r/Filosofia

Comunidade da Filosofia não tem muita treta né?

Bom dia, galera,

Abrindo o boteco hoje pra tomar um whey e comentar sobre as comunidades, sou nutricionista e venho estudando bastante filosofia, encontrei um certo local tranquilo para me divertir.

A comunidade da saúde vem me desapontando, é muito ego, rixa na internet de que tem mais repertório cientifico etc., desde a época que eu entrei na faculdade, os cara não entendem que a união faz a força, até a galera do PBE brigam entre em sim kkkk, deveriam tá gastando energia combatendo o charlatanismo brasileiro.

Portanto, acho que falta mais Ética e Filosofia na área da saúde e talvez até um pouco de Nietzsche, pois os cara tem muito ressentimento. Na comunidade filosófica provavelmente tem isso, mas acho que é oculto? ou passa rápido?

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u/Bonfss — 2 days ago

[Discussão] "Frustração Intencional" (Nalker Jones) - O pessimismo científico que usa a termodinâmica contra o drama humano

E aí, pessoal. Recentemente me deparei com um fragmento bem denso e intrigante de um livro contemporâneo chamado **"Frustração Intencional: Consciência; o ruído do caos"**, escrito por um autor chamado **Nalker Jones**.

O livro se estrutura como um tratado filosófico focado no materialismo radical e no pessimismo científico, misturando física moderna com angústia existencial. Queria compartilhar a premissa do Capítulo 1 (*O princípio da inércia silenciosa*) para saber a opinião de vocês sobre essa perspectiva.

A Tese Central: Nós somos os "Faxineiros" do Cosmos

O autor começa destruindo a ideia de progresso da filosofia ocidental e faz uma crítica direta a Arthur Schopenhauer. Enquanto Schopenhauer dizia que o universo é movido por uma *Vontade* cega e faminta de viver, Jones defende que ele errou a direção do vetor:

> *"O desejo e a agitação não são a essência da existência; eles são a anomalia. A regra de tudo é o repouso. [...] Não somos escravos de uma vontade cósmica que quer mais vida; somos os faxineiros de uma energia que o Universo quer eliminar para poder, finalmente, dormir em silêncio."*

A Física do Sofrimento (Termodinâmica e Jeremy England)

Baseando-se na Segunda Lei da Termodinâmica e nos estudos do físico Jeremy England, o texto argumenta que a biologia é uma *"rebeldia termodinâmica"*. A matéria viva se organiza temporariamente apenas porque é incrivelmente eficiente em dissipar calor e acelerar a entropia.

Nessa lógica, a nossa consciência e os nossos sentimentos (como a empatia ou a dor) não passam de um subproduto estatístico:

* **O Universo é Inerte:** A realidade fundamental é neutra, fria, imutável e *"absolutamente surda ao nosso ruído"*. Ele não quer nos punir nem nos salvar; ele simplesmente ignora a nossa existência. * **A Consciência como Interferência:** O ato de pensar e sentir é descrito como um *"chiado estático gerado por uma engrenagem cósmica estagnada"*. * **O Sentido da Vida:** Não existe um propósito transcendental. O desejo humano é apenas o combustível que o corpo queima para esvaziar as tensões energéticas e fazer o sistema voltar à imobilidade total.

O "Cavalo de Tróia" Cognitivo

O que achei mais original é que o autor não propõe esse niilismo para gerar depressão, mas sim como uma ferramenta de anestesia psicológica — um "Cavalo de Tróia cognitivo" para desligar o drama humano. A frase de impacto que abre o texto resume bem o desapego que ele propõe:

> *"Vocês estavam certos, eu nunca vou servir para porcaria nenhuma, mas eu só entendi isso quando percebi que vocês também não!"*

Ao aceitar que somos matematicamente insignificantes e que o universo é pura inércia, o sofrimento perderia o pedestal, gerando uma *"suspensão súbita do drama humano"* e um olhar vago, porém pacífico, diante do constrangimento existencial.


**O que vocês acham dessa abordagem?** Acham que reduzir a consciência a uma "consequência colateral da dissipação de calor" é uma visão libertadora ou puramente assustadora? Alguém aqui já tinha ouvido falar desse autor ou conhece obras parecidas (me lembrou um pouco Thomas Ligotti e Ray Brassier)?

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u/REINALDOWSCK76 — 2 days ago

Filósofos e obras com sarcasmo e ironia, em busca.

Senhoras e senhores do sub, poderiam me ajudar na busca?

Me lembro de quando li Viagens na Minha Terra, de Almeida Garret, e curti bastante.

Se houverem outras obras de filosofia seguindo um tom satírico semelhante, gostaria de recomendações.

Valeu!

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u/Total-Jicama7563 — 3 days ago

Qual a melhor abordagem para o ensino de filosofia?

Considerando as diversas abordagens possíveis, qual vocês consideram que seja a mais interessante para ensinar filosofia (aqui em um sentido amplo)?

Não direciono a pergunta apenas para docentes. Quero também conhecer a opinião de quem se dedica à filosofia de forma geral.

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u/Sure_Contract1374 — 5 days ago

Em busca de indicações e recomendações, Liev Tolstói, Uma Confissão.

Primeiramente, parabéns aos filósofos pelo seu dia (16/8, dia do filósofo).

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Alguma nobre alma desta plataforma poderia me indicar uma edição/tradução de A Confissão de Tolstói?

Gosto de filosofia e conhecer o autor, então esses dois fatores são um diferencial pra minha pessoa.

Algumas que encontrei após uma breve pesquisa:

Rubens Figueiredo.

Sheila Koerich.

Penguim Companhia.

Uma Confissão e outras escritas religiosas, Tolstói (Penguim Companhia).

Coleção Atma.

Se houver outra obra do autor ou sobre o autor mais alinhada com filosofia, teologia, e biografia, preferencialmente ao menos um pouco dos três, indicações serão apreciadas.

Grato.

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u/Total-Jicama7563 — 4 days ago

Crítica a filosofia francesa, pra onde foi o marxismo?

Olá 👋, primeira vez postando aqui pois gostaria muito de ouvir a opinião de pessoas com mais conhecimento do que eu.

Bom, eu estava extremamente interessado na produção filosófica francesa contemporânea, porém há algo que me incomoda veementemente. A falta de qualquer relação com o MARXISMO, tratando quase como se fosse opcional.

A meu ver Marx revolucionou a filosofia moderna/contemporânea com a dialética marxista. Simplesmente não consigo mais ver o mundo da mesma forma depois ser introduzido a esse pensamento.

O que eu quero dizer, não é que todo filósofo deva citar Marx ou algo do tipo, mas assim como Platão, assim como Nietzsche, Marx tem um impacto tão grande na filosofia que eu não posso simplesmente pensar o Estruturalismo ou a filosofia Analítica sem pensar em materialismo-histórico-dialético.

Se nada foge do TEXTO

Se a filosofia vai ser reduzida a mera interpretação textual

Tudo que eu acreditava ser filosofia se desfaz

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u/L3dr0 — 8 days ago

Clóvis de Barros Filho é ruim por algum motivo?

Fiquei sabendo que o meio acadêmico não gosta muito do Clóvis de Barros Filho e vi uma resposta chamando ele de charlatão. Como alguém que quer entender, se alguém for contra ele de alguma forma, argumente para que eu possa ver o outro lado de algo que nem sei por que defendo.

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u/RepublicFormal4300 — 9 days ago

UMA REFLEXÃO SOBRE CRIAÇÃO E CRIATIVIDADE

A LINGUAGEM DO COSMOS

Sob o céu estrelado, a imensidão do universo nos abraça. Orbitamos o vazio em um frágil planeta azul, cercados por infinitas formas de vida, incluindo eu e você. Feitos de água, minerais e habitados por trilhões de seres microscópicos, não somos apenas indivíduos isolados. Somos, antes de tudo, um ecossistema caminhante.

​A realidade, porém, nunca é igual para cada um de nós. Nossos sentidos traduzem o mundo de um jeito único, mostrando que somos muito mais que um corpo biológico. Somos a soma do que lembramos, sentimos e imaginamos: uma mente tentando entender a própria engrenagem.

Bilhões de neurônios transformam tudo isso em pensamentos. A luz revela formas, o som vibra, o tato percebe as forças ao redor. E, no silêncio de quem percebe tudo isso, existe um “eu” sem voz que apenas observa: é a nossa consciência contemplando o espetáculo da vida.

​Além das células e das emoções, existe o grande mistério de estar vivo. Nossa consciência se expande quando percebemos de onde viemos. Os mesmos elementos químicos que constituem nossos ossos nasceram no interior das estrelas. Somos o universo organizado que consegue contemplar a própria imensidão.

​Nessa grande teia, a separação entre criador e criatura desaparece. Tudo participa de uma mesma força, e nós somos a extensão dela. Deus não seria um arquiteto distante, mas a própria realidade que se manifesta na natureza, na matéria e nas leis que regem o universo. Não estamos diante do divino, estamos mergulhados nele.

​É essa força que nos faz querer criar. Ao expandir nossa percepção, ultrapassamos os limites daquilo que conseguimos explicar. A arte nasce quando esse sentimento profundo encontra um jeito de respirar fora de nós: uma imagem, uma palavra, uma música, um gesto. Quando a alma toca a matéria, acontece a verdadeira alquimia.

​O universo gerou estrelas, planetas e consciência. Agora, através de nós, ele cria significado. Dentro de cada pessoa mora um artista capaz de traduzir o invisível. Afinal, não criamos a partir do nada, somos apenas o universo compondo, através de nós, na linguagem que encontrou para falar de si mesmo.

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u/rcoli7 — 7 days ago

A Filosofia como ganha pão é possível?

Primeiramente, perdoe-me caso esse não seja o Reddit certo, mas precisava tirar uma dúvida sobre isso.

Voces acham que vale a pena seguir carreira profissional em Filosofia? Neste caso específico, Professor.

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u/Own_Rich_4466 — 13 days ago

Semântica e Interpretação de Trecho do Ética a Nicomaco

Trecho do livro: "(...) aquela [pessoa] que evita todos os prazeres, como fazem as pessoas RÚSTICAS, torna-se o que pode ser chamado de INSENSÍVEL.".

Achei curiosas as duas palavras que destaquei, não vi tanto o nexo de causalidade entre evitar todos os prazeres, ser rústico e insensível... Para mim, rústico é aquela coisa mais "raiz", "bruta" e talvez "simples": um lenhador, caçador, fazendeiro, cozinheira e dona de casa do campo são rústicos, mas não vejo essas pessoas necessariamente evitando todos os prazeres.

O que interpretam desse sentido da palavra "rústico"?

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u/ProneToSucceed — 10 days ago

Dificuldade para interpretação de conceitos

Tenho começado a ler Sartre, li livros de guias e comecei a ingressar na filosofia real do existencialismo sartreano, mas venho enfrentando problemas crônicos que acontecerem em leituras anteriores, o livro em si (O Existencialismo é um Humanismo) não chega a ser dificil, mas ele ingressa em tantos conceitos como angustia, má-fé, comunismo e tanta coisa que eu me perco, estou na pagina 40, estudando os textos mas sigo com uma dificuldade esmagadora de prosseguir, não so por desanimo, mas por dificuldade, venho a muito tempo buscando um meio de ler de forma mais compreensiva e mais facil, anotações, Wikipédia, sites aleatórios e etc, não tenho um professor especifico pra falar sobre os textos, tirar duvidas e etc. Queria uma ajuda e opinião, como vocês leem? Textos mais maçantes como de wittgensteins ou ate Nietzsche, como vocês alem de conseguirem entender mais facilmente conseguem fixar tão bem na cabeça?

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u/No_Know69 — 12 days ago

Separar a arte do artista...

Existe um debate frequente na Internet sobre a questão da arte e do artista. Depois que as pessoas resolveram olhar as biografias de alguns escritores, pintores e músicos, descobriram que elas não são tão "sublimes" quanto os livros, quadros e melodias. Aos montes, essas pessoas correram para as planícies das redes gritando, cada uma a seu modo, se devemos, ou não, separar a arte do artista.

Não há nada de novo nesse tema na velha filosofia, é um debate longo e vasto, dito de novo e de novo nos inúmeros cursos e livros de estética. Mas, no senso comum, que costuma ser mais lento nesses assuntos, o tema é quente.

Devemos separar a arte do artista?

A primeira vista esse parece um questionamento moral. Na verdade, a questão não pode ser respondida pelo viés moral, simplesmente porque a arte nada tem a ver com moralidade. Na esteira do que afirmou Nietzsche, que "não existem fenômenos morais, apenas uma interpretação moral dos fenômenos", gostaria de começar essa reflexão perguntando porquê, de repente, as pessoas começaram a ter tanto interesse moral na arte. Quando a arte se transformou em um questão de certo ou errado? De bem ou mal?

Ainda na antiguidade, no oásis da filosofia, no mundo grego, a arte não pertencia ao artista. Na verdade, a arte nada tinha a ver com o artístico. A arte, para o homem de Atenas ou Éfeso, não era vista como uma expressão do artista. Arte em grego é τέχνη (téchne), que nós traduzimos por técnica. Mas técnica aqui envolve qualquer fazer do conhecimento humano. Τέχνη é um produzir a partir de um conhecimento, de uma επιστήμη (episteme). A produção de um vaso de flores, de uma máscara mortuária ou de uma escultura, não possuía nenhuma diferença, tudo era Τέχνη. Também o era a escrita, o pensamento, a matemática, a lógica... tudo isso estava no âmbito da produção. A técnica grega, a arte, era ποίησις (poíesis) - produção. O produzir aqui não provém da genialidade do artista, ou da vontade de produzir algo esteticamente bonito. O produzir é um fazer emergir: o artesão deixa emergir o jarro no barro, o escultor deixa emergir a figura no mármore e o pintor deixa emergir a pintura na interação das cores. O produzir grego é um deixar a coisa, seja ela o que for, ser aquilo que ela é. Em sentido grego, a arte não pertence ao artista, não é um produto da criatividade e, muito mesmo, possui alguma ipseidade com o artista. O Belo, nesse sentido, é aquilo que está sendo no jarro enquanto ele despeja a água no rito em homenagem à deusa Ártemis.

Cito aqui a dimensão do mundo grego para ilustrar e dar profundidade à nossa questão: quando a arte se tornou uma questão moral?

Na nossa época tão moderna, diferente dos gregos, a arte nunca foi um deixar ser, nas cores, a pintura. Na verdade, pouco ainda tem desse deixar ser grego na época da cibernética e da velocidade. Descobriu-se algo inédito na história, a subjetividade. Inicialmente, a tão aclamada subjetividade dizia respeito à estrutura que o homem tem para apreender o real. Nesse sentido, subjetividade era aquilo comum a todo os humanos - afinal, todos apreendemos a realidade. Mas hoje o sentido da subjetividade se desdobrou em algo particular de cada sujeito, que é em si um mundo a parte, estruturado e delimitado pela vivência. O sujeito é o homem que vivencia. O vivenciado é aquilo que foi medido, processado e adicionado à subjetividade particular do sujeito e que compõem, como uma peça de engrenagem, o Eu. Tampouco a produção é pensanda como ποίησις: a produção é, nos dias atuais, um fazer do homem que, como causa do fazer, produz um efeito.

Por isso, a arte, no glorioso tempo do sujeito, é tida como um efeito produzido pela subjetividade do artista. Em outras palavras: a arte é a expressão da vivência do artista. Um quadro, pintado e exposto nos dias atuais, não resplandece na interação das cores, nem naquilo que está a ser no quadro como Belo. A obra é ofuscada e ignorada para que a vivência subjetiva do artista possa ser enaltecida. Em muitos casos, a obra e o artista são vistos como o mesmo, mas o que é levado a julgamento permanece sendo a subjetividade.

Isso se mostra evidente quando uma pessoa passa dez anos admirada com o tom, as cores, o ritmo das pinceladas e o acontecimento que está a ser na obra "A Persistência da Memória" de Salvador Dalí, e basta um reels de dois minutos no Instagram, informando sobre as inclinações racistas e as excrescências da vida particular desse artista, para que a experiência com o Belo na obra seja obliterada pelo julgamento moral sobre a vivência do artista.

A resposta para a questão "Quando a arte se transformou em uma questão de certo ou errado?" fica mais clara: quando nós esquecemos da arte e nos voltamos para nós mesmos, para nossa subjetividade. A arte nunca esteve em questão nesses estranhos âmbitos morais. O que está sob o crivo da moralidade é a vivência subjetiva do artista, somos nós mesmos.

Então, agora, resta-nos pensar se devemos ou não separar a arte do artista. Mas o que a arte tem a ver com o artista? Embora seja muito difícil para nós, homens modernos, conceber tamanha heresia, as coisas não se esgotam no interior de nossas vivências subjetivas. Não se esgotam e nem mesmo se reduzem ao produto delas. A arte não é o lugar em que o artista deposita seus traumas, suas felicidades e sua visão de mundo. A arte é o lugar onde um mundo se encontra fixado, um lugar onde o mistério permanece, atemporalmente, como o misterioso. Por isso é possível um italiano, um brasileiro e um chinês olharem para o quadro de Salvador Dalí e experienciarem o mistério. Eu não estou falando de uma sensação estética arrebatadora - isso também é da ordem do subjetivo, estou falando de enxergar o Belo que está a ser na obra como a memória persistindo misteriosamente. Nenhuma análise, nenhum contexto social ou inclinações aterrorizantes do artista pode esgotar esse mistério que nos faz enxergar o Belo através do tempo.

A questão nunca foi se é possível separar a arte do artista, pois eles nunca estiveram juntos. A questão do nosso tempo nem mesmo com arte tem a ver. É uma questão moral, uma questão de autoafirmação na visão de mundo que apetece cada um, em sua particular e isolada subjetividade. É exatamente por isso que um filme com atuações duvidosas e um roteiro preguiçoso pode fazer sucesso planetário: porque nunca foi sobre a arte das atuações ou de um bom roteiro, mas de falar sobre o que as pessoas vivenciam. É por isso que é preciso boicotar suas experiências com os quadros e filmes quando o autor se mostra um cretino.

Talvez tenha chegado o tempo em que nós precisamos parar de fingir que estamos discutindo a arte. Talvez devemos agora assumir que nunca discutimos nada para além de nós mesmos e de como vivenciamos as coisas. Talvez assim, a gente volte a enxergar algo para além... como a arte em seu mistério.

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u/Internal_Water_9891 — 13 days ago