PT inunda a Avenida Paulista.
De um militante da UP pros demais frequentadores do fórum: é fato que a cada dia cresce a importância de se construir e defender o projeto socialista de emancipação da classe, e essa tarefa exige mais maturidade do que a exaustiva repetição de “platitudes de ordem” sobre conciliação e neoliberalismo. Socialismo não é uma identidade estética nem uma coleção de referências teóricas (especialmente se for YouTube), é um projeto de transformação das relações sociais que precisa ser pensado a partir da organização concreta da classe trabalhadora, de suas experiências, contradições e também de seus limites. É perfeitamente possível, e nessa altura, necessário, sustentar uma perspectiva revolucionária sem transformar a crítica ao reformismo em desprezo cínico pela história real da luta de classes brasileira.
Cumpre à juventude aprender a separar a crítica política da caricatura. O PT acumula seu leque de contradições desde sua fundação, protagonizou seu leque de escolhas políticas discutíveis, seus limites deveriam ser debatidos de forma qualificada, sem perdermos de horizonte que este constitui, historicamente, uma das experiências mais concretas e duradouras de organização política de setores da classe trabalhadora brasileira. Ignorar isso só porque o partido não corresponde ao seu projeto não torna sua análise mais “revolucionária”; se muito, é um aborto histórico. A tarefa de quem pretende superar os limites do presente não é passar a borracha nas experiências existentes, mas compreendê-las, saber o que produziram, quais contradições carregaram e por que foram capazes de organizar e impulsionar milhões de pessoas, como é visível no vídeo, foi visível na terceira eleição de Lula em meio a um evidente processo de fascistização da população, foi visível nos 15 milhões de votos que o Haddad tirou do primeiro pro segundo turno em 18, foi visível na eleição e reeleição da primeira mulher presidente da República, foi visível pros ex-famintos que saíram do Mapa da Fome, foi visível pros jovens negros que foram os primeiros de sua família a pisarem em universidades (como eu fui), etc. Bem verdade que tem se feito visível e evidente ininterruptamente desde a redemocratização.
Nosso compromisso é com a razão, não cedamos espaço ao cinismo, à presunção e ao aceleracionismo, que em essência é antipovo.