ANOS 80: A NOSTALGIA MONETIZADA
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ANOS 80: A NOSTALGIA MONETIZADA

ANOS 80: A NOSTALGIA MONETIZADA

Os gloriosos anos 80, a década de ouro que nunca terminou, perdurando até os dias de hoje com muita força com sua nostalgia cultural e transformações sociais e políticas.

A explosão dos gêneros musicais pop, rock e metal, o início do hip-hop, o uso dos sintetizadores e as tecnologias analógicas complementavam o cenário chamativo e marcante, com cabelos volumosos, muito jeans e neon.

Hoje em dia, remakes e reboots de filmes e séries dessa época (Top Gun, Cobra Kai, Stranger Things, Caça-Fantasmas), coleções de roupas retrô, ressurgimento dos vinis e fitas cassete, assim como comidas e produtos derivados com essa temática têm grande relevância no mercado atual.

As pessoas de meia-idade que viveram em sua infância e adolescência, ao relembrarem os saudosos momentos e objetos daquela época, transformam-nos em superiores, peneirando a realidade, permanecendo o que os alegram e reforçando, sem perceber, um revisionismo histórico. Entretanto, por trás de todo o glamour, jazia uma realidade dolorosa.

No Brasil, foi intitulada como "a década perdida" pela violência urbana crescente, o surgimento de epidemias, crise econômica, inflação altíssima e o final da ditadura militar. No mundo, a ascensão da AIDS, Guerra Fria, conflitos armados, explosão nuclear de Chernobyl, racismo institucional e discriminação do movimento LGBTQIA+.

Memórias são criadas e reforçadas através de fotos e vídeos, e a mídia com seus filmes e séries alimentam essa hiperrealidade, e é tão presente em nossa atualidade que essa imagem recriada, mais perfeita e reestilizada se torna mais real que a realidade.

O passado foi oficialmente cancelado. Através da memória seletiva, retornamos a um passado que nunca mais existirá, seguindo na tentativa constante dessa simulação, tão bem feita que faz até os mais jovens ficarem com saudades de algo que nunca se viveu.

u/rcoli7 — 1 day ago
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ANATOMIA DO PODER: A NUDEZ DO EGO MASCULINO

ANATOMIA DO PODER: A NUDEZ DO EGO MASCULINO

O olhar masculino está estruturado na sétima arte, enraizado com sua postura hegemônica, dita convenções e naturaliza comportamentos.

Emoldurado de hipocrisia e moralismo, romantiza exageros prejudiciais tanto para os homens quanto para as mulheres, exalando força física, dominação e repressão emocional.

Atrofiado em seu próprio ego, o conceito hétero normativo vai de encontro com um olhar crítico opositivo, questionador dessa fisiologia que, na tentativa de desconstruir esse pensamento, busca por igualdade entre os gêneros.

A normalização da sexualização das mulheres, seja em poses sensuais em posteres ou cenas de nudez em geral, chega a ser asqueroso, por ir além da arte, além do que a situação naquele contexto pede, mas porque simplesmente podem.

Vulgarizar o corpo da mulher com cenas de sexo, explorando o feminino desnecessariamente a fim de atrair público e aumentar vendas, evidencia como essa forte conduta é não só dominante, mas sufocante.

Quando por uma lente feminina, raramente vemos essas práticas acontecerem, e quando vemos, percebe-se que, na maioria das vezes, é mais pelo viés comercial do que pela proposta narrativa.

O fim dessa sobrepujante hegemonia não virá apenas de quem está atrás das câmeras, mas também do espectador se recusando a validar esse conceito de poder fantasiado de entretenimento, quebrando o capital erótico, conseguindo enxergar o humano ali presente.

Desconstruir essa estrutura é mais do que um ato de crítica cinematográfica, é ir além de um espelho do ego masculino, é um ato de libertação. Ganhando assim, finalmente, a chance de ser uma obra que nos permite ver o mundo não como ele é imposto, mas como ele poderia ser.

Sem transformar a dignidade em lucro e sem subjugar corpos, uma arte que dispensa a opressão para se vender pode até não lotar salas de cinema, mas jamais se esvazia de sentido, pelo contrário, ela se preenche tanto de si que transborda para o público.

u/rcoli7 — 2 days ago
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UMA REFLEXÃO SOBRE CRIAÇÃO E CRIATIVIDADE

A LINGUAGEM DO COSMOS

Sob o céu estrelado, a imensidão do universo nos abraça. Orbitamos o vazio em um frágil planeta azul, cercados por infinitas formas de vida, incluindo eu e você. Feitos de água, minerais e habitados por trilhões de seres microscópicos, não somos apenas indivíduos isolados. Somos, antes de tudo, um ecossistema caminhante.

​A realidade, porém, nunca é igual para cada um de nós. Nossos sentidos traduzem o mundo de um jeito único, mostrando que somos muito mais que um corpo biológico. Somos a soma do que lembramos, sentimos e imaginamos: uma mente tentando entender a própria engrenagem.

Bilhões de neurônios transformam tudo isso em pensamentos. A luz revela formas, o som vibra, o tato percebe as forças ao redor. E, no silêncio de quem percebe tudo isso, existe um “eu” sem voz que apenas observa: é a nossa consciência contemplando o espetáculo da vida.

​Além das células e das emoções, existe o grande mistério de estar vivo. Nossa consciência se expande quando percebemos de onde viemos. Os mesmos elementos químicos que constituem nossos ossos nasceram no interior das estrelas. Somos o universo organizado que consegue contemplar a própria imensidão.

​Nessa grande teia, a separação entre criador e criatura desaparece. Tudo participa de uma mesma força, e nós somos a extensão dela. Deus não seria um arquiteto distante, mas a própria realidade que se manifesta na natureza, na matéria e nas leis que regem o universo. Não estamos diante do divino, estamos mergulhados nele.

​É essa força que nos faz querer criar. Ao expandir nossa percepção, ultrapassamos os limites daquilo que conseguimos explicar. A arte nasce quando esse sentimento profundo encontra um jeito de respirar fora de nós: uma imagem, uma palavra, uma música, um gesto. Quando a alma toca a matéria, acontece a verdadeira alquimia.

​O universo gerou estrelas, planetas e consciência. Agora, através de nós, ele cria significado. Dentro de cada pessoa mora um artista capaz de traduzir o invisível. Afinal, não criamos a partir do nada, somos apenas o universo compondo, através de nós, na linguagem que encontrou para falar de si mesmo.

u/rcoli7 — 7 days ago

UMA REFLEXÃO SOBRE CRIAÇÃO E CRIATIVIDADE

A LINGUAGEM DO COSMOS

Sob o céu estrelado, a imensidão do universo nos abraça. Orbitamos o vazio em um frágil planeta azul, cercados por infinitas formas de vida, incluindo eu e você. Feitos de água, minerais e habitados por trilhões de seres microscópicos, não somos apenas indivíduos isolados. Somos, antes de tudo, um ecossistema caminhante.

​A realidade, porém, nunca é igual para cada um de nós. Nossos sentidos traduzem o mundo de um jeito único, mostrando que somos muito mais que um corpo biológico. Somos a soma do que lembramos, sentimos e imaginamos: uma mente tentando entender a própria engrenagem.

Bilhões de neurônios transformam tudo isso em pensamentos. A luz revela formas, o som vibra, o tato percebe as forças ao redor. E, no silêncio de quem percebe tudo isso, existe um “eu” sem voz que apenas observa: é a nossa consciência contemplando o espetáculo da vida.

​Além das células e das emoções, existe o grande mistério de estar vivo. Nossa consciência se expande quando percebemos de onde viemos. Os mesmos elementos químicos que constituem nossos ossos nasceram no interior das estrelas. Somos o universo organizado que consegue contemplar a própria imensidão.

​Nessa grande teia, a separação entre criador e criatura desaparece. Tudo participa de uma mesma força, e nós somos a extensão dela. Deus não seria um arquiteto distante, mas a própria realidade que se manifesta na natureza, na matéria e nas leis que regem o universo. Não estamos diante do divino, estamos mergulhados nele.

​É essa força que nos faz querer criar. Ao expandir nossa percepção, ultrapassamos os limites daquilo que conseguimos explicar. A arte nasce quando esse sentimento profundo encontra um jeito de respirar fora de nós: uma imagem, uma palavra, uma música, um gesto. Quando a alma toca a matéria, acontece a verdadeira alquimia.

​O universo gerou estrelas, planetas e consciência. Agora, através de nós, ele cria significado. Dentro de cada pessoa mora um artista capaz de traduzir o invisível. Afinal, não criamos a partir do nada, somos apenas o universo compondo, através de nós, na linguagem que encontrou para falar de si mesmo.

reddit.com
u/rcoli7 — 7 days ago

O CINEMA E O FIM DO ESPECTADOR

​O CINEMA E O FIM DO ESPECTADOR

​Dentro da sala escura, os dilemas contemporâneos parecem condensados. O comportamento atual no cinema revela muito sobre nossa época. A aparente falta de educação não é o problema em si, mas o sintoma de uma transformação mais profunda.

​É cada vez mais comum vermos indivíduos fotografando a tela, filmando trechos, conversando alto ou chutando a poltrona da frente. Esses gestos revelam uma mesma incapacidade: deixar de ser o centro da experiência. Perde-se o senso de comunidade, como se a liberdade individual autorizasse o apagamento do coletivo.

​A sala escura sempre foi o lugar onde o indivíduo desaparecia para a obra existir. Hoje, o filme deixa de ser protagonista para que o espectador ocupe esse lugar. O cinema exige o esquecimento de si, mas as notificações dos celulares insistem na lembrança constante, sabotando nossa ausência.

​Quando fotografam, o registro vale mais que a memória. Quando conversam, sua voz importa mais que o coletivo. Já não transformamos experiências em memória, mas em conteúdo. Não mais vividas, mas exibidas. Atos performáticos. Carência por atenção. Desejo de aprovação. Necessidade de pertencimento.

​Nessa mudança antropológica, o espectador não busca a obra, mas a própria imagem refletida nela. O sujeito perde a capacidade de se valorizar e pergunta "como me enxergam?" em vez de "quem sou eu?". Busca identidade no reconhecimento, confundindo dependência com liberdade.

​Não agem assim porque querem, mas porque não conseguem mais deixar de ser percebidos. Tornaram-se escravos da validação. Quanto mais precisam dessa liberdade, menos livres são.

​A maior pobreza contemporânea não é financeira, é não conseguir viver algo sem testemunhas. O maior medo não é a solidão, é a invisibilidade. A tecnologia prometeu eternizar momentos, mas reduziu nossa capacidade de habitá-los. O cinema talvez seja o último refúgio que exija um gesto revolucionário: desaparecer.

reddit.com
u/rcoli7 — 8 days ago
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O CINEMA E O FIM DO ESPECTADOR

​O CINEMA E O FIM DO ESPECTADOR

​Dentro da sala escura, os dilemas contemporâneos parecem condensados. O comportamento atual no cinema revela muito sobre nossa época. A aparente falta de educação não é o problema em si, mas o sintoma de uma transformação mais profunda.

​É cada vez mais comum vermos indivíduos fotografando a tela, filmando trechos, conversando alto ou chutando a poltrona da frente. Esses gestos revelam uma mesma incapacidade: deixar de ser o centro da experiência. Perde-se o senso de comunidade, como se a liberdade individual autorizasse o apagamento do coletivo.

​A sala escura sempre foi o lugar onde o indivíduo desaparecia para a obra existir. Hoje, o filme deixa de ser protagonista para que o espectador ocupe esse lugar. O cinema exige o esquecimento de si, mas as notificações dos celulares insistem na lembrança constante, sabotando nossa ausência.

​Quando fotografam, o registro vale mais que a memória. Quando conversam, sua voz importa mais que o coletivo. Já não transformamos experiências em memória, mas em conteúdo. Não mais vividas, mas exibidas. Atos performáticos. Carência por atenção. Desejo de aprovação. Necessidade de pertencimento.

​Nessa mudança antropológica, o espectador não busca a obra, mas a própria imagem refletida nela. O sujeito perde a capacidade de se valorizar e pergunta "como me enxergam?" em vez de "quem sou eu?". Busca identidade no reconhecimento, confundindo dependência com liberdade.

​Não agem assim porque querem, mas porque não conseguem mais deixar de ser percebidos. Tornaram-se escravos da validação. Quanto mais precisam dessa liberdade, menos livres são.

​A maior pobreza contemporânea não é financeira, é não conseguir viver algo sem testemunhas. O maior medo não é a solidão, é a invisibilidade. A tecnologia prometeu eternizar momentos, mas reduziu nossa capacidade de habitá-los. O cinema talvez seja o último refúgio que exija um gesto revolucionário: desaparecer.

u/rcoli7 — 8 days ago
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ENSAIO: A Odisseia

A ODISSEIA parece uma aventura marítima, mas a verdadeira jornada não é geográfica, é em seu interior, pois não se trata do tempo que passa, mas do tempo que transforma.

A ilusão da invencibilidade dá lugar ao narcisismo, à impulsividade e à inteligência desprovida de humildade. Logo, a cobiça e a desconfiança se impõem, até que o conforto anestesia e as distrações fazem Odisseu esquecer quem é.

Os monstros dessa jornada escondem dilemas profundamente humanos. Entre a recusa da morte, fuga da realidade e a eternidade sem sentido, atravessa desejos e tentações que não criam um novo homem, mas revelam quem ele sempre foi.

Sem escolhas perfeitas, as consequências o ajoelham, revelando que a ética é minimizar perdas. Com a ilusão de controle destruída pelo sofrimento, velhas certezas são arrancadas pela tempestade, pedaço por pedaço, cedendo lugar à necessidade de sobrevivência. Assim, humilde e paciente diante da morte, ele forja sua maturidade.

A ilha que um dia foi seu lar já não é apenas uma porção de terra. Depois das fúrias dos deuses, dos monstros indomáveis e de tanto sofrimento, Ítaca deixa de ser um lugar para se tornar essência, identidade, uma busca não mais física, mas psicológica. Talvez ela nunca tenha sido uma ilha, mas a versão de si mesmo que resta depois da travessia.

Depois do luto, das perdas, dos amores e da ansiedade, ainda somos os mesmos que saíram de casa? Nenhuma experiência termina sem nos modificar. Somos feitos das histórias que vivemos e das memórias que escolhemos preservar.

A jornada não cria uma nova identidade do nada, ela revela, testa, lapida e corrige aquilo que já estava latente. A grande ironia é que o objetivo nunca foi apenas voltar para casa, era descobrir quem seria o homem que retornaria a Ítaca. Porque talvez a sua essência nunca tenha estado na matéria, mas na continuidade da história que contamos sobre nós mesmos.

u/rcoli7 — 13 days ago
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ENSAIO: Backrooms: Um Não-Lugar

O maior medo humano talvez não seja o encontro com o desconhecido, mas com o idêntico. Ver um rosto terrivelmente parecido com o seu, porém sinistramente alterado. Um mau presságio, a encarnação do pavor, o lado oculto da personalidade: BACKROOMS: UM NÃO LUGAR.

Esse duplo que entra em cena não é mero avatar, é o reflexo de uma vida performática. Trata-se da autorrepresentação que dá à luz uma persona nascida na crise, habitando as sombras do espelho mental que alimentamos diariamente.

Em meio à epidemia do cinismo, quanto mais nutrimos essa projeção, mais a nossa cópia sofre uma dismorfia. Um outro corpo, que antes apenas representava nossas ações, passa a agir em nosso nome, tornando-se mais real que a própria realidade. Ele não nos copia, ele nos substitui.

​Aqui, as Backrooms deixam de ser um cenário e passam a atuar como um organismo. Operando nos bastidores do mundo palpável, esse não-lugar é forjado por ideias fragmentadas. Aparenta ser um erro no sistema físico, mas logo se materializa como o subconsciente coletivo.

Ao absorver memórias, o ambiente recria espaços, mas também revive traumas e angústias, traduzindo o aprisionamento emocional em absoluta solidão. Os monstros que ali habitam assumem formas imperfeitas, eles aprendem como somos e nos devolvem uma versão corrompida de nós mesmos.

Esses doppelgängers representam tudo aquilo que continuou pulsando depois que deixamos fragmentos de nós pelo caminho. Despidos de ego, no subsolo da alma, fazem o terror existencial se perder em um labirinto moral. A projeção da mente e a perda de controle tomam conta, intensificando a angústia diante do absurdo.

​O que essa versão de mim mesmo revelaria sobre o que passo a vida tentando esconder? Até que ponto a identidade que chamo de "eu" é genuína, e não apenas uma casca que construí para que os outros aceitem? Talvez essas aberrações nunca tenham desejado nos matar, elas apenas buscavam devolver aquilo que, em algum momento, abandonamos para conseguir existir.

u/rcoli7 — 15 days ago