Da série “homens não me enxergam como um ser humano”

Quando eu postei sobre me se sentir desumanizada por homens que me desejam, muitas pessoas acharam que eu estava me vitimizando e que na verdade não tem nada demais alguém dar em cima de uma mulher que acha atraente. Realmente não é nada demais, mas esse não é o problema.

Um exemplo: meu colega de trabalho (vou chamar ele de Ronaldo) me contou que um amigo dele que trabalha no restaurante ao lado (vou chamar ele de João) ficou afim de mim e queria me conhecer. Eu não fazia ideia de quem era ele, então não demonstrei interesse. Mesmo assim, Ronaldo continuou insistindo que eu conhecesse o João e desse uma chance pra ele. Inclusive mencionando que ele tinha um carro como se isso fosse me fazer mudar de ideia.
João veio no meu trabalho algumas vezes para falar comigo e eu fui educada, mas também não dei moral nenhuma. Inclusive, em uma ocasião disse com todas as letras que eu não estou interessada em um relacionamento. A resposta dele para isso foi “então podemos ser amigos?” (Enquanto me olhava com uma malícia óbvia.)

Aliás, João tentou me comprar com pizza, chocolate, pão, presentes no geral, e eu rejeitei todos eles na cara dele. Adiantou? NÃO, ele continua vindo atrás de mim, me olhando com malícia, tentando puxar assunto e abertura comigo.

Já falei umas 10 vezes pro Ronaldo que eu nao quero o amigo dele. Não adianta em nada. Acho que eles enxergam a minha rejeição como um obstáculo, um desafio a ser conquistado.

E é aí que entra o meu ponto, esse cara sequer me enxerga como um ser humano? Porque ele claramente não respeita os meus limites, minhas vontades e autonomia.

E é cansativo porque quando eu desabafo sobre esse tipo de coisa com as pessoas, e reação delas é sempre “você tem que ser grosso com ele! Você tem que agir de X forma, se não ele vai continuar”, colocando a culpa em mim por não agir da maneira “ideal.” Ou seja, não é o homem de 30 anos que deveria reconhecer o espaço e desconforto da mulher, é a mulher que tem que aprender a forma certa de afastar o homem de vez. O engraçado é que, caso essa mulher seja mal educada e grossa e esse homem se sinta no direito de fazer algo contra ela, as mesmas pessoas vão culpá-la por ter engatilhado a raiva dele…

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u/miss--angel — 7 hours ago

Todo mundo tem medo de morrer, até quem diz que não tem.

O medo de morrer é uma reação muito visceral e primitiva do organismo, e praticamente inevitável. Muitas pessoas podem não sentir de forma consciente (“Eu sei que vou morrer, mas isso não me assusta. A morte faz parte de um ciclo natural da vida”), mas de forma inconsciente é outra história. É muito interessante notar como esse terror existencial se manifesta de diferentes maneiras.

O medo visceral da não-existência nem sempre aparece de forma óbvia. Ás vezes ela se manifesta de forma mascarada: na necessidade obsessiva por controle e rotina, na necessidade de estar sempre ocupado ou se distraindo, na ansiedade inexplicável antes de dormir, na busca incessante por validação, basicamente a mente traduz o pânico da finitude em preocupações cotidianas porque é mais fácil do que encarar o vazio.

Uma pessoa pode afirmar com confiança que não sente medo de morrer, mas se preocupa em manter um legado, ou em ter filhos para passar os genes, ou em ter uma morte heróica com significado, ou em fazer parte de algo maior como um movimento político ou religioso, e todas essas coisas são tentativas de alcançar a imortalidade mesmo que simbólica.

Dá para pensar em inúmeros exemplos. Alguém que é obcecado demais por academia, dieta e emagrecimento parece estar tentando se distanciar o máximo possível da sua natureza perecível e caótica, em um nível mais profundo, da morte.

Alguém que é obcecado por relacionamentos românticos e não consegue ficar sozinho por muito tempo, pode sentir que se está sendo visto é validado pelo outro, talvez consiga enganar a morte e o vazio por trás dela.

É importante pensar sobre isso, pq às vezes o terror existencial da morte pode estar controlando a sua vida, sem que você tenha qualquer consciência sobre. No meu caso pessoal, percebi que o medo se traduz na minha tendência de hiper-análise e controle cognitivo. Eu tento o tempo inteiro entender as engrenagens do mundo ao meu redor, das outras pessoas e de mim mesma, e isso acontece porque me causa uma sensação de controle. Se eu entender sobre tudo e todos, se eu estudar sobre comportamentos, vieses cognitivos, e a natureza humana, talvez possa me tornar imune a tudo isso e eu consiga trapacear a morte.

No final, é praticamente inevitável.

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u/miss--angel — 16 hours ago

Vocês se sentem como um personagem de um jogo?

Às vezes eu sinto como se fosse um personagem de um jogo de simulação. Por algum motivo eu vim para esse mundo estranho e minha consciência foi projetada em um corpo com uma história específica e eu devo “jogar” de acordo com essa história.

Nesses momentos eu sinto uma certa desconexão com a identidade qual me foi dada. Sou um ser humano, mulher, tenho 23 anos, sou brasileira, cidadã, filha, amiga, e um tanto de outras coisas que formam o meu “eu.” Mas eu sinto que tudo isso é só um avatar que foi criado, para ser mais fácil de navegar pelo mundo.

Nesses momentos eu passo a me assistir em terceira pessoa, como se eu estivesse literalmente jogando um jogo de simulação.

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u/miss--angel — 1 day ago

Saí com um cara que realmente me respeitou.

Ele tinha me chamado pra tomar vinho na casa dele e tipo… é lógico que em 99,9% dos casos isso significa que o cara só quer te comer. Eu já tinha conversado com ele que tenho um ritmo diferente e que preciso me sentir muito confortável com uma pessoa para que eu consiga avançar em algo, então eu fiquei pensando, será que ele vai tentar algo mesmo? Pra matar qualquer dúvida, eu mandei mensagem perguntando se ele tinha expectativa que ia rolar algo e ele rapidamente disse que não, que qualquer coisa a gente podia ir pra outro lugar, se eu tivesse algum receio.

Enfim, eu senti uma confiança nele nesse momento e disse que tava de boa, que eu podia ir na casa dele tomar o vinho e ficar de boa lá. No começo ele tava um pouco desconfortável e envergonhado pq achou que eu tava com medo dele kkkkkk eu não tava com medo, só tinha me comunicado com ele antes para não gerar nenhum desentendimento, né? Uma vez na casa dele, a gente tomou o vinho e ele não tentou nada! Nem encostou em mim. Até mesmo quando eu já tava bêbada e mais solta.

Agora tava pensando, isso é meio que o mínimo né, mas infelizmente acredito que 90% dos caras teria agido de uma forma bem diferente.

Enfim, ele está realmente respeitando o meu ritmo e meus limites e autonomia e etc… e apreciando a minha companhia por si só, sem expectativa de sexo ou sla o que. É meio raro eu vivenciar isso.

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u/miss--angel — 3 days ago

Incrível como eu sempre sei qual a intenção de um homem.

Não sei se é assim pra toda mulher, mas eu pelo menos sempre sei qual a intenção de um homem perto de mim, mesmo que ele não me diga diretamente. Eu sei se ele tem segundas intenções comigo, se não tem, se ele é malicioso, se é respeitoso, ou se é até respeitoso mas ficaria comigo dada uma oportunidade. Acho que isso acontece pq eu acumulei muita experiência durante a minha vida envolvendo homens se interessando por mim (desde criança), a gente acaba aprendendo a reconhecer padrões com muita facilidade. Padrões da linguagem corporal, das expressões faciais, tons de voz, etc. Ou talvez homens que são fáceis de ler mesmo. Mas é engraçado..

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u/miss--angel — 5 days ago

Pessoas trans merecem respeito e dignidade acima de tudo.

Uma coisa que eu reparo em debates envolvendo gênero, sexo e transgeneridade é como o fato mais simples de todos é ignorado: independente de qualquer coisa, estamos falando sobre seres humanos.

Sinto a necessidade de pontuar isso porque eu comumente vejo pessoas discordando da “ideologia trans” como se fosse uma mera teoria política ou filosófica como qualquer outra, ignorando que se trata principalmente da existência de pessoas que sofrem, experienciam, amam e sentem dor como qualquer outra… não dá para o debate ficar só no campo abstrato das ideias, como se estivéssemos discutindo sobre um teorema matemático, não, estamos literalmente discutindo sobre a existência, vida e dignidade de seres humanos.

Inclusive, eu diria que esse distanciamento intelectual é um mecanismo de “defesa” mesmo, se você desliga a sua empatia por um grupo de pessoas (mesmo que de maneira inconsciente) se torna mais fácil deslegitimar as pauta que esse grupo traz.

Sempre que alguma pessoa traz alguma argumentação super “lógica” problematizando como a “ideologia trans” não faz sentido, como a auto-identificação é um critério muito subjetivo e que isso pode causar problemas na sociedade (dando um exemplo), o que me vem na cabeça é: Ok. Mas então qual seria a sua solução para resolver esse problema?

Eles nunca pensam em uma solução prática que de fato resolva o problema e que ao mesmo tempo minimize sofrimento (incluindo o de pessoas trans), porque a motivação não é solucionar nada, e sim invalidar.

Não faz nenhum sentido você analisar o “movimento trans”, encontrar alguma contradição na sua visão e vir com um “gotcha!” Tá, e aí? Mas aonde você quer chegar com isso? Pq pessoas trans vão continuar existindo, não dá para simplesmente fingir que não, ou tentar “curá-las” a força (algo que nunca deu certo na história da humanidade, até porque não se trata de uma doença.) O melhor a se fazer não é invalidando a existência de pessoas trans, e sim encontrando a solução que melhor minimize danos.

Eu espero que tenha ficado claro o que eu quis dizer.

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u/miss--angel — 5 days ago

A ambiguidade humana.

O fato de que seres humanos são imperfeitos é o que faz eles tão interessantes: eles são complexos, falhos, ambíguos, hipócritas, se contradizem o tempo inteiro – essas características nos tornam irritantes, claro, mas também são os que nos fazem essencialmente humanos.

Eu amo como por trás de todo comportamento existe uma rede causal complexa por trás, como dificilmente alguém é totalmente mau ou totalmente bom, como uma pessoa super empática em algum outro contexto pode ser extremamente fria e até mesmo cruel, acho fascinante analisar as nuances.

Ultimamente algumas pessoas que eu gostava apresentaram algum comportamento problemático e eu naturalmente me decepcionei com elas por isso, mas ao mesmo tempo… caramba, isso também torna elas tão mais interessantes. É igual em livros, personagens totalmente coerentes e bonzinhos o tempo inteiro são entediantes, enquanto personagens complicados, moralmente cinzentos são muito mais identificáveis.

Minha reflexão do momento :D

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u/miss--angel — 6 days ago

Mulheres +30 vistas como invejosas por problematizarem predadores.

Toda hora aparece um post (de um homem, óbvio) falando como tá tudo bem se relacionar com uma mulher de 18 anos sendo um marmanjo de mais de 30, e como as mulheres mais velhas que problematizam isso são invejosas pq são trocadas por novinhas.

Eu fico pensando, mas inveja do que? Nossa, realmente é o meu sonho ter a atenção de um velho nojento que vai em porta de escola atrás de menina ingênua pra manipular kkkkkkkkkkkkkkkk crlh, tudo que eu queria era esse homem na minha vida! (Alerta de ironia)

No caso eu passo por isso pq eu tenho 23 com carinha de 16-18, essas porras vem atrás de mim e eu só consigo sentir asco porque eu entendo que esses caras só desumanizam e objetificam mulheres mesmo, e eu to cansada de passar por isso desde meus 12 anos de idade. Tambem tenho plena convicção de que as que gostam dessa atenção (ou supostamente sentem inveja) sofreram lavagem cerebral pesada, porque sinceramente…

Alias, esse papinho de que “as mulheres mais velhas morrem de inveja porque o tempo é brutal com elas” é pura PROJEÇÃO. Esses homens são obcecados com a juventude porque internamente são inseguros, são eles que morrem de medo de serem descartados e desvalorizados e projetam essa insegurança nas mulheres. É muito claro isso pra mim.

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u/miss--angel — 6 days ago

Parte do porque homens são solitários acontece pq eles não enxergam mulheres como pessoas.

Homens heterossexuais comumente sofrem com a solidão, mas em parte é um efeito colateral da forma que eles enxergam mulheres.

Eu percebo que os homens que se interessam por mim normalmente não se interessam primeiro como um ser humano, mas por ser “mulher.” Como se eu estivesse em uma categoria à parte de “humano” mesmo. Por eu ser uma mulher bonita, jovem e agradável. Não há um desejo real por conexão, não há um interesse genuíno pela minha subjetividade, individualidade e complexidade como uma pessoa.

E eu consigo perceber isso nitidamente quando eu comparo minha relação com homens heterossexuais e mulheres e homens gays. Nesse caso, como eles não possuem intenção romântica e sexual por mim de forma exclusiva, isso abre espaço para a amizade genuína, para a intimidade, para a conexão, o companheirismo, a troca de ideias, identificação, a afinidade intelectual, apoio mútuo, todos essas coisas que possuem uma riqueza intrínseca msm que a amizade seja platônica.

Eu exemplifiquei com experiências pessoais minhas, mas esse fenômeno é presente na nossa sociedade por causa da forma que homens são socializados. A mulher não é vista como um sujeito complexo, que possui valor inerente independente do potencial romântico e sexual que ela oferece. Não é vista com a sua subjetividade, inteligência, ambições, defeitos, desejos, mas como um objeto que cumpre funções.

É daí que surge o conceito de “friendzone”. Como esses homens não conseguem ver valor na amizade feminina como um fim por si só, mas como um meio para romance ou sexo, eles se frustram quando não conseguem atingir o seu propósito. E daí, se sentem solitários.

Mas é claro que se sentem solitários, como você se conecta verdadeiramente com alguém que você desumaniza? A desumanização da mulher nesse caso não atinge apenas as mulheres, mas a sociedade como um todo, inclusive homens…

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u/miss--angel — 7 days ago

Eu amo muito muito esse doce!

Não sei pq eu amo tanto esse doce feito de doce de leite, mas é perfeito, todo dia eu vou no mercadinho aqui perto (único lugar que vende 😭😭😭) e pergunto se já chegou E SEMPRE DEMORA PRA CHEGAR, já fui lá umas cinco vezes perguntando do doce e eles sempre falam que vai chegar tal dia e eu fico triste pq sempre demora…

A parte triste dessa história é que quando finalmente chegou lá, fiquei sem dinheiro então só pude comprar um.

Esse doce é tipo um dos meus únicos motivos de continuar vivendo no momento. Ele é especial, sabe?

u/miss--angel — 8 days ago

É estranho eu ter escrito sobre o ponto de vista de um tênis senciente?

Eu acabei de escrever uma história sobre um pé de tênis senciente que tem um debate filosófico com um gato após ser descartado em um porão pelo dono. Eu to me sentindo meio estranha por isso…

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u/miss--angel — 9 days ago

Na verdade é o oposto: o ser humano teme a liberdade.

Existe essa intuição de que o ser humano busca pela “libertinagem”, pela ausência total de regras e limites, mas na verdade é o completo oposto. A maioria de nós se sente mais seguro em um sistema que fornece estrutura, previsibilidade e ordem, ESPECIALMENTE em contexto de vulnerabilidade social e econômica.

É por isso que inclusive, o índice de religiosidade é maior em países violentos. Existe essa correlação porque quando as pessoas sentem que o mundo é caótico e imprevisível demais, elas tendem a se agarram a sistemas religiosos (ou políticos) dogmáticos, justamente porque esses sistemas fornecem previsibilidade para o sistema nervoso.

Mesmo que uma religião pareça ser sufocante por ter determinadas regras desconfortáveis, ainda sim é mais desejável para o cérebro por conta dessas questões.

Parafraseando a famosa “O homem é condenado a ser livre” de Sartre, é basicamente isso. A liberdade é na verdade um dos nossos medos existenciais porque quando você se depara com muitas possibilidades e caminhos e você sabe que se tomar a decisão errada, a culpa vai ser inteiramente sua, a sua ansiedade aumenta. Além de que é muito mais custoso para o cérebro ter que criar o propósito do zero.

u/miss--angel — 10 days ago

Lidando com um homem chato.

Um cara 20 anos mais velho que eu se “apaixonou” por mim em uma festa que a gente se conheceu e ficou em cima de mim desde então, mesmo eu claramente desinteressada. Inclusive eu disse que não tenho interesse e eu não respondo as mensagens que ele manda, me chamando de princesa, me mandando vídeo e coisas assim. A minha amiga (que é amigo dele) disse que ele “entendeu” a minha rejeição e que tá de boa, mas sabe quando o cara só finge que aceitou? É só espera uma oportunidade pra você dar abertura pra ele? Teve um dia que ele veio aqui com essa amiga e ficou toda hora tentando me tocar, me elogiar, querendo que eu saísse junto com eles. Eu toda hora bem desconfortável.

Hoje ele me mandou mensagem de novo, já estou irritada com essa situação, ent sabem o que eu fiz? Pedi dinheiro pra ele.

Kkkkkkkkkkk engraçado que ele não me respondeu até agora.

Agora toda hora que ele vier com gracinha, vou pedir dinheiro. Inclusive, acho que eu mereço ser remunerada pela perturbação❤️

Edit: Aparentemente as queridas não entenderam que o problema NÃO são as mensagens. Mesmo se eu bloquear, ele vai continuar atrás de mim, e ele pode vir atrás de mim pq tem fácil acesso aonde eu moro e trabalho. E se eu bloqueasse, ainda é capaz de eu irritar ele. Enfim, mto obrigada pelo apoio gente 👍🏼

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u/miss--angel — 11 days ago

Por que mulheres contra os direitos das mulheres não fazem o que defendem?

Eu acho hilário quando mulheres conservadoras que lutam contra a democracia, o voto feminino, a igualdade de gênero e etc utilizam da própria voz para lutar por essas coisas. Tipo, se você realmente acha que deve ser submissa aos homens e não tem direito a fala, por que diabos você tá falando? Fica quieta então, ué.

Tipo pq elas vão em debates, por que elas criam conteúdo para expressar a sua opinião, se o que elas realmente querem é ficar em casa cuidando dos filhos? Vai pra casa cuidar dos filhos e fica calada kkkkkkkk

Posso estar soando machista, mas não só sou eu q to defendendo que mulher é menos na sociedade, elas que estão. Cadê a coerência?

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u/miss--angel — 12 days ago
▲ 8 r/golpes

Qual que é o golpe aqui?

Recebi uma mensagem no Telegram propondo mini tarefas remuneradas e eu realmente recebi após completar. Onde está o golpe?

u/miss--angel — 13 days ago

Ter que pagar pra usar o e-mail.

Nossa, que ódio disso, sério. Sério que eu sou obrigada a pagar pra pode acessar meus e-mails? Kkkkkkkkkkk tmnc

u/miss--angel — 13 days ago

Você percebe como certos comportamentos são predatórios quando envelhece.

Atualmente tenho 23 anos e eu literalmente sinto meu cérebro terminando de amadurecer kkkkkkkkkkk

Percebi que não me submeto mais a certos tipos de situação que eu achava que era meu dever aceitar. Pra vocês terem uma noção, quando eu era bem novinha (lá pros meus 15 -18 anos) eu me forçava a me relacionar com caras que gostavam de mim, pq eu achava que era obrigada a agradar eles, por algum motivo? Ou se eu recusasse, sentia que estava sendo chata ou ruim.

Recentemente uma amiga minha tentou me pressionar a ficar com o amigo dela que tem vinte anos a mais que eu, ele foi um completo creep o evento inteiro pq ele me achou atraente e ainda tava bêbada. Eu consegui engolir o meu velho people pleaser e deixei bem claro que eu NÃO quero e não sou obrigada. Não tento mais ser educadinha com esses homens.

Se eu saio com algum e ele paga algo pra mim, não acho mais que eu tenho que ficar ou dar pra ele só porque ele fez isso. Agora eu tbm percebo tentativas de manipulação muito mais facilmente.

Mas isso só me faz pensar como homens que vão atrás de meninas de 20 anos e menos possuem comportamentos extremamente PREDATÓRIOS. Eles se aproveitam que é uma mulher muito nova, que ainda não tem noção do mundo e nem tá com o cérebro totalmente maduro ainda. Isso fica muito mais claro quando você fica mais velha mesmo. E é por isso que eles vilanizar mulheres mais velhas e chamam elas de amargas, são justamente as mulheres que eles não conseguem controlar.

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u/miss--angel — 13 days ago

Quem tenta suicídio não é covarde.

Não sei como esse mito foi inventado, porque não faz sentido nenhum. Quando uma pessoa se auto-mutila ou tenta desviver, ela está basicamente lutando contra bilhões de anos de evolução, mano. O imperativo biológico mais primitivo e implacável que existe é o de continuar vivendo, ter medo de morrer e de sentir dor. Se alguém chega no ponto de passar por todos esses instintos (que é o mais básico que qualquer organismo pode ter), é porque tem algo de muito errado e essa pessoa está passando por um sofrimento inimaginável.

Claramente o que requer é muita coragem, na verdade a palavra melhor seria desespero..

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u/miss--angel — 13 days ago

Como as pessoas começam a se relacionar tão rápido?

Eu tenho um ritmo muito lento e não consigo acompanhar as outras pessoas. Já tentei usar aplicativo de relacionamento mas nunca funcionou, porque fica aquela pressão de já iniciar algo romanticamente e sexualmente com a outra pessoa, sendo que você acabou de conhecer ela. Eu não consigo e não entendo como as pessoas já conseguem se apaixonar e começar a namorar com uma pessoa com pouquíssimo tempo.

No meu caso, só consigo construir uma atração pela pessoa aos poucos, começando com uma relação de amizade mesmo, onde a gente conversa sobre tudo, sai juntos em passeios SEM aquela pressão de que tem que “rolar algo” (odeio isso), e nos conhecemos bem, sabe? A proximidade, a conexão e a intimidade são construídos de forma orgânica e natural.

Acho que sou assim em parte, pq eu desejo que meu parceiro primeiro se interesse por mim pela minha pessoa, e não por eu ser uma garota atraente que ele quer comer, sabe? Quero que ele primeiro goste da minha COMPANHIA e de fato se interesse pelas nossas conversas, pelo meu jeito de ser. Mas eu sinto que a maioria dos caras não consegue enxergar mulher dessa forma.

Eu saí uns dois dias com um conhecido que eu achei interessante e ele se apaixonou por mim no primeiro dia que a gente saiu? Como assim? Se apaixonou como, se nem me conheceu direito? Se eu falei tão pouco? Wtf. Acho que é por esse motivo que eu nunca vou conseguir ter nada com ninguém kkkkkkkjj não consigo acompanhar

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u/miss--angel — 14 days ago

A biologia do gênero que preconceituosos ignoram.

Normalmente pessoas com discursos anti-trans se baseiam em uma biologia simplificada que elas aprenderam no ensino médio, onde não foi ensinado a diferenciação entre sexo, gênero e identidade de gênero de forma profunda. Elas param na conclusão de que XX = mulher e XY = homem, ignorando décadas de pesquisas em áreas como neurobiologia, endocrinologia e desenvolvimento humano que apontam para uma realidade muito mais complexa.

Antes de avançar, é necessário diferenciar alguns conceitos:

Sexo biológico: cromossomos, hormônios, gônadas, anatomia. Se trata, de forma resumida, do conjunto de características físicas e anatômicas usado para classificar organismos, ligado à reprodução. Seres humanos são tipicamente classificados em machos e fêmeas (tendo variações com as pessoas intersexo.)

O gênero é uma construção social, cultural e histórica, pois o que entendemos como “homem” e “mulher” varia muito de uma sociedade para outra. Mulheres usarem maquiagem e vestido, homens usarem cabelo curto e terno e os papéis de gênero associados a cada um (homem provedor, mulher do lar) não são traços da natureza determinados biologicamente e sim expectativas sócio-culturais criadas de acordo com determinado contexto e ambiente.

Porém, o que causa muita confusão nas pessoas é o fato de que por mais que o gênero seja uma construção social, a identidade de gênero (ou seja, o senso interno do indivíduo de alinhamento com um gênero) possui um forte componente neurobiológico.

A construção da identidade de gênero começa antes mesmo do nascimento: estudos de neuroimagem e diferenciação cerebral mostram que a diferenciação das genitálias ocorre em um momento diferente da diferenciação sexual do cérebro, tornando completamente plausível a possibilidade desses processos nem sempre “combinarem.”

Em outro clássico estudo, pesquisadores analisaram o volume do núcleo leito da estria terminal, uma sub região do hipotálamo. Eles descobriram que mulheres trans (mesmo antes de terapias hormonais) possuíam o tamanho e a densidade celular do BNST equivalentes aos de mulheres cisgênero.

Obs: apesar da implicação, devo pontuar que cérebros humanos não são definidos como "machos" ou "fêmeas". Em vez disso, cada cérebro é um mosaico único de características, algumas mais comuns em homens, outras em mulheres.

Nós possuímos a tendência de analisar o mundo por uma visão binária e dicotômica (ou o fenômeno é exclusivamente biológico ou exclusivamente social), mas esses dois fatores estão envolvidos simultaneamente no fenômeno do gênero.

Uma analogia para exemplificar é a linguagem:

A nossa linguagem é uma construção social (português, inglês, francês, etc), o que significa que nós inventamos o conjunto de regras que formam determinada língua.

Porém, a capacidade de falar é biológica. Nós nascemos com áreas do cérebro responsáveis por isso (área de Broca e Wernicke).

A identidade de gênero funciona mais ou menos assim: existe um “mapa” interno (identidade de gênero/biológico) que é expressado e nomeado por um indivíduo de acordo com o contexto social (expressão de gênero/cultura.) A percepção interna de si é a base biológica que a cultura irá moldar.

Isso inclusive significa que uma pessoa trans não se identifica com determinado gênero por mera “preferência” ou porque ela “quer” ser desse gênero. Na verdade, a sua identidade é uma realidade intrínseca e concreta em sua experiência.

É no mínimo curioso que as pessoas se apeguem tanto a biologia do sexo e ignorem completamente a biologia do gênero para anular a existência de pessoas trans.

O argumento preconceituoso (“o que importa é o sexo biológico!”) foca na parte anatômica porque é visível e mais fácil de classificar de forma simplista. Mas se formos realmente considerar qual o “aspecto” importa mais na discussão do gênero (corpo vs cérebro), faz bem mais sentido apontar que é o cérebro. Nós não somos os nossos cromossomos, as nossas genitais ou a nossa capacidade reprodutiva. É o cérebro a sede da nossa identidade, onde reside a autoconsciência, a metacognição, as memórias e a percepção de si mesmo e do mundo ao redor.

Em resumo, as evidências científicas atuais sugerem que o nosso gênero não pode ser reduzido à anatomia ou aos cromossomos, já que um conjunto significativo de pesquisas indicam que fatores biológicos e neurodesenvolvimentais participam da formação da identidade de gênero. Isso deve ser considerado nas discussões.

Independente de qualquer coisa, há um fato mais simples: pessoas trans existem. Elas não são alguma teoria política que você pode simplesmente “discordar” e fingir que não existe, se trata de seres humanos reais, com experiências, sonhos, dores e sofrimentos. Se somos uma sociedade que se importa com a realidade dos fatos e zelamos pelo bem-estar coletivo, precisamos acomodar o fato de que a transgeneridade faz parte da diversidade humana, e que essas pessoas merecem respeito e proteção.

Fontes:

Neurobiology of gender identity and sexual orientation. Pubmed.

Sexual differentiation of the human brain: Relation to gender identity and sexual orientation. Frontiers in Neuroendocrinology.

The Sexual Differentiation of the Human Brain: Role of Sex Hormones Versus Sex Chromosomes. Handbook of Clinical Neurology.

A sex difference in the human brain and its relation to transsexuality. Nature.

Evidence Supporting the Biologic Nature of Gender Identity. Endocrine Practice (Official Journal of the American Association of Clinical Endocrinologists).

Endocrine Support for Transgender Individuals: An International Society of Endocrinology Position Statement. Endocrine Reviews.

Sex beyond the genitalia: The human brain mosaic. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Prof. Robert Sapolsky: neurobiology of trans-sexuality.

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u/miss--angel — 14 days ago