Quais os limites do capitalismo HOJE? O não-debate estrutural no centro de todas as polêmicas
Existem setores na esquerda hoje que criticam o PT duramente devido a sua política econômica, chamando de neoliberal, e propõem alternativas mais próximas daquelas dadas pelos keynesianos e MMT, esses setores já existiam mas foram muito amplificados pelos webcomunistas (Jones, Humberto, etc). Os setores mais governistas rebatem dizendo que não há correlação de forças que essas políticas não são possíveis da forma como se faz parecer, que as críticas não são justas.
Ambos parecem pressupor que a questão é sobretudo política, ou seja, trata-se de se ter poder suficiente, mobilização popular, apoio para um dado projeto político que pode-se então praticar as políticas. Me parece que nenhum deles olham para os limites estruturais do capitalismo hoje, e com estruturais eu quero dizer sobre o movimento do capital no nível global, taxa média de lucro, taxa de mais valia, setores economicos mais fortes, grupos economicos mais fortes, tudo que Marx está discutindo nos três livros do capital e que Lenin complementa depois em sua obra sobre Imperalismo.
Veja uma coisa que me parece que poucos tem clareza é que não é porque uma política economica foi possível numa época por exemplo no pós-guerra ou no new deal, que ela é possível hoje, e não por motivos puramente políticos de influencia externa dos EUA e etc (isso também pesa), mas também por motivos estruturais. Por exemplo, sabemos que as questões estruturais não se resumem a isso, mas com a lei geral de tendencia da queda da taxa de lucro o capitalismo se torna cada vez mais instável, mais voraz, a margem de manobra se torna menor. Eu não sei os limites do capitalismo atual, mas por isso que eu acho que iniciativas como o anuário estatístico do Ilaese são essenciais, talvez seja O trabalho de cunho teórico e analítico mais importante que deveríamos todos estar buscando fazer enquanto sociedade pois busca entender as delimitações estruturais e os limites do capitalismo hoje.
Chego agora na conclusão, a quantidade de margem de manobra economica que você supor que existe vai afetar a sua visão sobre um dado governo: ele pode ser mais entreguista e rebaixado ou mais próximo do melhor que dá pra fazer dado o contexto. Se você cair no primeiro caso (como fazem os webcomunistas) e na verdade estivermos no segundo caso, o que vai acontecer é que você vai estar ajudando a minar uma das melhores alternativas que temos no momento (por pior que seja talvez aquilo seja próximo do melhor que dá pra fazer nos limites atuais) e quando você assumir o poder e tentar aplicar suas ideias keynesianas vai ver tudo explodindo na sua cara porque os mesmos limites vão estar lá pra te mostrar que você estava iludido o tempo todo. Acho que sobretudo o que deve ser reconhecido como um erro é se pretender enquanto administrador do capitalismo, você pode e deve apontar os erros do PT, mas sempre para escancarar os próprios limites do sistema capitalista e elevar os níveis de consciencia, e não para depois falar "era só eles terem feito isso e isso, se fosse eu lá eu faria".
PS: Durante o texto eu fiz uma certa separação entre o político e o estrutural, entre o superestrutural e o estrutural, essa separação é no fim artificial, as coisas se influenciam mutuamente e o fato de termos uma pressão política de setores economicos diz sobre as necessidade e a influencia desses setores, ou seja, diz sobre as próprias determinações estruturais