
D Afonso Henriques- 1º Rei de Portugal, a última Batalha
A Última Batalha de D. Afonso Henriques: o acidente que mudou a História de Portugal. (informações resultantes de cruzamento de dados e lógica aplicada)
A carta de Affonso Anrriquez começava assim: "E bem me lembravam as palavras do arcebispo,Dom Joham Anaia, que me dissera nom me ajuntar a Geraldo Sem Pavor; ca por onde elle passava nom havia repouso para os fracos de coração, nem segurança para os que temiam a peleja."
O acidente que D: Afonso Henriques ali sofreu não só marcou o fim da sua carreira militar como alterou profundamente o rumo da expansão portuguesa. Portugal via significativamente reduzidas as suas possibilidades de expansão para os territórios ibéricos do oriente.
O local do acidente
Foi realizado um estudo baseado nas características físicas atribuídas a D. Afonso Henriques e na análise da antiga Porta (ainda lá existente) constantes em desenhos medievais e outros dados.. A porta conserva ainda elementos da original arquitetura almóada, visíveis na sua estrutura original. Assim se deu origem a esta foto.
D. Afonso Henriques caiu ao solo depois de sofrer uma grave fratura na perna ao embater na estreita porta, a única entrada ocidental do castelo. Junto dele encontrava-se Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, que, permaneceu ao lado do rei, sentado sobre as pedras existentes visiveis à direita da porta, profundamente abalado pelo sucedido.
Naquele momento, ambos compreenderam que muita coisa tinha acabado, o segredo de reconstruir a lusitânia. Ainda assim, a captura seria preferível à possibilidade de o rei morrer durante a fuga devido à gravidade do ferimento. Conta a crónica,"E El-Rei Dom Afonso, querendo sair pela porta da dita cidade a cavalo, ..., deu com a perna direita em um grande ferrolho de ferro que estava na dita porta, de tal guisa que quebrou a perna pela coxa*." E mais,* "E como os seus viram que ele caíra do cavalo e que tinha a perna quebrada, receberam tão grande dor e desfalecimento que não sabiam que fazer, nem o puderam acolher nem levar dali, ...."
Como aconteceu o acidente (1969)?
A configuração do terreno ajuda a compreender o sucedido. A Porta é relativamente estreita ,na saída, o caminho desce abruptamente, acompanhando a muralha e obrigando a uma curva muito apertada para a esquerda, antes da saída das muralhas do castelo.
Conforme a disposição do local, o cavalo, impulsionado pela inclinação do terreno, escorregando, roçou na lateral direita da porta enquanto descrevia a apertada curva ( segundo a lógica da física) . O impacto no ferrolho da porta, provoca a fratura do fémur, originando a sua queda do cavalo. Em arquivos e estudos sobre as estâncias termais portuguesas, como os registos das Termas de Lafões (S. Pedro do Sul), onde consta que o rei ali se deslocou ainda em 1169 para tentar curar os terríveis danos e dores na perna direita provocados pelo ferrolho de Badajoz. O que corrobora esta simulação que resulta da análise da topografia e da arquitetura do local, uma vez que não existem fontes que descrevem com exatidão a dinâmica do acidente. Isto iliba Afonso Henriques, que segundo criticas dizem ter-se tratado de uma fuga descontrolada.
D. Afonso Henriques foi capturado por Fernando II de Leão, seu genro. Apesar da rivalidade política, o monarca leonês tratou-o com respeito e libertou-o pouco tempo depois. Essa libertação teve, contudo, um elevado custo para Afonso Henriques, que foi obrigado a devolver os territórios galegos de Límia e Toroño,( território que se estende por 50 kms a partir do norte da atual fronteira de Portugal) conquistados anteriormente, bem como a entregar vinte cavalos preparados para a guerra e quinze mulas carregadas de ouro, um valor que estimo atualmente em 9 milhões de euros, pago em parte pela igreja.
A libertação de Geraldo Sem Pavor implicou igualmente a restituição das importantes praças de Trujillo, Cáceres e Montánchez, formando um triângulo estratégico na atual Extremadura espanhola que pretendia cortar os abastecimentos a zonas fronteiriças e, facilitar a tomada destas, o objetico era resturar antigos territorios lusitanos.
D. Afonso Henriques viveria ainda cerca de 16 anos. Contudo, nunca recuperou totalmente da lesão sofrida e ficou impossibilitado de voltar a montar a cavalo. Faleceu em Coimbra, onde permanece sepultado no Mosteiro de Santa Cruz.
Foi realmente um desastre militar?
A maioria dos historiadores classifica a campanha de Badajoz como um desastre militar. Contudo, importa analisar o contexto.
Geraldo elevou o uso da guerra psicológica ao limite para, com os seus cerca de 100 homens tomar Badajoz, a cidade muçulmana mais poderosa e fortificada da região governada pela dinastia almóada.
O Sem Pavor ordenava que as cabeças dos soldados capturados fossem espetadas em lanças e colocadas à vista das sentinelas das muralhas de Badajoz, avisando que todos teriam esse mesmo fim se não entregassem as armas. Ele bloqueou todas as estradas, pontes e vias de abastecimento que ligavam a cidade. Fazia circular a informação de que um exército cristão gigantesco e invencível, liderado pelo próprio rei D. Afonso Henriques, já estava a caminho e que a queda de Badajoz era inevitável. Os mouros nao lançavam contra ataques temendo serem apanhados por essa força. Sabendo que Geraldo conseguia escalar muralhas em silêncio durante a noite, as sentinelas de Badajoz sofriam de paranoia e exaustão psicológica, disparando flechas contra tudo, pois alguns soldados do Geraldo que nao os deixavam descansar, o que os deixava fisicamente esgotados e desmilitarizados.
Geraldo, o sem pavor toma o castelo numa noite de tempestade, usando espigões de ferro curtos que cravavam pacientemente entre as juntas das pedras das muralhas para subir na escuridão, degolam os sentinelas e abrem as portas para o resto do grupo entrar. Mas a populaçao em pãnico, consegue refugiar-se na alcaçova, uma fortificaçao dentro do castelo. Geraldo perante este imprevisto pede a intervençao de D. Afonso Henriques afim de reforçar o ataque, pois o exército dele, um bando de pouco mais 100 homens nao está preparado para fazer cercos desta magnitude. Depois de umas semanas é chegada a ajuda de D Afonso Henriques (o único cavaleiro templario da europa) trazendo um contigente pouco maior que, se acumulam no interior do castelo . Os Mouros haviam suplicam por ajuda, e a situação altera-se quando Fernando II de Leão pede aos mouros por mensagens secretas que resistam na alcáçova, enviando inesperadamente, um poderoso contingente em auxílio dos defensores muçulmanos. Perante a ameaça de ficarem cercados e já com a proximidade do exército de leão, D. Afonso Henriques ordena uma retirada estratégica do castelo. Foi precisamente durante essa retirada que ocorreu o acidente na porta.
Assim, embora o resultado da campanha tenha sido desfavorável para Portugal, pode defender-se que o verdadeiro ponto de viragem não foi uma derrota em combate, mas um acidente pessoal que incapacitou permanentemente D. Afonso Henriques e condicionou a política externa portuguesa durante muitos anos.
A importância deste local
As reconquistas de Geraldo Sem Pavor andariam por esta zona de Portugal, zona de Mérida. O seu objetivo seria reconstruir a Lusitânia. Importa salientar que Mérida foi a capital da Lusitânia no tempo dos romanos e, por isso, as populações ainda teriam uma forte ligação à Lusitânia, apesar de séculos de invasões. Um plano secreto e arriscado, infelizmente nunca realizado, por causa do acidente na porta.
As consequências
Após o acidente, D. Afonso Henriques , debilitado, estabeleceu uma paz com os mouros. Como demonstração de boa-fé, Geraldo Sem Pavor seu misterioso aliado militar, um ponta de lança na reconquista desta região, passou a servir aquele império islâmico como mercenário; um tremendo erro.
Geraldo- Confiando que o salvo conducto do califa o protegeria, Geraldo foi para Marrocos, porém, os Almóadas nunca o perdoariam. Suspeitando que poderia voltar a apoiar a Reconquista cristã, terão preparado uma armadilha para o separar os seus homens ( cerca de 300 homens, basicamente os seus gerrilheiros fieis que o acompahavam). Quando ficou praticamente isolado, Geraldo foi decapitado, uma condenaçao e execuçao muito rápida., ele teria por volta dos seus 53 anos. O califa almóada Abu Yaqub Yusuf que controlava o império muçulmano a partir do Norte de África, nunca justificou este ato, mas é sabido que Geraldo já tinha entrado em confilto anteriormente, em guerras e combates diretos contra os exércitos enviados pelo califa Abu Yaqub Yusuf, e a ira deveria ser visceral, tanto que chegou ao fato do califa ter declarado a jihad (guerra santa) devido à sua afronta. Por outro lado Geraldo tinha a fama de degolar os almôadas, e praticar uma guerra nada convencional. Criticado por nao respeitar regras e ser brutal, nas Cartas Oficiais do Califado Almóada nunca era referido pelo seu nome mas como "cão raivoso".
Afonso- Foi igualmente neste período de relativa paz que ocorreu um dos momentos mais importantes da diplomacia portuguesa. Embora a Igreja condenasse formalmente alianças com muçulmanos contra outros cristãos, o Papa não excomungou D. Fernando II de Leão porque precisava do apoio político dele contra o Sacro Império Romano-Germânico. D. Afonso Henriques aproveitou a vulnerabilidade da sua derrota para se humilhar perante a Santa Sé, declarando-se vassalo direto do Papa e prometendo um pesado tributo anual em ouro. Impressionado com a resiliência portuguesa e com o ouro prometido, o Papa emitiu dez anos mais tarde a famosa bula Manifestis Probatum (1179): que reconheceu, de forma definitiva e irrevogável, Portugal como um reino independente e D. Afonso Henriques como rei. Quanto ao ouro, toda a gente sabe que ele nunca pagou. O imaginário popular e político criou o mito de que o país carrega uma dívida acumulada de séculos com Roma, no entanto, a sumptuosa Embaixada de D. Manuel I ao Papa Leão X serviu como um "encontro de contas" histórico e diplomático. As ofertas massivas de ouro das colónias redefiniram o estatuto de Portugal perante Roma.
Esta período de paz revelou-se apenas uma pausa estratégica num conflito que prosseguiria nos reinados seguintes. No entanto a expansão para o oriente ficou para sempre perdida. Enquanto para sul a expansão encontrava mouros divididos entre si, para o oriente encontravam os mouros e os reinos hispânicos.
Templários
Geraldo Geraldes, o Sem Pavor – o misterioso fantasma, nascido em Guimarães, que dava jeito ser proscrito.
Geraldo conquistava terras, entregava-as a D. Afonso Henriques e este confiava-as à Ordem do Templo, para fixar as populações e consolidar as conquistas. Já repararam que em quase todas as vilas portuguesas existe uma igreja? Esse facto não é um acaso. Quando não conquistava, Geraldo criava insegurança no inimigo, cortava a logística, preparava o terreno para uma conquista fácil e realizava também movimentações de populações. Ficou famoso pelas suas razias, tendo permanecido na memória coletiva portuguesa a expressão "fazer uma geraldina".
Geraldo foi uma personagem misteriosa, escondida da História, sobretudo no que diz respeito à sua verdadeira identificação. A razão poderá dever-se ao facto de operar oficialmente sempre à margem da corte e da Igreja. Dessa forma, era possível manter uma guerra constante contra os mouros sem que fosse oficialmente declarada. No entanto, o terror psicológico e os cercos que impôs àquelas cidades foram tão severos que alarmaram profundamente o Califado Almóada.
Poderia fazer uma simulação real sobre esta personagem, o que contrariaria praticamente todas as críticas de que se tratava apenas de um salteador. Aquilo que normalmente se escreve sobre Geraldo está, na minha opinião, quase tudo absolutamente errado. No entanto, ele não constitui o verdadeiro escopo desta pesquisa.
A história de D. Afonso Henriques (único rei templário da Europa) não pode ser separada de Geraldo, nem dos Templários. Da mesma forma, a Reconquista nunca pode ser dissociada da Igreja, dos Templários e desta personagem.
Na prática, foram os Templários que conquistaram muitos territórios aos mouros e que travaram a famosa jihad, desencadeada pela ira do califa contra Geraldo e D. Afonso Henriques (os mouros sabiam que Afonso o apoiava). Essa ofensiva provocou a perda de praticamente todos os territórios até então conquistados, empurrando os portugueses para norte. Se esse avanço não tivesse sido travado pela linha templária do Tejo, poderia ter resultado numa verdadeira catástrofe.
Fica então a questão: qual foi o maior erro de D. Afonso Henriques? O ferrolho da porta de Badajoz ou "entregar" Geraldo, deixando-o partir?
O que dizia a má-língua da nobreza acerca dos Templários? Havia uma frase muito conhecida:
"Antigamente colocavam os bandidos na cruz; agora colocam a cruz nos bandidos."
Conclusão: quando não se consegue fazer, critica-se quem faz. Assim, a ideia de que foi apenas a nobreza quem realizou as conquistas não corresponde totalmente à realidade.
Curiosidades para refletir
D. Afonso Henriques raramente atacava com grandes exércitos. Preferia ações rápidas, uma espécie de "bate e foge", mesmo em várias das batalhas descritas pela História. Também recorria a ataques noturnos com escadas, exatamente as mesmas técnicas utilizadas por Geraldo. Geraldo aprendeu com ele. Por isso evitava cercos prolongados, que exigiam muito mais soldados e implicavam custos enormes.
Além disso, desenvolveu desde cedo uma relação de cooperação e confiança mútua com Geraldo, algo estranho se este fosse apenas um simples salteador. As melhores tropas de combate eram, normalmente, os Templários — monges guerreiros que, de certa forma, poderiam ser comparados aos mercenários de hoje, embora com uma natureza completamente diferente. Muitos tinham experiência adquirida nas Cruzadas. Geraldo falava fluentemente a língua dos mouros e conhecia profundamente a sua cultura.
Diz a lenda q no cerco a Santarém por D Afonso usou escadas a coberto da noite, o jovem Geraldo com 25 anos já participava nessa operação; uma das escadas caiu em cima dum telhado de uma casa, causando um grande alvoroço entre a guarda mourisca na noite de lua nova. Geraldo ( astuto, mestre em psicologia) correu e convenceu os mouros na lingua musta'rib, que dominava plenamente: Relato: " Ohh quem vem ai..= "A minha mulher foi reparar uma telha e caiu" , eles perguntarm: "Mas porquê tao grande estrondo" ao que ele respondeu: "Ela é gorda" outro guarda retorquiu: "Mas a mulher que mora ai não é gorda. Afonso começou a tremer, Geraldo falando baixinho: "Chiuuuuu ela é minha amante ", e responderam ,"Toma cuidado", riram-se e foram-se embora. A operaçao prosseguiu normalmente.
Nâo existe meio termo: Ou uma naçao é colonizadora ou passa a ser colonizada. E colonizada, vai passar para a alçada da potencia colonizadora.