Tentei aproveitar minha antiga crise de fé para ver oque um crente indagaria com meus argumentos
Corto o cabeço com um barbeiro que me conhece a um tempo, ele acompanhou o meu processo da descoberta da minha esclerose múltipla, porém ele não sabe sobre meu recém ateísmo.
Decidi ir hoje e aproveitar a conversa que rola durante o corte pra tentar trazer um dos argumentos que me fizeram me encaminhar para o ateísmo que é a cura de somente coisas possíveis. Decidi omitir a parte do ateísmo e voltar ao estado de crise de fé que eu me encontrava antes de decidir virar ateu (fazer um faz de conta) para não parecer que eu estava confrontando a fé dele, a minha intenção era ver até onde eu conseguiria conversar sobre as falhas bíblicas e oque ele falaria sem se sentir atacado.
Comecei falando sobre minha doença e como ela é uma parada que a longo prazo pode me deixar sem andar, pra ele compreender oque eu senti na época. Depois falei pra ele que descobrir essa doença me fez enxergar de uma perspectiva diferente a situação da cura, que eu achava estranho não ter nenhuma pessoa curada e o quão era chato ouvir as pessoas falando para eu acreditar na cura da minha doença, então ele confirmou que de fato eu preciso ter fé. Contra argumentei que nem era sobre eu ter fé, mas que o esquisito era que Deus não ter curado nenhuma outra pessoa com esclerose múltipla até então. Adicionei mais um peso no meu argumento falando que isso me fez observar que varias outras doenças incuráveis como HIV, outras doenças autoimunes, Alzheimer, síndromes (síndrome de down, etc...), entre outras que a própria ciência diz que são incuráveis nunca terem sido curadas nem por Deus. Ai então ele mandou aquele famoso Deus das lacunas "é complicado... tem coisas que só Deus sabe". Finalize essa questão deixando no ar "A questão é que quando a ciência descobrir a cura, ai apareceria curas de Deus, como foi a questão da tuberculose, não é esquisito ?"
Tentei continuar pressionando pra fazer ele pelo menos refletir sobre essa questão ilógica, mas nada funcionou, ele continuava comentando coisas como "ah, você pode ser o primeiro se ter fé do tamanho de um grão de mostarda". Tentei falar que acho difícil alguém não ter tido fé o suficiente. Trouxe um exemplo da fé de uma mãe com um filho no leito de morte, que com certeza teria essa fé que além de mover montanhas, traria cura ao pedir pois "E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.", então ele se defendia dizendo que cada um faz as suas escolhas e que temos o livre arbítrio... Enfim, vi que se eu continuasse tentando não daria em nada e eu poderia dar pinta que eu não estava mais passando por crise de fé nenhuma, então só fingi que era aquilo mesmo e disse amém.
A intenção não era que eu me exibisse como um ateu, mas sim tentar trazer algum tipo de reflexão na fé dele. Confesso que eu já esperava algo nessa perspectiva, mas queria botar em pratica que se ele não se sentisse atacado, poderia ser diferente, mas não foi rs.
No final do corte quando estava saindo ele virou e falou pra eu não ficar pensando nessas coisas... Achei meio... sei lá, vou deixar vocês opinarem.