Ser dona de casa é desistir de quem eu sou?
Olá, eu sou M 20 anos, autista e altas habilidades e meu marido H 29 anos também com altas habilidades, estamos juntos a 2 anos, moramos juntos a 18 meses.
Nossa história é uma loucura, tenho mãe narcisista e fui expulsa de casa pouco depois de começarmos a namorar, fomos morar juntos então, eu tinha apenas 18 aninhos quando tudo mudou extremamente rápido na minha vida, e meu marido me disse:
“Querida, estou disposto a me matar de trabalhar para que você estude e tenha uma profissão digna no momento certo”
Então aqui estou eu, aos 20 formada em um técnico da área da saúde, matriculada numa faculdade EAD do meu interesse (pago por ele, porque eu não trabalho no momento) e acima de tudo meu marido é dedicado a mim, a nossa casa e aos nossos planos, ele é o homem mais gentil e engraçado que ja conheci e eu o amo muito, portanto me separar não é uma opção!
Ele vem de família rica mas como ele mesmo vive dizendo “avô nobre, filho rico, neto pobre”, basicamente a mãe dele tem dinheiro mas ele “só” tem uma promessa de herança, mas mesmo assim ele se dedica muito ao trabalho como mecânico, chega em casa com as mãos sujas e a camisa suada e a primeira coisa que faz é sempre me abraçar quando chega em casa. O problema na realidade esta com a minha relação com a “vida de dona de casa”, parece que não estou conquistando nada grande como alguns colegas de curso estão, e existe o fator “eu” de toda a situação.
Vou explicar: eu tenho problemas mentais e psicológicos desde que me entendo por gente, aos 10 anos eu mesma cuidava da minha rotina de 6 medicações psiquiátricas. Tenho transtorno do espectro autista, TDAH, altas habilidades, e sofro de comorbidades associadas a esses diagnósticos, como insônia crônica, labirintite por estresse, transtorno depressivo maior, enxaqueca tipo áurea crônica, ansiedade e alguns problemas alimentares, desde pequena sempre tive a maioria dessas comorbidades mas descobri as fontes desses sintomas somente aos 17 anos.
Dito tudo isso, esse ano eu tentei trabalhar algumas vezes mas tinha crises assim que entrava em casa, e fui demitida todas as vezes, não pela qualidade do meu trabalho e sim porque em um mês apenas eu peguei 3 atestados porque (por causa dos estímulos do trabalho) eu tive inúmeras crises brutais de enxaqueca e labirintite que me deixaram de cama.
Hoje eu reuni todos os atestados, comprovações de que tentei mesmo trabalhar, laudos de todos os médicos com quem ja passei, inúmeros relatórios que deram 3 pastas grandes de documentação e estou entrando com pedido de “aposentadoria” que na verdade é um benefício governamental. E com isso vou poder ficar em casa e estudar.
O problema é que não estou mais ME reconhecendo, sinto que vou deixar de viver algo que todos dizem que eu DEVERIA viver.
Enfim eu estou apenas vendo o copo meio vazio? Existe sentido nessa fase da vida em que tudo é silencioso e não da pra provar que estamos fazendo algo com nossas vidas ate conquistarmos e finalmente chegarmos la? Eu estou sendo ingrata? Faz sentido me sentir menor que meu marido porque estou num momento ocioso? Oque você faria no meu lugar?