O projeto Anthology, dos Beatles, e a sua falta de apelo para as novas gerações

O projeto Anthology, dos Beatles, e a sua falta de apelo para as novas gerações

Queria discutir um pouco como as novas gerações não tem tanto apreço assim pelo projeto Anthology, dos Beatles. Isso é algo muito interessante, porque mostra um pouco como essa geração lida com a informação.

Até certo ponto, acho natural que não haja este entusiasmo.

Vivemos numa era em que a informação circula de maneira muito mais fácil do que na década de noventa, quando o projeto foi realizado. Naquela época, um projeto dessa dimensão empolgava muito e trazia muita informação nova.

Já conversei com os mais jovens e eles quase sempre me rebatem, quando falo de alguma informação do Anthology, "tá, isso eu já sabia", "ok, isso eu já no vídeo do fulano", etc...

A maioria das informações consumidas sobre os Beatles vem do YouTube, de vídeos muito bons até.

O Anthology (documentário, álbuns, livro) perdeu o apelo!

Quando fiquei sabendo que o Anthology ia ser relançado na Disney, achei que ele teria a mesma repercussão que teve o Get Back, do Peter Jackson. E fiquei empolgadíssimo, pois finalmente uma nova geração poderia ver aquilo que foi um referencial para mim, enquanto fã de Beatles.

Mas meio que passou em brancas nuvens... gerou um comentário aqui e ali, e só.

Gostaria de apontar algumas razões para isso. Perdoem os bullet points, asseguro-lhes que não é um conteúdo de IA. Sou eu que escrevo mesmo. E sim, cof cof, eu escrevo bem, cof cof.

  • O Anthology 4, em si mesmo, foi um equívoco. É isso mesmo. Não achei que havia material para um lançamento de um outro Anthology (sequência da série de três excelentes álbuns duplos, lançados na década de 90).
  • Os remixes de Real Love e Free as a Bird foram um equívoco, e dos grandes! Estes novos remixes foram ainda piores do que a ideia de lançar uma quarta edição. Uma quarta edição até está ok, vem material novo, etc. Mas os remixes ficaram ruins! Principalmente Real Love.
  • Now and Then, ainda que seja uma boa canção, não deu aquele passo a mais. Acho Now and Then uma excelente música, e o clipe é emocionante, isso não foi um erro por si só, mas não foi muito além de uma nostalgia bonita.
  • As novas gerações não tem interesse em bootlegs dos Beatles, pois está tudo aí, já há muito tempo. Não só você acha bootlegs a rodo na internet, como os próprios remixes dos álbuns principais já são lotados de material extra. Deixou de ser novidade para o fã.
  • A morte da mídia física. Sem a referência do material físico, perde-se um pouco a graça. Era legal você ouvir os álbuns e ler o booklet junto, explicando e contextualizando as informações. Aqui não tem isso.
  • O documentário é datado. O documentário está numa espécie de limbo temporal. Os Beatles existem num universo (real e idealizado) dos anos 1960, é o espírito daquela década. Anthology é anos noventa. Fica esquisito, deslocado. A nova geração não sabe com o que está lidando.
  • O trabalho de divulgação do documentário foi equivocado. Ficou mal comunicada a proposta. Além disso, espalhou-se a informação de que haviam cortado trechos dele. O jovem já não sabe o que vê, e ainda vai ver algo mutilado? Pra que vou perder meu tempo?

Enfim, acredito que foram estes alguns dos fatores.

Permitam-me defender a última parte. Eu assisti o Anthology original até me acabar, eu não só gravei em VHS da transmissão da Rede Globo, como depois comprei os DVDs. Então eu já vi tudo muitas vezes, seja a versão da televisão, seja a da mídia física.

Digo, com total segurança, que o novo Anthology é, fundamentalmente, o velho Anthology.

Nada no espírito do documentário foi mudado. Os cortes que fizeram não alteraram informações fundamentais e, ao contrário, até adicionaram um certo ritmo à narrativa. Além disso, há novos trechos. Há mais material do John Lennon.

Teve um cara que fez uma decupação da série e uma comparação minuciosa entre ambas as versões (nova e antiga). A maioria dos cortes é hesitações de fala, redundâncias, nada que seja tão relevante.

Tiraram a gordurinha do Anthology! E hoje, posso dizer, está até melhor, na versão da Disney.

(Ao contrário do meu medo, não excluíram partes sobre drogas, sobre sexo. Tá tudo lá).

Agora, sobre os álbuns, é como eu disse, o problema é que fica uma lambança ouvir no streaming, o legal era você ter os discos na mão, ver os encartes. Mesmo assim, dá pra curtir numa boa, só acho que a remasterização não acrescentou nada.

(Peguemos, por exemplo, a gravação histórica de "That'll Be The Day", a gente quer aquele chiadão da fita, essa é que é a graça).

Enfim, o Anthology foi uma referência para toda uma geração e hoje isso se perdeu um pouco, mas é o efeito natural do tempo. De todo modo, vale conhecer!

u/gabrrdt — 1 day ago

Shopping Eldorado (em São Paulo - SP), em 1989

Imagens do Shopping Eldorado, localizado na cidade de São Paulo, próximo ao natal de 1989. Este shopping existe até hoje e ainda é muito movimentado; fica próximo à região da Faria Lima.

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u/gabrrdt — 2 days ago

O que os caras do R.E.M. falaram após comerem pastel na feira e desfrutarem de uma bebida tradicional servida com ele?

♪ That's sugar cane, that tasted good...

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u/gabrrdt — 7 days ago

O novo disco dos Rolling Stones é muito bom

Inacreditável que este álbum tenha sido lançado em 2026.

E pensar que vivemos num mundo com Rolling Stones, com Deep Purple e (agora) com Rush também de volta, enfim, temos muitas bandas veterenas ainda em atividade, lançando bons trabalhos.

>!E me desculpem se acordei do coma, só fui notar este álbum agora.!<

u/gabrrdt — 11 days ago

Uma coisa que era muito improvável, mas aconteceu, na verdade tinha 100% de chance de acontecer

Título.

Se algo tinha 0,001% de chance, porém mesmo assim aconteceu, significa que tinha 100% de chance de acontecer, você só não sabia disso.

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u/gabrrdt — 11 days ago

O sorriso que você tinha na infância é o que mais fica quando você se torna adulto

Não é bem um pensamento de chuveiro, mas uma constatação que eu tenho feito ao longo dos anos.

Acabei de visitar o perfil de um amigo meu, nunca me esqueci o nome dele (é um nome bem único), a última vez que eu tinha visto ele eu tinha uns dez anos de idade.

Ele era o meu melhor amigo na escola, depois perdemos contato. Até chegamos uma vez a nos falarmos pelo telefone, na adolescência, mas aí depois cada um foi pro seu lado e realmente perdemos totalmente o contato.

Ele era amigo de ficar o tempo todo junto mesmo, a gente ficava o recreio inteiro conversando, enfim, ele era o meu melhor amigo naquela época.

Agora eu olho o cara, muito mais velho, eu mal consigo identificar aquela criança com a qual eu convivi. Mas quando ele sorri, imediatamente me vem todas as memórias e consigo identificar claramente aquela pessoa de novo.

Isso já aconteceu outras vezes, com outros amigos que eu fui só encontrar depois.

Tá aquela pessoa, lá já meio calva às vezes, etc e tal, mas é só abrir um sorriso que você consegue identificar que, de fato, é aquela mesma pessoa.

Curioso isso. De certa forma, permanecemos sorrindo, ou seja, através de sorrisos.

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u/gabrrdt — 12 days ago

Estamos todos de pleno acordo com isso, né? [sobre o Super Mario Galaxy, do Wii/Nintendo Switch]

Super Mario Galaxy tiers (estou com preguiça de fazer o chart, vai assim mesmo).

S-Tier: fases realmente de espaço, fases com música épica; Gusty Garden Galaxy
A-Tier: fases experimentais, que usam controles diferenciados; fases da abelhinha
B-Tier: fases de lava, boss fights
C-Tier: fases na praia, fases de água

E, pulando para o shit tier: purple coins em fases de areia, purple coins em fases de praia, purple coins na água. Purple coins, no geral.

(Única exceção para os purple coins: aquela fase com o Mario desenhado por cima, nas plataformas que desaparecem, essa é muito legal).

u/gabrrdt — 14 days ago

Odeio canais de línguas que falam que eu não devo dizer tal coisa

Dei uma borrada na coisa, porque meu objetivo não é apontar dedos. É uma tendência geral.

Por trás, existe a ideia nobre de expandir o vocabulário, mas enche o saco todo esse pânico de que eu não devo dizer esta ou aquela palavra (geralmente palavras bem comuns).

u/gabrrdt — 16 days ago

Quem aí lembra desse brinquedo? Jamball, era uma bola laranja arremessada com uma espécie de desentupidor. Fez sucesso nas décadas de 80 e 90.

Lembrei desta pérola ao compartilhar um relato sobre a minha infância.

Nunca jogamos muito bem isso, na real não tinha muita graça. Mas era muito icônico, lembro bem dessa bola laranja aí.

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u/gabrrdt — 16 days ago

Uma música obscura dos Beatles, filler do álbum "Help!", gerou praticamente metade das melodias da Geração Alfa

Mais uma aula do mestre Rick Beato, explicando como os Beatles fizeram isso de maneira sofisticada, usando acordes cromáticos.

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u/gabrrdt — 21 days ago

"Mãezices" na hora de dar os remédios (sem urgência, post para descontração)

Vocês também falam "manhês" na hora de dar remédios aos seus pets (gatos, cachorros ou seja lá o que você tem por aí?).

Quero compartilhar algumas das minhas mãezices ao medicar os meus gatos.

Predsim gotas: "esse é docinho... igual você!"

Sucrafilm: "Limpar babinha? Pronto... limpar babinha" (ele baba muito esse e eu limpo com um papelzinho)

Beneflora: "Vamo comer gosminha?" (às vezes vira "gominha" na fala)

Gabapentina manipulada: (sem fala, só ganha agradinho na bochecha e coçada especial no bumbum)

Kalium Vet: "esse tem gostinho de bacon! muito bom gostinho de bacon!"

Leukeran: esse o bagulho é sério, não falo muito... tem que dar com luvas coisa e tal... só fico de olho porque ele já escondeu o comprimido na bochecha!

Qualquer jejum: "agora tem que perá! mais tarde come! jejunzinho examinho!"

(Variação com o Sucrafilm: "Horrível esse gostinho de hortelã! Eu odeio, eu odeio!", quando ele baba demais).

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u/gabrrdt — 22 days ago

O seu prédio ser bonito só é bom para os outros prédios

Você passa a maior parte do tempo dentro do seu prédio, vendo os prédios de fora. A estética exterior do seu prédio só importa para os demais prédios.

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u/gabrrdt — 23 days ago

Jogos em que "jogabilidade ruim" colabora para a qualidade do jogo

Vou explicar a tese do post.

Em alguns jogos, a jogabilidade teoricamente "ruim" (em que o jogador se confunde, tem movimentos restritos, etc) acaba criando um tema, que colabora para a qualidade do jogo.

Não é só "jogo tem jogabilidade ruim, mesmo assim é bom". É mais "o jogo tem jogabilidade que seria, em tese, ruim, mas isso colabora para o jogo ter qualidade".

Alguns exemplos que me vêm à mente:

Overcooked 2. Eu só menciono o 2, porque não joguei o 1, mas imagino que seja a mesma coisa para os dois casos. Jogabilidade é propositalmente confusa, criando momentos hilários no jogo; principalmente entre dois jogadores.

Clu Clu Land. Jogo para NES. Você mexe um boneco esquisito, que gruda o braço nuns pinos e vai criando formas pela tela. Mais fácil ver a coisa em ação do que explicar. Mesma coisa acima, é uma jogabilidade estranha, mas uma vez pegando o jeito, é gostoso de jogar.

Altered Beast (tela). Clássico do Mega Drive e dos arcades. Você começa fracotão e vai ganhando poderes. Os poderes tem mais graça pelo contraste com a parte em que sua jogabilidade é estranha. Ficar rápido e forte depois de rastejar pela tela enfatiza o primeiro caso.

Asteroids (e os vários jogos por ele inspirados). A nave tem uma propulsão própria, que requer uma habilidade especial. Ela não é movida instantaneamente pela tela, mas impulsionada. Balancear esta habilidade com os tiros é uma das graças do jogo.

Super Mario Bros (poderes e especiais). O jogo em si não tem esta característica, mas os poderes do Mario sim, fato já assumido pelo próprio Shigeru Miyamoto. Aqui é mais uma questão de balanceamento mesmo. Exemplo: poder do fogo não atira reto, ele pinga pelo chão.

Super Mario Kart (casco azul). Item imprescindível para garantir a interação entre os jogadores na tela, caso contrário um dos jogadores apenas dispararia na frente, tornando um jogo divertido com itens apenas um jogo medíocre de corridas.

Enfim, na verdade todo bom jogo apresenta algum elemento acima, pois só poderes e movimentação ilimitados tornariam o jogo fácil demais e desbalanceado, mas em alguns casos isso aparece mais claramente.

u/gabrrdt — 27 days ago

Por que o Jim Morrison não usava sapatos na chuva, e ainda assim, recusando-se terminantemente a usar havaianas?

Porque riders on the storm...

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u/gabrrdt — 27 days ago

Odeio pessoa que fica com a cara enfiada no celular em situações sociais

Tenho alguns parentes assim.

Senta todo mundo no sofá da sala, ou então quando vamos a um restaurante, etc, fica lá a pessoa com a cara afundada no celular. Dá muito incômodo.

Não sei se vocês tem parentes ou conhecidos assim.

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u/gabrrdt — 28 days ago