POV: você virou um agente secreto da ABIN, a CIA brasileira.
Você esperou dois anos pelo edital. Dois anos ouvindo no sub “esse concurso nunca vai sair”. Até que um dia ele sai.
Oficial de Inteligência. Salário de 19 mil reais. 40 vagas. 500 mil inscritos. Concorrência brutal.
200 questões. Três provas dissertativas. História mundial. Idiomas. Ciência política. Atualidades. Você praticamente abandona a própria vida pra estudar.
E você passa.
Agora vem a investigação social.
Entrevistam seus pais. Seus professores. Seus vizinhos. O dono da padaria onde você compra pão todos os dias. Eles procuram cada erro, cada detalhe, cada coisa minimamente estranha da sua vida.
Você quase roda porque, aos 15 anos, saiu na mão com um colega depois dele zoar o seu cabelo.
Mesmo assim, você passa.
Nível 3. Escola de Inteligência.
Você recebe um e-mail com um endereço que literalmente não existe no Google Maps.
Pede pro Beto te levar. Ele pergunta o que é aquele lugar. Você responde: “uma escola de idiomas”.
Sem placa. Sem nome. Sem número.
Ele percebe que tem algo estranho, mas te deixa lá mesmo assim.
Você entra.
Os outros 39 colegas já estão sentados em silêncio esperando.
Começa o curso.
Você aprende a perseguir alguém sem parecer que está perseguindo. Aprende a perceber quando estão te seguindo. A decorar placas de carro. A sair de fininho durante uma operação. A coletar dados. A puxar informação sem a pessoa perceber que está sendo entrevistada.
Metade da turma reprova. Você passa na média. Finalmente chega o grande dia. Sua chefia aponta pra uma sala e diz:
“Aqui é o seu lugar.”
Você entra pensando que vai salvar o Brasil em operações secretas cinematográficas.
E encontra:
Uma pilha de documentos velhos. PDF corrompido. Sistema travando. Relatório de 200 páginas pra analisar. Gente da chefia cobrando prazo impossível.
E aí você entende.
Seu trabalho é saber de tudo e nunca poder contar nada. Tomar decisões que impactam o país inteiro e continuar sendo um completo anônimo. Viver escondido. Sem reconhecimento. Sem glamour.
Seus amigos perguntam: "Mas afinal, você trabalha com o quê?” E você responde: "Políticas públicas. Governo federal.”
Essa é a vida de um oficial da ABIN, a CIA brasileira. Se quiserem a parte 2, comentem aí.