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Tradução
Poemas traduzem sentimentos
Versos descrevem tormentos
Palavras em diferentes dialetos
Estabelecem caminhos concretos
A tradução quebra os condicionamentos
Permite-nos expandir os conhecimentos
Torna-nos um pouco menos analfabetos
Ao mesmo tempo da compreensão, arquitetos
Ao destruirmos as barreiras linguísticas
O significado torna-se fácil
Dota-nos de características humanistas
Tornando-nos um ser humano versátil
Com virtudes artísticas e científicas
Fundamentais para este mundo hostil
30 de Setembro dia internacional de tradução
Haiku Bateria
Eu carrego o vício
É uma rotina diária
Gastar bateria
Terapia
Escrever poesia, é crónica terapia
A caneta trabalha movida a melancolia
Enquanto escrevo mais uma quadra
Que meticulosamente se enquadra
Sou só um tolo, que escreve a dor na tela
Arrumador de palavras, para estacionar versos
Os mesmos ganham vida como uma novela
Palavras são personagens, com traços adversos
Terapeuticamente, ordeno caracteres com caráter
Não vivo, então escrever, é a única forma de viver
Sistematicamente rabisco o caderno, com fúria
Uso léxico de luxo, que me deixa na penúria
Poemas são placebos, com fragmentos do meu ser
Que eu vomito para me preencher
Smartphone que te suga a alma
Dá atenção, a mais uma notificação
Nesse smartphone que te suga a alma
Ferramenta tecnológica de comunicação
Que a tua ansiedade acalma
És só um tecnológico-dependente, corroído pelo vício
Em que redes sociais são um mundo fictício
Que no teu foro psicológico causam maleficio
Com a tua compulsão, por este pequeno objeto de silício
Vejo a luz do ecrã no teu rosto
Que lentamente te vai roubando a visão
Enquanto tentas saciar o vicio com mais um gosto
Como a tua bateria apresentas grande grau de viciação
A geração atual, já nasce com o smartphone no cordão umbilical
Residentes no mundo digital
Atraídos por um qualquer tema viral
Em alguma rede social
Nota: Poema presente no meu segundo livro Poética Tecnológica
Out of Date
Up to date
I never had any date
Solitude is my plus one
Because I’ve never had anyone
Sailing on a sea of despair
On this endless nightmare
I only have the cards to play solitaire
I keep my bitterness on a Tupperware
As my pain blooms
The bitterness fills a few spoons
I write about it in my bedroom
Wearing sweat and tears as my perfume
As I slowly age
The situation never changes
All this fuels my rage
With words that fill pages
Sanidade frágil
A felicidade é um campo estéril
Onde germina a minha sanidade frágil
Que molda a minha alma dúctil
Quando agrego palavras de maneira fútil
Degusto angústias com a caneta
Sinto o sabor amargo no âmago
Que me fere como uma baioneta
Quando à melancolia me vinculo
A insanidade por mim chama
Estou gélido nesta vida sem chama
Eclipse
Sua infindável beleza
É uma obra rara da natureza
O sol é tapado pela lua
Num evento que o esplendor acentua
O eclipse é sua alteza
Com radiação dotada de indelicadeza
Não podes olhar para ele com a retina nua
Ou terás uma mazela que se perpetua
Este fenómeno tem a sua rareza
A sua ocorrência possui nobreza
Que podes desfrutar a partir da rua
Enquanto progressivamente te extenua
Deusa
Meus olhos são brilhantes estrelas na tua presença
Fornece-me de amor de forma intensa
A tua face é uma bela tela
E eu fico hipnotizado com ela
Quero que dispas a minha timidez
E vistas a tua nudez
O teu corpo em brasa transfere calor para o meu
És Deusa e eu acho que estou no céu
Quero fazer-te gemer de prazer
E que aceites todo o afeto que tenho para oferecer
És um livro em braille que eu quero ler
Sou incendiário e o fogo da paixão vou acender
Carente
Acho-te tão atraente
Dá-me um beijo, estou tão carente
Esta endémica solidão põe-me doente
Só queria capturar o teu olhar vividamente
Com o teu carinho envolvente
Mata a minha angústia inerente
Dou-te o meu coração deliberadamente
Farto de em termos de amor, ser insolvente
Nota: Este poema está no livro Entre Linhas de Amor
Amor sem adjetivos
A tua pele suave como seda
Acende o fogo em mim como labareda
Espero que o doce dos teus lábios esteja na ementa
Enquanto te afago de forma ternurenta
Os teus olhos expressivos
Mantem os meus cativos
Na língua do amor somos nativos
O que sinto por ti não tem adjetivos
Encostas-te ao meu peito
Eu expresso-me num dialeto de deleite
O ar começa a ficar rarefeito
Enquanto os meus olhos brilham de forma resplandecente
Nota: Este meu poema está presente na Antologia Três Quartos de um Amor Vol.5
Gatos de rua
Sacio a vossa fome com um pouco de comida
Tento mitigar a dor da vossa vida
Rotina de nos vossos pratos deitar farinha
Sofregamente matam a fominha
Sistemático ritual várias vezes ao dia
Quando encho os vossos pratos, correm com alegria
Da mãe às suas crias
São só gatos de rua e as suas astúcias
8 de Agosto dia internacional do gato