Abrir mão de 1.100 no meu salário bruto para deixar a sala de aula. Fiz certo ?
Sou professor concursado de uma rede municipal e estou passando por uma situação que tem me deixado pensando se fiz a escolha certa.
Meu concurso é de 20 horas e, até pouco tempo atrás, eu trabalhava em sala de aula numa escola de distrito. Por ser uma escola da zona rural/distrito, recebia um adicional de 20% sobre o vencimento.
O deslocamento não era tão complicado, porque eu ia com meu veículo até a Secretaria de Educação e, de lá, pegava uma van disponibilizada pela prefeitura. Na volta, a van nos deixava novamente na Secretaria.
Acontece que eu queria desmembrar minha carga horária para 40 horas, mas não estava conseguindo vaga nem na escola onde trabalhava nem nas unidades próximas do distrito.
Foi então que surgiu uma proposta: eu poderia ir para uma escola no centro da cidade, conseguir as 40 horas e, de quebra, sair da sala de aula para ficar responsável apenas pela biblioteca.
Um detalhe importante é que estou fazendo mestrado e ainda estou no estágio probatório. Por isso, não posso conseguir licença para me dedicar aos estudos. Essa mudança acabou sendo uma alternativa que me ofereceram para conseguir conciliar melhor o trabalho com o mestrado.
O lado positivo da mudança:
- Consegui finalmente desmembrar minha carga horária para 40 horas.
- Saí da sala de aula e passei a trabalhar exclusivamente na biblioteca.
- Continuo com meus direitos, incluindo reserva interna e externa.
- Tenho um horário um pouco mais flexível, o que ajuda bastante com o mestrado.
- O deslocamento praticamente não mudou, já que a nova escola fica a umas três ruas da Secretaria de Educação, onde eu já ia anteriormente.
O lado negativo é o financeiro.
Ao sair do distrito, perdi o adicional de 20%. Considerando uma carga horária de 40 horas, esse adicional representa aproximadamente R$ 1.100 no salário bruto, para quem ainda está enquadrado como licenciatura plena.
Também não consegui fazer minha progressão para especialista por ainda estar no probatório, então continuo recebendo pelo nível de licenciatura, apesar de já estar cursando o mestrado.
Na prática, com 40 horas no distrito, meu bruto ficaria na faixa de R$ 7.300 a R$ 7.400. Na escola atual, sem o adicional, fica por volta de R$ 6.300.
Só que, por causa do Imposto de Renda e dos demais descontos, a diferença no salário líquido acaba sendo bem menor, algo próximo de R$ 500 mensais. Seria aproximadamente R$ 6.000 líquidos no distrito contra R$ 5.500 na escola atual.
O que mais está me fazendo questionar a decisão é uma questão pessoal: quero comprar um carro.
Minha intenção é usar um empréstimo consignado para isso. E, como a margem disponível depende da remuneração considerada no cálculo, perder aqueles R$ 1.100 no bruto pode fazer uma diferença considerável no valor que consigo contratar.
Estou com receio de não conseguir o valor necessário para comprar o carro que quero justamente por ter aberto mão desse adicional.
Por outro lado, penso que consegui algo que muitos professores gostariam: trabalhar 40 horas sem precisar enfrentar a rotina de sala de aula, com horário mais flexível, tempo para estudar e uma função aparentemente menos desgastante.
E tem outro ponto: não existia, naquele momento, a possibilidade de completar as 40 horas no distrito. Então, na prática, também não era simplesmente escolher entre duas vagas de 40 horas.
Queria ouvir a opinião de vocês, principalmente de quem já passou por algo parecido.
Vocês acham que fiz uma boa escolha? Abririam mão de aproximadamente R$ 500 líquidos por mês para ter uma rotina mais tranquila, conseguir conciliar o mestrado e sair da sala de aula?
Ou acham que, financeiramente, foi uma decisão ruim, principalmente considerando que estou querendo financiar a compra de um carro?
Fico pensando se estou dando importância demais ao dinheiro que deixei de receber e pouca importância à qualidade de vida que ganhei.