r/teologia

Quando a resposta a um argumento é o banimento

O subreddit brasileiro **r/barTEOLOGIA** se define como espaço de discussão teológica. Recentemente, uma regra passou a valer ali: quem afirmar que Deus não existe é banido.

Não é exagero de interpretação, é a regra, aplicada.

O comentário

Em um tópico sobre o tema, respondi me apresentando como voluntário para o banimento, com o seguinte argumento:

"A Terra gira em torno do Sol. Isso não é opinião, é fato estabelecido há séculos, e mesmo assim, quem o afirmou publicamente na época pagou caro por isso. [...] Nietzsche, pela boca de Zaratustra, anunciou a morte de Deus não como provocação vazia, mas como diagnóstico. [...] Carl Sagan, em *O Mundo Assombrado pelos Demônios*, mostrou, com o método científico como ferramenta, como superstição e pensamento mágico se sustentam pela ausência de escrutínio. [...] Para não deixar dúvidas: Deus não existe."

Três referências, um argumento histórico, nenhuma ofensa direcionada a qualquer usuário.

A resposta

A notificação de banimento chegou com a seguinte justificativa da moderação:

"O membro quebrou a regra sobre teologia ou negou a teologia e foi banido."

A formulação é reveladora por si só. Não se alega tom agressivo, spam, ou desrespeito às normas de convivência. A causa declarada do banimento é a posição defendida: "negar a teologia".

O problema

Um espaço que se apresenta como fórum de discussão teológica e, ao mesmo tempo, expulsa por regra quem nega a existência de Deus, não está debatendo teologia. Está policiando conclusões.

A diferença é relevante: debate pressupõe que qualquer posição pode ser sustentada, contestada e eventualmente vencida por argumento. Banir por conteúdo da tese, independentemente da qualidade do argumento apresentado, transforma o espaço em câmara de eco, um lugar onde a resposta institucional a "eu discordo, e aqui está o porquê" é a remoção do interlocutor.

Isso não é peculiaridade de um subreddit pequeno. É o mesmo mecanismo, em escala menor, que historicamente puniu quem afirmou fatos incômodos a uma ortodoxia, trocando a fogueira pelo botão de banir, mas preservando a lógica: calar é mais fácil que refutar.

A pergunta que fica

Um espaço "teológico" que proíbe a pergunta que o tornaria teológico ("Deus existe?") perdeu o que o justificava como espaço de discussão. Resta saber quantos outros fóruns, sob nomes mais respeitáveis, operam pela mesma régua.

reddit.com
u/O_martelo_de_deus — 5 days ago
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Viver apenas de dízimos e ofertas é bíblico?

Eu acompanho uma influenciadora de conteúdo cristão e ela se sustentava apenas com dízimos , ofertas e da monetização dos vídeos. Recentemente, ela veio com um papo de q Deus disse a ela pra parar de monetizar todas as redes sociais dela e viver apenas dos dízimos e ofertas voluntárias, q nem publi pode fazer pra se sustentar pq Deus a proibiu. Vcs tbm acham isso estranho?

Ps: eu sei q na Bíblia os levitas viviam só de dízimos e ofertas , mas o contexto daquela época é totalmente diferente.

Ps2: ela induz as pessoas a ofertas no ministério prometendo bençãos divinas pra quem contribuir

Ps3: ela não faz nenhum tipo de missão e nem viaja, só prega a palavra prla internet e em casa

reddit.com
u/Lazy-Charity-5075 — 9 days ago
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Afinal, vai ou não vai? (Alerta Polêmico)

Homossexuais herdarão o Reino dos Céus ou não?

Não é primeira vez que me encontro com esse embate, mas ultimamente ele tem alugado um triplex na minha mente. Malakoi e Arsenokoitai são os termos gregos que lideram essa discussão,pois estão presentes na passagem que lista aqueles que não herdarão o Reino dos Céus, e são traduzidos nas traduções modernas como "efeminados" e "homossexuais", repectivamente. O sentido real dessas palavras é o ponto chave.

Conheço dois argumentos: O do contexto do uso das palavras e o do contexto da carta que é o livro de Coríntios, aonde os termos aparecem.

O 1o diz que ambos eram usados de forma para designar especificamente homossexuais e efeminados, ou ainda de forma a determinar o passivo e ativo, pois esse era o emprego dos gregos para esses termos, e portando o sentido verdadeiro.

O 2o diz que temos que considerar o motivo de Paulo escrever a carta para a cidade de Coríntios, que era de corrigir as práticas cristãs dissidentes com as escrituras, que absorviam os costumes da cidade, referidas com muita libertinagem sexual, incesto, pederastia e estupro de menores. Assim, os termos viriam a referenciar os indivíduos que levassem esse tipo de imoralidade e desregramento, e não a homossexualidade.

Mantenham o debate racional e cordial colegas. Não me façam ter que puxar a orelha de vocês.

u/meltedchocolatecake — 11 days ago
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Canon protstante do . Argumentos estranhos que corroboram com ele.

No YouTube existe este vídeo que corrobora a posição do cânon protestante. Porém, dois pontos centrais do argumento são muito fracos.

https://youtu.be/_9MhhwzfW7o

Primeiro, ao citar os Pais da Igreja, ignoram-se (aparentemente de forma proposital) os autores que reconhecem Baruc como livro sagrado. Ora, por que citar alguns Pais da Igreja e não outros? Também são ignoradas as referências, na Epístola de Judas, ao livro de Enoque.

Outro argumento fraco é o da suposta contradição com a doutrina da sola fide. Entretanto, a Epístola de Tiago também apresenta uma aparente tensão com essa doutrina ao afirmar que "a fé sem obras é morta". Logo, considerar um livro apócrifo apenas por causa de uma aparente contradição com a sola fide não parece ser um argumento válido.

Outro argumento afirma que, por razões morais, alguns livros não deveriam fazer parte do cânon. No entanto, há passagens no livro de Eclesiástico que também levantam questionamentos semelhantes.

Dito isso, para os protestantes, quais são os argumentos válidos para a definição do cânon do Antigo Testamento, sem recorrer à ação humana ocorrida no século XVI?

Existe um argumento universalmente aceito dentro do protestantismo para justificar a formação do cânon do Antigo Testamento?

u/rodrigorootrj2 — 11 days ago

Quem diz que moral não existe sem Deus não seria uma pessoa ruim sem Ele

Para entender isso e não cair no papo besta de que quem diz isso seria o pior ser humano sem Deus, é só saber a diferença entre descrição e prescrição.

Descrição: descreve a realidade como ela é, não há valor incutido no emissor e nem valor moral nisso, não é algo a se inspirar nem a falar contra.

Prescrição: o que deveria ser, o ideal.

Isso se encaixa em um argumento descritivo, ou seja, não existe nenhuma implicação moral para quem o fala.

O argumento se baseia em proposições bastante simples, não existe uma moral objetiva sem Deus ou deuses, ela muda conforme as necessidades humanas ou nem mesmo pelas necessidades, mas apenas por movimentos de seu tempo; se existisse uma moral verdadeiramente *objetiva*, ela deveria ser seguida pela maioria dos povos desde sempre ou o não seguimento deveria ser exceções históricas.

Mas a realidade mostra o quadro oposto: pela maioria esmagadora da história humana, contando todo o mundo, sacrifícios humanos, incluindo estatais, não eram mal vistos, mas feitos para ganhar favor dos deuses ou adorá-los. Moloque, o ritual dos fenícios; Roma em momentos de crise, como a guerra contra Aníbal Barca no auge das derrotas romanas; a China institucionalizou sacrifícios humanos desde a Dinastia Shang; Os japoneses enterravam pessoas vivas em obras de infraestrutura (Hitobashira); o culto a Káli fez por séculos terror na Índia por usar assentamentos inteiros como sacrifícios.

Ou seja, só na questão de sacrifícios humanos, se contarmos a média de todo o planeta, apenas a partir da disseminação do cristianismo e do Islã é que foram condenados. Hoje é unânime em praticamente todo o mundo e creio que todos aqui condenam o Estado sacrificar pessoas, correto?

Ou seja, não existe moral objetiva nesse sentido, ela é feita de acordo com necessidades. Podemos dizer, na verdade, que sem algo que transcende o humano, não há ética (a moralidade em escala universal), nem bem, nem mal, pelo menos não há estudos de respeito que comprovem (≠ argumentar bem) que o bem e o mal são objetivos ou autoevidentes sem esse recurso e sempre há muitas exceções para dizer que é uma regra.

A imagem dessa postagem é do manuscrito de Filosofia na Alcova, e não é por acaso, pois Marquês de Sade era um antiteísta convicto no auge do iluminismo francês, no fim do século XVIII, e defendia exatamente essa tese, dizendo que a realidade material mostra a lei do mais forte e não a lei moral. Ele é o mais coerente em questão de ser relativista, até na prática ele foi bem coerente com a própria filosofia.

Em resumo, esse argumento não quer dizer nada sobre quem o profere, pois ele não tem objetivo nenhum além de descrever a realidade; não quer dizer que a pessoa vai realmente matar alguém se Deus não existir, apenas que ela chegou à conclusão de que pela razão materialista não se dá para chegar num bem e mal como conceitos válidos.

u/Gabrielf3mb0i — 11 days ago