
O paradoxo de usar bicicleta no Porto
Isto é uma coisa q tenho reparado como ciclista diário no Grande Porto: os dois extremos socioeconómicos parecem ser, curiosamente, os q mais andam de bicicleta.
Por um lado, encontro frequentemente pessoas sem-abrigo ou com problemas de dependência, numa bicicleta velha e enferrujada, com um saco cheio de garrafas para levar à máquina do Volta e ganhar uns trocos.
Por outro, nas zonas mais nobres e com melhor infraestrutura ciclável (Foz, Av. Boavista, Matosinhos Sul), encontro famílias de classe alta a usar a bicicleta como meio de transporte habitual, muitas vezes e-bike, com capacetes, luzes, cadeirinhas ou atrelados para os filhos, perfeitamente equipados.
Pelo meio está a enorme massa de população, grande parte classe média, mas não só, q parece continua presa ao automóvel, seja por necessidade ou escolha. Seja por falta de hábito, pela ausência de infraestrutura segura na maior parte da cidade, por viver longe do centro, por trabalhar fora do eixo ciclável, ou simplesmente porque nunca chegou a considerar seriamente a bici como uma opção de transporte.
No fundo, tenho a sensação q no Porto a bici ainda é vista como uma coisa de quem não pode ter carro ou de quem pode escolher não ter carro. O verdadeiro problema parece tar em conseguir atrair as massas, pois falta sobretudo criar melhor infraestrutura, mais segurança para se poder ciclar e mudar algum paradigma.