Você ....
Você, confusa,
você já torturou sem querer
mentes inocentes.
Você bebe café quente
no auge do calor do sertão.
Aprendeu lentamente
o que é amar gente.
A culpa é sua
por ter aprendido tarde demais?
Você deu esperança a quem queria
um corredor de flores,
aliança, véu e grinalda.
Você nunca viveu nada
para cumprir os sonhos
de uma alma vazia.
Você viveu a vida debaixo da cama,
orando a um Deus
que pouco te ouvia.
Você, ainda menina,
com corpo de mulher adulta,
aprendendo a ser alguém
antes mesmo de aprender
a ser você.
Você a busca sempre,
mesmo quando nada muda,
sempre que o choro te perturba.
Mas, querida,
ela não é santa.
Não faça promessas.
Você errou.
Mas já teve sua penitência:
uma vida inteira tentando encontrar
alguém igual a ela.
Você chorou.
Você se humilhou.
Viu suas lágrimas
encharcarem sua camisa.
Não se culpe por ter sido tola,
confusa.
Você nem sabia ser gente ainda.
Era apenas uma menina
com um corpo de mulher,
tentando entender o amor
antes mesmo de entender a própria vida.