A aplicação da Fuvest em Fortaleza é um ultraje
Como se sabe, a próxima edição do vestibular da Fuvest, a Fuvest 2027, será aplicada também na capital do Ceará, Fortaleza. Venho aqui expor a minha indignação com essa decisão e fazer um pedido à USP para que não repitam esse erro nas próximas edições do vestibular.
Em primeiro lugar, é importante perceber que entrar na faculdade nunca foi tão difícil quanto é hoje - principalmente no caso daqueles que almejam cursos de maior concorrência, como Medicina, Direito ou Engenharia. Os fatores por trás disso são diversos: maior acesso ao conhecimento, a soluções tecnológicas para o ensino, facilitação do vestibular e, principalmente, a reserva de metada das vagas da universidade para alunos de escola pública >!(naturalmente, esse último só se aplica àqueles que estudaram em escolas privadas)!<. A facilitação do acesso ao vestibular a estudantes não apenas de Fortaleza, como também de todos os outros lugares do Nordeste, inflará significativamente o número de postulantes a vagas na USP, o que dificultará significativamente o acesso dos estudantes paulistas à universidade.
Problema disso é que somos nós, os paulistas, que financiamos esta instituição de ensino. Resistimos às políticas de merda do Governo Federal, que prejudicam não apenas o desenvolvimento da indústria e da ciência no Estado, como também intereferem nas próprias diretrizes que norteiam a nossa instituição, e sugam boa parte do dinheiro arrecadado aqui para financiar - veja bem - cidades pobres no Nordeste. Então, não bastando todos os problemas expostos nesse parágrafo, o acesso à formação de qualidade dos paulistas estará injustamente mais dificultado - mais dificultado ainda, como se hoje em dia o processo de entrada na USP já fosse justo para nós.
Cabe aqui um questionamento importante: já vimos que a aplicação da Fuvest no Nordeste traz problemas, mas que problemas ela resolve? A diversidade dos alunos da Universidade certamente não é um deles. De acordo com dados da Fuvest, 10% dos alunos ingressantes na graduação na USP moravam fora de São Paulo quando prestaram o vestibular, o que imagino ser um número bem maior que o de várias outras universidades estaduais. Eu mesmo já estudo na USP e tenho diversos colegas de fora.
Posso especular que a razão de terem aberto o vestibular especificamente em Fortelza é porque lá há um grande número de estudantes muito bons: geralmente os de colégios rigorosos, como o Ari de Sá e o Farias Brito. Parece haver, então, uma vontade da USP de melhorar o corpo discente, possivelmente porque a Universidade tem caído de posição nos rankings nos últimos anos. Supondo que a USP manteve os indicadores de sustentabilidade, empregabilidade e internacionalização constantes, isso sugere que o corpo discente piorou. Faria sentido buscar melhorar o corpo discente. Se essa realmente foi a intenção por trás da aplicação da Fuvest no Nordeste, então é óbvio que essa decisão foi um lixo. Há uma única política adotada recentemente que trouxe mudanças profundas no corpo discente, e que explicaria uma possível piora no corpo discente.
Abrir o vestibular para o Nordeste, portanto, não fará nada para melhorar o corpo discente e consequentemente a produção acadêmica da instituição. Trará apenas um sufocamento ainda maior aos estudantes de escolas privadas, já restritos a uma pequena parte das vagas que sustentam com seus impostos, ultimamente impedindo-os do acesso à educação - sedimentando, assim, a discriminação em curso desde os anos 2010 contra a classe média e média-alta brasileira, especialmente a sudestina, em conformidade com a política eleitoreira do PT.
Cabe aos órgãos relevantes da USP e à Fuvest desfazerem o vergonhoso erro que cometeram nas futuras edições do vestibular, e ainda lutaram para retornar a isonomia no acesso à Universidade, tão necessária aos estudantes paulistas. Assim, garantir-se-á a devida melhora do corpo discente e da posição nos rankings da Universidade e um processo verdadeiramente justo.