Empresa que só atende por aplicativo está barrando gente na porta, e acho que a gente normalizou isso rápido demais (E, a Caixa tem fila virtual, já que Brasileiro adora fila kkk)

Saiu uma pesquisa do Procon-SP com 723 pessoas de 60 anos ou mais (to chegando lá kkk). Metade delas, 51%, disse que não conseguiu comprar um produto ou contratar um serviço porque a empresa só atendia por aplicativo. (olhe os bancos digitais ai ! )

Outro número da mesma pesquisa: 92% dessa turma tem internet e usa aplicativo. Então não é o velhinho que não tem celular. É o app que não atende.

O detalhe que ninguém discute: o balcão antigo tinha uma pessoa com poder de resolver por fora. O totem não tem. É sistêmico.

Um lado diz que digitalizar incluiu muito mais gente do que excluiu, e é verdade, porque quem morava longe de agência nunca foi atendido mesmo. Fila de quatro horas também era exclusão. Distância era exclusão...

O outro lado diz que eficiência não pode se pagar com quem não cabe no formulário, e que atendimento humano deveria ser obrigatório por lei em serviço essencial. (desconheço alguma lei que obrigue ser atendimento humano... se tiverem sugestão, mandem aqui)

Atendimento humano devia ser obrigatório em serviço essencial, mesmo custando caro e mesmo sendo mais lento pra todo mundo? Ou quem não se adapta agora é problema da família e não da empresa?

Desculpa o texto meio solto, escrevi de cabeça quente depois de outra ligação de meia hora com um chat.

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u/daniel_baruc_es — 1 day ago

Em serviço essencial, é obrigatório atendimento humano??

Saiu uma pesquisa do Procon-SP com 723 pessoas de 60 anos ou mais (to chegando lá kkk). Metade delas, 51%, disse que não conseguiu comprar um produto ou contratar um serviço porque a empresa só atendia por aplicativo. (olhe os bancos digitais ai ! )

Outro número da mesma pesquisa: 92% dessa turma tem internet e usa aplicativo. Então não é o velhinho que não tem celular. É o app que não atende.

O detalhe que ninguém discute: o balcão antigo tinha uma pessoa com poder de resolver por fora. O totem não tem. É sistêmico.

Um lado diz que digitalizar incluiu muito mais gente do que excluiu, e é verdade, porque quem morava longe de agência nunca foi atendido mesmo. Fila de quatro horas também era exclusão. Distância era exclusão...

O outro lado diz que eficiência não pode se pagar com quem não cabe no formulário, e que atendimento humano deveria ser obrigatório por lei em serviço essencial. (desconheço alguma lei que obrigue ser atendimento humano... se tiverem sugestão, mandem aqui)

Atendimento humano devia ser obrigatório em serviço essencial, mesmo custando caro e mesmo sendo mais lento pra todo mundo? Ou quem não se adapta agora é problema da família e não da empresa?

Desculpa o texto meio solto, escrevi de cabeça quente depois de outra ligação de meia hora com um chat.

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u/daniel_baruc_es — 1 day ago

51% das pessoas acima de 60 já desistiram de uma compra porque a empresa só atende por app, e 92% delas usam internet. O problema não é acesso

Saiu uma pesquisa do Procon-SP com 723 pessoas de 60 anos ou mais (to chegando lá kkk). Metade delas, 51%, disse que não conseguiu comprar um produto ou contratar um serviço porque a empresa só atendia por aplicativo. (olhe os bancos digitais ai ! )

Outro número da mesma pesquisa: 92% dessa turma tem internet e usa aplicativo. Então não é o velhinho que não tem celular. É o app que não atende.

O detalhe que ninguém discute: o balcão antigo tinha uma pessoa com poder de resolver por fora. O totem não tem. É sistêmico.

Um lado diz que digitalizar incluiu muito mais gente do que excluiu, e é verdade, porque quem morava longe de agência nunca foi atendido mesmo. Fila de quatro horas também era exclusão. Distância era exclusão...

O outro lado diz que eficiência não pode se pagar com quem não cabe no formulário, e que atendimento humano deveria ser obrigatório por lei em serviço essencial. (desconheço alguma lei que obrigue ser atendimento humano... se tiverem sugestão, mandem aqui)

Atendimento humano devia ser obrigatório em serviço essencial, mesmo custando caro e mesmo sendo mais lento pra todo mundo? Ou quem não se adapta agora é problema da família e não da empresa?

Desculpa o texto meio solto, escrevi de cabeça quente depois de outra ligação de meia hora com um chat.

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u/daniel_baruc_es — 1 day ago

Mais da metade da música nova que sobe pro streaming já é feita por IA. Estamos perdendo o gosto de fazer as coisas com esforço e criatividade :(

A Deezer divulgou em julho que passou de 50% o número de faixas novas geradas por IA que entram na plataforma por dia. São umas 90 mil músicas diárias. Em abril eram 44%, e no começo de 2025 eram 10%. A empresa mesma diz que 85% disso é classificado como fraude e fica desmonetizado.

Eu sou músico autodidata. Sei exatamente quanto custa tirar uma música decente de um instrumento, e sei que hoje eu teria a mesma música em nove segundos, digitando uma frase.

Aí li outra coisa que me deixou pior. Saiu um estudo revisado por pares no Journal of Consumer Research, feito por gente de Harvard, medindo que conversar com companheiro de IA alivia a solidão quase no mesmo nível de conversar com pessoa. O que faz efeito, segundo eles, é a sensação de ser ouvido. Tem outro estudo deste ano dizendo o contrário no longo prazo, que alivia agora e piora depois. Eu não sei em quem acreditar kkkk

Ser ouvido sem ninguém ouvindo. Parece utopia demais. isso me parece a frase mais scifi que existe.

Não é que eu ache o resultado ruim. Muita coisa gerada por máquina é boa mesmo, e conversa artificial numa noite ruim salva alguém, isso é fato! Um amigo tem uma startup de terapia online... disse que já salvou muita gente em crise de madrugada....

O que me incomoda é que a parte difícil era o que fazia a coisa valer. O calo no dedo, o amigo chato que atrasa, o silêncio de quem espera resposta e não recebe (vzinho azul do whatsapp gerava inumeros pensamentos.. a IA coloca um "thinking" e a gente fica aliviado kkk)

O que vocês ainda fazem do jeito difícil de propósito, mesmo existindo atalho? E quem faz do jeito fácil está perdendo alguma coisa de verdade, ou é só nostalgia da nossa parte...

Enfim, é isso. Fiquei pensando nisso a semana toda e não cheguei em lugar nenhum.

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u/daniel_baruc_es — 3 days ago

Mais da metade da música nova que sobe pro streaming já é feita por IA. Estamos perdendo o gosto de fazer as coisas com esforço e criatividade :(

A Deezer divulgou em julho que passou de 50% o número de faixas novas geradas por IA que entram na plataforma por dia. São umas 90 mil músicas diárias. Em abril eram 44%, e no começo de 2025 eram 10%. A empresa mesma diz que 85% disso é classificado como fraude e fica desmonetizado.

Eu sou músico autodidata. Sei exatamente quanto custa tirar uma música decente de um instrumento, e sei que hoje eu teria a mesma música em nove segundos, digitando uma frase.

Aí li outra coisa que me deixou pior. Saiu um estudo revisado por pares no Journal of Consumer Research, feito por gente de Harvard, medindo que conversar com companheiro de IA alivia a solidão quase no mesmo nível de conversar com pessoa. O que faz efeito, segundo eles, é a sensação de ser ouvido. Tem outro estudo deste ano dizendo o contrário no longo prazo, que alivia agora e piora depois. Eu não sei em quem acreditar kkkk

Ser ouvido sem ninguém ouvindo. Parece utopia demais. isso me parece a frase mais scifi que existe.

Não é que eu ache o resultado ruim. Muita coisa gerada por máquina é boa mesmo, e conversa artificial numa noite ruim salva alguém, isso é fato! Um amigo tem uma startup de terapia online... disse que já salvou muita gente em crise de madrugada....

O que me incomoda é que a parte difícil era o que fazia a coisa valer. O calo no dedo, o amigo chato que atrasa, o silêncio de quem espera resposta e não recebe (vzinho azul do whatsapp gerava inumeros pensamentos.. a IA coloca um "thinking" e a gente fica aliviado kkk)

O que vocês ainda fazem do jeito difícil de propósito, mesmo existindo atalho? E quem faz do jeito fácil está perdendo alguma coisa de verdade, ou é só nostalgia da nossa parte...

Enfim, é isso. Fiquei pensando nisso a semana toda e não cheguei em lugar nenhum.

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u/daniel_baruc_es — 3 days ago

Quanto tempo faz que você não escrevo uma frase sem tecnologia sugerindo a próxima palavra???

Já faz tempo que eu não escrevo sozinho......

Abro o e mail e a frase já vem como sugestão. Uma sugestão em cinza, adiantada, quase sempre razoável. Aperto tab e aceito. Foi rápido, foi razoável, o dia seguiu. Economizei tempo....

Quando lançou esse recurso, o Google informou que ele já poupava mais de um bilhão de caracteres por semana. Um bilhão de caracteres que alguém ia escrever de um jeito e escreveu do jeito sugerido.

A sugestão quase nunca está errada. É por isso que ela passa. Não me recordo de algo muito fora do contexto.

Tem duas pesquisas que ficaram na minha cabeça. Mueller e Oppenheimer, 2014, na Psychological Science: quem anotava aula à mão ia melhor nas perguntas conceituais do que quem digitava, porque à mão não dá pra transcrever tudo e você é obrigado a resumir com palavra sua.

E, um estudo da NTNU, da Noruega, publicado na Frontiers in Psychology em 2024, mediu conectividade cerebral mais ampla escrevendo à mão do que teclando.

Quero voltar a escrever à mão por teimosia, já que a comodidade e conveniência é "saborosa"... Acho que vai me surpreender e me lembrar de coisas passadas!

Vejo dois lados e os dois têm razão, em partes:

  • um diz que é ferramenta, igual corretor ortográfico, ninguém é obrigado a apertar a seta, e reclamar disso é romantismo de quem tem tempo sobrando.
  • o outro diz que quando a mesma sugestão chega pra milhões de pessoas na mesma hora, ela não está completando a frase, está escolhendo, e a gente vai ficando parecido sem perceber que ficou.

Pra vocês: aceitar a sugestão que está certa é só economia de tempo, ou é ir perdendo aos poucos o jeito próprio de dizer as coisas???

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u/daniel_baruc_es — 3 days ago

Quanto tempo faz que você não escrevo uma frase sem tecnologia sugerindo a próxima palavra???

Já faz tempo que eu não escrevo sozinho......

Abro o e mail e a frase já vem como sugestão. Uma sugestão em cinza, adiantada, quase sempre razoável. Aperto tab e aceito. Foi rápido, foi razoável, o dia seguiu. Economizei tempo....

Quando lançou esse recurso, o Google informou que ele já poupava mais de um bilhão de caracteres por semana. Um bilhão de caracteres que alguém ia escrever de um jeito e escreveu do jeito sugerido.

A sugestão quase nunca está errada. É por isso que ela passa. Não me recordo de algo muito fora do contexto.

Tem duas pesquisas que ficaram na minha cabeça. Mueller e Oppenheimer, 2014, na Psychological Science: quem anotava aula à mão ia melhor nas perguntas conceituais do que quem digitava, porque à mão não dá pra transcrever tudo e você é obrigado a resumir com palavra sua.

E, um estudo da NTNU, da Noruega, publicado na Frontiers in Psychology em 2024, mediu conectividade cerebral mais ampla escrevendo à mão do que teclando.

Quero voltar a escrever à mão por teimosia, já que a comodidade e conveniência é "saborosa"... Acho que vai me surpreender e me lembrar de coisas passadas!

Vejo dois lados e os dois têm razão, em partes:

  • um diz que é ferramenta, igual corretor ortográfico, ninguém é obrigado a apertar a seta, e reclamar disso é romantismo de quem tem tempo sobrando.
  • o outro diz que quando a mesma sugestão chega pra milhões de pessoas na mesma hora, ela não está completando a frase, está escolhendo, e a gente vai ficando parecido sem perceber que ficou.

Pra vocês: aceitar a sugestão que está certa é só economia de tempo, ou é ir perdendo aos poucos o jeito próprio de dizer as coisas???

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u/daniel_baruc_es — 3 days ago

A gente fala "minha conta" o dia inteiro, mas juridicamente ela não é nossa, e acho isso mais sério do que parece....

O que está escrito é "licença de uso", pessoal, intransferível e revogável. Não é pegadinha, é a estrutura padrão de serviço hospedado. Só que a palavra que a gente usa no dia a dia é outra.

A prova prática disso é meio desconfortável de olhar, e veio das próprias empresas. Apple tem o contato de legado, Google tem o gerenciador de contas inativas, Meta tem o contato herdeiro e o perfil memorializado.

Ou seja: casa entra em inventário, carro entra, saldo em banco entra. Conta de plataforma precisa de um formulário dentro da própria plataforma, preenchido em vida!

E olha, a LGPD dá portabilidade de dados e isso é bom de verdade. Você pede o arquivo e leva embora. Só que ninguém porta reputação. Nota de motorista, avaliação de vendedor, dez anos de histórico, a lista de quem te conhece... nada disso sai de lá.

Você exporta o que escreveu. Não exporta o que você virou lá dentro.

Vejo dois lados e os dois têm um pedaço de razão. Um diz que a infraestrutura é da empresa, o custo é dela, o risco é dela, e quem não gosta baixa os dados e muda de serviço. O outro diz que no momento em que o cadastro virou a porta do banco, do trabalho e do governo, chamar isso de "serviço privado" ficou pequeno demais.

Não tenho a solução, só sei que a palavra "minha" ali está errada faz tempo.

Pra vocês: conta de plataforma devia ganhar algum estatuto parecido com bem, com direito de recurso e de sucessão, ou é serviço privado mesmo e cada um que aguente as regras de quem hospeda?

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u/daniel_baruc_es — 4 days ago

A gente fala "minha conta" o dia inteiro, mas juridicamente ela não é nossa, e acho isso mais sério do que parece....

O que está escrito é "licença de uso", pessoal, intransferível e revogável. Não é pegadinha, é a estrutura padrão de serviço hospedado. Só que a palavra que a gente usa no dia a dia é outra.

A prova prática disso é meio desconfortável de olhar, e veio das próprias empresas. Apple tem o contato de legado, Google tem o gerenciador de contas inativas, Meta tem o contato herdeiro e o perfil memorializado.

Ou seja: casa entra em inventário, carro entra, saldo em banco entra. Conta de plataforma precisa de um formulário dentro da própria plataforma, preenchido em vida!

E olha, a LGPD dá portabilidade de dados e isso é bom de verdade. Você pede o arquivo e leva embora. Só que ninguém porta reputação. Nota de motorista, avaliação de vendedor, dez anos de histórico, a lista de quem te conhece... nada disso sai de lá.

Você exporta o que escreveu. Não exporta o que você virou lá dentro.

Vejo dois lados e os dois têm um pedaço de razão. Um diz que a infraestrutura é da empresa, o custo é dela, o risco é dela, e quem não gosta baixa os dados e muda de serviço. O outro diz que no momento em que o cadastro virou a porta do banco, do trabalho e do governo, chamar isso de "serviço privado" ficou pequeno demais.

Não tenho a solução, só sei que a palavra "minha" ali está errada faz tempo.

Pra vocês: conta de plataforma devia ganhar algum estatuto parecido com bem, com direito de recurso e de sucessão, ou é serviço privado mesmo e cada um que aguente as regras de quem hospeda?

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u/daniel_baruc_es — 4 days ago

A gente fala "minha conta" o dia inteiro, mas juridicamente ela não é nossa, e acho isso mais sério do que parece....

O que está escrito é "licença de uso", pessoal, intransferível e revogável. Não é pegadinha, é a estrutura padrão de serviço hospedado. Só que a palavra que a gente usa no dia a dia é outra.

A prova prática disso é meio desconfortável de olhar, e veio das próprias empresas. Apple tem o contato de legado, Google tem o gerenciador de contas inativas, Meta tem o contato herdeiro e o perfil memorializado.

Ou seja: casa entra em inventário, carro entra, saldo em banco entra. Conta de plataforma precisa de um formulário dentro da própria plataforma, preenchido em vida!

E olha, a LGPD dá portabilidade de dados e isso é bom de verdade. Você pede o arquivo e leva embora. Só que ninguém porta reputação. Nota de motorista, avaliação de vendedor, dez anos de histórico, a lista de quem te conhece... nada disso sai de lá.

Você exporta o que escreveu. Não exporta o que você virou lá dentro.

Vejo dois lados e os dois têm um pedaço de razão. Um diz que a infraestrutura é da empresa, o custo é dela, o risco é dela, e quem não gosta baixa os dados e muda de serviço. O outro diz que no momento em que o cadastro virou a porta do banco, do trabalho e do governo, chamar isso de "serviço privado" ficou pequeno demais.

Não tenho a solução, só sei que a palavra "minha" ali está errada faz tempo.

Pra vocês: conta de plataforma devia ganhar algum estatuto parecido com bem, com direito de recurso e de sucessão, ou é serviço privado mesmo e cada um que aguente as regras de quem hospeda?

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u/daniel_baruc_es — 4 days ago
▲ 23 r/conversasserias+1 crossposts

Se um sistema te reconhece pela combinação dos seus aparelhos e nunca sabe o seu nome, isso ainda é dado pessoal? (lá vem textão)

Saiu ontem no Gizmodo Brasil: a empresa Leonardo está vendendo pra forças de segurança nos EUA um sistema chamado SignalTrace, que inverte a lógica da vigilância. Link: https://www.gizmodo.com.br/uma-nova-tecnologia-transforma-os-dispositivos-que-carregamos-em-uma-especie-de-rastro-digital-63914

Em vez de bater a placa numa câmera e correr atrás do dono, ele capta os identificadores que os aparelhos emitem sozinhos: celular, smartwatch, fones, multimídia do carro, etiqueta eletrônica, etc...

Um sinal solto não diz nada. A combinação repetida vira o que eles chamam de "impressão digital eletrônica", e passa a ser reconhecida toda vez que reaparece, inclusive nas vezes em que a placa não foi registrada. Pesquisadores independentes acharam quatro instalações compatíveis em Oxon Hill, Maryland, operadas pela polícia do condado.

A empresa diz que não acessa conteúdo de comunicação, só sinais e identificadores. Tecnicamente correto. Só que a nossa lei fala de dado relativo a pessoa natural "identificada ou identificável". Identificável é a palavra que salva ou derruba o argumento inteiro, e ninguém quer discutir ela.

E tem um estudo publicado na Scientific Reports, com dados de mobilidade de 1,5 milhão de pessoas, mostrando que quatro pares de lugar e hora bastam pra distinguir 95% delas. Quatro.

O nome virou a última informação a aparecer. Agora somos medidos pelos "metadados" :(

Existem dois lados.

Um diz: é pista e não é prova, ajuda em carro clonado e placa fria, ninguém está lendo mensagem de ninguém, e sensor em espaço público capta o que está no ar.

O outro diz: se o padrão te reconhece sempre que você aparece, o nome é detalhe burocrático, e chamar isso de dado anônimo é escolher a palavra que dá menos trabalho.

Sinceramente, acho que a discussão inteira está presa na palavra errada.

Pra vocês, a combinação de aparelhos que você carrega é dado pessoal seu, ou é sinal solto no ar que qualquer um pode captar?

u/daniel_baruc_es — 6 days ago

Milhares de suecos implantaram chip na mão pra pagar e abrir porta..... Praticidade ou a gente virando o próprio cartão???

Fui atrás dos números depois que vi um vídeo de "implant party" na Suécia. As matérias de 2018 já falavam em mais de 4 mil suecos com um chip do tamanho de um grão de arroz implantado entre o polegar e o indicador. A ferrovia estatal de lá, a SJ, aceitava o chip como bilhete de trem desde 2017. E tem empresa, a Walletmor, vendendo implante de pagamento desde 2021.

Não é coisa distante de laboratório. Nos EUA a Amazon cadastrou a palma da mão como cartão em centenas de lojas. Aqui no Brasil o embarque por rosto já roda em vários aeroportos, e a aproximação já é uns dois terços das compras presenciais pela conta da Abecs.

Cartão a gente cancela. Mão não. (que frase sem sentido... claro que dá pra cancelar o RFID contido nela)....

O lado da praticidade eu entendo, e é real: não tem como esquecer, não tem como furtar, mão não descarrega (to com celular viciado... tenho que levar powerbank para todo lado). Quem implantou relata que esquece que o chip existe!

O outro lado é o que me trava. Primeiro que é debaixo da pele, não tem "desinstalar" fácil. Mas tem como remover claro....

Segundo que todo desconto de adesão vira, com o tempo, multa de quem recusa: quem não entrega a palma, o rosto, o chip... vai pagando mais caro ou esperando na fila mais lenta. (olhe os CPFs nas farmácias).... Aí a escolha vira meio de mentira. Vi caso de algo que custava R$ 130 e com CPF custava R$ 30 (nem é preço de alavancagem.. é desonestidade mesmo)...

E tem o detalhe cultural: quase todo mundo que vê isso lembra na hora da "marca na mão" do Apocalipse (sim eu sei que o livro contém alegorias).

Não sou de misturar Bíblia com tecnologia, mas acho curioso a imagem que a humanidade passou séculos temendo como imposição estar chegando como conveniência, com fila e hora marcada.

Vocês implantariam? E se recusar começar a sair mais caro, ainda dá pra chamar de escolha?

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u/daniel_baruc_es — 7 days ago

Milhares de suecos implantaram chip na mão pra pagar e abrir porta..... Praticidade ou a gente virando o próprio cartão???

Fui atrás dos números depois que vi um vídeo de "implant party" na Suécia. As matérias de 2018 já falavam em mais de 4 mil suecos com um chip do tamanho de um grão de arroz implantado entre o polegar e o indicador. A ferrovia estatal de lá, a SJ, aceitava o chip como bilhete de trem desde 2017. E tem empresa, a Walletmor, vendendo implante de pagamento desde 2021.

Não é coisa distante de laboratório. Nos EUA a Amazon cadastrou a palma da mão como cartão em centenas de lojas. Aqui no Brasil o embarque por rosto já roda em vários aeroportos, e a aproximação já é uns dois terços das compras presenciais pela conta da Abecs.

Cartão a gente cancela. Mão não. (que frase sem sentido... claro que dá pra cancelar o RFID contido nela)....

O lado da praticidade eu entendo, e é real: não tem como esquecer, não tem como furtar, mão não descarrega (to com celular viciado... tenho que levar powerbank para todo lado). Quem implantou relata que esquece que o chip existe!

O outro lado é o que me trava. Primeiro que é debaixo da pele, não tem "desinstalar" fácil. Mas tem como remover claro....

Segundo que todo desconto de adesão vira, com o tempo, multa de quem recusa: quem não entrega a palma, o rosto, o chip... vai pagando mais caro ou esperando na fila mais lenta. (olhe os CPFs nas farmácias).... Aí a escolha vira meio de mentira. Vi caso de algo que custava R$ 130 e com CPF custava R$ 30 (nem é preço de alavancagem.. é desonestidade mesmo)...

E tem o detalhe cultural: quase todo mundo que vê isso lembra na hora da "marca na mão" do Apocalipse (sim eu sei que o livro contém alegorias).

Não sou de misturar Bíblia com tecnologia, mas acho curioso a imagem que a humanidade passou séculos temendo como imposição estar chegando como conveniência, com fila e hora marcada.

Vocês implantariam? E se recusar começar a sair mais caro, ainda dá pra chamar de escolha?

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u/daniel_baruc_es — 7 days ago

Vocês entregariam os dados do sono e do coração pro plano de saúde em troca de desconto???

Em 2018 a John Hancock, uma das maiores seguradoras de vida dos EUA, anunciou que não venderia mais apólice tradicional. Toda apólice nova passou a vir com um programa que acompanha os dados de atividade do cliente: quem se mexe mais (pratica esportes), paga menos. Isso foi há oito anos, através do Oura Ring, anel inteligente...

Agora olha o que um anel no dedo já mede hoje: estágio do sono, batimento, variabilidade cardíaca, temperatura, etc... Na pandemia teve estudo mostrando que dava pra pegar infecção dias antes do sintoma. E pra ver os próprios dados, a pessoa paga mensalidade.

Ou seja: até dado íntimo já é produto. E o vendedor sempre vem uma proposta "simpática". Quem não quer pagar menos????

Tem gente que descobriu arritmia pelo relógio e chegou no médico a tempo (isto é maravilhoso). Prevenção real, vida salva de verdade. E tem o outro lado: se o desconto existe pra quem entrega o dado, o preço cheio vira multa de quem não entrega. Quem dorme mal, trabalha de noite, tem doença crônica... paga mais. Ou seja, somos equalizados pelos dados que fornecemos....

"Desconto" é o nome simpático que a "precificação" escolheu para segregar os saudáveis? Eu to ferrado, porque durmo mal para caramba...

Vocês entregariam o sono e o coração de vocês pra pagar menos plano? Acham que isso é a seguradora comprando o corpo aos poucos (acho que exagerei um pouco na neura kkk)?

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u/daniel_baruc_es — 8 days ago

Vocês entregariam os dados do sono e do coração pro plano de saúde em troca de desconto???

Em 2018 a John Hancock, uma das maiores seguradoras de vida dos EUA, anunciou que não venderia mais apólice tradicional. Toda apólice nova passou a vir com um programa que acompanha os dados de atividade do cliente: quem se mexe mais (pratica esportes), paga menos. Isso foi há oito anos, através do Oura Ring, anel inteligente...

Agora olha o que um anel no dedo já mede hoje: estágio do sono, batimento, variabilidade cardíaca, temperatura, etc... Na pandemia teve estudo mostrando que dava pra pegar infecção dias antes do sintoma. E pra ver os próprios dados, a pessoa paga mensalidade.

Ou seja: até dado íntimo já é produto. E o vendedor sempre vem uma proposta "simpática". Quem não quer pagar menos????

Tem gente que descobriu arritmia pelo relógio e chegou no médico a tempo (isto é maravilhoso). Prevenção real, vida salva de verdade. E tem o outro lado: se o desconto existe pra quem entrega o dado, o preço cheio vira multa de quem não entrega. Quem dorme mal, trabalha de noite, tem doença crônica... paga mais. Ou seja, somos equalizados pelos dados que fornecemos....

"Desconto" é o nome simpático que a "precificação" escolheu para segregar os saudáveis? Eu to ferrado, porque durmo mal para caramba...

Vocês entregariam o sono e o coração de vocês pra pagar menos plano? Acham que isso é a seguradora comprando o corpo aos poucos (acho que exagerei um pouco na neura kkk)?

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u/daniel_baruc_es — 8 days ago

Percebi que só mantenho hábito quando ele vira número num app (tempo de tela, por exemplo) e isso me incomoda....

Em 2016 o Nobel de Medicina foi pro estudo da autofagia. Desde então, todo mundo que jejua me explica o jejum com essa palavra. Ninguém mais jejua por disciplina ou por fé: jejua pela autofagia.

Fui olhar minha rotina e sou igual. Meditação com minutos contados no app. Caminhada que só vale se o relógio registrar. Leitura com meta anual. Gratidão porque saiu estudo dizendo que funciona. Até rezar hoje tem aplicativo com sequência de dias, tipo Duolingo!!! (adoro o marketing deles)

Aí caiu a ficha no chuveiro (sim, eu tomo banho): se eu só mantenho o que rende número, eu não tenho hábitos, tenho assinaturas (mesmo sem assinar nada, minha mente parece estar condicionada à isto). O que não performa eu cancelo, igual streaming ou assinatura de app...

E vejo o lado bom, sem ironia. O número ajuda a começar, sem a sequência eu não teria meditado nem uma semana. Medir funciona mesmo, como treinamento para meu cérebro.

Só que as coisas mais importantes da minha vida não rendem número nenhum. Visitar minha mãe, ouvir amigo em crise, ficar à toa com meu filho, etc... Zero painel. E são justamente as que eu mais adio (principalmente iniciar a academia)...

A gente ainda sustenta alguma coisa sem medir, ou disciplina agora é só o que o aparelho consegue contar?

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u/daniel_baruc_es — 9 days ago
▲ 101 r/conversasserias+1 crossposts

Todo serviço novo só oferece "entrar com Google", "gov.br", etc... e acho isso um risco mal calculado

Ontem fui criar conta num serviço novo e a opção de email e senha quase não existia (precisou de alguns clicks). Era entrar com Google, Microsoft ou entrar com Apple.

Fiz a conta na hora: meu login do Google hoje abre email, fotos de dez anos, documentos, backup do celular e uns 30 sites por login social (eu não usava isto antes, mas acabei centralizando por comodidade)...

Aí lembrei de um caso que o New York Times contou em 2022. Um pai em San Francisco fotografou uma infecção do filho pequeno pra mandar pro pediatra, na pandemia. (não estou afirmando que é correto mandar por foto... apenas citando um fato)... a verdadeira discussão está na última frase galera... fonte: https://www.nytimes.com/2022/08/21/technology/google-surveillance-toddler-photo.html

O algoritmo do Google marcou as fotos como abuso infantil e derrubou a conta inteira. A polícia investigou e inocentou o homem. O Google não devolveu a conta mesmo assim :(

O detalhe que me incomoda: não teve juiz. Foi termo de uso.

E vejo os dois lados. Login único é menos phishing, menos senha repetida, menos senha esquecida. Tecnicamente é mais seguro mesmo. Só que a gente foi empilhando a vida inteira atrás de uma porta só... de uma empresa que não tem balcão pra recorrer.

Se a sua conta principal caísse hoje, sem aviso e sem recurso, quanto da sua vida cai junto?

u/daniel_baruc_es — 10 days ago

Nos anos 70 a censura vetava o que Chico Buarque assinava, mas liberou as músicas de "Julinho da Adelaide". Era ele. O censor lia o nome, não a letra

Anos 70, ditadura. Chico Buarque tava com o nome praticamente vetado: quase tudo que ele assinava voltava carimbado da censura.

Aí ele inventou um compositor. Julinho da Adelaide, com biografia, opinião e tudo. O jornal Última Hora chegou a publicar "entrevista" com ele. As músicas do Julinho passaram na censura e tocaram no rádio. "Acorda amor" é dele... quer dizer, do Chico.

O censor lia o nome antes da letra.

Quando a imprensa revelou o truque, a reação do governo diz muito: passou a exigir documento de identidade junto com a música. Não conseguiram censurar a letra, então censuraram o anonimato.

Hoje vejo a mesma briga na internet, com outros nomes. Um lado diz que anonimato é covardia: quem tem opinião, que assine com nome e sobrenome. O outro lado lembra que o Julinho só existiu porque o nome verdadeiro tava proibido, e que exigir documento é historicamente o gesto de quem quer controlar quem fala, não o que se fala.

Pra vocês: exigir "identidade real" na internet protege a conversa ou repete o censor?

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u/daniel_baruc_es — 11 days ago
▲ 20 r/Livros

Nos anos 70 a censura vetava o que Chico Buarque assinava, mas liberou as músicas de "Julinho da Adelaide".

Era ele. O censor lia o nome, não a letra..... Ouvi de alguém que diz: não é o que falam, mas quem fala...

Anos 70, ditadura. Chico Buarque tava com o nome praticamente vetado: quase tudo que ele assinava voltava carimbado da censura.

Aí ele inventou um compositor. Julinho da Adelaide, com biografia, opinião e tudo. O jornal Última Hora chegou a publicar "entrevista" com ele. As músicas do Julinho passaram na censura e tocaram no rádio. "Acorda amor" é dele... quer dizer, do Chico.

O censor lia o nome antes da letra.

Quando a imprensa revelou o truque, a reação do governo diz muito: passou a exigir documento de identidade junto com a música. Não conseguiram censurar a letra, então censuraram o anonimato.

Hoje vejo a mesma briga na internet, com outros nomes. Um lado diz que anonimato é covardia: quem tem opinião, que assine com nome e sobrenome. O outro lado lembra que o Julinho só existiu porque o nome verdadeiro tava proibido, e que exigir documento é historicamente o gesto de quem quer controlar quem fala, não o que se fala.

Pra vocês: exigir "identidade real" na internet protege a conversa ou repete o censor?

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u/daniel_baruc_es — 11 days ago

Tudo tá ficando igual: os carros, os cafés e agora até o jeito de escrever. Isso incomoda mais alguém??

Oito em cada dez carros novos no mundo saem em branco, preto, cinza ou prata. O dado é da Axalta, que fabrica tinta de carro. Olha pro estacionamento da sua rua e confere....

Daí você entra numa cafeteria: parede de tijolinho, plantinha pendurada, letreiro neon. A mesma loja em São Paulo, Lisboa, Seul. Alguém já percebeu isto?

Achei que era só estética, até sair um estudo de Cornell. Botaram americanos e indianos pra escrever com sugestão de IA ligada. Os textos convergiram, e convergiram pro lado americano. O autocomplete foi lixando o "estilo próprio" de cada um.

Tem outra medição, da Science Advances: um em cada sete resumos científicos de 2024 já tem a digital do chat. As mesmas palavrinhas favoritas da máquina aparecendo em tudo.

A média virou molde. E, ser médio é tudo que o sistema quer... Já que, a gente não precisa pensar, só receber sugestão.

E ninguém obrigou ninguém. A gente só aceita o topo da lista: a cor que revende melhor, o café que fotografa melhor, a frase que já veio pronta, etc...

Vejo dois lados. Um diz que sempre foi assim, moda existe desde sempre, humano copia humano, só mudou a escala. O outro diz que agora o funil é um só: quando o mesmo sistema sugere pra bilhões ao mesmo tempo, a tendência não tem contrapeso, e a diferença vira defeito de fabricação.

Pra vocês: isso é a moda de sempre em escala maior, ou a gente terceirizou o gosto e nem percebeu? Quando você decidiu por si sem sugestão?

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u/daniel_baruc_es — 12 days ago