A carreira acadêmica é aristocrática. Aceite a realidade

Max Weber, na conferência "A Ciência como Vocação", que ele publicou em 1919, mostrava como a carreira científica daquele tempo era explicitamente voltada para quem tinha meios de viver sem necessidade de renda.

Naquele tempo, o recém-habilitado (na Alemanha, tem um segundo doutorado, a Habilitação), quando aprovada a defesa, ingressava como privatdozent, professor universitário sem salário regular, podendo receber apenas taxas universitárias dos alunos que se matriculavam em seus cursos, que, evidentemente, era uma remuneração muito inferior ao necessário para ter uma vida de classe média naquele tempo. Não havia salário regular. Desses privatdozents, se conseguisse ser bem relacionado e ter sorte, um percentual relativamente pequeno se transformava em professor ordinário, com salário fixo.

Dizia Max Weber que lhe era dito explicitamente que a pesquisa é a busca desinteressada da ciência e que, para quem entrava nesse microcosmo, o comércio e as carreiras práticas eram consideradas inferiores. Se você não é rentista rico, não tem o que fazer aqui.

Qual a diferença entre a carreira acadêmica no Brasil em 2026 e na Alemanha de 1919?

Resposta: nenhuma.

Demora-se muito tempo para se formar, com bolsas relativamente baixas, e depois, tem uma longa espera por abrir uma vaga numa universidade e a maioria fica pelo caminho.

Sim, a carreira acadêmica é aristocrática. É feita para gente que tem meios de se sustentar sem depender de salário. A única diferença é que isso era explícito há 100 anos atrás e hoje se mente com argumento de "meritocracia".

Há chance de isso mudar? Olhe os presidenciáveis e me diga se, quando eles se sentarem na cadeira, vão ser melhores do que o que temos. Não cabe aqui falar de política, mas teremos décadas de governo abertamente conservador e anti-intelectual.

Mais ainda para grupos menorizados desfavorecidos. Se já vive na precariedade, tem menos motivo ainda para tentar uma carreira aristocrática. Nesse sentido, a cota no ingresso é um engodo: se você veio de uma origem precária, vai defender e retornar para a mesma situação de onde veio.

Pessoalmente, entrei no mestrado e desisti em 2010, quando já via, na minha área, recém-doutores que ficavam 1, 2, 4 anos esperando uma vaga. Isso no auge do REUNI.

É pessimista? Sim, é, mas consegui resistir à pressão familiar e não ir adiante e hoje estou em situação profissional melhor do que se tivesse continuado.

O que acham? Estou enganado.

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u/Fearless-Key8225 — 3 days ago

O fato de a esquerda utilizar o STF como protetor das suas pautas vai ser um tiro pela culatra

É inegável que o STF está em conflito direto com a direita. Existe uma diferença entre declarar excepcionalmente a inconstitucionalidade de uma lei e o campo da direita, a todo momento, promulgar leis e elas serem derrubadas pelo controle de constitucionalidade ou o STF agir como legislador positivo.

Exemplos dessas leis: marco legal das terras indígenas, cotas para negros na Universidade Estadual de Santa Catarina, retroatividade da PIS-Cofins, planos municipais de educação referente a educação de gênero, operações policiais em favelas e assim por diante. Também cria legislação no lugar do Congresso, como fez no caso da homofobia ou nos aluguéis na pandemia. O STF está agindo com frequência contra um lado da política, como se fosse o árbitro a favor do lado oposto. Isso ia ser evidente: o Lula ficou muito tempo e nomeou muitos ministros e óbvio que eles vão defender o governo, ainda que, teoricamente, não sejam obrigados a isso.

Onde eu quero chegar? Que, se a esquerda quer usar o tribunal como guarda das pautas que não consegue consenso social ou lidar com o Congresso, mais cedo ou mais tarde, essa proteção é frágil e cairá com o tempo. Basta 4 mandatos de direita para nomear ministros diferente e o retrocesso vir.

Sim, não tenho dúvida que, em 2050, as cotas serão revogadas e o marco das terras indígenas vai ser implementadas e o STF, com nova composição, vai aprovar. Isso porque há militância forte da direita nessas questões, aceitação legislativa (como ocorreu em Santa Catarina) e as pautas estão sendo represadas pelo tribunal. Caiu a represa, elas serão promulgadas. Isso só não vai acontecer se essas políticas tiverem um consenso social muito diferente do atual;

Esquerda, consiga consenso social e passe no legislativo e faça a sua lição de casa. Faça articulação Depender do tribunal é frágil.

Eu entendi o motivo de seguir o caminho do ativismo judicial: é mais fácil, basta o Lula nomear ministros, mas também mais frágil. E, sim, retrocessos aconteceram, veja o que a Suprema Corte nos EUA fez com a questão do aborto.

O que me dizem?

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u/Fearless-Key8225 — 4 days ago

O identitarismo morre em 30 anos.

O identitarismo: a ideologia e feixe de políticas que foca no combate ao preconceito de gênero, raça e deficiência, baseados na interseccionalidade e que se implementa por meio de políticas públicas polêmicas e divisivas, como cotas, controle do discurso e micropolíticas de baixa aceitação social (como banheiros e atletas travestis) não tem sustentação social de longo prazo. Qualquer oportunidade de um ciclo político conservador, elas revertem.

Os principais motivos são a falta de consenso social e o artificialismo.

A proposta de políticas identitárias se deu por ONGs como Fundação Ford e Soros, partidos políticos de baixa representação social, como Rede e PSOL e intelectuais que copiaram o discurso ideológico dos EUA. Elas nunca atingiram capilaridade dentro da sociedade ou consenso social.

Como se sabe que não tem consenso social? Porque políticos que centralizam seu discurso nessas pautas jamais conseguem ter voto para cargos majoritários, o que indicam o baixo suporte social. Erika jamais será senadora ou terá cargo relevante no Executivo. Pelo contrário: a partir de 2030, o PSOL vai cair na cláusula de barreira.

Por outro lado, você consegue criar capital político se opondo a elas. Diga que vai revogar cotas ou que vai fazer leis obrigando a utilizar o banheiro do sexo biológico original e vc consegue gerar votos a seu favor. Existem países que têm ações afirmativas mais agressivas? Sim, na Índia e África do Sul. Mas, lá, é o contrário: se opor a elas tira voto. Aqui, se opor a elas dá voto.

Olhe o seu cotidiano e me diga se existe reparação histórica, ataque ao privilégio branco ou outra categoria do discurso identitário na vida real. Quer um exemplo simples? Que tal o seu condomínio cobrar menos de moradores de grupos menorizados para reparar o preconceito e mais dos outros? O seu vizinho negão pagar menos. Não é a "reparação histórica"? Se não tem, é que a sociedade não dá a mínima.

Finalmente, tais políticas são sustentadas em constante repressão estrita do STF e na invenção autônoma (sem base legal) de crimes, como a homofobia. O defensor dessas políticas pode dizer: é para chorar de STF autoritário.

Uma coisa é o STF derrubar uma lei por ser inconstitucional. Outra coisa é o Congresso Nacional e os legislativos estaduais ficarem toda hora promulgando leis numa mesma direção, como ocorre com matérias como cotas, educação de gênero, banheiros e matérias correlatas e o STF ir derrubando. Isso é uma sinalização: há um confronto direto da opinião majoritária com o tribunal. E, no longo prazo, é o governo que vai nomear os ministros. O que me leva ao próximo ponto.

O que está sendo ignorado no debate é: no longo prazo, o STF vai mudar e, se você colocar governos conservadores fortes, eles podem criar vagas, nomear ministros com orientação diferente ou até mesmo mudar essencialmente a constituição. Nem preciso falar que o debate jurídico intelectual é pendular.

O último ponto é que um governo conservador vai fazer uma batalha infralegal contra o identitarismo. Estou falando de assuntos que não têm visibilidade: decretos para nomeação de cargos em comissão, editais para projetos culturais e eliminação de cargos com essas pautas. Isso existe com força em estados mais conservadores e ainda não entrou no governo federal porque, desde 2002, o Brasil não conseguiu ficar por um período longo sem o lulopetismo. Um Brasil com 10 anos sem o Partido do Trabalhadores não vai ter cota para cargos federais em comissão, secretarias de questões raciais ou editais de projetos culturais com corte identitário, que são medidas que dependem apenas de decreto.

Assim, o identitarismo, por não ser uma pauta que mobiliza a sociedade e cria apoio de larga escala, pelo contrário, o sujeito que diz que é contra se elege com mais facilidade do que o que se diz a favor, e que se baseia somente em artificialismo, não resiste a uma mudança do STF ou a um longo ciclo conservador de décadas. Já aconteceu retorno ao estado anterior na política? Sim, veja as questões do aborto e das ações afirmativas nos EUA. Se o conservadorismo for disciplinado, no longo prazo ele vence.

O que acham?

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u/Fearless-Key8225 — 4 days ago

Se houver novos golpes e ditaduras, elas serão eternas.

Na década de 1980, a América Latina, incluindo o Brasil, deram fim aos seus ciclos autoritários. Na maioria dos casos, foi pela própria boa vontade dos ditadores e não por um movimento de luta em larga escala.

Mas a América Latina não é de confiança e nada impede que uma crise severa coloque o mundo num novo ciclo de ditaduras nas próximas décadas. O argumento que quero lançar aqui é, que se novas ditaduras se estabelecerem, elas serão brutais e vão durar por muito mais tempo, pelas seguintes razões.

Direitos humanos e o paradoxo

Hoje, um ex-ditador pode ser julgado e levado à prisão por violações de direitos humanos em tribunais internacionais ou mesmo em comissões da verdade décadas depois que o regime acabou. O exemplo mais evidente foi a Argentina. O último regime militar argentino acabou em 1983, mas o ex-ditador Rafael Videla foi julgado e condenado à prisão perpétua em 2010.

Houve punição pelas atrocidades do regime? Houve. Mas os ditadores olham isso e pensam que há um risco elevado de serem punidos daqui a 20 anos e, por isso, têm toda motivação para se eternizarem infinitamente no poder. Antes, o ditador saía porque, quando a coisa estava complicada, ele sumia para uma aposentadoria e o sistema voltava à normalidade. Agora, não. Existe real consequência longa e incerta por violar os direitos humanos. Ou seja, o ditador vai permanecer no poder infinitamente porque sabe que, se ele sair, ele vai responder e nunca sabe quando irá ocorrer.

É o paradoxo do sistema internacional de direitos humanos. Punir violadores causa o efeito oposto ao pretendido: um regime mais agressivo e que viola ainda mais para permencer no poder a qualquer custo.

Crédito social e ferramentas eletrônicas

Pelo sistema de crédito social chinês, vc consegue criar extraordinária insegurança jurídica na vida cotidiana: sabe que, se o score cair, vai ficar sem movimentar conta em banco. E os sistemas de pagamento estão vinculados às redes sociais, como acontece com o WeChat e o WeChatPay.

Quem vai fazer ativismo quando existe um controle extremo e incerto sobre o seu dinheiro? Escreve no we chat: o ditador _______ é ladrão. Isso leva à resignação e ao fim dos protestos.

Tecnologias vão do mais avançado ao mais atrasado à medida que barateiam e temos modelos mais novos. Em quanto tempo um ditador latino-americano vai criar uma versão do we chat?

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u/Fearless-Key8225 — 18 days ago
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A geração seguinte estudará menos.

Como o Brasil teve uma expansão muito forte do ensino superior com a longa administração lulo-petista, a economia permaneceu estagnada e o estudo não resultou em ascensão profissional para a maioria, mais cedo ou mais tarde, vai ficar público que, do ponto de vista agregado, a maioria não vai ter a ascensão social pela escola.

Existe em teoria dos jogos um conceito da falácia da composição: se todos fazem uma coisa que individualmente melhora a situação, no final das contas, a maioria voltará à média da pirâmide profissional, como se ninguém tivesse feito. Estudar num país que a maioria dos trabalhos paga um salário ruim vai melhorar a sua vida, mas, se todos estudarem e a pirâmide salarial se mantém, apenas teremos pessoas qualificadas no salário lixo. Se muitos estudarem engenharia e o uber abre mais vagas do que empresas precisando de engenheiro.......

Ou seja, no agregado, mais gente não terá a vantagem do diploma e acabará ensinando a seu filho a não estudar ou estudar menos. O crescimento do ensino superior baterá num ponto de equilíbrio e aí irá para baixo.

Pensa assim: tinha 100 formados em 2000 e o diploma assegurava vantagem profissional extrema. Subiu para 900 e voltou para 450.

Mas vc só vê mais gente se formando? Veja esse exemplo dos doutorados: o Brasil hoje forma 12% menos doutores do que em 2019.

Isso se expandirá.

Um segundo aspecto será a crise de financiamento: desde o impeachment, o financiamento do nível superior público está estagnada ou decrescente. Um período longo sem Lula não vai resultar em destruição direta da universidade, mas um longo e silencioso período de queda do orçamento cujo resultado só é visível depois de 30 anos, quando as bolsas diminuem ou não são oferecidas e os atuais professores se aposentam e não são substituídos. Não tenho os dados aqui do ProUni, mas imagino que uma canetada diminuindo orçamento ano após ano, sem alarde em redes sociais, vai reduzir bastante o acesso ao nível superior privado.

u/Fearless-Key8225 — 22 days ago

Era mais fácil nos anos 80/90?

E no passado? Era mais fácil chegar a professor universitário de pesquisa?

Alguém tem alguma informação de como funcionava a carreira acadêmica antes da administração do Lula?

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u/Fearless-Key8225 — 25 days ago

A esquerda vai dominar o ensino de humanas para sempre

Texto de um post que encontrei de um Doutor em Letras, os quais procurei tirar a identidade do autor:

"Sou doutor em Letras. Fiz uma carreira acadêmica muito boa até o doutorado. Sempre estive entre os melhores alunos da graduação e das turmas da pós. Estive no círculo de grandes professores do país. Fiz IC, publiquei desde cedo, fui bolsista de mestrado e doutorado. Fiz meus trabalhos com desenvoltura. Eu me esforcei muito. Confesso que cheguei a perder o amor da minha vida nessa de construir carreira acadêmica. Perdi tempo de qualidade com meus pais. Por sorte, eles ainda estão vivos, e esse tempo eu poderei recuperar. Não existem mais faculdades particulares como outrora. E as poucas que existem já têm o seu corpo docente definido. Nunca consegui ser contratado em uma faculdade particular. Também nunca consegui passar no concurso de universidade pública. Eles querem você até o doutorado. Depois, os concursos são todos subjetivos e estranhos, o melhor não é aprovado, mas acontece sorte e favorecimentos. Nem sempre eu fui o melhor. Mas já vi o melhor ser preterido. Fiz mais de 8 concursos. Meu dinheiro e paciência acabaram. Também não abriu IFs na minha região. Somente em campus longínquos. Trabalho na Educação Básica. Como vários outros professores, sofro perseguição da direção e achincalhe dos alunos. Tomei um soco de um aluno há dois meses e pedi afastamento. Também abri processo contra a Secretaria de Educação. É isso. Depois de dez anos, eu desisto. Recebi uma pequena grana e vou viver de vendas e outras coisas práticas de um empreendimento de meu irmão. Serei um doutor vendedor de loja. O Brasil jogará a nossa geração no lixo. Não há nada que podemos fazer"

Como se vê, a carreira acadêmica no Brasil é terrível. Um sacrifício demorado e extremo pela oportunidade limitadíssima de estar no ensino superior.

Hoje, a academia brasileira em ciências humanas (Letras, Sociologia, História, Geografia etc) que lidera a militância de esquerda são dos professores que entraram nos anos 1980 e 1990, ingressaram no PT naquela época, têm rede de relacionamentos com ONGs internacionais e ocupa cargos quando o governo de esquerda está no poder.

Mas eles começaram nesses centros universitários de alto nível em uma geração totalmente diferente e hoje eles têm um papel desproporcional no debate público.

Mas aí eu pergunto: a carreira acadêmica tem esses custos e sacrifícios extraordinários e a maioria dos doutores está no limbo sem ocupação definida.

Quem quer sofrer isso, não importa o espectro político? Quem tem capacidade intelectual para passar por essa escada acadêmica no mínimo tem capacidade intelectual de passar num concurso meia boca ou ir para empregos melhores. Mas, como, nos anos 1990, como a direita não existia e não ocupou esse espaço, ele está fechado para todos.

Para a direita, existe o problema mais grave: como a seleção é extrema e muito subjetiva, é muito fácil simplesmente cortar se aparecer alguém com formação acadêmica de alto nível e que seja militante igual.

Ou seja, devido ao fechamento do mercado acadêmico, a direita não vai produzir conhecimento de alto nível nas universidades públicas.

O mistério é saber por que razão alguém de esquerda se dispõe ao masoquismo.

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u/Fearless-Key8225 — 1 month ago

País pobre não tem futuro se tiver preocupações abstratas de país rico

Como Renan Santos está dizendo (o post dele é ilustração do pensamento e não um pedido de votos para a Missão), o Brasil é um país pobre. Embora ele não diga, é fato que temos renda por habitante menor que Botsuana, Panamá, Costa Rica, Chile, Argentina etc.

O país pobre falta tudo e tem tudo para ser construído. Faltam estradas, petróleo na Bacia Amazônica, portos, aeroportos, hospitais etc. Um país pobre precisa construir o que não tem. Esse é o fundamental. E, por isso, questões relativas a obras como meio ambiente, terras indígenas, impactos em áreas quilombolas e outras não podem ser menosprezadas, mas a obra é prioridade.

O desenvolvimento da infraestrutura é prioridade e os impactos e os impactos devem ser considerados e minimizados, mas não se pode usar essas questões para impossibilitar ou torná-las muito onerosas.

Porém, como temos aqui ONGs e uma elite que considera demais os custos sociais e ambientais das obras, muitas delas não saem. É um tipo de pensamento que vinga em país maduro que as estradas são um tapete e tudo está construído e pronto, mas esse imaginário é insano num país que tem pouco e tem tudo para construir.

O Brasil tem essa cultura fora do lugar de priorizar preocupações abstratas que só existem em lugares maduros e que têm estabilidade e não consegue resolver os problemas concretos. Isso está na infraestrutura e também em trocentos aspectos da vida brasileira.

Não temos segurança pública, mas temos uma Lei de Execuções Penais que solta muito cedo por causa da ideologia abstrata do desencarceramento. Temos uma economia estagnada e pobre competindo com Paraguai e Vietnã e nos preocupamos com aumentar custo de contratação ao reduzir a jornada de trabalho. Preocupamo-nos com red pills quando os homens continuam batendo nas mulheres. Preocupamo-nos com banheiro trans quando não temos saneamento básico (e ai se a adutora for numa terra quilombola)

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u/Fearless-Key8225 — 1 month ago

O Brasil vai matar o projeto progressista

A geração que cresceu nos anos 1960 tinha um sonho utópico progressista para o Brasil: ter um welfare state num país com renda por habitante 3 vezes menor do que a França, rejeitar o encarceramento por motivo ideológico e fazer uma proteção ultragenerosa para o meio ambiente e para o menor. Isso é a base do arcabouço legal que o Brasil adotou na redemocratização.

O desencarceramento foi feito com base na frouxíssima Lei de Execuções Penais, que, na sua forma original, previa a progressão com 1/6 da pena e o livramento condicional com 1/3 da pena, inclusive para crimes violentos. Menores, ainda hoje, se cometerem um crime hediondo com 17 anos e 11 meses, vão para no máximo 3 anos de internação no reformatório.

Se você pegar, ainda hoje, a Lei de Execuções Penais, o Código de Processo Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, ignorar a história de como elas foram promulgadas e visse somente o conteúdo, acharia que foi produzida num congresso do PSOL e a relatora foi a Érika Hilton.

Embora tenha sido endurecida ao longo dos anos, é razoável achar que a facilidade da progressão penal é a festa do caqui e a justiça é uma piada.

O caso Daniella Perez foi o exemplo máximo de o progressismo penal transformar a justiça criminal numa piada. Guilherme de Pádua foi condenado a 19 anos e meio pelo crime, mas, em 6, estava na rua (livramento condicional de 1/3, regra da época, e só mudou por uma militância agressiva da mãe da Daniella, senão é capaz de ainda estar vigente).

Na questão do welfare state, cerca de metade da despesa não-financeira do governo federal é com previdência social e a Constituição obriga todos os entes de governo a gastarem valores mínimos em educação e saúde. Do ponto de vista ambiental, como podem ver no Código Florestal, temos um dos percentuais mais atos do mundo de áreas preservadas obrigatórias, o licenciamento ambiental é complexo, de regras caóticas, pouco transparentes, cheio de possibilidades de judicialização e existem muitos temores com projetos importantes para o desenvolvimento, como o da exploração do petróleo na Bacia Amazônica.

Sim, a geração que pegou o Brasil quando os militares saíram e que ainda governam, vejam a idade do Lula, criaram leis utópicas que somente são viáveis num país maduro que as pessoas têm a vida material garantida.

Não tem como adotar desencarceramento de forma ideológica com a criminalidade que temos nem como impedir projetos importantes para a economia por exageros ambientais quando a renda por habitantes é baixa.

E o welfare state? bolsa família? educação? saúde? Resposta: se a estagnação econômica continuar, eles vão diminuir muito para dar espaço a projetos industriais e de infraestrutura.

Todo país em desenvolvimento tem o problema da competição de gastos públicos: o pouco dinheiro que conseguem arrecadar tem prioridades que competem com os investimentos necessários para o desenvolvimento. O real arrecadado de imposto pode ir para uma estrada nova, para o penduricalho do desembargador ou para o SUS. Quando a situação de crise apertar e houver mais pressão para aumentar a taxa de crescimento da economia, o que é politicamente mais fácil cortar para investir em infraestrutura? No posto de saúde ou nos penduricalhos dos procuradores?

Finalmente, embora no conteúdo sejam de esquerda, elas foram promulgadas pela esquerda convencional? PT do Lula e PDT do Brizola? Não. A constituição de 88 prevê trocentos direitos humanos e sociais, um sonho utópico que você imagina que foi pensada e tocada pelas esquerda, mas, na legislatura constituinte de 1986, o PT tinha 18 deputados, nenhum senador, e o PDT, 24 deputados e apenas 2 senadores.

O Brasil, portanto, tem leis ultra-avançadas, que dão a impressão de ser um país civilizadíssimo, que somente são viáveis em país maduro que tudo está construído e as pessoas têm uma certa estabilidade garantida. É muito difícil manter essas leis quando existem preocupações mais imediatas e mais pressão pelo crescimento econômico. Uma geração dessas leis utópicas sem crescimento e elas caem todas pelas demandas imediatas, como do crime.

O que acham?

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u/Fearless-Key8225 — 1 month ago

O Brasil vai matar o projeto progressista, mais cedo ou mais tarde.

A geração que cresceu nos anos 1960 tinha um sonho utópico progressista para o Brasil: ter um welfare state num país com renda por habitante 3 vezes menor do que a França, rejeitar o encarceramento por motivo ideológico e fazer uma proteção ultra-generosa para o meio ambiente e para o menor. Isso é a base do arcabouço legal que o Brasil adotou na redemocratização.

O desencarceramento foi feito com base na frouxíssima Lei de Execuções Penais, que, na sua forma original, previa a progressão com 1/6 da pena e o livramento condicional com 1/3 da pena, inclusive para crimes violentos. Menores, ainda hoje, se cometerem um crime hediondo com 17 anos e 11 meses, vão para no máximo 3 anos de internação no reformatório.

Se você pegar, ainda hoje, a Lei de Execuções Penais, o Código de Processo Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, ignorar a história de como elas foram promulgadas e visse somente o conteúdo, acharia que foi produzida num congresso do PSOL e a relatora foi a Márcia Tiburi (a que vê lógica no assaltol).

Embora tenha sido endurecida ao longo dos anos, é razoável achar que a facilidade da progressão penal é a festa do caqui e a justiça é uma piada.

O caso Daniella Perez foi o exemplo máximo de o progressismo penal transformar a justiça criminal numa piada. Guilherme de Pádua foi condenado a 19 anos e meio pelo crime, mas, em 6, estava na rua (livramento condicional de 1/3, regra da época e só mudou por uma militância agressiva da mãe da Daniella, senão é capaz de ainda estar vigente).

Na questão do welfare state, cerca de metade da despesa não-financeira do governo federal é com previdência social e a Constituição obriga todos os entes de governo a gastarem valores mínimos em educação e saúde. Do ponto de vista ambiental, como podem ver no Código Florestal, temos um dos percentuais mais atos do mundo de áreas preservadas obrigatórias, o licenciamento ambiental é complexo, de regras caóticas, pouco transparentes, cheio de possibilidades de judicialização e existem muitos temores com projetos importantes para o desenvolvimento, como o da exploração do petróleo na Bacia Amazônica.

Sim, a geração que pegou o Brasil quando os militares saíram e que ainda governam, vejam a idade do Lula, criaram leis utópicas que somente são viáveis num país maduro que as pessoas têm a vida material garantida.

Não tem como adotar desencarceramento de forma ideológica com a criminalidade que temos com a criminalidade que temos nem como impedir projetos importantes para a economia por exageros ambientais quando a renda por habitantes é baixa.

E o welfare state? bolsa família? educação? saúde? Resposta: se a estagnação econômica continuar, eles vão diminuir muito para dar espaço a projetos industriais e de infraestrutura.

Todo país em desenvolvimento tem o problema da competição de gastos públicos: o pouco dinheiro que conseguem arrecadar tem prioridades que competem com os investimentos necessários para o desenvolvimento. O real arrecadado de imposto pode ir para uma estrada nova, para o penduricalho do desembargador ou para o SUS. Quando a situação de crise apertar e houver mais pressão para aumentar a taxa de crescimento da economia, o que é politicamente mais fácil cortar para investir em infraestrutura? No posto de saúde ou nos penduricalhos dos procuradores?

Finalmente, embora no conteúdo sejam de esquerda, elas foram promulgadas pela esquerda convencional? PT do Lula e PDT do Brizola? Não. A constituição de 88 prevê trocentos direitos humanos e sociais, um sonho utópico que você imagina que foi pensada e tocada pelas esquerda, mas, na legislatura constituinte de 1986, o PT tinha 18 deputados, nenhum senado, e o PDT, 24 deputados e apenas 2 senadores.

O Brasil, portanto, tem leis ultra-avançadas, que dão a impressão de ser um país civilizadíssimo, que somente são viáveis em país maduro que tudo está construído e as pessoas têm uma certa estabilidade garantida. É muito difícil manter essas leis quando existem preocupações mais imediatas e mais pressão pelo crescimento econômico. Uma geração dessas leis utópicas sem crescimento e elas caem todas pelas demandas imediatas, como do crime.

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u/Fearless-Key8225 — 1 month ago

Molusco impressor de dinheiro

Posso não me lembrar mais de derivada da faculdade, mas o aumento da impressão de dinheiro depois que Lula entrou está ainda mais acentuada do que na pandemia?

u/Fearless-Key8225 — 2 months ago

O professorado vai desaparecer em no máximo 20 anos

Recentemente, tivemos o caso de um aluno que colocou um caco de vidro na água de um professora. Sim, professoras são esfaqueadas, como ocorreu recentemente em Caxias do Sul/RS. Chegamos ao cúmulo de, em São Paulo, haver uma estação de metrô cujo nome é em homenagem a uma professora de ciências morta a facadas por um aluno (consulte no Google - Elisabeth Tenreiro).

Isso ocorreu porque o Brasil teve uma reação exagerada e traumática com o regime militar. Se os militares foram autoritários, então a percepção é que, quando nos livramos deles, vamos mudar todas as leis para acabar com a autoridade em geral, o que inclui o professor. A Lei de Execuções Penais transformou a justiça em outro tipo de piada, mas não é o foco aqui.

Entendeu-se que o único local social do adolescente é na escola. Hoje, é inconcebível a idéia de se espera que o adolescente esteja em qualquer outro lugar, que vá para o trabalho ainda na adolescência. Se não aprende nada do conteúdo escolar, não pode ser retido, por menos que se esforce. As infrações de convivência têm de ficar praticamente impunes, pois não se tolera expulsar um adolescente que pratique falta grave, ao contrário da geração anterior. Se os colegas querem aprender, não podem, pois o colega está jogando bolinhas de papel, atrapalhando a aula e jogando o nível todo para baixo.

A pergunta é: por que cargas d´água o professor vai ficar dentro desse inferno? Para mim, a resposta é muito simples: por que não tem alternativas profissionais. O professor se sujeita a essa humilhação toda porque tem aluguel, pensão alimentícia, financiamento de casa, financiamento de carro, filho para criar e assim por diante. Mudar de profissão é mais difícil quando a licenciatura não te habilita a outras profissões análogas e transição de carreira é complicada.

Agora, o que vc acha que vai acontecer no médio prazo quando os professores mais antigos forem embora e entrarem os novos?

O jovem professor de 22 anos que ainda não tem financiamento para pagar, vc acha que ele vai se comprometer nisso ou, quando vê que a realidade são 40 anos de escola sem disciplina pela frente, vai tomar outros rumos antes de as responsabilidades da vida pesarem? Alguém que não tem filho para criar vai permanecer nisso? Ou vai tomar outros rumos antes de as obrigações da vida pesarem?

Por isso, o professorado desaparecerá. As pessoas só aguentam a realidade escolar porque têm obrigações para pagar e não têm alternativas. Se entrarem jovens sem obrigações ou houver caminhos de transição de carreira para ex-professores que não sejam demorados, o sistema escolar acaba.

Sim, eu pessoalmente fui professor, mas tomei outros ramos e não estou mais na sala de aula desde 2010. Não tinha smartphone e a situação já era complicada naquela época. Imagina agora então.

A escola se tornou um lugar em que o estudante tem de estar dentro do sistema a todo custo e não ser punido por causa do pacto progressista pós-regime militar.

Os militares foram autoritários e fizeram barbaridades, mas o trauma foi tão forte que decidimos acabar com toda a autoridade na sociedade. Foi daí que nasceu a Lei de Execuções Penais, o Estatuto da Criança e Adolescente e deu no que deu.

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u/Fearless-Key8225 — 2 months ago
▲ 162 r/DebatesBr+2 crossposts

O professorado vai desaparecer em no máximo 20 anos

A vida de ser professor no Brasil é um inferno.

Recentemente, tivemos o caso de um aluno que colocou um caco de vidro na água de um professora. Sim, professoras são esfaqueadas, como ocorreu recentemente em Caxias do Sul/RS. Chegamos ao cúmulo de, em São Paulo, haver uma estação de metrô cujo nome é em homenagem a uma professora de ciências esfaqueada por um aluno (veja aqui a história de Elizabeth Tenreiro).

Isso ocorreu porque o Brasil seguiu a tendência ocidental de que o único local social do adolescente é na escola. Hoje, é inconcebível a idéia de se espera que o adolescente esteja em qualquer outro lugar. Se não aprende nada do conteúdo escolar, não pode ser retido, por menos que se esforce. As infrações de convivência têm de ficar praticamente impunes, pois não se tolera expulsar um adolescente que pratique falta grave, ao contrário da geração anterior. Se os colegas querem aprender, não podem, pois o colega está jogando bolinhas de papel, atrapalhando a aula e jogando o nível todo para baixo.

Se o adolescente tem de estar no sistema escolar de todo jeito, então não se é aceito fazer mais nada que o tire de lá, pois se deve evitar a "exclusão escolar" a todo custo. Não estuda? Passa de todo jeito. Agride o coleguinha? Destrói a escola? Agride o professor? Não pode ser expulso, pois é "exclusão escolar". O adolescente tem de estar dentro do sistema de todo jeito, por mais que ele ou ela odeie e lute com todas as suas forças para não estar ali. E se matar o professor? Ato infracional. Detenção de no máximo 3 anos no sistema socioeducativo.

A pergunta é: por que cargas d´água o professor vai ficar dentro desse inferno? Para mim, a resposta é muito simples: por que não tem alternativas profissionais. O professor se sujeita a essa humilhação toda porque tem aluguel, pensão alimentícia, financiamento de casa, financiamento de carro, filho para criar e assim por diante. Mudar de profissão é mais difícil quando a licenciatura não te habilita a outras profissões análogas e transição de carreira é complicada.

Agora, o que vc acha que vai acontecer no médio prazo quando os professores mais antigos forem embora e entrarem os novos?

O jovem professor de 22 anos que ainda não tem financiamento para pagar, vc acha que ele vai se comprometer nisso ou, quando vê que a realidade são 40 anos de escola sem disciplina pela frente, vai tomar outros rumos antes de as responsabilidades da vida pesarem? Alguém que não tem filho para criar vai permanecer nisso? Ou vai tomar outros rumos antes de as obrigações da vida pesarem?

Por isso, o professorado desaparecerá. As pessoas só aguentam a realidade escolar porque têm obrigações para pagar e não têm alternativas. Se entrarem jovens sem obrigações ou houver caminhos de transição de carreira para ex-professores que não sejam demorados, o sistema escolar acaba.

Sim, eu pessoalmente fui professor, mas tomei outros ramos e não estou mais na sala de aula desde 2010. Não tinha smartphone e a situação já era complicada naquela época. Imagina agora então.

Edição posterior à postagem ----------------------

A escola se tornou um lugar em que o estudante tem de estar dentro do sistema a todo custo e não ser punido por causa do pacto progressista pós-regime militar.

Os militares foram autoritários e fizeram barbaridades, mas o trauma foi tão forte que decidimos acabar com toda a autoridade na sociedade. Foi daí que nasceu a Lei de Execuções Penais, o Estatuto da Criança e Adolescente e deu no que deu.

u/BrunoofBrazil — 2 months ago

Corporação fazendo militância de causas alheias à sua atividade é desonestidade.

Junho é o mês do orgulho e das marcas colocando arcos-íris na sua marca, e como sempre, de forma seletiva conforme o país.

Empresa grande militar em causas alheias ao sue objeto é desonesto.

Corporação é uma entidade que paga o salário mais baixo possível e cobra o valor mais alto e existe para ganhar dinheiro. Ponto final. Quando estão se fingindo de salvadoras do mundo, não tem como levar a sério. Dane-se o arco-íris quando o Itaú cobra os juros que cobra. É desonestidade se prometer a fazer qualquer outra coisa que não ganhar dinheiro, como toda empresa.

Saudades de quando a esquerda demonizava as corporações. Cada um sabia do seu papel de forma honesta. Saudades das empresas que fazem lobby de verdade pressionando o governo para dar isenção no seu setor, de baixar pisos salariais e de pressionarem por ações militares para se proteger de governos contrários ao seu interesse (procure no Google United Fruit e Guatemala). Quando a empresa está fazendo isso, ela está fazendo a sua função: ser o burguês de cartola de charuto querendo dinheiro e que se lasque os outros, em vez de dar uma de salvador do mundo quando não tem interesse nenhum nisso.

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u/Fearless-Key8225 — 2 months ago