
É preciso imaginar o Endrick feliz? Ou simplesmente puto da vida ainda vale?
A vida não tem propósito, é injusta, e vai nos jogar pedras e foder a gente mesmo. O Ancelotti não vai mesmo colocar o Endrick pra jogar e também não vai tirar ele da equipe de fato. Também não vai colocar a Miku no jogo, evidentemente. Isso naturalmente nos leva ao niilismo.
A questão em cena é: o niilismo é uma bosta. Claramente. Uma vida niilista mal é vida. De que adianta ficar no banco triste? Em resposta a isso surge o estoicismo e o absurdismo.
No estoicismo, dá pra ficar puto com a situação mas simplesmente engole o choro e a raiva e canaliza isso pra primeira oportunidade que vier, se vier (Ancelotti um dia colocar o menino Endrick pra jogar).
Porém no absurdismo, a lógica é diferente. Po, a Miku tá viajando o mundo, assistindo as melhores seleções do mundo se enfrentarem numa arena lotada de pessoas que pagaram absurdos pra ter uma experiência e visão PIOR que a dela, é o sonho de muitos brasileiros ver a seleção jogar em um único jogo da copa, quem dirá todos os jogos. Miku, mesmo entendendo que tem ainda menos chances que Endrick de jogar, ainda consegue ver na experiência como um todo, valor. Valor suficiente para anima-la e fazê-la sorrir. O propósito dela de fazer o gol que vira o jogo nunca vai ser cumprido mesmo, mas pelo menos tá num banquinho de celta confortável e assistindo o jogo de perto. O propósito da Miku não vem da sua nacionalidade ou algo superior. Esse propósito ela mesmo cria. Ela não torce pro Japão por nacionalismo, não tá jogando no FIFA apesar de ser digital. Ela transcende esses limites e vem jogar e torcer pro Brasil mesmo não sendo uma pessoa de carne e osso porque é assim que ela encontra sentido em sua vida.
Dito isso, é necessário imaginar o Endrick feliz? Ou se ele simplesmente ficar puto e se preparar pra virar o jogo quando entrar é o suficiente? E se ele nunca jogar? E se ele falhar em fazer o gol? E se a Miku for chamada pra jogar antes dele?