▲ 264 r/BrasildoB

PT inunda a Avenida Paulista.

De um militante da UP pros demais frequentadores do fórum: é fato que a cada dia cresce a importância de se construir e defender o projeto socialista de emancipação da classe, e essa tarefa exige mais maturidade do que a exaustiva repetição de “platitudes de ordem” sobre conciliação e neoliberalismo. Socialismo não é uma identidade estética nem uma coleção de referências teóricas (especialmente se for YouTube), é um projeto de transformação das relações sociais que precisa ser pensado a partir da organização concreta da classe trabalhadora, de suas experiências, contradições e também de seus limites. É perfeitamente possível, e nessa altura, necessário, sustentar uma perspectiva revolucionária sem transformar a crítica ao reformismo em desprezo cínico pela história real da luta de classes brasileira.

Cumpre à juventude aprender a separar a crítica política da caricatura. O PT acumula seu leque de contradições desde sua fundação, protagonizou seu leque de escolhas políticas discutíveis, seus limites deveriam ser debatidos de forma qualificada, sem perdermos de horizonte que este constitui, historicamente, uma das experiências mais concretas e duradouras de organização política de setores da classe trabalhadora brasileira. Ignorar isso só porque o partido não corresponde ao seu projeto não torna sua análise mais “revolucionária”; se muito, é um aborto histórico. A tarefa de quem pretende superar os limites do presente não é passar a borracha nas experiências existentes, mas compreendê-las, saber o que produziram, quais contradições carregaram e por que foram capazes de organizar e impulsionar milhões de pessoas, como é visível no vídeo, foi visível na terceira eleição de Lula em meio a um evidente processo de fascistização da população, foi visível nos 15 milhões de votos que o Haddad tirou do primeiro pro segundo turno em 18, foi visível na eleição e reeleição da primeira mulher presidente da República, foi visível pros ex-famintos que saíram do Mapa da Fome, foi visível pros jovens negros que foram os primeiros de sua família a pisarem em universidades (como eu fui), etc. Bem verdade que tem se feito visível e evidente ininterruptamente desde a redemocratização.

Nosso compromisso é com a razão, não cedamos espaço ao cinismo, à presunção e ao aceleracionismo, que em essência é antipovo.

u/Necessary-Garage-858 — 12 days ago
▲ 1.1k r/opiniaopopular+2 crossposts

"Você faz o seu próprio salário" corrói a mente das pessoas.

(Não excluindo a hipótese da faca que o chefe está segurando ser meio intimidadora mesmo).

u/Necessary-Garage-858 — 2 months ago

O quanto as pessoas sinceramente ligam pro racismo argentino, e o quanto é um efeito manada improdutivo de pessoas brincando de caricaturas?

Reaproveitando o texto de outra postagem, o raciocínio parte do duplo tratamento que se costuma dar aos recorrentes de casos de racismo em diferentes países da América Latina: todos deveriam servir como um convite à reflexão sobre o problema enquanto panorama geral e suas semelhanças com o Brasil, mas seletivamente se elegeu a Argentina como alvo fixo e a coisa entrou em uma lógica de reforço de estereótipos nacionais, e nada muito além.

Agora mesmo em 2026, uma senadora paraguaia publicou comentários repugnantes sobre o Kylian Mbappé (e ainda dobrou a aposta quando ele a confrontou), e uns anos atrás, uma compatriota dela foi expulsa do Gran Hermano argentino por comentários racistas contra uma participante congolesa. Dá pra falar ainda do empresário chileno preso no Brasil, após ofender funcionários de uma companhia aérea e agentes públicos com insultos racistas durante um voo internacional, ou do tratamento que alguns torcedores mexicanos deram ao Ronaldinho Gaúcho e o Saint-Maximin, ou então dos tenistas da Colômbia e Venezuela que foram presos por aqui, também por injúria racial, ou mesmo dos Uruguaios imitando macacos pra brasileiros em partidas da libertadores. Vejam, citando esses casos eu não tenho por objetivo estabelecer qualquer "ranking" do racismo na região, ou afirmar que, mediante apenas casos isolados, dizer que o problema se apresenta com mesmo grau e forma ao longo do continente, pretendo ilustrar um fato simples: o preconceito racial é um problema latino-americano, e o elo em comum costuma se encontrar em uma classe média branca historicamente muito racista.

Apesar disso, parte do debate público brasileiro parece sempre tratar a Argentina como se fosse uma exceção ou especial, transformando o país em uma espécie de sinônimo de racismo. É uma narrativa confortável na medida em que simplifica um problema estrutural e desloca o foco para um "outro" (um arquétipo) facilmente identificável, mas que resta sobre a evidente contradição de, por uma mão, se colocar na posição (correta) de condenar a essencialização racial dos indivíduos, enquanto na outra, se faz o movimento de essencializar um país inteiro, atribuindo a dezenas de milhões de pessoas uma característica moral uniforme. Não importa que a Argentina praticamente nasceu no século 19, que tenha sido sempre um país mestizo (índio com espanhol) e que teve uma massiva imigração europeia concentrada no centro do país, permanecendo o norte e o sul profundamente impactados pela herança indígena e mestiza, certamente são todos iguais. Não importa também que Buenos Aires reproduz a mesma dinâmica dos grandes centros urbanos brasileiros, com os bairros de classe média sendo quando que exclusivamente brancos, e os subúrbios e villas progressivamente mais mestizos, todo argentino continua deve ser igual.

Nessa, se apaga que a sociedade argentina é uma sociedade em disputa (como em qualquer outro canto no mundo), e ignora as disputas políticas e avanços institucionais. A reforma constitucional de 1994, que reconheceu a preexistência étnica e cultural dos povos indígenas, assegurando direitos relacionados à identidade, à educação intercultural bilíngue e à posse comunitária das terras tradicionalmente ocupadas, e o fortalecimento, nas últimas décadas, das organizações afro-argentinas e indígenas, com maior e mais apuradas produções estatísticas sobre essas populações historicamente invisibilizadas, além da incorporação progressiva da temática racial nas políticas públicas e no debate acadêmico. Nada disso vem por osmóse ou porque sim, são todas conquistas produzidas por décadas de mobilização social, pressão de movimentos populares, atuação de pesquisadores, organizações da sociedade civil, comunidades indígenas e afrodescendentes, além de disputas travadas dentro do próprio Estado. Como em qualquer processo democrático, esses avanços convivem com seus retrocessos, resistências e contradições, mas evidenciam que a sociedade argentina não permaneceu inerte diante do problema racial, e ignorar tudo isso pra reduzir o país à caricatura de uma nação intrinsecamente racista não apenas falseia a história, como também obscurece a compreensão de como mudanças sociais efetivamente acontecem no geral.

Se reconhecemos que o Brasil não pode ser resumido às suas piores expressões de racismo (vide casos esporádicos de racismo partindo da torcida do Grêmio (que não é a única, e nem é a regra, peguei por ser um esteriótipo conhecido)), porque aqui existem movimentos negros, avanços legislativos, produção acadêmica e transformações culturais em curso, o coerente seria aplicar o mesmo critério analítico aos demais países da região, que compartilham das mesmas valências em graus de potência distintas. Do contrário, a coisa vira sobre substituir a crítica ao racismo por uma mera narrativa nacionalizante, que essencializa ela própria um povo inteiro e impede uma compreensão mais séria das dinâmicas sociais latino-americanas (piora porque a história da formação demográfica das províncias centrais da Argentina é bastante parecida com a da nossa região sul/são paulo), e que sempre foram especialmente complicadas.

A Argentina é bastante problemática, talvez mais que a média, mas tratar tudo e todos como uma massa uniforme insalvável é operar uma lógica que não está tão distante assim do racismo.

u/Necessary-Garage-858 — 3 months ago

A maioria das pessoas não realmente liga pro racismo da (classe média) argentina; só gosta de ter uma caricatura contra a qual possa brincar de se contrapor. A (classe média) do resto da América Hispânica sequer é tão melhor assim.

Sim, o título pressupõe uma caricatura de leitor-modelo muito específico, mas é como diz o ditado: aqui se faz e aqui se paga.

Meu pensamento parte da recorrência de casos de racismo em diferentes países da América Latina, que deveria servir como um convite à reflexão sobre o problema enquanto panorama geral e suas semelhanças com o Brasil, mas que na verdade é preterido por uma tendência simplória de centrar fogo na Argentina e reforçar estereótipos nacionais antes de tentar dizer qualquer coisa útil.

Agora mesmo em 2026, uma senadora paraguaia publicou comentários repugnantes sobre o Kylian Mbappé (e ainda dobrou a aposta quando ele a confrontou), e uns anos atrás, uma compatriota dela foi expulsa do Gran Hermano argentino por comentários racistas contra uma participante congolesa. Dá pra falar ainda do empresário chileno preso no Brasil, após ofender funcionários de uma companhia aérea e agentes públicos com insultos racistas durante um voo internacional, ou do tratamento que alguns torcedores mexicanos deram ao Ronaldinho Gaúcho e o Saint-Maximin, ou então dos tenistas da Colômbia e Venezuela que foram presos por aqui, também por injúria racial, ou mesmo dos Uruguaios imitando macacos pra brasileiros em partidas da libertadores. Vejam, citando esses casos eu não tenho por objetivo estabelecer qualquer "ranking" do racismo na região, ou afirmar que, mediante apenas casos isolados, dizer que o problema se apresenta com mesmo grau e forma ao longo do continente, pretendo ilustrar um fato simples: o preconceito racial é um problema latino-americano, e o elo em comum costuma se encontrar em uma classe média branca historicamente muito racista.

Apesar disso, parte do debate público brasileiro parece sempre tratar a Argentina como se fosse uma exceção ou especial, transformando o país em uma espécie de sinônimo de racismo. É uma narrativa confortável na medida em que simplifica um problema estrutural e desloca o foco para um "outro" (um arquétipo) facilmente identificável, mas que resta sobre a evidente contradição de, por uma mão, se colocar na posição (correta) de condenar a essencialização racial dos indivíduos, enquanto na outra, se faz o movimento de essencializar um país inteiro, atribuindo a dezenas de milhões de pessoas uma característica moral uniforme. Não importa que a Argentina praticamente nasceu no século 19, que tenha sido sempre um país mestizo (índio com espanhol) e que teve uma massiva imigração europeia concentrada no centro do país, permanecendo o norte e o sul profundamente impactados pela herança indígena e mestiza, certamente são todos iguais. Não importa também que Buenos Aires reproduz a mesma dinâmica dos grandes centros urbanos brasileiros, com os bairros de classe média sendo quando que exclusivamente brancos, e os subúrbios e villas progressivamente mais mestizos, todo argentino continua deve ser igual.

Nessa, se apaga que a sociedade argentina é uma sociedade em disputa (como em qualquer outro canto no mundo), e ignora as disputas políticas e avanços institucionais. A reforma constitucional de 1994, que reconheceu a preexistência étnica e cultural dos povos indígenas, assegurando direitos relacionados à identidade, à educação intercultural bilíngue e à posse comunitária das terras tradicionalmente ocupadas, e o fortalecimento, nas últimas décadas, das organizações afro-argentinas e indígenas, com maior e mais apuradas produções estatísticas sobre essas populações historicamente invisibilizadas, além da incorporação progressiva da temática racial nas políticas públicas e no debate acadêmico. Nada disso vem por osmóse ou porque sim, são todas conquistas produzidas por décadas de mobilização social, pressão de movimentos populares, atuação de pesquisadores, organizações da sociedade civil, comunidades indígenas e afrodescendentes, além de disputas travadas dentro do próprio Estado. Como em qualquer processo democrático, esses avanços convivem com seus retrocessos, resistências e contradições, mas evidenciam que a sociedade argentina não permaneceu inerte diante do problema racial, e ignorar tudo isso pra reduzir o país à caricatura de uma nação intrinsecamente racista não apenas falseia a história, como também obscurece a compreensão de como mudanças sociais efetivamente acontecem no geral.

Se reconhecemos que o Brasil não pode ser resumido às suas piores expressões de racismo (vide casos esporádicos de racismo partindo da torcida do Grêmio (que não é a única, e nem é a regra, peguei por ser um esteriótipo conhecido)), porque aqui existem movimentos negros, avanços legislativos, produção acadêmica e transformações culturais em curso, o coerente seria aplicar o mesmo critério analítico aos demais países da região, que compartilham das mesmas valências em graus de potência distintas. Do contrário, a coisa vira sobre substituir a crítica ao racismo por uma mera narrativa nacionalizante, que essencializa ela própria um povo inteiro e impede uma compreensão mais séria das dinâmicas sociais latino-americanas (piora porque a história da formação demográfica das províncias centrais da Argentina é bastante parecida com a da nossa região sul/são paulo), e que sempre foram especialmente complicadas.

10 anos atrás, eu fazia rigorosamente o mesmo com o Rio Grande do Sul, que pra mim era uma terra de racistas inveterados e gente normal era a exceção. Hoje sei que é só mais um lugar complicado na terra, longe da perfeição mas nem de longe esse caso insalvável todo. Não é saudável sustentar a ideia de transformar a Argentina em um novo Rio Grande do Sul.

u/Necessary-Garage-858 — 3 months ago
▲ 51 r/futebol+1 crossposts

O melhor início de Copa nesse século.

Last dance de Cristiano, Messi e Neymar;

Boa reunião de craques geracionais, e bem distribuidos entre veteranos, realidades e promessas;

Reunião de histórias: Mbappé e Messi em busca da segunda copa, Neymar e Cristiano no último esforço pelo maior título da carreira; Japão e Noruega apresentando suas melhores formas na história das copas; Alemanha de volta às eliminatórias depois de 12 anos; Inglaterra voltando a ter lampejos de sonhos; Marrocos, que caiu héroi na copa passada, volta pra essa como vilão;

Copa mais parelha em um nível decente de futebol em muito tempo;

Novo recorde de artilheira e disputa histórica de artilheira a vista (Mbappé vs Messi vs Haaland vs Vinicius Junior);

Vozinha;

Três países sedes, e todos classificados;

Modelo novo e mata-mata com uma fase a mais;

Estreia, em copas, de um dos maiores treinadores da história;

u/Necessary-Garage-858 — 4 months ago

Futebol é mais legal de se assisitir no mudo.

Já vamos tirar do caminho algumas coisas:

a) O Brasil forma sim excelentes narradores, a questão não é essa.

b) Não há problemas em gostar de assistir com som para não se sentir "só", a questão também não vai por aí.

c) Sim, a narração serve pra democratizar a transmissão, nem todo mundo vai entender o bastante de futebol (e nem tem que entender) pra assistir sem um "suporte", não vou cagar regra pra ninguém.

A questão é que o futebol já é um esporte rico em informação visual, acontece em um campo enorme, com vinte e duas pessoas correndo pra lá e pra cá, e pra quem já desenvolveu o hábito de assistir prestando atenção ao posicionamento, linhas de marcação, encaixes defensivos, movimentos sem a bola, etc, a narração basicamente só serve pra disputar atenção com o que realmente importa. O narrador só descreve algo que os olhos já estão vendo, o jogo em sí oferece mais detalhes, que passam batidos porque o espectador está mais ouvindo do que observando.

"Ah... mas e a emoção?", não é como se fosse algo que necessariamente precisa ser terceirizado. Um gol decisivo nos acréscimos ou uma defesa histórica a la Dibu já é emocionante por contra própria, não é como se fosse imprescindível alguém te conduzindo na mão pra isso, o sentimento é teu no final das contas kk (não estou descartando o valor da experiência da narração, estou dizendo que não precisamos escrever as coisas em pedra).

u/Necessary-Garage-858 — 4 months ago

Descanse em paz, Indio Solari

Ontem a América Latina se despediu de um de seus artistas mais importantes: Carlos "Indio" Solari.

Argentino de Paraná (capital da província de Entre-Ríos), seus principais trabalhos foram enquanto liderança da banda de Rock Patricio Rey y sus redonditos de Ricota, nos anos 80 e 90, quando se firmaram como ícones da contracultura e um dos pilares do riquíssimo "Rock nacional".

Agora, ele se junta à mesa com outras lendas, bem acompanhado por Luis Spinetta, Gustavo Ceratti, "Pappo" Napolitano, Miguel Abuelo, Luca Prodan, Tanguito e outras lendas rio-platenses.

u/Necessary-Garage-858 — 4 months ago
▲ 261 r/MusicaBR

Anúncio da seleção inglesa ao som de "Come Together". E se fosse o Brasil?

Sinceramente, achei esteticamente genial. É um dos anúncios de seleção mais legais que eu me lembro de ter visto.

Se o Brasil copiasse a ideia, qual artista vocês acham que faria mais sentido ser homenageado?

Clichê, mas voto no Ponta de Lança Africano (Umbabarauma), do Jorge Ben.

u/Necessary-Garage-858 — 5 months ago

Acho a maior parte da discografia dela bacana, esses quatro aí bem sólidos (Sexo con modelos, Prender un fuego, Mojigata e Luna en Obras).

Acho que ela acaba sendo uma manifestações mais exemplares do "zeitgeist" argentino da década passada (sexualidade, identidade, vontade de gritar, desencanto e a saturação política de uma geração que herdou o país em combustão perene. Fora uma autoconsciência meio melancólica de quem já percebeu o desgaste da própria cena).

u/Necessary-Garage-858 — 6 months ago