r/conversasserias

Vocês já sofreram assédio moral no trabalho?

Graças a Deus eu consegui mudar de setor no meu trabalho, mas o que eu estava antes era uma prova de resistência. Um cara que era uma espécie de "encarregado" ou "funcionário plus" implicava junto comigo (ele tinha preconceito com minha orientação sexual e algumas vezes até um racismo ali; sendo que é u nem sou tão preto assim).

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O avanço da IA abriu uma "caixa de pandora" que nunca deveria ter sido aberta no momento atual?

Ultimamente eu tenho pensado o quanto tudo ta instável.

O mercado de trabalho nunca foi um local muito confiável, mas no último ano tem se tornado insalubre.
Ouvir de gerentes que vão reduzir quantidade de pessoas por projetos para venderem IA foi algo que me deu nojo.
Isso tudo me fez pensar: O avanço da IA veio no pior momento possível ou era inevitável?

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u/ls-dev — 2 days ago

Se o aborto fosse legalizado, eu teria filhos

Sempre quis ter filhos(as), achava a ideia interessante. Entretanto, tenho repensado minha posição nos últimos dias, depois de ter feito uma reflexão a esse respeito.

O que me deixa com mais medo é pensar que o bebê pode nascer com alguma deficiência congênita que faça ele ficar dependente pro resto da vida. Um(a) filho(a) que não consegue ter independência nem liberdade destrói os pais tanto fisicamente quanto psicologicamente. No final, os país vão ser condenados a ter uma vida miserável e desistir de tudo para ficar cuidando do indivíduo pro resto da vida. E o(a) filho(a) também vai ter uma vida miserável, vai sofrer de complicações físicas, não vai conseguir fazer nada por vontade própria e vai viver a vida toda às custas dos outros.

No Brasil, uma deficiência incapacitante não justifica colocar uma criança para adoção, até onde eu saiba. Então, no final, são os pais que vão ter que cuidar.

Só que eu não quero viver o resto da minha vida em vão só pra sustentar um indivíduo que, não importa o que eu faça, só vai conseguir sofrer.

Aí é que eu penso: se o aborto fosse legalizado, daria pra ter filhos sem esse peso na consciência. Se fosse detectada uma deficiência congênita grave no feto, era só abortar, para o bem do filho e dos pais.

Mas, infelizmente, o aborto no nosso país só é permitido para casos muito restritos, e, por conta de fanáticos religiosos, é provável que o aborto nunca seja realmente liberado.

E, do jeito que tá, não compensa me arriscar em clínicas clandestinas, tá valendo mais a pena não ter filho logo de uma vez.

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u/Significant-Fun-4480 — 3 days ago

Mais da metade da música nova que sobe pro streaming já é feita por IA. Estamos perdendo o gosto de fazer as coisas com esforço e criatividade :(

A Deezer divulgou em julho que passou de 50% o número de faixas novas geradas por IA que entram na plataforma por dia. São umas 90 mil músicas diárias. Em abril eram 44%, e no começo de 2025 eram 10%. A empresa mesma diz que 85% disso é classificado como fraude e fica desmonetizado.

Eu sou músico autodidata. Sei exatamente quanto custa tirar uma música decente de um instrumento, e sei que hoje eu teria a mesma música em nove segundos, digitando uma frase.

Aí li outra coisa que me deixou pior. Saiu um estudo revisado por pares no Journal of Consumer Research, feito por gente de Harvard, medindo que conversar com companheiro de IA alivia a solidão quase no mesmo nível de conversar com pessoa. O que faz efeito, segundo eles, é a sensação de ser ouvido. Tem outro estudo deste ano dizendo o contrário no longo prazo, que alivia agora e piora depois. Eu não sei em quem acreditar kkkk

Ser ouvido sem ninguém ouvindo. Parece utopia demais. isso me parece a frase mais scifi que existe.

Não é que eu ache o resultado ruim. Muita coisa gerada por máquina é boa mesmo, e conversa artificial numa noite ruim salva alguém, isso é fato! Um amigo tem uma startup de terapia online... disse que já salvou muita gente em crise de madrugada....

O que me incomoda é que a parte difícil era o que fazia a coisa valer. O calo no dedo, o amigo chato que atrasa, o silêncio de quem espera resposta e não recebe (vzinho azul do whatsapp gerava inumeros pensamentos.. a IA coloca um "thinking" e a gente fica aliviado kkk)

O que vocês ainda fazem do jeito difícil de propósito, mesmo existindo atalho? E quem faz do jeito fácil está perdendo alguma coisa de verdade, ou é só nostalgia da nossa parte...

Enfim, é isso. Fiquei pensando nisso a semana toda e não cheguei em lugar nenhum.

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u/daniel_baruc_es — 3 days ago

Perspectiva de futuro para a juventude média brasileira?

Vou dar um relato pessoal. Hoje eu ganho 2.100 líquidos + R$630,00 de VA fora o plano de saúde. Meu trabalho é bem legal e não me estressa tanto, e já passei por alguns subempregos bem ruins. Dei sorte de conseguir o meu de hoje, mas a verdade é que agora não vejo perspectiva pra minha melhora por um prazo muito grande. Tudo que eu quero é ter qualidade de vida e acesso à coisas melhores, mas parece que a ascenção não vai vir tão cedo.

Já pensei em inúmeras saídas, e no meu caso eu só acho barreiras.

Sem condições de fazer boas faculdades. Moro no interior e não tenho condições de me mudar e me sustentar em um bom curso que sempre seria integral. Não consigo fazer um curso técnico pois o SENAI mais próximo está numa cidade a 55km de distância e abre vagas para curso a cada 2 anos. Na minha região até tem algumas indústrias boas e conhecidas, mas plano de carreira pra quem começa de baixo é quase 0. Não tenho estrutura familiar pra me dar uma ajuda pra começar emprego algum. Concurso público cada vez mais impossível e concorrido.

O que parece que me resta é ficar onde estou até quando decidirem me mandar embora ou ser aquele dinossauro de empresa que tá lá desde sempre. E ainda por cima nunca sair da minha cidade minúscula que não vai crescer e não vai mudar nunca.

Alguém passa/passou por algo parecido? Como saíram do marasmo?

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u/Material_Cod4096 — 3 days ago

Título: Estou a ser demasiado rígida por não querer fotos do meu filho nas redes sociais?

Eu, Fem(44), preciso mesmo de uma opinião de fora porque isto tomou umas proporções completamente absurdas e eu já nem sei se estou a ver as coisas de forma demasiado emocional. Sou mãe de um rapaz menor (Mas,14) e tenho uma relação complicada com o pai. Eu tenho bastante cuidado com a exposição do meu filho na Internet. Publico uma fotografia dele muito de longe a longe, normalmente em stories, e quando ele aparece claramente costumo perguntar-lhe se está de acordo. Ele próprio sempre me disse que detesta fotografias dele online. Há uns dias apareceu-me nas sugestões de amigos do Facebook o perfil público da companheira do pai. Fui ver e deparei-me com fotografias do meu filho em pelo menos dois posts públicos. Eu nem fazia ideia de que aquelas fotografias estavam publicadas. Falei com o pai e pedi-lhe que falasse com ela e que retirassem as fotografias dos posts públicos. Não lhe disse para não terem fotografias dele, nem para não as partilharem com família ou amigos. O que pedi foi simplesmente que não publicassem fotografias do meu filho em perfis públicos. Sobretudo porque ele próprio não gosta. A resposta inicial foi mais ou menos tentar perceber que fotografias eram, dizer que algumas nem mostravam a cara e perguntar se eu andava a vasculhar o perfil dela. Expliquei que me apareceram nas sugestões e que eram posts públicos. Entretanto deixei de conseguir encontrar o perfil dela e achei que me tinha bloqueado. Como queria apenas confirmar se as fotografias tinham sido retiradas, consegui vê-las através de outra conta e continuavam lá. Entretanto disse ao pai que, se as fotografias continuassem online, iria procurar orientação junto da CNPD. Não como ameaça, mas porque se não conseguimos resolver uma coisa destas entre adultos, então procuro saber quais são os meus direitos enquanto mãe. Depois disso, encaminhei-lhe os prints atualizados das publicações e disse-lhe que os tinha enviado para a CNPD. No minuto seguinte, o meu filho ligou-me. Começou a dizer que afinal não se importava com as fotografias. Depois passou o telefone ao pai, que colocou a chamada em alta voz. Eu disse que queria falar apenas com o pai, mas começaram os dois (pai e companheira) aos berros comigo. Estavam lá o meu filho e mais duas crianças a assistir/ouvir toda aquela discussão. Foi um barraco mesmo. Eu também perdi a cabeça e, no meio daquilo, disse ao pai fogo, foste arranjar alguém como tu?. Não me orgulho da frase, mas sinceramente estava a levar com os dois aos berros e acabei por responder. E é aqui que estou realmente mal. O meu filho sempre me disse que detesta fotografias dele online e, imediatamente depois de receberem a informação de que eu tinha encaminhado o caso para a CNPD, passou a dizer que afinal não se importava. Eu não sei se mudou genuinamente de opinião ou se simplesmente foi colocado numa situação em que sentiu que tinha de tomar uma posição. O que sei é que não queria que ele fosse metido no meio de uma discussão entre adultos. Tenho medo de que o façam sentir que tem de escolher entre mim e o pai ou que acabem por virar a situação contra mim. A minha questão é: estou a ser demasiado rígida por não querer que uma pessoa que não é mãe nem pai dele publique fotografias dele em perfis públicos sem a minha autorização? Eu não quero controlar o que ela publica, não quero impedir que tenha fotografias dele, nem quero impedir a relação dela com ele. Se ela quiser publicar fotografias da vida dela, por mim tudo bem. O meu limite é não publicar o meu filho em perfis públicos. E eu própria faço exactamente isso. Tenho fotografias dele, obviamente, mas publico muito poucas, normalmente em stories, e tenho cuidado com quem pode vê-las. Se for uma fotografia mais explícita dele, pergunto-lhe primeiro. Agora estou dividida entre achar que estou simplesmente a defender um limite básico de privacidade do meu filho e sentir que deixei isto escalar para uma guerra de adultos que pode acabar por prejudicá-lo. Como é que vocês veriam isto de fora? Estou a ser razoável ou estou a exagerar?

PS, o meu filho está à minha guarda, está com o pai de 15 em 15 dias, excepto verões que passam mais tempo, e para além da pensão não divide nem mais uma despesa comigo, apesar de no acordo parental estar que as despesas extra pensão devem ser dividas também (honestamente foi uma batalha de que desisti para ter paz).

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u/Adventurous-Fruit205 — 3 days ago

Quanto tempo faz que você não escrevo uma frase sem tecnologia sugerindo a próxima palavra???

Já faz tempo que eu não escrevo sozinho......

Abro o e mail e a frase já vem como sugestão. Uma sugestão em cinza, adiantada, quase sempre razoável. Aperto tab e aceito. Foi rápido, foi razoável, o dia seguiu. Economizei tempo....

Quando lançou esse recurso, o Google informou que ele já poupava mais de um bilhão de caracteres por semana. Um bilhão de caracteres que alguém ia escrever de um jeito e escreveu do jeito sugerido.

A sugestão quase nunca está errada. É por isso que ela passa. Não me recordo de algo muito fora do contexto.

Tem duas pesquisas que ficaram na minha cabeça. Mueller e Oppenheimer, 2014, na Psychological Science: quem anotava aula à mão ia melhor nas perguntas conceituais do que quem digitava, porque à mão não dá pra transcrever tudo e você é obrigado a resumir com palavra sua.

E, um estudo da NTNU, da Noruega, publicado na Frontiers in Psychology em 2024, mediu conectividade cerebral mais ampla escrevendo à mão do que teclando.

Quero voltar a escrever à mão por teimosia, já que a comodidade e conveniência é "saborosa"... Acho que vai me surpreender e me lembrar de coisas passadas!

Vejo dois lados e os dois têm razão, em partes:

  • um diz que é ferramenta, igual corretor ortográfico, ninguém é obrigado a apertar a seta, e reclamar disso é romantismo de quem tem tempo sobrando.
  • o outro diz que quando a mesma sugestão chega pra milhões de pessoas na mesma hora, ela não está completando a frase, está escolhendo, e a gente vai ficando parecido sem perceber que ficou.

Pra vocês: aceitar a sugestão que está certa é só economia de tempo, ou é ir perdendo aos poucos o jeito próprio de dizer as coisas???

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u/daniel_baruc_es — 4 days ago
▲ 23 r/conversasserias+1 crossposts

Se um sistema te reconhece pela combinação dos seus aparelhos e nunca sabe o seu nome, isso ainda é dado pessoal? (lá vem textão)

Saiu ontem no Gizmodo Brasil: a empresa Leonardo está vendendo pra forças de segurança nos EUA um sistema chamado SignalTrace, que inverte a lógica da vigilância. Link: https://www.gizmodo.com.br/uma-nova-tecnologia-transforma-os-dispositivos-que-carregamos-em-uma-especie-de-rastro-digital-63914

Em vez de bater a placa numa câmera e correr atrás do dono, ele capta os identificadores que os aparelhos emitem sozinhos: celular, smartwatch, fones, multimídia do carro, etiqueta eletrônica, etc...

Um sinal solto não diz nada. A combinação repetida vira o que eles chamam de "impressão digital eletrônica", e passa a ser reconhecida toda vez que reaparece, inclusive nas vezes em que a placa não foi registrada. Pesquisadores independentes acharam quatro instalações compatíveis em Oxon Hill, Maryland, operadas pela polícia do condado.

A empresa diz que não acessa conteúdo de comunicação, só sinais e identificadores. Tecnicamente correto. Só que a nossa lei fala de dado relativo a pessoa natural "identificada ou identificável". Identificável é a palavra que salva ou derruba o argumento inteiro, e ninguém quer discutir ela.

E tem um estudo publicado na Scientific Reports, com dados de mobilidade de 1,5 milhão de pessoas, mostrando que quatro pares de lugar e hora bastam pra distinguir 95% delas. Quatro.

O nome virou a última informação a aparecer. Agora somos medidos pelos "metadados" :(

Existem dois lados.

Um diz: é pista e não é prova, ajuda em carro clonado e placa fria, ninguém está lendo mensagem de ninguém, e sensor em espaço público capta o que está no ar.

O outro diz: se o padrão te reconhece sempre que você aparece, o nome é detalhe burocrático, e chamar isso de dado anônimo é escolher a palavra que dá menos trabalho.

Sinceramente, acho que a discussão inteira está presa na palavra errada.

Pra vocês, a combinação de aparelhos que você carrega é dado pessoal seu, ou é sinal solto no ar que qualquer um pode captar?

u/daniel_baruc_es — 6 days ago

Milhares de suecos implantaram chip na mão pra pagar e abrir porta..... Praticidade ou a gente virando o próprio cartão???

Fui atrás dos números depois que vi um vídeo de "implant party" na Suécia. As matérias de 2018 já falavam em mais de 4 mil suecos com um chip do tamanho de um grão de arroz implantado entre o polegar e o indicador. A ferrovia estatal de lá, a SJ, aceitava o chip como bilhete de trem desde 2017. E tem empresa, a Walletmor, vendendo implante de pagamento desde 2021.

Não é coisa distante de laboratório. Nos EUA a Amazon cadastrou a palma da mão como cartão em centenas de lojas. Aqui no Brasil o embarque por rosto já roda em vários aeroportos, e a aproximação já é uns dois terços das compras presenciais pela conta da Abecs.

Cartão a gente cancela. Mão não. (que frase sem sentido... claro que dá pra cancelar o RFID contido nela)....

O lado da praticidade eu entendo, e é real: não tem como esquecer, não tem como furtar, mão não descarrega (to com celular viciado... tenho que levar powerbank para todo lado). Quem implantou relata que esquece que o chip existe!

O outro lado é o que me trava. Primeiro que é debaixo da pele, não tem "desinstalar" fácil. Mas tem como remover claro....

Segundo que todo desconto de adesão vira, com o tempo, multa de quem recusa: quem não entrega a palma, o rosto, o chip... vai pagando mais caro ou esperando na fila mais lenta. (olhe os CPFs nas farmácias).... Aí a escolha vira meio de mentira. Vi caso de algo que custava R$ 130 e com CPF custava R$ 30 (nem é preço de alavancagem.. é desonestidade mesmo)...

E tem o detalhe cultural: quase todo mundo que vê isso lembra na hora da "marca na mão" do Apocalipse (sim eu sei que o livro contém alegorias).

Não sou de misturar Bíblia com tecnologia, mas acho curioso a imagem que a humanidade passou séculos temendo como imposição estar chegando como conveniência, com fila e hora marcada.

Vocês implantariam? E se recusar começar a sair mais caro, ainda dá pra chamar de escolha?

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u/daniel_baruc_es — 7 days ago

A gente fala "minha conta" o dia inteiro, mas juridicamente ela não é nossa, e acho isso mais sério do que parece....

O que está escrito é "licença de uso", pessoal, intransferível e revogável. Não é pegadinha, é a estrutura padrão de serviço hospedado. Só que a palavra que a gente usa no dia a dia é outra.

A prova prática disso é meio desconfortável de olhar, e veio das próprias empresas. Apple tem o contato de legado, Google tem o gerenciador de contas inativas, Meta tem o contato herdeiro e o perfil memorializado.

Ou seja: casa entra em inventário, carro entra, saldo em banco entra. Conta de plataforma precisa de um formulário dentro da própria plataforma, preenchido em vida!

E olha, a LGPD dá portabilidade de dados e isso é bom de verdade. Você pede o arquivo e leva embora. Só que ninguém porta reputação. Nota de motorista, avaliação de vendedor, dez anos de histórico, a lista de quem te conhece... nada disso sai de lá.

Você exporta o que escreveu. Não exporta o que você virou lá dentro.

Vejo dois lados e os dois têm um pedaço de razão. Um diz que a infraestrutura é da empresa, o custo é dela, o risco é dela, e quem não gosta baixa os dados e muda de serviço. O outro diz que no momento em que o cadastro virou a porta do banco, do trabalho e do governo, chamar isso de "serviço privado" ficou pequeno demais.

Não tenho a solução, só sei que a palavra "minha" ali está errada faz tempo.

Pra vocês: conta de plataforma devia ganhar algum estatuto parecido com bem, com direito de recurso e de sucessão, ou é serviço privado mesmo e cada um que aguente as regras de quem hospeda?

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u/daniel_baruc_es — 5 days ago

Vocês entregariam os dados do sono e do coração pro plano de saúde em troca de desconto???

Em 2018 a John Hancock, uma das maiores seguradoras de vida dos EUA, anunciou que não venderia mais apólice tradicional. Toda apólice nova passou a vir com um programa que acompanha os dados de atividade do cliente: quem se mexe mais (pratica esportes), paga menos. Isso foi há oito anos, através do Oura Ring, anel inteligente...

Agora olha o que um anel no dedo já mede hoje: estágio do sono, batimento, variabilidade cardíaca, temperatura, etc... Na pandemia teve estudo mostrando que dava pra pegar infecção dias antes do sintoma. E pra ver os próprios dados, a pessoa paga mensalidade.

Ou seja: até dado íntimo já é produto. E o vendedor sempre vem uma proposta "simpática". Quem não quer pagar menos????

Tem gente que descobriu arritmia pelo relógio e chegou no médico a tempo (isto é maravilhoso). Prevenção real, vida salva de verdade. E tem o outro lado: se o desconto existe pra quem entrega o dado, o preço cheio vira multa de quem não entrega. Quem dorme mal, trabalha de noite, tem doença crônica... paga mais. Ou seja, somos equalizados pelos dados que fornecemos....

"Desconto" é o nome simpático que a "precificação" escolheu para segregar os saudáveis? Eu to ferrado, porque durmo mal para caramba...

Vocês entregariam o sono e o coração de vocês pra pagar menos plano? Acham que isso é a seguradora comprando o corpo aos poucos (acho que exagerei um pouco na neura kkk)?

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u/daniel_baruc_es — 8 days ago

Por que será que as pessoas se ofendem quando alguém discorda delas?

Um dia eu afirmei aqui no Reddit para uma pessoa estranha que não concordava com ela, mas respeitava a opinião dela.

Esse pessoa reagiu como se eu estivesse ofendendo ela como pessoa e não apenas vendo a questão por um ponto diferente.

Vocês se sentem ameaçados se alguém tem uma opinião diferente da sua?

Conhecem alguém que fica muito frustrado ao ser questionado em suas crenças?

Já perceberam que quando pessoas discutem, a possibilidade de um dos lados admitir que está equivocado é muito pequena.

E por que pessoas se importam com o que um estranho pensa sobre elas?

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u/Mental_Plum_9047 — 8 days ago
▲ 101 r/conversasserias+1 crossposts

Todo serviço novo só oferece "entrar com Google", "gov.br", etc... e acho isso um risco mal calculado

Ontem fui criar conta num serviço novo e a opção de email e senha quase não existia (precisou de alguns clicks). Era entrar com Google, Microsoft ou entrar com Apple.

Fiz a conta na hora: meu login do Google hoje abre email, fotos de dez anos, documentos, backup do celular e uns 30 sites por login social (eu não usava isto antes, mas acabei centralizando por comodidade)...

Aí lembrei de um caso que o New York Times contou em 2022. Um pai em San Francisco fotografou uma infecção do filho pequeno pra mandar pro pediatra, na pandemia. (não estou afirmando que é correto mandar por foto... apenas citando um fato)... a verdadeira discussão está na última frase galera... fonte: https://www.nytimes.com/2022/08/21/technology/google-surveillance-toddler-photo.html

O algoritmo do Google marcou as fotos como abuso infantil e derrubou a conta inteira. A polícia investigou e inocentou o homem. O Google não devolveu a conta mesmo assim :(

O detalhe que me incomoda: não teve juiz. Foi termo de uso.

E vejo os dois lados. Login único é menos phishing, menos senha repetida, menos senha esquecida. Tecnicamente é mais seguro mesmo. Só que a gente foi empilhando a vida inteira atrás de uma porta só... de uma empresa que não tem balcão pra recorrer.

Se a sua conta principal caísse hoje, sem aviso e sem recurso, quanto da sua vida cai junto?

u/daniel_baruc_es — 10 days ago

Me sinto um humano do filme Matrix sendo consumido por sua energia vital.

Sinto que a tecnologia já passou há um bom tempo do sentido de facilitar a vida para chegar cada vez mais perto de uma sociedade do Wall-E ou até mesmo do Matrix, que os humanos viraram pilhas para as máquinas.

Eu tenho 21 anos. Cresci rodeado de tecnologia. Aprendi a mexer com um computador aos 6 anos de idade. Isso obviamente vai depender da realidade de cada um, é óbvio que não são todos que tiveram isso e eu reconheço minha criação até um pouco privilegiada. Onde quero chegar é que hoje em dia, não existe mais absolutamente nada que não se faça sem apoio de um celular ou de um computador.

Eu sinto que os últimos 40 a 50 anos foram os melhores para se construir a vida. O mundo era muito mais desconectado e mais orgânico. Estamos todos viciados em redes sociais, celulares, vídeos curtos. Meu cérebro frita todos os dias, tenho um brain fog fodido.

Isso que eu sou casado, já trabalho e ganho razoavelmente bem. Tenho opções de lazer e minha esposa é maravilhosa. Eu fico triste só de imaginar uma pessoa cuja única rotina seja trabalhar 6x1, 7x0, ganhar um salário mínimo e ter como único entretenimento os stories da Virgínia.

Onde vamos parar?

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u/Material_Cod4096 — 8 days ago

A teoria da 'hipergamia' é uma distorção da realidade

(Adendo inicial: este post não é sobre saúde mental. Acho, sim, que os homens devem desabafar e se abrir, e acho uma palhaçada essa história de que 'homem não chora'. Minha crítica é aos incels da internet)

Andei me deparando com uma teoria da internet chamada 'hipergamia'. Explicação do Gemini:

' Mostra uma dinâmica em que uma pequena minoria de homens (no topo) recebe quase toda a atenção de todas as mulheres. Como resultado, os homens que estão no meio ou na base do gráfico ficam sem opções, pois as mulheres supostamente preferem dividir a atenção de um homem de alto valor do que ficar com um homem mediano.'

Aí eu fui ver os homens comentando. A maioria fala que 'elas querem cada vez mais e oferecem cada vez menos', e, para mim, essa é a maior burrice que já vi. A nossa sociedade moderna sempre foi baseada na ideia de que o mais bonito sempre ganha mais atenção. Isso vale tanto para o homem quanto para a mulher. Aqueles que não têm uma aparência favorável tentam compensar na personalidade, mimando e assim por diante.

Os que comentam aquilo que eu falei antes são uns caras de aparência extremamente desfavorável, que não querem ter o esforço de ir atrás e também não tentam melhorar a própria aparência (sem problema se a pessoa não quer mudar a aparência, mas então que se esforce mais para conquistar), e ainda assim querem umas mulheres extremamente bonitonas.

Eu, como homem gay, vejo isso de fora e tenho uma visão mais realista. Sinceramente, a mulher geralmente se atrai bem mais pelo jeito que o homem a trata. Tenho várias amigas que são muito lindas, e a maioria das que estão namorando está com caras extremamente 'feios', mas que as conquistaram dando um tratamento de princesa. Falando sério, de 10 mulheres, apenas umas 2 vão realmente se importar com a aparência.

Em suma eu aponto que os caras que reclamam que "as mulheres querem cada vez mais" são os mesmos que não investem o mínimo em si mesmos. Eles criam uma expectativa irreal de que merecem uma parceira com aparência de modelo, sem oferecer nada em troca (nem beleza, nem carisma, nem ambição). É uma projeção das próprias inseguranças.

Agora que apresentei meu ponto de vista, eu queria saber a opinião pessoal sobre esse tema, vocês também acham isso uma loucura ou tem um fundo de verdade?

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u/Automatic-Victory919 — 9 days ago

Percebi que só mantenho hábito quando ele vira número num app (tempo de tela, por exemplo) e isso me incomoda....

Em 2016 o Nobel de Medicina foi pro estudo da autofagia. Desde então, todo mundo que jejua me explica o jejum com essa palavra. Ninguém mais jejua por disciplina ou por fé: jejua pela autofagia.

Fui olhar minha rotina e sou igual. Meditação com minutos contados no app. Caminhada que só vale se o relógio registrar. Leitura com meta anual. Gratidão porque saiu estudo dizendo que funciona. Até rezar hoje tem aplicativo com sequência de dias, tipo Duolingo!!! (adoro o marketing deles)

Aí caiu a ficha no chuveiro (sim, eu tomo banho): se eu só mantenho o que rende número, eu não tenho hábitos, tenho assinaturas (mesmo sem assinar nada, minha mente parece estar condicionada à isto). O que não performa eu cancelo, igual streaming ou assinatura de app...

E vejo o lado bom, sem ironia. O número ajuda a começar, sem a sequência eu não teria meditado nem uma semana. Medir funciona mesmo, como treinamento para meu cérebro.

Só que as coisas mais importantes da minha vida não rendem número nenhum. Visitar minha mãe, ouvir amigo em crise, ficar à toa com meu filho, etc... Zero painel. E são justamente as que eu mais adio (principalmente iniciar a academia)...

A gente ainda sustenta alguma coisa sem medir, ou disciplina agora é só o que o aparelho consegue contar?

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u/daniel_baruc_es — 9 days ago

Eu não aguento mais guerra de sexo

Sério, toda rede social que você entra, vc se depara com posts como “mulher é tudo puta” “homem sao imprestaveis” e etc etc, é sempre uma guerra de sexo, é sempre post xingando mulher e ganhando curtida e post xingando homem e ganhando curtida tbm, e são sempre umas generalizações fudidas, de ambas as partes, como se homens e mulheres n fossem todos pessoas com suas particularidades e individualidades, posts como “mulher gosta de homem com dinheiro” ou “homem sempre vai te trair” me irritam pq a pessoa que o faz sempre pega uma experiência/visao pessoal e faz esses posts generalizando ao extremo.

Acho que isso acontece pq, é sempre mais fácil achar alguma coisa pra botar a culpa, por exemp, homens incels geralmente tem mt dificuldade para se relacionar e consequentemente são frustado por isso, portanto para muitos deles, é mais fácil repetir um discurso de que mulher é tudo puta, que só se interessa por dinheiro e status, logo, a culpa de ser frustado em relacionamento passa a ser das mulheres e não dele. Acontece algo similar com as mulheres, uma mulher que tem algum trauma de relacionamento vai fazer várias generalizações sobre homens como “todos eles traem” pq dessa forma fica mais fácil de despejar a frustração que ela teve de relacionamentos anteriores

Enfim, esse tipo de guerra “menino x meninas” é algo que sinto que vem crescendo mt nos últimos anos, realmente n da pra entrar em nenhuma rede social sem se deparar com posts assim, e é algo que realmente me cansa

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u/IntelligentDrama539 — 12 days ago

Por que homens tem mais dificuldade com terapia?

É isso o post. Percebo que muitos homens que conheço e tive em meu convívio social que fizeram terapia ou passaram por tratamentos psicológicos tem maior dificuldade com tal.

Ouvi comentários sobre como terapia não funciona, que tentaram diferentes profissionais e nada ajudou, que é besteira, etc. Como uma mulher que faz terapia com muitas mulheres que também fazem e tem resultados muito bons, me pergunto o motivo dessa diferença.

Tenho minhas suspeitas que seja pelo machismo estrutural "homem não pode ser vulnerável" "homem não chora", que meio que cria um bloqueio emocional mais difícil de ser abordado em tais tratamentos.

Não sou maior entendedora da história da psicologia, mas pelo que sei, essa ciência foi inicialmente desenvolvida por homens e com objetos de estudo principalmente homens. Sendo que atualmente percebo que o campo da psicologia é dominado por mulheres (assim percebo observando estudantes em faculdades, profissionais nas clínicas). Acho isso muito bom. Porém me pergunto se esse é um dos motivos que afastam homens de tratamentos psicológicos.

Pessoas do sub, o que acham?

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u/Abelha-o — 11 days ago

Tudo tá ficando igual: os carros, os cafés e agora até o jeito de escrever. Isso incomoda mais alguém??

Oito em cada dez carros novos no mundo saem em branco, preto, cinza ou prata. O dado é da Axalta, que fabrica tinta de carro. Olha pro estacionamento da sua rua e confere....

Daí você entra numa cafeteria: parede de tijolinho, plantinha pendurada, letreiro neon. A mesma loja em São Paulo, Lisboa, Seul. Alguém já percebeu isto?

Achei que era só estética, até sair um estudo de Cornell. Botaram americanos e indianos pra escrever com sugestão de IA ligada. Os textos convergiram, e convergiram pro lado americano. O autocomplete foi lixando o "estilo próprio" de cada um.

Tem outra medição, da Science Advances: um em cada sete resumos científicos de 2024 já tem a digital do chat. As mesmas palavrinhas favoritas da máquina aparecendo em tudo.

A média virou molde. E, ser médio é tudo que o sistema quer... Já que, a gente não precisa pensar, só receber sugestão.

E ninguém obrigou ninguém. A gente só aceita o topo da lista: a cor que revende melhor, o café que fotografa melhor, a frase que já veio pronta, etc...

Vejo dois lados. Um diz que sempre foi assim, moda existe desde sempre, humano copia humano, só mudou a escala. O outro diz que agora o funil é um só: quando o mesmo sistema sugere pra bilhões ao mesmo tempo, a tendência não tem contrapeso, e a diferença vira defeito de fabricação.

Pra vocês: isso é a moda de sempre em escala maior, ou a gente terceirizou o gosto e nem percebeu? Quando você decidiu por si sem sugestão?

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u/daniel_baruc_es — 12 days ago

Três em cada quatro psicólogos americanos dizem que os pacientes já levam a IA pra dentro da terapia. Desabafar com máquina é remédio ou sintoma?

Saiu pesquisa da APA, a associação dos psicólogos dos EUA, feita com 1.242 profissionais em abril. Mais de 75% disseram que os pacientes chegam no consultório falando de IA: gente usando como apoio emocional entre as sessões, gente que chega com diagnóstico pronto da internet, gente que descreve a IA como amiga. Teve até paciente relatando relacionamento amoroso com o chat.

No Brasil a conversa é parecida. Um estudo da Sentio University estima que entre usuários de IA com algum problema de saúde mental, quase metade usa a ferramenta como apoio emocional. Ansiedade lidera, com 73%.

Eu entendo o motivo... Eu conheço uma startup de amigo que faz exatamente isto: vende uma IA de apoio emocional para empresas entregarem à seus profissionais. Para eles é de graça, atende às 3 da manhã, não se cansa de você, não julga, etc...

Só que fico pensando no depois. O psicólogo tem sigilo com conselho e registro. O padre tem segredo de confissão. O chat tem termos de uso :(

Ninguém entrega mais de si do que quem está sofrendo.

Vejo dois lados. Um diz: melhor desabafar com a máquina do que engolir sozinho, saúde mental é urgência, terapia é cara e fila pública não anda, quem nunca teve acesso agora tem alguma coisa. O outro diz: escuta sem vínculo é anestesia, alivia a noite e desacostuma a gente de procurar gente, e ainda por cima o desabafo vira dado de treino em servidor de empresa.

Sinceramente não sei de que lado eu tô.

Pra vocês, desabafar com uma IA de madrugada é acesso a cuidado que não existia, ou é a solidão sendo revendida como serviço?

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u/daniel_baruc_es — 13 days ago