Se
Sobre os cacos do que deixei passar,
Sangro sempre sob a mesma história.
Despojo-me nestas lágrimas sem cessar,
No ardor desta lembrança tão inglória.
Calo-me diante do fel da despedida,
Como quem busca em vão um sentido.
Tornei-me adorno dessa dor acometida
Por deixar o que era meu ter partido.
Ao fim do que sequer foi começo,
Nutrido por este resguardo covarde,
A desilusão cobrou do medo o seu preço,
Lançando ao "se" tamanha verdade.
O inefável se foi entre meus dedos,
Junto ao cálice do que jamais senti.
Fez-se, assim, o maior dos meus pesadelos.
Ah! Como, como eu não percebi...
Desko*