Perdi amizades por apoiar a causa trans publicamente.
Sou H Cis(27), tenho 1,90m, pratico Muay Boran e Jiu-Jitsu há anos e estou muito perto de alcançar o título de mestre nessas modalidades. Sempre fui resolvido com minha identidade e sexualidade, sou hétero e nunca tive conflitos com isso.
Recentemente, fui bloqueado sumariamente do meu grupo de treinos (composto majoritariamente por uma galera bem "bolsonarista raiz") depois que soltei uma declaração no grupo de WhatsApp. Eu disse, basicamente, que artes marciais são para **todes,** para quem quer treinar, independente do corpo, do gênero ou da identidade da pessoa. Falei que o ambiente da academia precisa ser acolhedor e seguro para quem se propõe a treinar, seguir os padrões, respeitar a hierarquia e suar a camisa. E que isso não depende do gênero de ninguém.
A resposta foi silêncio, seguido de block.
Refletindo bem sobre isso, cheguei a algumas conclusões que gostaria de compartilhar:
A defesa pessoal deve existir, antes de tudo, para proteger aqueles que a sociedade mais vulnerabiliza. Segregar o treino por gênero ou orientação sexual não é apenas asqueroso; é um retrocesso civilizatório que reproduz a lógica perversa dos regimes de apartheid. A essência da defesa pessoal não está na força bruta, mas na capacidade de acolher quem mais precisa de amparo. Separar praticantes por gênero ou sexualidade é uma falha ética grave, que fere o princípio fundamental de que o tatame é um espaço de superação, não de exclusão.
Felizmente eu sou um indivíduo beligerante o suficiente para reprimir certas ameaças físicas, mas confesso a vocês que me causa angústia pensar sobre isso.
Houve outros casos de transfobia que vi recentemente na escola onde trabalho, sou professor de física numa escola pública e dou aula para o ensino médio e uma garota trans de uns 16\~17 anos gosta bastante de jogar futebol, mas recentemente os garotos excluíram ela do time alegando "futebol n é coisa de viado." Ajudei a garota a se recompor e fomos para a direção e provavelmente haverá inclusive uma resposta legal por parte dos pais da garota em questão.
Eu nem sou trans e sinto que lutar contra isso tudo é basicamente como apagar incêndio e estou lutando contra os pensamentos intrusivos dizendo "não há nada que possa ser feito".
Vocês já desanimaram alguma vez em situações semelhantes?