
ANOS 80: A NOSTALGIA MONETIZADA
ANOS 80: A NOSTALGIA MONETIZADA
Os gloriosos anos 80, a década de ouro que nunca terminou, perdurando até os dias de hoje com muita força com sua nostalgia cultural e transformações sociais e políticas.
A explosão dos gêneros musicais pop, rock e metal, o início do hip-hop, o uso dos sintetizadores e as tecnologias analógicas complementavam o cenário chamativo e marcante, com cabelos volumosos, muito jeans e neon.
Hoje em dia, remakes e reboots de filmes e séries dessa época (Top Gun, Cobra Kai, Stranger Things, Caça-Fantasmas), coleções de roupas retrô, ressurgimento dos vinis e fitas cassete, assim como comidas e produtos derivados com essa temática têm grande relevância no mercado atual.
As pessoas de meia-idade que viveram em sua infância e adolescência, ao relembrarem os saudosos momentos e objetos daquela época, transformam-nos em superiores, peneirando a realidade, permanecendo o que os alegram e reforçando, sem perceber, um revisionismo histórico. Entretanto, por trás de todo o glamour, jazia uma realidade dolorosa.
No Brasil, foi intitulada como "a década perdida" pela violência urbana crescente, o surgimento de epidemias, crise econômica, inflação altíssima e o final da ditadura militar. No mundo, a ascensão da AIDS, Guerra Fria, conflitos armados, explosão nuclear de Chernobyl, racismo institucional e discriminação do movimento LGBTQIA+.
Memórias são criadas e reforçadas através de fotos e vídeos, e a mídia com seus filmes e séries alimentam essa hiperrealidade, e é tão presente em nossa atualidade que essa imagem recriada, mais perfeita e reestilizada se torna mais real que a realidade.
O passado foi oficialmente cancelado. Através da memória seletiva, retornamos a um passado que nunca mais existirá, seguindo na tentativa constante dessa simulação, tão bem feita que faz até os mais jovens ficarem com saudades de algo que nunca se viveu.