Laurina: o café mais refrescante que já tomei

Depois de várias recomendações da galera aqui do sub, comecei a explorar não só variedades diferentes, mas também produtores e torrefações. Já tinha gostado de alguns cafés da Fazenda Terracota e dessa vez resolvi experimentar um Laurina pela primeira vez.

Escolhi um Laurina processamento natural da Azo Roasters com notas descritas de hibisco e limão siciliano.

Para quem não conhece, Laurina é uma variedade naturalmente baixa em cafeína. Os grãos são pequenos e mais alongados, e o aroma dos grãos secos já chamou atenção: bem frutado, lembrando frutas maduras.

Receita:

V60 - 20g café / 320g água - 92°C - C3 com slow feeding - 50g bloom (45s) - Depois até 120g, 200g, 260g e 320g - Tempo final: até 3 min

E olha... dessa vez a descrição da embalagem não estava exagerando.

Lembrou muito chá de hibisco com limão siciliano. Fazendo aquele slurp mais forte, o limão aparece ainda mais. Café leve, refrescante, com uma acidez brilhante e muito agradável.

Hoje está um dia ensolarado aqui no Rio e foi um daqueles cafés que parecem feitos para esse clima.

Primeira experiência com Laurina e achei excelente. Quem mais gosta dessa variedade? O sensorial que vocês encontraram foi parecido ou diferente? Recomendam algum outro laurina para eu conhecer?

u/Salty_Finding_1989 — 13 days ago

Meu cantinho do café conta uma história de 11 anos...

Tem aí nessa foto minha primeira grande aquisição cafezeira: uma De'Longhi Magnifica Super automática kkk

Quando comprei, há cerca de 11 anos, tinha certeza de que estava levando para casa o segredo dos melhores cafés. Na prática, os resultados eram quase sempre os mesmos: cafés corretos, mas sem graça.

Naquela época era difícil encontrar bons grãos, eu testava diversas variedades, mas nunca me atentava ao processamento, a torra, moagem. Depois vieram as cápsulas, que muitas vezes entregavam resultados mais honestos que meus expressos.

Só muitos anos depois descobri que boa parte da magia estava em outro lugar: no grão, na torra, no processamento, na moagem e, principalmente, nos métodos filtrados.

Foi aí que o hobby floresceu ainda mais...kkkk

Vieram os filtros, o moedor manual, os testes, as receitas e as compras que todo cafezeiro promete que serão as últimas.

Hoje olho para esse cantinho e vejo um registro de tudo o que fui aprendendo ao longo desses 11 anos. E também percebo que talvez esteja chegando a hora de aposentar alguns dos equipamentos que me trouxeram até aqui.

E vocês? O que o café ensinou ao longo da trajetória de vocês? Como tudo começou, Qual foi o equipamento que fez vocês pensarem: "agora sim vou tomar o melhor café da minha vida"?

u/Salty_Finding_1989 — 14 days ago

Recomendação: Torrefação Colheita. O "Blend da Copa" está surreal.

Hoje, voltando de viagem, aproveitei para fazer uma parada na torrefação Colheita Cafés Especiais, em Macaé (RJ).

A Colheita trabalha principalmente com cafés de produtores da região do Caparaó e tive a oportunidade de provar alguns rótulos durante a visita.

Os que mais me chamaram atenção foram o Blend da Copa e o Mascavo e Brilhante.

O Blend da Copa foi uma surpresa. Logo no aroma me lembrou muito caju. Conforme o café esfriava, tanto o cheiro quanto o sabor começaram a lembrar maracujá de forma impressionante, tive até oportunidade de degustar usando uma colher de cupping e parecia suco de maracujá, surreal kkkk É um café muito equilibrado, suculento, com acidez presente na medida certa e extremamente agradável de beber.

Já o Mascavo e Brilhante seguiu por outro caminho. No aroma senti bastante mel, um floral delicado ao fundo e, quando esfriou um pouco, predominou o aroma intenso de mel. Daqueles cafés confortáveis, gostosos e fáceis de querer repetir a xícara, perfeito para o dia a dia sabe?

Se você gosta de cafés com acidez elegante e bem integrada, recomendo fortemente experimentar o Blend da Copa.

Já para quem procura aquele café delicioso para o dia a dia, com doçura marcante e retrogosto persistente, o Mascavo e Brilhante precisa estar na sua lista.

E se você está iniciando no universo dos cafés especiais, recomendo o Mascavo e Brilhante. Comece com cafés nesse perfil sensorial mais doces.

Acabei trazendo vários pacotes para conhecer melhor a torrefação. Vocês querem que eu traga reviews dos outros cafés que eu comprei deles?

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u/Salty_Finding_1989 — 14 days ago

Recomendação: Torrefação Colheita e o Blend da Copa está surreal!

Hoje, voltando de viagem, aproveitei para fazer uma parada na torrefação Colheita Cafés Especiais, em Macaé (RJ).

A Colheita trabalha principalmente com cafés de produtores da região do Caparaó e tive a oportunidade de provar alguns rótulos durante a visita.

Os que mais me chamaram atenção foram o Blend da Copa e o Mascavo e Brilhante.

O Blend da Copa foi uma surpresa. Logo no aroma me lembrou muito caju. Conforme o café esfriava, tanto o cheiro quanto o sabor começaram a lembrar maracujá de forma impressionante, tive até oportunidade de degustar usando uma colher de cupping e parecia suco de maracujá, surreal kkkk É um café muito equilibrado, suculento, com acidez presente na medida certa e extremamente agradável de beber.

Já o Mascavo e Brilhante seguiu por outro caminho. No aroma senti bastante mel, um floral delicado ao fundo e, quando esfriou um pouco, predominou o aroma intenso de mel. Daqueles cafés confortáveis, gostosos e fáceis de querer repetir a xícara, perfeito para o dia a dia sabe?

Se você gosta de cafés com acidez elegante e bem integrada, recomendo fortemente experimentar o Blend da Copa.

Já para quem procura aquele café delicioso para o dia a dia, com doçura marcante e retrogosto persistente, o Mascavo e Brilhante precisa estar na sua lista.

Acabei trazendo vários pacotes para conhecer melhor a torrefação e, conforme for preparando em casa, volto aqui para compartilhar as impressões dos outros cafés.

Eles vendem online para todo o Brasil e, se você estiver passando por Macaé sem muita pressa, a visita vale a pena. E, se tiver a oportunidade de bater um papo com o Joabe, melhor ainda. Simpaticíssimo, extremamente receptivo e daqueles que gostam de conversar sobre café sem pressa, compartilhando histórias e conhecimento com quem aparece por lá.

u/Salty_Finding_1989 — 14 days ago

Recomendação: Khas Café - Agroturismo

E a última indicação de Agroturismo na Serra Capixaba é fazer uma visita no Khas Café que fica 20 min de Pedra Azul, em Vila Nova do Imigrante.

Fizemos o tour Alquimia do Café onde você irá ter uma verdadeira aula sobre café, desde o cultivo, diferenças de variedades, influência do terroir, aprenderá todo processo de seleção, classificação e certificação dos grãos. Aprenderá também sobre os diferentes tipos de torra, fermentação, escala sensorial e cupping.

É uma propriedade que fica a 1100m do nível do mar que cultiva diversas variedade de arábica e também estão fazendo experimentos com canephora (conilon) de altitude. Ao final degustamos diversos cafés em diferentes métodos, inclusive tivemos a oportunidade de degustar um rassemosa de Moçambique, café super raro e com aroma e sabor extremamente exóticos, muito mentolado.

A experiência vale muito a pena e custou R$110,00 por pessoa.

Vale ressaltar que essa região da serra capixaba, além do turismo de café também tem excelentes queijos, embutidos (socol, ossocolo, etc), mel, etc.

É um passeio que vale a pena para os cafezeiros aqui do sub. Muito aprendizado, todos lugares são belíssimos e cafés maravilhosos.

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Obs. Amplie o gráfico da imagem 6 (sensoriais dos cafés arábicas) para vocês verem quais notas já sentiram nos cafés que já tomaram. E me diz...quais sensoriais você já conseguiu notar?

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u/Salty_Finding_1989 — 17 days ago

Recomendação: Contos do Ninho - Agroturismo

Também na Serra Capixaba, em Pedra Azul na Rota do Carmo vale muito a pena fazer uma visita a propriedade Refúgio do Ninho onde vende os cafés Contos do Ninho, são cafés de altíssima qualidade, degustamos diversos cafés e o que mais gostei foi o nano lote passeio na floresta com notas de maçã verde, pêra e jasmim. O cítrico da maçã verde é bem evidente, delicioso.

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A propriedade também possui visita guiada pela propriedade explicando todo o processo produtivo do café do cultivo à xícara.

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Fica próximo à Fazenda Camocim que citei no post anterior e você consegue visitar os dois no mesmo dia.

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Vale muito a pena!

u/Salty_Finding_1989 — 17 days ago

Indicação: Fazenda Camocim - Agroturismo

Hoje visitei a Fazenda Camocim, indicação do colega aqui do sub u/FuzzyPijamas (valeu a dica, adorei)

Recomendo muito o passeio aos cafezeiros aqui do sub, muito aprendizado. A fazenda fica em Pedra Azul (ES) e ficou famosa por ter dado origem ao exótico Café do Jacu. Além dele, produzem sete variedades de arábica e cerca de 95% da produção é exportada.

Fizemos a visita completa pela propriedade, conhecendo todo o processo produtivo, e encerramos com uma degustação harmonizada (R$180,00 por pessoa). Os cafés são excelentes e de muita qualidade. Claro que aproveitei para trazer alguns para casa.

O Café do Jacu nasceu ali mesmo e hoje é exportado para 27 países, chegando a ser vendido por cerca de R$ 10 mil o quilo na Inglaterra.

Prepare-se para ouvir uma boa história sobre como um pássaro que dava prejuízo, quebrava galhos e roubava os melhores frutos acabou virando o funcionário mais lucrativo da fazenda.

Disclaimer: se você não tem paciência para passar algumas horas ouvindo histórias de experimentos improváveis que deram surpreendentemente certo, talvez esse passeio não seja para você.

u/Salty_Finding_1989 — 17 days ago

I roasted coffee so light it turned gold. Why does nobody do this?

A few days ago I was visiting family in the countryside when my husband came back from his uncle's farm carrying an unexpected gift: a handful of ripe coffee cherries and some dried coffee that was ready to be hulled. He knows I'm deep into my coffee obsession phase and apparently decided to make it worse.

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Warning: long post ahead. If you're not in the mood to read several paragraphs about coffee cherries, improvised roasting and questionable decisions, feel free to keep scrolling.

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Still here? Great..A normal person would have said "thanks," taken a picture, and moved on with life. I am not a normal person. I'm a lawyer who works with AI and software development. I spend part of my day discussing algorithmic accountability and the other part arguing with code. At some point I stopped trying to decide whether I preferred the humanities or the sciences and accepted that what I really enjoy is running experiments.

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The story started with the fruit itself. I'd always heard that coffee cherries were sweet, so I expected something fairly simple. Instead, I found a fruit that was not only sweet but surprisingly aromatic. There was something that reminded me of spices and a level of complexity I wasn't expecting. I couldn't quite identify what I was tasting, but I walked away with one very clear impression: the coffee fruit was far more interesting than I had imagined. That experience made something click. We spend so much time discussing varieties, fermentation, processing methods, roast profiles and tasting notes that sometimes we forget where all of this starts. If the fruit itself is already complex, perhaps it shouldn't be so surprising that the beverage can be complex too. Many of us simply grew up drinking heavily roasted coffee and never had the opportunity to experience the fruit behind it.

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At that point another question appeared: what does fresh green Conilon coffee actually look like? For those unfamiliar with Brazilian coffee, Conilon is our local name for Robusta. So I started peeling the cherries. When the green seeds appeared, I found myself staring at them for several minutes. I'd seen green coffee before, of course, but there is a huge difference between seeing green coffee in general and holding seeds that, only a few hours earlier, were still inside a fruit.

Then another question emerged: would this smell good if I roasted it? Up until that moment, nothing smelled remotely like coffee. Not the fruit, not the seed, nothing. Everything seemed to belong to a completely different plant from the beverage I drink every day. So I decided to roast it in a pan.

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The first surprise came almost immediately. As the beans heated up, an aroma began filling the kitchen, but it wasn't coffee, chocolate or caramel. The first thing that came to mind was roasted peanuts. At that exact moment my mother-in-law walked into the kitchen and asked, "What smells so good?" It was an excellent question because I was trying to figure that out myself.

The truth is that I wasn't trying to prove anything. There was no hypothesis, no objective and certainly no plan. It was simply curiosity leading to more curiosity until I suddenly realized I was roasting Conilon in a rural kitchen without the slightest idea where this experiment was heading. And somehow I still found a way to make even more questionable decisions.

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Since I had already used unsorted fruit, improvised processing, homemade drying and a completely uncontrolled roast, I decided I might as well roast it light. Actually, "light" is probably the wrong word. This roast was absurdly light. At the time it seemed perfectly reasonable. Looking back, I'm less certain.

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After grinding the coffee, the aroma changed again. The roasted peanut note remained, but now a pleasant cinnamon-like character appeared as well. Then I looked at the grounds and became genuinely concerned. They weren't brown. They weren't even light brown. They were golden. Actual golden-colored coffee grounds. For several seconds I stared at them wondering whether I was witnessing a brilliant discovery or a historical mistake. Surely there must be a reason people don't roast coffee this lightly.

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That was the moment reality finally caught up with me. Nothing about this project made sense. The cherries hadn't been selected. The processing was improvised. The coffee had been roasted without any roast curve, ground immediately and brewed without resting. From a technical perspective, the chances of success felt dangerously close to zero. A sensible person would have stopped there. I brewed it.

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And that was when the whole experience briefly started feeling like a horror movie. As the water passed through the grounds, the slurry looked deeply suspicious. My mind immediately started generating possibilities. What if it tasted like dirt? What if it tasted like wet wood? What if it tasted like an ashtray? What if I was about to discover a flavor so awful that I would remember it forever? The appearance during extraction wasn't helping.

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Yet when the brew finished, another surprise arrived. The cup looked beautiful. It was bright, clean, had a pleasant body and, most importantly, looked like actual coffee. That alone exceeded my expectations.

Then came the moment of truth. My husband, my mother-in-law and I each took a sip. There was silence. Then another sip. More silence. Eventually we all had the exact same reaction: "Wait..."

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There was no bitterness. None at all. The dominant note was roasted peanut, accompanied by a mild woody character. The cinnamon-like aroma was still present and every now and then a delicate floral note appeared in the background.

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What impressed me most wasn't that the coffee was drinkable. It was that it was genuinely enjoyable. It was the kind of cup you would happily finish and confidently serve to someone else.

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That led to one final question: who decided that good coffee has to be roasted halfway to charcoal?

Because this was Conilon. Conilon. The species many people immediately associate with bitterness, dark roasts and commodity coffee. Yet if I had served that cup blind, I honestly doubt most people would have identified it as Robusta. It didn't taste like the Robusta most of us expect. It simply tasted like an honest, pleasant and surprisingly balanced coffee. In fact, it was better than many supermarket "gourmet" coffees and, if I'm being completely honest, better than some specialty coffees I've had as well.

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In the end, the biggest lesson wasn't about roasting or even about Conilon. It was realizing that a sufficiently large collection of questionable decisions can occasionally produce unexpectedly good results. Unfortunately, that realization has left me seriously considering bringing more coffee cherries home.

Which suggests I have learned absolutely nothing from this experience. 🤷🏻‍♀️

u/Salty_Finding_1989 — 18 days ago

Tempinho esfriando por aqui... vou surpreender meu namorado hoje com uma noite romântica! 😍 Comprei um vinho e esse queijinho para acompanhar. Acham que ele vai se sentir amado? 🥰🍷🧀

Será nossa primeira noite de queijos e vinhos! Nunca fiz antes! Espero que ele goste da surpresa! 😍😍😍

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Tô tão ansiosa pra ele chegar e a gente curtir esse queijinho com vinho juntinhos! 😍🥰

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Dessa vez segui a dica dos amigos aqui do sub e tirei a foto mais de longe, espero que tenha ficado melhor, mas não exijam tanto de mim...como falei amigos, fotografia não é meu talento 🫠

u/Salty_Finding_1989 — 19 days ago
▲ 397 r/shitfromabutt+1 crossposts

Docinho de banana caramelizada com canela que minha mãe acabou de fazer? 🥰Servidos?

Amo! Meu doce predileto com requeijão de acompanhamento 😋

u/Salty_Finding_1989 — 19 days ago

Existe um motivo para ninguém torrar café assim nessa cor? 🤔

Transformei um Conilon em areia do deserto do Saara, depois resolvi beber...

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Pois é....você não leu errado...pega um cafezinho e vem ler essa LOUCURA que eu fiz hoje...😳

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Estou passando alguns dias na roça visitando a família quando meu marido voltou do sítio do tio dele com um presente inesperado: algumas cerejas de café maduras e um punhado de café já seco, pronto para pilar...

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Ele sabe da minha fase cafezeira e, aparentemente, decidiu alimentar a loucura...Uma pessoa normal teria ficado feliz com o presente, tirado uma foto e seguido a vida.

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Mas eu não sou uma pessoa normal... sou uma advogada que trabalha com Inteligência Artificial e programação, passo parte do dia discutindo responsabilidade algorítmica e a outra parte brigando com código. Em algum momento da vida parei de tentar decidir se gosto mais de humanas ou exatas e aceitei que gosto mesmo é de experimentos...

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Mas a história não começou com o socador de alho que mais tarde seria promovido a pilão de café...🫢

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Começou com a fruta...🍒

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Sempre ouvi dizer que a polpa do café era doce...por isso imaginei algo simples. Uma fruta que entregaria açúcar e nada além disso. Só que não foi isso que aconteceu. A fruta era doce, mas também era aromática. Tinha alguma coisa que lembrava especiarias. Havia complexidade ali. Não consegui identificar exatamente o que estava sentindo, mas saí da experiência com uma impressão muito clara: a fruta do café era muito mais interessante do que eu imaginava.

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Naquele momento uma coisa fez sentido: passamos tanto tempo discutindo notas sensoriais, fermentações, variedades e métodos de preparo que às vezes esquecemos de olhar para a origem de tudo. Se a fruta já é complexa, talvez não seja tão surpreendente que a bebida também seja, a gente é que cresceu acostumado a tomar café carbonizado e nunca tivemos contato com a cereja do café in natura..e por isso ficamos surpresos... já que somente nos dias atuais temos mais acesso a cafés de qualidade e com torras mais adequadas.

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A experiência poderia ter terminado ali. Só que surgiu uma dúvida. Como é a semente verde do conilon? Então comecei a descascar os frutos...Quando os grãos verdes apareceram, fiquei alguns minutos observando aquilo... Pareciam pequenos, delicados, uma graça. Eu já tinha visto café verde, mas existe uma diferença enorme entre ver um café verde qualquer e segurar um café recém descascado nas mãos sabendo que, algumas horas antes, ainda estava dentro da fruta.

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A experiência poderia ter terminado ali também.

Mas surgiu outra dúvida...Será que ele vai ficar cheiroso torrando?

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Pois até aquele momento nada lembrava o cheiro de café que a gente está acostumado. Nem a fruta, nem a semente. Tudo aquilo parecia pertencer a um universo completamente diferente da bebida que eu tomo todos os dias...

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Então resolvi torrar na frigideira mesmo..mexendo e sacudindo sem parar com a frigideira um pouco distante do fogo....foi quando aconteceu a primeira reviravolta da história: o aroma começou a tomar conta da cozinha e a primeira associação que veio à mente foi amendoim torrado. Não cheiro de café. Não chocolate. Não caramelo. Amendoim torrado!

Nesse momento minha sogra apareceu perguntando: Que cheiro bom é esse?

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Excelente pergunta! Eu também queria descobrir...A verdade é que eu não estava tentando provar nada. Não havia teoria, objetivo em especial, expectativa de resultado ou qualquer vestígio de planejamento. Era apenas curiosidade em estado puro. Uma curiosidade levando à outra, depois à outra, até o momento em que percebi que estava torrando um Conilon na cozinha sem fazer a menor ideia de onde aquilo iria parar. Mas ainda havia espaço para tomar decisões piores...

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Porque, se eu já tinha chegado até ali com um conilon sem seleção, secado artesanalmente, pilado na base do socador de alho e torrado sem qualquer curva definida numa frigideira, por que não fazer uma torra clara?

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Na verdade... não foi uma torra clara...Foi uma torra ABSURDAMENTE CLARA!

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Confesso que não sei explicar essa decisão. Na hora pareceu perfeitamente racional...🥴

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Depois da moagem veio a segunda surpresa...

O aroma mudou completamente! O amendoim continuava lá discreto, mas agora apareceu uma nota muito agradável de canela que perfumou todo o ambiente. Minha sogra sentiu o cheiro da sala e comentou novamente que aquilo estava muito cheiroso. E foi justamente nesse momento que comecei a ficar preocupada! 😐

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Porque eu nunca tinha visto um café daquela cor...

O pó não era marrom..não era marrom claro...

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Era dourado! 😲

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Dourado mesmo! Parecia areia do deserto do Saara! Por alguns segundos fiquei olhando para aquilo sem saber se estava diante de uma descoberta genial ou de um erro histórico. Afinal, deve existir algum motivo para ninguém torrar café daquele jeito...🤷‍♀️

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Foi nesse momento que a ficha caiu. Nada daquilo ainda era café. Era apenas uma coleção impressionante de decisões questionáveis...😶‍🌫️

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Até ali eu tinha usado frutos sem seleção, secagem artesanal, pilei improvisadamente, torra sem curva, café recém-torrado e nenhum descanso. Em termos técnicos, a probabilidade de sucesso parecia próxima de zero...🫠

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Uma pessoa sensata teria encerrado a experiência naquele ponto...Eu resolvi preparar ☠️

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E foi aí que a história começou a parecer um filme de terror... Enquanto a água passava, o líquido no pó ficou parecendo uma diarreia...🤢🥴..comecei a imaginar tudo que poderia dar errado...E se tivesse gosto de 💩? E se tivesse gosto de terra? E se tivesse gosto de madeira molhada? E se tivesse gosto de cinzeiro☠️? E se eu estivesse prestes a descobrir um sabor tão ruim que jamais conseguiria esquecer? 😖🤮

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Quando a extração terminou veio a terceira supresa: A bebida estava misteriosamente e contra todas as probabilidades: BONITA! 😲

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Muito bonita por sinal! Brilhante. Limpa. Com corpo na medida, não ficou subextraído por conta da torra ultra clara. Ficou com aparência de café de verdade e de café bom.

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Isso já era mais do que eu tinha o direito de esperar...mas ainda faltava a etapa mais importante: Provar! 🤢😵‍💫

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Confesso que hesitei...🥴

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Uma parte de mim continuava convencida de que aquilo seria horrível...

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Eu, meu marido e minha sogra nos entreolhamos e tomamos o primeiro gole....😳

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Silêncio. Depois mais um. Silêncio novamente.

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Até que veio a reação coletiva:

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Ué?!

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Não tinha amargor... Nenhum. Zero! O sabor lembrava amendoim torrado. Havia um leve amadeirado. A canela permanecia no aroma e, de vez em quando, aparecia um floral muito discreto.

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Isso mesmo...um floral discreto apareceu num conilon torrado a la areia do deserto numa frigideira com uma técnica questionável de sacudidas e mexidas rápidas...😳

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O mais impressionante não era o fato de ter ficado bebível. Era o fato de ter ficado gostoso. Gostoso de verdade. Daqueles cafés que você termina naturalmente e serviria para outra pessoa sem qualquer constrangimento.

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E foi nesse momento que uma nova dúvida surgiu: Por que resolveram que café bom precisa ser torrado até ficar da cor de carvão? Porque aquilo era um Conilon.

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Conilon!!!

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A espécie que muita gente associa imediatamente a amargor, torra escura, café forte, café de mercado.

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Se eu servisse aquela xícara às cegas para a maioria das pessoas, duvido que alguém acertaria a espécie. Não parecia o Conilon que aprendemos a esperar. Parecia apenas um café honesto, agradável e surpreendentemente equilibrado.

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Melhor do que muito café gourmet de mercado.

Melhor, inclusive, do que alguns especiais que já tomei com torras mais desenvolvidas.

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No fim das contas, a maior descoberta não foi sobre torra, nem sobre Conilon...

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Foi perceber que uma coleção suficientemente grande de decisões questionáveis pode, ocasionalmente, produzir resultados inesperadamente bons. E agora estou seriamente considerando levar mais frutos para casa e torrar de outras formas na pipoqueira elétrica. O que significa que, claramente, não aprendi absolutamente nada com essa experiência...🤷‍♀️

u/Salty_Finding_1989 — 20 days ago