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​

A Cabeça que Esquece

Eu quero aprender.

Juro que quero.

No começo, o fogo pega:

caderno aberto, olho brilhando,

cada palavra parece caber.

Eu tento.

Anoto, repito, marco, volto.

Por um tempo, eu até sei.

Fico orgulhoso — "dessa vez ficou."

Aí o tempo passa

e a mente vira peneira.

O que entrou ontem

escorre hoje,

como se nunca tivesse estado.

E isso me incomoda

mais do que eu admito.

Porque eu sento.

Eu insisto.

E mesmo assim

parece que minha cabeça

esquece de propósito.

Sabe o que ninguém me contou?

Que aprender não é linha reta.

Que o cérebro não guarda tudo

no primeiro dia —

ele guarda quando a gente volta.

Então eu vou voltar.

Com raiva, cansado,

achando que não entra.

Porque eu não sou burro.

Eu só estou no meio do processo —

e processo é repetir dez vezes

a mesma coisa até ela pegar.

Um dia,

o que sumiu hoje

vai ficar.

Porque eu não desisti

no dia em que esqueci.

---

O Copo Cheio

Todo mundo corre atrás de copo cheio —

cheio de dinheiro, de like,

de conquista, de sorte.

E passa o dia inteiro

com o pescoço esticado,

olhando o copo do vizinho.

Enquanto olha,

derrama o seu.

Na pressa. Na comparação.

No "nunca é o bastante".

Aí chega a noite

e o copo está vazio —

não porque a vida tirou,

mas porque você esqueceu

de beber o que já tinha.

Agradece o primeiro gole.

O teto. A comida,

mesmo fria,

que matou a fome.

Agradece o simples:

estou vivo hoje.

Tem gente que bebe água limpa

e reclama da sede.

Tem gente que recebe pouco

e olha pro pouco e diz:

"já dá pra seguir."

Cuida do teu copo.

Enche ele primeiro.

Depois, se sobrar água,

você olha pro dos outros.

---

A Resposta Demorada

Você acorda com o mundo nas costas.

Conta pra pagar.

Sono atrasado.

Cabeça cheia.

Aí alguém faz uma pergunta boba:

"Almoçou?"

E você cospe fogo.

Mas não foi a pergunta.

Foi a guerra que você trouxe de casa.

Foi o cansaço que não tratou.

Foi a paciência que ficou na gaveta.

Palavra cuspida não volta.

Ela bate, machuca,

e fica quicando

na cabeça do outro

e na sua também.

Por isso, respira.

Conta até três.

Toma água.

Sai da sala por um minuto.

Deixa a raiva passar

antes de deixar a boca falar.

O mundo já está difícil demais

pra gente ser difícil

um com o outro dentro de casa.

Às vezes a melhor resposta

é a que demora —

porque resposta pensada

evita a ferida

que nenhum pedido de desculpa

apaga depois.

---

O Balde dos Outros

Você virou especialista

em achar furo no balde alheio.

"Olha como ele gasta."

"Olha como ela fala."

"Olha como ele cria o filho."

E vai catando defeito,

catando,

catando —

enquanto o seu balde

tem três furos

e a água escorre no chão

sem você notar.

Você sabe onde o outro erra,

sabe o que ele deveria fazer,

sabe até como deveria viver.

Mas não vê

o seu próprio vazando.

Então, antes de apontar,

olha pras próprias mãos.

Antes de julgar,

conserta o que está furado.

É fácil contar os buracos do outro.

Difícil é admitir

os três que tem no nosso.

Cuida do teu balde.

Quando ele estiver cheio

e sem vazar,

talvez você tenha água

pra oferecer.

Até lá, cuida do seu.

---

O Juros do Silêncio

A gente tem uma mania feia:

deixar pra depois.

"Depois eu ligo pro pai."

"Depois eu peço desculpa."

"Depois eu digo que te amo."

Só que depois cobra juros,

e os juros são caros.

Chamam-se "era pra eu ter falado".

Chamam-se saudade.

Chamam-se porta fechada.

Orgulho é dívida

que se paga com arrependimento.

Silêncio é empréstimo

que volta com dor.

Não espera o enterro

pra falar coisa bonita.

Não espera a briga virar gelo

pra descongelar com abraço.

Não espera perder

pra dar valor.

Fala hoje.

Liga hoje.

Abraça hoje.

Perdoa hoje.

Porque amanhã, às vezes,

não chega.

E quando chega,

pode chegar tarde demais.

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u/Final-Shift- — 7 days ago
▲ 13 r/escritacriativaptpt+3 crossposts

O Balde Furado

​

Zé acordava antes do galo

e só parava depois da lua.

Mas chegava o fim do mês

e o bolso continuava mudo.

— Eu ralo e não sobra — dizia.

— O mundo é injusto comigo.

Um velho na feira,

mãos grossas de quem já cavou muito poço,

vendeu pra ele um balde furado.

Três furos no fundo,

um bilhete em cada um.

**Furo um:**

*O vazamento que você não vê.*

Café. Cigarro. Mototáxi.

— É só cinco reais.

Cinco, cinco, cinco —

no fim da semana

viravam cento e oitenta.

Cento e oitenta

que podiam ser gás,

comida,

ou uma reserva guardada.

Dinheiro miúdo

é gota d'água:

sozinho não pesa,

mas enche o chão.

**Furo dois:**

*O vazamento que você empresta.*

— Me empresta até sexta.

— Me adianta aí.

Zé devia pra todo mundo.

Todo mundo devia pra Zé.

Ninguém pagava ninguém.

Dinheiro que sai

e não volta

não é ajuda.

É vazamento com sotaque de gentileza.

**Furo três:**

*O vazamento que você troca por tempo.*

Três horas de tela,

rolando a vida dos outros

pra não sentir a própria parada.

Três horas

que podiam ser trabalho,

estudo,

descanso,

ou pão na mesa.

Tempo gasto não volta.

E o relógio, diferente do dinheiro,

não aceita empréstimo — nem juros, nem prazo, nem fiador.

O velho pegou barro

e tampou os três furos com os dedos,

devagar, como quem cose um corte.

— Enche agora.

Zé encheu.

E, pela primeira vez,

a água ficou.

O velho limpou as mãos no calção e disse:

— Escuta, Zé.

Ninguém fica rico

só porque começa a ganhar mais.

Primeiro aprende a não perder

o que já tem na mão.

Conserta o pequeno

antes de procurar o grande.

Seis meses depois,

Zé não virou rei.

Mas pagou a dívida.

Comprou o gás.

E passou a vender marmita

na hora em que antes entregava a tela.

Na porta da casa dele

ficou pendurado o balde velho.

Sem água.

Só três marcas de barro

onde antes havia os furos.

Quando alguém perguntava

o que aquilo significava,

Zé sorria:

— Não é falta de sorte, não.

É balde furado.

E balde furado

a gente conserta.

---

Anota o miúdo. Cobra o emprestado. Valoriza tua hora.

Dinheiro que entra não adianta muito se encontra um furo antes de chegar ao fundo.

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u/Final-Shift- — 7 days ago
▲ 2 r/Poemas

Diário aberto

​

Não sou profeta.

Tampouco visionário.

Só leio o que o mundo

escreveu na própria pele

e esqueceu de apagar.

Sou viajante.

Na boleia do destino,

segurando firme o improviso.

Sou fio na tesoura,

sou gume na navalha.

Corto a vida

enquanto ela me retalha.

Levo a viola nas costas

e tiro verso da cartola

quando a realidade recusa a rima.

Chora, viola.

Canta baixo

neste mundo

que desaprendeu o tom do amor.

Desigualdade

insiste em rimar com hipocrisia.

Não existe verso bonito

que tape buraco de barriga.

Não existe poesia

que console um cantador

cantando para uma plateia vazia.

A natureza tosse fumaça.

Os rios engolem cinza.

O céu aprende a respirar curto.

E a gente chama de progresso

o que já tem cheiro de despedida.

No olhar de uma criança

mora um desespero antigo,

daqueles que os adultos

aprendem a atravessar sem olhar.

A televisão mora parede e meia com a tragédia.

Divide palco.

Divide audiência.

Vende o sangue em intervalo comercial

e troca de canal

antes do anúncio acabar.

Cada manchete é uma página.

Cada silêncio, uma rasura.

O diário continua sendo escrito

pela tinta das mesmas feridas.

Boi com sede bebe lama.

Barriga vazia não dorme.

Conta carneiro,

conta dívida,

conta os dias

até esquecer o gosto da esperança.

Eu não sou dono do mundo.

Mas sou herdeiro do incêndio —

recebi a chave do portão

e finjo que trancar

é tarefa de outro filho.

Não vim trazer oráculo.

Vim trazer relatório.

Se o mundo é um diário aberto,

que alguém tenha coragem

de ler em voz alta.

Mesmo sem refrão.

Mesmo sem aplauso.

Mesmo sem final feliz.

Mesmo com a garganta seca.

Porque quem escolhe o silêncio

também assina embaixo.

Este poema é uma inspiração da música de Flávio José - Filho do mundo

reddit.com
u/Final-Shift- — 15 days ago

Diário aberto

​

Não sou profeta.

Tampouco visionário.

Só leio o que o mundo

escreveu na própria pele

e esqueceu de apagar.

Sou viajante.

Na boleia do destino,

segurando firme o improviso.

Sou fio na tesoura,

sou gume na navalha.

Corto a vida

enquanto ela me retalha.

Levo a viola nas costas

e tiro verso da cartola

quando a realidade recusa a rima.

Chora, viola.

Canta baixo

neste mundo

que desaprendeu o tom do amor.

Desigualdade

insiste em rimar com hipocrisia.

Não existe verso bonito

que tape buraco de barriga.

Não existe poesia

que console um cantador

cantando para uma plateia vazia.

A natureza tosse fumaça.

Os rios engolem cinza.

O céu aprende a respirar curto.

E a gente chama de progresso

o que já tem cheiro de despedida.

No olhar de uma criança

mora um desespero antigo,

daqueles que os adultos

aprendem a atravessar sem olhar.

A televisão mora parede e meia com a tragédia.

Divide palco.

Divide audiência.

Vende o sangue em intervalo comercial

e troca de canal

antes do anúncio acabar.

Cada manchete é uma página.

Cada silêncio, uma rasura.

O diário continua sendo escrito

pela tinta das mesmas feridas.

Boi com sede bebe lama.

Barriga vazia não dorme.

Conta carneiro,

conta dívida,

conta os dias

até esquecer o gosto da esperança.

Eu não sou dono do mundo.

Mas sou herdeiro do incêndio —

recebi a chave do portão

e finjo que trancar

é tarefa de outro filho.

Não vim trazer oráculo.

Vim trazer relatório.

Se o mundo é um diário aberto,

que alguém tenha coragem

de ler em voz alta.

Mesmo sem refrão.

Mesmo sem aplauso.

Mesmo sem final feliz.

Mesmo com a garganta seca.

Porque quem escolhe o silêncio

também assina embaixo.

Este poema é uma inspiração da música de Flávio José - Filho do mundo

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Diário aberto

​

Não sou profeta.

Tampouco visionário.

Só leio o que o mundo

escreveu na própria pele

e esqueceu de apagar.

Sou viajante.

Na boleia do destino,

segurando firme o improviso.

Sou fio na tesoura,

sou gume na navalha.

Corto a vida

enquanto ela me retalha.

Levo a viola nas costas

e tiro verso da cartola

quando a realidade recusa a rima.

Chora, viola.

Canta baixo

neste mundo

que desaprendeu o tom do amor.

Desigualdade

insiste em rimar com hipocrisia.

Não existe verso bonito

que tape buraco de barriga.

Não existe poesia

que console um cantador

cantando para uma plateia vazia.

A natureza tosse fumaça.

Os rios engolem cinza.

O céu aprende a respirar curto.

E a gente chama de progresso

o que já tem cheiro de despedida.

No olhar de uma criança

mora um desespero antigo,

daqueles que os adultos

aprendem a atravessar sem olhar.

A televisão mora parede e meia com a tragédia.

Divide palco.

Divide audiência.

Vende o sangue em intervalo comercial

e troca de canal

antes do anúncio acabar.

Cada manchete é uma página.

Cada silêncio, uma rasura.

O diário continua sendo escrito

pela tinta das mesmas feridas.

Boi com sede bebe lama.

Barriga vazia não dorme.

Conta carneiro,

conta dívida,

conta os dias

até esquecer o gosto da esperança.

Eu não sou dono do mundo.

Mas sou herdeiro do incêndio —

recebi a chave do portão

e finjo que trancar

é tarefa de outro filho.

Não vim trazer oráculo.

Vim trazer relatório.

Se o mundo é um diário aberto,

que alguém tenha coragem

de ler em voz alta.

Mesmo sem refrão.

Mesmo sem aplauso.

Mesmo sem final feliz.

Mesmo com a garganta seca.

Porque quem escolhe o silêncio

também assina embaixo.

Este poema é uma inspiração da música de Flávio José - Filho do mundo

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Diário aberto

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Não sou profeta.

Tampouco visionário.

Só leio o que o mundo

escreveu na própria pele

e esqueceu de apagar.

Sou viajante.

Na boleia do destino,

segurando firme o improviso.

Sou fio na tesoura,

sou gume na navalha.

Corto a vida

enquanto ela me retalha.

Levo a viola nas costas

e tiro verso da cartola

quando a realidade recusa a rima.

Chora, viola.

Canta baixo

neste mundo

que desaprendeu o tom do amor.

Desigualdade

insiste em rimar com hipocrisia.

Não existe verso bonito

que tape buraco de barriga.

Não existe poesia

que console um cantador

cantando para uma plateia vazia.

A natureza tosse fumaça.

Os rios engolem cinza.

O céu aprende a respirar curto.

E a gente chama de progresso

o que já tem cheiro de despedida.

No olhar de uma criança

mora um desespero antigo,

daqueles que os adultos

aprendem a atravessar sem olhar.

A televisão mora parede e meia com a tragédia.

Divide palco.

Divide audiência.

Vende o sangue em intervalo comercial

e troca de canal

antes do anúncio acabar.

Cada manchete é uma página.

Cada silêncio, uma rasura.

O diário continua sendo escrito

pela tinta das mesmas feridas.

Boi com sede bebe lama.

Barriga vazia não dorme.

Conta carneiro,

conta dívida,

conta os dias

até esquecer o gosto da esperança.

Eu não sou dono do mundo.

Mas sou herdeiro do incêndio —

recebi a chave do portão

e finjo que trancar

é tarefa de outro filho.

Não vim trazer oráculo.

Vim trazer relatório.

Se o mundo é um diário aberto,

que alguém tenha coragem

de ler em voz alta.

Mesmo sem refrão.

Mesmo sem aplauso.

Mesmo sem final feliz.

Mesmo com a garganta seca.

Porque quem escolhe o silêncio

também assina embaixo.

Este poema é uma inspiração da música de Flávio José - Filho do mundo

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u/Final-Shift- — 15 days ago
▲ 2 r/Poemas

Virtude

​

Virtude não é sorte,

nem presente de nascença —

é aprendizado.

Quem conhece o bem

acha caminho

até quando a estrada escurece,

porque a luz que guia

não mora lá fora:

mora no entendimento.

O erro raramente chega

anunciando maldade.

Chega vestido de pressa,

de costume,

de um "sempre foi assim"

que ninguém teve coragem de questionar.

Ninguém cai num buraco

achando que é um buraco —

a queda começa

onde faltou enxergar.

Por isso o sábio

pergunta antes de condenar:

"O que ainda faltou compreender?"

O justo estuda

antes de decidir,

porque conhecimento

não é enfeite — é bússola.

Sem ela,

até a melhor intenção

naufraga.

Virtude é treino:

ler, escutar, pensar,

errar, voltar,

corrigir o rumo —

é reconhecer que dentro de nós

sempre existe um canto

ainda por aprender.

O bem não faz alarde.

Ele esclarece.

Quem compreende, cuida.

Quem compreende, espera.

Quem compreende, perdoa —

porque olha a raiz

antes de julgar o fruto.

É isso que a compreensão revela:

muita crueldade nasce da ignorância,

muita raiva é medo sem nome,

muito egoísmo é vazio

procurando abrigo.

Por isso a virtude nunca termina:

começa quando aprendemos,

segue quando desaprendemos,

amadurece

quando temos a coragem

de aprender de novo.

Quem conhece o bem

já não precisa de correntes

para escolhê-lo.

Escolhe

porque descobriu

que este é o único caminho

que, depois da caminhada,

deixa a consciência

mais leve.

inspiração do Sócrates :)

reddit.com
u/Final-Shift- — 22 days ago

Virtude...

​

Virtude não é sorte,

nem presente de nascença —

é aprendizado.

Quem conhece o bem

acha caminho

até quando a estrada escurece,

porque a luz que guia

não mora lá fora:

mora no entendimento.

O erro raramente chega

anunciando maldade.

Chega vestido de pressa,

de costume,

de um "sempre foi assim"

que ninguém teve coragem de questionar.

Ninguém cai num buraco

achando que é um buraco —

a queda começa

onde faltou enxergar.

Por isso o sábio

pergunta antes de condenar:

"O que ainda faltou compreender?"

O justo estuda

antes de decidir,

porque conhecimento

não é enfeite — é bússola.

Sem ela,

até a melhor intenção

naufraga.

Virtude é treino:

ler, escutar, pensar,

errar, voltar,

corrigir o rumo —

é reconhecer que dentro de nós

sempre existe um canto

ainda por aprender.

O bem não faz alarde.

Ele esclarece.

Quem compreende, cuida.

Quem compreende, espera.

Quem compreende, perdoa —

porque olha a raiz

antes de julgar o fruto.

É isso que a compreensão revela:

muita crueldade nasce da ignorância,

muita raiva é medo sem nome,

muito egoísmo é vazio

procurando abrigo.

Por isso a virtude nunca termina:

começa quando aprendemos,

segue quando desaprendemos,

amadurece

quando temos a coragem

de aprender de novo.

Quem conhece o bem

já não precisa de correntes

para escolhê-lo.

Escolhe

porque descobriu

que este é o único caminho

que, depois da caminhada,

deixa a consciência

mais leve.

inspiração do Sócrates :)

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Virtude

​

Virtude não é sorte,

nem presente de nascença —

é aprendizado.

Quem conhece o bem

acha caminho

até quando a estrada escurece,

porque a luz que guia

não mora lá fora:

mora no entendimento.

O erro raramente chega

anunciando maldade.

Chega vestido de pressa,

de costume,

de um "sempre foi assim"

que ninguém teve coragem de questionar.

Ninguém cai num buraco

achando que é um buraco —

a queda começa

onde faltou enxergar.

Por isso o sábio

pergunta antes de condenar:

"O que ainda faltou compreender?"

O justo estuda

antes de decidir,

porque conhecimento

não é enfeite — é bússola.

Sem ela,

até a melhor intenção

naufraga.

Virtude é treino:

ler, escutar, pensar,

errar, voltar,

corrigir o rumo —

é reconhecer que dentro de nós

sempre existe um canto

ainda por aprender.

O bem não faz alarde.

Ele esclarece.

Quem compreende, cuida.

Quem compreende, espera.

Quem compreende, perdoa —

porque olha a raiz

antes de julgar o fruto.

É isso que a compreensão revela:

muita crueldade nasce da ignorância,

muita raiva é medo sem nome,

muito egoísmo é vazio

procurando abrigo.

Por isso a virtude nunca termina:

começa quando aprendemos,

segue quando desaprendemos,

amadurece

quando temos a coragem

de aprender de novo.

Quem conhece o bem

já não precisa de correntes

para escolhê-lo.

Escolhe

porque descobriu

que este é o único caminho

que, depois da caminhada,

deixa a consciência

mais leve.

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Virtude

​

Virtude não é sorte,

nem presente de nascença —

é aprendizado.

Quem conhece o bem

acha caminho

até quando a estrada escurece,

porque a luz que guia

não mora lá fora:

mora no entendimento.

O erro raramente chega

anunciando maldade.

Chega vestido de pressa,

de costume,

de um "sempre foi assim"

que ninguém teve coragem de questionar.

Ninguém cai num buraco

achando que é um buraco —

a queda começa

onde faltou enxergar.

Por isso o sábio

pergunta antes de condenar:

"O que ainda faltou compreender?"

O justo estuda

antes de decidir,

porque conhecimento

não é enfeite — é bússola.

Sem ela,

até a melhor intenção

naufraga.

Virtude é treino:

ler, escutar, pensar,

errar, voltar,

corrigir o rumo —

é reconhecer que dentro de nós

sempre existe um canto

ainda por aprender.

O bem não faz alarde.

Ele esclarece.

Quem compreende, cuida.

Quem compreende, espera.

Quem compreende, perdoa —

porque olha a raiz

antes de julgar o fruto.

É isso que a compreensão revela:

muita crueldade nasce da ignorância,

muita raiva é medo sem nome,

muito egoísmo é vazio

procurando abrigo.

Por isso a virtude nunca termina:

começa quando aprendemos,

segue quando desaprendemos,

amadurece

quando temos a coragem

de aprender de novo.

Quem conhece o bem

já não precisa de correntes

para escolhê-lo.

Escolhe

porque descobriu

que este é o único caminho

que, depois da caminhada,

deixa a consciência

mais leve.

inspiração do Sócrates :)

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Virtude

​

Virtude não é sorte,

nem presente de nascença —

é aprendizado.

Quem conhece o bem

acha caminho

até quando a estrada escurece,

porque a luz que guia

não mora lá fora:

mora no entendimento.

O erro raramente chega

anunciando maldade.

Chega vestido de pressa,

de costume,

de um "sempre foi assim"

que ninguém teve coragem de questionar.

Ninguém cai num buraco

achando que é um buraco —

a queda começa

onde faltou enxergar.

Por isso o sábio

pergunta antes de condenar:

"O que ainda faltou compreender?"

O justo estuda

antes de decidir,

porque conhecimento

não é enfeite — é bússola.

Sem ela,

até a melhor intenção

naufraga.

Virtude é treino:

ler, escutar, pensar,

errar, voltar,

corrigir o rumo —

é reconhecer que dentro de nós

sempre existe um canto

ainda por aprender.

O bem não faz alarde.

Ele esclarece.

Quem compreende, cuida.

Quem compreende, espera.

Quem compreende, perdoa —

porque olha a raiz

antes de julgar o fruto.

É isso que a compreensão revela:

muita crueldade nasce da ignorância,

muita raiva é medo sem nome,

muito egoísmo é vazio

procurando abrigo.

Por isso a virtude nunca termina:

começa quando aprendemos,

segue quando desaprendemos,

amadurece

quando temos a coragem

de aprender de novo.

Quem conhece o bem

já não precisa de correntes

para escolhê-lo.

Escolhe

porque descobriu

que este é o único caminho

que, depois da caminhada,

deixa a consciência

mais leve.

Inspiração do Sócrates :)

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O que fica

​

Uma sequência sobre amor, medo e o tempo

I. Pergunta

Você segura um copo d'água

com a mão meio fechada

e ela some pelos vãos dos dedos

antes de chegar à boca.

Não é falha da mão.

É a forma da água.

Talvez o amor seja assim:

não o que fica na palma,

mas o rastro molhado

que prova que ali

alguma coisa passou.

II. O que a memória faz com um segundo

Você disse que gostava de mim

num domingo, na cozinha,

com as mãos ainda sujas de farinha.

Eu demorei.

Não muito — um segundo, talvez dois.

Tempo suficiente pra você notar

e fingir que não notou.

Não foi dúvida.

Foi outra pessoa, em outra cozinha,

tempos atrás,

querendo entrar pela brecha

que a palavra "gosto" sempre abre.

Fechei a porta a tempo.

Mas o segundo ficou.

Não tenho medo de você.

Tenho medo de uma manhã comum,

um café qualquer,

em que eu olhe pro seu rosto

e ele já não seja

o primeiro rosto que eu vejo.

III. Terça-feira

Você tentava abrir um pote de vidro

girando com força a tampa,

o pulso branco de tanto apertar.

Eu levantei da cadeira

já sabendo que você ia conseguir,

só pra ficar em pé perto de você

por mais alguns segundos.

O café esfriou na xícara

enquanto a gente discutia

se determinado ator

tinha ou não estado naquele filme —

coisa que nenhum dos dois lembraria

na quinta.

A tampa cedeu com um estalo seco.

Você riu, vitoriosa,

sem saber que eu tinha decorado

o jeito exato

como seu riso dobra a boca

pro lado esquerdo primeiro.

Um pote. Um café frio.

Uma segunda mão que não fez falta nenhuma.

E foi nesse dia, não em nenhum outro maior,

que percebi:

felicidade não bate à porta.

Ela já estava sentada na mesa

esse tempo todo.

IV. O que os dois medos disseram um ao outro

Você me contou do seu medo

olhando pro teto, não pra mim —

o jeito que as pessoas escolhem

quando a verdade é grande demais

pra caber num rosto.

Medo de me amar inteiro agora

e um dia acordar

sem lembrar o caminho de volta

até esse lugar.

Eu conhecia aquele mapa.

Já tinha me perdido nele antes.

Por isso não prometi

o que não estava ao meu alcance prometer.

Prometi outra coisa,

menor e mais honesta:

que enquanto durasse,

duraria por inteiro.

Sem guardar metade

pra não doer tanto depois.

Já vi gente que amou com economia,

poupando o coração

como quem poupa dinheiro

pra uma crise que ainda não chegou.

Chegaram ao fim

tão ricos quanto começaram.

E tão sós.

V. Inventário de uma manhã comum

Meia-noite e vinte,

seu pé frio procurando o meu

debaixo do cobertor,

sem perguntar, como quem já sabe

que tem lugar reservado ali.

Você fala dormindo.

Coisas sem nexo,

nomes de gente que não existe,

uma vez o número quarenta e dois,

sozinho, sem explicação.

Eu não durmo ainda.

Fico ali, catalogando:

o jeito como sua respiração muda de ritmo,

o cheiro de sabonete misturado

ao travesseiro,

a temperatura exata do seu pé

antes de esquentar no meu.

É disso que os dias são feitos,

não das juras.

De manhã, saio cedo

e deixo um bilhete na mesa,

com a letra torta

de quem escreve com pressa

antes de sair pro trabalho:

\*fica mais um pouco —

o café ainda tá quente

e eu não terminei de te ver.\*

Quando tudo isso um dia virar lembrança —

e vai virar, cedo ou tarde —

vou lembrar exatamente disto:

um pé frio, um número sem sentido,

um bilhete torto sobre a mesa,

a prova de que existimos

antes de qualquer promessa.

VI. Devagar

Ninguém percebe o dia exato

em que um "eu te amo" dito rápido

antes de desligar o telefone

vira um "amo você"

dito só por hábito,

sem pausa antes nem depois.

As mensagens que chegavam

enquanto a tinta ainda tava molhada

no que os dois sentiam

começam a chegar

já secas,

prontas, embaladas.

É como a água do primeiro poema:

ninguém vê o momento exato

em que ela escapa pelos vãos dos dedos.

Só se percebe, depois,

que a mão está vazia

e ninguém sabe apontar a hora

em que isso começou.

Não é o fim de tudo.

É só o fim

do jeito como as coisas eram.

E aprender a chamar isso

pelo nome certo —

sem fingir tragédia,

sem fingir que não doeu —

também é uma forma

de ter amado direito.

VII. O que ficou depois que a casa virou endereço

Ainda tenho a chave

de um lugar que não existe mais

do jeito que existia.

As paredes continuam de pé.

Só o que morava nelas

foi embora primeiro.

Teve um propósito,

e ele já foi cumprido —

como a mão que segura o copo:

não precisa reter a água pra sempre

pra ter servido de alguma coisa

no caminho até a boca.

O que me resta

não é saudade pura.

É gratidão com um vinco de dor,

a marca que a dobra deixa no papel

mesmo depois de desdobrado.

Amei alguém por um tempo.

Isso não é uma versão menor de amar.

É a única versão que existe,

disfarçada, às vezes,

de "para sempre".

VIII. A folha

Dizem que os grandes poemas

não escrevem o último verso.

Deixam a página em aberto,

esperando alguém

com coragem de continuar.

Não foi quando você disse

que ia ficar pra sempre.

Foi antes disso —

foi quando peguei a caneta

que eu carregava sozinho

e vi que você tinha largado a sua

na mesma mesa.

Escrevemos um verso cada.

Nem sempre alternado.

Às vezes um risca o que o outro escreveu

e escreve de novo,

mais perto da verdade.

Se a folha acabar um dia,

a gente procura outra.

Nunca foi o papel

que sustentou a história.

Foi a teimosia

de continuar escrevendo

mesmo depois

que a mão começa a doer.

IX. Depois de fechado o livro

Fecho este caderno.

A tinta já secou nas últimas páginas.

Ainda assim, quando esfrego os olhos de manhã,

encontro um gesto seu

morando nos meus dedos —

o jeito de segurar a caneca

pelas duas mãos,

que eu não fazia antes de te conhecer

e agora faço sem pensar.

Talvez seja só isso

que sobra, no fim:

não a promessa,

não a data,

mas um punhado de hábitos emprestados

que a gente carrega sem perceber,

prova pequena e teimosa

de que alguém existiu

dentro da nossa vida comum

e continua, ainda,

segurando a caneta

junto com a nossa.

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u/Final-Shift- — 25 days ago
▲ 1 r/Poemas

Alegria e Tristeza Andando Juntas

​

A alegria e a tristeza

nunca aprenderam

a viver separadas.

Apenas revezam

quem segura nossa mão.

E nem sempre é uma tragédia

que faz a tristeza vencer.

Às vezes,

ela cresce devagar.

Porque aquilo que antes fazia rir

agora arranca

só um "haha" vazio.

A piada é a mesma.

A gargalhada do outro também.

Mas em você

não acontece.

Só aparece

um sorriso educado.

Daqueles que a gente aprende

para não preocupar ninguém.

Você tenta achar graça.

Força os olhos a brilharem.

Mas por dentro

está tudo silencioso.

É como rir com a boca

e esquecer

de rir com o peito.

Então você olha ao redor.

Vê alguém

que encontra motivo para sorrir

numa frase torta,

num tropeço,

num instante bobo do dia.

E pensa:

"Como?"

Quase nunca

é força.

Quase nunca

é culpa.

É o jeito

que a vida ensinou cada um

a existir.

Tem gente

que aprendeu cedo

a vestir armadura.

Transformou o rosto em aço

porque descobriu

que quem mostra demais

também sangra demais.

Sem perceber,

trancou a alegria

num quarto da memória

e saiu levando no bolso

apenas a chave da tristeza.

Outros aprenderam

a deixar o riso escapar.

A encontrar alegria

nas pequenas sobras do dia.

Porque descobriram

que migalhas

também alimentam.

E, aos poucos,

a gente esquece

que um dia

ria sem esforço.

Mas a alegria

não morreu.

Ela só ficou em silêncio.

Esperando

que você descubra

que já não precisa

carregar tanto peso.

Que pode abaixar a armadura.

Que pode rir feio.

Que pode ser bobo

outra vez.

Porque felicidade

nunca foi ausência de tristeza.

É escolher,

sempre que for possível,

qual delas

vai conduzir o passo.

E se hoje

for a tristeza,

tudo bem.

Ela também passa.

Porque a alegria

raramente anuncia a chegada.

Ela aparece devagar.

Numa conversa qualquer.

Num café quente.

Num pôr do sol distraído.

Numa piada ruim

que, sem aviso,

faz você rir com o peito

outra vez.

Então fica a pergunta,

pra você levar consigo:

qual delas

está conduzindo o seu passo

hoje?

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A alegria e a tristeza

nunca aprenderam

a viver separadas.

Apenas revezam

quem segura nossa mão.

E nem sempre é uma tragédia

que faz a tristeza vencer.

Às vezes,

ela cresce devagar.

Porque aquilo que antes fazia rir

agora arranca

só um "haha" vazio.

A piada é a mesma.

A gargalhada do outro também.

Mas em você

não acontece.

Só aparece

um sorriso educado.

Daqueles que a gente aprende

para não preocupar ninguém.

Você tenta achar graça.

Força os olhos a brilharem.

Mas por dentro

está tudo silencioso.

É como rir com a boca

e esquecer

de rir com o peito.

Então você olha ao redor.

Vê alguém

que encontra motivo para sorrir

numa frase torta,

num tropeço,

num instante bobo do dia.

E pensa:

"Como?"

Quase nunca

é força.

Quase nunca

é culpa.

É o jeito

que a vida ensinou cada um

a existir.

Tem gente

que aprendeu cedo

a vestir armadura.

Transformou o rosto em aço

porque descobriu

que quem mostra demais

também sangra demais.

Sem perceber,

trancou a alegria

num quarto da memória

e saiu levando no bolso

apenas a chave da tristeza.

Outros aprenderam

a deixar o riso escapar.

A encontrar alegria

nas pequenas sobras do dia.

Porque descobriram

que migalhas

também alimentam.

E, aos poucos,

a gente esquece

que um dia

ria sem esforço.

Mas a alegria

não morreu.

Ela só ficou em silêncio.

Esperando

que você descubra

que já não precisa

carregar tanto peso.

Que pode abaixar a armadura.

Que pode rir feio.

Que pode ser bobo

outra vez.

Porque felicidade

nunca foi ausência de tristeza.

É escolher,

sempre que for possível,

qual delas

vai conduzir o passo.

E se hoje

for a tristeza,

tudo bem.

Ela também passa.

Porque a alegria

raramente anuncia a chegada.

Ela aparece devagar.

Numa conversa qualquer.

Num café quente.

Num pôr do sol distraído.

Numa piada ruim

que, sem aviso,

faz você rir com o peito

outra vez.

Então fica a pergunta,

pra você levar consigo:

qual delas

está conduzindo o seu passo

hoje?

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A alegria e a tristeza

nunca aprenderam

a viver separadas.

Apenas revezam

quem segura nossa mão.

E nem sempre é uma tragédia

que faz a tristeza vencer.

Às vezes,

ela cresce devagar.

Porque aquilo que antes fazia rir

agora arranca

só um "haha" vazio.

A piada é a mesma.

A gargalhada do outro também.

Mas em você

não acontece.

Só aparece

um sorriso educado.

Daqueles que a gente aprende

para não preocupar ninguém.

Você tenta achar graça.

Força os olhos a brilharem.

Mas por dentro

está tudo silencioso.

É como rir com a boca

e esquecer

de rir com o peito.

Então você olha ao redor.

Vê alguém

que encontra motivo para sorrir

numa frase torta,

num tropeço,

num instante bobo do dia.

E pensa:

"Como?"

Quase nunca

é força.

Quase nunca

é culpa.

É o jeito

que a vida ensinou cada um

a existir.

Tem gente

que aprendeu cedo

a vestir armadura.

Transformou o rosto em aço

porque descobriu

que quem mostra demais

também sangra demais.

Sem perceber,

trancou a alegria

num quarto da memória

e saiu levando no bolso

apenas a chave da tristeza.

Outros aprenderam

a deixar o riso escapar.

A encontrar alegria

nas pequenas sobras do dia.

Porque descobriram

que migalhas

também alimentam.

E, aos poucos,

a gente esquece

que um dia

ria sem esforço.

Mas a alegria

não morreu.

Ela só ficou em silêncio.

Esperando

que você descubra

que já não precisa

carregar tanto peso.

Que pode abaixar a armadura.

Que pode rir feio.

Que pode ser bobo

outra vez.

Porque felicidade

nunca foi ausência de tristeza.

É escolher,

sempre que for possível,

qual delas

vai conduzir o passo.

E se hoje

for a tristeza,

tudo bem.

Ela também passa.

Porque a alegria

raramente anuncia a chegada.

Ela aparece devagar.

Numa conversa qualquer.

Num café quente.

Num pôr do sol distraído.

Numa piada ruim

que, sem aviso,

faz você rir com o peito

outra vez.

Então fica a pergunta,

pra você levar consigo:

qual delas

está conduzindo o seu passo

hoje?

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Alegria e Tristeza Andando Juntas

​

A alegria e a tristeza

nunca aprenderam

a viver separadas.

Apenas revezam

quem segura nossa mão.

E nem sempre é uma tragédia

que faz a tristeza vencer.

Às vezes,

ela cresce devagar.

Porque aquilo que antes fazia rir

agora arranca

só um "haha" vazio.

A piada é a mesma.

A gargalhada do outro também.

Mas em você

não acontece.

Só aparece

um sorriso educado.

Daqueles que a gente aprende

para não preocupar ninguém.

Você tenta achar graça.

Força os olhos a brilharem.

Mas por dentro

está tudo silencioso.

É como rir com a boca

e esquecer

de rir com o peito.

Então você olha ao redor.

Vê alguém

que encontra motivo para sorrir

numa frase torta,

num tropeço,

num instante bobo do dia.

E pensa:

"Como?"

Quase nunca

é força.

Quase nunca

é culpa.

É o jeito

que a vida ensinou cada um

a existir.

Tem gente

que aprendeu cedo

a vestir armadura.

Transformou o rosto em aço

porque descobriu

que quem mostra demais

também sangra demais.

Sem perceber,

trancou a alegria

num quarto da memória

e saiu levando no bolso

apenas a chave da tristeza.

Outros aprenderam

a deixar o riso escapar.

A encontrar alegria

nas pequenas sobras do dia.

Porque descobriram

que migalhas

também alimentam.

E, aos poucos,

a gente esquece

que um dia

ria sem esforço.

Mas a alegria

não morreu.

Ela só ficou em silêncio.

Esperando

que você descubra

que já não precisa

carregar tanto peso.

Que pode abaixar a armadura.

Que pode rir feio.

Que pode ser bobo

outra vez.

Porque felicidade

nunca foi ausência de tristeza.

É escolher,

sempre que for possível,

qual delas

vai conduzir o passo.

E se hoje

for a tristeza,

tudo bem.

Ela também passa.

Porque a alegria

raramente anuncia a chegada.

Ela aparece devagar.

Numa conversa qualquer.

Num café quente.

Num pôr do sol distraído.

Numa piada ruim

que, sem aviso,

faz você rir com o peito

outra vez.

Então fica a pergunta,

pra você levar consigo:

qual delas

está conduzindo o seu passo

hoje?

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Alegria e tristeza andam juntos

​

A alegria e a tristeza

nunca aprenderam

a viver separadas.

Apenas revezam

quem segura nossa mão.

E nem sempre é uma tragédia

que faz a tristeza vencer.

Às vezes,

ela cresce devagar.

Porque aquilo que antes fazia rir

agora arranca

só um "haha" vazio.

A piada é a mesma.

A gargalhada do outro também.

Mas em você

não acontece.

Só aparece

um sorriso educado.

Daqueles que a gente aprende

para não preocupar ninguém.

Você tenta achar graça.

Força os olhos a brilharem.

Mas por dentro

está tudo silencioso.

É como rir com a boca

e esquecer

de rir com o peito.

Então você olha ao redor.

Vê alguém

que encontra motivo para sorrir

numa frase torta,

num tropeço,

num instante bobo do dia.

E pensa:

"Como?"

Quase nunca

é força.

Quase nunca

é culpa.

É o jeito

que a vida ensinou cada um

a existir.

Tem gente

que aprendeu cedo

a vestir armadura.

Transformou o rosto em aço

porque descobriu

que quem mostra demais

também sangra demais.

Sem perceber,

trancou a alegria

num quarto da memória

e saiu levando no bolso

apenas a chave da tristeza.

Outros aprenderam

a deixar o riso escapar.

A encontrar alegria

nas pequenas sobras do dia.

Porque descobriram

que migalhas

também alimentam.

E, aos poucos,

a gente esquece

que um dia

ria sem esforço.

Mas a alegria

não morreu.

Ela só ficou em silêncio.

Esperando

que você descubra

que já não precisa

carregar tanto peso.

Que pode abaixar a armadura.

Que pode rir feio.

Que pode ser bobo

outra vez.

Porque felicidade

nunca foi ausência de tristeza.

É escolher,

sempre que for possível,

qual delas

vai conduzir o passo.

E se hoje

for a tristeza,

tudo bem.

Ela também passa.

Porque a alegria

raramente anuncia a chegada.

Ela aparece devagar.

Numa conversa qualquer.

Num café quente.

Num pôr do sol distraído.

Numa piada ruim

que, sem aviso,

faz você rir com o peito

outra vez.

Então fica a pergunta,

pra você levar consigo:

qual delas

está conduzindo o seu peito

hoje?

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Ser a Partir do Nada

​

Antes não tinha tempo.

Porque tempo precisava de antes e depois.

E antes, não tinha.

Não tinha matéria.

Não tinha espaço pra matéria ocupar.

Não tinha lei, não tinha física.

Só... nada.

E aí?

De onde brotou o primeiro átomo?

Quem acendeu a primeira faísca

num quarto que nem parede tinha?

Dizem que houve um estouro.

Energia virando matéria,

matéria virando estrela,

estrela explodindo e virando você.

Mas isso explica o *como*.

Não explica o *por quê*.

Não explica por que, no meio de tanto nada,

alguma coisa quis sentir que existe.

Nada pode virar algo?

Ou o "nada" nunca existiu de verdade —

será que é só um nome

que a gente dá pro que não entende?

Não é sobre o que fazer com o ser.

É sobre por que há ser — e não nada.

Ser é isso.

É matéria que um dia não era,

lembrando devagar

que agora é.

É o universo esquecendo que era vazio

e resolvendo se olhar.

Se quebrar em pedacinhos

chamados gente, árvore, dor, amor, dúvida.

E eu, aqui, agora —

não sou o estouro.

Sou o eco dele

perguntando se faz sentido

ter ecoado.

Sinto o corpo que nem sempre existiu.

Sinto o tempo que não tinha antes.

Sinto que penso, e isso já é estranho demais

pra ser só física.

Talvez ser

seja o nada cansado de ser nada.

E por um segundo

ele quis ser.

E nesse segundo

nasceu tudo.

Espaço.

Tempo.

E a pergunta: "de onde eu vim?"

A gente é a prova

de que do nada

nasceu a pergunta.

E talvez a pergunta

seja a única resposta que a gente tenha.

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Ser a Partir do Nada

​

Antes não tinha tempo.

Porque tempo precisava de antes e depois.

E antes, não tinha.

Não tinha matéria.

Não tinha espaço pra matéria ocupar.

Não tinha lei, não tinha física.

Só... nada.

E aí?

De onde brotou o primeiro átomo?

Quem acendeu a primeira faísca

num quarto que nem parede tinha?

Dizem que houve um estouro.

Energia virando matéria,

matéria virando estrela,

estrela explodindo e virando você.

Mas isso explica o *como*.

Não explica o *por quê*.

Não explica por que, no meio de tanto nada,

alguma coisa quis sentir que existe.

Nada pode virar algo?

Ou o "nada" nunca existiu de verdade —

será que é só um nome

que a gente dá pro que não entende?

Não é sobre o que fazer com o ser.

É sobre por que há ser — e não nada.

Ser é isso.

É matéria que um dia não era,

lembrando devagar

que agora é.

É o universo esquecendo que era vazio

e resolvendo se olhar.

Se quebrar em pedacinhos

chamados gente, árvore, dor, amor, dúvida.

E eu, aqui, agora —

não sou o estouro.

Sou o eco dele

perguntando se faz sentido

ter ecoado.

Sinto o corpo que nem sempre existiu.

Sinto o tempo que não tinha antes.

Sinto que penso, e isso já é estranho demais

pra ser só física.

Talvez ser

seja o nada cansado de ser nada.

E por um segundo

ele quis ser.

E nesse segundo

nasceu tudo.

Espaço.

Tempo.

E a pergunta: "de onde eu vim?"

A gente é a prova

de que do nada

nasceu a pergunta.

E talvez a pergunta

seja a única resposta que a gente tenha.

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Ser a Partir do Nada

​

Antes não tinha tempo.

Porque tempo precisava de antes e depois.

E antes, não tinha.

Não tinha matéria.

Não tinha espaço pra matéria ocupar.

Não tinha lei, não tinha física.

Só... nada.

E aí?

De onde brotou o primeiro átomo?

Quem acendeu a primeira faísca

num quarto que nem parede tinha?

Dizem que houve um estouro.

Energia virando matéria,

matéria virando estrela,

estrela explodindo e virando você.

Mas isso explica o *como*.

Não explica o *por quê*.

Não explica por que, no meio de tanto nada,

alguma coisa quis sentir que existe.

Nada pode virar algo?

Ou o "nada" nunca existiu de verdade —

será que é só um nome

que a gente dá pro que não entende?

Não é sobre o que fazer com o ser.

É sobre por que há ser — e não nada.

Ser é isso.

É matéria que um dia não era,

lembrando devagar

que agora é.

É o universo esquecendo que era vazio

e resolvendo se olhar.

Se quebrar em pedacinhos

chamados gente, árvore, dor, amor, dúvida.

E eu, aqui, agora —

não sou o estouro.

Sou o eco dele

perguntando se faz sentido

ter ecoado.

Sinto o corpo que nem sempre existiu.

Sinto o tempo que não tinha antes.

Sinto que penso, e isso já é estranho demais

pra ser só física.

Talvez ser

seja o nada cansado de ser nada.

E por um segundo

ele quis ser.

E nesse segundo

nasceu tudo.

Espaço.

Tempo.

E a pergunta: "de onde eu vim?"

A gente é a prova

de que do nada

nasceu a pergunta.

E talvez a pergunta

seja a única resposta que a gente tenha.

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