
AVALIEM
Acabei de fazer, da pra tentar algo com essa bomba?

Acabei de fazer, da pra tentar algo com essa bomba?
Bom, pessoal.
Tenho TDAH, sou mais do tipo desatento que hiperativo, e já passei por três abordagens diferentes.
Primeiro usei Venvanse, comecei errado pois um psiquiatra de convênio me receitou 60mg logo de cara, depois fui pra 30, 50 e 70. Com ele eu sentia muita disposição, motivação e até uma sensação de felicidade maior. Era loucura o que aquele medicamento fazia, ficava mais comunicativo, confiante e mais corajoso. Parecia que nada me parava, me sentia o Kratos.
Eu chegava a dormir 4h por dia e simplesmente não tinha sono, havia energia para resolver tudo que viesse pela frente. Tinha muitas ideias boas e até cheguei a colocar umas em prática. Mas se alguém chegasse e perguntasse o que eu fiz, eu literalmente não saberia responder de tão rápido que fazia as coisas. Eu era realmente outra pessoa, a sensação era muito boa. Cheguei até a começar Muay Thai e fiquei por um bom tempo.
No entanto o problema é que também ficava bastante agitado, acelerado e, apesar da energia, ainda tinha dificuldades com foco profundo, esquecimentos, impulsividade, organização e absorção de conteúdo. E aí eu comecei a pensar: “será que isso pode me viciar?”, “será que eu posso entrar em hipomania induzida por estimulante?”, “não era pra mim estar menos hiperativo?”
Nesse período eu processei a empresa em que estava trabalhando e ainda dei em cima da minha chefe. Só fui pensar depois, enfim, achei melhor parar.
Isso sem contar que ele estragou meu apetite de um jeito MUITO agressivo. Não estava tendo mais fome alguma sequer, mesmo treinando, trabalhando, 0 fome. Chegava a não conseguir sequer dar uma garfada de comida no almoço e janta.
Não consegui consulta rápido, então decidi suspender por conta própria e sem desmame. Foi a pior coisa que eu fiz, fiquei literalmente sem vontade de fazer nada e sem disposição alguma por um bom tempo.
Depois testei Atentah por 3 meses, cheguei na dosagem de 60mg, mas infelizmente não tive a melhora que esperava na atenção e nas funções executivas. Eu realmente tinha muita esperança nele, pois como sou bem ansioso talvez seria uma melhor opção por não ser estimulante.
Já sabia que seus efeitos demoram a aparecer, no entanto esperei bem e queria confiar mais, porém já estava prejudicando minha rotina. Poderia ter subido a dose, mas acho que não valia a pena, pois não tinha dado nenhum benefício ainda.
Esse medicamento pareceu ter piorado meu foco e minha energia que já estava baixa. Me deixou procrastinando mais do que o normal e com uma apatia significativa (muito provável que retirada do venvanse ainda estava influenciando aqui, mas o atentah piorou)
Agora minha psiquiatra resolveu iniciar o Concerta.
Eu já havia ciência que o metilfedinato é menos agressivo que o venvanse pois ele bloqueia o “vazamento de dopamina”, permitindo com que ela fique mais tempo no córtex pré frontal. Diferente do venvanse que além de bloquear ainda manda mais dopamina extra. Então era sim uma boa alternativa.
Hoje foi meu segundo dia com 18 mg.
Até agora percebi algumas coisas:
Estou menos afobado e menos acelerado.
Ainda continuo lendo muito rápido e com dificuldade de absorver o conteúdo.
Não senti nenhum pico de energia mesmo que leve. Na verdade, fiquei sonolento.
Também continuo com pensamentos e músicas na cabeça, então não notei mudança nisso ainda.
Sinto falta da energia e iniciativa que o venvanse me dava, não sei se devo comentar com minha psiquiatra sobre para voltar, ou esperar. Até porque não adianta estar cheio de energia mas não conseguir focar (como ficava com o Venvanse).
Eu sei que foi apenas o segundo dia e que é cedo para tirar conclusões, também por conta da dosagem inicial que é baixa, mas queria ouvir a experiência de vocês.
Quem saiu do Venvanse ou passou pelo Atentah e depois foi para o Concerta:
Quanto tempo demorou para perceber uma melhora?
O foco foi melhorando com os dias ou somente quando aumentaram a dose?
Alguém percebeu que, apesar de menos energia, acabou funcionando melhor para estudar e trabalhar?
Se vocês já usaram os três (Venvanse, Atentah e Concerta), com qual tiveram melhor resultado e por quê?
Gostaria principalmente de ouvir pessoas que tiveram muita agitação com o Venvanse e acabaram se adaptando melhor ao Concerta.
Obrigado!
Resolvi escrever este relato porque já convivo com isso há oito anos e nunca encontrei alguém que descrevesse exatamente o que sinto. Meu objetivo é desabafar, trocar experiências e, quem sabe, encontrar alguém que tenha passado por algo parecido.
Tudo começou quando eu tinha 16 anos. Sempre fui uma pessoa ansiosa e tenho TDAH. Na época, queria me enturmar e acabava fazendo muitas coisas apenas para me sentir aceito pelo grupo, sem pensar muito nas consequências.
Comecei a fumar narguilé com alguns amigos. Nas primeiras vezes senti apenas tontura, algo que imaginei ser normal para quem nunca tinha fumado.
Na quarta vez, porém, aconteceu algo que mudou completamente minha vida.
Enquanto fumava, fiquei extremamente consciente da minha respiração. Passei a acreditar que estava sem ar. Tenho asma leve, então pensei que estivesse tendo uma crise grave, apesar de não apresentar tosse nem outros sinais. Fui para casa desesperado e, cerca de 30 minutos depois, tudo voltou ao normal.
Achei que tivesse sido apenas um susto.
Alguns dias depois, resolvi fumar novamente. Foi a pior decisão da minha vida.
Desde aquele dia, nunca mais consegui respirar de forma automática.
É como se meu cérebro tivesse perdido a capacidade de reconhecer que estou respirando normalmente. Não importa o quanto eu inspire profundamente: a sensação é sempre de que falta alguma coisa, como se apenas metade do ar estivesse entrando. É uma percepção constante de falta de ar, mesmo sabendo racionalmente que estou respirando.
Isso acontece 24 horas por dia, todos os dias, há oito anos.
Nos primeiros anos tentei lutar contra essa sensação de todas as formas possíveis. Tive crises de pânico intensas: minhas mãos, boca e rosto formigavam, minhas mãos chegaram a travar temporariamente, meu coração disparava, meus olhos tremiam, eu tinha espasmos musculares e episódios de despersonalização. Cheguei a ter medo de dormir e não acordar mais.
Passei inúmeras vezes em pronto-socorro. Fiz exames do coração, pulmão, garganta, tomografias, ressonâncias, espirometria, eletrocardiogramas, laringoscopia… praticamente tudo que era possível investigar.
Sempre recebia a mesma resposta: “está tudo normal” ou “isso é ansiedade”.
Mas o problema nunca desapareceu.
Ansiolíticos e antidepressivos nunca mudaram essa percepção da respiração. O máximo que consegui foi reduzir um pouco o desespero que ela causava.
Com o passar dos anos, outro problema apareceu: perdi completamente o olfato e o paladar. Também investiguei isso com otorrinolaringologista, fiz ressonância da face e do crânio, e novamente não foi encontrada nenhuma explicação.
O profissional que mais se aproximou de uma hipótese foi um neurofisiologista. Segundo ele, meu problema parece estar relacionado à percepção neurológica da respiração, e não aos pulmões em si. Depois disso, pesquisando bastante, encontrei relatos sobre TOC sensório-motor (Sensorimotor OCD), hiperconsciência da respiração e hipervigilância respiratória. Não sei se é realmente isso, mas foi a descrição que mais fez sentido para mim até hoje.
Hoje já não tenho mais medo de morrer por causa dessa sensação. Sei que provavelmente não vou sufocar.
O problema é que a sensação continua exatamente igual.
Só percebo uma leve melhora quando estou completamente concentrado em alguma atividade ou quando consumo álcool, mas mesmo assim ela nunca desaparece.
O mais difícil não é o medo. É o desgaste.
É conversar com alguém já sentindo que o ar não é suficiente.
É estudar enquanto sua atenção é puxada para a respiração o tempo inteiro.
É tentar relaxar e simplesmente não conseguir.
É viver com a sensação de que seu cérebro nunca mais desligou esse “alarme”.
Hoje aceitei que talvez tenha que conviver com isso pelo resto da vida. Continuo seguindo em frente, estudando, trabalhando e tentando construir meu futuro, mas não consigo deixar de pensar em como minha vida poderia ter sido diferente se isso nunca tivesse acontecido.
Gostaria de saber se alguém aqui já passou por algo parecido?
Recebeu algum diagnóstico que realmente fez sentido?
Conseguiu melhorar ou aprender a conviver com essa sensação?
Algum psiquiatra, neurologista ou profissional da área reconhece esse quadro?
Se você vive algo semelhante, gostaria muito de conversar. Depois de tantos anos, às vezes a pior parte é sentir que ninguém entende exatamente o que você está descrevendo.