Livre quer parecer sobre possível conflito de interesses de Ventura no inquérito a Luís Neves
Para o deputado do Livre, o líder do Chega pode estar numa situação de conflito de interesses dada a eventualidade de ter de ser ouvido pela própria comissão sobre o alegado assalto ao gabinete do Chega no Parlamento, uma vez que foi o próprio Ventura que associou o episódio à existência de documentos com “informações relevantes” sobre a actuação do então director nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves.
O argumento de Rui Tavares assenta nas duas hipóteses que, segundo lembrou, estão em cima da mesa relativamente ao assalto. “Das duas, uma: ou André Ventura é alegada vítima de um crime em que Luís Neves teria directo interesse”, apontou, como primeiro cenário, no qual antigo director nacional da PJ teria um “móbil claro” para o assalto, uma vez que os documentos alegadamente retirados do gabinete poderiam conter informação sobre a sua actuação. Ou o assalto terá sido simulado. Tavares lembrou que o próprio Ventura admitiu recentemente que as autoridades deveriam considerar essa possibilidade e até “incluírem no rol de possíveis suspeitos a própria bancada do Chega”, por ser “natural que tivessem de considerar a hipótese ou de assalto ou de simulação de assalto”. “Em ambos os casos, há um crime”, vincou.