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Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. I – A Hidra dos Pântanos

Pelo Mestre de Caça Nastur Gilliga, Universidade Real de Soiluse  

Nesse conjunto de livros estudaremos as mais fascinantes e, por vezes, perigosas criaturas que o território do reino de Almis tem a oferecer. Esse primeiro volume será focado em, talvez, uma das criaturas mais letais e mal compreendidas da fauna almita, a Hidra dos Pântanos, ou Hidra Negra.

Identificação:

Nomes Comuns:

Hidra Negra, Hidra dos Pântanos, Hidra Lecta, Hidra Lectenha

Taxonomia:

Natureza - Monstrua
Tronco - Theromorpha
Ramo - Polycephalia
Ordem - Hydrathera
Casta - Ophiurozoa
Estirpe - Heptahydra
Espécie - H. obscuracarnis

Características Físicas:

Essa criatura é, na realidade, uma monstruosidade criada a partir de experimentos mágicos eras num passado esquecido, hoje integra-se naturalmente na fauna do continente e podem ser compreendidos praticamente como animais. A criatura é uma grande serpente com sete cabeças, que, em seu tamanho adulto, ao levantar completamente o corpo, alcança até quase 6m de altura. Seu corpo é recoberto por escamas negras arroxeadas e reluzentes, apresentando e manchas pretas e amarelas na parte dorsal do corpo. Seus olhos são de um púrpura profundo, apresentando uma pupila com fenda vertical. Seu corpo torna-se mais robusto na altura onde os prolongamentos dos “pescoços” unem-se e afina levemente em direção a cauda, terminada em um grande chocalho segmentado. Suas mucosas aparentes, parte interna de suas bocas, laterais dos olhos, parte interna das narinas, é de um rosa vibrante. Ela possui seis presas superiores e duas inferiores, as presas frontais são maiores, mais pontiagudas e retráteis.

Tamanho: 20 - 25 m (Comprimento total)

Peso: 3520 - 4400 Kg

Expectativa de vida: 160 anos

Habitat:

Rios, Lagos e Pântanos preferencialmente. Hidras Negras gostam de fazer seus covis em lugares escuros e úmidos, próximos a grandes massas de água, de preferência, que possam esconder todo o volume de seu corpo.

Comportamento:

São solitários e muito territoriais, tendem a atacar com voracidade outros animais que cheguem muito próximos a seus covis. Seus territórios são fixos, só deixando-os durante a época de acasalamento, e retornando para seus territórios após esse período.

São criaturas de hábitos noturnos, caçadoras de emboscada, espreitam suas presas por algum tempo, estudam até um momento de distração para seu ataque surpresa. Elas têm a tendência a tentar capturar presas vivas e fugir com estas para seus covis. Normalmente o ataque vem da água ou de algum lugar escuro, é rápido e certeiro, uma mordida para inocular o veneno e enfraquecer a vítima, seguido de um rápido movimento de constrição com a longa cauda e então a fuga do animal com a presa incapacitada. Costumam caçar animais de médio à grande porte, normalmente de sangue quente. A Hidra Negra tenta escapar de combates diretos, porém se não for possível fugir, ou se seu covil estiver em perigo ela atacará vorazmente. Nesses casos a criatura atacará com mordidas e tentará agarrar e esmagar seus inimigos com a cauda.

Devido seu tamanho acredita-se que essa espécie de Hidra passa por longos períodos de hibernação, poupando energia, seguido de uma curta temporada de caças, para acumular nutrientes, tendo também uma troca de peles por ano.

O chocalho na ponta do rabo da Hidra Negra quase não é utilizado e se mantém silencioso a maior parte do tempo, ela o utiliza em duas ocasiões específicas. Para afugentar possíveis invasores, caso não se sinta obrigada a um confronto direto ou não esteja apta a caçar. E durante o período de acasalamento. De oito em oito anos essas criaturas viajam fora de seus territórios para procurar parceiros, nesse momento o chocalho também é usado para atrair um parceiro suscetível e é o momento onde elas estão mais violentas e perigosas.

O período de gestação do ovo externamente ao corpo da mãe é de alguns dias, pois as Hidras são ovovivíparas e retém os ovos dentro de si até estarem prestes a eclodir, o que explica também o comportamento de abandonar os ovos assim que os põem. Um animal saudável botará de um a três ovos por ninhada e a gestação dura, no total, cerca de um ano. É muito comum os filhotes, ao nascerem, brigarem entre si, até ao ponto de canibalizarem um ao outro, ou mesmos comerem os ovos dos irmãos. Hidras Negras levam cerca de 6 anos para serem consideradas adultas, mas ainda cresceram por mais uns 7 a 10 anos.

Conhecimentos Populares perpetuados sobre o animal:

A lenda mais recorrente quando se trata de hidras é sobre sua capacidade regenerativa, e principalmente a ideia de que se uma cabeça for cortada duas nasceram no lugar. As lendas divergem quanto ao tempo dessa regeneração, alguns falam de segundos após o corte, outras falam de dias, algumas outras falam de anos.

Muitos creem que cada cabeça de uma Hidra age independentemente, podendo brigar entre si, como se cada cabeça fosse um indivíduo diferente. Dizem que se pode utilizar dessa confusão para combater essas criaturas, fazendo-a atacar a si própria.

Alguns acreditam que esses animais têm a capacidade de lançar jatos de veneno de suas presas para acertar alvos a grandes distâncias.

Alguns relatos dizem sobre criaturas dessa espécie que tem a capacidade de falar, existem até histórias de longas conversas mantidas com Hidras Negras. Exploradores dos pântanos ao sul, nas bordas com os reinos hortillanos dizem ter capturado um espécime após ter argumentado com a criatura por horas.

Outra crença comum é na capacidade de hipnotismo dessas criaturas, dizem que é importantíssimo evitar fitar diretamente em seus grandes olhos vermelhos. Uma variação dessa crença a de que na verdade esses animais são dotados de poderes ilusórios.

 Existe uma coletânea muito antiga de poemas de um autor identificado como Lectio chamados de “Os Sons de Lectio”, um desses aparentemente trata-se dessa criatura. Segue aqui a tradução desse poema:

A Dama e a Serpente Negra

A pálida pele relumbra com sua substância
O palmo apalpa o invólucro do seio
Os lumes levantam relutantes
A boca escarra um sorriso

“Su'astúcia é mor a graça que seduz”
Sugere a serpente de umbrosa epiderme
“Despautério se faz de minh'essência,
Quando com ser tão voraz me sou assemelhado”
Olhos encarnados fitam tão alabastrina entidade
Suas cabeças, nove, circundam a figura feminina
“Ambiciono seu semblante,
mas não deixo de recear seu fascínio.”

Conhecimentos Avançados:

A lenda sobre a regeneração das hidras tem algum fundamento na realidade, é sim possível para uma hidra regenerar uma cabeça decepada, mas o corte de uma cabeça não irá criar duas no lugar, cada espécie de hidra tem uma quantidade determinada e diferente de cabeças. A regeneração completa de uma cabeça levará de 1 a 3 meses, dependendo da altura do corte. A pele da nova cabeça será de coloração um pouco diferente do resto do corpo por no mínimo mais duas trocas de pele do indivíduo.

Pode acontecer de essa nova cabeça não se regenerar perfeitamente, tendo o “pescoço” mais curto, membranas nos olhos ou mesmo olhos cegos, mandíbulas mal formadas ou outro defeito estrutural. Isso normalmente acontece quando a ferida infecciona, é cauterizada ou causada por meio ácido. Há relatos de animais dessa espécie mutilando uma cabeça defeituosa ou muito ferida para que outra saudável cresça no lugar. Provavelmente daí vieram as histórias sobre cada cabeça ter uma mente individual, e de a criatura poder ser confundida até que ataque a si própria.

Uma curiosidade sobre as várias cabeças de uma Hidra é que cada uma delas possui um “proto-cérebro”, o que permite que o animal olhe em direções diferentes ao mesmo tempo com cada cabeça, faça ações diferentes com cada uma e permite até a perda de seis de suas sete cabeças sem perder nenhuma funcionalidade fisiológica. Próximo a base das cabeças, protegdo por uma estrutura óssea e estruturas musculares poderosíssimas, essas criaturas têm uma espécie de bulbo neurológico, de forma a dividir as funções cerebrais, fazendo com que o “proto-cérebro” foque-se em controlar cada cabeça (visão, olfato, percepção infravermelho, audição) e o bulbo neurológico controle as outras funções do corpo e age como um cérebro propriamente dito. Logo essa ideia de que cada cabeça da criatura pensa individualmente demonstra-se uma grande falácia.

Apesar de não conseguirem respirar debaixo d'água, todas as espécies de hidra conhecidas têm a capacidade de permanecer aproximadamente 18 horas submersas. Às vezes permanecendo boa parte desse tempo inerte no fundo de um rio ou lago, esperando por uma presa.

Hidras Negras são a única espécie de Hidra conhecida a ser venenosa, seu veneno é um tipo de neurotoxina que paralisa a vítima ao contato com sangue ou mucosas, podendo até provocar paradas respiratórias em casos mais graves. Já a crença na capacidade de lançar jatos de veneno também tem fundamento real, essas criaturas têm sim glândulas para secreção do veneno capazes de espirrá-lo à distância. A única questão é que esse não é um comportamento de caça ou de ataque, pelo contrário, é um comportamento de defesa. O animal só utilizará esse recurso se sentir acuado a ponto de fugir. Um dos motivos para tal é que cada cabeça de uma Hidra Negra tem veneno suficiente para três mordidas, um jorro de veneno irá esvaziar completamente as bolsas de veneno de uma de suas cabeças, pois o animal não tem a musculatura necessária para parar o esguicho. Sabe-se que o tempo necessário para a produção de veneno para uma mordida é de aproximadamente 14 horas.

A ideia de que essas criaturas têm a habilidade de falar, poderes hipnóticos ou ilusórios vêm do antigo poema lectenho, "A dama e a Serpente Negra", que conta frases de admiração de uma grande serpente negra, com nove cabeças e olhos vermelhos ao depara-se com uma mulher extremamente pálida. Além do fato de a criatura falar, o que é uma irrealidade, existem dois erros anatômicos na criatura descrita no poema em relação à criatura real, e que são muito perpetuados pelo conhecimento popular, a Hidra Negra possui sete cabeças e olhos púrpura.

Outra curiosidade é que a crença na habilidade de falar vem na verdade da capacidade desses animais de imitar sons, nada como frases completas e com nexo, mas sim sons de outras criaturas e até uma palavra ou outra desconexa, de forma mal pronunciada, devido o formato da língua desses animais, normalmente gritos de terror e pedidos de ajuda. Acredita-se que esse comportamento é para atrair presas mais facilmente, quanto aos gritos e pedidos, acredita-se que elas mimetizam o que ouvem de outras criaturas, e o que, certamente, mais ouvem se seres humanoides, são gritos de socorro e desespero ao se deparar com um predador formidável.

Insumos

Olhos: Os grandes olhos púrpura arroseados das Hidras Negras são muito usados como fonte e pigmentos, se desidratados de forma correta e pulverizados, podem ser utilizados como alimento, mas são de cocção complexa e delicada, podendo causar até ferimentos graves a um cozinheiro desavisado, há relatos de serem elementos de determinados rituais mágicos e ,em alguns casos, são usados como simples elementos de decoração quando devidamente preservados, devido a sua bela cor. Podem alcançar preços razoáveis no mercado certo.

Presas: Suas presas podem ser usadas para as mais diferentes coisas, desde para fabricação de elementos decorativos, armas, na produção de instrumentos musicais, devido a presa ser oca e em formato de cone, pode ser usada na criação de certos tipos de instrumentos de sopro.

Veneno: O veneno paralisante é muito útil e valioso, é uma neurotoxina que bloqueia a comunicação entre nervos e músculos, provocando paralisia rígida, podendo, em grandes quantidades, provocar até uma parada respiratória. Ele é altamente hidrossolúvel, mas tem grande dificuldade em ser dissolvido em óleos e gordura, mas como a maioria dos venenos ofídicos, não tem efeito se ingerido, pois são dissolvidas pelo aparelho digestivo, precisando ser injetado diretamente na corrente sanguínea. Outra forma mais incomum de envenenamento, é através das vias respiratórias ou, até, da mucosa dos olhos, após transformá-lo em um pó branco amarelado, esse pó, altamente venenoso e concentrado é uma das matérias primas de uma droga muito conhecida no submundo, mas de dificílimo acesso. Cada cabeça de uma Hidra Negra tem 3 doses de veneno, contanto que a criatura não as tenha utilizado durante a batalha, o veneno de uma das cabeças pode ser extraído e utilizado.

Bolsas de Veneno: A estrutura muscular e cavernosa da bolsa pode ser aproveitada para carregar líquidos como água, vinho e etc. se bem levada e curtida, porém sua extração é complicada e é necessário delicadeza para não romper suas paredes.

Couro e Escamas: O couro escamoso das Hidras Negras é bem resistente e provem uma boa proteção contra cortes e impactos, devido sua estrutura, se trabalhado de forma correta pode ser utilizado na criação de armaduras, ou outros aparatos de proteção.

Ossos: Seus ossos são finos e leves, mas resistentes, podem ser usados de formas variadas, como os ossos da maioria dos animais.

Chocalho: Não tem muito uso real, mas pode ser usado como instrumento, ou mesmo como peça de decoração. Alguns caçadores guardam como troféu, ou os utilizam para tentar atrair outras Hidras Negras.

Carne: A carne das Hidras Negras é comestível se bem preparada, é um pouco dura e fibrosa, devido sua poderosa estrutura muscular, nada que ser cozida por muito tempo, ou ser utilizada em um ensopado não resolva.

Ovos: Os ovos destes animais são muito raros, e bem frágeis, não tendo uma casca propriamente dita, mas sim uma película maleável e semitransparente. Quando o ovo é botado o animal já está prestes a nascer, então em vez de gema e clara você encontrará uma pequena Hidra Negra de aproximadamente seis metros faminta e agressiva.

Técnicas de Combate

A estrutura do couro escamoso dessas criaturas dá a elas uma grande resistência a danos de corte e impacto, logo, armas perfurantes são o caminho mais fácil.

Apesar de grandes, são animais muito rápidos, e o número de cabeças pode causar muitos problemas para alguém que pense em desviar dos ataques dessa criatura. A melhor opção é permanecer à distância, pois além das mordidas, que combinadas com o veneno paralisante, são mortais, esses animais têm uma capacidade de constrição incrível.

Quanto a armas, arcos, bestas e javelinas são ótimas opções, lanças e piques, ou até mesmo uma maça com espinhos também podem causar algum dano, mas te colocarão na linha de ataque da criatura. Armaduras, mesmo as pesadas, podem não oferecer grande proteção, pois os dentes da criatura são muito longos e certamente atravessarão o metal facilmente. Alguns caçadores usam barreiras com grandes escudos retangulares, mas é uma estratégia arriscada com esse tipo específico de Hidra devido a quantidade de cabeças que a criatura possui. Proteções para mucosas, principalmente olhos e nariz, e qualquer ferida, provocada ou não pelo animal, são muito importantes, mesmo que seja raro, o animal é capaz de utilizar seus jatos de veneno. Distância é, claramente a melhor defesa.

Essas criaturas são extremamente mortais, não é aconselhável um combate direto, ou mesmo atacá-las desacompanhado. Pegá-las desprevenidas também é muito difícil, devido seus hábitos de caça, mas é o ideal. Uma tática interessante é a de utilizar alguma isca, como um animal grande, para atrair a criatura e fazê-la perder o elemento surpresa, para ai sim atacá-la. Também já foi discutida a utilização de seu chocalho, imitando o chamado de um possível parceiro para obter o mesmo efeito, mas a eficácia deste método requer mais pesquisa.

Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. II – O Pássaro Lobo

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u/AbsconditusArtem — 13 hours ago
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Qual melhor jeito de apresentar um cenário próprio ?

Fala povo beleza?

Não sei se essa era a melhor tag mas bora lá.

Tenho um cenário que eu estou pensando em começar a formar melhor e até divulgar ele em breve, porém estou pensando em como apresentar ele e ter feedbacks, quero saber vossas opiniões sobre isso.

Acham melhor fazer aventuras, oneshots, campanhas pra poder ter jogadores, ou já um cenário pronto ?

O intuito do meu cenário é ter algo menos eurocentrado, mesmo tendo inspiração em uma ou outra coisa, ainda penso que falta algo mais do nosso jeitinho brasileiro. Temos pouca coisa ainda.

E aí que vocês acham, sugerem, não se acanhem

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u/Mapei_ksl — 3 days ago

Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. II – O Pássaro Lobo

Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. I – A Hidra dos Pântanos

Pelo Mestre de Caça Nastur Gilliga, Universidade Real de Soiluse 

Após falarmos da mortal Hidra Negra, no volume passado, iremos nos focar em um animal muito menor e mais comum, mas não menos fascinante. Encontrados em vários territórios diferentes do continente e conhecidos por vários nomes como: Faolchu, na Erdênia; Loupaplume em Soiluse, Andajur e Vollion; Perralado nos territórios com influências hortillanas; ou mesmo Uazulu em Almis, falaremos, neste volume, dos Pássaros Lobos.  

Identificação

Nomes: Pássaro Lobo, Faolchu, Loupaplume, Perralado, Uazulu, Morte voadora, Troca penas

Taxonomia:

Natureza - Bestalia
Tronco - Verteossífera
Ramo - Tetramorpha
Ordem - Ornitotheria
Casta - Lupaquilídea
Estirpe - Cephalupinus
Espécie - C. Cromaplumata

Características Físicas

Esses animais são membros da ordem Ornitotheria, como inúmeros outros animais que misturam, das mais diferentes maneiras, características de aves e mamíferos. Especula-se que tal Ordem não tenha origem natural neste plano de existência, mas sim em outra dimensão. Algumas outras especulações dão a tais animais origens mágicas, mas sem qualquer embasamento paleontológico ou arcanológico. Uazulus podem ser descritos como enormes aves de rapina, com uma envergadura de asas de quase 4 metros, dotadas de uma plumagem iridescente, metálica e bem colorida, tendo patas longas e aquilinas com garras do tamanho de navalhas. Seu rosto lembra o de um canídeo, como um lobo ou cão selvagem, com olhos verde amarelados, com toda a cabeça coberta por uma plumagem leve e curta, que lembra em muito a pelagem de um mamífero, suas bocas apresentam presas com organização próxima a dessas espécies, com 41 dentes em uma dentição heterodonte, com dentes com formatos diferentes para funções diferentes, divididos em 12 incisivos, 10 molares, 16 pré-molares, mas apenas 3 caninos, dois nas laterais superiores e um inferior no centro da mandíbula, tendo uma dentição claramente adaptada para uma dieta estritamente carnívora e predatória. Além, é claro, de sua principal característica, a incrível capacidade de mudar a cor de suas penas.

Tamanho: 1,00 - 1,30 m

Peso: 10 - 18 Kg

Expectativa de vida: 50 anos

Habitat

São encontrados nos mais diferente biomas, mas principalmente em climas temperados e frios, como os do centro do continente, preferindo fazer seus ninhos em lugares altos, geralmente montanhas e florestas.

Comportamento

São animais gregários e sociais, vivendo em grupos de 2 a 12 indivíduos, podendo ser encontrados em maiores números em certas ocasiões e locais, tem claros laços sociais, hierarquia e papeis definidos de caça, cuidado com filhotes, defesa dos ninhos, observação de perigos. Comportam-se em um misto de lobo e ave de rapina, costumam caçar em grupo, emboscando suas presas, enquanto alguns vem de grandes alturas em rasantes para atordoar as vítimas com garras, outra parte do grupo ataca com mordidas devastadoras. Ao mesmo tempo são animais muito leais aos seus bandos e costumam tentar proteger sua família a todo custo. Formam laços para a vida toda com sua matilha e são muito carinhosos entre si. Caso sejam observados em seus ninhos, será comum vê-los lambendo uns aos outros, trocando de ninhos para cuidar das penas de outros indivíduos, assim como de filhotes mais frágeis. Seus laços sociais podem ser notados em hábitos como o de que sempre que saem para caçar o grupo deixará ao menos um dos seus membros mais fortes cuidando da ninhada, em casos de muito frio, ou se um membro do grupo estiver ferido, o bando se reunirá para cuidar dos indivíduos mais frágeis, e tentará fazer rápidas incursões para pegar pequenas presas em vez de longas caçadas, tentando não deixá-los sozinhos por muito tempo, os membros mais fracos da matilha sempre são incentivados a comer primeiro e as partes mais nutritivas das presas, entre outros comportamentos sociais.

São criaturas de hábitos predominantemente diurnos, porém podem sim sair para caçar a noite em momentos de escassez. Costumam caçar presas de pequeno a médio porte, são territoriais, mas dificilmente atacam quando não é para alimentação ou em auto defesa. Geralmente grunhem e latem para afugentar invasores, assim como abrem as asas, mostrando as plumas coloridas, para parecerem maiores e mais assustadores. Mas, se uma criatura se mostrar um perigo real para o bando, atacarão até a morte, chegando até a se sacrificar para manter o bando vivo.

Sua organização social é extremamente complexa e mutável, de acordo com o estado físico e as demonstrações de carinho e força entre os indivíduos. Sempre haverá três grupos, os caçadores, incumbidos de adquirir alimento para o bando como um todo, os protetores, tem como principal função proteger o bando, seja durante caçadas ou mesmo os membros que permanecem nos ninhos protegendo-os, e os observadores, esses acompanham os outros dois grupos, mas não agem diretamente em combates ou caças a não ser que seja estritamente necessário, eles se mantem em grandes altitudes vigiando e avaliando o perigo, informando outros membros do grupo com gritos e latidos. Existe um quarto grupo que aparece durante o crescimento dos filhote, que são os cuidadores, que são responsáveis pelos filhotes de todo o bando quando os outros grupos estão exercendo suas funções, protegendo-os e, à vezes, ensinando-os a caçar e voar, diferentemente do protetores, seu foco não será lutar contra invasores, mas sim fugir com os filhotes caso um perigo muito grande apareça, esse grupo também é formado quando parte do bando está doente ou ferida. Existe uma hierarquia social dentro de cada grupo, porém a plasticidade de tal é tamanha que os pesquisadores ainda não conseguiram identificar o que faz um indivíduo ser mais ou menos prestigioso socialmente. Posições, permanências e lideranças nesses grupos são extremamente mutáveis, o único indivíduo claramente no comando é o alfa, sendo esse o líder da matilha inteira, e normalmente parte do grupo de caçadores ou protetores, diferentemente de lobos e outros animais onde essa característica só aparece em animas em cativeiro, aqui a aparição de um alfa é natural e não tem a mesma função social, é geralmente o maior e mais forte membro do bando, podendo ser de qualquer um dos sexos, mas não é um líder violento, mas sim com status social de defesa do bando, se colocando como principal foco para perigos, buscando a proteção do bando como um todo. O alfa pode ser facilmente identificado pela coroa de penas púrpuras em sua cabeça, logo atrás de suas orelhas além de ser normal ver outros membros o desafiando para disputas de dança, onde os indivíduos abrem suas asas, trocam as cores das penas e ouriçam seus rabos, e até mesmo disputas um pouco mais violentas, envolvendo alguns ataques com garras, rasantes e até mordidas, mas sem causar ferimentos graves. Não se sabe se esse comportamento é amistoso, alguma forma de manutenção de autoridade ou se tem alguma outra função social.

Geralmente esses animais tem uma única época de acasalamento por ano, logo no início da primavera, onde a alimentação torna-se mais abundante e os filhotes da geração passada já são considerados adultos, mesmo que ainda não tenham atingido sua total maturação sexual. As fêmeas entram em um cio que varia de uma a duas semanas, durante esse período há disputas entre membros do bando para formação de casais, as disputas ocorrem entre membros do mesmo sexo, mas existem tanto disputas masculinas quanto femininas. Tais disputas variam desde danças, criação de ninhos ostensivos com materiais diversos e brilhantes, até disputas de gritos e violência física direta. Após o acasalamento, a gestação interna dura cerca de duas semanas até a postura dos ovos, normalmente cada casal produz entre 1 e 3 ovos, com um intervalo de 2 a 3 dias entre cada postura. O tempo de incubação desses ovos varia entre 50 e 60 dias. Tanto o macho quanto a fêmea dividem as funções de cuidar dos ovos e caçar, de acordo com a complexa hierarquia social do bando, podendo, inclusive o ninho ser deixado com outro membro do bando, caso nenhum dos pais faça parte do grupo de protetores ou cuidadores do ninho. Esses animais levam cerca de 1 ano para atingirem o tamanho adulto, mas só chegam em sua real maturação sexual após 2 anos de vida.

Conhecimentos Populares perpetuados sobre o animal:

Algumas pessoas acreditam que essas criaturas são mágicas, que possuem dons especiais, como a capacidade de ficar invisíveis ou que seu latido tenha alguma aura de medo embutida.

Outra informação muito comum é sobre a agressividade dessas criaturas, muitos acreditam que são assassinos cruéis, que matam por esporte, e que tem o costume de invadir casas a noite para roubar crianças. Por isso em cidades próximas a locais onde essas criaturas vivem existe o hábito de pregar uma malha de arames nas janelas dos quartos infantis para evitar a entrada desses animais.

Em outros lugares do continente esses animais são associados a mesquinharia e ao egoísmo.

Existem lendas, embasadas em um antigo conto andajuse, “Guiscard, à la lune et le loupaplume”, que dizem que essas criaturas só comem os corações de suas vítimas e as deixam vivendo sem alma, tornando-se uma criatura da noite. Baseado no mesmo conto, muitos acreditam que se um Uazulu perceber o seu cheiro ou provar do seu sangue ele nunca mais irá esquecer e te caçará até que você ou ele morram. Segue a adaptação de um trecho de tal conto para linguagem moderna:

Guiscard, à lua e o lupaplume

Naquela noite em que o negrume que me perseguira uma vez mais, depois de décadas espavorido por sua incessante existência na esquina de meus lumes, por fim fez-se físico. Fitou-me com olhares de magarefe, de cima a baixo, medindo minhas carnes, avido pelo acarminado clamor de minh’alma, pelo sabor da minha carcaça. Um Loupaplume, o mesmo que tomara meu olor décadas atrás, que provara do purpúreo escarlate que me corre em veias, após a batalha de Loipon, o mesmo o qual Amé disse ter amaldiçoando-me. Num adejo, vejo a vil figura voraz sulcar-me peito, e sinto sangrar-me o pomo pulsante da vida em sua monstruosa mandíbula. Seus ocres olhos tomavam-me as vistas, enquanto escarrava minhas vísceras. Mas a morte não me alcançara naquela infausta noite. Após a perda da palpitação de meu peito, percebo que vivo, mas vivo sem a vontade, vigor, veneração ou volúpia, vital daquilo que é. E o ser? Escapa-me!

Conhecimentos Avançados

Essas criaturas não são capares de conjurar magias ou ficarem invisíveis, mas elas têm é a habilidade natural de mudar a cor de suas penas, mais ou menos como um camaleão muda a cor de suas escamas. Então, durante uma caçada é normal que elas alterem as cores das penas para se camuflarem ao ambiente.

As histórias sobre a violência dessas criaturas têm algum fundamento na realidade, realmente são caçadores vorazes, e, sim, elas preferem presas mais fáceis. Então, em um grupo de humanos, uma criança é um alvo perfeito. Mas dificilmente você verá um Pássaro Lobo atacar uma casa ou uma cidade. Essas criaturas são muito territoriais, e não costumam caçar fora de seus territórios, assim como preferem fazer seus ninhos em lugares inóspitos, para que nenhum predador roube ou coma seus ovos.

A associação com mesquinharia e egoísmo é completamente fundamentada no habito que essas criaturas tem de enfeitar seus ninhos com coisas brilhantes, então não é incomum encontrar pedras reluzentes, metais e até moedas ou joias perdidas em seus ninhos, caso tais animais tenham acesso a esses.

A crença de que esses animais comem o coração das pessoas tem total fundamento com seus hábitos alimentares, visto que coração, pulmões e vísceras são extremamente nutritivos e são comidos primeiro, não tendo nenhuma ligação com maldições ou sobrenaturalidade, o que, infelizmente, tem muita força no conhecimento popular por conta do conto que figura um desses animais como ponto de antagonismo e símbolo da maldição do protagonista.

Da mesma forma, essa ideia de que o Uazulu irá caçar uma presa até a morte é derivada do mesmo conto e do conceito de que são animais extremamente violentos. É um conceito extremamente errado, baseado na maldição que Guiscard, o protagonista do conto, contrai durante uma batalha, porém é totalmente ficção literária.

Essas criaturas podem até ser domesticadas e adestradas, tornando-se dóceis e extremamente fieis aos seus donos quando criadas desde pequenas entre humanos e com a educação e treinamento corretos. Um Uazulu pode ser um companheiro para uma vida toda, mas, se domesticado, nunca apresentará as características de um alfa.

Insumos

Dentes e garras: da mesma forma que dentes de lobo e garras de águias, os dentes e garras desses animais podem ser usados para a produção de artesanatos como cordões e pulseiras e outros tipos de adornos. Assim como em algumas culturas mais antigas eram usados para criar lâminas serrilhadas em algumas armas.

Plumagem: Sua plumagem tem grande valor comercial por sua belíssima aparência iridescente, metalizada e colorida, mesmo que percam um pouco da cor após a morte do animal. Também podem ser combinadas a meios mágicos para recobrar sua capacidade de mudança de cor, sendo utilizada na criação de roupas, capas e até armaduras capazes de auxiliar seu usuário a passar visualmente despercebido.

Couro: O couro dessas criaturas é macio e claro e pode ser usado para criação de roupas e cadarços.

Carne: A carne destes animais é comestível se preparada adequadamente, é leve e com sabor delicado. Principalmente as pernas e asas são consideradas iguarias por seu sabor e quantidade de carne. Eles também costumam ter bastante carne na parte superior do tórax.

Ovos: Cada ninho costuma ter de 1 a 3 ovos, esses precisam de cuidados e calor constante para chocarem propriamente e são comestíveis como os de outras aves.

Técnicas de Combate

Esses animais tem alguma resistência a cortes, devido a dureza de suas penas, então armas de perfuração e impacto são mais úteis.

Um arco ou uma besta podem ser boas armas contra esses animais, uma maça ou porrete também são boas opções, mas não se engane, a arma só é boa se você conseguir acertar o alvo. Armas de longa distância oferecem o desafio de acertá-los em pleno voo, armas corpo a corpo te colocarão cara a cara com suas poderosas mandíbulas. Um escudo metálico ou uma boa armadura fechada são uma ótima proteção, sendo esse o caso.

Apesar de grandes e fortes eles são criaturas frágeis, e tendem a usufruir de sua agilidade não de sua resistência. Um ataques fortes e rápidos são uma técnica eficaz, caso você consiga derrubar um animal a cada golpe. Uma outra boa tática é tentar pegá-los desprevenidos e a distância enquanto circulam para um novo rasante.

Durante o ataque dessas criaturas, concentre-se em atacar os indivíduos que estão mais perto de você, pois suas mordidas são muito mais perigosas que suas garras. Os animais que mergulham sobre sua cabeça estão principalmente tentando te distrair e atordoar e não realmente causar dano. E fique atento, sempre há mais Uazulus te olhando a distância, se eles acharem que você é um real perigo para o bando, você rapidamente se verá cercado de uma dezena deles.

Esses, como vários outros animais, temem o fogo e dificilmente atravessaram uma barreira de chamas, ou vão se aproximar muito de uma fogueira ou de um lugar que cheire a cinzas. O que pode ser uma forma de afastá-los, se for o caso, também é uma ótima forma de se manter seguro quando dentro de seu território.

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u/AbsconditusArtem — 6 days ago

Me ajude com ideias para meu sistema de magia

Olá gente, descobri esse sub a pouco e fiquei bem empolgado em ter um lugar pra falar de worldbuilding em português e decidi compartilhar um pouco sobre o mundo em que venho trabalhando.

Estou trabalhando num projeto de criação de mundo para cenário de ttrpg e, talvez, um potencial romance futuro, chamado Arboria, um mundo mágico, caótico e cataclísmico muito baseado em conceitos tribais, animistas e espirituais, atualmente estou trabalhando no sistema de magia mas acabei ficando engessado em uma parte e gostaria de opiniões terceiras para desenvolver isso.

Em resumo, o sistema de magia de Arboria se baseia no conceito das Arcas, 7 forças primordiais que são produto da essência da criação, o Caos, em seu estado mais controlado, os povos de Sortar(nome do planeta em que se passa as histórias) realizam rituais de iniciação com a benção dos Deuses Elementais para se conectarem com um espirito elemental que assume um papel de guardião e mentor espiritual permitindo o controle da Arca e maior proteção contra a corrupção do Caos, as 7 Arcas são as seguintes: Brasa, Maré, Tremor, Sopro, Raíz, Aurora e Véu. (posso vir a fazer um post mais detalhado sobre magia e cosmologia mas acho que isso já contextualiza um pouco).

A questão a se tratará é que entre as várias técnicas possíveis para utilizar a magia das Arcas é a Técnica de Sintonização, baseado em incorporar espíritos elementais em seu corpo entrando em um transe espiritual que te concede habilidades místicas baseada nos arquétipos de cada Arca, por exemplo:

Brasa: Ao entrar em transe o feiticeiro se torna mais resistente a calor extremo e golpes ficam mais poderosos, feiticeiros com habilidades mais avançadas podem até ficarem imunes ao fogo e calor durante o transe.

Raíz: Feiticeiros em transe ficam mais resistentes a venenos e conseguem se fixar em superfícies como se possuíssem raízes

Sopro: Feiticeiros ficam mais rápidos durante o transe e seus corpos ficam mais resistentes a rajadas de ventos e choques elétricos

Porém não sei o que fazer para o transe de Véu e Aurora, pensei em fazer o Véu permitir Feiticeiros ficarem invisíveis mas meio que sairia do padrão já imposto do transe fazer o corpo ficar mais resistente a alguma coisa, mas ao mesmo tempo resistente a luz e sombra não parece ter nexo já que são coisas que não podem propriamente causar danos físicos, e Aurora pensei em dar mais velocidade porém o Sopro já faz isso, então gostaria de sugestões para o que fazer nessa parte, agradeço a qualquer que dispor tempo e criatividade para me ajudar e estou 100% aberto a críticas e questionamentos.

u/Pale-Hospital-5837 — 10 days ago