
Consumo crônico de goma xantana pode causar inflamação intestinal
Postando aqui porque vejo que muitas "receitas fitness", em especial de doces, levam goma xantana na composição.

Postando aqui porque vejo que muitas "receitas fitness", em especial de doces, levam goma xantana na composição.
Pessoal, venho compartilhar um pouco da minha experiência com a obesidade. Acho que entender o que realmente acontece comigo tem me ajudado muito.
Eu sempre fui uma pessoa que jogava basquete. Até os 16 anos, eu era malhado. Depois deixei o esporte, me dediquei à faculdade e ganhei vários quilos. Na minha família, a gordura sempre foi um assunto. Todos lá em casa tinham sobrepeso ou obesidade. A comida sempre foi o que nos uniu.
Embora hoje eu esteja pesando cerca de 107 kg, nunca me enxerguei como uma pessoa obesa, até porque continuo, ainda que não com a mesma frequência, praticando esportes, andando de bicicleta e tal. Porém, segundo o IMC (que não é a verdade absoluta sobre tudo), sou obeso grau I.
Aos poucos, com 36 anos, comecei a desenvolver alguns problemas: hérnias inguinais, pré-hipertensão e, ao que tudo indica, resistência à insulina.
Tenho tentado várias vezes encarar minha situação com nutricionistas. Porém, quando chego perto da barreira dos 100 kg, começo a me sentir melhor e tal, sempre acontece alguma coisa que me tira de lá. Perder peso vai ficando cada vez mais difícil. E a vida, que é bonita, porém imperfeita e desafiadora pra caralho, somada ao fato de que a comida mais acessível é, na maioria das vezes, ultraprocessada e cheia de selos no mercado, faz com que eu acabe perdendo, mais uma vez, essa batalha.
Reganho o peso, ou parte dele, fico chateado, angustiado e começo a dizer para mim mesmo coisas horríveis: que não tenho força de vontade, que não sou consistente, que não me comprometo, que sou ruim, que sou meu próprio inimigo, etc.
Depois de semanas, ou meses, me comportando como se estivesse em um regime militar, controlando cada caloria e cada grama, jogo a toalha. Volto aos velhos hábitos. A fome parece aumentar, me sinto pior. Me odeio. Já cheguei a pesar cerca de 119 kg.
Faz um tempo que cheguei ao ponto de dizer: preciso de ajuda. Comecei a fazer terapia, que acho que tem me ajudado muito a entender várias coisas sobre mim. Porém, continuo com fome. Então resolvi procurar uma endocrinologista.
Sou a primeira pessoa da minha família que teve a possibilidade de consultar uma endocrinologista e tentar tratar a obesidade não apenas como uma questão de força de vontade.
Esses dias, estava no Uber pensando sobre minha sessão de terapia. Quando cheguei em casa, comecei a escrever sobre tudo isso e cheguei a uma ideia tão simples quanto poderosa. E ainda estou meio chocado com isso.
Embora a gente às vezes escute essas palavras, é uma experiência totalmente diferente quando você organiza essas ideias e realmente as internaliza.
Obesidade não é apenas uma questão de vontade. É uma doença.
Assim como uma amiga foi diagnosticada com câncer de mama, eu fui diagnosticado com obesidade. Pensava como é incrível que, com algumas doenças, a gente tenha essa relação: aquilo simplesmente caiu do céu sobre nós, somos vítimas dela. Porém, com a obesidade, acontece o contrário.
A sociedade inteira nos julga. E, pior do que a sociedade, nós mesmos nos julgamos e passamos a nos enxergar da mesma forma.
Em uma sociedade que o tempo todo vende a ideia de que é pobre quem quer e que qualquer um pode ser rico se realmente se esforçar (o que, na prática, é uma grande mentira), acabamos enxergando a obesidade da mesma maneira.
Isso faz com que a gente embarque, com a maior das vontades e com toda a força, em uma luta que muito poucos conseguem realmente vencer: perder peso e, principalmente, se manter nesse peso. É aí que a maioria falha.
O que entendi é que nós não somos inteiramente culpados pela doença que temos. E, mesmo que a sociedade nos olhe com julgamento, dizendo que somos pessoas sem força de vontade para mudar de vida, o mais importante é que nós mesmos deixemos de nos enxergar dessa forma.
Porque o dano que causamos a nós mesmos é terrível.
Hoje eu estava lendo o relato de uma pessoa dizendo que queria se suicidar, que estava gorda e que só comia e comia porque se sentia culpada. Isso é injusto.
Mas essa mudança na forma como nos enxergamos começa dentro de nós.
O mundo vai continuar sendo esse lugar hostil, com momentos bonitos, mas nós não podemos continuar reproduzindo esses castigos contra nós mesmos.
Hoje comecei finalmente a usar a medicação. Ainda há um longo caminho pela frente. Mas hoje estou com esperança porque, pela primeira vez, não estou apenas fazendo academia, exercícios e terapia para combater essa doença pela qual tanto me castiguei.
Hoje estou acrescentando a parte que faltava: a medicação. Espero que ela me ajude a finalmente chegar lá.
É verdade que a medicação não é a solução para tudo. Também é verdade que dieta, sozinha, não é suficiente, e que apenas força de vontade não basta. É preciso atacar a doença por vários lados.
Também é verdade que, ao interromper a medicação, pode haver reganho parcial ou total do peso. Mas, como a médica me disse, trata-se de uma doença crônica. Se para qualquer outra doença crônica tomamos medicação de forma contínua, por que seria diferente com a obesidade?
De qualquer forma, não usar a medicação também tem consequências. Porque o corpo vai avisando e, uma hora, precisa gritar.
Eu acho que a gente precisa realmente falar sobre isso.
Medicação não deveria ser apenas para pessoas ricas que querem emagrecer para um casamento. Medicação deveria ser um direito de todos nós, como acontece com qualquer outra doença crônica.
Ainda existe muito preconceito contra a obesidade. E, infelizmente, o pior preconceito muitas vezes está dentro de nós.
O que nos resta é, antes de tudo, nos abraçar, nos perdoar e pressionar o governo — independentemente de qual seja sua cor política — para nos dar o que precisamos: medicação acessível ou gratuita para quem realmente precisa, acesso à terapia e saúde de qualidade.