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Descanse em paz, democracia brasileira

Descanse em paz, democracia brasileira

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Não porque a democracia tenha acabado, mas porque existe uma parte dela que parece morrer toda vez que somos obrigados a escolher entre pessoas como se estivéssemos escolhendo qual incêndio queremos apagar primeiro.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Do outro, Flávio Bolsonaro, do PL. Dois nomes que representam projetos políticos diferentes e que chegaram ao segundo turno de 2026. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou próximo de 45%.

E novamente o Brasil se encontra diante daquela velha pergunta

“Em quem eu voto?”

Mas existe outra pergunta que parece ainda mais importante “Por que chegamos ao ponto em que tanta gente sente que está escolhendo apenas entre o pior e o menos pior?”

Lula carrega uma história política impossível de separar das controvérsias envolvendo o PT e seus governos. As condenações de Lula nos casos do triplex, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula foram anuladas pelo STF em 2021 porque a Corte considerou incompetente a 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar aqueles processos. Isso não equivale a uma declaração judicial de que os fatos investigados nunca existiram, significa que aquelas condenações deixaram de produzir efeitos jurídicos

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também chega à disputa carregando suas próprias controvérsias. O caso das chamadas “rachadinhas” foi arquivado depois que provas foram anuladas pelo STF e pelo STJ. Flávio sempre negou as acusações. Mais recentemente, em 2026, seu nome apareceu também nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao inquérito chamado “Dark Horse”, que apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de um filme sobre seu pai. Isso são investigações, não condenações, e o próprio Flávio nega irregularidades

E aqui aparece uma coisa interessante, quando é o político do nosso lado, costumamos pedir contexto

Quando é o político do outro lado, costumamos pedir condenação

Quando uma investigação envolve nosso grupo, queremos lembrar que investigação não é condenação

Quando envolve o adversário, a simples existência da investigação já parece suficiente para provar tudo

Isso aconteceu inúmeras vezes na política brasileira

Lula, durante a campanha, afirmou que a eleição colocava o país diante de uma escolha entre o fortalecimento da democracia e a “barbárie”. Também associou o adversário a questões como crime organizado e ao caso Banco Master

Flávio, por sua vez, construiu sua campanha em forte oposição ao PT. Depois do primeiro turno, declarou que estava decretado o “fim da era do PT”. Seu programa propõe, entre outras medidas, redução de ministérios, um novo teto de gastos, mudanças na relação entre Executivo e STF e uma política de segurança pública muito mais dura. E então acontece algo curioso, cada lado olha para o outro e enxerga uma ameaça, para alguns, votar em Lula significa impedir o retorno do bolsonarismo, para outros, votar em Flávio significa impedir a continuidade do PT.

E assim a política deixa de ser apenas uma discussão sobre propostas, ela passa a ser uma guerra pela sobrevivência do próprio grupo.

É aqui que lembro de uma fábula de votar. Apareceu uma proposta para colocar inseticida no jardim, e a formiga por ódio a cigarra

A formiga votou a favor

A cigarra também morreu

E a própria formiga morreu

A barata, que havia escolhido não participar, também morreu

A moral dessa história não é “não vote”, é justamente o contrário é lembrar que votar não deveria significar escolher quem destruirá o outro lado, porque, quando transformamos o adversário político em inimigo absoluto, começamos a aceitar qualquer coisa do nosso próprio lado.

E é aí que a democracia começa a morrer

Não necessariamente quando alguém fecha o Congresso

Não necessariamente quando alguém rasga uma Constituição

Ela também pode morrer lentamente dentro de nós, quando deixamos de questionar aquilo que o nosso próprio grupo faz

Quando uma pessoa diz:

“Meu político errou, mas o outro é pior”

E repete isso durante anos

“Meu partido roubou, mas o outro roubou mais”

“Meu candidato falou uma coisa absurda, mas o adversário falou algo pior”

“Meu lado pode fazer isso porque o outro lado faria algo muito pior”

Até que chega um momento em que ninguém mais está perguntando se algo é certo, a única pergunta passa a ser

“De que lado você está?”

Esse seja um dos maiores problemas da polarização, porque Lula e Flávio podem discordar profundamente sobre economia, segurança, educação, relação entre os Poderes e papel do Estado. Os programas dos dois candidatos apresentam propostas concretamente diferentes.

Isso é democracia

Discordar é democracia

Criticar é democracia

Investigar um político é democracia

Questionar uma investigação também pode ser democracia

Mudar de opinião é democracia

O que destrói a democracia é quando deixamos de acreditar que o nosso próprio lado também precisa ser questionado, porque nenhum político deveria receber um cheque em branco simplesmente porque o adversário é pior, e nenhum cidadão deveria precisar amar um candidato para votar nele

A democracia brasileira não precise que escolhamos entre santos e demônios. Precise apenas que paremos de transformar políticos em santos e adversários em demônios

A formiga não precisava amar a cigarra

A cigarra não precisava amar a formiga

Mas ambas deveriam perceber que existia algo maior do que a própria rivalidade

E a barata também não estava fora das consequências simplesmente porque decidiu não participar

No fim, todos vivem no mesmo jardim, e se o maior perigo da polarização não for fazer o brasileiro escolher um lado, mas fazer cada lado acreditar que a sobrevivência do Brasil depende da derrota absoluta do outro? O que vai sobrar do país daqui a 50 anos? Esse é o país que queremos que nossos filhos vivam?

u/No_Address_1321 — 10 days ago

Trabalhador que vota no Flávio é ignorante e isentão é ingênuo.

Não precisa de muito esforço pra entender. Um dos candidatos é literalmente a favor de 64h de trabalho por semana.

É uma insanidade sem limites um trabalhador, que pega busão e metro todo dia, se alinhar com a direita. Tu trabalha 6 dias por semana, malandro.

É por que você odeia gay? É por que você odeia mulher? É por que você odeia pobre? É por que você queria ser um velho rico que compra tudo com dinheiro também?

É por que vocês caíram em edição de vídeo do Lula? Tipo aquele, que até hoje tem gente que cai, que ele fala sobre dinheiro pra cervejinha?

Eu realmente acho uma loucura.

Ninguém que eu conheci consegue me justificar um voto em Flávio de maneira concisa. É sempre uma bizarrisse tipo “ah, olha o jeito que tá tudo” ou “o Lula gosta de ladrão” ou algo completamente desconexo da realidade e que foi forjado a partir de edição de vídeo mal feita.

O cara provavelmente vai continuar privatizando até a petrobras, que já começou a ser desidratada no governo Bolsonaro, com venda da BR Distribuidora e de refinarias kkkkk (soberania energética).

Se você vota em Renan Santos e Caiado, eu sinceramente até entendo. É de certa forma uma renovação. Eu até enxergaria algum deles sendo uma direita NACIONALISTA (que eu particularmente respeito).

E SIM. EU ODEIO O LULA. EU ODEIO COMO ELE SE TORNOU PASSIVO E ANTIQUADO AO LONGO DOS ANOS. ELES PERMITIREM A EXISTÊNCIA DO BOLSONARISMO É O MAIOR FRACASSO DA HISTÓRIA DA POLÍTICA BRASILEIRA.

Pros isentões: o bolsonarismo é um câncer. Você pode ignorar no início se quiser, mas ele vai te consumir eventualmente.

EDIT: li por cima alguns comentários e "se tem petista chorando, eu to feliz" ou algo que é basicamente alguém se sentindo ofendido pelo o que falei, só reforça meu ponto e eu não irei responder porque não gosto de debater com maluco.

reddit.com
u/JiggyJenners — 10 days ago
▲ 13 r/FilosofiaBR+1 crossposts

A democracia funciona? Quando funcionou? E como funcionou?

A cada dia que passa tenho mais a duvidar da democracia, e com essa eleição de 2026 me fez repensar se a democracia realmente é eficiente ou se é utopica.

Platão criticava duramente a democracia por considerá-la um sistema instável, movido pelas paixões e desejos da maioria desinformada em vez da razão. Para ele, a liberdade excessiva da democracia gerava desordem e inevitavelmente abria caminho para o surgimento de tiranias.

Acho que realmente é algo de se pensar, acredito que quem deva governar é quem tem o poder e o saber de como governar, e não um qualquer que vota apenas pelos seus interesses e pelo o que acha que é o certo, política é mais difícil do que isso.

u/ramont005 — 10 days ago

Gnt,vcs já pararam para pensar oq realmente e o infinito?eu gosto de astronomia e tals,e tem uma teoria q fala q o universo e infinito,mas como assim?,minha mente não processa o "infinito".para mim tudo tem fim.

u/NoOpening9245 — 10 days ago

Finalizar uma faculdade realmente conta muito hoje em dia?

Ano que vem se tudo der certo entro na faculdade, ainda não tenho certeza qual o o que, mas sempre me pego pensando, será que vale muito mesmo?

Tipo eu sei que tem curso que sim, me parece que engenharia essas coisas sim, mas sei la, marketing, vendas, finanças...essa instituição perdeu valor ou ainda tem muito valor?

u/umacontaqualquer95 — 10 days ago

O instagram e suas falsas faces

Antigamente existia uma distância maior entre quem era famoso e quem estava assistindo. A pessoa aparecia em uma revista, na televisão, em algum programa, e aquilo terminava ali. Hoje ela está no nosso celular todos os dias. Você vê o que ela está fazendo, onde está, o que comprou, com quem saiu e até o que pensa. Depois de um tempo, começa a parecer que existe uma intimidade ali, mesmo que nunca tenha existido. E acho que é justamente isso que torna tudo tão peculiar. O Instagram não criou a necessidade de falar sobre a vida dos outros, isso é muito mais antigo, mas colocou uma quantidade absurda de pessoas dentro da nossa rotina. Você pode acordar, abrir o celular e descobrir que alguém que mora do outro lado do país terminou um relacionamento, brigou com outra pessoa ou está viajando, e aquilo começa a ocupar espaço na sua cabeça mesmo sem existir qualquer motivo real para aquilo importar para você. Chama atenção para essa transformação dos seguidores em números e dos influenciadores em pessoas que parecem ter uma importância muito maior simplesmente porque conseguiram acumular atenção. E nós participamos disso. Seguimos, curtimos, comentamos, compartilhamos e, em alguns casos, até brigamos por pessoas que nem sabem que existimos

A publicidade percebeu isso muito rápido. Uma pessoa com milhares de seguidores pode vender alguma coisa porque existe uma sensação de proximidade que uma propaganda tradicional não consegue produzir da mesma forma. Você não sente necessariamente que uma empresa está tentando vender algo, parece que alguém que você acompanha está apenas recomendando aquilo. O problema é que essa proximidade também facilita a comparação. Você olha para alguém bonito, com dinheiro, viajando, em um relacionamento ou simplesmente parecendo feliz e começa a comparar aquilo com a própria vida. Só que a comparação já começa errada, você está vivendo a sua vida inteira, enquanto aquela pessoa está mostrando alguns momentos escolhidos dela. Mesmo sabendo disso, ainda somos afetados. Desse ciclo em que alguém vê uma pessoa aparentemente feliz e atraente no Instagram, sente-se mal consigo mesmo e tenta reproduzir aquela mesma imagem, acabando por provocar em outra pessoa a sensação que acabou de sentir. É quase como se todo mundo estivesse tentando parecer aquilo que procura nos outros

E existe uma coisa ruim nisso, começamos a montar a nossa própria vida pensando em como ela vai parecer para quem estiver olhando. Não basta viajar, é preciso mostrar que viajamos. Não basta estar feliz, parece existir uma vontade de provar que estamos felizes. Não basta gostar de alguma coisa, aquilo também pode virar parte da imagem que queremos construir. Aos poucos, o olhar dos outros começa a participar das nossas escolhas sem que percebamos. E isso ajuda a entender também a cultura do cancelamento. Primeiro colocamos alguém em um pedestal, acompanhamos tudo que essa pessoa faz e damos a ela uma importância enorme, depois quando aparece alguma coisa que nos desagrada, a mesma multidão pode passar a querer vê-la cair. Justamente essa transformação de pessoas comuns em figuras grandes demais com a cultura do cancelamento e com o prazer de assistir alguém famoso perder aquilo que conquistou. Eu não acho que o problema seja simplesmente o Instagram existir. As redes sociais também podem aproximar pessoas, guardar momentos e dar espaço para artistas e criadores que dificilmente encontrariam o mesmo público de outra forma. O problema começa quando aquilo que vemos ali passa a determinar o valor da nossa própria vida. Porque sempre vai existir alguém mais bonito, mais rico, mais famoso ou vivendo alguma coisa que parece melhor

A comparação nunca termina. E enquanto ficamos olhando para a vida dos outros, a nossa continua acontecendo fora da tela, sem filtro, sem edição e sem precisar da aprovação de milhares de pessoas. O vazio não esteja em não termos o suficiente, mas em nunca conseguirmos enxergar o que temos sem pensar naquilo que os outros parecem ter

u/No_Address_1321 — 9 days ago