u/Ok-Book-2994

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Sobre EAD...

Gostaria de saber se vai ter barreiras e preconceitos em empresas pelo fato de eu fazer Sistemas de informação na Uninter em formato EAD...

Na área de TI pretendo tentar perícia informática e cibersegurança.

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u/Ok-Book-2994 — 2 days ago

Sobre ser adulto e tomar péssimas decisões.

Eu sempre fui uma pessoa que pesquisou muito antes de tomar decisões importantes, mas por algum motivo nunca foi suficiente, eu tenho 19 anos agora, quase 20, estava fazendo Sistemas de informação presencial em uma boa faculdade particular, por questões financeiras precisei ir para EAD, fiz 2 anos, mas percebi que a matéria não me animava muito e era difícil conseguir estágios então eu pensei: Porque não mudar para farmácia Semipresencial? Só depois de me matricular no novo curso sem possibilidade de volta descobri o preconceito na área da saúde para quem não faz em uma faculdade presencial de renome, desmoronei, nunca senti tanta culpa na minha vida, afinal eu perdi 2 anos e tinha medo de perder 5 sem conseguir realizar meus sonhos, a sensação de que por mais que eu pesquisasse tentasse entender as coisas para tomar boas decisões nunca realmente dá certo, hoje sinceramente eu sinto uma dor muito profunda, agoniante, não sei como vai ser a vida apartir daqui às vezes parece que nem é para mim.

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u/Ok-Book-2994 — 3 days ago

Tenho 20 anos e sinto que passei a vida tentando descobrir quem eu sou. Será que isso pode ter relação com alguma neurodivergência?

Sinto um vazio interno enorme, acompanhado de uma mente que nunca para de pensar, questionar e tentar encontrar explicações para tudo.

Recentemente fui olhar coisas antigas e encontrei um desenho que fiz na pré-adolescência. Era um personagem humano, completamente sem cor, andando por ruas coloridas entre pessoas coloridas. Eu o chamava de “O Monstro Sem Rosto”.

Eu tinha escrito uma pequena história sobre ele:

"O monstro sem rosto pode ser qualquer pessoa, mas, ao mesmo tempo, não é ninguém. Ele pode ser bom, mas pode ser ruim também. O que será que ele pode fazer?"

Hoje percebo que aquele monstro provavelmente era uma representação de mim mesma.

Uma folha em branco.

E talvez essa seja a melhor forma de explicar boa parte da minha vida.

Desde pequena sempre fui extremamente criativa. Amava brincar de faz de conta, cantar, criar coisas com as mãos e inventar histórias. Brinquedos comprados muitas vezes não tinham graça porque eu preferia criar os meus próprios mundos.

Eu podia passar horas imaginando que era uma aventureira fugindo de uma onça ou uma cantora famosa. Minha imaginação nunca parecia acabar.

Mas na escola comecei a perceber que eu era diferente.

Por exemplo: se a professora dizia que não era permitido correr durante o intervalo, eu simplesmente não corria.

Eu não entendia por que todas as outras crianças corriam e as próprias professoras não faziam nada. Para mim, se existia uma regra, deveria existir um motivo para ela existir. O fato de ninguém obedecê-la não fazia com que deixasse de ser uma regra.

Então eu ficava sentada enquanto todo mundo brincava.

As outras crianças ficavam irritadas porque eu insistia em coisas como:

"Mas a professora disse que não pode."

"Mas a diretora falou que não pode."

Eu era considerada chata, estranha e rígida.

Minha vida social foi ficando cada vez pior e começaram as piadas sobre meu cabelo, meus dentes etc.

Eu quase nunca reagia.

Ficava completamente imóvel, como se estivesse em outro lugar. Minha cabeça estava ocupada pensando nas coisas que eu gostava e no que faria quando chegasse em casa.

O bullying foi aumentando: chiclete no cabelo, empurrões, humilhações e agressões físicas.

E eu simplesmente... não reagia.

Não chorava. Não brigava. Não demonstrava quase nada.

Até hoje não sei se aquilo era uma espécie de dissociação, apatia ou simplesmente a maneira como eu lidava com as coisas.

Na escola também tinha muita dificuldade para prestar atenção.

Eu era esforçada, mas minha cabeça estava constantemente em outra coisa: o videogame que eu estava jogando, a casa que estava construindo, a decoração que queria fazer, o desenho pelo qual estava obcecada...

Aos 10 anos aconteceu algo muito peculiar.

Eu fiquei completamente obcecada por Winx.

E quando digo obcecada, é literalmente: pensava nas personagens quando acordava, durante o dia, antes de dormir e até sonhava com elas.

Elas se tornaram uma espécie de amigas imaginárias.

Eu conversava com elas sobre meu dia e comecei a decidir que seria cada uma das Winx em um dia diferente da semana.

Chegava na escola, colocava a mão na cintura imitando uma personagem e dizia para minha amiga sempre que eu era chamada pelo meu nome:

"Não me chame assim. Hoje eu sou a Flora."

Eu tentava agir exatamente como ela.

No intervalo, pulava das mesas dizendo que estava voando.

Obviamente, isso também não ajudou muito na minha popularidade.

Mas naquela época fazia sentido para mim.

AOS 11 ANOS, ENCONTREI OUTRA ESTRATÉGIA.

Havia uma garota na escola que tinha muitas amigas, fazia vídeos de maquiagem e tinha Musical.ly. Ela vivia exatamente a vida social que eu queria ter.

Então pensei:

“Se ela consegue ser assim e ter essa vida, talvez eu precise ser exatamente como ela.”

Comecei a observar tudo.

Os gestos.

A maneira de falar.

A maneira de andar.

As expressões.

O jeito de interagir.

Anotava coisas sobre ela e, quando ela não estava perto, tentava imitar.

Isso continuou por muitos anos.

Com personagens.

Com pessoas reais.

Com estilos.

Com personalidades.

E hoje existe uma percepção que me assusta:

ninguém realmente me conhecia.

Porque eu mesma não sabia quem conhecer.

Eu não tinha um “EU” para mostrar.

NA ADOLESCÊNCIA ENTREI NO TEATRO.

Achei que seria perfeito para mim.

Mas descobri algo muito estranho.

Uma única vez consegui realmente acessar uma emoção durante uma apresentação. Chorei de verdade e fiz várias pessoas chorarem comigo.

No dia seguinte, a professora pediu que eu fizesse novamente.

Nada.

Apatia total.

Comecei a perceber que meu acesso às emoções parecia extremamente irregular.

Às vezes chorar era muito fácil.

Às vezes parecia impossível.

E o mais complicado era:

como atuar quando eu já sentia que estava atuando o tempo inteiro?

Eu tinha medo de entrar demais em um personagem e me perder.

Porque eu não sentia que existia um “eu” sólido para voltar depois.

Eu estava constantemente construindo uma personalidade que pudesse finalmente chamar de minha.

Nunca me senti realmente parte de nenhum grupo.

Eu me esforçava.

Sorria mais.

Tentava demonstrar interesse.

Tentava aprender como conversar e como agir.

Mas frequentemente as pessoas iam embora mesmo assim.

E, estranhamente, às vezes era mais fácil quando alguém não gostava de mim do que quando gostava.

Quando alguém gostava, parecia surgir uma pressão enorme para continuar sendo aquela versão de mim que a pessoa conheceu.

RELACIONAMENTOS TAMBÉM SÃO COMPLICADOS.

Meu primeiro beijo foi depois dos 18.

Não foi ruim.

Mas também não senti aquilo que imaginava que deveria sentir.

Nenhum frio na barriga.

Nenhuma grande emoção.

Nada.

Eu só conseguia pensar no ato mecânico em si.

Depois tentei aplicativos de relacionamento e conheci pessoas interessantes.

Mas quando a possibilidade de realmente encontrar alguém se tornava concreta, eu entrava em pânico.

Começava a pesquisar tudo sobre a pessoa.

Posts antigos.

Amigos.

Comportamentos.

Tentava descobrir se ela era realmente segura ou se havia alguma coisa escondida.

Passava o dia inteiro com uma tensão absurda no estômago.

E isso acontece com qualquer situação que fica “pendente” na minha cabeça.

Às vezes, fugir da situação é a única maneira de conseguir respirar novamente.

E quando chego ao meu limite, meu corpo reage de uma maneira muito intensa: minha pressão cai, fico sem ar, sinto suor frio, perco as forças e minha visão fica em câmera lenta, como se eu estivesse afundando.

Já fiz muitos exames e, até agora, nada físico foi diagnosticado.

Esses episódios também podem acontecer em situações como praia ou ambientes com sons muito altos.

E EXISTE AINDA OUTRO CICLO.

Quando estou muito mal, sinto uma necessidade enorme de mudar.

Encontro uma pessoa, personagem ou estética que me inspira e penso:

“Agora eu vou finalmente descobrir quem eu sou.”

Compro roupas.

Mudo meu estilo.

Começo a agir de determinada maneira.

Por um tempo parece funcionar.

Depois de algumas semanas, aquilo deixa de fazer sentido.

Paro de usar as roupas, abandono aquela versão de mim e vem uma culpa enorme por ter gasto dinheiro e, novamente, não ter conseguido encontrar estabilidade.

E o ciclo recomeça.

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Hoje estou começando terapia e quero investigar isso com seriedade.

Não quero me autodiagnosticar, mas algumas coisas da minha história me fazem pensar em possibilidades como autismo, TDAH, ansiedade, dissociação, dificuldades de regulação emocional ou alguma combinação dessas coisas.

Principalmente quando penso na minha infância: regras interpretadas literalmente, sensação de estar sempre deslocada, interesses extremamente intensos, imaginação muito forte, sensibilidade a sons, dificuldade social e essa tendência de observar e copiar outras pessoas para descobrir como deveria agir.

Mas também sei que muitas dessas características podem ter outras explicações, então não quero chegar a uma conclusão sozinha.

ALGUÉM AQUI PASSOU POR ALGO PARECIDO?

Vocês perceberam apenas na vida adulta que passaram anos tentando imitar outras pessoas para conseguir se encaixar?

Alguém teve essa sensação de não saber quem realmente era porque passou muito tempo construindo versões diferentes de si?

Ou descobriu alguma neurodivergência depois de uma história parecida?

Quero muito ouvir experiências de pessoas que passaram por algo semelhante.

Talvez eu ainda esteja tentando descobrir quem é o “monstro sem rosto”.

Mas, pela primeira vez, acho que quero descobrir se existe alguém por trás dele.

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u/Ok-Book-2994 — 12 days ago