde, o preconceito, o desemprego e até as crises econômicas. E tudo isso também afeta a saúde mental. Viver preocupado se vai conseguir pagar o aluguel, comprar comida ou manter um emprego gera estresse constante. Trabalhar sem parar, descansar pouco e viver com medo do futuro aumenta o risco de ansiedade, depressão e burnout. Não é só uma questão de dinheiro; é uma questão de qualidade de vida. Além disso, o capitalismo pode incentivar uma ideia de que o valor de uma pessoa depende do quanto ela produz ou do quanto ela consegue consumir. Aí, quando alguém perde o emprego, ganha pouco ou não consegue alcançar aquele padrão de sucesso vendido o tempo todo, acaba se sentindo um fracasso. Muitas vezes, a pessoa culpa apenas a si mesma, quando existiam vários obstáculos que estavam fora do controle dela. Isso não quer dizer que todo problema de saúde mental seja culpa do capitalismo ou que outro sistema resolveria tudo. A saúde mental é muito mais complexa do que isso. O que as pesquisas mostram é que pobreza, desigualdade, insegurança e falta de oportunidades aumentam o risco de sofrimento psicológico. No fim das contas, criticar um sistema econômico não é atacar quem vive nele. Também não é dizer que esforço não vale nada. Esforço importa, mas ele não faz milagre. As oportunidades, as condições de vida e o lugar onde cada pessoa nasceu também fazem muita diferença. Então, antes de responder uma crítica com raiva, talvez valha a pena parar um minuto e pensar: será que eu estou defendendo uma ideia porque analisei os fatos ou porque fui ensinado a acreditar nela a vida inteira?

u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

Sentindo triste (retratação)

Como esse simples meme causou um reboliço gigantesco? Eu simplesmente abri a boca, fui dormir e, quando acordei, tinha trocentas pessoas de cabeça oca me apedrejando. Mas, sinceramente, eu nem as culpo. Vocês nasceram em um sistema capitalista e, desde cedo, foram treinados e continuam sendo para defendê-lo com unhas e dentes, mesmo quando também são pobres e sofrem com ele.

Agora, deixando a provocação de lado, vale esclarecer uma coisa: nem toda tristeza, ansiedade ou depressão é causada pelo capitalismo. Problemas de saúde mental podem ter diversas origens, como fatores genéticos, traumas e experiências de vida. Mas também é verdade que a forma como uma sociedade se organiza influencia profundamente a maneira como as pessoas vivem e se sentem. Quando alguém passa o mês inteiro preocupado com aluguel, contas, comida ou com medo de perder o emprego, é natural viver sob estresse constante. Não é apenas uma questão de "pensar positivo". Ninguém consegue manter uma boa saúde mental quando está ocupado apenas tentando sobreviver. A pobreza reduz oportunidades. O desemprego gera medo. A fome afeta o corpo e a mente. Não ter uma casa ou viver com medo de perdê-la faz qualquer pessoa se sentir insegura. Tudo isso pode contribuir para ansiedade, tristeza e um sentimento de impotência, como se, por mais esforço que a pessoa faça, nunca consiga sair do lugar. Muitas pessoas também acabam perdendo o interesse pelas coisas. Trabalham o dia inteiro, chegam em casa exaustas e não têm tempo nem dinheiro para descansar, estudar, praticar um hobby ou simplesmente aproveitar a vida. A rotina passa a ser apenas trabalho, contas e preocupações. Com o tempo, algumas pessoas começam a acreditar que seu valor depende apenas do quanto produzem ou do dinheiro que ganham. Outras deixam de perceber que muitos dos seus problemas não são apenas individuais, mas também estão relacionados às condições materiais em que vivem. Em situações mais graves, esse estresse contínuo e a falta de perspectiva podem agravar problemas de saúde mental e aumentar o risco de pensamentos suicidas. Isso não significa que o capitalismo seja a única causa desses problemas, mas significa que viver sob pobreza, insegurança econômica e pressão constante pode aumentar significativamente o sofrimento psicológico. A ideia principal não é afirmar que "o capitalismo causa tudo". É lembrar que saúde mental não depende apenas da força de vontade ou de escolhas individuais. Ela também depende das condições concretas em que as pessoas vivem. Afinal, é muito mais difícil cuidar da mente quando você está ocupado tentando sobreviver. E antes que alguém diga que "isso também aconteceu em países socialistas", esse não é o ponto do texto. O fato de outros sistemas também terem produzido sofrimento não elimina nem responde aos problemas existentes no capitalismo. Apontar falhas de um sistema não significa afirmar que outro foi perfeito ou que deva ser adotado. São discussões diferentes. O objetivo aqui é discutir como condições materiais, como pobreza, insegurança, desemprego e jornadas exaustivas de trabalho, afetam a saúde mental e a qualidade de vida das pessoas. Trazer outro sistema como resposta não refuta esse argumento; apenas muda o foco da discussão.

u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

A sociedade é hipócrita

Existe uma desigualdade sobre a qual quase ninguém gosta de falar. Quando uma família pobre bate nos filhos, a sociedade costuma resumir tudo a "falta de educação" ou "ignorância". Mas, quando uma família rica aplica educação positiva, ela recebe elogios pela paciência, pelo diálogo e pela inteligência emocional.

Só que existe uma pergunta incômoda: quem tem tempo, energia e estabilidade para praticar essa paciência?

A pobreza não justifica violência contra crianças. A agressão continua sendo prejudicial e não deveria ser normalizada. Mas também é hipócrita fingir que o contexto não influencia. Quem trabalha jornadas exaustivas, enfrenta transporte lotado, vive preocupado com contas, aluguel, comida e o medo constante de faltar dinheiro chega em casa completamente drenado. O estresse crônico destrói a capacidade de manter a calma, de conversar por horas e de lidar com cada conflito da forma ideal.

Enquanto isso, quem possui melhores condições financeiras costuma ter mais acesso a terapia, menos insegurança material, mais tempo livre, rede de apoio, escolas que auxiliam na educação dos filhos e espaço para aprender novas estratégias parentais. Não é que pessoas ricas sejam moralmente superiores; elas frequentemente têm recursos que tornam muito mais viável colocar esses métodos em prática.

O frustrante é ver a sociedade tratar essas duas realidades como se partissem exatamente do mesmo ponto de partida. Cobra-se autocontrole absoluto de quem vive sob pressão constante, mas quase nunca se discute como as condições materiais afetam o comportamento humano.

Isso não significa aceitar a violência como inevitável. Significa reconhecer que, se realmente queremos menos crianças apanhando, não basta repetir "não bata". Também é preciso reduzir as condições que alimentam o estresse, ampliar o acesso à saúde mental, fortalecer redes de apoio e garantir que famílias tenham tempo e dignidade para educar.

É muito fácil vender educação positiva quando a própria vida não é uma luta diária pela sobrevivência. Difícil é exigir a mesma serenidade de quem vive sendo esmagado por um sistema que transforma o descanso, a saúde mental e o tempo com os filhos em privilégios de poucos.

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u/luiz_dasabafosDOdia — 3 months ago

O motivo pelo qual tenho depressão pode ser o próprio sistema em que eu vivo...

Eu estou tão revoltado, porque, no fim, tudo isso é consequência do capitalismo. Ele cria uma realidade em que grande parte das pessoas trabalha a maior parte do tempo apenas para sobreviver (comprar comida, cerveja e paga as contas), enquanto atividades que desenvolvem criatividade, cultura ou habilidades pessoais acabam sendo tratadas como um luxo. Aulas de pintura, música, teatro ou qualquer outro hobby deixam de ser uma opção para quem mal consegue pagar as contas do mês. Nesse contexto, o entretenimento mais acessível acaba sendo o celular, porque é barato, está sempre à mão e oferece uma fuga da rotina. Depois, a própria sociedade critica as pessoas por passarem horas na tela, como se isso fosse apenas uma questão de falta de disciplina, ignorando que muitas vezes elas simplesmente nunca tiveram acesso a alternativas. É claro que cada indivíduo continua responsável pelas próprias escolhas, mas fingir que elas acontecem em condições iguais para todo mundo é fechar os olhos para a realidade. Enquanto uns crescem cercados de oportunidades para desenvolver talentos e interesses, outros passam a vida tentando apenas não afundar financeiramente. Será que dá para cobrar exatamente o mesmo resultado de pessoas que partiram de pontos tão diferentes?

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u/luiz_dasabafosDOdia — 4 months ago