Vocês não sentem que o envelhecimento mata o romantismo?

Vocês não sentem que o envelhecimento mata o romantismo?

Na adolescência, por exemplo, tudo é mais intenso e passional. Há muito menos consciência das consequências, então você se entrega mais porque ainda acredita que o sentimento basta. Mas, ao entrar na vida adulta, existe uma tendência a racionalizar mais, manter distância, não demonstrar tanto, dosar afeto e interesse, controlar expectativas etc.

De todo modo, muitas das relações românticas adultas me parecem extremamente performáticas, calculistas e utilitaristas, atravessadas por toda uma lógica de compatibilidade, produtividade e gestão emocional. O relacionamento deixa de ser apenas uma experiência afetiva e passa também a ser algo que precisa ser constantemente administrado, avaliado e justificado.

u/zGhost_Boy — 1 day ago
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Vocês sabem de algum filme com essa vibe para me recomendar?

Algum filme que se aproxime da ambientação de Twilight, mas que, diferente de Twilight, seja bom. Cidade pequena, clima frio e chuvoso, florestas coníferas e úmidas, céu cinza e nublado...

u/zGhost_Boy — 2 months ago

A imortalidade mataria o amor?

Eu estava assistindo a mais uma dessas obras românticas vampirescas e vi um vampiro se debulhando em lágrimas por causa de uma adolescente de 17 anos. Só aí parei para pensar no quão inverossímil isso é. Sim, mais inverossímil do que se alimentar de sangue e ser imortal.

Não consigo comprar a ideia do vampiro apaixonado e sofrendo por amor. Um vampiro centenário que já viu de tudo no mundo, já conheceu todo tipo de ser humano, já se apaixonou tantas vezes, teve dezenas de relacionamentos e sabe como eles funcionam. E então ele se apaixona por uma estudante do ensino médio e reage ao término como se ainda fosse um adolescente de 16 anos...

Ao meu ver, a experiência acumulada deveria produzir uma espécie de distanciamento emocional ou, no mínimo, uma perspectiva completamente diferente da nossa. Eu acho muito mais plausível um vampiro velho extremamente desapegado, encarando relacionamentos como algo passageiro. Talvez muito seletivo, porque já viu todos os tipos de personalidade imagináveis. Ou emocionalmente exausto, incapaz de se envolver profundamente de novo, já que se apaixonou tantas vezes...

Eu, sendo vampiro, consigo me ver obcecado por algo específico e raro, porque só algo muito incomum conseguiria me surpreender. Fora que tudo se tornaria tão previsível, não é? Ficaria fácil enxergar os padrões, ler as pessoas, prever acontecimentos etc. Outro ponto é que, quanto mais experiência você acumula, mais difícil fica enxergar as pessoas como indivíduos únicos. Você começa a compará-las, encaixá-las em categorias e padrões. Todos nós já fazemos isso sendo meros mortais...

E foi aí que me veio a dúvida exposta no título: será que a imortalidade mataria o amor? Talvez não a capacidade de amar, mas a intensidade. Grande parte do valor que damos às pessoas vem do fato de que tudo é passageiro. O tempo é limitado, as oportunidades são poucas e as perdas são inevitáveis.

Depois de séculos de paixões, términos e reencontros, quantas vezes ainda seria possível sentir a mesma novidade? Em algum momento, o amor não deixaria de ser aquela força arrebatadora que conhecemos para se tornar apenas mais uma experiência entre tantas outras?

Acredito que a parte mais fantasiosa dos vampiros não seja viver para sempre, mas acreditar que alguém pode atravessar séculos de experiências e continuar amando como se ainda fosse a primeira vez.

u/zGhost_Boy — 2 months ago
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Existe algum filme que você ama, mas raramente encontra alguém que tenha assistido?

Comigo é Meu Jantar com André (1981). Sigo cerca de 400 pessoas no Letterboxd e, até hoje, só vi duas que logaram esse filme. No YouTube também encontrei pouquíssimos vídeos falando sobre ele.

É estranho gostar tanto de uma obra e quase nunca encontrar alguém com quem conversar sobre ela. Acho que sou um dos poucos fãs desse filme...

u/zGhost_Boy — 2 months ago

Eu odeio o termo "cortina de fumaça"

Este é um termo muito utilizado quando são liberados arquivos UAP ou resolvem falar sobre isso no Congresso, porque inevitavelmente é algo que sempre acaba coincidindo com algum escândalo político.

Todo ano tem alguma polêmica de pessoas do governo fazendo merda — sempre vai ter algum poderoso sendo acusado de algo grave, sempre vai ter um político passando por cima da Constituição, sempre vai acontecer alguma tragédia por conta da negligência do governo etc.

Em 2021 alguma merda aconteceu, em 2022 também, em 2023, 2024 e 2025 também. Neste ano, 2026, a mesma coisa. Se só podem falar de UAPs quando não houver nenhuma crise, escândalo, guerra, corrupção, abuso de poder ou polêmica acontecendo, então é melhor que não falem sobre nunca mais.

A lógica da “cortina de fumaça” parte de uma premissa ingênua de que o governo tem um “modo normal” sem escândalos, para só então lançar distrações. O problema é que escândalos são endêmicos ao sistema político. Sempre haverá algo acontecendo...

u/zGhost_Boy — 2 months ago
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Recomendações de bons curtas-metragens?

E, por favor, que não seja "A Coisa Estranha sobre os Johnsons"

u/zGhost_Boy — 2 months ago

Como fazer o coração entender algo que o cérebro já entendeu?

Há coisas que a razão compreende com extrema facilidade. Ela observa os fatos, soma as evidências, aceita as conclusões e segue em frente. O cérebro entende que nada é permanente, que as pessoas mudam, que os caminhos se separam, que nem tudo o que desejamos nos pertence.

Mas o coração faz diferente, não é? Enquanto a razão já chegou ao destino, a emoção ainda está no caminho. Ela retorna às mesmas lembranças, revisita os mesmos lugares, repete as mesmas perguntas. Querendo ou não, entender intelectualmente e incorporar emocionalmente são processos diferentes.

Eu entendo racionalmente, por exemplo, que nada — absolutamente nada — nos pertence: nem pessoas, nem sentimentos, nem versões delas ou o futuro que imaginamos juntos. Nós apenas participamos temporariamente da vida uns dos outros. Ainda assim, emocionalmente, sofro com extremo apego, com as expectativas e idealizações.

Em uma certa época, eu passei a fazer longas reflexões filosóficas e chegar à conclusão que "nada importa na vida". Eu repetia essa frase como se fosse um mantra, e nada mudava porque continuava me importando com tudo. De certo modo, reflexões filosóficas e racionais parecem ser inúteis, por mais bem elaboradas e embasadas elas sejam.

Acredito que as vivências são mais importantes quando se trata de transformar conclusões racionais em verdades emocionais. Eu posso chegar à conclusão de que "ninguém me pertence" lendo, refletindo ou debatendo. No entanto, esta conclusão só se tornará uma verdade emocional quando minhas vivências começarem a confirmá-la repetidamente.

u/zGhost_Boy — 3 months ago

As expectativas de gênero

É interessante como, antigamente, o consumo e a criação artística eram associadas ao homem público e erudito, enquanto a mulher ficava restrita ao âmbito doméstico. Havia todo um contexto misógino forte no século XIX em que ideias sobre inferioridade intelectual feminina eram comuns em vários meios acadêmicos e sociais. Você pega Schopenhauer, por exemplo, ele diz que as mulheres são incapazes de compreender e apreciar a arte.

Mas, hoje em dia, sendo um homem hétero, você só pode ler livros de autoajuda, de desenvolvimento pessoal e de estratégia. A masculinidade tradicional ainda empurra o homem para tudo que parece útil, aplicável e prático; ler se torna quase uma extensão da produtividade. Se você é homem e lê livros de ficção, livros de romance, ou se até escreve poemas... hmmm sei não, hein?

u/zGhost_Boy — 3 months ago

As narrativas que usamos para suportar a dor

Durante o banho, agora há pouco, fiquei pensando nas narrativas que criamos em momentos de sofrimento. Quando a dor se torna grande demais, a mente raramente consegue suportá-la em estado puro. Então criamos narrativas que organizam o sofrimento, dão sentido ao caos, preservam alguma dignidade ou simplesmente tornam possível continuar vivendo.

Quando um relacionamento termina, por exemplo, elas surgem quase automaticamente: “quem sabe, no futuro, talvez nossos caminhos se cruzem de novo” isso permite continuar amando sem precisar lidar imediatamente com o luto total. E há algumas que vão além: “talvez em outra vida”. Mas que porra de outra vida? Nós só temos essa. Ou então o clássico “tudo acontece por uma razão”, que dá sentido ao sofrimento e reduz a sensação de caos

Em um período de sofrimento extremo, meses atrás, comecei a me desassociar da realidade. Passei a acreditar que nada ao meu redor era real e que logo eu escaparia daquilo. Também foi a fase em que mais estive próximo de Deus, porque precisava me agarrar em alguma coisa. Acreditava ser especial, que Deus me via e me ouvia. Em certo momento, comecei até a interpretar meu sofrimento como uma forma de “purificação”.

Eu acho que isso acontece em tudo, não é? Em guerras, lutos, doenças, vícios etc. Estamos constantemente criando narrativas para sobreviver psicologicamente. Religiões, mitologias, filosofias e até certos tipos de arte nasceram desse encontro entre sofrimento e necessidade de sentido.

E talvez o mais interessante seja que essas narrativas não são totalmente falsas nem totalmente verdadeiras. Elas são mecanismos emocionais reais criados para responder a necessidades igualmente reais...

reddit.com
u/zGhost_Boy — 3 months ago
▲ 66 r/filmes

Eu preciso assistir mais filmes assim. Vocês têm algum em mente para me recomendar?

Não precisa ser especificamente de bruxas; qualquer fantasia sombria serve. De toda forma, estou mais interessado na ambientação mesmo: florestas, névoas, castelos, época medieval etc.

u/zGhost_Boy — 3 months ago

Homens escolhem tão mal quanto as mulheres

Uma coisa que eu percebi é que muitos homens não conseguem separar a mulher que desejam sexualmente da mulher com quem pretendem construir uma vida. Basta observar como muitos escolhem a mulher com quem gostariam de transar para sempre, e não a mulher com quem gostariam de conversar e ao acordar ao lado todos os dias. Eles projetam a eternização do desejo sexual como se isso, por si só, fosse o suficiente para sustentar uma existência compartilhada.

E esse critério visual acaba sendo tão dominante que qualidades como inteligência, caráter, maturidade ou compatibilidade ficam em segundo plano — isso quando não são simplesmente ignoradas. Mais tarde, acabam se frustrando ao descobrir que um rosto bonito, peitos grandes e bunda enorme não resolvem conflitos, crises, frustrações, tédio ou qualquer outro problema que venha com a convivência.

Não é que as mulheres sejam necessariamente piores ao escolher; é que, quando escolhem mal, o desastre costuma ser maior e mais visível (acabam mortas, agredidas ou se tornam mães solteiras).

u/zGhost_Boy — 3 months ago
▲ 32 r/filmes

Qual foi o ano em que você consumiu mais filmes?

Isso foi em 2024, ano retrasado. Não faço ideia se 184 filmes em um ano é uma média boa ou não, mas foi o máximo que eu consegui. Ano passado, por exemplo, assisti apenas 37 filmes...

u/zGhost_Boy — 3 months ago
▲ 122 r/filmes

É comum passar mais tempo buscando um filme do que realmente assistindo?

Também passam por isso? Você procura um filme, vê as avaliações, lê a sinopse e nada parece realmente te atrair. Fica aquela sensação de que provavelmente não vai gostar, ou de que o filme é ruim e não vale a pena perder duas horas de vida assistindo. Então você continua procurando incansavelmente, um atrás do outro. Tenho a impressão de que, quanto mais filmes a gente assiste, mais difícil fica encontrar algo que realmente mexa com a gente.

No começo, por exemplo, quase tudo me impressionava e me agradava, talvez porque tudo ainda fosse novidade... Os clichês ainda funcionavam e as reviravoltas surpreendiam. Mas depois de centenas de filmes, o cérebro começa a reconhecer padrões, antecipar roteiro e você fica mais exigente sem perceber.

De toda forma, sinto falta daquela sensação de êxtase ao terminar um filme. Faz tempo que isso não acontece comigo.

u/zGhost_Boy — 3 months ago

Vocês também não sentem que o ganho de credibilidade institucional fez a ufologia perder credibilidade enquanto fenômeno?

Antes havia algo a mais na ufologia, não sentem isso? Arquivos secretos, relatos obscuros, documentos censurados, negações oficiais e a sensação de estar estudando algo escondido do mundo. Hoje em dia temos relatório do Pentágono, audiências no Congresso, oficiais de alta patente falando publicamente sobre UAPs… mas, paradoxalmente, parece que ficou mais difícil acreditar. Não pelo fenômeno em si, mas sim pela credibilidade praticamente nula dessas instituições governamentais americanas.

Eu, por exemplo, não sei se acredito no David Grusch. Chamam ele de “whistleblower”, mas ele não parece alguém que saiu das sombras para quebrar regras e expor segredos contra o sistema. Pelo contrário, ele é um oficial militar fornecendo informações APROVADAS pelo próprio Pentágono. Isso não o transforma exatamente num denunciante; transforma ele apenas em um porta-voz do Pentágono...

Provavelmente ele é só mais um agente do governo com uma finalidade específica. Distração? Guerra psicológica? Criação de ambiguidade estratégica contra potências rivais? Gestão narrativa de algo que saiu do controle? Divulgação controlada? Quem é que sabe?

Só sei que, quando eles negavam, parecia mais verdadeiro. Agora que reconhecem, parece encenação.

u/zGhost_Boy — 3 months ago

Por que a sociedade tenta higienizar o amor?

É interessante como muita gente se recusa a aceitar que pode haver amor até em quem age de formas moralmente condenáveis. Isso vem de uma visão idealizada e higienizada do amor, como se ele fosse intrinsecamente bom. Atos ruins são desassociados do amor, enquanto atos bons são glorificados e tratados como “amor verdadeiro”. Se é tóxico, não é amor. Se há dependência emocional, não é amor. Se faz mal, não é amor.

O ponto é que o amor, na prática, não é puro nem isolado. O amor é uma força amoral que atravessa uma pessoa já moldada por genética, experiências, traumas, inseguranças, distúrbios etc. Nesse sentido, o amor vem contaminado por tudo aquilo que a pessoa é. Então, sim, ele pode coexistir com ciúme, posse, medo e até com comportamentos destrutivos. Cada ser humano manifesta o amor de forma particular.

Por esse motivo, o amor pode aparecer tanto em gestos belos quanto em atitudes moralmente ruins. Cabe à lei e à sociedade punir ou repudiar possíveis comportamentos danosos. De todo modo, apenas me incomoda ver as pessoas decidindo o que é ou não amor com base numa visão normativa e idealizada que ignora a complexidade do ser humano.

u/zGhost_Boy — 3 months ago