Continuando os manuais de caça do meu cenário
Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. I – A Hidra dos Pântanos
Manual de Caça: Animais e Aberrações de Almis, Vol. II – O Pássaro Lobo
Pelo Mestre de Caça Nastur Gilliga, Universidade Real de Soiluse
Após falarmos da mortal Hidra Negra, no volume passado, iremos nos focar em um animal muito menor e mais comum, mas não menos fascinante. Encontrados em vários territórios diferentes do continente e conhecidos por vários nomes como: Faolchu, na Erdênia; Loupaplume em Soiluse, Andajur e Vollion; Perralado nos territórios com influências hortillanas; ou mesmo Uazulu em Almis, falaremos, neste volume, dos Pássaros Lobos.
Identificação
Nomes: Pássaro Lobo, Faolchu, Loupaplume, Perralado, Uazulu, Morte voadora, Troca penas
Taxonomia:
Natureza - Bestalia
Tronco - Verteossífera
Ramo - Tetramorpha
Ordem - Ornitotheria
Casta - Lupaquilídea
Estirpe - Cephalupinus
Espécie - C. Cromaplumata
Características Físicas
Esses animais são membros da ordem Ornitotheria, como inúmeros outros animais que misturam, das mais diferentes maneiras, características de aves e mamíferos. Especula-se que tal Ordem não tenha origem natural neste plano de existência, mas sim em outra dimensão. Algumas outras especulações dão a tais animais origens mágicas, mas sem qualquer embasamento paleontológico ou arcanológico. Uazulus podem ser descritos como enormes aves de rapina, com uma envergadura de asas de quase 4 metros, dotadas de uma plumagem iridescente, metálica e bem colorida, tendo patas longas e aquilinas com garras do tamanho de navalhas. Seu rosto lembra o de um canídeo, como um lobo ou cão selvagem, com olhos verde amarelados, com toda a cabeça coberta por uma plumagem leve e curta, que lembra em muito a pelagem de um mamífero, suas bocas apresentam presas com organização próxima a dessas espécies, com 41 dentes em uma dentição heterodonte, com dentes com formatos diferentes para funções diferentes, divididos em 12 incisivos, 10 molares, 16 pré-molares, mas apenas 3 caninos, dois nas laterais superiores e um inferior no centro da mandíbula, tendo uma dentição claramente adaptada para uma dieta estritamente carnívora e predatória. Além, é claro, de sua principal característica, a incrível capacidade de mudar a cor de suas penas.
Tamanho: 1,00 - 1,30 m
Peso: 10 - 18 Kg
Expectativa de vida: 50 anos
Habitat
São encontrados nos mais diferente biomas, mas principalmente em climas temperados e frios, como os do centro do continente, preferindo fazer seus ninhos em lugares altos, geralmente montanhas e florestas.
Comportamento
São animais gregários e sociais, vivendo em grupos de 2 a 12 indivíduos, podendo ser encontrados em maiores números em certas ocasiões e locais, tem claros laços sociais, hierarquia e papeis definidos de caça, cuidado com filhotes, defesa dos ninhos, observação de perigos. Comportam-se em um misto de lobo e ave de rapina, costumam caçar em grupo, emboscando suas presas, enquanto alguns vem de grandes alturas em rasantes para atordoar as vítimas com garras, outra parte do grupo ataca com mordidas devastadoras. Ao mesmo tempo são animais muito leais aos seus bandos e costumam tentar proteger sua família a todo custo. Formam laços para a vida toda com sua matilha e são muito carinhosos entre si. Caso sejam observados em seus ninhos, será comum vê-los lambendo uns aos outros, trocando de ninhos para cuidar das penas de outros indivíduos, assim como de filhotes mais frágeis. Seus laços sociais podem ser notados em hábitos como o de que sempre que saem para caçar o grupo deixará ao menos um dos seus membros mais fortes cuidando da ninhada, em casos de muito frio, ou se um membro do grupo estiver ferido, o bando se reunirá para cuidar dos indivíduos mais frágeis, e tentará fazer rápidas incursões para pegar pequenas presas em vez de longas caçadas, tentando não deixá-los sozinhos por muito tempo, os membros mais fracos da matilha sempre são incentivados a comer primeiro e as partes mais nutritivas das presas, entre outros comportamentos sociais.
São criaturas de hábitos predominantemente diurnos, porém podem sim sair para caçar a noite em momentos de escassez. Costumam caçar presas de pequeno a médio porte, são territoriais, mas dificilmente atacam quando não é para alimentação ou em auto defesa. Geralmente grunhem e latem para afugentar invasores, assim como abrem as asas, mostrando as plumas coloridas, para parecerem maiores e mais assustadores. Mas, se uma criatura se mostrar um perigo real para o bando, atacarão até a morte, chegando até a se sacrificar para manter o bando vivo.
Sua organização social é extremamente complexa e mutável, de acordo com o estado físico e as demonstrações de carinho e força entre os indivíduos. Sempre haverá três grupos, os caçadores, incumbidos de adquirir alimento para o bando como um todo, os protetores, tem como principal função proteger o bando, seja durante caçadas ou mesmo os membros que permanecem nos ninhos protegendo-os, e os observadores, esses acompanham os outros dois grupos, mas não agem diretamente em combates ou caças a não ser que seja estritamente necessário, eles se mantem em grandes altitudes vigiando e avaliando o perigo, informando outros membros do grupo com gritos e latidos. Existe um quarto grupo que aparece durante o crescimento dos filhote, que são os cuidadores, que são responsáveis pelos filhotes de todo o bando quando os outros grupos estão exercendo suas funções, protegendo-os e, à vezes, ensinando-os a caçar e voar, diferentemente do protetores, seu foco não será lutar contra invasores, mas sim fugir com os filhotes caso um perigo muito grande apareça, esse grupo também é formado quando parte do bando está doente ou ferida. Existe uma hierarquia social dentro de cada grupo, porém a plasticidade de tal é tamanha que os pesquisadores ainda não conseguiram identificar o que faz um indivíduo ser mais ou menos prestigioso socialmente. Posições, permanências e lideranças nesses grupos são extremamente mutáveis, o único indivíduo claramente no comando é o alfa, sendo esse o líder da matilha inteira, e normalmente parte do grupo de caçadores ou protetores, diferentemente de lobos e outros animais onde essa característica só aparece em animas em cativeiro, aqui a aparição de um alfa é natural e não tem a mesma função social, é geralmente o maior e mais forte membro do bando, podendo ser de qualquer um dos sexos, mas não é um líder violento, mas sim com status social de defesa do bando, se colocando como principal foco para perigos, buscando a proteção do bando como um todo. O alfa pode ser facilmente identificado pela coroa de penas púrpuras em sua cabeça, logo atrás de suas orelhas além de ser normal ver outros membros o desafiando para disputas de dança, onde os indivíduos abrem suas asas, trocam as cores das penas e ouriçam seus rabos, e até mesmo disputas um pouco mais violentas, envolvendo alguns ataques com garras, rasantes e até mordidas, mas sem causar ferimentos graves. Não se sabe se esse comportamento é amistoso, alguma forma de manutenção de autoridade ou se tem alguma outra função social.
Geralmente esses animais tem uma única época de acasalamento por ano, logo no início da primavera, onde a alimentação torna-se mais abundante e os filhotes da geração passada já são considerados adultos, mesmo que ainda não tenham atingido sua total maturação sexual. As fêmeas entram em um cio que varia de uma a duas semanas, durante esse período há disputas entre membros do bando para formação de casais, as disputas ocorrem entre membros do mesmo sexo, mas existem tanto disputas masculinas quanto femininas. Tais disputas variam desde danças, criação de ninhos ostensivos com materiais diversos e brilhantes, até disputas de gritos e violência física direta. Após o acasalamento, a gestação interna dura cerca de duas semanas até a postura dos ovos, normalmente cada casal produz entre 1 e 3 ovos, com um intervalo de 2 a 3 dias entre cada postura. O tempo de incubação desses ovos varia entre 50 e 60 dias. Tanto o macho quanto a fêmea dividem as funções de cuidar dos ovos e caçar, de acordo com a complexa hierarquia social do bando, podendo, inclusive o ninho ser deixado com outro membro do bando, caso nenhum dos pais faça parte do grupo de protetores ou cuidadores do ninho. Esses animais levam cerca de 1 ano para atingirem o tamanho adulto, mas só chegam em sua real maturação sexual após 2 anos de vida.
Conhecimentos Populares perpetuados sobre o animal:
Algumas pessoas acreditam que essas criaturas são mágicas, que possuem dons especiais, como a capacidade de ficar invisíveis ou que seu latido tenha alguma aura de medo embutida.
Outra informação muito comum é sobre a agressividade dessas criaturas, muitos acreditam que são assassinos cruéis, que matam por esporte, e que tem o costume de invadir casas a noite para roubar crianças. Por isso em cidades próximas a locais onde essas criaturas vivem existe o hábito de pregar uma malha de arames nas janelas dos quartos infantis para evitar a entrada desses animais.
Em outros lugares do continente esses animais são associados a mesquinharia e ao egoísmo.
Existem lendas, embasadas em um antigo conto andajuse, “Guiscard, à la lune et le loupaplume”, que dizem que essas criaturas só comem os corações de suas vítimas e as deixam vivendo sem alma, tornando-se uma criatura da noite. Baseado no mesmo conto, muitos acreditam que se um Uazulu perceber o seu cheiro ou provar do seu sangue ele nunca mais irá esquecer e te caçará até que você ou ele morram. Segue a adaptação de um trecho de tal conto para linguagem moderna:
Guiscard, à lua e o lupaplume
Naquela noite em que o negrume que me perseguira uma vez mais, depois de décadas espavorido por sua incessante existência na esquina de meus lumes, por fim fez-se físico. Fitou-me com olhares de magarefe, de cima a baixo, medindo minhas carnes, avido pelo acarminado clamor de minh’alma, pelo sabor da minha carcaça. Um Loupaplume, o mesmo que tomara meu olor décadas atrás, que provara do purpúreo escarlate que me corre em veias, após a batalha de Loipon, o mesmo o qual Amé disse ter amaldiçoando-me. Num adejo, vejo a vil figura voraz sulcar-me peito, e sinto sangrar-me o pomo pulsante da vida em sua monstruosa mandíbula. Seus ocres olhos tomavam-me as vistas, enquanto escarrava minhas vísceras. Mas a morte não me alcançara naquela infausta noite. Após a perda da palpitação de meu peito, percebo que vivo, mas vivo sem a vontade, vigor, veneração ou volúpia, vital daquilo que é. E o ser? Escapa-me!
Conhecimentos Avançados
Essas criaturas não são capares de conjurar magias ou ficarem invisíveis, mas elas têm é a habilidade natural de mudar a cor de suas penas, mais ou menos como um camaleão muda a cor de suas escamas. Então, durante uma caçada é normal que elas alterem as cores das penas para se camuflarem ao ambiente.
As histórias sobre a violência dessas criaturas têm algum fundamento na realidade, realmente são caçadores vorazes, e, sim, elas preferem presas mais fáceis. Então, em um grupo de humanos, uma criança é um alvo perfeito. Mas dificilmente você verá um Pássaro Lobo atacar uma casa ou uma cidade. Essas criaturas são muito territoriais, e não costumam caçar fora de seus territórios, assim como preferem fazer seus ninhos em lugares inóspitos, para que nenhum predador roube ou coma seus ovos.
A associação com mesquinharia e egoísmo é completamente fundamentada no habito que essas criaturas tem de enfeitar seus ninhos com coisas brilhantes, então não é incomum encontrar pedras reluzentes, metais e até moedas ou joias perdidas em seus ninhos, caso tais animais tenham acesso a esses.
A crença de que esses animais comem o coração das pessoas tem total fundamento com seus hábitos alimentares, visto que coração, pulmões e vísceras são extremamente nutritivos e são comidos primeiro, não tendo nenhuma ligação com maldições ou sobrenaturalidade, o que, infelizmente, tem muita força no conhecimento popular por conta do conto que figura um desses animais como ponto de antagonismo e símbolo da maldição do protagonista.
Da mesma forma, essa ideia de que o Uazulu irá caçar uma presa até a morte é derivada do mesmo conto e do conceito de que são animais extremamente violentos. É um conceito extremamente errado, baseado na maldição que Guiscard, o protagonista do conto, contrai durante uma batalha, porém é totalmente ficção literária.
Essas criaturas podem até ser domesticadas e adestradas, tornando-se dóceis e extremamente fieis aos seus donos quando criadas desde pequenas entre humanos e com a educação e treinamento corretos. Um Uazulu pode ser um companheiro para uma vida toda, mas, se domesticado, nunca apresentará as características de um alfa.
Insumos
Dentes e garras: da mesma forma que dentes de lobo e garras de águias, os dentes e garras desses animais podem ser usados para a produção de artesanatos como cordões e pulseiras e outros tipos de adornos. Assim como em algumas culturas mais antigas eram usados para criar lâminas serrilhadas em algumas armas.
Plumagem: Sua plumagem tem grande valor comercial por sua belíssima aparência iridescente, metalizada e colorida, mesmo que percam um pouco da cor após a morte do animal. Também podem ser combinadas a meios mágicos para recobrar sua capacidade de mudança de cor, sendo utilizada na criação de roupas, capas e até armaduras capazes de auxiliar seu usuário a passar visualmente despercebido.
Couro: O couro dessas criaturas é macio e claro e pode ser usado para criação de roupas e cadarços.
Carne: A carne destes animais é comestível se preparada adequadamente, é leve e com sabor delicado. Principalmente as pernas e asas são consideradas iguarias por seu sabor e quantidade de carne. Eles também costumam ter bastante carne na parte superior do tórax.
Ovos: Cada ninho costuma ter de 1 a 3 ovos, esses precisam de cuidados e calor constante para chocarem propriamente e são comestíveis como os de outras aves.
Técnicas de Combate
Esses animais tem alguma resistência a cortes, devido a dureza de suas penas, então armas de perfuração e impacto são mais úteis.
Um arco ou uma besta podem ser boas armas contra esses animais, uma maça ou porrete também são boas opções, mas não se engane, a arma só é boa se você conseguir acertar o alvo. Armas de longa distância oferecem o desafio de acertá-los em pleno voo, armas corpo a corpo te colocarão cara a cara com suas poderosas mandíbulas. Um escudo metálico ou uma boa armadura fechada são uma ótima proteção, sendo esse o caso.
Apesar de grandes e fortes eles são criaturas frágeis, e tendem a usufruir de sua agilidade não de sua resistência. Um ataques fortes e rápidos são uma técnica eficaz, caso você consiga derrubar um animal a cada golpe. Uma outra boa tática é tentar pegá-los desprevenidos e a distância enquanto circulam para um novo rasante.
Durante o ataque dessas criaturas, concentre-se em atacar os indivíduos que estão mais perto de você, pois suas mordidas são muito mais perigosas que suas garras. Os animais que mergulham sobre sua cabeça estão principalmente tentando te distrair e atordoar e não realmente causar dano. E fique atento, sempre há mais Uazulus te olhando a distância, se eles acharem que você é um real perigo para o bando, você rapidamente se verá cercado de uma dezena deles.
Esses, como vários outros animais, temem o fogo e dificilmente atravessaram uma barreira de chamas, ou vão se aproximar muito de uma fogueira ou de um lugar que cheire a cinzas. O que pode ser uma forma de afastá-los, se for o caso, também é uma ótima forma de se manter seguro quando dentro de seu território.