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Mandem todas as pizzas para Pentagon City

“Ei, pessoal, a propósito, vocês sabem
que estão agindo ilegalmente?
Isso faz com que seu comportamento de salvador
pareça maligno
Desculpe a intromissão, mas diga
como você se encaixa nessa farsa e confusão?”
Election Day - Duran Duran

O Lockheed EP-3E Aries II havia se passado por um simples avião turbo hélice de carga, apesar de suas antenas proeminentes no dorso e na barriga da aeronave. A escolha da rota descendo pela América Latina, vindo da região do Caribe, garantira a discrição. A aeronave chegara na manhã de 4 de outubro na região do planalto central do Brasil, especificamente fazendo um grande círculo que permitia buscar irradiações de comunicações na capital federal, mas mantendo-se a uma distância segura.

Com o transpoder desligado, a aeronave trafegava com uma tripulação relaxada dentro da medida do possível. Apesar de não poder ser reabastecido em voo, o avião tinha uma autonomia bastante elevada, o que havia sido levado em conta na sua escalação para a missão.

O sargento Rick Combs ergueu a sobrancelha do olho direito. Segurou o fone, como se o gesto pudesse melhorar sua audição, e em seguida acenou para o brasileiro.

Ei, Roque. Tem alguma coisa.

Corpulento como deveria ser um ex-lutador de UFC que procurava manter-se nos exercícios, mas incapaz de continuar com uma dieta de atleta, Thomas Roque levantou-se de sua poltrona e aproximou-se de Combs.

O que tem aí?
Peguei uma explosão de sinais. Vou jogar no computador, mas parece ser comunicação em pulsos criptografados. Comunicação para militar, coisa clandestina.
Não pode ser nosso, daqui?
Tem alguém se comunicando sem querer ser rastreado, com equipamento clandestino.

Thomas Roque pegou o celular seguro e fez uma chamada, voltando para a poltrona.

Isso é um sinal claro, Thomas. Tem alguma equipe para militar - venezuelanos, russos, nigerianos - se comunicando por pacotes.
Então tem alguma coisa em andamento.
É que parece. Já estamos tentando triangular.
O Combs disse que tem a origem do sinal.
Sim. Estou com um time aqui se aquecendo.
Ok.
Você vai querer mesmo ficar dentro de um avião, meu velho, em um momento como esse? É o seu país, não o meu.
Eles querem que eu identifique a voz.
Eles têm computadores de milhões de dólares e IA para isso e precisam de reconhecimento humano? Eu sempre fico emocionado com essa valorização do bom e velho ouvido.
Tem como eu descer daqui depois disso e me juntar ao time, Bane?

O sinal de rádio era um pacote de dados com criptografia em alto nível. A comunicação era feita em pulsos e isso ajudava a manter a segurança. O pacote era aberto no equipamento de destino e comunicação seria aberta.
O pacote de dados havia sido transmitido do Lockheed para o Iwo Jima, que estava no Caribe, perto de onde ele havia recebido Nicolas Maduro após a sua prisão. A embarcação havia recebido um super cray no início de 2026, a pedido de Erik Prince, que estava encabeçando a meticulosa operação contra narco estados, desde o governo Biden. O pacote não precisaria sair dali.

Em quanto tempo conseguimos abrir isso?
Eu vou poder te encaminhar uma previsão em cinco minutos, já estamos processando.
OK, você tem cinco minutos, mas não tem seis.
Segure, segure, segure. - alertou Chuck, um especialista em computação da CIA que estava lotado no Iwo Jima há meses.
Estou segurando…
Eu acho que posso dizer agora: precisamos de cinco horas.
É tempo demais!
É matemática demais. É o que vamos ter.
OK. Vou repassar.

Jeremy Bane estava no fechado círculo de pessoas que tinham acesso a todas as informações que estavam sendo produzidas naquele 4 de outubro. Ele falava diretamente com Erik Prince quando recebeu a previsão de cinco horas para abrir o pacote enviado para o Iwo Jima.
Caralho, Prince, em cinco horas achamos os caras e colocamos eles num torno para falarem o que estão conversando, e com quem!
Segure as coleiras, Bane.
Eu estou segurando essas coleiras desde quando, cara?
Nunca é tempo suficiente.
Você sabe quem está no Lockheed circulando ao redor de Brasília preso para reconhecer uma voz?
Eu sei.
Aquele cara passou o fogo do inferno. Ele é a coleira que está puxando mais…
Segure, Bane, segure. Precisamos confirmar.
Essa é a pior parte desse trabalho.

A noite anterior

O comboio era composto por mais de 50 veículos. Carregavam equipamento pesado suficiente para começar e acabar com uma pequena guerra relâmpago. E era essa a ideia. Quando o comboio chegou aos arredores de Brasília, no dia 2 de outubro, fora feita a dispersão. Equipes se posicionaram em cidades na região sudoeste do Distrito Federal, visando a proximidade com o alvo. Eram quase 200 homens, armas, munição e cobertura aérea que estaria pronta no domingo, partindo de Goiânia, Unaí e Cristalina, onde as aeronaves haviam sido levadas com quase dois meses de antecedência.
A equipe era como uma Babel, falando em quatro línguas diferentes: eram nigerianos, russos, venezuelanos e brasileiros. A língua que unia todos era a quinta, o inglês, utilizado em alguns níveis de proficiência. Mas nada que pudesse atrapalhar a comunicação.
A verdade é que a equipe havia sido recrutada com muito cuidado. Aquele grupo era o principal, de resposta rápida, que faria o primeiro e o mais drástico movimento.
Não tinha como ser menos que perfeito.
O binóculo Ebit System Coral CR era um aparelho robusto que seria grande nas mãos da maioria das pessoas. Mas nas mãos de Alexeyev. O ex-spetnaz, com seus quase dois metros de altura e 130kg de ossos e músculos podia estar quase na casa dos 60 anos, mas continuava assustador. Ex-membro da guarda pretoriana de Nicolas Maduro, Alexeyev havia voltado para a América Latina há poucos meses, exatamente para aquela operação.
Ele havia escapado da Operação Resolução Absoluta exatamente porque estava na República Centro Africana (RCA) recrutando a equipe com a qual estava reunido naquele momento, nos arredores de Brasília.
O russo vasculhava a vizinhança com o binóculo hi-tech de visão noturna e pareceu satisfeito com o que estava vendo: zero movimento.
Havia uma grande possibilidade daquilo tudo dar certo, porque o nível de sigilo estava superando tudo que já vira antes.
Mamadou? - chamou Alexeyev pelo rádio equipado com scramble. Não houve resposta. Repetiu. - Mamadou? Está aí, porra?
Afirmativo.
Fez o check list?
Já enviei.
Tudo 100%?
Tudo 100%.
Prepare o pacote. Envie pra todos. Cronometro regressivo marcado para 20h locais de amanhã.
Marcado. Os pacotes vão ser enviados no horário.
Ótimo. Descansem. Amanhã vai ser o dia, e esse país é grande pra caralho.
Muito grande.
Grande demais.

Zip code 22202 - Cristal City - o domingo
Donovan estacionou a Dodge Dakota nos fundos da pizzaria. A caçamba estava cheia de pacotes de suprimentos para a cozinha. Os últimos finais de semana haviam sido bons, mas aquele parecia promissor demais. Desde quinta-feira os pedidos estavam bombando.
Ei, Chris. Descarregue a Dodge.
Eu não cheguei ainda.
Que história é essa?
Eu cheguei mais cedo porque estou precisando resolver umas coisas aqui…
Você está brincando comigo, Chris?
Não. Eu realmente estou ocupado.
Tem um ditado sobre isso, Chris.
O jovem pensou por alguns instantes e lembrou-se do ditado. Era melhor não agir daquela forma com o patrão. Por um instante arrependeu-se por ter chegado mais cedo ao trabalho, mas resolveu agir de forma política.
Ok, Donnie, mas eu vou bater o cartão agora.
Bata essa merda desse cartão, Chris, antes que eu fique irritado.
O funcionário de cabelos verdes e piercings nos supercílios deu meia volta, bateu o cartão e dirigiu-se até onde estava a caminhonete da Dodge. Era uma clássica versão 3.9v6 de quase 180cv. Donovan cuidava muito bem daquele veículo. Sua caçamba poderia carregar uma tonelada de carga, mas parecia que tinha mais.
Porra, o Donovan está muito otimista hoje.

Iwo Jima
Chuck conferiu mais uma vez o trabalho que o super cray estava fazendo para quebrar a criptografia do pacote de comunicação que havia chegado do Brasil. Era um esforço insano que estava sendo empreendido dentro daquela máquina.
Por fora, não havia indicativos do que realmente estava acontecendo. O indicador do lapso de tempo mostrava que seria necessário mais duas horas, mas tudo poderia mudar.
Ei, Diego, você está indo onde?
Vou cagar.
Porra, cara.
Você perguntou, não foi?
Na verdade eu queria saber se você ia passar na copa. Queria um café desse tamanho, mas não posso sair daqui da frente, pois tem um cara muito chato me pressionando.
Depois de cagar eu trago seu café.
Promete lavar as mãos?
Diego fingiu estar pensando sobre o assunto, debochando silenciosamente do colega da CIA: - Cara, já isso eu não posso garantir. Esse navio é muito grande…
Chuck ia levantar o dedo do meio para o colega, quando pelo canto do olho viu algo mudando na tela do computador.
De repente, como se um nó tivesse se soltado e o novelo inteiro tivesse se desfeito, o lapso de tempo chegou a zero.
O serviço estava feito.
São Cray dos Desajustados! Que loucura, bateu mais um recorde!
Chuck pegou o telefone e fez uma ligação rápida.
Senhor Bane?
Bane falando.
Chuck, Chuck do Iwo Jima.
Terminou?
Sim, senhor, o pacote está aberto!
Porra, finalmente!
Chuck pensou: Como assim “finalmente”?
Abra o pacote para mim e jogue no JWICS. Você já tem o meu protocolo.
Jogando no JWICS, senhor. Três, dois, um…

Jeremy Bane abriu o arquivo e leu o que estava lá. Já vira muitas mensagens codificadas em inúmeras operações da CIA em quatro continentes. Na maioria dos casos, o contexto é que define o quanto é difícil compreender o que está sendo comunicado.
Com aquele pacote de comunicação recém-aberto por um super computador instalado em um navio de guerra no Caribe, a coisa não era diferente.
A questão é que Bane estava envolvido com os meandros do narcotráfico da América Latina desde os anos 1990, e passara por muita coisa. Vira muita coisa, conhecera muita gente.
Então para Bane, a mensagem que havia sido aberta pelo Cray de Chuck, por mais que ainda estivesse citada em código, era clara como água mineral.
Assim que havia terminado de ler a mensagem, Bane sabia o que estava para acontecer.
E não era pouca coisa.

Erik Prince era o cara que estava envolvido até o talo no plano que havia sido arquitetado para enfrentar o narcotráfico na América Latina. Ele brincava que se precisassem que explicasse o plano, precisaria de menos de meio minuto, de tão simples e conciso que era. Mas na verdade não era bem assim.
Prince havia se encontrado em 2020 com Andreiy Yermak, chefe de gabinete de Zelensky e outras lideranças do governo. A pauta era uma proposta bilionária para a Ucrânia: a criação de uma indústria bélica e de uma “academia” de soldados da fortuna.

Você está confiante? - perguntou o brasileiro para Erik Prince, no restaurante chique em Washington, no domingo à tarde.
Estou bastante confiante.
Já pediu esse wagyu?
Vá em frente. É simplesmente maravilhoso.
De onde vem toda essa confiança? Vocês já fizeram isso outras vezes.
Não assim. Você não vê a diferença?
Garçom, eu quero este corte de wagyu. Antes do ponto.
Sim senhor.
Não. Não vejo diferença. É mais do mesmo.
A diferença consiste no fato de que dessa vez estaremos atendendo uma demanda comercial.
E quem vai levar isso a sério?
Já estão levando isso a sério. Estamos há meses no Haiti agindo assim. Um contrato comercial civil e privado entre um Estado e uma empresa privada caçando narcoterroristas. Você sabe os resultados.
Quanto tempo para isso explodir na mídia global? Você acha que está jogando bola no seu quintal?
Não. Não estamos jogando bola. Estamos caçando todos vocês. El Salvador, Peru, Equador, Haiti, estamos indo para a Colômbia, a Bolívia, já temos a Venezuela, temos empresários no Peru contratando nosso pessoal. Estamos caçando vocês em mais de 10 países.
Repúblicas de bananas, Prince. O Brasil é um país muito grande, muito rico.
E o que você quer dizer com isso?
Que não vai ser como vocês estão pensando. Talvez vocês se surpreendam.
O dono da antiga Blackwater, atual Global Vectus, abaixou o cardápio que mostrava pratos cujos preços começavam com quatro dígitos à esquerda do ponto decimal e deu mais atenção ao seu interlocutor. O brasileiro grisalho girou o gelo no copo de McCallam e demonstrou que não estava preocupado com a reputação de Prince.
Posso contar uma história para você?
Claro.
Pois bem, era uma vez um país que aprontou com os EUA, invadiu sua embaixada, sequestrou dezenas de americanos e tivemos que baixar a bola. Colocamos rios de dinheiro no governo fajuto de um país vizinho e fomentamos uma guerra de dez anos para tentar destruir aquele primeiro mais. Quando esse ditador que fez a guerra para a gente passou a incomodar, derrubamos ele e o matamos.
Sim. Vocês o mataram.
É essa a história.
Se você está falando do Irã, essa é uma história que não acabou.
Sim. Não acabou com o Irã. Com vocês acabou. Hoje.
Prince levantou-se e abotoou o blazer: - aproveite o Wagyu. Já está tudo pago.

A verdade é que a ideia de Erik Prince sobre a instalação de uma indústria bélica de 50 bilhões de dólares em Kiev havia sido vista com bons olhos pelo governo ucraniano, mas colocou uma pulga atrás da orelha de Vladimir Putin. Era uma clara ameaça ao poderio russo. Algumas pessoas acreditam até hoje que aquelas reuniões teriam sido um dos motivos mais fortes para a deflagração da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Independentemente de ter sido ou não, a verdade é que a guerra fez com que a Rússia tivesse problemas demais para, três anos depois, tentar impedir que os EUA não apenas capturassem Nicolas Maduro como também tivessem lançado uma silenciosa ofensiva contra o narcotráfico do lado de cá do Atlântico.
Prince estava montando exércitos mercenarios em vários países da AL, do Haiti ao Peru, com apoio de Bukele e Marco Rubio, que fizeram a ponte para vários contatos do dono da antiga Blackwater com governos e empresários sul-americanos.

Para Jeremy Bane, aquilo tudo era um caminho inexorável que os EUA precisavam trilhar, acima de qualquer motivo, por culpa. Nos anos 80 a CIA havia se associado com vários cartéis que estavam iniciando suas atuações no tráfico internacional a fim de levantar recursos para combater a URSS.
A verdade é que o império soviético caiu enquanto o império das drogas ascendia cada vez mais.
É isso que eles estão preparando.
Quantas pessoas sabem disso até agora?
Menos de cinco. - respondeu Bane.
O presidente sabe? - Erik Prince estava no balcão de um restaurante em Washington, um copo de uísque na mão.
Ainda não. E eu não sei ao certo se deveria saber. Você conhece o homem.
Ele não pode agir como um elefante numa loja de cristais. Mas é como ele vai querer agir quando souber.
Prince leu novamente o memorando que havia recebido de Bane e pensou: era como eu faria. Destruir a comunicação no país, libertar as maiores lideranças do crime organizado e iniciar uma espécie de revolução proletária baseada nas facções criminosas. E eles tinham quase 50 mil homens prontos, enquanto a apuração das urnas eletrônicas começava a ser divulgada.
Bane. Eu acho que vamos ter que segurar essas rédeas nós mesmos.
Eu achei que você ia dizer isso.
Quanto tempo nós temos?
Horas.
Quantas?
Quatro? Três?
Lembra daquela ideia que eu te expliquei?
Se você está falando de… você não está falando do call center, está?
Estou. Sinal verde.

Alekseyev estava no carro que liderava o comboio. Haviam chegado ao alvo. Ele
Pegou o celular.

Thomas Roque estava furioso. O avião estava há 10 horas circulando pelas adjacências do espaço aéreo de Brasília. Ele não aguentava mais. Foi quando o oficial o chamou mais uma vez: - senhor, senhor. Pegamos algo.
Que merda, o que foi dessa vez?
Noventa por cento de chance de ser o que estamos procurando. Os fones, por favor.
Thomas pegou os fones e os colocou ao redor da cabeça, encaixando nos ouvidos. Ficou em total silêncio, quase sem respirar. Todos estavam confiando no seu ouvido. Ele era uma das poucas pessoas vivas no mundo que poderia reconhecer aquela voz.

Os telefones de dezenas de pizzarias da região de Pentagon City e Cristal City, em Arlington, começaram a tocar. Os pedidos também começaram a chegar via aplicativo das empresas e aplicativos de conversa. Os pedidos eram feitos em dúzias.
Dúzias de pizzas.
Os pedidos eram basicamente das pizzas mais simples e rápidas para fazer. As ordens haviam sido muito claras para o call center montado por uma empresa terceirizada pela Global Vectus, empresa de segurança em nível global criada por Erik Prince. Global Vectus era o novo nome da Blackwater.

Ninguém percebeu nada de estranho com os pedidos de pizza imediatamente, até mesmo porque não havia motivos para desconfiança.
Todos os pedidos feitos on line estavam sendo acompanhados pelo pagamento antecipado.
Em questão de minutos, uma legião de entregadores pegaria a rodovia com milhares de pizzas para serem entregues em um dos locais mais conhecidos do mundo.

Bane recebeu a ligação de Roque e ficou feliz como que ouviu.
Estamos com ele, Bane. Ele está aqui, o filho da puta. - Thomas Roque estava entre exultante e furioso. O sistema de inteligência eletrônica havia captado a voz do russo em um canal aberto. Isso significava apenas uma coisa: a mensagem havia sido enviada para milhares de pessoas, milhares de soldados do crime organizado que estavam esperando o aviso em todo o país.
Você está calmo, Thomas?
Eu estou puto da vida, Bane. Muito puto.
Segure mais um pouco.
Eu não vou ficar mais aqui em cima, cara!
Vocês já vão pousar e você vai receber instruções. Mas por enquanto, calma.

Celulares começaram a vibrar em outro ponto do planeta. Mais ao sul. Homens de terno e gravata pegaram seus aparelhos para ver do que se tratava.
Era uma mensagem em uma rede social. O assunto era curioso. Inusitado.
Vários dos destinatários da mensagem estavam reunidos nos mesmos lugares. Tribunais, escritórios de partidos políticos, prédios públicos.
Muitos deles ficaram surpresos quando viram que todos estavam recebendo a mesma mensagem.
Só podia ser brincadeira.

O que você me diz?
Eu não sei.
Você leu, certo?
Li. Claro.
E então?
Então eu acho que não pode ser coincidência.
Senhores - um terceiro homem se aproxima - coincidências não existem. Nós todos recebemos essa mensagem. Até onde sei, nós todos mesmo. Para todo mundo que eu liguei, todos confirmaram. Isso é um recado.
De quem?
Eu não sei.
Os três homens ficaram em silêncio. Um deles passava o dedo na tela do celular enquanto lia em voz alta o que via na tela.
“Dezenas de pizzarias em Arlington estão entregando neste momento centenas ou milhares de pizzas para funcionários de plantão no Pentágono. Nunca foi registrado um movimento tão grande em um domingo no Quartel General das forças armadas dos Estaos Unidos. Em duas ocasiões parecidas, houve um movimento tão grande: na véspera do ataque à usina de Fordow, o Irã, e na véspera da prisão de Nicolas Maduro”.
O que acham?
Silêncio.
Isso, senhores, não é uma coincidência. Isso é um aviso. Abortem tudo… agora!

Thomas Roque desceu do Lockheed e avançou pela pista na direção do Range Rover Velar preto. Bane estava ao lado do veículo, com uma caixa de charutos na mão.
Meu caro, você escolhe: comemora agora ou depois.
Eu não tenho nada para comemorar agora. Eu tenho que ir atras daquele filho da puta.
Claro que temos motivos para comemorar, Thomas. Acabamos de interromper um golpe de estado.
Fizemos isso?
Sim. Fizemos isso.
Ta certo. Vamos fazer uma coisa?
O que?
Libera a sua equipe comigo para irmos atrás daquele russo filho da puta e depois você me explica isso direito. Tô querendo colocar a mão naquele desgraçado há 10 anos.
Ok. Você tem autorização.
Thomas apertou a mão do agente da CIA e saiu correndo na direção do Blackhawk que acionava os motores em outro ponto da pista. Parou por um momento, voltando-se para Bane.
Espera aí, eu acabei não vendo porea nenhuma sobre isso o dia todo: vamos ter segundo turno?

reddit.com
u/Robinson1219 — 3 days ago
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[MS] A cortadora de margaridas

Dina amarrou todos seus pertences mais uma vez na semana. Cabia tudo em uma trouxa um pouco maior que sua própria cabeça, e era exatamente sobre ela que seria carregada, enquanto a criança menor, com apenas alguns meses ia pendurada às costas e os mais velhos caminhavam usando sandálias feitas de garrafa de plástico. O sol era mais do que quente naquele pedaço do planeta, dando uma ideia do que poderia ser o inferno. Mas Dina era movida por algo mais forte. Algo ignorante e forte, que afastava ideia de desistir. Não tinha mais nenhuma opção fora continuar tentando ou deitar no solo e esperar a morte. Mas ela havia decidido – movida por aquela força – que deixaria para morrer em outro dia. Talvez amanhã. Mas, com certeza, não naquele dia. Três vidas dependiam dela.

No outro lado do mundo, um plano dava errado. Estupidamente errado pelo simples fato de que o homem branco havia acreditado ser superior ao índio. Pelo menos em inteligência. Mas Deus teria feito todos nós à sua imagem e semelhança, e por isso técnica e teologicamente seríamos todos iguais. E, com isso, os garimpeiros não haviam contado.

Antes que percebessem que os índios não estavam acreditando que todas as pedras estariam sobre a mesa, o facão desceu, por trás, no ombro do mais jovem, cortando-o até a base do peito, fazendo o braço tombar para o lado. O barulho do metal cortando pele, carne e osso ardeu nos ouvidos dos outros dois homens, e o sangue espirrou por todo lado, enquanto o garimpeiro ferido rodopiou ao cair, misturando estado de choque com a morte pura e simples.

- Entrega tudo! – gritou o índio mais forte, um armário de três portas, sem camisa, com uma cordinha vermelha cruzada pelo peito e uma pistola Desert Eagle niquelada na mão direita. Não era uma arma barata. Tão pouco havia sido fácil  trazê-la de Israel, e não havia sido tendo muito paciência que Chicão conseguira dinheiro para tanto.

O segundo garimpeiro tombou para trás com mais cinco furos no rosto além dos que a natureza havia construído em centenas de milhares de anos de evolução da espécie humana. O terceiro garimpeiro gritou por todos os santos e começou a soltar o cinto. “Eu entrego! Eu entrego”, soluçava, temendo o pior. Os índios esperaram o homem tirar as calças e remover a pedra gigantesca do meio das nádegas.

- Por isso o homem andava engraçado – disse um dos índios para o Chicão.

- Você queria ficar com isso? Pedra acima do combinado! Homem safado!

O garimpeiro, nu da cintura pra baixo, esperava tudo, menos que Chicão decidisse ser magnânimo. O índio robusto enfiou a Desert Eagle na cintura, absorto olhando para a pedra e depois abanou a mão livre com desdém: - Pode ir embora, leva suas pedras, mas nunca mais volta aqui.

Puxou as calças para cima, atou o cinto e raspou o tampo da mesa com as mãos puxando as pedras para um dos bolsos. Para o garimpeiro, não havia sido tão ruim assim. Pelo menos não precisaria dividir com mais com ninguém as pedras que haviam restado. 

- Eu sei o que eu quero. E o que eu quero é algo forte. Algo muito forte, para resolver este problema de uma vez por todas. – os metais da farda reluziam, mostrando o que deveria ser uma história de uma carreira militar ilibada, longa e gloriosa. No entanto, toda aquela lataria não representava nada além de uma pilhagem de outros peitos, de outras fardas e outras carreiras militares – e outras pilhagens também. Ou seja, não valia nada sem o cano de uma arma para garantir-lhe a hierarquia. Funcionava assim naquele canto do planeta.

À sua frente, o homem branco, praticamente albino, não se incomodava nem um pouco com a história daqueles metais no peito do negro. Já vira muito daquilo naquele lado do Atlântico. Os homens mais armados sempre latiam mais alto, mas não mordiam todos simplesmente porque adoravam ficar cercados por aduladores. O que importava era apenas o pagamento. “Você precisa ‘lavar’ um pouco suas pedras. Isso vai garantir mais valor. E se tiver mais valor, poderá comprar qualquer coisa... ou pelo menos quase qualquer coisa.”, explicou, arrancando uma gargalhada do africano.

- O senhor é muito engraçado! Se não fosse tão engraçado eu não confiaria em você. Mas diga: o quanto você precisa para lavar uma carga suficiente para eu comprar o que eu quiser?”

- O que você me disponibilizar.

- Eu tenho um contêiner cheio. Pronto para você levar.

 

O vento sacolejou a folhagem e levantou a poeira. Os índios estavam inertes, inabaláveis diante do trovejar das hélices cortando o ar. Eram os donos da terra. Haviam estabelecido suas posses com a força. Era assim que se sentiam.

E como donos da terra, podiam fazer o que quisessem com o que ali brotasse do chão. E assim faziam, apesar de não haver lei para isso.

O helicóptero pousou na terra avermelhada e nua do centro da clareira e com o rotor ainda girando os homens brancos desceram. Estes são homens brancos confiáveis, pensou o índio-chefe, mas nem por isso esboçou um sorriso. Os Cinta-Larga não costumam ficar rindo muito, e aqueles índios não costumavam fugir à regra.

- Chefe! - disse o índio.

- Chefe! - disse o branco.

Homem branco e índio trocaram saudações.

- O que temos aí, chefe? Fez tempo bom a semana inteira, não é? Seus homens trabalharam bastante, hein?

- Tempo bom. Trabalho bom. Muita pedra aqui. - o índio chamou o chefe branco para uma mesinha de ferro com uma desgastada logomarca de cerveja no tampo. Depositou uma sacola de pano na superfície e a abriu. - Mil e quinhentas pedras, chefe.

- Meu Deus, chefe! Vocês são umas máquinas mesmo, hein? Isso é que é trabalho! - e dá um tapa com as costas da mão esquerda no braço de seu piloto - se eu tivesse gente competente assim na Capital, hein?

- Tem mais, chefe.

- Mais o quê?

E o Cinta-Larga sorriu, como costumava fazer somente em ano bissexto, abrindo a mão direita e mostrando uma pedra quase do tamanho de um punho.

O chefe branco estreitou os olhos para vislumbrar melhor a pedra. Nunca vira nada igual. Um sorriso também esboçou-se em seus lábios finos. Fez uma mesura, como se perguntasse “posso?” ao índio.

- O chefe está pagando por isso...

Levou a pedra à altura do rosto. Ainda bruta, apresentava transparências. O chefe branco ainda não sabia que sangue já havia sido derramado por aquela pedra, mas sabia muito bem que muito sangue já fora derramado pelo garimpo como um todo, em toda a sua história. Continuaria sorrindo de um jeito ou de outro. Tudo tem seu preço, não tem?

- Ainda bem que trouxe carne e cerveja! Isso merece uma comemoração!

- Isso vale uma picape como a sua, não vale? - perguntou o chefe Cinta-Larga.

- Vale, chefe. Vale. Com ar-condicionado e tudo mais.

 

O albino havia conferido que realmente havia um contêiner cheio das pedras. Eram centenas, beiravam os milhares. Mas eram diamantes marcados, sem certificados de procedência. Era preciso tirá-los da África para que pudessem valer mais. Vendê-los ali era mais do que tolice, e ele não começara ainda a rasgar dinheiro. 

O ideal seria enviar para a Europa, onde ficavam os grandes centros processadores daquelas pedras – a indústria de verdade. Organizou tudo dentro de embalagens menores para evitar que os ovos se quebrassem todos na queda da mesma cesta e assim foi. 

Um esquema organizado há anos – e funcionando infalivelmente – levou as pedras ao Brasil. Vinte por cento delas deixariam de ser suas imediatamente, para ficar nas mãos dos agenciadores. De lá, ficaria livre dos salafrários que queriam se aproveitar do fato de os diamantes de seu cliente não serem tão limpos quanto aparentavam ser. Nesse ponto, começaria outro problema.

Assim como as rosas, as pedras não falam, e não reclamam por se sentirem  sufocadas dentro da cueca de alguém. Por isso o sistema era perfeito. Porque além de não falarem, as pedras aparecem no detector de metais.

O homem caminhava com tranqüilidade apesar dos 500 diamantes grudados em sua bolsa escrotal dentro de uma espécie de fralda. Estavam grudados em seu corpo, como que para lembrar que ganharia uma bolada assim que conseguisse sair do estado com aquilo tudo na virilha.

Era tão ignorante, mas tão ignorante, que aquela era sua quarta viagem. E o pior: não sabia que seria a última.

Ele era uma parte de um esquema considerado à prova de falhas. Fazia o transporte das pedras tomando o rumo contrário da fronteira - para onde normalmente levariam algo para sair do país - afastando-as da selva de onde saíra, direto para uma grande cidade do sudeste.

As crianças estavam morrendo rápido. A comida que a Cruz Vermelha entregava havia chegado mais tarde do que devia. A água salobra já havia dado conta do recado e enfraquecido ainda mais os mais frageis. Dina pensou em chorar, mas sua visão cartesiana do mundo não permitiu. Acotovelou-se no meio dos outros refugiados para chegar perto dos caminhões. E quem não chegasse ali, perto o bastante para pegar a comida?

Agarrou-se ao saco de comida e saiu correndo. Pessoas que estavam mais atrás tentavam arrancar o pacote de suas mãos. Dina mordeu braços para abrir caminho e saiu com gosto de sangue na boca e as costas doloridas de tantas bordoadas. Mas o pacote estava inteiro.

- Aceita um refrigerante?

A aeromoça era uma morena pra lá de normal. Bem diferente do que todo mundo gostaria que fosse uma comissária de bordo. O homem aceitou a bebida - mais uma cerveja preta. Não haveria problema em ir ao banheiro. Nenhuma pedra cairia. Era a sua quarta viagem. Sua experiência era tamanha que não suava, não gaguejava, não olhava para os lados e ainda parara para comprar um best-seller - típico de quem não gosta muito de ver aquela rede de TV interna de aeroporto. Pensava que ainda processaria os caras que faziam aquela programação desgraçada que durava menos de quatro minutos e se repetia incessantemente. Aquilo poderia enlouquecer alguém. "É verdade", pensava.

Entrou no táxi e disse o caminho certo, com segurança, para não dar a impressão de ser turista em Belo Horizonte. Costumava pensar toda vez que colocava os pés em Minas Gerais: o que fazem os turistas aqui? Mas ele não era turista e sabia muito bem o que fazer.

A pedra era maior que o de costume. Para falar a verdade, era bem grande e fazia com que as bolas dentro de seu saco perdessem o paralelismo usual. Mas, como sempre, ele conseguia disfarçar.

Mas no táxi, ele decidiu que bastava e desafivelou o cinto e enfiou a mão dentro da calça, da cueca e tirou a pedra que estava escondida entre sua bola direita e sua virilha. Alívio (você não sabe como é longa a viagem de Rondônia até Minas Gerais).

Somente um produto deixaria o comandante satisfeito, e o albino sabia muito bem qual seria e onde poderia encontrar. Significaria uma viagem a mais, e longa. Mas não queria pensar em mais uma poltrona de avião naquele momento. Seu vôo acabava de chegar no Brasil. Tinha muita burocracia pela frente: distribuir alguns punhados de dólares na alfândega para liberar os pacotes e depois encontrar o libanês. Esperava não perder tempo ali. Era o Brasil, um paraíso tropical, mas estava longe da praia.

- Larga isso. - disse o homem com a pistola na mão direita.

- Por favor, eu não estava querendo fazer nada com isso! É que tava incomodando o meu saco, eu agüentei mais de 12 horas com isso nas bolas...

- Larga, por favor, e vai para aquele lado. - o homem sacolejou a arma para indicar a direção, enquanto observava os primeiros diamantes sendo depositados sobre a mesa.

Ninguém deu atenção para o quanto o mula havia se sentido incomodado com aquilo dividindo seu saco ao meio. Até mesmo porque o mula já estava "passado" para aquele serviço. Só ele não havia percebido que quatro viagens já era demais. Mas havia se dado conta de que o lado para onde o empurravam estava mais próximo de uma torneira com uma mangueira de borracha conectada. Era um mau sinal.

- Tudo bem! Tudo bem, eu não recebo nada dessa vez, pra mostrar que eu sou leal mas só que... - o projétil de 6,35mm entrou precisamente acima de suas fossas nasais. Entrou ali como uma sinusite bem forte, desgraçada mesmo, mas se espalhou rapidamente quando o projétil descambou para a direita, rasgando uma porrada de capilares e encharcando seu cérebro e seu aparelho respiratório externo com sangue. Cambaleou, tossiu e já não pensava mais na dor no saco.

Enquanto ele ainda tentava entender o motivo de sua respiração estar tão difícil e sua visão ter ido embora (morreria em um minuto), o autor do tiro fez a pequena pistola sumir no bolso do paletó e pegou a pedra maior, que fora a última a ser depositada sobre a mesa.

- As outras vocês pegam ali nas bolas dele. - Ele nunca enfiava a mão no saco de ninguém.

- Olha o que o filho-da-puta tinha no meio do saco, porra!

O libanês olhava para a pedra quase do tamanho de um punho, trocava o foco do olho direito, da pedra para o funcionário, do funcionário para a pedra: - Isso aqui deve ter incomodado muito aquele pobre coitado.

- É tudo a mesma coisa.

- Tudo a mesma coisa é um caminhão cheio de AK-47.

- Desculpe, mas é tudo a mesma coisa.

O libanês girou o pescoço de um lado para o outro, estalando os ossos da extremidade da coluna vertebral. O especialista contratado pelo albino não piscou, nem modificou a respiração. Apenas olhava para o libanês e o albino, fazendo sua intervenção no que seria  uma das partes mais complicadas do processo, que era possibilitar um “escambo” entre os dois proprietários dos diamantes brasileiros e africanos. A ideia era misturar os diamantes, para que, numa análise mais precisa, o albino pudesse sempre passar por um comprador de pedras brasileiras, com procedência comprovada.

- Escutou o que o homem diz... – recomendou o Albino. Ele estava tranquilo.

- Escutei a merda do seu homem e isso não significa nada para mim - disse o libanês, em sua língua natal. O albino apenas esboçou um leve sorriso de condescendência. - Eu não concordo com seu especialista. Nem eu, nem meio mundo. Nem 98% dos geólogos do planeta.

- Este homem aqui pensa como 99% dos geólogos do planeta.

- Você pode usar este seu discurso com este material que vem da África, essa ralé. Mas isso aqui é diferente. Você sabe que é diferente. A formação geológica é diferente. É de um kimberlito especial de onde saem essas pedras. Olhe as pontas, a coloração, o peso. Isso é um diamante de verdade!

- Você tem razão. É uma pedra e tanto. Chama muito a atenção. Será que é disso que eu preciso?

- Você precisa da camuflagem que uma pedra desta é capaz de lhe dar. Por isso que estou com ela aqui. Porque sou seu amigo.

O albino sorriu, condescendente. Não queria demonstrar ao libanês o que estava pensando. Seria possível? Claro que sim. Basta manter a calma e ficar tranquilo. Pensou que era como enganar uma mulher para levá-la à cama, fingir que estava querendo uma coisa e fazer outra. E parecia estar funcionando.

- Eu fico com a pedra, mas não por este valor. - e tomou-a com a mão direita, procurando olhá-la com um falso desdém.

 

O sistema era simples, apesar da complexidade que envolvia todo o transporte dos diamantes. Consistia em misturar os diamantes africanos com diamantes extraídos no Brasil, forjar uma documentação indicando que todas as pedras eram oriundas de garimpos regulares de Minas Gerais e pronto, o certificado de Kymberley estava na mão. Muitos quilates eram desviados assim de garimpos irregulares, como o de onde viera a pedra do tamanho de um punho que estava agora dentro da maleta do norueguês. E aquela pedra em especial, dentro da remessa que acabara de legalizar, era motivo de extrema felicidade. Não era uma pedra raríssima, mas também não era vulgar. Juntamente com quase um quilo de diamantes brutos do oeste africano, poderia ser o suficiente para quebrar a resistência para um pedido muito especial. Precisava ser muito rápido, pois o prazo era apertado. Por isso pegara o Legacy de um amigo e partira novamente para Montreal, após enviar imagens em JPEG da mercadoria. A presença do Volvo na pista do aeroporto demonstrou bastante interesse da outra parte.

- Eu não vou questionar a qualidade do produto dentro desta mala - disse o canadense, apoiando as mãos, cruzadas, sobre a valise - porque sei de onde elas vêm.

- Não. Algumas delas vêm de um garimpo muito especial, no Brasil.

- Conheço as pedras brasileiras...

- Estas foram prospectadas do solo por indígenas.

A frase fez com que o canadense arqueasse as sobrancelhas. As pedras de Rondônia eram conhecidas dentro do métier por serem de qualidade inquestionável, e as medidas e o peso descritos pelo albino ganhavam um outro significado agora.

- Acredito que não seja preciso convencê-lo do valor que tem nas mãos... - disse o albino.

- Justo. - e o canadense fez uma pausa, parecendo pensar duas vezes, e abriu a valise. Levantou a cobertura de feltro negro e viu a pedra, no meio de dezenas outras - Presumo que ela já tenha um nome. Ela tem um nome?

- Na verdade não. Mas eu acredito que Jardineira seria bem apropriado- respondeu o albino, provocando um sorriso no rosto do canadense.

- Sem dúvida, sem dúvida. E acho que esta pedra, esta remessa, é claro, é capaz de abrir para o senhor as portas de um clube seleto.

- Isso seria, sem sombra de dúvidas, fantástico.

- Preciso de apenas 24 horas para negociar com alguns contatos ao sul do Hudson, e assim conseguir o que precisa. Somando o transporte de avião até aqui, acredito que sua encomenda estará disponível em Djibut dentro das próximas 48 horas.

- Seria maravilhoso. Mas por que no Djibut?

- Porque lá eu tenho um Antonov para emprestar a você e seu cliente. Penso que vocês dois ficarão ainda mais felizes se não precisarem se incomodar ainda mais com a aquisição de um transporte adequado para o serviço, e sei que os seus próprios Antonov estão ocupados em outras atividades ao longo do planeta.

- O senhor está completamente correto. Isto resolve um punhado de problemas logísticos.

- Basta dizer onde e quando é preciso fazer a "entrega".

 

Dina sentiu-se um pouco mais inútil. Não eram mais três vidas que dependiam dela. Eram apenas duas. Com as unhas sangrando após ter cavado o solo seco, empilhou algumas pedras em cima do que seria a sepultura de sua filha mais nova. Três anos. As outras duas crianças estavam olhando, silenciosas. Não havia muito a dizer entre os refugiados, nada que pudesse acrescentar alguma coisa, que pudesse aplacar a dor. Apenas seguiam em frente.

Depois de depositar a última pedra na pilha de pedras, levantou-se com dificuldades e abraçou as crianças. Quanto faltava para cruzar a fronteira? Não tinha ideia. Apenas olhava adiante, no céu escuro, ouvindo de trás os estampidos de tiros e explosões ao longe. A guerra estava chegando perto, e eles tinham apenas as pernas para levá-los para a segurança do outro lado da linha imaginária que separava a loucura de seu país de uma possibilidade de continuar uma vida minimamente normal. Mas ela sabia que os pesadelos continuariam para sempre.

 

A Diaman era uma transnacional com capital declarado superior muitas vezes ao PIB de praticamente toda a África. Era uma mega empresa que enriquecera, ironicamente, graças à África. Ela dominava uma grande fatia do mercado de diamantes em todo o planeta, fornecendo pedras de todos os tipos e tamanhos para as mais diferentes finalidades que elas pudessem ter, desde jóias ornamentais até aplicações industriais. O lucro era exorbitante, principalmente porque a Diaman trabalhava com diamantes legalizados e também com os contrabandeados. Para a empresa, o protocolo de Kymberley não era nada além de um pequeno incômodo com o qual precisava se preocupar esporadicamente, distribuindo dinheiro dentro de uma extensa rede de corrupção que envolvia diversos organismos internacionais (ou melhor, pessoas dentro destes tais organismos internacionais).

E foi exatamente uma dessas ligações com organismos internacionais que facilitou a negociação para a compensação do custo da Jardineira. Não havia sido necessário nenhum encontro escuso, secreto, mas apenas um telefonema. Um oficial de alto escalão do Pentágono atendeu o celular e percebeu que precisava de uma linha segura. Estava correndo naquele momento, fazendo seu jogging, e assim foi fácil encontrar um telefone público. Um scramble do tamanho de uma moeda colocado no bocal do telefone e, pronto. A Agência de Segurança Nacional não conseguiria identificar sua voz.

- Preciso de uma Jardineira para um cliente especial.

- Temos alguma dessas no Afeganistão, mas não sei bem...

- A idoneidade deste cliente é inquestionável. - quando o canadense dizia aquilo, queria afirmar que não haveria riscos da encomenda ser usada contra alvos norte-americanos.

- Você acha que é possível remover uma delas sem que ninguém perceba?

- Olhe, tudo é possível no Afeganistão. Mas não sei. Nunca foi vendida uma dessas.

- Martin, em menos de 20 segundos seu celular vai receber um SMS de seu serviço de home-banking. Isso significa que foi feito um depósito em sua conta. Confira.

Não levou 20 segundos, mas apenas 13. Martin consultou com o celular o saldo de sua conta bancária e ficou feliz pelo fato de um dia ter desviado um caminhão com munição 5,56mm para aquele bom canadense enviar ao movimento sérvio. Em menos de 10 anos aquele simples favor o havia transformado em um homem rico. Nos últimos 15 segundos, tornara-se um homem riquíssimo.

- Meu amigo, é só de uma cortadora de margaridas que você precisa?

 

O sistema Echelon foi considerado durante muitos anos apenas uma lenda, um delírio de teoristas da conspiração. E era essa a grande vantagem do Echelon, o fato de que ninguém acreditava nele.

Apesar do scramble ter disfarçado a voz de Martin, a ponto de impedir que o cadastro de voz que tinha junto à ASN de nada servisse para identificação e rastreamento de chamada, as palavras que proferira no final da conversa foram registradas pelo algoritmo do Echelon. Municiado por centenas de microprocessadores SuperCray, o Echelon identificou "cortadora de margaridas" como o apelido da bomba BLU82B/C130 (os últimos três dígitos referentes ao veículo necessário para seu transporte e lançamento, o avião Hércules C130).  Aquela bomba era conhecida como Daisy Cutter. Ou seja, ninguém no mundo fala cortadora de margaridas no telefone sem que alguém levante as orelhas.

O apelido singelo vinha do seu modo de funcionamento. Com quase sete toneladas de explosivos convencionais à base de nitratos e hidrogênio, a Daisy Cutter era programada para explodir a um metro do chão, lançando uma onda de impacto capaz de devastar tudo dentro de um raio de 500 metros. Era praticamente como um artefato nuclear, mas sem a produção de radioatividade pela sua explosão.

Como o Echelon identificou "cortadora de margaridas" e fez uma relação com a arma das forças norte-americanas, o programa de computador abriu imediatamente um protocolo de verificação de alto nível. Segundo a doutrina sob a qual o Echelon havia sido desenvolvido, este protocolo seria imediatamente verificado por analistas de informação humanos, que colocariam atenção especial sobre o assunto. Mas acontece que o mundo crescera e, com ele, seus sistemas de comunicação. Hoje em dia há internet, celulares, SMSs, mensagens multimídia e um sem fim de meios de enviar e receber mensagens. E as pessoas no mundo inteiro comentavam ainda as notícias que ecoavam pelo planeta, repercutindo, gerando novos dados, novos fatos, websites, foruns de discussão e, enfim, o Echelon precisava de muito mais tempo do que antigamente. Quarenta e nove horas, para ser exato, até que o protocolo deixasse de ser apenas uma suspeita, para que se fizessem novos cruzamentos de dados e avaliações.

Em 44 horas a Daisy Cutter estaria no Dijbut.

 

As loiras haviam sido contratadas em uma pequena cidade no Rio Grande do Sul e estavam ganhando dinheiro suficiente para que, na volta, comprassem seus próprios apartamentos. Era difícil levar garotas como aquelas para a África. O albino desistira de tentar norte-americanas, porque eram racistas demais. As européias eram caras e sem graça demais. As brasileiras pareciam ser desenvoltas o suficiente em vários continentes e caíam no gosto dos líderes africanos: não costumavam manifestar racismo quando viam a cor do dinheiro e custavam mais barato.

O coronel tinha o hábito de testar a mercadoria na frente do mercador, e isso não constrangia mais o norueguês, que nas últimas vezes já havia começado a contabilizar uma certa queda do rendimento de seu cliente. Chegou até a esboçar um sorriso, imaginando o que o coronel diria se ele apresentasse seus números.

- O coronel está demonstrando menos fôlego. Será por causa da idade ou está perdendo o gosto pelo assunto?

Apenas pensou. O homem era um assassino, um animal. Quando despertou do devaneio, o coronel já se aproximava, fechando as calças.

- Muito boas, meu amigo. Vou continuar depois, depois que você me contar se deu certo a encomenda que eu fiz.

- Está como programado. Dentro de duas horas estará liberada no Djibut. Virá em um Antonov e lançará na posição que o senhor apontar.

- Uma Daisy Cutter? Uma cortadora de margaridas de verdade? Uma daquelas que George W. Bush jogou em Tora Bora?

- Essa mesma, coronel. E não foi fácil conseguir. Vai custar uma comissão extra de 15%.

O coronel abriu um largo sorriso, as mãos na cintura, o peito nu, os dentes brancos reluzindo em meio à pele negra. Soltou uma gargalhada infantil e depois deu suma série de saquinhos no ar, como a criança que conseguiu seu brinquedo. Ele poderia ter feito um cálculo rápido para averiguar quanto economizaria em cartuchos de AK47, mas isso não faria sentido, porque ele não permitia que seus homens usassem outra coisa que não o machete em suas matanças.

- Eu tenho uma Daisy Cutter!!! Quem diria! E só tenho que dizer onde lançar?

- Só precisa passar as coordenadas. Só isso.

- Manimba!!! Manimba! Eu quero a posição dos refugiados. Agora!

 

O silêncio fez com que Dina acordasse no meio da noite. Por mais distantes que estivessem, os ruídos das explosões e dos tiros sempre causavam apreensão e atrapalhavam o sono. Demorava a acostumar com aquilo. Dina ficava imaginando se os ruídos estariam mais alto ou não, se estavam chegando perto. Mas simplesmente haviam parado.

A matança teria acabado? Ela se levantou e saiu de baixo da barraca, andando lentamente, procurando não fazer barulho. Aguçou a audição. Não dava para ouvir mais nada. A guerra teria acabado? Ela se deixou enganar com a ideia de que tudo voltaria ao normal e que poderia retornar a sua cidadezinha, para as coisas que deixara para trás... mas encontraria o que por lá?

Quando percebeu, estava chorando. Uma lagrimazinha única, solitária, rolando pelo seu rosto. Chorava pelo quê? Motivos não faltavam, mas se não havia chorado ao ver a pequena Tila morta, o que estava fazendo com que chorasse agora?

 

Piloto e co-piloto tinham um forte sotaque europeu. Quem conhecesse realmente línguas, diria que havia traços boweres. Estavam apenas os dois no Antonov. O piloto confirmou os dados que recebera pelo iridium. Estavam quase no local, segundo seu GPS. Olhou para baixo.

- Vê algum sinal de uma cidade?

O co-piloto inclinou-se para a janela e contorceu os lábios. Não via luz alguma. Era somente o coração das trevas da África.

- Então vamos lá. Jogue essa porra lá embaixo.

O co-piloto desafivelou o cinto e saiu da cabine do Antonov. O avião estava bem estável. Caminhou tranquilamente até o compartimento de carga, vestiu as luvas para manusear as presilhas da bomba. Não queria ferir as mãos caso algo se soltasse ou rompesse com força.

Não pensou em nenhum momento sobre o que estaria lá embaixo. Ninguém jogaria bombas sobre o nada, sobre coisa alguma, não é? Mas não questionou nada. Apenas soltou a segunda presilha. Faltavam mais duas e o engate.

Poderiam estar querendo devastar uma grande área da floresta com apenas um golpe. Poderia ser isso. Apenas alguns macacos morreriam.

Pensou nisso e sentiu-se leve na hora de puxar o engate. Sete toneladas de explosivos desceram pela porta traseira do Antonov.

 

Dina caminhava de volta para a barraca pensando que realmente havia uma chance de recomeçar, mesmo que tivesse perdido tudo. Ela era uma mulher forte e tinha duas filhas para continuar com a saga de sua família, para lembrar do seu marido, morto há semanas, um pouco antes de começar aquela caminhada sem fim ao lado de milhares de pessoas.

Havia chances sim. Os tiros haviam acabado. Os senhores da guerra teria, desistido? Teriam se cansado de matar? Não tinha como saber. O que importava era o silêncio se espalhando na noite como um manto. Era um silêncio que fazia um oco nos ouvidos. 

Retornaria para o local onde estava a sua casinha, consertaria o que fora destruído com a guerra e a deixaria pronta para ser novamente um lar. Um lar simples, mas perfeito para ela e suas duas meninas. 

Daria certo. Tinha que dar certo.

Ela aguçou os ouvidos novamente, tentando ouvir os combates ao oeste... Nada.

Há quanto tempo isso não acontecia? Há quanto tempo não ouvia as armas e gritos. Chegou a sorrir. A vida poderia ser boa novamente ou o silêncio seria somente por aquela hora? Pensou em fazer uma oração, quando ouviu um silvo no ar.

Um leve assobio.

Olhou para o alto.

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u/Robinson1219 — 11 days ago

iPhone 18 pro max preto me deixou feliz

A verdade é que estava com um iPhone Air preto até sexta-feira, quando peguei este iPhone 18 pro max também preto. Temos uma pintura com mais qualidade agora e a maçã está fosca. Realmente não fica marca com facilidade, mas falta coragem de usar o aparelho sem capinha. Eu tive dois 17 pro max azuis e dois laranja. Os quatro tinham a pintura eletrostática muito sofrível. Os quatro saíram das caixas com falhas visíveis nos botões. Este, não. A pintura é realmente bonita. Eu tive um Air preto que saiu da caixa com uma falha na pintura que mostrava trilhas em três direções. A Apple trocou o aparelho quando reconheceu que era problema de fábrica. O atendente sênior falou para mim que aquele caso disparou uma sindicância na empresa para verificar a qualidade da pintura. Comparando com os quatro 17 pro max que tive, este 18 pro max é uma evolução técnica visível na pintura. Isso foi muito bem vindo. Mas como disse, não tenho coragem de usar sem capinha, por mais que seja tentador. O alumínio do 17 marcava com muita facilidade e não quero testar se acontece o mesmo com este.

u/Robinson1219 — 14 days ago

Sheridan juntou Sicário e Tom Clancy na terceira temporada de Lioness

Taylor Sheridan ficou conhecido pelo roteiro de Sicário, que foi dirigido muito bem pelo ótimo Denis Vileneuve, de Duna. Foi uma trama que mesclava história policial, vingança, drama humano e ares de espionagem. Ali nasceu um dos mais eficientes e produtivos roteiristas da atualidade em Hollywood. A terceira temporada de Lioness chegou ao streaming trazendo para o público um pouco dos ingredientes de Siccário. E vejam só o que aconteceu: foi como se tivesse reinventado a série, dando um fôlego surpreendente em um momento em que o público talvez estivesse se perguntando se Sheridan teria algo de novo para contar com aqueles personagens.

À primeira vista, a terceira temporada começa com uma novidade na narrativa. A história começa a ser contada em duas linhas de tempo: momento atual e flashback, oferecendo ao público a oportunidade de montar a trama enquanto está sendo contada. Numa segunda análise, vemos um aprofundamento da história não apenas em nível humano, como seria de se esperar, já que a premissa da temporada é exatamente o sequestro da personagem Joe McNamara (Zoe Saldanha). 

O impacto do sequestro é como um soco no estômago. Nas outras temporadas, a vida familiar de Joe é mostrada como momentos humanos da personagem. Ela enfrenta dilemas mortais no campo de batalha, corre riscos, lidera uma equipe de agentes super bem treinados e - em casa - vive como uma pessoa comum, com seu marido e filhas. Acontece que nesta terceira temporada todo o risco das missões secretas vai bater na porta de sua casa - literalmente - afetando de forma direta a vida de sua família. E isso tem consequências. 

Ao mesmo tempo, existe o aprofundamento do jogo geopolítico, de espionagem, e Taylor Sheridan, neste quesito, surpreende fantasticamente. Assistir a terceira temporada de Lioness é como estar diante de um novo e mais vigoroso livro ou filme de Tom Clancy. A ação física está lá, como nas outras temporadas, mas agora recheada com uma preocupação maior com o jogo político entre nações inimigas. E Sheridan lida muito bem com isso, sem perder o ritmo com cenas que poderiam ser enfadonhas. Muito pelo contrário. O público de Lioness acompanha as reuniões do chefe do departamento de Estado - vivido por Morgan Freeman - com seus agentes da CIA e sabe que aqueles diálogos são referentes a coisas reais, que estão acontecendo no mundo real. Taylor Sheridan decidiu tratar de Ucrânia, Venezuela, Rússia, Grupo Wagner e corporações privadas ao invés de ficar batendo na tecla do vilão muçulmano vestindo um colete de explosivos.

E agora, que o último episódio da terceira temporada de Lioness foi ao ar no último domingo (20/9), temos a revelação de toda a trama. E - assim como em Sicário - está lá dentro da alma humana a motivação de todo o turbilhão de eventos que movimentou os personagens na história: a vingança. 

Lioness começou há dois anos como uma balada de soldados enfrentando o terrorismo global, passou a mostrar o jogo entre o crime organizado e governos para enfrentar seus inimigos e chega, nesta temporada, mostrando a consequência da cruzada travada pela equipe de Joe McNamara sob ordens do governo dos Estados Unidos da América. E neste momento - considerando que você já assistiu a todos os episódios - a temporada chega ao fim dando a impressão de que Taylor Sheridan sabia onde queria chegar desde o início. E a quarta temporada, agora, é obrigatória. E quanto antes, melhor.

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u/Robinson1219 — 24 days ago

Jogos no celular

Eu não jogo mais em celular há muito tempo. Não é uma boa experiência. Por que vcs jogam no celular se vcs gostam realmente de games? Se eu gostasse muito de jogar eu preferiria ter um iPhone mais simples e comprar um steamdeck. Os consoles de games têm ótimas interfaces de games, o que não acontece com celulares. Todo mundo tá cansado de ver dispositivos para adicionar botões de games em smartphones. Isso significa que os smartphones não são aparelhos ideais pra jogar. Daí vem gente nivelando a qualidade dos celulares pela capacidade de rodar jogos pesados! Não dá para entender isso. Por mais que um 17’pro Max tenha capacidade de rodar jogos, a interface para os games é simplificada. Ou seja: são adaptações para conseguir fazer coisas para as quais não são exatamente preparadas.

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u/Robinson1219 — 1 month ago
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Você sente falta do Plus?

O 16 plus vendeu, na janela do seu lançamento, menos da metade do que o Air vendeu na mesma situação. O plus era mais leve que o pro, tinha uma câmera grande angular, tinha uma bateria maior que a do iPhone base, tinha dois alto falantes. Mas o plus não vinha com o processador do pro. Apesar de não vir com o processador do pro, o plus não sofria com o thermal trottle por não ser fino demais. Mas quem queria o plus? As vendas do plus eram boas? Não. Então a Apple enterrou o Plus e colocou o Air no mercado. Logo em seguida, um bando de influenciadores do mundo inteiro quis ganhar cliques tentando demonstrar serem mais espertos que a Apple. “Pegamos a Apple em um baita erro”, sugerem. Não passa de idiotice. Com o Air a Apple reconhece que estava desde o iPhone 11 com um design idêntico na linha pro. Isso mudou com o 17 pro, não é verdade? Com o Air a Apple reconheceu que vinha pesando demais na linha pro e precisava oferecer algo diferenciado para parte - eu disse PARTE - de seu público. Um iPhone mais leve, mais clean, para pessoas que ele sabe que já vinham se questionando se precisavam ou não daquelas três câmeras. Sim, porque muita gente já vinha pensando nisso: “eu quero poder de processamento do pro, mas não quero esse tijolo”. Isso é fato, pois as pessoas não queriam o plus porque apesar do aspecto mais próximo do pro, com a tela maior, o processador era o mesmo do
Base. Entendam: o 16 base tinha tela de 6.1 e o plus de 6.7 enquanto o pró passou a ter de 6.9. Entendam isso. A Apple sabia que as pessoas queriam uma tela maior nos modelos base e entregou o 17 com 6.3, mas sabia que não queriam uma tela maior sem um processador pro: então a Apple enterrou o plus e lançou o Air. Air tem processador pro, tela maior que o base mas com o tamanho limitado a uma questão de física (se tivesse 6.7 provavelmente entortaria) e foi feito para um público que poderia comprar o pro mas não quer comprar o pro. E não é porque não seja um usuário avançado. É porque é um público que sabe que qualquer smartphone é uma péssima escolha para jogar. Existem consoles para isso. Porque sabe que existem câmeras melhores para fazer fotos profissionais e porque existem iPads fantásticos para consumir mídias. O Air é um smartphone que não quer ser brinquedo ou canivete suíço. É um smartphone que quer ser um ótimo smartphone e consegue isso com folga. A Apple não tem o menor interesse em usuários que comprem um pro para substituir todos os dispositivos que pudesse ter. A Apple que usuários que tenham macs, iPads e até mesmo um segundo iPhone (talvez esta seja a função da linha E). Então quando vc pensar que o Air não consegue ser um videogame ou uma nikon ou um iPad é porque a Apple não quis fazer isso. Não é porque ela tentou e não conseguiu. Simples assim.

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u/Robinson1219 — 1 month ago

Superaquecimento

Eu tenho o Air há mais de seis meses. Usei o aparelho por praticamente todo esse tempo junto com um 17 pro Max. Fiz muitos testes entre os dois e acabei optando por ficar o Air. Foi a melhor decisão. Além de ser um produto de tecnologia bastante avançada, parecer com uma joia e provocar reações tipo ame ou deixe, o Air se destaca pela qualidade, ergonomia e desempenho. Costumo consumir bastante conteúdo sobre o aparelho porque o Air é muito polêmico, e um dos pontos muito destacados nos vídeos e opiniões sobre o Air, sempre aparece a palavra “superaquecimento”. Mas nunca passei por isso com o Air e gostaria de saber o que as pessoas que falam sobre temperatura elevada no Air me dissessem o que estavam fazendo quando isso acontece.

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u/Robinson1219 — 3 months ago