
u/BrunoofBrazil

O Brasil deveria fazer uma redução radical na formação de novos pós-graduandos?
Entre 1996 e 2021 o Brasil formou 1 milhão de mestres e 319 mil doutores (Fonte). Não tenho o número atual, mas já vi por aqui que se formam em torno de 25 mil doutores hoje por ano.
A pergunta é: tendo-se em consideração que não vejo como o ensino superior público, institutos de pesquisa públicos ou privados ou universidades privadas maiores (como Mackenzie ou PUC) absorver mais do que uma fração pequena disso, faz sentido formar tudo isso?
Não existe uma produção de mestres e doutores tão grande que a maioria mais cado ou mais tarde terá de buscar outros rumos profissionais? Do que adianta formar toda esse gente quando a maioria desses titulados não permanecerá na pesquisa? Doutor em Geografia para dirigir Uber não é desperdício de habilidade?
Não tenho as estatísticas exatas do número de professores universidades federais, institutos federais, universidades estaduais, universidades privadas de elite ou de pesquisadores em centros de pesquisa, mas só de olhar já dá para ver que não, todas essas instituições não conseguem absorver nem uma fração dos 319 mil. A maioria desse número entrou no limbo e saiu da área.
Aí, a pergunta: há algum motivo de o sistema de pós-graduação ser tão grande e formar tanta gente desperdiçada? Orgulho nacional de simplesmente mencionar a estatística "temos X mil doutores"? Faz sentido desperdiçar a vida de tanta gente?
Para piorar tudo, não vejo perspectivas de melhora. A expansão frenética do ensino superior público que ocorreu nas 3 primeiras administrações do Partido do Trabalhadores foi resultado do crescimento econômico grande da época e da escolha do lulismo em razão de os professores terem sido uma base eleitoral importante.
Agora, Lula está idoso e, no seu terceiro mandato, nem deu tanto valor assim ao ensino superior estatal. Olhem as atuais forças políticas e me digam se alguma delas tem interesse em repetir a expansão dos anos 2000. Imagina o ensino superior público na mão de uma presidência Nikolas Ferreira.
Em 1950, se vc visse como eram formados os doutores e pesquisadores em humanidades e outras áreas sem tanta demanda no mercado, elas formavam pouca gente. Quantos novos doutores em História eram formados em 1950? Voltar a esse sistema super elitizado, que cada universidade só formava 1 mestre por ano, faz sentido quando não há demanda por pesquisadores nessas áreas?
Quero ouvir as opiniões de vocês.
O Brasil não vai virar Venezuela ou tolerar qualquer tipo de governo que cause crise econômica profunda.
Tudo isso por um motivo: a população aqui é muito maior e mais conectada.
A Venezuela tem uma crise migratória extrema, maior do que países em guerra civil. Em um país de 40 milhões de habitantes, temos em torno de 8 milhões fora. Cuba teve 2,9 milhões de emigrados numa população originariamente de 12 milhões.
Faça uma regra de 3: pela mesma proporção, se o Brasil tivesse uma crise com essa severidade, teríamos 40 milhões de pessoas emigrando. Seria um caos social extremo nos EUA, Europa e países vizinhos, porque a população brasileira é 5 vezes maior do que a venezuelana.
É por isso que não se toleraria de forma alguma que, no Brasil, haja qualquer regime político que cause um caos econômico dessa dimensão.
Qualquer tipo de governo com inspiração marxista não entra aqui. Golpe, revolução colorida, guerra, se faz o que for para evitar uma versão brasileira do chavismo. Ponto final. Comunistas não passam aqui.
Mas mesmo um regime não-marxista que um caos similar terá o mesmo destino.
Existem regimes marxistas e regimes não-marxistas na América Latina que causam caos migratório nos EUA, seja por confiscos, mã gestão e guerra civil. Todos eles têm uma coisa em comum: são republiquetas pequenas e mal estruturadas. Mesmo a população total da Venezuela é igual à do estado de São Paulo. Ou seja, pelo seu tamanho, ignorou-se por muito tempo os problemas desses países.
Agora, um caos desse tamanho no Brasil causaria uma disrupção migratória descomunal e as grandes potências imperiais sabem disso.
O que acham?
Sair do Brasil é quase sempre uma roubada.
Atenção para o quase sempre. Existem situações diferenciadas, eu sei.
Você realmente vai deixar o Brasil para virar um trabalhador não-qualificado na Europa ou EUA? Tem certeza disso?
Vamos entender. O brasileiro que tem condições reais de emigrar está numa situação muito privilegiada: você tem como aprender a língua estrangeira, pelo menos o inglês, conhece legislação de vistos e pode eventualmente contratar advogado especialista para conhecer a forma mais apropriada para se regularizar no exterior e eventualmente se naturalizar, pode viajar e se manter lá por um um tempo.
Isso requer um capital financeiro e nível de instrução muito superior à média dos brasileiros. Se vc consegue falar francês ou alemão, por exemplo, e recomendo fortemente que domine essas línguas se vc vai para esses países, vc é uma pessoa instruída e no mínimo, consegue passar num concurso público meia boca por aqui.
Você tem educação acima da média e algum nível de instrução bem acima da média nacional. Vc realmente vai tentar a vida numa capital européia ou nos EUA? Encarar o custo de vida de Londes, Paris ou Barcelona lavando prato ou entregando pizza de moto?
É uma seleção: aquele que tem condição de se integrar num país desenvolvido é alguém que vai viver aqui numa situação razoável. Vc é o que se dá bem na desgraça. Vc realmente vai querer isso para a sua vida?
É claro que eu estou dizendo: quase todo mundo. Existem exceções. Existe o profissional bonzão de TI que vai para uma empresa estrangeira como um estágio superior da carreira, tem gente que vai casar e algumas outras situações especiais, mas são a exceção, não a regra.
Vc realmente vai lavar prato em Dublin com visto de estudante sem falar inglês? Tem certeza disso?
Se o Brasil ficasse uma Venezuela de verdade, com o governo confiscando empresas, os produtos básicos sumindo por alguma gestão econômica muito caótica, aí os incentivos individuais seriam totalmente diferentes e o povo sairia correndo que nem louco. Tanto que 15% da Venezuela emigrou. Porém, sinceramente, como a população brasileira é muito maior, o número de emigrados seria tão caótico que nunca iam deixar uma coisa dessas acontecer. Uma versão brasileira do Maduro seria assassinada ou derrubada muito mais rápido.
A Internet agora está cheia de gente que defende a ditadura, nem sabem o que estão defendendo direito.
Ditadores das fotos:
- Anastacio Somoza: Nicarágua
- Artur da Costa e Silva: Brasil
- Francisco Morales Bermudez: Peru
- Jorge Rafael Videla: Argentina
- Manuel Noriega: Panamá
- Rafael Trujillo: República Dominicana.
Quando vcs reclamam das eleições compradas pelos ricos, falta de continuidade administrativa do desenvolvimento, brigas políticas e polarização, vocês partem da idéia que um regime autoritário, que normalmente não tem essas coisas, faria um país melhor.
A realidade é que não e quem faz esse argumento pró-ditadura não sabe nada de história e do que os ditadores dos passado fizeram, seja aqui, seja nos nossos vizinhos. O país dificilmente muda estruturalmente e muitos desses ditadores são apenas os mesmo oligarcas vestindo farda. Muitos desses ditadores fizeram pouco pelo país e a única preocupação deles é em roubar o máximo de dinheiro, dar presente para as amantes e encher os cofres em algum país que não coopere com o ocidente para quando tiverem de fugir.
A diferença maior para a sua vida é que, numa democracia, vc pode xingar o governo, enquanto lá, vc tem de realmente se preocupar com a polícia secreta na sua porta sem nenhuma certeza de que o país vai melhorar.
Finalmente, se vc acredita em algo, a democracia permite que, com muita dificuldade, vc possa fazer uma militância com programa organizado e conjunto sólido de idéias, ainda que tenha de se compor com os oligarcas. Os dois maiores exemplos de partidos com plano ideológico solído são o PT e o MBL/Missão.
Parem de reclamar que democracia é ruim e ditadura é bom
Ditadores das fotos:
- Anastacio Somoza: Nicarágua
- Artur da Costa e Silva: Brasil
- Francisco Morales Bermudez: Peru
- Jorge Rafael Videla: Argentina
- Manuel Noriega: Panamá
- Rafael Trujillo: República Dominicana.
Quando vcs reclamam das eleições compradas pelos ricos, falta de continuidade administrativa do desenvolvimento, brigas políticas e polarização, vocês partem da idéia que um regime autoritário, que normalmente não tem essas coisas, faria um país melhor.
A realidade é que não e quem faz esse argumento pró-ditadura não sabe nada de história e do que os ditadores dos passado fizeram, seja aqui, seja nos nossos vizinhos. O país dificilmente muda estruturalmente e muitos desses ditadores são apenas os mesmo oligarcas vestindo farda. Muitos desses ditadores fizeram pouco pelo país e a única preocupação deles é em roubar o máximo de dinheiro, dar presente para as amantes e encher os cofres em algum país que não coopere com o ocidente para quando tiverem de fugir.
A diferença maior para a sua vida é que, numa democracia, vc pode xingar o governo, enquanto lá, vc tem de realmente se preocupar com a polícia secreta na sua porta sem nenhuma certeza de que o país vai melhorar.
Finalmente, se vc acredita em algo, a democracia permite que, com muita dificuldade, vc possa fazer uma militância com programa organizado e conjunto sólido de idéias, ainda que tenha de se compor com os oligarcas. Os dois maiores exemplos de partidos com plano ideológico solído são o PT e o MBL/Missão.
Pensem. Usem a massa cinzenta.
Parem de reclamar que democracia é ruim e ditadura é bom
Ditadores das fotos:
Anastacio Somoza: Nicarágua
Artur da Costa e Silva: Brasil
Francisco Morales Bermudez: Peru
Jorge Rafael Videla: Argentina
Manuel Noriega: Panamá
Rafael Trujillo: República Dominicana.
Quando vcs reclamam das eleições compradas pelos ricos, falta de continuidade administrativa do desenvolvimento, brigas políticas e polarização, vocês partem da idéia que um regime autoritário, que normalmente não tem essas coisas, faria um país melhor.
A realidade é que não e quem faz esse argumento pró-ditadura não sabe nada de história e do que os ditadores dos passado fizeram, seja aqui, seja nos nossos vizinhos. O país dificilmente muda estruturalmente e muitos desses ditadores são apenas os mesmo oligarcas vestindo farda. Muitos desses ditadores fizeram pouco pelo país e a única preocupação deles é em roubar o máximo de dinheiro, dar presente para as amantes e encher os cofres em algum país que não coopere com o ocidente para quando tiverem de fugir.
A diferença maior para a sua vida é que, numa democracia, vc pode xingar o governo, enquanto lá, vc tem de realmente se preocupar com a polícia secreta na sua porta sem nenhuma certeza de que o país vai melhorar.
Finalmente, se vc acredita em algo, a democracia permite que, com muita dificuldade, vc possa fazer uma militância com programa organizado e conjunto sólido de idéias, ainda que tenha de se compor com os oligarcas. Os dois maiores exemplos de partidos com plano ideológico solído são o PT e o MBL/Missão.
Pensem. Usem a massa cinzenta.
O professorado vai desaparecer em no máximo 20 anos
A vida de ser professor no Brasil é um inferno.
Recentemente, tivemos o caso de um aluno que colocou um caco de vidro na água de um professora. Sim, professoras são esfaqueadas, como ocorreu recentemente em Caxias do Sul/RS. Chegamos ao cúmulo de, em São Paulo, haver uma estação de metrô cujo nome é em homenagem a uma professora de ciências esfaqueada por um aluno (veja aqui a história de Elizabeth Tenreiro).
Isso ocorreu porque o Brasil seguiu a tendência ocidental de que o único local social do adolescente é na escola. Hoje, é inconcebível a idéia de se espera que o adolescente esteja em qualquer outro lugar. Se não aprende nada do conteúdo escolar, não pode ser retido, por menos que se esforce. As infrações de convivência têm de ficar praticamente impunes, pois não se tolera expulsar um adolescente que pratique falta grave, ao contrário da geração anterior. Se os colegas querem aprender, não podem, pois o colega está jogando bolinhas de papel, atrapalhando a aula e jogando o nível todo para baixo.
Se o adolescente tem de estar no sistema escolar de todo jeito, então não se é aceito fazer mais nada que o tire de lá, pois se deve evitar a "exclusão escolar" a todo custo. Não estuda? Passa de todo jeito. Agride o coleguinha? Destrói a escola? Agride o professor? Não pode ser expulso, pois é "exclusão escolar". O adolescente tem de estar dentro do sistema de todo jeito, por mais que ele ou ela odeie e lute com todas as suas forças para não estar ali. E se matar o professor? Ato infracional. Detenção de no máximo 3 anos no sistema socioeducativo.
A pergunta é: por que cargas d´água o professor vai ficar dentro desse inferno? Para mim, a resposta é muito simples: por que não tem alternativas profissionais. O professor se sujeita a essa humilhação toda porque tem aluguel, pensão alimentícia, financiamento de casa, financiamento de carro, filho para criar e assim por diante. Mudar de profissão é mais difícil quando a licenciatura não te habilita a outras profissões análogas e transição de carreira é complicada.
Agora, o que vc acha que vai acontecer no médio prazo quando os professores mais antigos forem embora e entrarem os novos?
O jovem professor de 22 anos que ainda não tem financiamento para pagar, vc acha que ele vai se comprometer nisso ou, quando vê que a realidade são 40 anos de escola sem disciplina pela frente, vai tomar outros rumos antes de as responsabilidades da vida pesarem? Alguém que não tem filho para criar vai permanecer nisso? Ou vai tomar outros rumos antes de as obrigações da vida pesarem?
Por isso, o professorado desaparecerá. As pessoas só aguentam a realidade escolar porque têm obrigações para pagar e não têm alternativas. Se entrarem jovens sem obrigações ou houver caminhos de transição de carreira para ex-professores que não sejam demorados, o sistema escolar acaba.
Sim, eu pessoalmente fui professor, mas tomei outros ramos e não estou mais na sala de aula desde 2010. Não tinha smartphone e a situação já era complicada naquela época. Imagina agora então.
Edição posterior à postagem ----------------------
A escola se tornou um lugar em que o estudante tem de estar dentro do sistema a todo custo e não ser punido por causa do pacto progressista pós-regime militar.
Os militares foram autoritários e fizeram barbaridades, mas o trauma foi tão forte que decidimos acabar com toda a autoridade na sociedade. Foi daí que nasceu a Lei de Execuções Penais, o Estatuto da Criança e Adolescente e deu no que deu.
O crime organizado no Brasil (CV/PCC) é um modelo de "suicídio organizacional" comparado à Máfia clássica e um combate real seria muito mais eficaz. O nosso pacto progressista é que impede que se acabe com ela.
Muita gente compara o Comando Vermelho ou o PCC com a Cosa Nostra ou as grandes organizações criminosas do século passado. Mas, analisando a estrutura, a verdade é que estamos olhando para dois bichos completamente diferentes. E o modelo brasileiro é, na prática, muito mais instável e destrutivo.
Aqui está o porquê de o modelo atual ser um "beco sem saída":
- A Máfia de 1920 era um Negócio; o CV é um Exército de Ocupação A Máfia clássica queria ser aceita. Eles focavam em estabilidade, infiltração nas instituições e lucro a longo prazo. O foco era "negócio". O crime brasileiro hoje foca em território. Se você precisa manter uma guarita armada 24h em cada entrada da favela para não ser invadido por uma facção rival, você não tem um negócio, você tem uma fortaleza. E manter uma fortaleza é absurdamente caro e volátil.
- A "Bucha de Canhão" como Estratégia de Massa A Máfia selecionava, treinava e protegia seus Soldatos. No Brasil, a facção é um moedor de carne. O recrutamento é feito na base do desespero e da estética do "marginal armado". Isso gera uma rotatividade imensa. O soldado hoje não é um profissional; é um "vapor" que sabe que vai morrer ou ser preso em pouco tempo. Isso impede qualquer acúmulo de experiência técnica real.
- A Estética do Terror vs. A Discreção Mafiosa O criminoso de 1920 queria discrição para poder operar com o político, o juiz e o empresário. O criminoso de 2026 quer "like" no Instagram. O crime brasileiro se tornou performático. Essa necessidade de ostentar poder (fuzil, baile, guerra) atrai o Estado como um ímã. É uma organização que vive de "chamar a atenção" para si mesma. Não dá para ser uma potência duradoura quando você depende de tiroteios diários para manter o status.
- Por que não "profissionalizam" o modelo? Muita gente pergunta: "Por que eles não adotam o sistema de Capos e soldados treinados?". Simples: porque o modelo atual funciona para a escala de exclusão brasileira. Eles não precisam de talentos, precisam de massa. Se eles restringissem a entrada, seriam engolidos pela concorrência no dia seguinte. O sistema é desenhado para ser substituível, não para ser resiliente.
Conclusão: O crime organizado brasileiro não é um "estado paralelo" bem gerido, é um canto do cisne violento. Enquanto a Máfia queria se fundir com o Estado, o crime brasileiro se isolou dele. É um sistema que se alimenta da própria destruição. A instabilidade do CV e de outras facções não é um erro do sistema; é a característica principal.
Eles estão trocando o futuro por uma "glória imediata" que dura, em média, até os 25 anos.
Além disso, um componente crucial que o mafioso de 1926 detinha e que falta completamente às facções modernas é a sua função como provedor de uma rede de assistência paralela que imitava o papel do Estado, mas com um toque pessoal e paternalista.
O traficante de hoje extrai recursos do morador para financiar sua guerra ou seu consumo imediato, o mafioso clássico reinvestia parte do seu lucro em um sistema de "bem-estar social" do clã: ele financiava o casamento de jovens casais, garantia que famílias desamparadas tivessem comida na mesa em tempos de crise e atuava como o juiz final que resolvia disputas de vizinhança — muitas vezes de forma mais justa e rápida do que o sistema judiciário lento e burocrático da época.
Esse papel de "padrinho" transformava o criminoso em uma figura de referência e prestígio, criando um laço de lealdade profunda e um contrato de reciprocidade que impedia a revolta da vizinhança. Já a facção moderna, ao abdicar de qualquer cuidado com a dignidade ou o futuro do morador, reduz a comunidade a uma mera plateia cativa, eliminando a gratidão social e mantendo seu domínio através do vazio emocional e do medo, o que garante que, na primeira oportunidade de rompimento, essa mesma comunidade não oferecerá qualquer resistência à saída de seu ocupante.
O que vocês acham? Esse modelo de "guerra territorial permanente" consegue se sustentar por mais quantas décadas ou estamos caminhando para um colapso interno dessas facções?
O crime organizado no Brasil (CV/PCC) é um modelo de "suicídio organizacional" comparado à Máfia clássica e um combate real seria muito mais eficaz.
Muita gente compara o Comando Vermelho ou o PCC com a Cosa Nostra ou as grandes organizações criminosas do século passado. Mas, analisando a estrutura, a verdade é que estamos olhando para dois bichos completamente diferentes. E o modelo brasileiro é, na prática, muito mais instável e destrutivo.
Aqui está o porquê de o modelo atual ser um "beco sem saída":
- A Máfia de 1920 era um Negócio; o CV é um Exército de Ocupação A Máfia clássica queria ser aceita. Eles focavam em estabilidade, infiltração nas instituições e lucro a longo prazo. O foco era "negócio". O crime brasileiro hoje foca em território. Se você precisa manter uma guarita armada 24h em cada entrada da favela para não ser invadido por uma facção rival, você não tem um negócio, você tem uma fortaleza. E manter uma fortaleza é absurdamente caro e volátil.
- A "Bucha de Canhão" como Estratégia de Massa A Máfia selecionava, treinava e protegia seus Soldatos. No Brasil, a facção é um moedor de carne. O recrutamento é feito na base do desespero e da estética do "marginal armado". Isso gera uma rotatividade imensa. O soldado hoje não é um profissional; é um "vapor" que sabe que vai morrer ou ser preso em pouco tempo. Isso impede qualquer acúmulo de experiência técnica real.
- A Estética do Terror vs. A Discreção Mafiosa O criminoso de 1920 queria discrição para poder operar com o político, o juiz e o empresário. O criminoso de 2026 quer "like" no Instagram. O crime brasileiro se tornou performático. Essa necessidade de ostentar poder (fuzil, baile, guerra) atrai o Estado como um ímã. É uma organização que vive de "chamar a atenção" para si mesma. Não dá para ser uma potência duradoura quando você depende de tiroteios diários para manter o status.
- Por que não "profissionalizam" o modelo? Muita gente pergunta: "Por que eles não adotam o sistema de Capos e soldados treinados?". Simples: porque o modelo atual funciona para a escala de exclusão brasileira. Eles não precisam de talentos, precisam de massa. Se eles restringissem a entrada, seriam engolidos pela concorrência no dia seguinte. O sistema é desenhado para ser substituível, não para ser resiliente.
Conclusão: O crime organizado brasileiro não é um "estado paralelo" bem gerido, é um canto do cisne violento. Enquanto a Máfia queria se fundir com o Estado, o crime brasileiro se isolou dele. É um sistema que se alimenta da própria destruição. A instabilidade do CV e de outras facções não é um erro do sistema; é a característica principal.
Eles estão trocando o futuro por uma "glória imediata" que dura, em média, até os 25 anos.
Além disso, um componente crucial que o mafioso de 1926 detinha e que falta completamente às facções modernas é a sua função como provedor de uma rede de assistência paralela que imitava o papel do Estado, mas com um toque pessoal e paternalista.
O traficante de hoje extrai recursos do morador para financiar sua guerra ou seu consumo imediato, o mafioso clássico reinvestia parte do seu lucro em um sistema de "bem-estar social" do clã: ele financiava o casamento de jovens casais, garantia que famílias desamparadas tivessem comida na mesa em tempos de crise e atuava como o juiz final que resolvia disputas de vizinhança — muitas vezes de forma mais justa e rápida do que o sistema judiciário lento e burocrático da época.
Esse papel de "padrinho" transformava o criminoso em uma figura de referência e prestígio, criando um laço de lealdade profunda e um contrato de reciprocidade que impedia a revolta da vizinhança. Já a facção moderna, ao abdicar de qualquer cuidado com a dignidade ou o futuro do morador, reduz a comunidade a uma mera plateia cativa, eliminando a gratidão social e mantendo seu domínio através do vazio emocional e do medo, o que garante que, na primeira oportunidade de rompimento, essa mesma comunidade não oferecerá qualquer resistência à saída de seu ocupante.
O que vocês acham? Esse modelo de "guerra territorial permanente" consegue se sustentar por mais quantas décadas ou estamos caminhando para um colapso interno dessas facções?
Alguém explica por que o fim da escala 6x1 está avançando com tanta facilidade?
Vocês já notaram que a PEC da escala 6x1 está andando praticamente sem resistência e o próprio PL, aquele que a própria esquerda demoniza como o grande satã da burguesia, está agora fazendo apoio?
A idéia não era que o capital paga valores altos a campanhas políticas para defender os seus interesses? Que traição é essa?
Que hipóteses vocês dão aos próprios representantes da cartola não estarem lutando com unhas e dentes e impedindo que isso seja promulgado?
Minhas hipóteses?
- Toda vez que temos aumento dos direitos trabalhistas, as empresas maiores conseguem derrubar espaço das menores.
- Os grandes interessados não estão preocupados. Se vc é o franqueador da Pague Menos, Dr Consulta ou Drogasil, o seu franqueado vai ter mais custos, mas vc continua recebendo do mesmo jeito e deixa ele se lascar. Se vc é dono de uma empresa de ônibus, pede aditivo no contrato e a prefeitura que banca.
- O setor supermercadista não está forte o suficiente.
Que hipóteses vocês dão?
Alguém explica por que os poderosos burgueses não estão lutando contra a escala 6x1?
Vocês já notaram que a PEC da escala 6x1 está andando praticamente sem resistência e o próprio PL, aquele que a própria esquerda demoniza como o grande satã da burguesia, está agora fazendo apoio?
A idéia não era que o capital paga valores altos a campanhas políticas para defender os seus interesses? Que traição é essa?
Que hipóteses vocês dão aos próprios representantes da cartola não estarem lutando com unhas e dentes e impedindo que isso seja promulgado?
Minhas hipóteses?
- Toda vez que temos aumento dos direitos trabalhistas, as empresas maiores conseguem derrubar espaço das menores.
- Os grandes interessados não estão preocupados. Se vc é o franqueador da Pague Menos, Dr Consulta ou Drogasil, o seu franqueado vai ter mais custos, mas vc continua recebendo do mesmo jeito e deixa ele se lascar. Se vc é dono de uma empresa de ônibus, pede aditivo no contrato e a prefeitura que banca.
- O setor supermercadista não está forte o suficiente.
Que hipóteses vocês dão?
Pergunta genuina: faz sentido existir o mestrado?
Hoje, temos os títulos de mestre e doutor.
Outros países ainda exigem outros títulos após o PhD, como a Habilitation da Alemanha ou a Habilitation pour Diriger las Recherches da França.
A pergunta é: há real necessidade de mais de um título para formar o pesquisador? Vejo que o mestrado é um diploma intermediário que não te permite nada na carreira científica, no máximo um boost em concursos que exijam títulos (que não são de carreira de pesquisa) ou algumas universidades particulares que, entre o mestre e o doutor, prefere o mestre.
É mesmo necessário o título intermediário? Não seria melhor formar diretamente o doutor e começar a carreira em menos tempo?
Pergunta genuina: faz sentido existir o mestrado?
Hoje, temos os títulos de mestre e doutor. Outros países ainda exigem outros títulos após o PhD, como a Habilitation da Alemanha ou a Habilitation pour Diriger las Recherches da França.
A pergunta é: há real necessidade de mais de um título para formar o pesquisador?
Vejo que o mestrado é um diploma intermediário que não te permite nada na carreira científica, no máximo um boost em concursos que exijam títulos (que não são de carreira de pesquisa) ou algumas universidades particulares que, entre o mestre e o doutor, prefere o mestre.
A pergunta: é mesmo necessário o título intermediário? Não seria melhor formar diretamente o doutor e começar a carreira em menos tempo?
Apesar de todos os problemas, as redes sociais trouxeram mais democracia ao Brasil
Antes de morrer, o escritor Umberto Eco disse que as redes sociais deram voz a pessoas que diziam groselhas no bar da esquina.
Isso resultou em fazer com que todo tipo de idéia maluca que saiu de uma mesa de conversas para o debate público, pois, agora as pessoas têm voz para um público indeterminado de pessoas. Terraplanismo, cloroquina, ozônio no reto e agora, detergente Ypê. Em outros tempos, essas idéias ficavam numa mesa de bar num grupo minúsculo de pessoas. Hoje, viram fenômenos de rede.
O que quero argumentar aqui é: apesar desses problemas, o debate público ser feito nas redes sociais é melhor e mais democrático do que a forma anterior.
Como era todo o debate público antes de a Meta existir no mundo? Resposta: era feito por um grupo minúsculo de grandes jornalistas, escritores e acadêmicos e, muito de vez em quando, por alguns grandes juristas. Tudo o que se debatia de qualquer assunto era dessa ultra-elite que não passa de 300 pessoas.
Olhe a Folha ou o Estado de São Paulo e veja quem escreve nelas. Olha para William Waack, Mônica Bergamo, Tati Bernardi, Djamila Ribeiro, Roberto Macedo, Marcos Jank, Fabio Giambiagi e análogos. Antes das redes sociais, só eles falavam de qualquer assunto político, econômico ou social.
Aí eu pergunto: eles são parecidos ou diferentes de você? Qual o background acadêmico deles? Qual o tipo de opinião deles e como ela se diferencia da sua?
Eu pergunto: o seu Tião ou a Dona Cleide vê eles como alguém que pensa o que eu penso? O grande problema é que, antes das redes sociais, não somente eles eram os únicos a falar como vc também era obrigado a se ajoelhar e considerar o que as emissoras, jornais e editoras diziam como verdade absoluta. Que eles eram os estudados e você era o burro que não se dedicou ao debate público como alguém que vive disso.
As redes sociais arrancaram o monopólio. Se todos têm voz e alguns se multiplicam, caso paguem tráfego, de forma mais acessível do que rodar 150 mil exemplares todo dia, como foi o Estadão no seu auge.
E essa é a grande promessa democrática: se qualquer um pode falar, o seu Tião e a Dona Cleide falam. Se você precisa de seguidores fixos e engajamento, você precisa que a opinião lhe traga interesse e atenção imediatos, ou você pula em segundo para outro.
Sim, se descobriu que a opinião média do brasileiro é muito diferente dos colunistas do jornal ou das emissoras de TV e um país administrado com democracia real vai ser muito diferente do país dos jornalistas e o governo se torna diferente.
Apesar de tudo, sim, sei dos problemas da política de redes sociais e das distorções que causam. Mas te garanto: é bom demais não ser obrigado a beijar os pés dos jornalistas dos grandes veículos e não me sentir inferior porque não me dedico o dia a dia aos assuntos públicos como eles e tenho opinião diferente. Mais: acho que muitos aqui também se sentem aliviados de ver a opinião do Seu Tião no Youtube.
A direita não tem futuro por sua própria inépcia
Vejam a loucura coletiva do detergente Ypê!
E, vira e mexe, o campo da direita não tem sanidade mental mínima: é rezar para pneu, é velhinho fazendo marcha idiota em quartel, é idiota trepado na frente de caminhão, é cancelamento da Havaianas.
A política estúpida da direita de gerar influenciadores que conseguem alto engajamento falando groselha, mas que não têm capacidade alguma de levar adiante as próprias propostas que fazem em rede social.
E é por isso que vão falhar no longo prazo. Para chegar no cargo eletivo, tem de conseguir ser votado, mas, para de fato implementar o que promete e não ser trocado, tem de ter sólido embasamento técnico, intelectuais, técnicos e juristas de alto nível que justifiquem e saibam implementar as propostas. E aí que a direita está condenada: não tem esse corpo de técnicos de alto nível e intelectuais que saibam o que estão fazendo.
A esquerda tem essa base de intelectuais e técnicos, das melhores universidades, dos juristas que conseguem contornar o Congresso no ativismo judicial (oi, Barroso), dos grandes gestores públicos. E, por isso, sempre que assumem algum cargo eletivo, conseguem implementar o que defendem.
Onde é o contrário disso? Nos EUA. Lá, o campo da direita possui um ecossistema de jornais, revistas, think tanks cheios da grana, estudos acadêmicos de alto nível e, quando um governo republicano é eleito, não importa onde ou como, são eles que vão ser os assessores e são eles que vão controlar as nomeações judiciais.
Exemplos desses think tanks: Heritage Foundation, CATO Institute, American Enterprise Institute. No direito, temos a Federalist Society e nenhum presidente vai nomear um juiz federal ou ministro da Suprema Corte sem que eles autorizem. O STF ia virar bem conservador e não teríamos criação de direitos no martelo judicial com um instituto desses.
Paradoxalmente, a burrice da direta é tudo o que a esquerda quer: eles são tão ineptos que nunca vão ser um risco real.
Imagina um mundo alternativo em que Bolsonaro ganha em 2018, mas a administração por trás dele tem experiência e formação nas melhores universidades, mas acredita no que ele pensa e implementa da melhor forma possível? Que as duas vagas no STF fossem para juristas com sólida formação acadêmica e viés ideológico exatamente do presidente? Cássio jamais teria sido nomeado.
Nos EUA, a administração Trump é assim.
A direita não tem esse corpo de técnicos. Para, você de esquerda, respire aliviado: seus inimigos não sabem concretizar o que defendem. Para você, de direita, sinta-se frustrado.
Ps: posso ser de direita e achar as manifestações que houve com a eleição do Lula ridículas? Posso achar que ficar trepando no caminhão ou rezar para um pneu uma loucura coletiva?
A direita não tem futuro por sua própria inépcia
Vejam a loucura coletiva do detergente Ypê!
E, vira e mexe, o campo da direita não tem sanidade mental mínima: é rezar para pneu, é velhinho fazendo marcha idiota em quartel, é idiota trepado na frente de caminhão, é cancelamento da Havaianas.
A política estúpida da direita de gerar influenciadores que conseguem alto engajamento falando groselha, mas que não têm capacidade alguma de levar adiante as próprias propostas que fazem em rede social.
E é por isso que vão falhar no longo prazo. Para chegar no cargo eletivo, tem de conseguir ser votado, mas, para de fato implementar o que promete e não ser trocado, tem de ter sólido embasamento técnico, intelectuais, técnicos e juristas de alto nível que justifiquem e saibam implementar as propostas. E aí que a direita está condenada: não tem esse corpo de técnicos de alto nível e intelectuais que saibam o que estão fazendo.
A esquerda tem essa base de intelectuais e técnicos, das melhores universidades, dos juristas que conseguem contornar o Congresso no ativismo judicial (oi, Barroso), dos grandes gestores públicos. E, por isso, sempre que assumem algum cargo eletivo, conseguem implementar o que defendem.
Onde é o contrário disso? Nos EUA. Lá, o campo da direita possui um ecossistema de jornais, revistas, think tanks cheios da grana, estudos acadêmicos de alto nível e, quando um governo republicano é eleito, não importa onde ou como, são eles que vão ser os assessores e são eles que vão controlar as nomeações judiciais.
Exemplos desses think tanks: Heritage Foundation, CATO Institute, American Enterprise Institute. No direito, temos a Federalist Society e nenhum presidente vai nomear um juiz federal ou ministro da Suprema Corte sem que eles autorizem. O STF ia virar bem conservador e não teríamos criação de direitos no martelo judicial com um instituto desses.
Paradoxalmente, a burrice da direta é tudo o que a esquerda quer: eles são tão ineptos que nunca vão ser um risco real.
Imagina um mundo alternativo em que Bolsonaro ganha em 2018, mas a administração por trás dele tem experiência e formação nas melhores universidades, acredita no que ele pensa e implementa da melhor forma possível? Que as duas vagas no STF fossem para juristas com sólida formação acadêmica e viés ideológico exatamente do presidente? Cássio jamais teria sido nomeado.
Nos EUA, a administração Trump é assim.
A direita não tem esse corpo de técnicos. Para, você de esquerda, respire aliviado: seus inimigos não sabem concretizar o que defendem. Para você, de direita, sinta-se frustrado.
A direita não tem futuro por sua própria inépcia
Vejam a loucura coletiva do detergente Ypê!
E, vira e mexe, o campo da direita não tem sanidade mental mínima: é rezar para pneu, é velhinho fazendo marcha idiota em quartel, é idiota trepado na frente de caminhão, é cancelamento da Havaianas.
A política estúpida da direita de gerar influenciadores que conseguem alto engajamento falando groselha, mas que não têm capacidade alguma de levar adiante as próprias propostas que fazem em rede social.
E é por isso que vão falhar no longo prazo. Para chegar no cargo eletivo, tem de conseguir ser votado, mas, para de fato implementar o que promete e não ser trocado, tem de ter sólido embasamento técnico, intelectuais, técnicos e juristas de alto nível que justifiquem e saibam implementar as propostas. E aí que a direita está condenada: não tem esse corpo de técnicos de alto nível e intelectuais que saibam o que estão fazendo.
A esquerda tem essa base de intelectuais e técnicos, das melhores universidades, dos juristas que conseguem contornar o Congresso no ativismo judicial (oi, Barroso), dos grandes gestores públicos. E, por isso, sempre que assumem algum cargo eletivo, conseguem implementar o que defendem.
Onde é o contrário disso? Nos EUA. Lá, o campo da direita possui um ecossistema de jornais, revistas, think tanks cheios da grana, estudos acadêmicos de alto nível e, quando um governo republicano é eleito, não importa onde ou como, são eles que vão ser os assessores e são eles que vão controlar as nomeações judiciais.
Exemplos desses think tanks: Heritage Foundation, CATO Institute, American Enterprise Institute. No direito, temos a Federalist Society e nenhum presidente vai nomear um juiz federal ou ministro da Suprema Corte sem que eles autorizem. O STF ia virar bem conservador e não teríamos criação de direitos no martelo judicial com um instituto desses.
Paradoxalmente, a burrice da direta é tudo o que a esquerda quer: eles são tão ineptos que nunca vão ser um risco real.
Imagina um mundo alternativo em que Bolsonaro ganha em 2018, mas a administração por trás dele tem experiência e formação nas melhores universidades, mas acredita no que ele pensa e implementa da melhor forma possível? Que as duas vagas no STF fossem para juristas com sólida formação acadêmica e viés ideológico exatamente do presidente? Cássio jamais teria sido nomeado.
Nos EUA, a administração Trump é assim. A direita brasileira não tem esse corpo de técnicos.
Para, você de esquerda, respire aliviado: seus inimigos não sabem concretizar o que defendem. Para você, de direita, sinta-se frustrado.