





Eu mudei por você
ㅤ
Troquei algumas roupas
Algumas músicas
Alguns amigos
E sem perceber
Troquei meu nome pelo seu
ㅤ
Achei bonito
Na época
ㅤ
Hoje eu não sei
Qual dos dois nomes
Ainda me pertence
ㅤ
Depois que você foi embora
Eu continuei mudando
ㅤ
Só que dessa vez
Não tinha ninguém
Para me dizer
No que eu deveria me transformar
ㅤ
Então virei um pouco de tudo
ㅤ
Um pouco do garoto
Que você amou
ㅤ
Um pouco do homem
Que eu queria ter sido
ㅤ
E muito daquele filho da puta
Que eu finjo não conhecer
ㅤ
Eu fiz coisas
Que não cabem em pedido de desculpas
ㅤ
E existem pessoas
Que eu gostaria de encontrar
Só para poder dizer
Que eu sinto muito
ㅤ
Mas talvez algumas portas
Tenham sido feitas
Para permanecer fechadas
ㅤ
E eu fui quem jogou a chave fora
ㅤ
Às vezes penso
Que poderia voltar
ㅤ
Não para consertar
Só para olhar
Por alguns minutos
Para aquele idiota
Que ainda não sabia
O estrago que estava fazendo
ㅤ
Mas o tempo é covarde
ㅤ
Ele deixa a casa de pé
E leva embora
Quem morava nela
ㅤ
Os porta-retratos continuam guardando fotos
As chaves continuam sendo apenas chaves
ㅤ
E eu continuo abrindo portas
Que não levam mais
A lugar nenhum
ㅤ
De madrugada
Minha cabeça vira uma casa abandonada
ㅤ
Cada pensamento acende uma luz
ㅤ
Eu entro
ㅤ
Um quarto
Uma lembrança
ㅤ
Outro quarto
Vejo apenas bagunça
ㅤ
E em todos eles
Sou eu
Me esperando
ㅤ
Com a mesma cara
De quem sabe
Que não pode voltar
ㅤ
Eu queria esquecer algumas coisas
Mas tenho medo
ㅤ
Porque esquecer o que fiz
Seria fácil demais
ㅤ
E talvez eu precise lembrar
Não para sofrer
Mas para nunca mais
Confundir mudança
Com virar outra pessoa
ㅤ
Porque quando ninguém está vendo
Eu ainda não sei quem sou
Só sei quem eu fui
ㅤ
E talvez
Por enquanto
Isso tenha que bastar
ㅤ
Por enquanto, sigo sozinho
Sigo porque o passado não aceita devolução.
ㅤ
Porque há erros que só podem ser carregados.
ㅤ
Porque pedir perdão não apaga o que aconteceu.
ㅤ
E porque, no fim,
Talvez crescer seja isso:
Olhar para todas as versões de si mesmo que você gostaria de matar, sentar ao lado delas e admitir,
ㅤ
Sem desculpa, sem orgulho, sem ninguém olhando:
ㅤ
Eu fui você.
E sinto muito.
Eu mudei por você
ㅤ
Troquei algumas roupas
Algumas músicas
Alguns amigos
E sem perceber
Troquei meu nome pelo seu
ㅤ
Achei bonito
Na época
ㅤ
Hoje eu não sei
Qual dos dois nomes
Ainda me pertence
ㅤ
Depois que você foi embora
Eu continuei mudando
ㅤ
Só que dessa vez
Não tinha ninguém
Para me dizer
No que eu deveria me transformar
ㅤ
Então virei um pouco de tudo
ㅤ
Um pouco do garoto
Que você amou
ㅤ
Um pouco do homem
Que eu queria ter sido
ㅤ
E muito daquele filho da puta
Que eu finjo não conhecer
ㅤ
Eu fiz coisas
Que não cabem em pedido de desculpas
ㅤ
E existem pessoas
Que eu gostaria de encontrar
Só para poder dizer
Que eu sinto muito
ㅤ
Mas talvez algumas portas
Tenham sido feitas
Para permanecer fechadas
ㅤ
E eu fui quem jogou a chave fora
ㅤ
Às vezes penso
Que poderia voltar
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Não para consertar
Só para olhar
Por alguns minutos
Para aquele idiota
Que ainda não sabia
O estrago que estava fazendo
ㅤ
Mas o tempo é covarde
ㅤ
Ele deixa a casa de pé
E leva embora
Quem morava nela
ㅤ
Os porta-retratos continuam guardando fotos
As chaves continuam sendo apenas chaves
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E eu continuo abrindo portas
Que não levam mais
A lugar nenhum
ㅤ
De madrugada
Minha cabeça vira uma casa abandonada
ㅤ
Cada pensamento acende uma luz
ㅤ
Eu entro
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Um quarto
Uma lembrança
ㅤ
Outro quarto
Vejo apenas bagunça
ㅤ
E em todos eles
Sou eu
Me esperando
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Com a mesma cara
De quem sabe
Que não pode voltar
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Eu queria esquecer algumas coisas
Mas tenho medo
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Porque esquecer o que fiz
Seria fácil demais
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E talvez eu precise lembrar
Não para sofrer
Mas para nunca mais
Confundir mudança
Com virar outra pessoa
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Porque quando ninguém está vendo
Eu ainda não sei quem sou
Só sei quem eu fui
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E talvez
Por enquanto
Isso tenha que bastar
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Por enquanto, sigo sozinho
Sigo porque o passado não aceita devolução.
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Porque há erros que só podem ser carregados.
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Porque pedir perdão não apaga o que aconteceu.
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E porque, no fim,
Talvez crescer seja isso:
Olhar para todas as versões de si mesmo que você gostaria de matar, sentar ao lado delas e admitir,
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Sem desculpa, sem orgulho, sem ninguém olhando:
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Eu fui você.
E sinto muito.
Eu mudei por você
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Troquei algumas roupas
Algumas músicas
Alguns amigos
E sem perceber
Troquei meu nome pelo seu
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Achei bonito
Na época
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Hoje eu não sei
Qual dos dois nomes
Ainda me pertence
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Depois que você foi embora
Eu continuei mudando
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Só que dessa vez
Não tinha ninguém
Para me dizer
No que eu deveria me transformar
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Então virei um pouco de tudo
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Um pouco do garoto
Que você amou
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Um pouco do homem
Que eu queria ter sido
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E muito daquele filho da puta
Que eu finjo não conhecer
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Eu fiz coisas
Que não cabem em pedido de desculpas
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E existem pessoas
Que eu gostaria de encontrar
Só para poder dizer
Que eu sinto muito
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Mas talvez algumas portas
Tenham sido feitas
Para permanecer fechadas
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E eu fui quem jogou a chave fora
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Às vezes penso
Que poderia voltar
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Não para consertar
Só para olhar
Por alguns minutos
Para aquele idiota
Que ainda não sabia
O estrago que estava fazendo
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Mas o tempo é covarde
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Ele deixa a casa de pé
E leva embora
Quem morava nela
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Os porta-retratos continuam guardando fotos
As chaves continuam sendo apenas chaves
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E eu continuo abrindo portas
Que não levam mais
A lugar nenhum
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De madrugada
Minha cabeça vira uma casa abandonada
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Cada pensamento acende uma luz
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Eu entro
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Um quarto
Uma lembrança
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Outro quarto
Vejo apenas bagunça
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E em todos eles
Sou eu
Me esperando
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Com a mesma cara
De quem sabe
Que não pode voltar
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Eu queria esquecer algumas coisas
Mas tenho medo
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Porque esquecer o que fiz
Seria fácil demais
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E talvez eu precise lembrar
Não para sofrer
Mas para nunca mais
Confundir mudança
Com virar outra pessoa
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Porque quando ninguém está vendo
Eu ainda não sei quem sou
Só sei quem eu fui
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E talvez
Por enquanto
Isso tenha que bastar
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Por enquanto, sigo sozinho
Sigo porque o passado não aceita devolução.
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Porque há erros que só podem ser carregados.
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Porque pedir perdão não apaga o que aconteceu.
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E porque, no fim,
Talvez crescer seja isso:
Olhar para todas as versões de si mesmo que você gostaria de matar, sentar ao lado delas e admitir,
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Sem desculpa, sem orgulho, sem ninguém olhando:
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Eu fui você.
E sinto muito.
eu mudei por você
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troquei algumas roupas
algumas músicas
alguns amigos
e sem perceber
troquei meu nome pelo seu
ㅤ
achei bonito
na época
ㅤ
hoje eu não sei
qual dos dois nomes
ainda me pertence
ㅤ
depois que você foi embora
eu continuei mudando
ㅤ
só que dessa vez
não tinha ninguém
para me dizer
no que eu deveria me transformar
ㅤ
então virei um pouco de tudo
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um pouco do garoto
que você amou
ㅤ
um pouco do homem
que eu queria ter sido
ㅤ
e muito daquele filho da puta
que eu finjo não conhecer
ㅤ
eu fiz coisas
que não cabem em pedido de desculpas
ㅤ
e existem pessoas
que eu gostaria de encontrar
só para poder dizer
que eu sinto muito
ㅤ
mas talvez algumas portas
tenham sido feitas
para permanecer fechadas
ㅤ
e eu fui quem jogou a chave fora
ㅤ
às vezes penso
que poderia voltar
ㅤ
não para consertar
só para olhar
por alguns minutos
para aquele idiota
que ainda não sabia
o estrago que estava fazendo
ㅤ
mas o tempo é covarde
ㅤ
ele deixa a casa de pé
e leva embora
quem morava nela
ㅤ
os porta-retratos continuam guardando fotos
as chaves continuam sendo apenas chaves
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e eu continuo abrindo portas
que não levam mais
a lugar nenhum
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de madrugada
minha cabeça vira uma casa abandonada
ㅤ
cada pensamento acende uma luz
ㅤ
e eu entro
ㅤ
um quarto
uma lembrança
ㅤ
outro quarto
vejo apenas bagunça
ㅤ
e em todos eles
sou eu
me esperando
ㅤ
com a mesma cara
de quem sabe
que não pode voltar
ㅤ
eu queria esquecer algumas coisas
mas tenho medo
ㅤ
porque esquecer o que fiz
seria fácil demais
ㅤ
e talvez eu precise lembrar
não para sofrer
mas para nunca mais
confundir mudança
com virar outra pessoa
ㅤ
porque quando ninguém está vendo
eu ainda não sei quem sou
só sei quem eu fui
ㅤ
e talvez
por enquanto
isso tenha que bastar
ㅤ
Por enquanto, sigo sozinho
Sigo porque o passado não aceita devolução.
ㅤ
Porque há erros que só podem ser carregados.
ㅤ
Porque pedir perdão não apaga o que aconteceu.
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E porque, no fim,
talvez crescer seja isso:
olhar para todas as versões de si mesmo que você gostaria de matar, sentar ao lado delas e admitir,
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sem desculpa, sem orgulho, sem ninguém olhando:
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Eu fui você.
E sinto muito.
Não me pergunte quem sou.
Nem eu consegui terminar esse mapa.
Sou feito de estradas que não aparecem nos atlas, de estações que nunca receberam nome, de perguntas que ninguém soube responder e de respostas que chegaram tarde demais.
Já atravessei universos.
Alguns brilhavam como galáxias recém-nascidas. Outros pareciam vazios por fora e infinitos por dentro.
Em cada um deles deixei algo meu: uma memória, uma cicatriz, uma saudade.
E em troca carreguei comigo fragmentos de estrelas que nem me pertenciam.
Dizem que sou intenso.
Talvez.
Mas como poderia ser diferente?
Passei a vida inteira olhando para as pessoas e enxergando muito mais do que elas mostravam.
Enquanto todos observavam a superfície, eu procurava continentes submersos.
Enquanto perguntavam o que alguém fazia, eu queria saber quem ela era quando a madrugada silenciava o mundo.
Talvez por isso eu caminhe tanto.
Não por não gostar de ficar, mas porque ainda não encontrei um lugar onde minha alma tenha parado de procurar.
Sou um universo com vulcões ativos.
Às vezes, minhas luas desaparecem atrás da sombra.
Às vezes estrelas colapsam dentro de mim.
Às vezes o céu fica tão escuro que nem eu reconheço as próprias constelações.
Esse sou eu.
Um astronauta que vê cada pessoa como um universo.
Às vezes eu esqueço de voltar pro meu
Talvez porque eu nem saiba como voltar.
Nunca conheci o caminho de volta.
E se algum dia nossos caminhos se cruzarem, não peço que fique.
Universos não foram feitos para serem possuídos.
Peço apenas que olhe para o céu por um instante.
Se encontrar beleza nele, fique à vontade para pousar.
Se não encontrar, continue sua viagem.
Não haverá ressentimento.
Afinal, eu também sou apenas um viajante.
Um nômade de estrelas nos bolsos, poeira cósmica nos pés e a esperança silenciosa de que, em algum lugar da imensidão,
exista alguém que olhe para este céu e o chame de lar.
Não me pergunte quem sou.
Nem eu consegui terminar esse mapa.
Sou feito de estradas que não aparecem nos atlas, de estações que nunca receberam nome, de perguntas que ninguém soube responder e de respostas que chegaram tarde demais.
Já atravessei universos.
Alguns brilhavam como galáxias recém-nascidas. Outros pareciam vazios por fora e infinitos por dentro.
Em cada um deles deixei algo meu: uma memória, uma cicatriz, uma saudade.
E em troca carreguei comigo fragmentos de estrelas que nem me pertenciam.
Dizem que sou intenso.
Talvez.
Mas como poderia ser diferente?
Passei a vida inteira olhando para as pessoas e enxergando muito mais do que elas mostravam.
Enquanto todos observavam a superfície, eu procurava continentes submersos.
Enquanto perguntavam o que alguém fazia, eu queria saber quem ela era quando a madrugada silenciava o mundo.
Talvez por isso eu caminhe tanto.
Não por não gostar de ficar, mas porque ainda não encontrei um lugar onde minha alma tenha parado de procurar.
Sou um universo com vulcões ativos.
Às vezes, minhas luas desaparecem atrás da sombra.
Às vezes estrelas colapsam dentro de mim.
Às vezes o céu fica tão escuro que nem eu reconheço as próprias constelações.
Esse sou eu.
Um astronauta que vê cada pessoa como um universo.
Às vezes eu esqueço de voltar pro meu
Talvez porque eu nem saiba como voltar.
Nunca conheci o caminho de volta.
E se algum dia nossos caminhos se cruzarem, não peço que fique.
Universos não foram feitos para serem possuídos.
Peço apenas que olhe para o céu por um instante.
Se encontrar beleza nele, fique à vontade para pousar.
Se não encontrar, continue sua viagem.
Não haverá ressentimento.
Afinal, eu também sou apenas um viajante.
Um nômade de estrelas nos bolsos, poeira cósmica nos pés e a esperança silenciosa de que, em algum lugar da imensidão,
exista alguém que olhe para este céu e o chame de lar.