Hoje, dia 05/06/2026 zerei The Last of Us Part II, e reencontrei esperança

Relato pessoal para reflexão

Existem noites que passam.

E existem noites que nos transformam.

Esta foi uma dessas noites.

Tudo começou depois de um dos dias mais difíceis da minha vida.

Convivo há aproximadamente dez anos com hidradenite supurativa. Já enfrentei dores, limitações, crises e momentos extremamente difíceis.

Mas o dia 04 de junho de 2026 me levou a um lugar que eu não visitava há muito tempo: o meu limite.

A dor física era tão intensa que não conseguia me levantar da cama.

Não conseguia tomar banho.

Não conseguia cuidar de mim.

Em determinado momento precisei utilizar um balde para urinar porque simplesmente não conseguia ficar de pé.

Ali, deitado, sofrendo, não me senti apenas doente.

Me senti vulnerável.

Frágil.

Humilhado pela própria limitação.

Eu sempre fui o tipo de pessoa que tenta carregar os fardos sozinho.

Que tenta não incomodar.

Que tenta permanecer forte.

Mas naquele dia eu já não conseguia sustentar a imagem de alguém que aguenta tudo.

Foi justamente nesse momento que questões antigas começaram a emergir.

Questões sobre Deus.

Questões sobre sofrimento.

Questões sobre a vida.

Questões sobre a morte.

Perguntei a mim mesmo:

"Se Deus é bom, por que existe tanto sofrimento?"

"Se Ele é poderoso, por que permite isso?"

"Onde Ele está enquanto eu sofro?"

"Por que oro e sinto silêncio?"

Essas perguntas não nasceram naquele dia.

Elas estavam guardadas havia muito tempo.

Mas a dor lhes deu voz.

Pela primeira vez, falei dessas dúvidas para minha esposa.

E algo surpreendente aconteceu.

Não encontrei respostas imediatas.

Mas encontrei alívio.

Percebi que dividir uma dor não a elimina.

Mas impede que ela seja carregada sozinho.

Naquela madrugada eu também estava terminando a jornada de The Last of Us Part II.

E aquilo que começou como um jogo acabou se tornando um espelho.

Ao longo da história acompanhei perdas, arrependimentos, amor, culpa, perdão e reconciliação.

Mas, acima de tudo, acompanhei pessoas tentando continuar vivendo apesar da dor.

Foi impossível não me identificar.

Joel me marcou profundamente.

Não porque fosse perfeito.

Mas porque era humano.

Ele amava.

Errava.

Protegia.

Falhava.

Se arrependia.

E continuava tentando.

Ao observá-lo percebi algo importante:

As pessoas mais marcantes não são as que nunca erram.

São aquelas que continuam amando apesar das próprias falhas.

Quando finalmente compreendi a conversa entre Joel e Ellie na varanda, algo mudou dentro de mim.

Não porque todos os problemas deles foram resolvidos.

Mas porque a reconciliação havia começado.

Ellie não prometeu perdão imediato.

Ela prometeu tentar.

E às vezes tentar já é um ato de amor.

Aquela conversa me fez pensar nas minhas próprias relações.

Quantas vezes adiamos conversas importantes?

Quantas vezes deixamos de demonstrar amor?

Quantas vezes acreditamos que teremos mais tempo?

A morte do Joel deixou de ser, para mim, uma tragédia absoluta.

Porque compreendi algo que me trouxe paz:

Ele morreu sabendo que era amado.

E isso me fez refletir profundamente.

Se eu morresse amanhã, as pessoas que amo saberiam disso?

Se alguém que amo partisse amanhã, eu teria dito tudo o que precisava dizer?

Essas perguntas permanecerão comigo por muito tempo.

A reta final do jogo trouxe outra lição.

A vingança.

Abby conseguiu sua vingança.

E continuou ferida.

Ellie chegou ao momento da vingança.

E escolheu parar.

Percebi que a vingança promete cura.

Mas raramente entrega aquilo que promete.

A cena final do violão me atingiu de forma inesperada.

Ellie tenta tocar a música.

Mas não consegue.

Os dedos perdidos a impedem.

Aquilo simbolizava o preço pago pela jornada.

Mas também simbolizava outra coisa.

O momento de deixar partir.

Não esquecer.

Não abandonar.

Mas seguir adiante.

Ao final da madrugada compreendi algo que jamais imaginei encontrar quando comecei a jogar.

A vida é breve.

Muito breve.

As pessoas que amamos não estarão aqui para sempre.

Nós também não estaremos.

Por isso amar importa.

Perdoar importa.

Demonstrar afeto importa.

Passar tempo com quem amamos importa.

Naquela noite também reencontrei algo que achei que estava perdendo.

A esperança.

Não porque todas as minhas dúvidas desapareceram.

Elas não desapareceram.

Não porque a dor física passou.

Ela não passou.

Não porque encontrei respostas para todos os problemas filosóficos da existência.

Não encontrei.

Mas porque percebi algo simples:

Eu não estou sozinho.

Minha maior necessidade talvez nunca tenha sido uma explicação.

Talvez fosse presença.

Talvez fosse ouvir:

"Eu estou aqui."

E, de alguma forma difícil de explicar, foi exatamente isso que senti.

Hoje continuo doente.

Continuo enfrentando dores.

Continuo sem compreender tudo.

Mas não sou o mesmo homem que iniciou esta madrugada.

Algo mudou.

Decidi amar mais.

Decidi dizer às pessoas o quanto elas são importantes.

Decidi viver mais o presente.

Decidi demonstrar mais carinho.

Decidi perdoar mais rapidamente.

Decidi não adiar aquilo que realmente importa.

Decidi continuar buscando a Deus, mesmo quando não entender os caminhos.

O sofrimento continua.

Mas o caráter não é mais o mesmo.

Saio desta madrugada mais consciente da fragilidade da vida.

Mais consciente do valor do amor.

Mais consciente da importância do perdão.

Mais consciente da presença de Deus.

E com uma convicção que pretendo carregar pelo resto da minha vida:

Eu não estou sozinho.

reddit.com
u/GuiltyTrash7637 — 5 days ago
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Hoje, dia 05/06/2026 zerei The Last of Us Part II, e reencontrei esperança

Relato pessoal para reflexão

Existem noites que passam.

E existem noites que nos transformam.

Esta foi uma dessas noites.

Tudo começou depois de um dos dias mais difíceis da minha vida.

Convivo há aproximadamente dez anos com hidradenite supurativa. Já enfrentei dores, limitações, crises e momentos extremamente difíceis.

Mas o dia 04 de junho de 2026 me levou a um lugar que eu não visitava há muito tempo: o meu limite.

A dor física era tão intensa que não conseguia me levantar da cama.

Não conseguia tomar banho.

Não conseguia cuidar de mim.

Em determinado momento precisei utilizar um balde para urinar porque simplesmente não conseguia ficar de pé.

Ali, deitado, sofrendo, não me senti apenas doente.

Me senti vulnerável.

Frágil.

Humilhado pela própria limitação.

Eu sempre fui o tipo de pessoa que tenta carregar os fardos sozinho.

Que tenta não incomodar.

Que tenta permanecer forte.

Mas naquele dia eu já não conseguia sustentar a imagem de alguém que aguenta tudo.

Foi justamente nesse momento que questões antigas começaram a emergir.

Questões sobre Deus.

Questões sobre sofrimento.

Questões sobre a vida.

Questões sobre a morte.

Perguntei a mim mesmo:

"Se Deus é bom, por que existe tanto sofrimento?"

"Se Ele é poderoso, por que permite isso?"

"Onde Ele está enquanto eu sofro?"

"Por que oro e sinto silêncio?"

Essas perguntas não nasceram naquele dia.

Elas estavam guardadas havia muito tempo.

Mas a dor lhes deu voz.

Pela primeira vez, falei dessas dúvidas para minha esposa.

E algo surpreendente aconteceu.

Não encontrei respostas imediatas.

Mas encontrei alívio.

Percebi que dividir uma dor não a elimina.

Mas impede que ela seja carregada sozinho.

Naquela madrugada eu também estava terminando a jornada de The Last of Us Part II.

E aquilo que começou como um jogo acabou se tornando um espelho.

Ao longo da história acompanhei perdas, arrependimentos, amor, culpa, perdão e reconciliação.

Mas, acima de tudo, acompanhei pessoas tentando continuar vivendo apesar da dor.

Foi impossível não me identificar.

Joel me marcou profundamente.

Não porque fosse perfeito.

Mas porque era humano.

Ele amava.

Errava.

Protegia.

Falhava.

Se arrependia.

E continuava tentando.

Ao observá-lo percebi algo importante:

As pessoas mais marcantes não são as que nunca erram.

São aquelas que continuam amando apesar das próprias falhas.

Quando finalmente compreendi a conversa entre Joel e Ellie na varanda, algo mudou dentro de mim.

Não porque todos os problemas deles foram resolvidos.

Mas porque a reconciliação havia começado.

Ellie não prometeu perdão imediato.

Ela prometeu tentar.

E às vezes tentar já é um ato de amor.

Aquela conversa me fez pensar nas minhas próprias relações.

Quantas vezes adiamos conversas importantes?

Quantas vezes deixamos de demonstrar amor?

Quantas vezes acreditamos que teremos mais tempo?

A morte do Joel deixou de ser, para mim, uma tragédia absoluta.

Porque compreendi algo que me trouxe paz:

Ele morreu sabendo que era amado.

E isso me fez refletir profundamente.

Se eu morresse amanhã, as pessoas que amo saberiam disso?

Se alguém que amo partisse amanhã, eu teria dito tudo o que precisava dizer?

Essas perguntas permanecerão comigo por muito tempo.

A reta final do jogo trouxe outra lição.

A vingança.

Abby conseguiu sua vingança.

E continuou ferida.

Ellie chegou ao momento da vingança.

E escolheu parar.

Percebi que a vingança promete cura.

Mas raramente entrega aquilo que promete.

A cena final do violão me atingiu de forma inesperada.

Ellie tenta tocar a música.

Mas não consegue.

Os dedos perdidos a impedem.

Aquilo simbolizava o preço pago pela jornada.

Mas também simbolizava outra coisa.

O momento de deixar partir.

Não esquecer.

Não abandonar.

Mas seguir adiante.

Ao final da madrugada compreendi algo que jamais imaginei encontrar quando comecei a jogar.

A vida é breve.

Muito breve.

As pessoas que amamos não estarão aqui para sempre.

Nós também não estaremos.

Por isso amar importa.

Perdoar importa.

Demonstrar afeto importa.

Passar tempo com quem amamos importa.

Naquela noite também reencontrei algo que achei que estava perdendo.

A esperança.

Não porque todas as minhas dúvidas desapareceram.

Elas não desapareceram.

Não porque a dor física passou.

Ela não passou.

Não porque encontrei respostas para todos os problemas filosóficos da existência.

Não encontrei.

Mas porque percebi algo simples:

Eu não estou sozinho.

Minha maior necessidade talvez nunca tenha sido uma explicação.

Talvez fosse presença.

Talvez fosse ouvir:

"Eu estou aqui."

E, de alguma forma difícil de explicar, foi exatamente isso que senti.

Hoje continuo doente.

Continuo enfrentando dores.

Continuo sem compreender tudo.

Mas não sou o mesmo homem que iniciou esta madrugada.

Algo mudou.

Decidi amar mais.

Decidi dizer às pessoas o quanto elas são importantes.

Decidi viver mais o presente.

Decidi demonstrar mais carinho.

Decidi perdoar mais rapidamente.

Decidi não adiar aquilo que realmente importa.

Decidi continuar buscando a Deus, mesmo quando não entender os caminhos.

O sofrimento continua.

Mas o caráter não é mais o mesmo.

Saio desta madrugada mais consciente da fragilidade da vida.

Mais consciente do valor do amor.

Mais consciente da importância do perdão.

Mais consciente da presença de Deus.

E com uma convicção que pretendo carregar pelo resto da minha vida:

Eu não estou sozinho.

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u/GuiltyTrash7637 — 5 days ago