
Aldous Huxley, sua sabedoria e sutileza.
A busca pela harmonia universal é o chamado primordial da criação, aqui e agora.

A busca pela harmonia universal é o chamado primordial da criação, aqui e agora.
Antes de derramares vossas interpretações enviesadas, embebidas de dogmas destorcidos, convido-lhes todos os irmãos à se inteirarem a respeito de alguns fatores importantes, visto que o último post houve demasiada heresia e falso-profetismo, onde considerei importante trazer Luz sobre alguns pontos:
Não existe assunto à margem de Jesus. Se Jesus não houver nada a dizer sobre a instrumentalização da religião para projetos perversos, sobre a fome, desigualdade social, marginalização da população periférica, preconceito racial, violência contra mulher, lgbt, exploração do homem pelo homem ele de nada lhe servirá para vossas vidas. Jesus teve o que falar e continua sendo a lente a qual utilizamos para enxergar o mundo e pisar o chão da realidade.
Estar atento com esses temas é combustível para se organizar e identificar quem são os faraós modernos que oprimem nosso povo e de quais mecanismos utilizam-se para manter estruturada esta babilônia, de modo a sustentar discursos e manter-nos inertes e dessensibilizados frente as injustiças.
Nossa comunidade como comunidade Cristã, que acredita que Jesus é a chave e a lente para interpretar a realidade e o mundo, acredita que não há tema que não deve ser debatido dentro dos sermões.
Se vocês, meus irmãos em Cristo e Deus-Pai, vivem esperando a morte para viver a bem aventurança; lhes digo que nós, temos buscado trabalhar para fazermos, à partir da nossa comunidade urbi et orbi à construção de um rascunho do Céu hoje, aqui e agora. De modo que venha você também e participe dessa união de onde estiver, para a realização de um mundo mais justo e igualitário através de Cristo, Jesus.
*Vídeo de Victor Azevedo.
É papel direto da igreja questionar os mecanismos que mantém projetos perversos e que sustentam as desigualdades e atrocidades do mundo.
Jesus questionou o Estado, os religiosos, os acumuladores de dinheiro e aqueles que se julgavam puros e foi pendurado na cruz não por coincidência por estes mesmos que ele apontava como sendo os que cometiam maior pecado.
O plano de Deus para o mundo é a paz integral, sem armas, sem guerras, longe de todo projeto de poder, onde haja pão, vinho e lazer para todos os seres humanos e harmonia de toda as criaturas com a natureza.
“⁵ A retidão será a faixa do seu peito, e a fidelidade, o seu cinturão.
⁶ O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos, e uma criança os guiará.
⁷ A vaca se alimentará com a ursa, os seus filhotes deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.
⁸ A criancinha brincará perto do esconderijo da áspide, e a criança colocará a mão no ninho da víbora.
⁹ Ninguém fará nenhum mal nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.”
Isaías 11:5-9
O dom profético nada mais é do que a capacidade de cada pessoa em entender o divino, o humano, o universo e a realidade.
Interpretar a bíblia é uma tarefa que demanda visão e perspectiva de mundo, como um todo, para compreender e entender de qual contexto ela provem e qual a aplicação para a realidade ela possui.
Enquanto puritanos e mestres da lei se debatem a para encaixar Deus em tinta no papel, profetas contemporâneos realizam a profundidade da mensagem das escrituras e trazem profundos esclarecimentos de forma simples e direta.
Trecho do estudo bíblicos por Victor Azevedo sobre o Livro do Apocalipse pelo apóstolo João.
Imagem: Gravura Flammarion, 1888 (colorida) representando um viajante que coloca sua cabeça sob a borda do firmamento para além do véu da materialidade e contempla o Todo.
NAVEGANDO NOS ESTADOS DE CONSCIÊNCIA - Tradução Sezaru Buraga
Texto de Ralph Metzner
Via Reality Sandwich
Texto colhido do site Reality Sandwich, em que Ralph Metzner, uma das figuras mais importantes e ainda vivas da cultura psicodélica moderna em seu primórdio, parceiro de Timothy Leary e Richard Alpert, disserta sobre os estados de consciência durante o estado psicodélico. O texto tinha o intuito de convidar os psiconautas para um curso que ele estaria ministrando neste mês de fevereiro, de 2017, via internet. Boa leitura!
O conceito de estados alterados de consciência (Altered States of Consciousness - ASCs) entrou em destaque na psicologia ocidental nos anos 1950 e 1960, principalmente devido a três avanços paradigmáticos. Um deles foi a descoberta de movimentos oculares rápidos (REM) durante o sonho, que foi a primeira vez que as variações fisiológicas registráveis poderiam ser correlacionadas de forma confiável com um estado subjetivo específico de consciência. A segunda descoberta foi a de que as gravações de atividade elétrica no cérebro (EEG), na faixa de frequência de 8 a 12 ciclos por segundo (chamadas ondas alfa) foram correlacionadas de forma confiável com estados calmos e fechados de relaxamento e meditação. A terceira descoberta foi a do LSD e de outras drogas psicodélicas de "expansão da consciência", o que significava que estados de consciência profundamente transformados e transformadores, até agora acessíveis apenas a alguns indivíduos envolvidos em práticas meditativas ou iogues, poderiam ser induzidos com confiabilidade em pessoas comuns, dada a preparação certa, salvaguardas e 'set and setting'.
Essas descobertas de correlações entre variações nas funções neurais e variações na consciência subjetiva estimularam um enorme aumento da pesquisa, que continua até hoje, usando tecnologias como EEG, MRI, PET e outros. Essa abordagem - o estudo das associações entre medidas da atividade cerebral e estados mentais - tornou-se o paradigma dominante no estudo científico da consciência. Baseia-se na suposição filosófica subjacente da cosmovisão ocidental e materialista de que a consciência deve, de alguma forma, estar localizada no cérebro. Esta é uma visão que remonta ao trabalho do matemático francês do século XVIII, René Descartes, que especulou que a alma poderia ser encontrada na glândula pineal. As filosofias orientais da Yoga e do Budismo vêm de uma abordagem completamente diferente, baseando suas concepções da mente em observações sistemáticas de estados internos durante a meditação.
O insight chave que saiu dos estudos de Harvard com drogas psicodélicas nos anos 1960, era o significado do ajuste (intenção) e do ajuste (contexto) na compreensão de estados psicodélicos da consciência. Ao contrário das drogas que afetam o funcionamento de um ou outro órgão corporal, como o coração ou os rins, os psicodélicos expandem o alcance, o foco e a clareza da própria percepção - a maneira como vemos a realidade e a nós mesmos. Seu efeito vai muito além mesmo do humor-elevação, ou ansiedade-calmante, efeitos de drogas estimulantes ou sedativas.
Timothy Leary costumava dizer que as drogas psicodélicas eram potencialmente para a psicologia o que o microscópio era para a biologia - proporcionando a percepção consciente de faixas e níveis de realidade que anteriormente eram inacessíveis. Mas assim como o que percebemos através de um microscópio é uma função do que colocamos no slide (como a folha de uma planta, ou uma gota de sangue), então o conteúdo de uma experiência psicodélica (os pensamentos, imagens, sentimentos, sensações) é uma função do conjunto pré-existente ou intenção, do contexto escolhido ou configuração. A droga funciona meramente como uma espécie de catalisador ou gatilho que desloca o funcionamento mental em um modo diferente.
Nos cursos de pós-graduação sobre estados alterados de consciência que eu ensinei por muitos anos, achei útil expandir esse paradigma básico de conjunto, configuração e catalisador para qualquer e todos os estados de consciência, do mais comum ao mais exótico. Os catalisadores ou desencadeadores bem conhecidos das ASCs (além de drogas) são induções hipnóticas, práticas meditativas, ritmos xamânicos, música, natureza, sexo e outros, bem como as variações cíclicas normais da química do cérebro que nos catalisam nos estados de sono ou vigília. Também é útil aplicar o paradigma ASC para entender estados psicopatológicos que são contrativos, fixos ou dissociativos e têm consequências negativas e tóxicas para os indivíduos, as famílias e as comunidades - incluindo vícios de drogas ou comportamentais, medo (ataques de pânico), raiva (ataques de temperamento), crises psicóticas ou episódios de depressão, mania e outros. Discutiremos tais estados em um capítulo posterior.
Uma questão que causa inquietação na maioria das pessoas ao considerar ou discutir o conceito de "estado alterado", é a aparente implicação de que "alterado" é em si anormal. Como então poderíamos falar sobre ASCs sendo terapêutico, criativo, ou crescimento espiritual aumentado? Em meus cursos, eu tentei superar esse preconceito cognitivo, apontando para o fato de que todos os seres humanos estão muito familiarizados com as variações normais, profundamente alteradas no estado que chamamos de dormir, acordar e sonhar. Sigmund Freud disse que os sonhos são o "caminho real para o inconsciente", o que significa que eles fornecem o acesso mais amplo. Mas pode-se dizer igualmente que os sonhos são o caminho dos plebeus, pois todos podem e viajam naquela passagem noturna para os reinos além. Na Índia, o "caminho real da yoga" (raja yoga) se referia ao uso intencional de práticas psicológicas para liberar a consciência de seu condicionamento comum - e esse caminho requer um certo estudo disciplinado e aplicação.
Alguns autores tentaram superar as pressuposições negativas associadas ao conceito de "estados alterados", propondo termos como "estado alternativo" ou "estado não-ordinário", ou (como em um manual da Associação Psicológica Americana) "Experiências anômalas". Mas esta estratégia linguística disfarça o ponto em que algumas alterações de estado são extremamente comuns, usuais e familiares. O "sonhar" deveria ser considerado um "estado não-ordinário"? Que tal estar "bêbado" ou "deprimido" - não são aqueles estados bastante comuns, todos muito familiares? Além disso, alguns povos indígenas e praticantes xamânicos objetam que o que os ocidentais chamam de estados "não-ordinários", lhes são muito familiares e comuns. Existe todo um espectro de estados de consciência, do familiar e comum ao anômalo e exótico extremo. Se o estado é normal ou anormal é, de qualquer modo, um juízo cultural e historicamente relativo imposto à experiência e, portanto, uma questão acadêmica de nenhum significado particular.
Cheguei finalmente a compreender meu próprio desconforto persistente com o conceito de "estado alterado", além de confundir a distinção entre estados ordinários e não ordinários: tem a ver com a construção passiva "alterada", o que sugere que algo foi feito a você por um agente externo. Um estado induzido por drogas parece apoiar essa visão. Mas temos que lembrar que normalmente o indivíduo escolhe ingerir a droga, seja álcool, ou LSD, ou maconha, com um determinado propósito e com a intenção de alterar sua própria consciência. Da mesma forma, uma pessoa pode optar por submeter-se a um procedimento de indução hipnótica para entrar em um estado de transe no contexto da psicoterapia. Alterar deliberadamente a consciência de outra pessoa sem seu conhecimento ou consentimento, por exemplo, por uso sub-reptício de uma droga ou álcool, é universalmente considerado moralmente repreensível e ilegal.
As transições de estado da vida cotidiana também podem ser concebidas e experimentadas, em termos ativos ou passivos. Podemos "ir dormir" com a intenção consciente para o repouso e restauração das energias; podemos "adormecer" involuntariamente devido à fadiga; ou podemos ser "adormecidos", metaforicamente e literalmente, por um falante chato em uma sala de aula. Da mesma forma para a transição oposta: podemos ser "despertados" pelo despertador; apenas "acordar" espontaneamente; ou lutar, literal e metaforicamente, contra a atração descendente da sonolência, para se tornar mais plenamente consciente e alerta.
No budismo e outros ensinamentos espirituais, como os de G. I. Gurdjieff, o que consideramos nosso estado de vigília normal é visto como uma espécie de estado de sono, no qual estamos inconscientes de nossa natureza essencial. De acordo com esses ensinamentos, o propósito das práticas yogue e meditativas é nos ajudar a despertar das condições sombrias e sonhadoras da existência ordinária e não-consciente - e despertar para os nossos mais elevados potenciais espirituais e criativos.
A fim de usar expansiva e positivamente os estados de consciência de forma construtiva para aumentar a saúde, criatividade e crescimento, precisamos ser capazes de reconhecer o estado que estamos em qualquer momento, e como navegar através dele. Nas práticas de adivinhação xamânica e alquímica, métodos de "condução sonora", tais como bater ou chocalhar, são usados para facilitar o acesso ao conhecimento para a cura, resolução de problemas e orientação. Yogis e meditadores praticam atenção plena e métodos de concentração, a fim de experimentar as dimensões mais sutis da consciência.
Com estados contracionais e insalubres, como medo e raiva, precisamos identificar o estado em que estamos e reconhecer como isso está nos afetando (nosso pensamento, nossa percepção, nosso comportamento), bem como outros com quem podemos estar relacionados. Precisamos aprender como navegar nosso caminho através dos estados negativos para estados mais saudáveis, que afirmam a vida. Ao tornarmo-nos mais conscientes do estado em que nos encontramos num determinado momento, podemos mobilizar a atenção de diferentes maneiras, aumentar a gama de escolhas que podemos fazer e assumir mais plenamente a responsabilidade pelo impacto dessas escolhas nos outros e no nosso mundo.
O MODELO DE 'SET AND SETTING'
Um estado de consciência pode ser definido como o espaço ou campo subjetivo no qual os diferentes conteúdos da consciência, tais como pensamentos, sentimentos, imagens, percepções, sensações, intuições, memórias e assim por diante, funcionam em inter-relações padronizadas. Além disso, um estado de consciência sempre implica uma divisão definida do fluxo de tempo, entre dois pontos de transição. Por exemplo, estamos no estado de sono entre o momento de adormecer e o momento de acordar. Estamos no estado de vigília funcional, também chamado de "estado ordinário", entre os momentos de acordar e de adormecer. Os estados de intoxicação por drogas ou álcool se estendem desde o momento da ingestão até o momento de "desanuviar" ou "baixar". Um estado meditativo ou um estado de transe hipnótico começa e termina com transições que nos referimos como "entrar" ou "voltar", como se cruzássemos algum tipo de limite.
Embora possamos (às vezes) ancorar as transições de estado subjetivas para o tempo objetivo externo (relógio), é importante reconhecer que cada estado tem sua própria linha de tempo subjetiva ou fluxo de tempo. Por exemplo, nos sonhos o tempo e o espaço são bem diferentes do que no estado de vigília. Em um sonho podemos nos encontrar com uma pessoa amada que vive a milhares de quilômetros de distância - e não leva "tempo real" para viajar para esta reunião. Distância no estado de sonho não é geográfica, mas emocional, uma função de afinidade e interesse. De fato, nos sonhos e outros estados profundos, podemos nos encontrar conversando com alguém que está morto - tendo transcendido completamente os limites espaço-temporais da realidade comum. Nas transições entre estados, há uma descontinuidade e mudamos para um fluxo de tempo diferente e um espaço da mente diferente.
A noção de estado alterado adquiriu uma certa conotação de anormalidade, talvez devido à sua associação com o uso de drogas, embora todos estejamos familiarizados com os estados profundamente diferentes de sonhar e dormir. Por esta razão, cheguei a pensar que é importante para nós aprendermos a reconhecer e identificar os tempos e situações em que estamos funcionando de forma marcadamente diferente da usual, isto é, em um estado diferente.
Se pudermos identificar os pontos de transição ou gatilho quando o modo de consciência mudar, podemos aprender a utilizar os estados positivos de acordo com nossa intenção consciente. Por exemplo, um músico ou outro artista pode achar que um período de meditação facilita o acesso ao estado de fluxo que aumenta a expressão criativa. Talvez ainda mais importante para o nosso bem-estar, temos de aprender a navegar fora dos estados negativos, destrutivos. Por exemplo, aprender a reconhecer os gatilhos verbais para um estado alterado de raiva é um aspecto importante da gestão da raiva nas relações interpessoais. As transições entre diferentes estados são pontos de interseção de diferentes linhas de tempo, onde podemos conscientemente optar por mover-nos ao longo de outra linha do tempo para um espaço mais expansivo, cheio de novas possibilidades. Se não escolhermos conscientemente, então seremos desviados para outro estado de acordo com os ventos predominantes do karma, ou reações habituais.
Alguns estados alterados são geralmente considerados positivos, saudáveis e expansivos, associados a uma compreensão mais profunda de valor espiritual: podemos pensar em unicidade mística, êxtase, transcendência, visão, transe hipnoterapêutico, inspiração criativa, união erótica, viagem xamânica, consciência cósmica, Nirvana, Satori. Outros estados alterados são considerados negativos, insalubres, contrários, associados à ilusão, psicopatologia, destruição e conflito: podemos reconhecer os estados alterados de depressão, ansiedade, trauma, psicose, loucura, histeria, raiva, mania, estimulantes e compulsões comportamentais/obsessões associadas à sexualidade, violência, jogo e gasto de dinheiro.
Em medicina de emergência, as perguntas sobre a nossa orientação no tempo e lugar (que dia é hoje? que lugar é este?) São usados para diagnosticar o estado de consciência de alguém, possivelmente em choque ou trauma. Os estados mais profundamente alterados são aqueles em que o sentido de identidade ou auto-imagem é abolido ou transcendido: estes incluem os estados de ego-morte ou despersonalização que podem ocorrer na psicose, bem como estados de nirvana ou unicidade que podem ocorrer no misticismo.
A chave para a compreensão do conteúdo de uma experiência psicodélica, tal como formulada por Timothy Leary, Frank Barron e colegas (incluindo eu) nos primeiros dias da 'Harvard Psilocybin Research Project', foi a hipótese de "set and setting". Esta hipótese, que tem sido amplamente aceita dentro do campo, afirma que o conteúdo de uma experiência psicodélica não é tanto uma função da farmacologia, isto é, um "efeito das drogas", mas sim uma função do conjunto, que são todos os fatores internos de expectativa, intenção, humor, temperamento, atitude; e ambiente, que é o ambiente externo, tanto físico e social, e incluindo as atitudes e intenções de quem fornece, inicia ou acompanha a experiência. A droga é considerada como um gatilho, ou catalisador, impulsionando o indivíduo em um estado diferente de consciência ou espaço da mente, em que a vivacidade e as qualidades contextuais das percepções dos sentidos são muito ampliadas.
Esta hipótese ajudou os pesquisadores de Harvard a entenderem como os mesmos medicamentos podiam ser vistos e usados como indutores de uma psicose modelo (psicotomimética), como um complemento à psicanálise (psicolítica), um tratamento para a dependência ou estímulo à criatividade (psicodélico), um facilitador de viagens de cura xamânica (enteogênica); ou mesmo, como usado pelo Exército dos EUA e CIA, como um tipo de soro da verdade e ferramenta para a obtenção de segredos de espiões inimigos. Dos dois fatores de conjunto e configuração, conjunto ou intenção são claramente primários, uma vez que o conjunto normalmente determina que tipo de configuração se vai escolher para a experiência.
De acordo com o modelo heurístico que proponho, podemos estender a hipótese do conjunto e da configuração a todas as alterações da consciência, independentemente do gatilho que elas sejam induzidas e mesmo dos estados que se repetem cíclica e regularmente, como dormir e acordar. Nessas alterações cíclicas da consciência, reconhecemos que eventos bioquímicos internos normalmente desencadeiam a transição para a consciência de dormir ou acordar, mas fatores externos também podem fornecer um catalisador. Por exemplo, deitado na cama, na escuridão, desencadeia alterações nos níveis de melatonina na glândula pineal, que por sua vez promove a transição para o sono. Outras alterações bioquímicas no cérebro, luz mais brilhante e os sons de um alarme, pode ser o gatilho para o despertar, novamente observado por mudanças bioquímicas cíclicas. Além disso, fatores externos, como drogas sedativas ou estimulantes, ruídos altos ou estresse, também podem desencadear essas variações no ciclo sono-vigília.
Claramente, o conteúdo dos nossos sonhos pode ser analisado como uma função do conjunto, as nossas preocupações internas durante o dia, bem como o ambiente em que nos encontramos. Os praticantes da "incubação dos sonhos" fazem uso deliberado desse princípio, formulando conscientemente certas questões relacionadas ao seu processo ou problemas internos, à medida que entram no mundo do sonho noturno. Nos templos de Asclépio na Grécia antiga, aqueles que sofreram doenças físicas ou psíquicas foram guiados para incubar sonhos de diagnóstico e cura.
No quadro deste modelo de ajuste e configuração, depois que nosso modo de funcionamento consciente regressa ao estado de linha de base (o que alguns também chamam de estado de realidade consensual), vem o momento da avaliação e interpretação. Tendo em mente os dois pontos de transição, dentro e fora do estado alterado, torna mais fácil separar a própria experiência de nossos pensamentos e julgamentos sobre ele. É o núcleo da prática de meditação de atenção plena (vipassana), onde você apenas observa seus pensamentos, sentimentos e sensações, mas não analisa, acompanha ou avalia.
Os julgamentos avaliativos são geralmente a primeira reação imediata após qualquer estado alterado. Podemos dizer, por exemplo, que foi uma 'bad trip' ou pesadelo, ou que esta foi uma experiência maravilhosa ou inspiradora. Os pesquisadores em neurociência descobriram que os juízos avaliativos de sentimento sobre nossa experiência se originam no sistema límbico dos mamíferos (especialmente a amígdala) e podem ser um resíduo evolutivo de uma reação de sobrevivência instintiva à ameaça percebida. Julgamentos avaliativos não transmitem muita informação sobre uma experiência no entanto. Quanto você realmente aprende sobre um filme, por exemplo, quando seu amigo simplesmente lhe diz que ele gostou ou que foi terrível?
Para trabalhar com sonhos ou outras experiências internas em psicoterapia ou crescimento pessoal, precisamos ir além dos primeiros julgamentos e interpretações associativas e perguntar-nos o que significa essa experiência para mim ou o que eu aprendi com ela? Um aspecto crucial do que se segue a uma experiência de estado alterada é a aplicação e integração, ou falta dela, na vida em curso. Será que uma visão mística da unicidade com o divino leva a um estilo de vida moralmente melhor, mais feliz e mais santo? Os insights de uma visão ou sonho de cura levam a uma resolução de problemas? O estado depressivo que estou experimentando significa que eu tenho um traço de personalidade depressiva, ou é uma reação temporária a uma situação estressante? Este é o tipo de exame reflexivo de nossas experiências pode, então, tornar-se uma prática psicoespiritual contínua.
Devido ao fato de haver constantemente questionamentos a respeito de como prosseguir e preparar-se, tanto no ambiente interno quanto ao externo (set and setting), durante as experiências psicodélicas, em especial para os mais iniciantes, decidi subir esse texto que reune dicas de diversos psiconautas com observações, dicas e vivências que os mesmos individualmente relataram e consideraram relevantes, todas reunidas todas em um só com o objetivo de orientar e preparar novos viajantes e aspirantes às experiências psicodélicas.
*considerar subjetividade e devida observação e responsabilidade quanto a execução e os riscos.
"É uma coisa muito salutar para perceber que o Universo bastante aborrecido em que a maioria de nós passam a maior parte do nosso tempo não é o único Universo que existe. Eu acho que é saudável que as pessoas devam ter essa experiência (psicodélica)."
- Aldous Huxley
Psicodélicos, se utilizados de forma responsável, podem ser uma profunda mudança de vida e de deslumbrantes prestidigitações.
Como tem sido argumentado (....), substâncias como o LSD e a psilocibina dos cogumelos podem catalisar experiências místicas que resultam em "um aumento a longo prazo na abertura, o que equivale a um aumento da apreciação estética, sensibilidade, imaginação, fantasia e tolerância e da mente aberta sobre os pontos de vista e valores dos outros."
Além disso, estas substâncias também podem levar a "avanços", ou experiências "no qual os indivíduos podem ver e entender suas vidas e mentes de maneiras totalmente novas, ganhando um renovado sentido de valor da vida e visão construtiva em sua bagagem psíquica peculiar."
Há muita evidência anedótica e agora um crescente corpo de evidências científicas sugerindo que estas descobertas podem ajudar as pessoas a superar a depressão, vício e mais.
Além disso, psicodélicos tendem a "desbloquear" as mentes das pessoas, de modo a permitir-lhes a perceber a beleza, surrealista e majestade do universo de maneiras anteriormente insondáveis. Como Aldous Huxley sugere na citação de abertura, é quase como descobrir um Universo inteiramente novo.
Estas substâncias poderosas têm um enorme potencial para melhorar a sua vida, mas é preciso lembrar que as experiências psicodélicas podem variar muito. Felizmente, existem muitas coisas que você pode fazer para ajudar a garantir que se tenha uma experiência positiva.
1) Escolha um local muito deliberadamente.
"... Viagem para fora onde você se sente aberto, livre, confortável, protegido e fortalecido. Se você não sabe como, talvez você não devesse estar transcendendo." — @phred
2) Deixe sua respiração ser a sua âncora.
"Se a sua experiência fica intensa ou assustadora, lembre-se: você sempre pode voltar ao foco em sua respiração... Para mim é a âncora final para permanecer centrado, mesmo durante as fases mais escuras." — @bbolint
3) Ouça música chill.
"Talvez o mais importante, MÚSICA!! Ouça música que te traga muito amor. A música pode definitivamente ajudar a manter a sua viagem numa boa. Para não mencionar, que parece absolutamente incrível durante a viagem." — @krkrich
"Tente fechar os olhos ao escutar sua música de escolha e ver o quão profundo e imerso você pode chegar a ela, será realmente incrível quanto mais você puder apreciar a música ignorando todos os seus outros sentidos." — @bradenmarchand
4) "Ter zero obrigações durante todo o dia e, de preferência, no dia seguinte também." — @bashfulkoala
5) "Viaje somente com pessoas que você ama e que te aceitam completamente." — @bashfulkoala
6) Defina intenções.
"Você pode simplesmente partir, com certeza, mas você também pode usar psicodélicos para a exploração. Que parte de você que gostaria de explorar neste momento?" — @MarcvsMaximvs
7) O silêncio, escuridão e solitude.
"O silêncio, escuridão e solitude também podem ser seus amigos, se você for até eles. Às vezes as maiores experiências são as que você tem medo de enfrentar." — @MarcvsMaximvs
"Eu amo a viagem sozinho, porque para mim é uma ótima maneira de superar minhas sombras com ninguém lá para mim, apenas eu." — @bbolint
[Nota: Completamente só não é recomendado, a menos que você tenha uma experiência significativa com psicodélicos.]
8) Andar descalço por um tempo.
"Em algum momento, ficar em terra nua, com seus pés descalços. Você também deve andar um pouco, mas se você não está acostumado a andar com os pés descalços, isso pode surpreendê-lo, portanto, ficar por um tempo com os pés no chão primeiro. Parece bobagem, mas é incrível, você vai ter que experimentar." — @mirthful
9) Não pense demais.
"É um ponto pouco intuitivo, mas não penso muito. Psicodélicos são grandes para o crescimento pessoal, mas é fácil chegar em 'loops' de pensamento. Ficar presente e consciente é quando a mágica realmente começa a sair." — @zhaetur
10) Saia na natureza.
"Caminhar é preferível! Tenha um destino final em mente (por exemplo: vistas panorâmicas). Escalar uma montanha é uma experiência muito poderosa. Motive-se a entrar na natureza!" — @sandytorna
"… sair! Melhores tempos para mim é ir à praia e à floresta." — @ Corey-Emery
"Experimente as vibrações e linguagem da natureza. Ouça. Participe. Sinta a conexão." — @CuriousKitten
11) Tenha um cobertor de segurança.
"... Um cobertor de segurança sempre me deixa confortável. Muitas vezes eu tenho uma camisola ou algo para agarrar e colocar se eu ficar com frio ou sentar na grama." — @madisonsamz
12) "Vista-se confortavelmente." — @madisonsamz
13) Tenha água à mão.
"Sempre, sempre, sempre tenha água à mão. Eu não sei se isso é uma coisa mental ou o que, mas sempre que uma viagem começa a ficar muito louca, a água sempre me ajuda. Eu tendo a ficar muito "alto" quando meu corpo/mente está se ajustando à substância e água ajuda uma tonelada." — @krkrich
14) "Faça caminhadas." — @bashfulkoala
15) "Medite de antemão." — @bashfulkoala
16) "Não transcenda de ressaca." — @bashfulkoala
17) "Leve lanches saudáveis." — @madisonsamz
"Certifique-se de ser natural, comida vegetariana se possível..." — @ morty1999
18) "Respire fundo de antemão." — @madisonsamz
19) "Lembre-se que você tem controle sobre a sua mentalidade." — @madisonsamz
20) "Confie no processo." — @veronicarosenman
21) "Você vai ter a experiência que você precisa, não a que você quer." — @TheAppetizer
22) Leve um diário e canetas.
"Eu sempre gosto de manter um diário e algumas canetas comigo enquanto transcendo." — @ Corey-Emery
"Também é divertido ter um notebook nas proximidades - em minhas experiências, eu tenho epifanias aleatórios sobre as coisas mais simples da vida que eu nunca percebi antes, e eles acabam mudando praticamente tudo na minha vida para melhor. Eu sou grato em escrevê-las, porque eu não tenho certeza que eu me lembrarei de outra forma :)" — @ morty1999
23) Prepare uma lista de reprodução especial.
"Ter uma lista de reprodução confortável no meu telefone com fones de ouvido é sempre um dispositivo de segurança e conforto para mim." — @ Corey-Emery
24) "Tudo vai ficar bem."
"Lembre-se que você tomou um enteógeno, queria fazê-lo, e agora estão juntos para o passeio." — @bashfulkoala
25) Se as coisas começam a ficar escuras, cante uma música ou abrace um amigo." - @bashfulkoala
26) Fume maconha. *
"Este provavelmente não é para todos, mas a maconha me ajudou a relaxar algumas vezes quando as viagens começaram a ficar mais intensas." — @bashfulkoala
"Eu não tenho certeza se eu recomendo fumar maconha. Eu já vi isso em ambos os sentidos. Pode ajudar a viagem exterior ou a levá-la para o próximo nível de intensidade. Só depende do indivíduo " — @krkrich
(Conhecer-se a si mesmo é um presente. Se maconha combina com você normalmente, te acalma, pode ser uma boa ideia ter alguma com você.)
27) "Aproveite a viagem!" — @ Corey-Emery
28) Cada 'bad trip' tem uma lição.
"Eu tenho que dizer que uma das coisas mais importantes para mim é que cada bad trip tem uma lição. Se você está perdido, apenas relaxe... limpe sua cabeça, e você provavelmente só virá a perceber o que você acabou de aprender porque se abre muito o olho, o que é estranhamente reconfortante." — @jleebs
29) "Vá com o fluxo. Renda-se a tudo o que está acontecendo." — @bashfulkoala
30) Faça uma fogueira. *
"... Você pode construir uma fogueira e sentar-se ao lado dela, é incrível como o aquecimento e a presença do fogo vai confortando, segurando-o em um ambiente seguro, sendo o' espaço seguro' durante sua viagem." — @bbolint
31) "Equilibrar-se para fora."
"Se há coisas querendo sair da sua vida no momento, esta provavelmente não será a melhor viagem, a menos que você deseja lidar com esses estressores na cabeça, porque eles vão vir para cima. Tire algum tempo, medite, limpe sua mente, eleve-se, eleve a sua vibração. Sinta-se bem antes de entrar em transe." — @krkrich
32) Diferentes psicodélicos em diferentes contextos.
"Conhecer o tipo de configuração que você estará fazendo para o transe especial que você vai fazer. Isto é onde eu vejo diferenças entre os psicodélicos. Com Cogumelos, DMT etc, eu acredito que você deve ter um lugar tranquilo, confortável e controlado. Você não vai querer estar em um festival sob efeito de cogumelos. Você vai querer estar sozinho ou em torno de pessoas confiáveis, em um ambiente familiar e que não vai te julgar. No entanto, no ácido, você precisa conhecer seus limites. Por exemplo, eu gosto de tomar ácido em festivais, dança e festa. Ou eu poderia tomar ácido em torno de amigos em um ambiente mais calmo. Eu tendo a querer explorar um pouco mais e interagir com ácido, enquanto que com cogumelos pode ser um transtorno." — @krkrich
33) Se as coisas ficarem muito intensas...
"Se as coisas ficarem muito intensas durante a viagem, algumas dicas que tenho são:
- Parar e levar algum tempo a se concentrar em sua respiração. Que sempre vai aterrá-lo.
- Conectar com a natureza. Sério, se você estiver em área aberta, simplesmente deitar na grama e respirar. Eu descobri que isso também pode equilibrá-lo e levá-lo de volta.
- E água." — @krkrich
34) Olhar para uma arte ou ler um poema.
"Você já tentou olhar para uma arte enquanto transcende? Ou leu um poema agradável? Eu não posso ler em doses elevadas, mas a arte é sempre muito boa." — @MarcvsMaximvs
35) Beber café quando você está retornando do transe.
"Eu sempre procuro o café, por achá-lo a coisa mais nutritiva, sempre quando eu começar a descer." — @ Morty1999
36) Gastar tempo com seus animais de estimação.
"Se você tem animais de estimação, certifique-se de que eles estão por perto, porque você provavelmente vai se conectar com eles como nunca antes." — @ Morty1999
37) Abraçar qualquer desconforto.
"Não lute contra os elementos da viagem que faz você se sentir desconfortável. Abrace-os. Seja o que for, prossiga ativamente. Faça caretas assustadoras para eles. Brinque com eles. Seja eles." — @tuesle
38) "Deixe sua parafernália eletrônica para trás!" — @CuriousKitten
39) "Tente acampar com um casal de amigos confiáveis." — @CuriousKitten
40) "Apenas viaje no transe." — @jleebs
Uma nota sobre Segurança:
Como enfatizamos repetidamente (....), psicodélicos devem ser abordados com reverência e cautela. Acreditamos que num contexto de amor os psicodélicos são medicamentos poderosos, com um enorme potencial, mas há uma série de preocupações de segurança físicos e psicológicos que se deve considerar antes de viajar com psicodélicos. Por favor, faça muita pesquisa, e não tome psicodélicos se você tiver razões para acreditar que eles não combinam com sua personalidade ou sua bagagem mental. O Essential Psychedelic Guide no Erowid é um recurso livre excepcional, e recomendamos a leitura, especialmente a seção sobre '‘Psychedelic Safety', antes mesmo de usar qualquer substância. Tome cuidado, e seja feliz. :)
Se você aprecia, recomendamos...
Portas da Percepção de Aldous Huxley.
Em 1952, Aldous Huxley se envolveu no experimento já lendário, clinicamente detalhado dos efeitos fisiológicos e psicológicos do pouco conhecido medicamento usado pelos mais velhos americanos e mexicanos nativos em práticas religiosas. A droga foi peyote, agora comumente conhecido como a mescalina. Por todos os padrões, os resultados do experimento foram notáveis. Este livro extraordinário detalha os aspectos práticos do experimento e dá conta viva de Huxley e de sua experiência imediata, e do efeito mais prolongado sobre o seu pensamento e consciência subsequente.
Luz e paz a todos!
Imagem ilustrativa retirada da internet apresentando o LSD (Dietilamida do Ácido-Lisérgico) em seu estado tartarato.
O QUE É O LSD, BREVE PASSEIO SOBRE SUA CARACTERÍSTICA, SÍNTESE E PUREZA.
Boa leitura!
Este artigo surge devido as grandes incongruências que andam rolando a respeito do que de fato vem a ser o LSD (Lysergsäurediethylamid), numa tentativa de dirimir mitos e afixar o que venha a ser a molécula para o grande público leigo no assunto.
Segundo Albert Hofmann, no seu livro LSD - Minha Criança Problema, versão virtual, página 10, ele refez em 1943 a síntese da vigésima quinta experiência que tinha dado certo com a molécula, deixando bem claro a forma como chegou à mesma: “No passo final da síntese, durante a purificação e a cristalização do ácido lisérgico diethylamide na forma de um tartarato (sal de ácido tartárico) (….)”. Ora, o mestre apresenta aqui o LSD para o mundo, na forma de um sal, forma esta que seria copiada em todos os anos seguintes, por toda e qualquer empresa do ramo, e também por inúmeros produtores clandestinos.
Durante décadas se ouviu que o LSD seria algo que só seria produzido com perfeição pelas grandes indústrias, sobre as quais se teria um controle de qualidade, além das ferramentas para isso. Acontece que diante de todo o quadro, inúmeros produtores clandestinos deram provas de que poderiam fazer LSD tão bom quanto o da Sandoz, pois, afinal de contas, Albert Hofmann já tinha disponibilizado a receita para a comunidade científica. Dois produtores americanos chegaram a ganhar grande destaque durante tal período, um deles, Nick Sand, que foi convidado por Timothy Leary para continuar o fabrico do mesmo para a comunidade que ele havia fundado, devido a suspensão do governo americano sobre a distribuição do LSD, e outro foi o Owsley Stanley, que havia se dedicado à produção do LSD para o grupo Merry Pranksters, que faziam uma tour pelos Estados Unidos junto ao Grateful Dead. Ambos se tornaram ídolos daqueles que queriam tomar LSD, mas viam na proibição um impedimento legal. Em 1967 o LSD havia sido lançado no grupo 1 de drogas proibidas nos Estados Unidos, seu porte e consumo passavam a ser artigo de lei, com rígidas punições. Na clandestinidade, Sand e Owsley ganharam status de mitos, e o que rolou a respeito dos cristais de LSD que ambos produziram chegaram ao ponto do fanatismo, sendo que até hoje são cultuados por seus feitos: muitos preferem o LSD feito pelo Sand, outros acreditam que o do Owsley seria o mais puro, jamais feito por outra pessoa.
Diante dos debates infindos que existem na internet, atual veículo de comunicação interplanetária (através da internet se pode conversar com astronautas em órbita), uma das discussões mais ferrenhas é sobre o grau de pureza do LSD, e até mesmo sobre o que é o LSD, seus isômeros inativos, e como tudo isso influencia no transe, grau de subjetividade dos seus usuários.
Os dados mais antigos remetem Pharmchem, que chegou a ter Alexander Shulgin como um dos seus funcionários. O laboratório fazia análises de diversas amostras que eram enviadas para o mesmo, e conseguia determinar o que era e o que não era LSD, à época. Durante os anos de 1969 a 1975, eles analisaram em torno de 2200 amostras, e concluíram que entre estas, 87% de fato era LSD. A segunda fonte de testagens nos Estados Unidos seria o DEA (Drug Enforcement Administration) que, embora não libere suas análises para o grande público, chegou a publicar alguns artigos antigos, onde superestimavam a pureza das amostras como contendo 100%, e logo depois abaixando o grau de pureza, para no máximo 95%, sendo que a média de pureza relatada seria de 62%, da grande maioria dos ‘streets acids’.
Debates que se seguiram durante os anos fizeram com que fosse necessário testar o grau de pureza do Delysid, o LSD feito pelo Sandoz, sob supervisão de Hofmann. Uma amostra do LSD, produzido em 1951, que ficara guardado por longos anos, foi levada para o Simpósio Internacional de LSD, em comemoração aos 100 anos de Albert Hofmann, para que as pessoas pudessem testar o mesmo, em doses de 100 a 110 microgramas, no intuito de que os presentes pudessem ver se o LSD da Sandoz diferia dos ácidos de rua, feitos na clandestinidade. O resultado foi que: ninguém viu diferença alguma. O LSD da Sandoz não era nem pior e nem melhor que o LSD vendido na clandestinidade. A experiência foi tão mística e reveladora, quanto os ácidos vendidos pelas ruas. Ficou uma dúvida se o LSD com 55 anos havia se degradado e perdido sua potência, se ele continuava com sua potência normal, ou se os ácidos de rua eram tão bons quanto os fabricados pela Sandoz. Ao que tudo indicava, para os participantes do simpósio, a última opção era a mais acertada.
Diante disso, foi necessário então analisar esquematicamente a pureza de um LSD feito sobre o controle rígido de uma empresa farmacêutica, para tentar entender se o LSD poderia alcançar uma pureza de 99,9 e 99,7, ou algo entre isso, como costumam alardear alguns. Os testes, embora dificílimos de se encontrar, existem. Os testes foram realizados pelo MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies), o fornecedor do LSD farmacêutico foi a Lipomed AG, Fabrikmattenweg 4, 4144 Arlesheim, e os resultados são interessantes de observar, já que se trata do mais alto padrão de fabricação de fármacos, seguido de controle de qualidade. O número de série da molécula utilizada foi LSD-397-FB e 397.1B10.1. Segundo a análise: “De acordo com o folha de especificações, a pureza HPLC é de 98,5%. A identidade é confirmada por análises de IV, UV, e ponto de fusão vs. referência (ver folha de certificação de qualidade anexado no. QA-F-20.1, 15.9.2003). Um controle de qualidade independente da zona é realizado na Universidade de Berna, DKF (Prof. Dr. R. Brenneisen) para verificar a identidade por GC/MS e pureza por HPLC. Os dados de QC será submetido a Swissmedic após a notificação estudo”.
Ora, 98,5% foi o mais alto grau de pureza analisado em LSD feito por uma indústria farmacêutica que respeita os padrões de qualidade e especificações mundiais, na atualidade. Não estamos falando aqui de produtos feitos às escusas, muitas vezes por pessoas que descobriram a fórmula agora, já que a mesma se encontra disponível em sites como o Erowid, dentre outros. Muito menos estamos falando de conversa de vendedores, que saem alardeando groselha para incautos. Estamos falando de testes realizados pelo MAPS, junto a uma empresa que fabrica LSD legalmente, tudo dentro do maior rigor científico.
Se não existe então tanta diferença entre o que de fato venha a ser o LSD, já que sua fórmula química é C20H25N3O, então porque alguns nomeiam a molécula de california sunshine, swiss crystal, white fluff e needlepoint, dentre outros? Pelo simples fato de se identificar quem foi o produtor de tal molécula. É óbvio que alguns produtores primam mais pelo grau de pureza que outros, alguns fazem isso porque amam cristalizar e ter seu produto como obra de arte, outros produzem para otimizar ganhos, e não estão tão preocupados em lavar o cristal ao máximo que podem. Alguns produtores insistem em falar que seus cristais são LSD puro, sem especificar o quão puro venha a ser. Produtores idosos de white fluff podem afirmar que seus cristais não passam de 95%, com muita modéstia, sem que isso seja demérito no fabrico do mesmo, haja vista que a grande e esmagadora maioria dos ácidos são de 62% de pureza. Chegar a 95% de pureza é uma arte que leva anos para ser dominada, especialmente quando não se pode ter os utensílios e máquinas espectrográficas ou espectrofotométricas, dentre outras, já que o fabrico do LSD é ilegal e só pode ser feito por químicos que conhecem o mínimo do manuseio da matéria prima.
É importante notar que testes realizados para se saber o grau de pureza do LSD são praticamente nulos. Nenhum produtor clandestino irá mandar suas amostras para análises em grandes laboratórios, já que os mesmos exigem os dados de quem doa, e com isso, podem ficar sob o jugo de uma fiscalização mais intensa, o que lhes prejudicaria no fabrico dos mesmos. Os isômeros, como iso-LSD, por exemplo, devem estar na maior parte das amostras, mas não são ativos e não fazem diferença na dosagem final. O d-LSD é o que de fato importa, mas as testagens geralmente só apontam a sua existência, pois ninguém se preocupa, quando o LSD é verdadeiro, em saber se ele é ou não puro. O laboratório holandês, maior em testagens no mundo inteiro, atesta que de tudo que foi testado no ano passado, a esmagadora maioria era LSD com doses de 75 microgramas. 75 microgramas é o padrão de dosagem dos blotters vendidos em escala internacional, seja na Europa, seja nos Estados Unidos. O DEA chega ao mesmo padrão de dosagem, inclusive apontando blotters com 5 microgramas, sendo que é o mais comum está entre 25 microgramas, dos que tem menor dosagem.
Resta ainda uma informação a ser debatida, que tem sido recorrente, sobre o que é o needlepoint. Needlepoint nada mais é que o LSD aplicado com ponta de agulhas. Todo “cristal” de LSD é um sal, ele pode ser colorido, para despistar a fiscalização, como pode continuar branco, ou até mesmo escuro. O fato de ser branco não garante em nada que ele tenha maior pureza que um mais escuro, pois mesmo os cristais muito branco podem conter impurezas. Ora, se o LSD é um sal, é inverídico que o cristal de LSD, chamado de needlepoint, teria formato de pontas de agulha. Quem afirma isso, ou nunca viu LSD em sua forma bruta, ou fala por má-fé. O LSD é pura e simplesmente um sal, seu nome foi dado pelo seu produtor justamente porque ele conseguiu extrair este sal (tartarato). O sal de LSD é misturado com água purificada ou álcool de cereal, diluído na quantidade que se deseja, para fazer as doses em microgramas, e aplicado em papéis, géis, micropontos e até mesmo para ser vendido líquido. Ninguém vende o LSD em pó para os outros porque a pesagem é em microdose, e o cristal em seu estado bruto pode sofrer maior oxidação do que quando transformado e aplicado em veículos diversos, de base neutra, que o transporta e o conserva por mais tempo.
Espero que o tema sirva para alertar sobre o que de fato é o LSD, e que possamos seguir sem os vícios da desinformação.
Preparei essa shrimp gororoba e ficou modestamente delicioso
Foto: Alexander Shulgin e sua esposa Ann Shulgin na famosa Fazenda Shulgin (The Shulgin Farm), na Califórnia, 1997.
Original de mesmo nome retirado do site Mundo Cogumelo. Editado com enfoque na história de uma das maiores personalidades da cena psicodélica e ainda aproveitando o gancho do advento conhecido como SEGUNDA REVOLUÇÃO PSICODÉLICA, apresento o padrasto popularizador do MDMA e criador das feniletilaminas.
Boa leitura a todos!
Se houvesse um Hall da Fama psicodélico, a seção dos químicos seria bem pequena, uma vez que existiram realmente somente dois gigantes nesse campo – Albert Hofmann, que primeiro sintetizou o LSD-25 e a psilocibina (e logo após isolou esse componente de espécies de cogumelos mágicos fornecidos por R. Gordon Wasson), e Alexander “Sasha” Shulgin, que parece ter inventado todo o resto. (As sombras do trabalho desses dois homens são tão importantes que estátuas gêmeas dos dois uma de frente para a outra deveriam estar na entrada do Hall). Entretanto, quando o remarcável livro “PiHKAL; Uma História de Amor Químico” apareceu pela primeira vez em 1991, poucas pessoas fora da comunidade psicodélica na Califórnia sabiam sobre Sasha e sua existência quieta que ele e sua esposa Ann (a co-autora de ambos PiHKAL e TiHKAL) viviam; e aqueles que sabiam dele sabiam mais pelo fato de ele ser um “popularizador” do empatógeno MDMA.
O MDMA foi sintetizado pela primeira vez em 1912; ele foi usado posteriormente no projeto MK-ULTRA da CIA em 1953-54; esses estudos foram desclassificados em 1973; Shulgin então sintetizou o composto e o experimentou em 1976 pela primeira vez após escutar relatos de seus efeitos pelos seus estudantes na Universidade da Califórnia, Berkeley. Shulgin gostava de chamá-lo de “martini de baixa caloria”, e o apresentou para inúmeros amigos e colegas, incluindo o psicoterapeuta Leo Zeff, que ficou tão impressionado com o componente que ele voltou de sua aposentadoria para treinar psicoterapeutas no seu uso.
O MDMA ganhou popularidade nos anos 1980 entre psicólogos e terapeutas até que ele foi feito ilegal em 1985 devido à sua crescente popularidade como uma droga recreativa, mais conhecido pelo seu nome de rua, Ecstasy. Pelos anos 1980, o uso de MDMA se tornou prevalente no cenário de música eletrônica ou “Acid House”, com o logotipo da carinha sorridente identificando tanto a droga como a nova cultura jovem. Apesar de ter sido feito ilegal mais de 20 anos antes (uma outra prova contra a ineficiência da “guerra contra as drogas”), estima-se que entre 10 e 25 milhões de pessoas usaram MDMA em 2008.
Um artigo inteiro poderia ser escrito sobre as similaridades e diferenças entre empatógenos (também chamados de entactógenos), e psicodélicos (também chamados de enteógenos), e ainda que essa seja uma conversa importante para nossa comunidade, é território que eu não pretendo cobrir nesse artigo. O que é importante para os propósitos desse artigo entretanto é que empatógenos como o MDMA e talvez o psicodélico mais velho conhecido, a mescalina, são ambos feniletilaminas, que por assim dizer, são variações em torno do mesmo anel estrutural feniletilamínico. Graças a esse fato simples, quando Shulgin escreveu PiHKAL e o lançou no mundo em 1991, Sasha providenciou não só a melhor fonte sobre o MDMA e seu primo mais antigo MDA (a “droga do amor” de 1960), mas também revelou um catálogo de mais de 200 psicodélicos e empatógenos anteriormente desconhecidos que ele descobriu, incluindo a família 2-C inteira, que incluía os psicodélicos 2C-B e 2C-I, e os empatógenos 2C-E e 2C-T-7 entre outros.
Sasha foi um grande homem, tanto fisicamente quanto intelectualmente, com grande reputação. No início de sua carreira ele desenvolveu o primeiro pesticida biodegradável para a DOW Chemicals, uma patente que fez seus empregados milionários e forneceu para ele um certo grau de independência, permitindo que ele movesse seu laboratório para sua casa próximo a Lafayette, Califórnia, em 1965.
Em seu laboratório caseiro remarcável, Shulgin descobriria, sintetizaria e faria o bio-ensaio de mais de 260 compostos psicoativos durante os 35 anos seguintes, publicando com frequência os resultados em jornais e revistas como a Nature e o Jornal de Química Orgânica.
Enquanto claramente um libertário em suas visões, Shulgin paradoxalmente desenvolveu uma relação profissional com o DEA, que forneceu para ele uma licença especial para sintetizar componentes controlados e o usaram como um consultor e especialista legal em determinados casos, e em 1988, Shulgin publicou o volume definitivo em drogas ilegais para aplicações legais pelo qual ele recebeu inúmeros prêmios.
Então em 1991, em um esforço para garantir que as descobertas de Sasha não seriam perdidas ou oprimidas por causa da proibição social contemporânea dos psicodélicos, os Shulgins lançaram seu livro PiHKAL. Ele conta a história de amor de Sasha e Ann, e possui um manual detalhado de como sintetizar cerca de 200 componentes psicodélicos que refletem as crenças de Sasha que drogas psicodélicas podem ser ferramentas valiosas para a auto-exploração.
Na história da literatura, existem poucos atos bravos como a publicação do PiHKAL pelos Shulgins, e ironicamente isso só poderia ter acontecido nos Estados Unidos – o país que efetivamente fez os psicodélicos ilegais no mundo inteiro - graças à proteção da primeira emenda. (A mera posse do PiHKAL em vários outros países é um crime). Quando cópias do PiHKAL começaram a aparecer em laboratórios confiscados ao redor do mundo, o DEA ficou ultrajado ao descobrir que um de seus próprios empregados (e especialista legal ocasional) publicou o que eles consideraram como sendo um “livro de receitas para drogas ilegais” (completado com uma escala de classificação do próprio Shulgin). Em resposta, em 1994 o DEA invadiu a casa e o laboratório de Shulgin, aplicando uma multa de $25.000 pela posse de amostras anônimas que o próprio DEA tinha enviado, e revogando a sua licença para substâncias controladas. Os Shugins responderam com a publicação do “TiHKAL, a Continuação”, em 1997, o trabalho seminal de Sasha na família das triptaminas que incluem o LSD, DMT e 5-MeO-DMT.
Invadir o laboratório de Shulgin após a publicação do PiHKAL foi algo como fechar a porta do celeiro depois de ter os cavalos roubados, e pelos anos 1990 um número de compostos anteriormente raros ou desconhecidos e o mais importante, não regulamentados começaram a estar disponíveis nas ruas e – em um novo desenvolvimento para a cultura psicodélica – online através de websites de “empresas de pesquisa química”. No período da “seca” do LSD dos primeiros anos do século 21 (e durante um período de considerável atenção da mídia sobre a baixa pureza de pílulas de Ecstasy), muitos desses compostos e especialmente a família do 2C estavam bem estabelecidos como os psicodélicos de escolha para uma nova geração que nunca teve a chance de experimentar mescalina, psilocibina, DMT, ou até mesmo LSD.
Enquanto a Lei Federal Análoga tinha sido aprovada em 1986 como uma resposta a essas “designer drugs”, o grande número de compostos diferentes e ambiguidades na Lei fizeram com que fosse difícil conter esses novos compostos, justamente quando as autoridades federais e estaduais estavam lutando com o novo fator internacional da Internet.
Em Julho de 2004, uma operação do DEA chamada de Web Tryp prendeu 10 pessoas nos Estados Unidos associadas com 5 diferentes “empresas de pesquisa química”, fechando efetivamente todas as empresas restantes ou as afundando muito bem. (Mais recentemente, o website Silk Road). Em um interessante ato de sincronicidade, por volta do mesmo período, o website de informações Erowid.org publicou (com a permissão dele) todas as fórmulas de Shulgin contidas no PiHKAL e TiHKAL, um ato que efetivamente permitiu a qualquer um ao redor do mundo ter acesso a elas, e virtualmente garantir que elas nunca serão perdidas ou reprimidas.
Quando tentando avaliar o legado e a importância de Alexander para a cultura psicodélica e underground, é impossível calcular a importância da popularização do MDMA (Ecstasy) à ascensão global da Música Eletrônica, exceto para notar que a droga e a cultura da dança eletrônica eram sinônimos na Inglaterra por pelo menos uma década, e enquanto a música era originalmente chamada Acid House, foi o logotipo da cara sorridente que a definiu, assim como o LSD definiu o rock dos anos 60.
Não podemos negar o fato de que depois da apreensão do silo de LSD em 2000 e durante os cinco anos da ausência de LSD nos anos seguintes, graças às visões libertárias de Sasha e a brava publicação do PiHKAL uma década atrás, o 2C-B se tornou o psicodélico preferido (e disponível), enquanto um número de outras criações de Shulgin como o 2C-E, 2C-I e 2C-T-7 (somente para apontar alguns) se tornaram proeminentes, abrindo a caixa de Pandora de análogos psicodélicos e garantindo que a Segunda Revolução Psicodélica não ficasse dependente dos 4 primeiros componentes que iniciaram a Primeira – mescalina, psilocibina, LSD e DMT, como definido por Leary, Metzner e Alpert em “A Experiência Psicodélica” – mas via uma sopa de letrinhas de novos componentes, todos baseados na estrutura dos “clássicos” originais.
Para essas duas considerações sozinhas, a importância de Sasha para a cultura psicodélica moderna seria óbvia e sem comparações. Mas incrivelmente, pode haver mais do que é comumente conhecido, o que significa que a Cultura Psicodélica deve a Alexander Shulgin um débito ainda maior que nós jamais imaginamos. A história completa é algo assim:
Em um jantar de homenagem para os Shulgins em 2010 na conferência do MAPS em San Jose, CA, o químico underground Nick Sand (que tinha sido recentemente libertado da prisão) e a quem (juntamente com Tim Scully, que foi o químico de Owsley) é dado o crédito pela “invenção” do LSD Orange Sunshine, revelou que em 1966, depois que o LSD foi feito ilegal na Califórnia graças ao novo governador Ronald Reagan, os precursores necessários para produzir o LSD, nos métodos da época, e por um curto período de tempo o LSD desapareceu, de uma forma muito semelhante ao que ocorreria 24 anos depois em 2000, pareceu como se fosse um “fim do ácido”.
De acordo com o registro histórico, Sand e Scully começaram então a fabricar DOM (nome de rua: STP), uma feniletilamina psicodélica extraordinariamente potente inventada por Shulgin em 1964. Cinco mil “doses” desse novo componente foram dadas para o primeiro Human Be-In em São Francisco (14 de Janeiro de 1967), em um esforço para promover a nova droga como uma “substituta” ao LSD, mas aparentemente Sand e Scully desenvolveram uma tolerância ao DOM, e fizeram as dosagens muito altas. Isso combinado ao fato de que o início dos efeitos do DOM foi muito mais lenta que a do LSD, com muitas pessoas tomando uma segunda dose após uma hora de poucos efeitos, causando overdose em inúmero usuários e enviando os hippies para as salas de emergência. A imprensa logo demonizou o LSD informando que esse havia sido o componente responsável.
Talvez devido às consequências do desastre do Human Be-In, foi dado a Nick Sand e Tim Scully uma fórmula para um novo método de manufaturar LSD que contornou os problemas do antigo método; foi dito a eles que era de um “amigo”, um aliado que acreditava no que eles estavam fazendo, mas não podia ser revelado no momento. No jantar do MAPS em 2010, um uma revelação surpreendente que passou despercebida pela maioria da audiência e até onde eu saiba nunca havia sido informada, Nick Sand identificou o misterioso “amigo” como sendo Sasha.
Assumindo que isso seja verdade – e obviamente Nick Sand não teria nenhuma razão para inventar uma história como essa – isso significa que juntamente com a popularização do MDMA, e à invenção de literalmente centenas de substâncias psicodélicas e empatógenas que surgiram com regularidade crescente no século 21, Alexander Shulgin foi também o inventor do LSD Orange Sunshine, que é de longe o LSD mais fabricado dos anos 60 até agora (estima-se que o Orange Sunshine seja 75% de todo o LSD do mundo). Ou para colocar de outro modo, enquanto Albert Hofmann inventou o LSD, pode ser dito que graças a Sasha (e à bravura de Nick Sand, Tim Scully e a irmandade do Eternal Love) ele está disponível desde 1967!
Pelo que me lembro, Sasha ficou lá sentado com um brilho evidente em seus olhos e um sorriso perverso durante o testemunho de Nick como que dizendo, “O que eles podem fazer comigo agora!” Mas esse é o Alexander Shulgin clássico, olhando para uma platéia que o adorava, no que talvez foi uma das noites mais felizes de sua vida incrível, com a mesma mistura singular de humor e intelecto que o fez nosso único e especial Padrinho Psicodélico, e o arquiteto insubstituível da cultura psicodélica atual.
Viva os Psicodélicos!
BREVE HISTÓRIA DOS PSICODÉLICOS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Décadas após o LSD e o Ecstasy serem banidos, os terapeutas estão retomando seus trabalhos novamente com pesquisas de substâncias psicodélicas.
Via Mundo Cogumelo
Em 16 de novembro de 1938, Albert Hoffmann, um químico suíço, trabalhando na empresa Sandoz Pharmaceuticals, estava tentando criar um estimulante, quando no lugar desse, sintetizou dietilamida do ácido lisérgico (LSD). A substância foi testada em animais, mas não era a substância que a Sandoz estava esperando. Hoffmann deixou o LSD de lado durante cinco anos, até que ele retornou a trabalhar em cima da substância e acidentalmente absorveu uma pequena quantidade pela ponta dos dedos e experenciou uma mudança radical de consciência.
Após continuar experimentando, Hoffmann concluiu que a droga seria ideal para o uso psicoterapêutico, e a Sandoz começou enviando doses de LSD e outros psicodélicos, como a psilocibina, para clínicas e universidades pelo mundo. Uma década promissora de pesquisa começou, levando a um avanço no entendimento da neuroquímica do cérebro e como os terapeutas podem tratar doenças mentais. Em 1960, a Sandoz enviou psicodélicos para um psicólogo carismático de Harvard chamado Timothy Leary.
O resto é história. Dentro de uma década, o LSD se tornou ilegal em muitas partes do mundo, e a pesquisa psicodélica, apesar de seus antigos resultados promissores, foi fechada junto com a proibição.
Mas agora, 50 anos depois de o LSD ter sido banido, os psicodélicos estão retornando.
Pelo país, as pessoas estão se ligando e seus neurônios pegando fogo pela renascença psicodélica. Os engenheiros do Vale do Silício estão tomando microdoses de LSD no trabalho como uma alternativa ao Adderall. Organizações religiosas estão tendo seu uso de psicodélicos permitido pelas leis.
O mais importante, o FDA e o DEA estão aprovando estudo psicodélicos pela primeira vez em décadas, permitindo pesquisadores a examinar a eficácia dos psicodélicos em tratar pacientes com doenças mentais, de ansiedade e depressão o TEPT e vícios. Os resultados são, como um pesquisador disse: “surpreendentes”.
Que nem sempre foram.
VIAJANDO PELO TEMPO
Os anos que imediatamente seguiram a descoberta acidental de Hoffmann são geralmente conhecidos como “ A Era Dourada” de pesquisa psicodélica. Mais de 40.000 pacientes foram administrados com a terapia do LSD entre 1950 e 1965, e mais de mil artigos científicos foram publicados.
Embora muitos dos antigos estudantes de psiquiatrias que faziam uso do LSD não tenham encontrado métodos padrões de metodologia, no entanto produziram resultados promissores. Em estudos e mais estudos tratando a depressão, vícios, traumas emotivos e físicos, pesquisadores descobriram que o LSD se mostrou efetivo em casos onde outras drogas e terapias isoladas não obtiveram sucesso.
Humanos tem consumido substancias navegadoras da consciência por toda a história. Muitas produzem um estado alterado de consciência que geralmente é chamado de “experiência psicodélica”. Também pode incluir aumento nos sentidos e emoções; temor ou terror; a sensação de experienciar o nascimento, morte ou memória reprimidas, ou um senso de profundo entendimento sobra a natureza da nossa existência.
Muitos pesquisadores sentem que os benefícios terapêuticos dos psicodélicos são inegáveis. Mas a natureza imprevisível da experiência psicodélica e o estigma do uso recreacional da droga tem feito elas um problema médico do Ocidente.
Em 1960, o Doutor Timothy Leary começou o Harvard Psilocybin Project para estudar os efeitos da psilocibina encontrado em cogumelos mágicos. Ele foi despedido em 1962 depois de ter sido descoberto que ele estava dando psicodélicos para seus estudantes.
Leary começou a convocar jovens americanos a usar LSD. Na época de grandes agitações sociais, o “ácido” escapou do laboratório e encontrou seu caminho em ambientes improváveis como campus colegiais e show de rock. Histórias de terror surgiram das psicoses trazidas pelas “bad trips”. Jovens disseram aos seus pais que eles já não acreditavam mais em instituições da sociedade Americana, e certamente que não queriam lutar no Vietnam.
O LSD foi tornado ilegal nos Estados Unidos em 1966. O FDA desligou todas as pesquisas, a Sandoz parou de distribuir e a terapia psicodélica foi forçada a agir por baixo dos panos.
Alguns terapeutas psicodélicos continuavam fornecendo LSD para seus pacientes, mantendo práticas ilegais. Outros como Stanislav Grof, buscou métodos alternativos que poderiam trazer algo sobre a experiência psicodélica, como a Respiração Holotrópica.
Mas aí junto, surgiu o Ecstasy.
POTENCIAL TERAPÊUTICO DO MDMA
O MDMA foi primeiramente visto pela Marck Alemã no começo do século 20, mas levaria décadas antes de um humano tentar uma dose. Em 1976, um químico farmacêutico da DOW, Alexander Shulgin, descobriu os efeitos do MDMA após sintetizar um lote, testando 120 miligramas em si mesmo.
“Eu me senti absolutamente limpo por dentro e não havia nada, apenas pura euforia. Eu nunca tinha me sentido tão bem ou acreditado que isso era possível” Alexander Shulgin
Shulgin compartilhou isso com o terapeuta Leo Zeff de San Francisco, que estava conduzindo uma terapia psicodélica apesar do banimento. Zeff serviu como um salvador do MDMA, enviando doses para uma estimativa de 4.000 terapeutas que deram a substância para aproximadamente 200.000 pacientes nos anos 70 e começo dos anos 80.
Como antes com o LSD, o MDMA não se manteve em segredo por muito tempo. Seu efeito eufórico e estimulante o tornou a droga ideal para as festas. A grandiosa cena de musica rave e eletronica abraçou a substância, e logo histórias surgiram nos hospitais de pessoas com problemas após o uso. Então surgiu o primeiro estudo científico reportando os efeitos neurotóxicos do MDMA.
O FDA e o DEA não são fãs de uma crescente e popular droga que supostamente “derrete” o cérebro da juventude americana. Apesar dos protestos dos terapeutas que adquiriram documentação substancial dos benefícios terapêuticos do MDMA, ele foi banido. Classificado como droga SCHEDULE I(lista americana), foi considerado por não ter uso aceitável na medicina e uso potencial para abuso.
RESULTADOS PROMETIDOS
Hoje, pesquisadores devem limpar uma série de obstáculos para conseguir a aprovação oficial para estudos psicodélicos, mas nas últimas décadas o DEA e o FDA tem gradualmente permitido os estudos.
O estudo de 2006 no John Hopkin descobriu que os cogumelos mágicos podem induzir experiências do tipo místicas, tendo uma significância substancial, sustentada e espiritual no indivíduo. Um estudo de 2008 descobriu que 80% dos enfermos não mais foram qualificados com um diagnóstico de TEPT após uma sessão assistida de psicoterapia com MDMA. O primeiro estudo do LSD em décadas não estão achando nenhuma conexão entre a droga e doenças mentais, os pacientes descrevem benefícios do tratamento.
Em março de 2015, Rick Doblin da Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (MAPS) disse que espera que o MDMA esteja disponível para prescrição em 2021. Doblin tem sido um dos nomes mais importantes em estabelecer o MDMA, LSD e outros psicodélicos como ferramentas legítimas e efetivas na psicoterapia.
A MAPS produziu estudos demonstrando que em doses baixas, o MDMA é “suficientemente seguro”. Os estudos aprovados pelo FDA tem garantido que o uso do MDMA tem curado veteranos de guerra que retornaram do Iraque e Afeganistão, pacientes de câncer e pessoas lutando contra o vício e TEPT.
Pronto ou não, os psicodélicos estão vindo para as pessoas.
Foto: Último encontro entre Albert Hofmann e Timothy Leary na Suíça em 03/09/1971.
[UM RECEPTOR PARA O ÁCIDO]
Por Qiuyan Chen, and John J.G. Tesmer
The Life Sciences Institute
Departments of Pharmacology and Biological Chemistry
University of Michigan, Ann Arbor
Informações a cerca do estudo feito com a estrutura cristalina do LSD e sua ação sobre a serotonina, em específico o receptor 5HT2B, e como isto pode mudar a visão sobre o uso do mesmo como medicamento, especialmente com um análogo que não provoque os efeitos psicodélicos em pacientes que não queiram se submeter a tais efeitos. Boa leitura!
"Wacker et al. relatam a complexa estrutura cristalina do LSD com um de seus alvos principais no cérebro, o receptor 5-HT2B, a primeira estrutura desse tipo para qualquer droga psicodélica. Os resultados dos mecanismos moleculares subjacentes à sua capacidade de induzir alucinações com maior duração e potência que os compostos intimamente relacionados."
A dietilamida do ácido lisérgico (LSD), também conhecida como "ácido", é uma das mais potentes drogas psicodélicas. Em baixas dosagens de microgramas, o LSD pode causar alucinações (alteração da percepção, emoção e cognição), ou "viagens", que perduram até 15 horas. Albert Hofmann, foi o primeiro a sintetizar o LSD em 1938, mas seus efeitos psicodélicos foram descobertos apenas cinco anos depois, quando ele acidentalmente se expôs a uma quantidade de traços da molécula, resultando em uma "não-desagradável" condição, caracterizada por um "estimulo extremado da imaginação", junto com um fluxo ininterrupto de imagens". Mais tarde, ele confirmou que fez uma autoadministração de 250 microgramas de LSD, atualmente considerada uma dose pesada. Esta foi a primeira experiência intencional de ácido, em que parte foi uma viagem de bicicleta do laboratório à sua casa (Hofmann, 1979). O LSD ganhou popularidade no início dos anos 60, mas posteriormente foi regulado como uma substância do tipo I. A utilização do LSD ressurgiu no meio dos anos 90 nos Estados Unidos quando, de acordo com o monitoramento de um estudo futuro, mais ou menos 8,8% dos alunos da 12ª série relataram que usaram LSD
pelo menos uma vez. A percentagem diminuiu para 2% desde 2002, presumivelmente devido ao controle aumentado sobre os precursores do LSD (Johnston et al., 2016). O LSD voltou recentemente porque apresenta promessas para o tratamento de abuso de álcool, depressão e para aliviar a a ansiedade de pacientes que sofrem de doenças. Embora a droga tenha amplo espectro de receptores 'in vivo', acredita-se que ela exerça seus efeitos psicodélicos principalmente por ligação ao receptor de serotonina 5-HT2A (Titeler et al., 1988), um receptor acoplado ao receptor da proteína G. No entanto, os mecanismos subjacentes à seus efeitos psicodélicos permaneceram indescritíveis. Nesta edição de "Cell", Wacker et al. (2017), relatam a estrutura complexa e cristalina do LSD com o estreitamente relacionado
5-HT2B. O estudo estabelece que o LSD induz conformações e mudanças no receptor e que provavelmente sua atividade psicodélica lança luz sobre a base estrutural para a alta potência do LSD e a longa duração dos seus efeitos.
Uma pergunta intrigante no campo é por que o LSD leva à alucinação, enquanto quimicamente 5-hidroxitriptamina (5-HT) agonista do receptor não. O fenômeno de diferentes ligandos visando o mesmo receptor, mas levando a resultados funcionais, é conhecido como sinalização (Violin and Lefkowitz, 2007), ou seletividade funcional (Urban et al., 2007). A sinalização tendenciosa pode ocorrer se cada ligando estabiliza o receptor em uma única conformação, estado que envolve diferencialmente os parceiros de sinalização à jusante. No caso dos receptores 5-HT, os melhores parceiros á jusante são proteínas heterotriméricas G e proteínas de andaimes, conhecidas como arrestinas. O efeito psicodélico do LSD em relação a menor alucinogênese análogas com a lisergamida podem ser consequência do viés para o recrutamento da arrestina, como sugerido pelas ligações de 5-HT2A e 5-HT2B ligados ao LSD, que são 100 vezes mais eficiente no recrutamento da arrestina do que na ativação de proteínas G
(Wacker et al., 2013). Em Wacker et al. (2017), os autores sugerem que a estrutura do complexa do receptor 5-HT2B com o LSD exibe marcas de uma conformação envolida por arrestina devido à sua semelhança global com uma estrutura complexa do receptor 5-HT2B e com a ergotamina (Wacker et al., 2013), que é quase totalmente tendenciosa a ligar-se (mas não alucinógena porque não pode passar a barreira de sangue no cérebro). Os autores, no entanto, observam diferenças conformacionais significativas nas regiões extracelulares dos receptores que ligam-se ao LSD, que são provavelmente acoplados alostericamente às
Mudanças conformacionais no domínio intracelular responsável por envolver as proteínas G e arrestinas. A extensão dessas alterações alostéricas e como o local de ligação do ligando se acopla ao domínio intracelular continua a ser estudado, em parte porque a abordagem utilizada pela engenharia do receptor (e.g., introdução de uma mutação estabilizadora térmica e substituição de um ciclo intracelular com um domínio rígido) e por causa de possíveis efeitos na embalagem do cristal. Portanto, mudanças conformacionais do local de ligação ao LSD podem estar subjacente a algumas das suas mais interessantes propriedades.
Então, como e quando o LSD liga-se ao receptor? Como no caso do agonista endógeno 5-HT, o LSD contém uma triptamina mas também apresenta uma dietilamida substituinte conhecida como importante por suas propriedades psicodélicas. A triptamina se encontra na região agonista endógena (o sistema ortostérico de
bolso) e é ancorada através de uma ponte salina entre o seu azoto e um aspartato. O anel ergolina do sistema do LSD é ainda estabilizado por hidrofóbicas interações com o receptor testemunha. Curiosamente, o núcleo da triptamina do LSD é girado para cima no bolso relativo à de ergotamina, que tem um substituinte amida muito maior. A dietilamida do LSD liga-se com o seu etilo de uma forma estereospecífica reminiscente das pernas de um ciclista. Os autores passaram a mostrar, usando análogos, que se as "pernas" de etilo são limitadas em uma configuração oposta a observado no complexo, então acontece uma dramática perda de recrutamento de arrestina, mas não de acoplamento da proteína G. Estes achados são consistentes com um estudo anterior em que a configuração espacial da dietilamida mostrou-se importante para a sua potência em ratos (Nichols Et al., 2002). Juntos, os dados indicam que a ligação estereosseletiva do LSD para o receptor é crítico para a sua capacidade de recrutar preferencialmente a arrestina e, em última instância, por suas propriedades psicodélicas em animais.
O LSD - desencadeia uma viagem de ácido que dura de 6-15 horas, mesmo que sua folga do corpo seja muito mais rápida (em torno mais ou menos de cerca de 3,6 horas) (Dolder et al., 2015). Então, o que está por trás do efeito do LSD? Wacker et al. (2017) fornecem uma potencial explicação: um 'loop' extracelular do
HT2B (e provavelmente de HT2A) são como uma tampa que cobre o local de ligação ao ligando, retardando assim a dissociação do LSD do receptor. Resíduos na tampa interagem diretamente com o LSD, e perturbam esta interação por mutagênese dirigida ao local dos resultados 10 vezes mais rápido, numa taxa de proporção e, portanto, sendo 10 o tempo de residência mais curto do LSD. Notavelmente, um mutante que reduz interações entre a tampa e o LSD também atenua o recrutamento de ativação da proteína G com sinalização intacta, apoiando a idéia de que os contatos específicos entre a tampa e o LSD é crítico para estabilizar o receptor em um estado conformacional que promova os efeitos psicodélicos da droga.
Uma ressalva importante é que, embora o LSD promova preferencialmente o recrutamento de arrestina em relação aos compostos como a lisergamida, nem todas as drogas alucinógenas que atuam em receptores 5HT são necessariamente
dependentes da arrestina (Schmid et al., 2008). De fato, a 5-HT difere de análogos psicoativos intimamente relacionados à sua capacidade de recrutar β-arrestina 2 (Schmid e Bohn, 2010). Assim, as bases moleculares subjacentes a um processo complexo como a alucinação são suscetíveis de ser ligando, dependente do contexto, e o papel de prender-se no psicodélico mediado pelo LSD merece uma investigação mais aprofundada.
O trabalho relatado por Wacker et al. (2017) não deixa de ser importante, não só devido ao seu interesse histórico, mas também
porque fornece um roteiro para o uso racional de medicamentos mais desejáveis. Dentro do caso do LSD, isto implicaria a síntese
de variantes que mantêm o benefício terapêutico sem efeitos psicodélicos, mas permanecem a serem vistos se estes puderem verdadeiramente ser separados.
Continuando como eu havia proposto, com o intuito de compartilhar, informar e instruir novos Psiconautas à respeito do universo dos psicodélicos, suas substâncias análogas e também outras, além de assuntos também pertinentes à estados alterados de consciência e curiosidades em geral, estarei iniciando uma série de postagens oriundas do fin(d)ado [L-25] e outros. Parte deste conteúdo foi lido e revisado por mim, porém, vale salientar que em sua maioria, os posts foram redigidos por membros que, mesmo por vezes não tendo uma formação científica, eram dotados de entusiasmo na busca por conhecimentos à respeito deste mundo psicodélico, além ainda da demanda tempo e energia que empregavam para pesquisar e escrever sobre estes diversos assuntos que serão compartilhados aqui por mim.
Reservo-me ao direito de possíveis equívocos e opiniões relativas à respeito dos assuntos aqui tratados, me disponibilizando inteiramente no debate e na troca de informações através do bate-papo e dos comentários.
Quero a captura nas dimensões próximas do hd ou mesmo o site onde foi vinculado. Onde localizar essa informação, ou como encontrar essa foto original?
“Então me mostre…”
Recebi esse alerta da defesa civil estranhíssimo, alguém mais recebeu?