Só escrevo
Não bebo, não fumo, não fodo, só escrevo
É praticamente tudo o que me resta
Numa vida onde a angústia elevo
Melancolicamente agrego palavras em festa
O meu âmago para o papel transcrevo
O nada, o depósito da minha alma atesta
E o inóspito estado de espírito descrevo
Fruto de uma existência indigesta
Será que alguma vez haverá mudança?
Até lá só tenho o presente
A desejar uma boa aventurança
Mas com a felicidade ausente
Com a escrita dou um pé de dança
Sou só vulnerável e indigente