Mandem todas as pizzas para Pentagon City
“Ei, pessoal, a propósito, vocês sabem
que estão agindo ilegalmente?
Isso faz com que seu comportamento de salvador
pareça maligno
Desculpe a intromissão, mas diga
como você se encaixa nessa farsa e confusão?”
Election Day - Duran Duran
O Lockheed EP-3E Aries II havia se passado por um simples avião turbo hélice de carga, apesar de suas antenas proeminentes no dorso e na barriga da aeronave. A escolha da rota descendo pela América Latina, vindo da região do Caribe, garantira a discrição. A aeronave chegara na manhã de 4 de outubro na região do planalto central do Brasil, especificamente fazendo um grande círculo que permitia buscar irradiações de comunicações na capital federal, mas mantendo-se a uma distância segura.
Com o transpoder desligado, a aeronave trafegava com uma tripulação relaxada dentro da medida do possível. Apesar de não poder ser reabastecido em voo, o avião tinha uma autonomia bastante elevada, o que havia sido levado em conta na sua escalação para a missão.
O sargento Rick Combs ergueu a sobrancelha do olho direito. Segurou o fone, como se o gesto pudesse melhorar sua audição, e em seguida acenou para o brasileiro.
Ei, Roque. Tem alguma coisa.
Corpulento como deveria ser um ex-lutador de UFC que procurava manter-se nos exercícios, mas incapaz de continuar com uma dieta de atleta, Thomas Roque levantou-se de sua poltrona e aproximou-se de Combs.
O que tem aí?
Peguei uma explosão de sinais. Vou jogar no computador, mas parece ser comunicação em pulsos criptografados. Comunicação para militar, coisa clandestina.
Não pode ser nosso, daqui?
Tem alguém se comunicando sem querer ser rastreado, com equipamento clandestino.
Thomas Roque pegou o celular seguro e fez uma chamada, voltando para a poltrona.
Isso é um sinal claro, Thomas. Tem alguma equipe para militar - venezuelanos, russos, nigerianos - se comunicando por pacotes.
Então tem alguma coisa em andamento.
É que parece. Já estamos tentando triangular.
O Combs disse que tem a origem do sinal.
Sim. Estou com um time aqui se aquecendo.
Ok.
Você vai querer mesmo ficar dentro de um avião, meu velho, em um momento como esse? É o seu país, não o meu.
Eles querem que eu identifique a voz.
Eles têm computadores de milhões de dólares e IA para isso e precisam de reconhecimento humano? Eu sempre fico emocionado com essa valorização do bom e velho ouvido.
Tem como eu descer daqui depois disso e me juntar ao time, Bane?
O sinal de rádio era um pacote de dados com criptografia em alto nível. A comunicação era feita em pulsos e isso ajudava a manter a segurança. O pacote era aberto no equipamento de destino e comunicação seria aberta.
O pacote de dados havia sido transmitido do Lockheed para o Iwo Jima, que estava no Caribe, perto de onde ele havia recebido Nicolas Maduro após a sua prisão. A embarcação havia recebido um super cray no início de 2026, a pedido de Erik Prince, que estava encabeçando a meticulosa operação contra narco estados, desde o governo Biden. O pacote não precisaria sair dali.
Em quanto tempo conseguimos abrir isso?
Eu vou poder te encaminhar uma previsão em cinco minutos, já estamos processando.
OK, você tem cinco minutos, mas não tem seis.
Segure, segure, segure. - alertou Chuck, um especialista em computação da CIA que estava lotado no Iwo Jima há meses.
Estou segurando…
Eu acho que posso dizer agora: precisamos de cinco horas.
É tempo demais!
É matemática demais. É o que vamos ter.
OK. Vou repassar.
Jeremy Bane estava no fechado círculo de pessoas que tinham acesso a todas as informações que estavam sendo produzidas naquele 4 de outubro. Ele falava diretamente com Erik Prince quando recebeu a previsão de cinco horas para abrir o pacote enviado para o Iwo Jima.
Caralho, Prince, em cinco horas achamos os caras e colocamos eles num torno para falarem o que estão conversando, e com quem!
Segure as coleiras, Bane.
Eu estou segurando essas coleiras desde quando, cara?
Nunca é tempo suficiente.
Você sabe quem está no Lockheed circulando ao redor de Brasília preso para reconhecer uma voz?
Eu sei.
Aquele cara passou o fogo do inferno. Ele é a coleira que está puxando mais…
Segure, Bane, segure. Precisamos confirmar.
Essa é a pior parte desse trabalho.
A noite anterior
O comboio era composto por mais de 50 veículos. Carregavam equipamento pesado suficiente para começar e acabar com uma pequena guerra relâmpago. E era essa a ideia. Quando o comboio chegou aos arredores de Brasília, no dia 2 de outubro, fora feita a dispersão. Equipes se posicionaram em cidades na região sudoeste do Distrito Federal, visando a proximidade com o alvo. Eram quase 200 homens, armas, munição e cobertura aérea que estaria pronta no domingo, partindo de Goiânia, Unaí e Cristalina, onde as aeronaves haviam sido levadas com quase dois meses de antecedência.
A equipe era como uma Babel, falando em quatro línguas diferentes: eram nigerianos, russos, venezuelanos e brasileiros. A língua que unia todos era a quinta, o inglês, utilizado em alguns níveis de proficiência. Mas nada que pudesse atrapalhar a comunicação.
A verdade é que a equipe havia sido recrutada com muito cuidado. Aquele grupo era o principal, de resposta rápida, que faria o primeiro e o mais drástico movimento.
Não tinha como ser menos que perfeito.
O binóculo Ebit System Coral CR era um aparelho robusto que seria grande nas mãos da maioria das pessoas. Mas nas mãos de Alexeyev. O ex-spetnaz, com seus quase dois metros de altura e 130kg de ossos e músculos podia estar quase na casa dos 60 anos, mas continuava assustador. Ex-membro da guarda pretoriana de Nicolas Maduro, Alexeyev havia voltado para a América Latina há poucos meses, exatamente para aquela operação.
Ele havia escapado da Operação Resolução Absoluta exatamente porque estava na República Centro Africana (RCA) recrutando a equipe com a qual estava reunido naquele momento, nos arredores de Brasília.
O russo vasculhava a vizinhança com o binóculo hi-tech de visão noturna e pareceu satisfeito com o que estava vendo: zero movimento.
Havia uma grande possibilidade daquilo tudo dar certo, porque o nível de sigilo estava superando tudo que já vira antes.
Mamadou? - chamou Alexeyev pelo rádio equipado com scramble. Não houve resposta. Repetiu. - Mamadou? Está aí, porra?
Afirmativo.
Fez o check list?
Já enviei.
Tudo 100%?
Tudo 100%.
Prepare o pacote. Envie pra todos. Cronometro regressivo marcado para 20h locais de amanhã.
Marcado. Os pacotes vão ser enviados no horário.
Ótimo. Descansem. Amanhã vai ser o dia, e esse país é grande pra caralho.
Muito grande.
Grande demais.
Zip code 22202 - Cristal City - o domingo
Donovan estacionou a Dodge Dakota nos fundos da pizzaria. A caçamba estava cheia de pacotes de suprimentos para a cozinha. Os últimos finais de semana haviam sido bons, mas aquele parecia promissor demais. Desde quinta-feira os pedidos estavam bombando.
Ei, Chris. Descarregue a Dodge.
Eu não cheguei ainda.
Que história é essa?
Eu cheguei mais cedo porque estou precisando resolver umas coisas aqui…
Você está brincando comigo, Chris?
Não. Eu realmente estou ocupado.
Tem um ditado sobre isso, Chris.
O jovem pensou por alguns instantes e lembrou-se do ditado. Era melhor não agir daquela forma com o patrão. Por um instante arrependeu-se por ter chegado mais cedo ao trabalho, mas resolveu agir de forma política.
Ok, Donnie, mas eu vou bater o cartão agora.
Bata essa merda desse cartão, Chris, antes que eu fique irritado.
O funcionário de cabelos verdes e piercings nos supercílios deu meia volta, bateu o cartão e dirigiu-se até onde estava a caminhonete da Dodge. Era uma clássica versão 3.9v6 de quase 180cv. Donovan cuidava muito bem daquele veículo. Sua caçamba poderia carregar uma tonelada de carga, mas parecia que tinha mais.
Porra, o Donovan está muito otimista hoje.
Iwo Jima
Chuck conferiu mais uma vez o trabalho que o super cray estava fazendo para quebrar a criptografia do pacote de comunicação que havia chegado do Brasil. Era um esforço insano que estava sendo empreendido dentro daquela máquina.
Por fora, não havia indicativos do que realmente estava acontecendo. O indicador do lapso de tempo mostrava que seria necessário mais duas horas, mas tudo poderia mudar.
Ei, Diego, você está indo onde?
Vou cagar.
Porra, cara.
Você perguntou, não foi?
Na verdade eu queria saber se você ia passar na copa. Queria um café desse tamanho, mas não posso sair daqui da frente, pois tem um cara muito chato me pressionando.
Depois de cagar eu trago seu café.
Promete lavar as mãos?
Diego fingiu estar pensando sobre o assunto, debochando silenciosamente do colega da CIA: - Cara, já isso eu não posso garantir. Esse navio é muito grande…
Chuck ia levantar o dedo do meio para o colega, quando pelo canto do olho viu algo mudando na tela do computador.
De repente, como se um nó tivesse se soltado e o novelo inteiro tivesse se desfeito, o lapso de tempo chegou a zero.
O serviço estava feito.
São Cray dos Desajustados! Que loucura, bateu mais um recorde!
Chuck pegou o telefone e fez uma ligação rápida.
Senhor Bane?
Bane falando.
Chuck, Chuck do Iwo Jima.
Terminou?
Sim, senhor, o pacote está aberto!
Porra, finalmente!
Chuck pensou: Como assim “finalmente”?
Abra o pacote para mim e jogue no JWICS. Você já tem o meu protocolo.
Jogando no JWICS, senhor. Três, dois, um…
Jeremy Bane abriu o arquivo e leu o que estava lá. Já vira muitas mensagens codificadas em inúmeras operações da CIA em quatro continentes. Na maioria dos casos, o contexto é que define o quanto é difícil compreender o que está sendo comunicado.
Com aquele pacote de comunicação recém-aberto por um super computador instalado em um navio de guerra no Caribe, a coisa não era diferente.
A questão é que Bane estava envolvido com os meandros do narcotráfico da América Latina desde os anos 1990, e passara por muita coisa. Vira muita coisa, conhecera muita gente.
Então para Bane, a mensagem que havia sido aberta pelo Cray de Chuck, por mais que ainda estivesse citada em código, era clara como água mineral.
Assim que havia terminado de ler a mensagem, Bane sabia o que estava para acontecer.
E não era pouca coisa.
Erik Prince era o cara que estava envolvido até o talo no plano que havia sido arquitetado para enfrentar o narcotráfico na América Latina. Ele brincava que se precisassem que explicasse o plano, precisaria de menos de meio minuto, de tão simples e conciso que era. Mas na verdade não era bem assim.
Prince havia se encontrado em 2020 com Andreiy Yermak, chefe de gabinete de Zelensky e outras lideranças do governo. A pauta era uma proposta bilionária para a Ucrânia: a criação de uma indústria bélica e de uma “academia” de soldados da fortuna.
Você está confiante? - perguntou o brasileiro para Erik Prince, no restaurante chique em Washington, no domingo à tarde.
Estou bastante confiante.
Já pediu esse wagyu?
Vá em frente. É simplesmente maravilhoso.
De onde vem toda essa confiança? Vocês já fizeram isso outras vezes.
Não assim. Você não vê a diferença?
Garçom, eu quero este corte de wagyu. Antes do ponto.
Sim senhor.
Não. Não vejo diferença. É mais do mesmo.
A diferença consiste no fato de que dessa vez estaremos atendendo uma demanda comercial.
E quem vai levar isso a sério?
Já estão levando isso a sério. Estamos há meses no Haiti agindo assim. Um contrato comercial civil e privado entre um Estado e uma empresa privada caçando narcoterroristas. Você sabe os resultados.
Quanto tempo para isso explodir na mídia global? Você acha que está jogando bola no seu quintal?
Não. Não estamos jogando bola. Estamos caçando todos vocês. El Salvador, Peru, Equador, Haiti, estamos indo para a Colômbia, a Bolívia, já temos a Venezuela, temos empresários no Peru contratando nosso pessoal. Estamos caçando vocês em mais de 10 países.
Repúblicas de bananas, Prince. O Brasil é um país muito grande, muito rico.
E o que você quer dizer com isso?
Que não vai ser como vocês estão pensando. Talvez vocês se surpreendam.
O dono da antiga Blackwater, atual Global Vectus, abaixou o cardápio que mostrava pratos cujos preços começavam com quatro dígitos à esquerda do ponto decimal e deu mais atenção ao seu interlocutor. O brasileiro grisalho girou o gelo no copo de McCallam e demonstrou que não estava preocupado com a reputação de Prince.
Posso contar uma história para você?
Claro.
Pois bem, era uma vez um país que aprontou com os EUA, invadiu sua embaixada, sequestrou dezenas de americanos e tivemos que baixar a bola. Colocamos rios de dinheiro no governo fajuto de um país vizinho e fomentamos uma guerra de dez anos para tentar destruir aquele primeiro mais. Quando esse ditador que fez a guerra para a gente passou a incomodar, derrubamos ele e o matamos.
Sim. Vocês o mataram.
É essa a história.
Se você está falando do Irã, essa é uma história que não acabou.
Sim. Não acabou com o Irã. Com vocês acabou. Hoje.
Prince levantou-se e abotoou o blazer: - aproveite o Wagyu. Já está tudo pago.
A verdade é que a ideia de Erik Prince sobre a instalação de uma indústria bélica de 50 bilhões de dólares em Kiev havia sido vista com bons olhos pelo governo ucraniano, mas colocou uma pulga atrás da orelha de Vladimir Putin. Era uma clara ameaça ao poderio russo. Algumas pessoas acreditam até hoje que aquelas reuniões teriam sido um dos motivos mais fortes para a deflagração da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Independentemente de ter sido ou não, a verdade é que a guerra fez com que a Rússia tivesse problemas demais para, três anos depois, tentar impedir que os EUA não apenas capturassem Nicolas Maduro como também tivessem lançado uma silenciosa ofensiva contra o narcotráfico do lado de cá do Atlântico.
Prince estava montando exércitos mercenarios em vários países da AL, do Haiti ao Peru, com apoio de Bukele e Marco Rubio, que fizeram a ponte para vários contatos do dono da antiga Blackwater com governos e empresários sul-americanos.
Para Jeremy Bane, aquilo tudo era um caminho inexorável que os EUA precisavam trilhar, acima de qualquer motivo, por culpa. Nos anos 80 a CIA havia se associado com vários cartéis que estavam iniciando suas atuações no tráfico internacional a fim de levantar recursos para combater a URSS.
A verdade é que o império soviético caiu enquanto o império das drogas ascendia cada vez mais.
É isso que eles estão preparando.
Quantas pessoas sabem disso até agora?
Menos de cinco. - respondeu Bane.
O presidente sabe? - Erik Prince estava no balcão de um restaurante em Washington, um copo de uísque na mão.
Ainda não. E eu não sei ao certo se deveria saber. Você conhece o homem.
Ele não pode agir como um elefante numa loja de cristais. Mas é como ele vai querer agir quando souber.
Prince leu novamente o memorando que havia recebido de Bane e pensou: era como eu faria. Destruir a comunicação no país, libertar as maiores lideranças do crime organizado e iniciar uma espécie de revolução proletária baseada nas facções criminosas. E eles tinham quase 50 mil homens prontos, enquanto a apuração das urnas eletrônicas começava a ser divulgada.
Bane. Eu acho que vamos ter que segurar essas rédeas nós mesmos.
Eu achei que você ia dizer isso.
Quanto tempo nós temos?
Horas.
Quantas?
Quatro? Três?
Lembra daquela ideia que eu te expliquei?
Se você está falando de… você não está falando do call center, está?
Estou. Sinal verde.
Alekseyev estava no carro que liderava o comboio. Haviam chegado ao alvo. Ele
Pegou o celular.
Thomas Roque estava furioso. O avião estava há 10 horas circulando pelas adjacências do espaço aéreo de Brasília. Ele não aguentava mais. Foi quando o oficial o chamou mais uma vez: - senhor, senhor. Pegamos algo.
Que merda, o que foi dessa vez?
Noventa por cento de chance de ser o que estamos procurando. Os fones, por favor.
Thomas pegou os fones e os colocou ao redor da cabeça, encaixando nos ouvidos. Ficou em total silêncio, quase sem respirar. Todos estavam confiando no seu ouvido. Ele era uma das poucas pessoas vivas no mundo que poderia reconhecer aquela voz.
Os telefones de dezenas de pizzarias da região de Pentagon City e Cristal City, em Arlington, começaram a tocar. Os pedidos também começaram a chegar via aplicativo das empresas e aplicativos de conversa. Os pedidos eram feitos em dúzias.
Dúzias de pizzas.
Os pedidos eram basicamente das pizzas mais simples e rápidas para fazer. As ordens haviam sido muito claras para o call center montado por uma empresa terceirizada pela Global Vectus, empresa de segurança em nível global criada por Erik Prince. Global Vectus era o novo nome da Blackwater.
Ninguém percebeu nada de estranho com os pedidos de pizza imediatamente, até mesmo porque não havia motivos para desconfiança.
Todos os pedidos feitos on line estavam sendo acompanhados pelo pagamento antecipado.
Em questão de minutos, uma legião de entregadores pegaria a rodovia com milhares de pizzas para serem entregues em um dos locais mais conhecidos do mundo.
Bane recebeu a ligação de Roque e ficou feliz como que ouviu.
Estamos com ele, Bane. Ele está aqui, o filho da puta. - Thomas Roque estava entre exultante e furioso. O sistema de inteligência eletrônica havia captado a voz do russo em um canal aberto. Isso significava apenas uma coisa: a mensagem havia sido enviada para milhares de pessoas, milhares de soldados do crime organizado que estavam esperando o aviso em todo o país.
Você está calmo, Thomas?
Eu estou puto da vida, Bane. Muito puto.
Segure mais um pouco.
Eu não vou ficar mais aqui em cima, cara!
Vocês já vão pousar e você vai receber instruções. Mas por enquanto, calma.
Celulares começaram a vibrar em outro ponto do planeta. Mais ao sul. Homens de terno e gravata pegaram seus aparelhos para ver do que se tratava.
Era uma mensagem em uma rede social. O assunto era curioso. Inusitado.
Vários dos destinatários da mensagem estavam reunidos nos mesmos lugares. Tribunais, escritórios de partidos políticos, prédios públicos.
Muitos deles ficaram surpresos quando viram que todos estavam recebendo a mesma mensagem.
Só podia ser brincadeira.
O que você me diz?
Eu não sei.
Você leu, certo?
Li. Claro.
E então?
Então eu acho que não pode ser coincidência.
Senhores - um terceiro homem se aproxima - coincidências não existem. Nós todos recebemos essa mensagem. Até onde sei, nós todos mesmo. Para todo mundo que eu liguei, todos confirmaram. Isso é um recado.
De quem?
Eu não sei.
Os três homens ficaram em silêncio. Um deles passava o dedo na tela do celular enquanto lia em voz alta o que via na tela.
“Dezenas de pizzarias em Arlington estão entregando neste momento centenas ou milhares de pizzas para funcionários de plantão no Pentágono. Nunca foi registrado um movimento tão grande em um domingo no Quartel General das forças armadas dos Estaos Unidos. Em duas ocasiões parecidas, houve um movimento tão grande: na véspera do ataque à usina de Fordow, o Irã, e na véspera da prisão de Nicolas Maduro”.
O que acham?
Silêncio.
Isso, senhores, não é uma coincidência. Isso é um aviso. Abortem tudo… agora!
Thomas Roque desceu do Lockheed e avançou pela pista na direção do Range Rover Velar preto. Bane estava ao lado do veículo, com uma caixa de charutos na mão.
Meu caro, você escolhe: comemora agora ou depois.
Eu não tenho nada para comemorar agora. Eu tenho que ir atras daquele filho da puta.
Claro que temos motivos para comemorar, Thomas. Acabamos de interromper um golpe de estado.
Fizemos isso?
Sim. Fizemos isso.
Ta certo. Vamos fazer uma coisa?
O que?
Libera a sua equipe comigo para irmos atrás daquele russo filho da puta e depois você me explica isso direito. Tô querendo colocar a mão naquele desgraçado há 10 anos.
Ok. Você tem autorização.
Thomas apertou a mão do agente da CIA e saiu correndo na direção do Blackhawk que acionava os motores em outro ponto da pista. Parou por um momento, voltando-se para Bane.
Espera aí, eu acabei não vendo porea nenhuma sobre isso o dia todo: vamos ter segundo turno?