Dois Estranhos Que Ainda Se Amam

Eles não terminaram porque deixaram de se amar.

Talvez esse tenha sido o pior.

Tudo começou com um desentendimento pequeno. Uma palavra dita no momento errado, uma mensagem interpretada de forma diferente, um orgulho que nenhum dos dois quis engolir.

— Depois a gente conversa.

Foi o que disseram.

Mas o "depois" nunca chegou.

Os dias passaram.

Depois, semanas.

E o silêncio começou a ocupar o espaço onde antes existiam conversas intermináveis.

No começo, os dois esperavam que o outro procurasse.

Ela esperava uma mensagem.

Ele esperava uma ligação.

Nenhum dos dois teve coragem.

E, com o tempo, o orgulho virou distância.

A distância virou costume.

E o costume virou uma vida onde fingiam não sentir falta.

Eles continuaram vivendo.

Ela postava fotos sorrindo.

Ele curtia algumas em silêncio.

Ele aparecia bem nas fotos.

Ela olhava por alguns segundos a mais do que deveria.

Às vezes, cruzavam pelo mesmo lugar.

E era estranho.

Duas pessoas que um dia sabiam exatamente como o outro gostava do café agora mal conseguiam dizer "oi".

Ela sabia o jeito que ele sorria quando estava nervoso.

Ele sabia quando ela estava triste apenas pelo jeito como escrevia "estou bem".

Agora eram estranhos.

Estranhos que ainda se reconheciam um ao outro de longe.

Certa noite, ela abriu a conversa antiga.

Leu mensagens de anos atrás.

"Boa noite, meu amor."

"Chegou bem?"

"Estou com saudade."

"Promete que não vai embora?"

Ela chorou.

Não porque tivesse deixado de amar.

Mas porque percebeu que ainda amava exatamente a mesma pessoa que havia aprendido a perder.

Naquela mesma noite, ele também abriu a conversa.

Digitou:

"Eu ainda amo você."

Ficou olhando para aquelas palavras.

O dedo pairou sobre o botão de enviar.

Mas ele apagou.

Porque tinha medo de descobrir que ela já não sentia o mesmo.

Ela fez exatamente a mesma coisa.

Escreveu:

"Eu nunca deixei de te amar."

E apagou.

Talvez aquele tenha sido o momento mais triste da história deles.

Não quando se afastaram.

Mas quando os dois, separados por uma tela, disseram a mesma coisa em silêncio.

Ainda se amavam.

Ainda sentia saudade.

Ainda pensavam um no outro.

Mas nenhum dos dois sabia como voltar.

E talvez algumas histórias de amor não terminam quando o sentimento acaba.

Algumas terminam quando duas pessoas que ainda se amam ficam esperando uma pela outra... até que o medo seja maior que a coragem.

Anos depois, quando alguém perguntou a ele se havia amado alguém de verdade, ele respondeu:

— Sim. Mas nós nos perdemos por causa de uma coisa pequena demais para destruir um amor tão grande.

Ela, quando fizeram a mesma pergunta, respondeu:

— Eu também.

E os dois seguiram suas vidas.

Com outras pessoas.

Outros lugares.

Outros momentos.

Mas, de vez em quando, quando ouviam uma música antiga ou passavam por algum lugar conhecido, lembravam.

Não do fim.

Do começo.

Da época em que ainda eram tudo um para o outro.

E talvez essa seja a forma mais dolorosa de saudade:

amar alguém que ainda está vivo, que ainda pode estar pensando em você, mas que hoje passa por você como se vocês nunca tivessem sido casa um do outro.

reddit.com
u/Desconhecidosr3 — 7 days ago
▲ 2 r/u_Desconhecidosr3+1 crossposts

Dois Estranhos Que Ainda Se Amam

Eles não terminaram porque deixaram de se amar.

Talvez esse tenha sido o pior.

Tudo começou com um desentendimento pequeno. Uma palavra dita no momento errado, uma mensagem interpretada de forma diferente, um orgulho que nenhum dos dois quis engolir.

— Depois a gente conversa.

Foi o que disseram.

Mas o "depois" nunca chegou.

Os dias passaram.

Depois, semanas.

E o silêncio começou a ocupar o espaço onde antes existiam conversas intermináveis.

No começo, os dois esperavam que o outro procurasse.

Ela esperava uma mensagem.

Ele esperava uma ligação.

Nenhum dos dois teve coragem.

E, com o tempo, o orgulho virou distância.

A distância virou costume.

E o costume virou uma vida onde fingiam não sentir falta.

Eles continuaram vivendo.

Ela postava fotos sorrindo.

Ele curtia algumas em silêncio.

Ele aparecia bem nas fotos.

Ela olhava por alguns segundos a mais do que deveria.

Às vezes, cruzavam pelo mesmo lugar.

E era estranho.

Duas pessoas que um dia sabiam exatamente como o outro gostava do café agora mal conseguiam dizer "oi".

Ela sabia o jeito que ele sorria quando estava nervoso.

Ele sabia quando ela estava triste apenas pelo jeito como escrevia "estou bem".

Agora eram estranhos.

Estranhos que ainda se reconheciam um ao outro de longe.

Certa noite, ela abriu a conversa antiga.

Leu mensagens de anos atrás.

"Boa noite, meu amor."

"Chegou bem?"

"Estou com saudade."

"Promete que não vai embora?"

Ela chorou.

Não porque tivesse deixado de amar.

Mas porque percebeu que ainda amava exatamente a mesma pessoa que havia aprendido a perder.

Naquela mesma noite, ele também abriu a conversa.

Digitou:

"Eu ainda amo você."

Ficou olhando para aquelas palavras.

O dedo pairou sobre o botão de enviar.

Mas ele apagou.

Porque tinha medo de descobrir que ela já não sentia o mesmo.

Ela fez exatamente a mesma coisa.

Escreveu:

"Eu nunca deixei de te amar."

E apagou.

Talvez aquele tenha sido o momento mais triste da história deles.

Não quando se afastaram.

Mas quando os dois, separados por uma tela, disseram a mesma coisa em silêncio.

Ainda se amavam.

Ainda sentia saudade.

Ainda pensavam um no outro.

Mas nenhum dos dois sabia como voltar.

E talvez algumas histórias de amor não terminam quando o sentimento acaba.

Algumas terminam quando duas pessoas que ainda se amam ficam esperando uma pela outra... até que o medo seja maior que a coragem.

Anos depois, quando alguém perguntou a ele se havia amado alguém de verdade, ele respondeu:

— Sim. Mas nós nos perdemos por causa de uma coisa pequena demais para destruir um amor tão grande.

Ela, quando fizeram a mesma pergunta, respondeu:

— Eu também.

E os dois seguiram suas vidas.

Com outras pessoas.

Outros lugares.

Outros momentos.

Mas, de vez em quando, quando ouviam uma música antiga ou passavam por algum lugar conhecido, lembravam.

Não do fim.

Do começo.

Da época em que ainda eram tudo um para o outro.

E talvez essa seja a forma mais dolorosa de saudade:

amar alguém que ainda está vivo, que ainda pode estar pensando em você, mas que hoje passa por você como se vocês nunca tivessem sido casa um do outro.

reddit.com
u/Desconhecidosr3 — 8 days ago
▲ 7 r/literatura+1 crossposts

Talvez um dia você leia isso.

Eu não sei se um dia você vai encontrar estas palavras. Talvez nunca encontre. Talvez passem anos e elas permaneçam aqui, escondidas entre tantas histórias de pessoas que também perderam alguém. Mas, se algum dia você ler isso e sentir que algumas palavras parecem conhecer a nossa história, talvez sejam mesmo sobre você. Nós fomos duas pessoas que, em algum momento, se encontraram e fizeram sentido uma para a outra. Existiram conversas, olhares, momentos simples que, naquela época, pareciam pequenos, mas que hoje carregam um peso enorme dentro de mim. O tempo passou. A vida mudou. Nós mudamos. E, em algum momento, aquilo que parecia tão próximo ficou distante demais Hoje, quase não sabemos mais um do outro. E essa é uma das partes mais dolorosas. Porque é estranho sentir falta de alguém que já não faz parte da nossa rotina. Não saber como está, o que está vivendo, se está feliz, se ainda lembra de alguma coisa. Às vezes me pergunto se, em algum momento do seu dia, você também se lembra de mim — nem que seja por alguns segundos de alguma música, algum lugar ou alguma situação já fez você pensar naquilo que fomos ou ate mesmo essa frase "⁠A vida é muito curta pra te amar só em uma. Prometo te procurar na próxima vida." Não estou escrevendo para pedir que volte, nem para despertar algo que talvez já tenha acabado. Só queria que, em algum lugar dentro de você, existisse a certeza de que alguém te amou de verdade. Alguém que, mesmo depois de tanto tempo e de tanto silêncio, ainda deseja que você seja feliz. Talvez nosso caminho tenha terminado. Talvez a vida ainda tenha alguma surpresa guardada. Eu não sei. Escrevo porque existem sentimentos que a gente não consegue simplesmente apagar só porque a história terminou. Só sei que, se um dia você olhar para trás e se perguntar se alguém ainda se lembra de você com carinho, a resposta é sim. E talvez esse seja o único motivo desta mensagem existir. Porque algumas histórias terminam sem deixar de ser importantes. E algumas pessoas deixam de estar perto, mas nunca deixam completamente o coração da gente. Hoje, se eu pudesse falar com você sem medo, sem orgulho e sem esperar absolutamente nada em troca, eu diria apenas:

obrigado por ter existido na minha vida.

Você foi uma parte da minha história que eu não consegui esquecer. Talvez porque alguns amores não acabam quando as pessoas se afastam. Eles apenas aprendem a existir em silêncio. Obrigado pelos momentos que foram bons. Pelos sentimentos que foram verdadeiros enquanto duraram e até pela dor que ficou depois Porque, apesar de tudo, eu prefiro ter vivido uma história que terminou do que nunca ter conhecido aquilo que senti por você. Talvez você nunca leia isso. Talvez leia e nunca descubra quem escreveu. Talvez reconheça alguma coisa e simplesmente siga adiante.

E tudo bem. Só queria deixar registrado em algum lugar que, em uma parte da minha vida, existiu alguém que significou muito. Alguém que o tempo levou para longe, mas que nunca conseguiu transformar completamente em uma lembrança qualquer. E se, por alguma coincidência da vida, você estiver lendo estas palavras agora... Eu espero que você esteja bem, mesmo que não esteja mais comigo, mesmo que nunca volte, mesmo que hoje eu seja apenas uma lembrança distante na sua vida. Eu só queria que você soubesse que, em algum lugar do mundo, alguém ainda se lembra da nossa história com carinho. E talvez essa seja a última coisa que eu possa fazer por nós:

deixar nossa história existir em algum lugar, mesmo que ninguém saiba quem somos. Se cuida viu, estou torcendo por você sempre.

EU TE AMO PEQUENA. VOCÊ SABE.

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u/Desconhecidosr3 — 16 days ago